Volume 1

Capítulo 18: Crise em Duas Terras

Felipe já desconfiava que receberia uma visita de algum militar ligado à Aliança Internacional a qualquer momento, e como também sabia exatamente o motivo da visita, levou André junto para a sala de controle, onde Lídia tinha deixado o Tenente Glover esperando.

Ao entrar Felipe fez as devidas apresentações, André ficou em silêncio, apenas observava o militar que estava sentado confortavelmente, com uniforme padrão do exército, era moreno, alto, musculoso, e cara séria. Não era muito diferente dos militares do outro mundo, a exceção era o uniforme que ele usava ao invés de uma armadura de metal ou couro.

— Vocês já devem saber o que vim fazer aqui. — Começou Tenente Glover — Então não precisamos de arrodeios.

— Sim, sabemos, e devo lhe avisar que não deixarei que leve o André. — Respondeu Felipe.

O militar fechou ainda mais a cara, suas ordens superiores foram claras, levar o último herói a retornar, diretamente para a sede da Aliança Internacional para ser interrogado sobre o tempo em que ficou no Outro Mundo. Felipe e André permaneciam inexpressivos, estavam apenas os três na sala, Lídia não entrou com eles para não atrapalhar os ainda mais os problemas que estavam por vir.

— O que faz você achar que tem algum poder para manter esse aí longe dos superiores por muito tempo? — Indagou Glover apontando para André — Precisamos interroga-lo.

— Primeiro: ele não quer ir com vocês; segundo: ele não tem mais poder algum; terceiro: eu preciso dele aqui. — Respondeu Felipe — E quarto: vocês não possuem capacidade de leva-lo.

O tom desafiador de Felipe deixou o Tenente Glover muito irritado, mas foi o quarto ponto que mais o irritou, dizer a um representante da organização que controlava os 32 heróis que ele não teria capacidade de levar alguém que segundo os relatórios não tinha mais poderes ou sequer o controle dos braços era um insulto muito forte, não passaria barato.

Glover não respondeu à provocação de Felipe, apenas se ajeitou na cadeira e bufou, mas logo recuperou a expressão inicial.

— Há ainda outro ponto que deve ser discutido — Disse Glover — Dois dos heróis usaram o poder sem autorização…

— Os poderes são nossos, não precisamos da autorização de vocês para usar! — Retrucou Felipe.

— Mas Leonardo e Elizabeth usaram ao mesmo tempo, por mais que os nossos equipamentos ainda não possam determinar a quantidade usada, conseguimos identificar os usuários. Devo lembrar a vocês o porquê de não usar os poderes sem autorização?

— Não! Sabemos que o uso dos poderes, principalmente dos elementais, causou muitos problemas no Outro Mundo, mas nos últimos 4 anos não tivemos nenhum problema…

— Outro ponto — O tom de Glover ficou mais leve — Já avisamos que existem contradições em algumas informações prestadas sobre os fatos ocorridos no Outro Mundo! Precisamos que estas dúvidas sejam esclarecidas.

— Por que deveríamos contar alguma coisa para ele? — Perguntou André.

— Porque a Aliança Internacional quer saber… — Felipe respondeu desinteressado.

— E o que esse cara aí tem a ver? — Resmungou André.

— O Tenente Thomas Glover é o representante da Aliança — Explicou Felipe debochando.

— Ah! Então ele é um dos poderosos? — André fingia estar com medo usando um tom irônico.

— Não… — Respondeu Felipe com sarcasmo — Ele é só um puxa-saco dos grandes, eles preferem mandar alguém, jamais viriam aqui pessoalmente.

— ME RESPEITEM! — Gritou Glover.

André caminhou até o tenente, parando a menos de um metro, deu um olhar de superioridade, e disse lentamente:

— Homem ou mulher, jovem ou ancião, civil ou militar, deuses e reis… Eu respeito, mas não temo ou baixo a cabeça! Só há uma pessoa viva capaz de me ordenar a fazer algo, e ela não está nesse mundo. Já estou tentando impedir uma guerra no Outro Mundo, não quero começar uma nesse, então diga a quem quer que seja o seu superior, se ele precisar de mim, que venha aqui, se ajoelhe na minha presença e me implore em nome da sua própria vida!

As palavras de André foram pesadas, Glover jamais esperava que alguém tivesse coragem de falar assim com um militar de sua patente, mas as experiências que André passou no outro mundo foram suficientes para fazê-lo não temer ninguém.

André educadamente pediu licença e se retirou da sala de comando, deixando apenas Felipe e Glover, Felipe apenas assentiu com a cabeça enquanto Glover, contrariado, ficou em silêncio até que a porta se fechasse atrás de André.

— Vocês tentaram mudar o assunto, mas eu ainda quero saber o que houve para que Leonardo e Elizabeth usassem seus poderes, por mais que tenhamos acesso a todas as câmeras desse local, justamente as da sala de treino deixaram de funcionar instantes antes, e isso é muito estranho.

— Estranho? — Debochou novamente Felipe — Vocês não precisam fingir ser inocentes, é claro que não queremos que saibam o que aconteceu lá, mas posso lhe garantir que André venceu…

— Como assim? — Glover ficou perturbado com a afirmação de Felipe — O que realmente aconteceu? Teve alguma luta? Eu lhe exijo que me explique!

— Tenente… — Felipe deu um sorriso largo e despreocupado — Estamos há um minuto para o sol se pôr, é o fim dos tempos! E o senhor não está em posição para exigir nada! Mas posso lhe dar uma informação importante: Tudo indica que o Cavaleiro de Prata está nesse mundo…

Thomas Glover ficou em silêncio por alguns segundos, parecia ter compreendido o que estava acontecendo, lembrou que como o representante de aliança Internacional para recolhimento de informações ele já conhecia bastante da história dos 32 heróis, por mais que André ainda fosse pouco conhecido, o Cavaleiro de Prata era uma figura muito citada por todos eles, e Felipe não era conhecido por ser mentiroso.

Assim ele relembrou o resumo de seu relatório sobre a figura que conhecia apenas pelas citações.

Um cavaleiro que usava uma armadura prateada reluzente e capa azul, que tinha grande habilidade de luta, magia e criação de estratégias militares, foi responsável pelo treino de alguns do heróis, e por isso se tornou bem próximo deles, mas na verdade tudo fazia parte do plano de roubar a chave para vir a esse mundo, porém o objetivo final dele ainda era desconhecido, assim como o seu rosto, uma vez que até nos treinos ele permanecia com o seu conjunto completo, incluindo o elmo com viseira.”

Glover respirou fundo, estava com um mal pressentimento, olhou para Felipe, e disse:

— Eu não tenho intenção de fazer mal a nenhum de vocês, mas eu não fui o único a vir, tem outros que não gostam de bater papo, e vão querer levar seu amigo à força, e eu não posso impedi-los…

— Como assim?

— O Sargento Fidelis, ele foi enviado junto com outra equipe, as ordens são que se eu não for capaz de convencer André a ir comigo, a segunda equipe o levará a força!

— Isso é um problema! — Felipe mudou a expressão descontraída para uma séria — Temos que impedir um conflito internacional!

— Tem medo de que eles machuquem seu amigo? — Ironizou Glover.

— Não… Tenho medo que André acabe fazendo merda, ele não é de negociar. — Respondeu Felipe com um tom muito sério.

Felipe saiu correndo da sala, Glover o seguiu, foram em direção ao quarto de André, onde ele possivelmente tinha ido, na esperança de evitar uma tragédia, porém, ao chegar lá a cena era pior do que esperavam.

André estava parado no meio do corredor, na frente da porta do seu quarto, com a cabeça baixa. E no seu ombro havia um ferimento de faca, o chão estava recoberto de sangue.

Vários soldados com uniformes semelhantes ao de Glover estavam espalhados ao redor de André, desacordados aparentemente mortos.

André se virou lentamente para Felipe, ele estava sorrindo pela primeira vez desde que voltou. Felipe só conseguia pensar:

Agora temos duas guerras para evitar



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