A Aurora Dourada Brasileira

Autor(a): W. Braga


Volume 1

Capitulo 11: A FORÇA QUE VEM DO DESERTO

Era dia quando o príncipe Walery acordou.

Sua expressão desespero por não saber onde estava. Levantou-se rapidamente daquela macia cama e vendo que estava dentro de uma tenda.

De imediato, procurou por sua espada e não a encontrou.

Olhou em outra direção e viu uma linda e jovem mulher: de cabelos longos, cacheados e avermelhados. Como a cor do fogo, com trajes finos e claros. Segurava a espada, disse a ele:

— Está à procura disso, cavaleiro?

— Sim! Me entregue, por favor! — respondeu Walery.

Ela foi em direção a ele com a espada nas mãos e entregou-lhe.

Disse calmamente a ele:

— Seus companheiros já estão acordados e o aguardam! — falou a jovem de grande formosura.

— Sim! Só me deixe colocar a minha armadura.

Ela concordou, ajudando-o a colocar sua armadura.

— Agora, siga-me. — disse ela logo depois, com um lindo sorriso.

Ele seguiu a jovem, saindo da tenda onde os dois estavam.

Passaram por dentro de um acampamento cheio de outras tendas de vários tamanhos e cores.

Soldados por todos os lados e muitos servos e servas iam e voltavam de dentro das tendas.

Os dois foram em direção a outra tenda. Bem maior que as demais.

Era a tenda principal. Em volta, encontravam-se homens de grande porte físico e bem armados, fazendo a guarda.

Ao entrar na tenda: Walery viu muitos soldados sem armaduras portando lanças, espadas e escudos, além de belas mulheres que vieram recebê-lo. O cheiro de flores e incenso pairava no ar.

— Então, acordou o jovem cavaleiro! Seja bem-vindo a minha tenda. — disse um homem que estava cercado de lindas mulheres.

Sentado em cima de um tapete rico em detalhes e com muitas almofadas ao seu redor.

Era de estatura alta e forte. Seu rosto tinha uma barba grisalha, a pele era bronzeada pela força do sol e olhos firmes.

Suas vestes eram de muita grandeza. Em seu pescoço, havia um colar feito de puro ouro que sustentava uma pedra preciosa no formato losangular e na cor azul. Em seus dedos, anéis com diversas pedras preciosas em várias cores e formatos.

Tudo mostrava o quanto este homem era rico e nobre.

— Quem é você? — perguntou Walery, sem saber onde estava.

— Sou Manás, governante das Terras das Planícies do Oeste! Para sua sorte estávamos passando por aqui. Vocês estão no Deserto dos Sem Almas.

No mesmo instante, interrompendo a conversa, os outros cavaleiros chegaram.

— Vejo que está bem! — disse príncipe Igor, feliz em vê-lo.

— Sim, estou melhor! E vejo que vocês também. — respondeu o príncipe Walery.

Dando um sorriso a todos, ele se virou e disse:

— Agradeço a vocês por nos socorrer, mas precisamos partir!

— Ah! Sim! Uma jovem que foi raptada por criaturas aladas! Seus amigos falaram-me a respeito. Infelizmente... não posso ajudá-los, mas conheço alguém que mora em uma cidade próxima que pode!

— Agradecemos! Mas podemos continuar sozinhos. — respondeu Walery com tom de arrogância. — pensou em usar os poderes da sua espada mística para encontrá-la!!

— Infelizmente, soberbo cavaleiro, não pode! Você e seus companheiros desconhecem essas terras e o que enfrentaram. É um lugar de perdição, aqueles que se arriscaram a atravessá-lo... foram mortos pelas forças das trevas aqui existentes. Por isso, tenham paciência. Logo partiremos, é perigoso ficar nessa parte do deserto! — advertiu Manás.

Walery olhou para os que estavam com ele. Com um gesto de cabeça, concordaram com o que Manás havia falado. Assim, ele também concordou.

— Está bem! Ficaremos e o acompanharemos até essa tal cidade. — respondeu Walery.

— Muito bem! Sábia decisão, jovem cavaleiro. Mandarei arrumar tudo imediatamente e logo partiremos.

Eles concordaram. Saíram daquela grande tenda e foram arrumar as roupas e mantimentos que haviam ganhado e verificar os cavalos.

Enquanto Manás ordenava aos servos para desmontar o acampamento. Estes saíram apressadamente para cumprir as ordens de seu amo.

Pouco tempo depois, a caravana partiu daquele perigoso local.

Longe dali, em uma enorme torre conhecida como Torre Negra: pelas escrituras nome dado às construções espalhadas pelo mundo. Onde em cada uma existiria um feiticeiro mestre das artes místicas sombrias e servos das forças das trevas.

 Em um dos quartos: todo perfumado por flores, uma mais bela que a outra, a jovem sacerdotisa despertava do seu sono.

Assustada e chamando pelos seus cavaleiros. Olhou a sua volta e viu todas aquelas flores, levantou-se de sua cama e procurou encontrar uma saída, mas não achou porta alguma. As janelas eram muito altas para serem alcançadas por ela.

Quando a sacerdotisa menos esperava, uma figura encapuzada surgiu do nada.

Ela assustou-se, afastou-se e perguntou amedrontada:

— Quem é você? Onde estou e onde estão meus cavaleiros? Diga-me!

O silêncio tomou conta do lugar: o estranho encapuzado levantou seus braços e, com seus dedos cheios de anéis prateados com estranhos símbolos, retirou o capuz expondo-se.

Era um belo jovem, de pele branca e olhos e cabelos negros.

Ele respondeu à sacerdotisa:

— Eu sou Vahad, sou um feiticeiro negro... da Ordem do Círculo das Grandes Torres. Sou o guardião desta torre! E você está sob meus cuidados! Seus cavaleiros... — ele pausou a fala e soltou uma risada. — A esta altura, seus corpos estão sendo devorados pelas criaturas do deserto!

Ele riu sinistramente.

— Mentira! Eles estão vivos! Eu posso sentir! — disse Niara com confiança, porém com o coração aflito por estar presa e sozinha.

— Mesmo que estejam vivos! Nunca vão encontrá-la aqui em minha torre! E se chegarem aqui não terão poder para me superar! Nem as suas armas místicas são suficientes para me derrotar.

— O que você quer de mim? — perguntou ela:

— Como já disse, é minha prisioneira.

— Mas por quê?

— Ora, minha linda sacerdotisa, acha mesmo que deixaria a criatura da profecia ser destruída?! A profecia se concretizará. Toda Téryna estará em caos e eu serei o novo soberano e construirei uma nova ordem! — falou Vahad, rindo com ar de arrogância.

— Você verá! Eles me encontrarão e vão impedi-lo! — disse Niara corajosamente.

Ele soltou outra gargalhada e falou:

— Veremos!

Em um piscar de olhos, ele desapareceu da frente dela, transformando-se em sombra, deixando a sacerdotisa sozinha, pensativa e amedrontada.

Ao entardecer daquele dia, os príncipes chegaram à cidadela de Damarys.

uma cidade de grande porte: cercada com uma alta muralha, em cujas bordas, havia lanças cravadas para impedir a subida dos invasores.

Do alto, o entorno era constantemente vigiado por muitas sentinelas, homens bem armados com lanças, espadas, escudos, arcos e flechas.

A caravana passou pelos grandes portões principais, feitos de toras de madeiras, amarradas com largas tiras e correntes de puro hortis.

Eram observados pelos guardas do reino e pelas sentinelas.

Uma cidade com cultura diferente das que eles conheciam. Suas belas mulheres usavam véus sobre a cabeça, mas sem esconder o lindo rosto de lábios carnudos. Os homens estavam bem vestidos e usavam turbantes. Havia também muitos soldados armados por toda parte.

— Essa é a cidade sobre a qual eu falei! A linda Damarys. Aqui vocês conhecerão quem vai ajudá-los! Antes, iremos até minha casa e de lá iremos até essa pessoa. — sugeriu Manás.

— Eu já ouvir falar dela nos mapas de nossas terras... seu nome referente à entidade Celestial que foi a primeira a andar sobre as áreas do deserto. Assim, em sua homenagem, nomearam cidadela. Concordo! Temos que encontrá-la logo, pois nosso tempo é curto! — falou Walery, impaciente.

— Calma, meu jovem cavaleiro! Acharemos o meu amigo!

Eles ficaram em silêncio, passaram cuidadosamente pelo meio do povo, que ficou surpreso e murmurava ao ver homens com tais vestimentas.

A caravana seguiu em direção à casa de Manás. Chegando lá, foram recebidos por lindas mulheres e pelos servos da casa daquele que os havia salvado no deserto.

Manás ordenou que fossem levados aos aposentos para se refrescarem, alimentarem e descansarem da longa viagem.

Quando entraram, encontraram cômodos bem decorados: cheios de ervas aromatizantes queimadas constantemente que deixavam os ambientes sempre agradáveis. A mobília era de madeira nobre e havia muitos objetos artesanais feitos de argila, metais e pedras preciosas, mostrando como era rico o dono da casa.

Durante a noite, após a refeição: Manás e os cinco cavaleiros se reuniram em um grande e lindo jardim na lateral da casa.

Os servos haviam trazido os cavalos e, logo que os montaram, saíram em direção a casa onde encontrariam a ajuda necessária para salvar a sacerdotisa.

Cavalgaram lentamente pelas ruas de pedras quadradas.

O silêncio era tamanho que só se ouvia o som dos cascos dos cavalos batendo nas pedras.

O caminho era muito bem iluminado por tochas presas nas paredes ou nos muros. Sempre acesas pela guarda da cidade de Damarys.

Era tarde da noite. Apenas eles e algumas sentinelas estavam nas ruas.

No fim do trajeto: Manás parou, apontou para os cinco jovens cavaleiros e disse:

— Indo nessa direção, no fim deste caminho, vocês encontrarão uma casa e nela estará quem os ajudará!

— Você não vai conosco? — perguntou Walery surpreso.

— É proibido a nós falarmos com ele a esta hora da noite, mas vocês podem. Ao terminar, voltem pelo mesmo caminho que vieram, para poderem descansar em minha casa! — falou Manás serenamente.

— Sim! Assim que terminarmos, voltaremos! — respondeu sorrindo Darion.

— Eu agradeço a ajuda até o momento! — disse Walery.

Com um sorriso sincero, Manás aceitou o agradecimento. Deu meia volta e começou a galopar para casa.

Os cinco deram atenção à frente do caminho. Desceram a estrada feita de pedras, deixando para trás aquele que os havia salvado no deserto.

Chegaram ao final do caminho, havia uma grande casa semelhante a um castelo, com paredes altas e pequenas e estreitas janelas. Torres por todos os lados, sem haver uma única muralha. Viram uma única porta.

Zabuana sentiu algo estranho e disse:

— Sinto alguma coisa diferente, é melhor um de nós ficar de guarda aqui fora.

— Iremos todos nós! — Walery respondeu com ar de coragem.

Os cinco cavaleiros desceram de seus cavalos lentamente e seguiram a passos lentos. Indo à frente: seguia o jovem Ferrety com seu escudo erguido. Os demais ficaram atentos a qualquer movimento que pude ameaçá-los.

Ferrety aproximou-se lentamente da porta feita de madeira e barras de hortis e bateu uma vez, uma segunda e terceira vez, porém sem qualquer resposta.

— Devem estar ausentes ou será que fomos enganados? Vamos voltar e conversar com Manás! — falou Ferrety aborrecido.

Quando Ferrety e os outros voltaram e se aproximaram de seus cavalos para montá-los, a porta foi abrindo-se bem devagar, fazendo ruídos, até estar aberta por completo.

Os jovens ficaram atentos, mas ninguém apareceu para recebê-los.

Então, deixaram os cavalos e começaram a seguir adiante, em direção à porta aberta.

Quem ia à frente em uma formação defensiva: era Ferrety, com seu impenetrável escudo empunhado; seguido de Darion, posto com seu arco e flecha. Bem perto, vinha atrás Walery, com firmeza empunhava sua espada mística; Em seguida vinha Igor, segurando suas estrelas místicas, uma em cada mão, pronto para atacar.

Por último, para proteger a retaguarda, Zabuana fez seu báculo se transformar em uma curta lança de duas pontas e, firme na outra mão, tinha seu resistente escudo.

Ao adentrarem todos, viram a porta fechando-se lentamente, sem se importar com o estranho fato, continuaram a passos curtos, seguindo pelo corredor.

A cada passo que davam adiante, as tochas e velas ao longo daquele corredor acendiam-se sozinhas, deixando-os surpresos e atentos.

O clima era sombrio e misterioso, o cheiro de incenso percorria o ar, mas era suave e perfumado.

Todos ficavam atentos a qualquer movimento, defender-se-iam de qualquer ataque possível, vindo das áreas de escuridão ou de luminosidade.

Chegaram ao interior da casa, viram que era muito grande, possuía vários salões, onde continham mesas enormes feitas de pedras ou de madeira nobre e móveis rústicos em todos os lugares.

Nas estantes, muitos livros raros e antigos de diversos reinos.

Jarros confeccionados em barro, porcelana, vidro e outros materiais. Os cinco estavam admirados.

Observaram tudo cuidadosamente e chegaram ao fim do corredor que levava a um grande salão.

No centro, queimava um fogareiro ardentemente. Em um canto, perceberam, de longe, uma bacia feita de barro, cheia de água que emitia uma estranha luz vinda do fundo.

Analisavam o local, estranhando tudo, sem perceberem que, em outro canto do salão, havia uma linda jovem.

Em questão de segundos, ela os atacou. Fazendo gestos com os braços e com as mãos, invocava seus poderes místicos: brilhava em volta de suas mãos muitos feixes de luz de várias tonalidades e cores, prendendo-os cada um em círculo de faixas escarlate-brilhante que pairavam ao redor deles e os impedia de se moverem.

Porém, com muita destreza, o príncipe Walery usou sua espada mística e, com só um golpe, cortou as faixas de luz que estavam à sua volta.

A jovem voltou a atacá-lo, fazendo outros sinais com as mãos, emitiu um brilho na cor alaranjada, invocando mais encantos em forma de energia que dispararam de suas mãos na direção dele.

Walery usou a sua espada para refletir os raios místicos e redirecioná-los para as faixas que prendiam os demais, libertando-os um a um.

Ao ver que eles a cercavam. Ela gritou assustada:

— PAI! TEMOS INVASORES! AJUDE-ME!

Uma voz forte, vinda de um lugar desconhecido, respondeu:

— São os nossos convidados, minha adorável filha! Eu que permiti a entrada deles em nossa casa!

Ao ouvirem a voz, os cavaleiros se assustaram, pararam e ficaram mais atentos, mas ainda cercavam a jovem.

— Por que não me avisou que teríamos convidados? — perguntou ela surpresa e irritada com a atitude do pai.

— Para ver como reagiria se fossem realmente invasores! Mas depois falaremos sobre isso! Peço que saia e deixe-nos a sós! — disse aquela estranha e oculta voz.

— Sim, meu senhor, meu pai! — falou ela. Olhando para eles com um sorriso, retirou-se em silêncio.

Desapareceu em forma de neblina com um simples gesto de suas mãos, deixando os cavaleiros surpresos.

— Muito bem! Sejam bem-vindos a minha humilde morada, cavaleiros! O que posso fazer por vocês? E como chegaram a minha casa?

— Viemos de reinos muito distantes e fomos trazidos aqui por um homem chamado Manás, pois ele disse que somente o senhor poderia nos ajudar! — explicou Walery, surpreso por não ver de onde vinha a tal voz, mas manteve o foco na segurança de Niara.

— Uma jovem que estava com vocês foi levada por criaturas aladas? — perguntou a estranha voz. — Sei do que falam! Sei o motivo pelo qual vieram a essa terra seca e árida... cheia de calor durante o dia e um frio intenso à noite que pode congelar o sangue de um homem!

Os cavaleiros foram surpreendidos por essas palavras. Naquele momento, interrompendo a conversar, Darion indagou:

— Mas quem é você? Onde está para que possamos vê-lo?

— Estou aqui! Atrás de vocês.

Eles viraram-se e, de armas em punho, e perguntaram-se em suas mentes de onde tinha vindo aquele homem que não viram passar por eles, afinal, só havia uma entrada para o salão.

Era um homem de estatura mediana, cabelos longos e grisalhos, assim com a barba, usava veste clara e comprida. Em sua cintura, uma corda dourada. No pescoço, um cordão prateado com um pingente no formato de estrela de pedra preciosa na cor azul.

Nos pulsos, braceletes prateados. Em alguns de seus dedos, anéis com pedras preciosas, todos do mesmo tamanho, formato e cor.

— Acalmem-se! Meu nome é Hamared! Aquela jovem é a minha filha Damarys, discípula das artes místicas. Tão logo chegue meu filho, o príncipe Damário, ele se juntará a vocês!

— Ei, espere! Quem disse que seu filho se juntará a nós? — exclamou Ferrety.

— Foi por causa dele que a sua sacerdotisa veio. Ele é portador dos braceletes e do cinturão da força mística de Tauriânio... na qual seu metal desconhecido extraído de uma estrela cadente... vinda da região da constelação, tem o formato de três touros. Isso sem contar que é um hábil guerreiro. Além disso... esses adereços são dotados do poder místico da Ordem dos Feiticeiros Supremos do Norte.

— Quando ele chegará? — perguntou Walery ansioso, pois cada minuto valia uma vida.

— Em breve! Tenha paciência, meu jovem cavaleiro!

— Paciência? Como podemos ter paciência? Não sabemos como a sacerdotisa está! Estava sob nossa proteção e você quer que tenhamos paciência! — respondeu Walery, perdendo a calma.

— Onde pensa que chegarão se não mantiverem a paciência nem usarem a sabedoria? Não salvarão nem a sacerdotisa nem vocês mesmos! — respondeu o feiticeiro Hamared.

— Para onde a levaram? — perguntou Igor calmamente.

— A um lugar em que poucos se aventuraram e do qual nunca saíram! A Torre Negra do deserto... onde vive um jovem e poderoso feiticeiro negro. Da Ordem do Círculo das Grandes Torres. É um dos feiticeiros que fazem parte das forças do caos e da morte. São servos do Quinto Senhor das Trevas. Esse jovem que seqüestrou a sacerdotisa... em outra aurora, já fez parte dos grandes feiticeiros. Porém, a corrupção e a ganância pelo poder levaram-no para o lado da escuridão. Em relação à jovem que procuram, fiquem calmos, pois ela está bem... ele a manterá viva e bem cuidada. — disse Hamared para acalmar os cavaleiros, principalmente Walery.

Nesse instante, entrou pelo salão um belo homem, muito forte e de estatura maior do que os cavaleiros e superava inclusive Zabuana, que era o mais alto deles.

Em sua cintura ostentava um cinturão dourado e prateado, cheio de símbolos desconhecidos para os cinco cavaleiros.

Seus pulsos tinha braceletes também dourados e com os mesmos símbolos.

Presas em suas costas havia duas grandes espadas, conhecidas como cimitarras. Walery reconheceu as espadas: de lâmina curva mais larga na extremidade livre, com gume no lado convexo, utilizada por alguns povos orientais.

O jovem príncipe perguntou ao pai, estranhando e desconfiando dos cavaleiros:

— Quem são eles, meu pai?

— Eles vieram de muito longe para pedir a nossa ajuda! Vieram em busca de você, meu filho, que deverá se juntar a eles.

— O quê, meu pai? Eu nem os conheço! — falou surpreso com o fato.

— Tenha calma... meu filho, pois eu os conheço! Não só eles, como também aquela que os acompanha.

— Mas quem meu pai?

— Falo daquela que já mencionei luas atrás. Ela foi levada pelo feiticeiro da Torre Negra! E você, meu filho... vai guiá-los até lá e ajudá-los a salvar a sacerdotisa que está na Grande Torre. Entrarão para salvá-la e todos sairão dessas batalhas vitoriosas.

— Meu pai, sabe que homem algum sobreviveu àquela maldita torre!

— Vocês não são simples homens. São de corações puros, sangue nobre e representam o povo de onde vêm. Trazendo esperança, paz, amor, lealdade e amizade.

Além disso, meu filho... tanto você quanto eles possuem objetos místicos. Esta espada, este arco, o escudo, esse báculo, estas estrelas de três pontas. Somando as forças de vocês e a coragem, destruirão qualquer ameaça das trevas hoje... amanhã e no futuro, pois a batalha contra essas forças nunca cessam. Vocês enfrentarão esses perigos e muitos outros. E terão a vitória. E se você deixar de ir com eles, terão a morte certa, meu filho, e a destruição de Téryna será inevitável.

Mesmo sabendo dos perigos e que poderia perder a vida, o filho respondeu:

— Sim, meu pai! Juntar-me-ei a eles! Com muita honra, estarei com vocês! — falou ele aos demais cavaleiros, com muita satisfação.

— Decisão sábia, meu filho! — disse Hamared alegre. — Descansarão aqui por hoje e partirão amanhã de manhã!

— Perdoe-me! Mas temos que buscar nossas coisas e agradecer a Manás por tudo que ele fez por nós! — respondeu Walery.

— Não se preocupem, mandarei sua e minha gratidão pelos meus servos à casa de meu amigo. Eles buscarão as coisas de vocês. Enquanto isso, outros servos cuidarão dos cavalos e de novas provisões para levarem.

Walery concordou com a cabeça.

Com um simples gesto de uma de suas mãos, o feiticeiro fez um encanto, invocando uma estranha criatura de pura luz mística, chamada Flayers, ele era composta cores diversas e constantes.

Enviou a criatura mística para chamar sua filha.

Instantes depois, com um brilho prateado e dourado como se fosse uma estrela do céu, a jovem Damarys apareceu, trazida por Flayres, diante de todos e perguntou ao pai:

— Chamou meu pai?

— Sim, minha filha. Leve-os para os aposentos para poderem descansar.

— Sim, meu pai. Farei o que me pede. — respondeu sorrindo Damarys.

A linda jovem, de corpo exuberante e trajes quase transparentes, olhou para os cavaleiros e disse sorrindo:

— Venham comigo, por favor!

Os jovens cavaleiros agradeceram com gestos de cabeça, despediram-se do feiticeiro e de seu filho e saíram com a jovem. Ela andava suavemente à frente, guiando-os.

— E você também, meu filho, vá descansar! Amanhã será um dia muito longo e perigoso até a Torre Negra. — recomendou o pai.

— Está bem, meu pai. — concordou o jovem, muito satisfeito e cheio de coragem em seu coração.

Damário se curvou perante o pai e retirou-se para o quarto real, deixando-o sozinho, refletindo sobre o dia seguinte. Sutilmente, o feiticeiro Hamared levantou o braço esquerdo.

Com um simples gesto da mão sustentada no ar, fez despontar um brilho na cor safira, surgindo na palma de sua mão, foi expandindo e deslizando pelo braço, até o corpo todo ser envolvido, fazendo-o desaparecer do salão.



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