Volume 1

Capítulo 10: Reunião

Reunião

André se levantou com certa dificuldade, apoiando-se sobre os punhos fechados, as lesões ainda não tinham cicatrizado, e ele não conseguia abrir as mãos, e nem mesmo sabia se algum dia teria os movimentos dos dedos novamente, pelo que Felipe havia dito, foi sorte não precisar amputar suas mãos.

Zita estava em pé ao lado de André, de frente para os dois estavam Lucas e Léo, Felipe observava os quatro se entreolharem enquanto mantinha alguns metros de distância, a multidão de parentes os cercava, todos eles sentiam que não era hora para uma briga.

Enquanto André ainda se punha de pé, Léo estendeu a mão em um gesto amistoso, abrindo o seu sorriso típico, assim que os olhos dos dois estavam na mesma altura, seus punhos se tocaram, já que não podiam apertar as mãos. O sorriso de Zita ficou mais resplandecente e as pessoas presentes aplaudiram, com certeza era uma cena emocionante, o tão esperado reencontro.

Que pena que as coisas não eram bem assim…

Antes que iniciassem um diálogo qualquer que poderia levar à uma terceira guerra mundial, Felipe interferiu, indicando aos três recém-chegados a direção a que deveriam seguir após matarem a saudade das suas famílias, e explicando os horários a serem cumpridos em uma longa agenda de reuniões, entrevistas e análises de documentos.

Quando terminou, André já havia voltado para o seu alojamento, ou para a cozinha, que era um local muito frequentado pelo último herói a retornar, Felipe voltou para se despedir da sua família, e foi na frente para o andar inferior do prédio subterrâneo, onde ficavam os alojamentos dos heróis e o centro de comando.

Felipe encontrou Kawã o esperando em sua sala pessoal, e lá ficaram discutindo os assuntos de suas respectivas instalações, até que Lídia chegasse avisando que os outros três heróis também haviam chegado.

Chegando na sala de recepção, Felipe e Kawã encontraram um mar de pessoas cercando os três últimos heróis. André e os outros heróis também haviam sido informados da chegada dos três últimos e foram encontra-los.

— Finalmente chegamos! — Disse a primeira pessoa a se desvencilhar dos fotógrafos e cumprimentar a família.

Era uma garota, pouco mais baixa do que Zita, tinha cabelos curtos de cor preta, usava uma regata verde lodo, calça jeans rasgada, botas de couro com um saltinho, e uma jaqueta marrom amarrada na cintura, óculos Ray-Ban pendurado no decote da regata e luvas de couro que não fechavam nas pontas dos dedos.

— Anne! — Zita deu um gritinho de felicidade — Você veio mesmo…

— Zita! — Anne gritou de volta.

Enquanto Anne a Zita se abraçavam atando a saudade, um outra pessoa saiu do meio da multidão.

— Não esqueça de mim, eu também gosto de abraços… — Disse outra pessoa entrando logo atrás.

Dessa vez era um homem, cabelos pretos longos e ondulados saindo por baixo do boné que escondia os seus olhos, usava uma camisa folgada com mangas longas, calça folgada, e chinelos.

— Não acredito que o Eduardo também veio, deve ter dado trabalho para você conseguir trazer ele! — Exclamou Lucas enquanto ia cumprimenta-los.

— Eu obriguei ele a vir, ou vinha, ou nada de Netflix. — Disse o terceiro a entrar.

Esse era meio gordinho, tinha olhos apertados e cabelo penteado de lado, usava uma camisa Polo listrada, calça jeans, e sapato branco.

— Seja bem-vindo Jonas! — Disse Léo esticando a mão para cumprimentá-lo.

O momento seguinte foi repleto por abraços e cumprimentos calorosos, onde s heróis matavam a saudade.

Após a recepção, Anne explicou que o motivo do atraso foi Eduardo que esqueceu de acordar no horário certo, fazendo com que os três perdessem o avião, assim tiveram que esperar o próximo voo da França para o Brasil.

No meio de toda comoção pela chegada dos três, apenas André se mantivera onde estava desde que entrou, mas ninguém estranhava, era o seu jeito, assim todos seguiram para o local determinado para a reunião.

Prevendo uma possível desavença, Felipe solicitou que a reunião fosse realizada na sala de treinos, era um local mais adequado à pessoas que estavam acostumadas a resolver as coisas com seus poderes, e agora que todos estavam no local, a reunião deveria começar, a primeira pauta já havia sido definida.

— Léo pediu uma audiência de poder com André! — Explicou Felipe – Pelas regras que sempre mantivemos, não vejo motivos para recusar, então depende de André aceitar.

— E por que faríamos isso? — perguntou André.

— É apenas uma luta amistosa para provar que você não tem mais poder algum, já que guerreiros com poderes se adaptam a usar o poder durante as lutas de forma instintiva, é só você ir até o fim sem demonstrar nenhum traço de energia mística e vamos acreditar..

— Eu aceito! — Exclamou André.

— Ótimo… — Felipe estava visivelmente nervoso — Como não temos uma arena, vamos usar o círculo central dessa sala como limites. Mas só para evitar problemas, vamos repassar as regras:

  • Se sair do círculo, perde.
  • Se cair, ou for nocauteado, perde.
  • Pode desistir.
  • Não pode matar.
  • E como André está sem poderes, Léo também não poderá usar os deles, caso use, perde.

Formou-se por alguns instantes um burburinho, como era possível que André tivesse perdido seus poderes? Felipe levantou o braço direito, apontando para o centro do círculo, todos se calaram, André e Léo entraram.

Zita se aproximou da linha do círculo dizendo:

— Se o Léo quebrar a regra sobre usar seus poderes, ou André tiver mentido sobre ter perdido os seus eu serei a única que poderá parar a luta.

Todos os presentes concordaram.

Felipe baixou o braço, no mesmo instante um silêncio absoluto tomou conta do ambiente, dava para ouvir os corações batendo. Léo fez um movimento como se se fosse andar e sumiu, aparecendo atrás de André, pronto para dar um soco com toda sua força…



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