Vol 2
Capítulo 10
O Chefe Oculto Se Forma
Depois de arrumar minhas coisas e desocupar meu dormitório, eu tinha ido até a mansão Dolkness na Capital Real. Agora, eu estava sentada na carruagem que transportava meus poucos pertences quando ela parou em frente à mansão desnecessariamente grandiosa dos meus pais. Eu havia decidido manter a propriedade por enquanto, apesar de querer vendê-la. Se eu me desfizesse dela, me sentiria mal por expulsar todas as pessoas que trabalhavam lá e, além disso, meus pais ainda moravam na mansão.
Para dizer a verdade, eu não tinha obrigação nenhuma de cuidar dos meus pais, depois de todas as tentativas de assassinato que eles haviam feito contra mim. A culpa era deles por eu não ter tido escolha a não ser suceder meu pai à força e assumir o título de condessa. Eu havia proposto que eles fossem morar no campo, em algum lugar do nosso condado, com uma mesada que eu lhes daria para esse fim, mas eles se recusaram a deixar a capital real. E assim, permaneceram na mansão.
Afinal, o que há de tão bom na Capital Real? Ao descer da carruagem, suspirei pensativa. Não é como se algum deles fosse conseguir voltar ao mundo aristocrático.
Eu havia avisado que passaria pela propriedade, então não me surpreendi ao encontrar alguns criados esperando do lado de fora. Estavam todos de pé, rígidos e eretos, com os rostos pálidos. Olhei de relance para uma deles, e ela imediatamente começou a tremer violentamente.
É lamentável que estejam reagindo assim, mas acho que fui eu quem causou toda essa confusão na propriedade. Mas ela não está com medo demais de mim?
Sinceramente, eu já estava acostumada com as pessoas reagindo assim a mim, então não dei muita importância. A questão era a Rita, a mulher que estava atrás de mim.
Rita tinha sido minha empregada nos últimos três anos, período em que morou comigo nos dormitórios da Academia e foi responsável por cuidar de mim e dos meus aposentos. Se esse fosse o fim da história, ela não seria nada mais do que uma serva familiar para mim, mas por acaso ela também envenenou meu chá algumas vezes para salvar sua irmã, que meus pais haviam feito refém. Mais tarde, fui eu quem salvou essa mesma irmã, o que fez com que a lealdade de Rita por mim se transformasse em algo aterrorizante.
“Como ousa ter tal atitude para com sua mestra?”, exigiu ela, indignada. “Ter a oportunidade de servir a senhorita Yumiella deveria lhe trazer a maior felicidade!”
Era exatamente isso que eu temia. Pensei, com um suspiro interior. Mas não me meti — o olhar de Rita era intimidante demais.
“Ora, eu daria até a minha vida pela senhorita Yumiella se ela me ordenasse! Mas minha senhora não deseja tal coisa; pelo contrário, sou eu quem deseja morrer por ela! Oh, ver você tratá-la assim me enche de uma frustração ardente! Vocês entendem o que estou tentando lhes dizer?!”
Os criados balançaram a cabeça lentamente em negação.
“V-Vocês… não entendem?” Rita riu, sua expressão mudando de raiva para uma alegria profana. “Não se preocupem, eu vou garantir que entendam em breve.”
“Rita, se acalme!” eu finalmente disse, interrompendo seu desabafo. “Eles não precisam entender! De qualquer forma, eu não ligo para a atitude deles. Ah! Que tal você ir ver sua irmã? Faz tempo que você não a vê, né?”
Rita inclinou a cabeça. “Sou grata por sua benevolência, senhorita Yumiella, mas não há necessidade de mimar Sara. Ela está trabalhando duro todos os dias para se tornar sua escrava, então—”
{Yoru: Misericórdia… | Moon: Ela definitivamente não entendeu a mensagem no vol 1… | Del: Mas gente… se deixar, eu facilmente vejo ela agindo como Yandere pela Yumiella.}
“Vá vê-la imediatamente”, eu disse, interrompendo-a.
Rita silenciou imediatamente, depois curvou-se profundamente para mim antes de desaparecer nas profundezas da mansão. Observando-a partir, soltei um suspiro de alívio.
Sara está em apuros — preciso salvá-la antes que ela caia de vez nas garras da irmã. Não posso deixar outra Rita por aí…
Minha maior preocupação, no entanto, eram os outros criados, que haviam presenciado tudo o que acabara de acontecer. Eu não queria que eles se afastassem por causa das ações de Rita.
Não fiz lavagem cerebral nela, eu juro!
Antes de meus pais me designarem Rita, ela trabalhava aqui na propriedade de Dolkness, na Capital Real, mas estava ficando claro que eu não podia deixá-la sozinha. Nesse ritmo, eu provavelmente teria que trazê-la comigo para o Condado de Dolkness. Eu tinha medo de pensar no que ela poderia fazer se eu a deixasse para trás…
Agora que Rita tinha ido embora, os criados, nervosos, tentaram me mostrar a mansão. Infelizmente, eu ainda não podia entrar na casa.
“Esperem um segundo”, eu disse a eles. “Gostaria de ir primeiro ao quintal.”
“O quintal…?” perguntou uma das empregadas. Ela me lançou um olhar confuso, mas não disse mais nada, conduzindo-me até um grande gramado.
Agora que eu tinha conseguido observá-la melhor, percebi que a mansão Dolkness tinha formato de L, o que significava que havia bastante espaço para um extenso campo de grama.
Tudo bem, pensei, assentindo para mim mesma. Isso deve ser suficiente por alguns dias.
“Ryuu!” gritei em direção ao céu.
Além das nuvens, uma entidade escura apareceu, voando diretamente em nossa direção — era Ryuu, meu filho absolutamente adorável, que também era meu orgulho e alegria. Alcançando os céus logo acima da mansão, Ryuu bateu as asas freneticamente enquanto descia. Quando seus pés tocaram o chão, a terra tremeu violentamente sob meus pés.
“Você fez um ótimo trabalho se mudando da Academia para cá, Ryuu!” Eu o elogiei, pulando em seu rosto, que era tão comprido quanto eu. “Que bom menino você é!”
Ryuu me mimava, ronronados profundos ecoando por todo o seu corpo. Eram tão intensos que pareciam vir das profundezas da terra.
Que fofo! Pensei, com o coração cheio. Mesmo sendo um dragão, ele ainda é um bebê.
Foi então que percebi que havia me esquecido completamente da empregada. Voltei-me para me desculpar, apenas para encontrá-la caída no chão. Ela parecia petrificada de terror, a julgar pelo forte bater de seus dentes.
Ah, ela não deve gostar muito de animais. Desculpe, senhorita.
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Por último, decidi que ficaria na mansão Dolkness apenas por uma semana. Afinal, eu só precisava esperar Patrick terminar os afazeres que tinha para fazer na Capital Real, e então estaríamos prontos para partir. Eu esperava que ele chegasse alguns dias depois da minha partida para a mansão, então fiquei bastante surpresa quando ele apareceu muito antes — ou seja, no mesmo dia em que cheguei.
Quando fui à entrada da residência para cumprimentá-lo, uma das primeiras coisas que fiz foi convidá-lo para o meu quarto. O próprio quarto ainda me parecia bastante estranho, já que eu mesmo havia chegado há pouco tempo, mas imaginei que seria um lugar tão bom quanto qualquer outro para conversarmos.
“Você não tinha algumas coisas para resolver?”, perguntei enquanto caminhávamos até lá. “Já terminou tudo?”
“Ainda não”, admitiu Patrick, “mas depois de desocupar meu dormitório na Academia, fiquei sem ter para onde ir”.
“Mas… a sua família também não tem um lugar aqui na Capital Real?”
“Sim, eles têm, mas não há funcionários suficientes para cuidar de mim. Você se importaria se eu ficasse aqui?”
A mansão Dolkness era grande o suficiente para acomodar meros aristocratas provincianos, já que meus pais haviam negligenciado o Condado de Dolkness e se estabelecido na Capital Real. Mesmo assim, não me parecia correto que a propriedade de um marquês não tivesse funcionários suficientes para cuidar de Patrick, especialmente se ele fosse ficar lá sozinho.
Deve haver algum outro motivo pelo qual ele queira ficar aqui. Refleti. Ah, já entendi!
Patrick pareceu notar uma ligeira mudança na minha expressão, pois soltou um suspiro. “Para ser sincero, inventei isso. Foi só uma desculpa para poder passar mais tempo com—”
“Eu entendo!” interrompi. “Você está com medo, não é? Quer dizer, quem não estaria depois de dizer à família que não os visitaria nem uma vez após se formar na Academia?”
“Ah… É isso aí.”
{Yoru: Força, Patrick, você consegue kkkkk }
“Tem certeza de que não deveria pelo menos passar na Marca de Ashbatten? Seus pais não estão preocupados?”
“Tenho mais medo de deixar você ir sozinha para o Condado de Dolkness”, disse Patrick, exasperado. “Estou preocupado com você.”
Será que sou mesmo tão pouco confiável assim? Fiquei pensando. Acho que está tudo bem. De qualquer forma, estou feliz que ele venha.
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Mais tarde naquela noite, enquanto eu estava deitada na minha cama não muito familiar, percebi que Patrick e eu estávamos, na verdade, dormindo sob o mesmo teto. Agora que não estávamos mais em dormitórios separados, como antes, algo inevitavelmente aconteceria.
Era isso que ele queria desde o início? Fiquei pensando. Patrick, você é um tarado mesmo. Como eu faço para espantá-lo se ele entrar aqui? Ou... talvez eu não devesse? Mas eu não quero fazer nada até nos casarmos...
Eu fiquei olhando para as linhas estranhas do teto do meu quarto, meus pensamentos vagando, enquanto esperava. Até que, finalmente… chegou a hora, e ouvi o som de alguém batendo suavemente na minha porta.
“Pode entrar…”
Ele não vai me atacar de imediato, né? Eu devo conseguir bolar um plano enquanto conversamos. Nossa conversa é muito importante.
A porta do meu quarto abriu-se lentamente, rangendo ao se mover. Uma pessoa entrou devagar, sua silhueta tornando-se gradualmente mais nítida à medida que se aproximava. Era um pouco mais alta do que eu, tinha o cabelo preso atrás e… usava um uniforme de empregada doméstica padrão? A pessoa era uma empregada doméstica?!
“Bom dia, senhorita Yumiella, vim buscá-la. O café da manhã está pronto.”
“Rita…?” perguntei lentamente.
Eu ainda não conseguia acreditar que a pessoa que entrara no meu quarto era minha empregada. Confusa, olhei para a janela — um raio de sol da manhã entrava por uma fresta na cortina. Parecia que, ao contrário do que eu esperava, já era manhã.
O tempo passa de forma diferente neste quarto do que em outros?
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Sem ter pregado o olho, eu ainda estava incrivelmente cansada, mesmo depois do café da manhã. Percebendo meu cansaço, Patrick gentilmente se ofereceu para passar o dia na mansão.
{Del: Então peraí, ela não dormiu porque ficou pensando que o Patrick ia abordar ela?}
“Você parece estar com muito sono”, disse ele casualmente. “Não gostou da sua cama?”
“Ah, tudo bem. Posso dormir em qualquer lugar”, respondi. “No chão, em cima de uma pedra… até mesmo em uma masmorra.”
“Não durma em uma masmorra.”
“Então… isso significa que pisos e pedras estão liberados?”
“Não?”
Em meio a essa conversa boba, Rita apareceu. Eu havia lhe pedido um chá alguns minutos antes para me despertar. O chá que ela preparava era sempre requintado, mas eu não podia dizer isso a ela — ela provavelmente desmaiaria de tanta alegria por eu a elogiar.
No entanto… quando olhei para Rita com mais atenção, percebi que ela não havia trazido nenhum dos itens necessários para nos preparar o chá.
Fico me perguntando o que está acontecendo…
“Peço desculpas”, explicou minha criada, com a voz frustrada. “Parece que o chá terá que esperar um pouco. O segundo príncipe acabou de chegar à propriedade. Levei-o para a sala de estar por enquanto, mas prefere que eu o mande embora?”
“Não acho que possamos mandar Sua Alteza embora…”
“Mesmo assim, eu o expulsaria com uma vassoura se me ordenasse, Lady Yumiella”, disse Rita, com uma expressão completamente séria. “Mesmo que isso me levasse à execução, contanto que fosse por cumprir suas ordens, eu ficaria feliz.”
Meu Deus, ela é assustadora! Eu pensei. Embora eu tenha me esforçado para não demonstrar isso no meu rosto, por dentro eu estava tremendo de horror.
Para falar a verdade, eu nem me importava se mandaríamos o príncipe embora ou não — eu estava mais concentrada no nível perturbador de seriedade em cada palavra que Rita acabara de dizer. Até o Patrick estava apavorado.
“Hum, Rita. Vamos nos encontrar com Sua Alteza, então você poderia levar o chá até lá? Você sabe o quanto eu adoro o seu chá.”
“Sim, imediatamente”, concordou ela, com o rosto se iluminando instantaneamente.
Não me lembro de Rita ser tão ruim assim na Academia. Pensei, soltando um suspiro de alívio quando ela saiu.
Para ser sincera, porém, eu realmente não tinha tempo para me concentrar nisso agora — eu precisava voltar minha atenção para o príncipe que me esperava na sala de estar.
Pensei que não nos veríamos por um tempo depois da formatura. Pensei, desconfiada. Espero que ele não me arraste para alguma situação irritante.
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Quando Patrick e eu chegamos à sala de estar, encontramos o Príncipe Edwin à nossa espera, sem a sua habitual escolta.
Há um ano, o nível dele era em torno de 40. Eu refletia enquanto Patrick e eu nos acomodávamos em um sofá em frente ao príncipe. Considerando que o cavaleiro mais forte das forças do rei, o comandante da Ordem dos Cavaleiros, está no nível 60, e que a maioria de seus soldados está abaixo do nível 20, o Príncipe Edwin é, na verdade, uma das pessoas mais poderosas de Valschein. Acho que ele não precisa mais de guarda-costas.
Assim que nos acomodamos, nós três começamos nossa conversa com um papo informal e descontraído, basicamente nos parabenizando mutuamente pela formatura na Academia.
A conversa, porém, mudou de rumo quando o Príncipe Edwin ficou subitamente sério e disse: “Peço desculpas por aparecer de repente, senhorita Yumiella, Patrick. Eu queria ter me sentado e conversado com vocês na cerimônia de formatura, mas não houve tempo suficiente.”
“Se o senhor tivesse nos avisado com antecedência, poderíamos tê-lo recebido adequadamente”, comentei, observando o príncipe tomar um gole de chá.
“Infelizmente, essa não era uma opção, pois eu realmente não quero que meu paradeiro seja público. Se eu enviasse alguém, isso deixaria um rastro.”
Estranho, pensei. Minha intenção era apenas fazer uma piada sarcástica, já que eu teria preferido ser avisada antes de ele aparecer, mas o príncipe realmente pareceu se sentir mal por aparecer tão inesperadamente.
Se ele não quer que se saiba que esteve aqui… fico pensando se há algo mais que ele queira conversar comigo. O problema era que eu não queria me envolver — ficaria perfeitamente feliz em sair desta sala sem ouvir uma palavra sequer sobre o assunto.
Enquanto eu estava sentada ali, remoendo o fato de não poder simplesmente pedir ao príncipe para ir direto ao ponto, Patrick se pronunciou e perguntou: “Aconteceu alguma coisa? Não faz tanto tempo assim desde que nos formamos…”
“Bom, veja bem…” disse o príncipe lentamente. “Algo vem acontecendo há algum tempo, mas piorou depois da formatura.”
Pare de nos deixar na expectativa e diga logo o que aconteceu! Dei um grito interno.
Felizmente, apesar do evidente desconforto do príncipe, ele prosseguiu. “Parece que surgiu uma nova facção, uma que me apoia especificamente. Eles querem que eu seja o próximo rei.”
“O quê? Não é isso que o senhor quer, não é, Alteza?”
“Claro que não”, respondeu o príncipe Edwin. “Não tenho intenção alguma de ir contra meu irmão. Essas pessoas estão apenas sendo persuadidas pelos aristocratas da facção do duque.”
Então, há uma disputa em curso sobre o sucessor do rei, e apenas pessoas de fora querem que isso aconteça…? Parece que aqueles radicais estão aprontando de novo.
Os radicais, também conhecidos como a facção do duque ou a facção anti-centralistas, eram um grupo de aristocratas insatisfeitos com o estado atual das coisas. Eram pessoas perigosas que incitavam Valschein a invadir reinos estrangeiros para que pudessem ganhar poder e lucrar com as lutas internas. Pelo que entendi, a maioria deles não era exatamente entusiasta da guerra, apenas queriam tomar os cargos importantes no reino, que eram ocupados principalmente pela facção do rei, também conhecida como os moderados. Se o rei decidisse nomear algum deles como ministro, provavelmente mudariam de lado imediatamente.
O príncipe Edwin talvez fosse um pouco digno de pena, por ter atraído a atenção de pessoas tão ambiciosas.
Mas espere, todos os seus problemas acabariam se ele simplesmente declarasse que não tinha nenhuma intenção de suceder ao trono, não é?
Curiosa, perguntei ao príncipe sobre isso e acabei recebendo uma explicação detalhada.
“Os radicais afirmam que eu sou o legítimo herdeiro do trono, já que fui eu quem derrotou o Lorde Demônio”, disse-me o Príncipe Edwin. “Acredito que o objetivo deles seja aumentar a influência do duque e de sua facção, fazendo da Senhorita Eleanora rainha, já que a santa está se recuperando.”
“Que coisa chata…” Patrick murmurou.
Acho que o rei e a rainha estavam certos, pensei. Eles previram que algo assim aconteceria após a derrota do Lorde Demônio, e agora está realmente começando. Eu escapei por pouco de não ter ido sozinha ao castelo do Lorde Demônio. Se eu tivesse ido, estaria com todo tipo de problemas agora.
Após a morte do Lorde Demônio, foi anunciado ao público que o Príncipe Edwin fora quem o derrotara. Eu também participei um pouco, segundo a versão oficial, assim como Alicia e os outros. Acontece que todos, exceto o Príncipe Edwin e eu, acabaram gravemente feridos.
De qualquer forma, parecia que a possibilidade de o Príncipe Edwin e Eleanora se casarem havia diminuído a ponto de se tornar praticamente impossível. Ela podia estar completamente apaixonada pelo príncipe, mas também era filha do líder dos radicais, o Duque Hillrose. Os radicais já estavam tentando exibir o Príncipe Edwin como se fosse um dos seus, e isso só se intensificaria se ele se casasse com a filha do líder deles. Além disso, o Príncipe Edwin também não tinha nenhum interesse em se casar com Eleanora.
“A senhorita Eleanora deve estar sendo bastante insistente”, comentei.
“É com isso que tenho tido mais problemas”, admitiu o príncipe com um olhar exausto. “Desde a cerimônia de formatura, ela continua aparecendo sem ser convidada, não importa onde eu esteja.”
Espere, eu cheguei a esta mansão ontem, o que significa que a cerimônia de formatura foi apenas no dia anterior, percebi. A Eleanora é incrível por conseguir cansá-lo tanto em tão pouco tempo, não é?
“Ela provavelmente está sendo influenciada por quem está ao seu redor”, eu disse ao príncipe. “Ela é pura demais para o próprio bem…”
“É exatamente isso!” exclamou o príncipe Edwin, com uma expressão de dor no rosto. “Ela não tem nenhuma má intenção, e é por isso que me sinto tão mal por ter que tratá-la com rispidez.”
Hum, o que devo fazer aqui? Fiquei pensando. Sinceramente, as coisas provavelmente só vão piorar se eu me envolver, então é melhor eu ficar de fora.
“E se você simplesmente desaparecesse?”, perguntei. “Seria impossível persuadir um segundo príncipe que não existe.”
O príncipe Edwin suspirou. “Isso provavelmente teria pouco ou nenhum efeito. Os radicais vêm incitando as pessoas a derrubarem meu irmão durante todo o meu último ano na Academia.”
Se isso fosse verdade, parecia que o Príncipe Edwin podia fazer pouca coisa. A coroa teria que se pronunciar punindo os aristocratas radicais ou simplesmente esperar a situação se acalmar. Honestamente, não deveria ser tão difícil para o Príncipe Edwin — ele só teria que suportar as investidas de Eleanora por um tempo.
Na verdade, retiro o que disse. Pensei, fazendo uma careta por dentro. A Eleanora é… muita coisa.
“A senhorita Eleanora é bastante persistente”, admiti ao príncipe. “Eu também já tive dificuldades com ela.”
“Ah, é verdade, ela também gosta muito de você. Ela pode até vir aqui.”
Não dê azar, você vai ativar um alerta de evento! E se ela acabar aparecendo por aqui, você é quem vai se dar mal!
Quando eu estava prestes a reclamar com o Príncipe Edwin sobre sua linguagem descuidada, nós três ouvimos uma comoção vinda do corredor. Passos apressados vinham na direção da sala de estar, e Rita entrou sem bater.
“A filha do Duque Hillrose, senhorita Eleanora, chegou”, disse ela, ofegante. “No momento, os outros criados estão tentando atrasá-la, mas ela chegará a qualquer instante.”
{Yoru: o cara só usou um ‘/summon akuyaku:eleanora_hillrose’ | Moon: Bom, a Yumiella avisou, a culpa é dele que a chamou mais de 3 vezes… | Del: Ela é implacável.}
Ela não apareceu muito rápido?! Pensei, me virando para o príncipe.
Fiquei um pouco surpresa com a invasão repentina de Eleanora à mansão Dolkness, assim como Patrick, mas ficou claro que a pessoa mais chocada foi o próprio Príncipe Edwin.
“Vossa Alteza”, disse Patrick apressadamente, “vamos para outro cômodo por enquanto”. Ele agarrou o príncipe em pânico pelo braço, conduzindo-o para fora da sala de estar. Feito isso, ele disse por cima do ombro: “Yumiella, vou obter mais detalhes de Sua Alteza, então deixarei que você lide com a senhorita Eleanora!”
O quê?! Mas eu não quero!
Infelizmente, antes que eu pudesse expressar meus pensamentos em voz alta, fiquei sozinha. Assim que comecei a considerar fugir, a porta da sala de estar se abriu de repente e a Eleanora entrou. Parecia que o príncipe havia escapado por pouco de esbarrar nela.
Bom, pelo menos isso deu certo…
“Yumiella, cheguei! Faz tanto tempo desde a última vez que te vi!”
Pisquei. “Senhorita Eleanora, faz apenas dois dias desde a cerimônia de formatura. Além disso, se a senhorita tivesse me avisado com antecedência que viria, eu poderia ter lhe dado as boas-vindas adequadamente.”
Eleanora deu um pulinho de alegria, sorriu e sentou-se graciosamente no sofá em frente a mim. “Nossa”, disse ela, “você estava tão animada assim com a minha visita?”
“Sim…” respondi após uma pausa. A palavra saiu sibilando entre meus dentes.
Enquanto o Príncipe Edwin sempre parecia captar meu sarcasmo, Eleanora simplesmente não o percebia. Sinceramente, quando eu disse “Só se passaram dois dias”, eu estava falando sério. Mesmo assim, Eleanora não captou a minha intenção. A essa altura, eu tinha certeza de que ela não estava ignorando propositalmente as minhas insinuações — ela simplesmente não as percebia.
Na esperança de mandá-la embora o mais rápido possível, decidi pressionar Eleanora para que me dissesse o motivo de sua visita. “Como posso ajudá-la?”, perguntei. “Você deve ter algo importante para discutir, já que apareceu tão de repente.”
Uma expressão de confusão passou rapidamente pelo seu rosto. “Algo importante? Ora, eu não preciso de nenhum motivo para visitar a casa da minha amiga, preciso? Além disso, você não vai viajar para o Condado de Dolkness em breve?”
“Isso mesmo”, concordei.
Por dentro, eu suspirava. A ideia de ser amiga de alguém como ela parecia boa, mas eu não podia me deixar levar. Eleanora era filha do Duque Hillrose, o chefe da aristocracia radical — mesmo que ela fosse uma boa pessoa que gostasse de mim sem segundas intenções, seria melhor evitar me aproximar demais dela.
Hum, talvez eu simplesmente mencione o Príncipe Edwin, deixe-a falar o quanto quiser e depois a mande embora.
Aquilo me pareceu um plano tão bom quanto qualquer outro, então mergulhei de cabeça. “Como andam as coisas com Sua Alteza?”, perguntei. “Você não o mencionou ultimamente.”
Na verdade, pensando bem, ela não mencionou nada sobre sua vida amorosa, percebi. Ela não parava de falar sobre isso.
“Ah, você gostaria de ouvir?!” Embora os olhos de Eleanora brilhassem de entusiasmo, ela imediatamente se acalmou e se corrigiu. “Hm hm. Quer dizer, vou permitir que você ouça os detalhes.”
Fiz um esforço enorme para não revirar os olhos. Você só fez uma declaração condescendente…
Ainda assim, a reação dela me disse tudo o que eu precisava saber: Eleanora viera com a intenção de falar comigo sobre o príncipe.
“Adoraria saber tudo sobre isso”, eu disse sem demonstrar o menor sentimento. “Por favor, me conte.”
Eleanora deu uma risadinha. “Ah, você! Acho que vou te contar tudo como recompensa!”
Já entendi! Pode se apressar e falar logo para poder ir embora?
“Hum, por onde devo começar?”, ponderou Eleanora, com a voz um tom mais agudo que o habitual. “Talvez desde o início? Eu e Sir Edwin nos conhecemos—”
“Já ouvi essa parte muitas vezes”, interrompi, em tom monótono. “E quanto aos últimos tempos? Como têm sido as coisas nesses últimos meses?”
Por um breve instante, considerei simplesmente ignorar o que ela estava prestes a dizer, assim como fazia na Academia para me virar, mas decidi que deveria insistir para obter algumas informações. Essa conversa seria uma vitória para mim se eu conseguisse entender melhor a situação atual da Capital Real ou o que o Duque Hillrose estava pensando.
Mesmo que eu não a pressione, tenho certeza de que ela ainda compartilhará detalhes comigo. Pensei com pesar.
No entanto, para minha surpresa, a expressão de Eleanora se fechou. “Nos últimos tempos...?”
“Sim, o que tem acontecido ultimamente?”, perguntei, olhando para ela com um olhar interrogativo. Era incomum Eleanora se recusar a falar, especialmente quando se tratava de seu amado príncipe.
Após alguns instantes de silêncio, Eleanora murmurou: “Durante o último ano, todos me disseram que havia chegado a minha hora de conquistar o Príncipe Edwin e que, se eu agisse agora, conseguiria tê-lo como meu namorado, ou até mesmo me casar com ele. Mas a pessoa por quem Sir Edwin está apaixonado ainda está se recuperando… Eu não suportaria pensar nisso como uma oportunidade para mim…”
Pensando bem, a senhorita Eleanora parou de falar sobre o príncipe quase imediatamente após a derrota do Lorde Demônio.
Meu coração se enterneceu um pouco. Apesar de ter chamado a Alicia de destruidora de lares no passado, era evidente que a Eleanora estava preocupada com a outra garota. E não era só isso — parecia que, apesar de seu amor pelo príncipe, ela havia se dado ao trabalho de compreender plenamente os sentimentos dele pela Alicia e optado por respeitá-los. Provavelmente, a única razão pela qual ela continuou a flertar com ele era porque todos ao seu redor a incentivavam a fazer isso, anulando seus sentimentos.
{Del: Sabe, no final (ao menos na novel), a Eleanora tem uma índole bem melhor que a Alicia.}
Eu conseguia facilmente imaginar a comitiva da Eleanora enchendo a cabeça dela com coisas que soavam bem à primeira vista, iludindo ela e alimentando seus sentimentos pelo príncipe. Ela era uma pessoa gentil e bondosa por natureza, mesmo que fosse um pouco… Aliás, bastante condescendente às vezes. Aos meus olhos, a Eleanora era a personificação da cabeça oca — a única razão pela qual ela instruiu outros a intimidarem a Alicia no passado foi porque suas ‘amigas’ haviam instigado esse comportamento. A Eleanora era simplesmente desprovida de más intenções e facilmente influenciada pelas palavras daqueles ao seu redor.
“Entendo”, eu finalmente disse. “Por curiosidade, quem foi que disse que agora era a sua chance?”
“Hum… Acho que eram todas as minhas amigas. Ah! Quer dizer, todas elas, menos você.”
Isso não era nenhuma surpresa. Todas as garotas que andavam com Eleanora na Academia eram filhas de radicais. Era seguro dizer que a Eleanora era apenas uma peça em sua guerra política. Claro, seu pai, o Duque Hillrose, também era um dos que a usavam.
“E quanto à sua família? O que seu pai disse sobre a situação?”
“Meu pai me disse que eu deveria ficar longe de Sir Edwin e deixá-lo em paz por algum tempo.”
“O quê? O duque disse isso?” Uma onda de surpresa me invadiu.
{Del: Intrigante.}
Segundo o príncipe Edwin, os radicais planejavam que ele sucedesse ao trono e que Eleanora fosse sua rainha — eu tinha certeza de que esse plano havia sido liderado pelo duque Hillrose.
Por que ele faria algo que colocaria o plano em espera? Fiquei pensando.
Eu só havia encontrado o Duque Hillrose uma vez, na cerimônia após derrotarmos o Rei Demônio. Ele simplesmente expressou sua gratidão e não disse mais nada. Com tão pouca informação, eu ainda não tinha uma ideia clara de que tipo de pessoa o duque era.
“O que você acha, Yumiella?”, perguntou Eleanora, tirando-me dos meus pensamentos. “Você acha que seria apropriado eu ir ver o Sir Edwin?”
“Bem… acho que seria bom esperar algum tempo antes de fazer isso, como disse o duque”, admiti.
“Então é isso que farei! De qualquer forma, tem sido muito difícil não parecer triste na frente do Sir Edwin. Não queria causar nenhum problema, sobrecarregando ele com as minhas emoções.”
Tenho quase certeza de que você já lhe causou muitos problemas, pensei, segurando o riso. Embora eu imagine que você estivesse sendo atenciosa com ele à sua maneira.
Ainda assim, havia mais uma pergunta em minha mente. “Tem certeza de que quer tomar essa decisão tão rapidamente?”
“Bem, se você disse isso, não tenho dúvidas de que é a coisa certa a fazer!”
Tive vontade de suspirar, mas me contive. Não quero que confie tanto em mim, senhorita Eleanora. É justamente por ser tão confiante e disposta a acreditar nas palavras das pessoas próximas que você se mete em situações problemáticas como esta.
“Não tenho certeza se você deveria confiar tanto no que eu digo”, eu finalmente disse, na esperança de que isso a fizesse entender.
“Parece que… Dá a impressão de que você só diz a verdade, pelo menos em comparação com os outros. Quer dizer, geralmente pessoas desonestas não dizem para você não confiar nelas, não é?”
Sinceramente, estou apenas dizendo o que me vem à mente. Respirei fundo e decidi não insistir na conversa, pois seria melhor para mim que ela mantivesse certa distância do príncipe.
“Ah, e mais uma coisa”, continuou Eleanora, “você me lembra meu irmão! À primeira vista, parece que você sempre tem a mesma expressão, mas se você olhar com atenção, vai perceber uma grande variedade de emoções escondidas sob a superfície.”
“Meu rosto é mesmo tão expressivo assim?”, perguntei, com um tom de dúvida.
“Sim! Muito!”
Mas todos dizem que eu pareço tão insensível, pensei, sentindo-me um pouco à deriva. Eu sempre achei isso também. Mas… o Patrick me disse que meu rosto muda muito. Já que a senhorita Eleanora disse a mesma coisa que ele, isso significa que ela está me observando tão atentamente quanto o Patrick…? Eu tremi. Acho que está na hora de frear essa linha de raciocínio.
“Então”, eu disse, voltando a atenção para Eleanora. “Imagino que seu irmão também seja bastante inexpressivo.”
Ela assentiu. “Ele está sempre sorrindo. Mesmo quando está bravo, tem um sorriso no rosto.”
“Entendo.”
A ideia de alguém que estava constantemente sorrindo me fez lembrar do diretor Ronald. Havia algo de suspeito nele e em seu sorriso forçado. O herdeiro do duque também é assim, né? Que nojo.
Eu já achava que era uma má ideia Eleanora confiar tanto em mim só porque eu a lembrava do irmão dela, mas agora eu achava que era uma ideia péssima. Pelo que eu podia perceber, ele parecia ser um tipo de cara duvidoso.
Eleanora inclinou-se para a frente, segurando minhas mãos. “Você se lembra de quando me disse que Sir Edwin e eu nos casaríamos com certeza?”, perguntou ela. “Foi por isso que fiquei tão feliz naquela época — porque confiei em você para me dizer a verdade.”
“Ah… eu disse isso mesmo, não disse?”
Foi algo que eu disse de repente, só para agradá-la… Não achei que ela estivesse levando tão a sério. De repente, me senti extremamente culpada. Droga.
Apesar da confiança com que Eleanora declarara que conseguia ler minha expressão, ela pareceu não notar minhas emoções repentinamente conflitantes. Em vez disso, mergulhou em um discurso elaborado sobre todas as qualidades do Príncipe Edwin até que sua necessidade de falar sobre ele fosse finalmente satisfeita.
Após uma breve pausa, ela disse em voz baixa: “Então, como você está, Yumiella?”
“Eu? O que você quer dizer com isso?”
“Estou me referindo a como as coisas estão indo entre você e Sir Patrick, é claro!”
“Ah”, eu disse, relaxando. “Bem, estamos muito bem. Ele virá comigo para o Condado de Dolkness.”
Embora eu preferisse ter dito à Eleanora que não havia nada de novo entre mim e o Patrick, depois do que ela tinha observado de nós na Academia, eu não teria ficado surpresa se ela tivesse percebido que havia alguma novidade. Era mais fácil contar a ela diretamente.
O rosto de Eleanora se iluminou completamente com minhas palavras. “Ah, isso é absolutamente maravilhoso!”, exclamou ela. “Fico tão feliz em ouvir isso, especialmente porque vocês dois são tão reservados em público.”
Ah, pensei, me sentindo tola. Parece que, afinal, ela não tinha sacado nada. Embora talvez esteja escondendo o fato de que sabe alguma coisa…
Ver a felicidade de Eleanora por mim e por Patrick me fez sentir culpada por todas às vezes que a evitei na Academia, e ainda mais culpada por continuar tentando evitá-la agora. Quer dizer, ela estava praticamente tão animada com o nosso relacionamento quanto estaria com o dela. A verdade é que decidir parar de me aproximar dela foi uma decisão agonizante — não havia nada que eu odiasse mais do que pessoas que tratavam os outros com base em sua origem.
“Então…” insistiu Eleanora, “ele já te pediu em casamento?”
“C-Casamento!?” gaguejei. “Ainda não, isso está muito longe no futuro para nós.”
“É mesmo...?”, disse ela pensativa. “Ah! Você se importaria se eu estivesse lá quando ele lhe pedisse em casamento? Quero assistir.”
{Moon: Sinto muito por você Eleanora, mas eu vou poder ver isso, já você… Só se der muita sorte! (Na real, é bem capaz que ela consiga, quer dizer, é ELA)}
Lancei o meu olhar de desconfiança. Por que diabos ela quer participar do meu pedido de casamento? Pensei.
Não consegui entender o motivo do pedido de Eleanora, mas era evidente que ela estava falando sério — seus olhos cor de rubi brilhavam tanto que rivalizavam até mesmo com as joias que ela usava. Olhando para ela, senti como se minha energia estivesse se esvaindo.
Nesse ponto, comecei a me sentir boba por ter levado tão a sério a questão de aceitar ou rejeitar a amizade dela. Não importava o quanto eu rejeitasse suas investidas, Eleanora continuava a invadir minha vida sem se importar. Honestamente, nosso relacionamento já havia entrado naquele estranho jogo de aproximação e afastamento, e o nível de proximidade que tínhamos agora era perfeito para mim.
A essa altura, eu já estava definhando no sofá — a privação de sono e o cansaço geral começavam a me dominar. Em contraste, Eleanora estava tão enérgica como sempre.
“Se o Patrick ainda não te pediu em casamento, você também não deve ter um anel de noivado”, disse ela.
“Não, mas… um anel é realmente necessário?”
Anéis de noivado são aqueles com pedras, certo? Pensei com a visão turva. Sinceramente, a diferença entre um deles e uma aliança de casamento me parece um tanto ambígua.
Independentemente disso, eu ficaria feliz com qualquer coisa que Patrick decidisse me dar, mas se eu tivesse que escolher entre um anel e outra coisa, eu escolheria a outra coisa.
Se eu tivesse que escolher algo que também fosse para as minhas mãos, como um anel… talvez ele pudesse me dar um soco inglês?Assenti com a cabeça para mim mesmo.
{Yoru: Agora eu imaginei o Patrick ajoelhado abrindo uma caixinha com um soco inglês dentro. | Moon: Me lembra a Scarlet de “May I Ask for one Final Thing?” kk, NÃO, MELHOR, A pedra de Amolar…}
“Pedras são apenas brilhantes, mas acho que gostaria de algo que fosse realmente útil, como um amuleto com efeitos mágicos”, eu disse a Eleanora.
“O quê?!” Eleanora olhou para mim, horrorizada.
Ao mesmo tempo, um baque forte veio do outro lado da parede da sala de estar. O som foi bastante alto, já que ocorreu durante uma pausa na conversa entre Eleanora e eu, então ela conseguiu ouvi-lo bem.
“Ah?”, disse ela, olhando para a parede de onde viera o barulho. “Tem alguém no quarto ao lado?”
“Provavelmente é o Patrick”, eu disse, dando de ombros.
O príncipe Edwin também estava lá, é claro, mas eu não ousaria contar a ela, para evitar complicações. Com isso em mente, observei Eleanora atentamente para ver se ela cairia na conversa. Mas… ela estava agindo de forma estranha.
“E se o Patrick tivesse ouvido nossa conversa agora mesmo…?”, perguntou ela, constrangida.
Ela está se referindo à nossa conversa sobre meu desinteresse por pedras preciosas? Pensei, confusa. Sempre fui assim, então não acho que seja um problema.
Após respirar fundo de forma exagerada, Eleanora começou a falar com paixão sobre tudo relacionado ao casamento — cada palavra que saía de sua boca era sobre a importância de coisas como anéis de noivado, vestidos de noiva e assim por diante.
Ai… isso vai ser longo, não é?
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O que pareceu uma eternidade depois, Eleanora foi para casa sem reclamar. Presumi que sua disposição em ir embora tivesse algo a ver com a imensa satisfação que ela parecia sentir pelo longo discurso que me fizera sobre um casamento ideal.
Assim que me confirmei que ela realmente tinha ido embora, dirigi-me ao quarto ao lado. “Eleanora foi para casa”, disse ao abrir a porta.
Os dois homens na sala faziam caretas estranhas. Continuaram a conversa, ignorando-me completamente.
“Não fique tão desanimado, Patrick”, disse o príncipe, colocando a mão gentilmente no ombro de Patrick. “Fique feliz por ter descoberto antes de dar a ela. Além disso, há muitas lojas na Capital Real que vendem instrumentos mágicos raros.”
“Eu achava que sabia como a Yumiella se sentia, mas não imaginava que seu desprezo por joias fosse tão grande assim…”
Isso me deixou curiosa. Hã? Espera aí, vocês estavam falando de mim? Ei, ei, o que vocês estavam falando?!
{Moon: Sim, dos assuntos que ele tem que resolver na capital… Eu sabia! | Del: Gente, que pena do mano.}
Antes que eu pudesse interrogá-los, Patrick se virou para mim e disse: “Desculpe a demora, você deve estar cansada. O que a senhorita Eleanora disse?”
“Ela concordou em não incomodar Sua Alteza por um tempo”, declarei.
Certamente, essa foi uma boa notícia para o príncipe, mas, em vez de me olhar com alegria, seus olhos estavam arregalados de choque.
“Foi a senhorita Eleanora quem disse isso?”, perguntou ele, com a voz rouca. “Que tipo de métodos de persuasão você usou?”
Dei de ombros. “Não fiz nada de especial. Ah, e que tipo de pessoa é o irmão dela? Pelo visto, ele e eu somos bem parecidos.”
“O irmão da senhorita Eleanora?” perguntou o príncipe Edwin, franzindo a testa. “Eu pensava que ela fosse a única filha do duque.”
Como é possível que o príncipe Edwin não conheça o irmão da Eleanora? Pensei, perplexa. Quer dizer, isso seria impossível. Afinal, ambos são aristocratas que vivem na capital real. Além disso, não há como a família real e a família do duque nunca terem se encontrado antes, então o príncipe Edwin deveria ao menos saber da existência dele…
“Você sabe alguma coisa sobre o resto da família dela?”, perguntei ao príncipe, agora ainda mais curiosa.
“Acredito que a duquesa faleceu há bastante tempo”, disse ele lentamente, “portanto, os únicos Hillroses restantes são o duque e a senhorita Eleanora. Tenho certeza disso, porque ouvi pessoas discutindo se o duque casaria alguém com alguém da família ou se adotaria um herdeiro de um parente distante.”
As palavras do príncipe Edwin pareciam altamente honestas — então, se ele não estava enganado, quem era o irmão de Eleanora?
{Del: Quem é o loirinho de olho vermelho que vive com um sorriso meio falso…? Hein hein?}
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Era o dia seguinte à visita do Príncipe Edwin e Eleanora, e o Patrick tinha saído desde a manhã. Ele me disse que algo que precisava resolver surgiu de repente, então nossa estadia na capital real se estendeu por alguns dias. Porém, agora que o Patrick tinha ido embora, eu não tinha mais nada para fazer — fiquei apenas perambulando pelo meu quarto, matando o tempo.
A senhorita Eleanora não apareceria novamente se esteve aqui ontem, certo? Fiquei pensando.
Como se fosse combinado, ouvi uma leve batida na porta e Rita apareceu para me avisar que eu tinha uma visita.
Me dirigi imediatamente à sala de estar, onde encontrei o Diretor Ronald à minha espera. Eu tinha quase certeza de que quem me chamava era a filha de certo duque, já que era assim que as coisas geralmente aconteciam, então ver alguém que não tinha nada a ver me deixou um pouco surpresa.
{Del: Loirinho?}
“Hã? O que o senhor está fazendo aqui, Diretor?”, perguntei.
“Parabéns pela sua formatura, Yumiella. E eu não sou mais o diretor.”
Você fez algo tão errado que acabou sendo demitido? Pensei, verdadeiramente chocada. Abri a boca para perguntar, mas me contive. Ah, sim, ele era o diretor encarregado de me supervisionar e ser meu ponto de contato com o rei, não porque simplesmente queria o cargo.
“Ah, entendi. Então era um cargo temporário desde o início.”
“Exatamente”, disse ele, me dando um sorriso que me pareceu bastante duvidoso. “Tudo o que fiz foi voltar ao meu trabalho de verdade.”
Esse cara é conselheiro do rei… certo? Pensei. Sinceramente, não podia ter certeza, pois ele era um homem cheio de mistérios — nem sequer revelava o seu sobrenome.
{Yoru: Coincidência? Acho que não?! | Del: Mas que conveniência, não?}
“Diretor Ronald… Ah, devo chamá-lo apenas de senhor Ronald agora?” perguntei, sentando-me à sua frente. “O que o traz aqui hoje?”
Vamos lá, me diga por que você está aqui…
“Só ‘Ronald’ já basta… E, sinceramente, eu não tinha nenhum motivo específico para passar por aqui. Só pensei em dar um alô.”
Por dentro, desisti. Se você não tem nenhum motivo para aparecer por aqui, então por que se deu ao trabalho de vir?!
Ronald pareceu ler meus pensamentos, pois continuou: “Você vai para o Condado de Dolkness em breve, certo? Só passei para garantir que você saiba que pode contar com Sua Majestade ou comigo se tiver algum problema por lá.”
Assenti com a cabeça. “Obrigada, mas só a intenção já é suficiente.”
“Você não tem graça nenhuma”, disse ele, suspirando.
Ah bem, não quero receber tratamento especial do rei e acabar envolvida na teia da família real.
Se eu não tomasse cuidado, acabaria me tornando alvo de ódio desnecessário por parte de vários grupos que se opunham à facção do rei e, de qualquer forma, receber ajuda de alguém tão importante me pareceria trapaça.
“Bem, agora que já resolvemos isso”, disse Ronald, virando-se e pegando uma pilha de documentos antes de espalhá-los sobre a minha mesa, “o quanto você sabe sobre a situação do seu condado?”
“Recebo extratos financeiros regularmente”, respondi. “Pelo que pude ver, não parece haver nenhum problema. No entanto, parece haver muitas coisas que só descobrirei quando for lá pessoalmente.”
Atualmente, todas as tarefas operacionais relacionadas ao Condado de Dolkness eram gerenciadas por um delegado. Apesar de meus pais terem negligenciado o condado, no papel, tudo parecia estar indo bem. Eu sabia que era errado na época, mas quando assumi a propriedade de Dolkness, decidi continuar deixando as coisas a cargo do delegado até terminar meus estudos.
Ronald assentiu com a cabeça, como se fosse o que esperava. “Mas você só viu os demonstrativos financeiros dos últimos anos, certo? Eu trouxe os de dez anos atrás.” Ronald apontou para a papelada que acabara de organizar sobre a mesa. “Dê uma olhada.”
Me inclinei para a frente, começando pelo documento mais à direita. Eu tinha recebido um igualzinho recentemente. Ah, estes são os documentos que você deve apresentar para pagar impostos. Não havia nada de particularmente notável nele, então comecei a folhear o restante dos documentos, começando pelo documento mais à esquerda — ele havia sido arquivado há dez anos e, portanto, era o mais antigo do grupo.
Pelo que eu podia perceber, tudo estava indo perfeitamente bem — tínhamos ficado no verde todos os anos.
“O delegado deve ser competente”, murmurei sem pensar.
“Sim, acho que ele é bastante competente”, disse Ronald alegremente.
Pressentindo algo mais em suas palavras, examinei os documentos em minhas mãos mais uma vez. Parecia que a receita tributária do Condado de Dolkness estava em uma leve tendência de alta, aumentando a cada ano, como aconteceria se nosso condado estivesse crescendo.
Fiz uma pausa, com os olhos semicerrados. Espere, será que é possível que nossa receita aumente todos os anos? Claro, se você considerasse todo o reino, seria o caso, mas a principal atividade econômica do Condado de Dolkness é a agricultura. A produção agrícola depende do clima — não é realista esperar que ela aumente na mesma proporção todos os anos.
Quando me levantei de repente, olhando para Ronald em choque, seu sorriso se alargou lentamente. “Vejo que você percebeu. Parece que seu delegado é tão competente que nossos fiscais não notaram nada. Nem eu consegui encontrar alguma discrepância nas declarações.”
“Será que… temos uma fraude fiscal aqui?”, perguntei incrédula.
O delegado poderia ter se aproveitado do fato de o proprietário do condado não estar presente no local há tanto tempo para enriquecer ilicitamente, mas se fosse esse o caso, não teria feito parecer que nossos ganhos eram menores do que isso? Por que ele faria isso…?
Enquanto me observava me perder cada vez mais em meus pensamentos, a expressão sorridente de Ronald se transformou em um olhar sério. “Como você disse antes, há coisas que você só saberá quando for lá pessoalmente.”
Assenti com a cabeça, afastando minha confusão. “Você tem razão. Pensar nisso aqui não vai ajudar em nada.”
“Dito isso… se você acabar demitindo seu delegado, pode entregar a ele esta recomendação? Quero que ele trabalhe para mim.”
Lancei um olhar desconfiado para Ronald. Ainda nem tínhamos provas de que meu delegado havia fraudado os livros contábeis — é verdade que os documentos que eu acabara de ver pareciam bem estranhos — e Ronald já estava agindo como se ele fosse culpado, tentando recrutá-lo por suas habilidades? O que ele pretendia fazer com ele?
{Yoru: Tem caroço nesse angu… }
“Acho que posso entregar para ele…” eu disse com relutância, pegando o papel da mão de Ronald.
“Obrigado.”
Quem diabos é você, Ronald? Fiquei pensando. Realmente não havia muita informação para usar, sem nem mesmo acesso ao nome da família dele. Tudo o que eu sabia era que a confiança do rei nele era profunda.
Depois disso, nossa conversa sobre o Condado de Dolkness chegou ao fim, e Ronald compartilhou algumas informações sobre o assunto do momento na cidade — a facção que se formou em torno do Príncipe Edwin. As informações de Ronald coincidiram quase perfeitamente com o que eu havia ouvido do segundo príncipe no dia anterior.
Sem novas informações para investigar, decidi perguntar a Ronald sobre o irmão da Eleanora.
“Você conhece a estrutura da família do Duque de Hillrose?”, perguntei.
“São apenas o duque e a senhorita Eleanora…” disse Ronald rapidamente. “Por que você pergunta?”
“A senhorita Eleanora estava me contando sobre alguém a quem ela se referia como seu ‘irmão mais velho’. Embora eu imagine que ela possa estar apenas chamando de irmão alguém com quem tem um relacionamento próximo e que ela admira…”
“Entendo”, disse Ronald, sem um pingo de suspeita no rosto. Seu sorriso característico estava estampado nos lábios, disfarçando o que ele realmente pensava. “A Elea… a senhorita Eleanora tem um irmão mais velho, é?”
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Naquela noite, eu disse ao Patrick que queria ir para o Condado de Dolkness o mais rápido possível. Depois do que o Ronald me mostrou, parecia perturbadoramente possível que a situação não estivesse tão boa quanto eu imaginava.
“Tudo bem”, concordou ele. “Vamos embora amanhã ou depois de amanhã.”
“Mas e as tarefas que você tinha para fazer?”
“Já cuidei de tudo.”
Assenti com a cabeça. Parecia que todos os assuntos que Patrick precisava resolver já haviam sido resolvidos, embora ele não demonstrasse vontade de falar sobre o ocorrido. Decidi não insistir para obter detalhes.
Eu sou uma namorada bem compreensiva, hehe.
Patrick ergueu as sobrancelhas para mim, como quem diz: “Você está pensando em alguma coisa estranha de novo, não é?”, mas eu ignorei ele e preferi começar uma conversa sobre nossos planos para os próximos dias.
“Já que você cuidou de tudo do seu lado, partiremos assim que estivermos prontos. Mas a Rita e a Sara também vão com a gente, então pode ser muita coisa para o Ryuu lidar…”
“Espere um pouco. Você pretende ir voando para o Condado de Dolkness?”
“Sim”, eu disse, lançando-lhe um olhar confuso. “Por que a pergunta?”
Que outro método haveria…? Quer dizer, eu pessoalmente não me importo de correr, mas isso pode ser difícil para a Rita e a Sara.
“Por que não vamos de carruagem, só pela primeira vez?”, disse Patrick, com a voz estranhamente tensa. “A primeira impressão é importante, sabe?”
“Eu sei, mas… isso não faria do Ryuu a melhor escolha?”
As pessoas do meu condado podem estar preocupadas com o tipo de pessoa que eu sou. Eu poderia ser alguém pouco confiável ou assustador… e é por isso que meu querido Ryuu é a escolha perfeita! Um olhar para ele e elas deixarão de lado todas as suas preocupações, seus corações conquistados por sua fofura!
{Yoru: Nem te conto | Del: Sabe… é pior não?}
Eu praticamente conseguia ver minha reputação disparando. Era o plano perfeito.
Após uma longa pausa, Patrick disse: “Eu entendo que o Ryuu é um dragão bonzinho e obediente. De verdade… mas podemos, por favor, pegar a carruagem? Podemos… inspecionar as estradas principais juntos!”
Assenti com a cabeça, concordando plenamente com a sugestão. “Ah, entendi onde está querendo chegar. Muito bem, vamos pegar a carruagem.”
Eu nem tinha pensado em como as coisas parecem diferentes no céu em comparação com a terra… Bom trabalho por ter notado isso, Patrick! Ah, mas… o que isso tem a ver com primeiras impressões…?
Resenha do Tradutor e Revisores:
Yoru: Fala pessoal! Mais um capítulo interessantíssimo para vocês. Espero que se divirtam lendo tanto quanto eu, ri bastante enquanto traduzia kkkkkkkkkkkkk. Enfim, por favor, passem no nosso servidor do discord para podermos conversar sobre essa obra incrível (link abaixo). Nos vemos no próximo capítulo! :)
MoonLak: Desconfio da ligação entre Ronald e Eleanora, mas não tenho como provar… Mas agora falando sério, que capítulo ein meus amigos… E partiu mais um volume maravilhoso! Assim como o Yoru, eu também ri muito aqui, é uma comédia tão boa, mas tão bem estruturada kakaka Enfim guys, até a próxima e, entrem no SV e venham falar com a gente o que vocês pensam sobre a obra, isso nos incentiva muito a continuar!!
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