VOLUME ÚNICO
Capítulo 2
Era o inverno do meu primeiro ano do ensino médio. Em abril, eu passaria para o segundo ano. E, um ano depois, estaria no terceiro ano. E, depois disso, viriam os exames de admissão à universidade.
Como punição por não me esforçar para melhorar, fui mandado para as montanhas durante as férias de inverno, para uma vila que só ganhava vida de verdade quando a neve caía. Meus pais convenceram a escola a me deixar sair dez dias antes e a permitir que eu começasse o terceiro semestre com dez dias de atraso. Somado às férias de inverno de dez dias, seriam trinta dias passados nas montanhas.
Minha tia era dona e administradora de um ryokan nessa vila. O ryokan ficava tranquilo no verão e movimentado no inverno. Era reservado quase exclusivamente por caminhantes e esquiadores. Meus pais me mandaram para cá para trabalhar com ela. Minha mãe esperava que a irmã dela pudesse me colocar na linha e me ensinar o que é trabalhar duro. Eles disseram a ela para fazer o que fosse necessário. Minha tia aceitou de bom grado. Nada era melhor do que mão de obra gratuita durante a alta temporada.
A temperatura caiu assim que entrei na floresta. Coloquei as mãos nos bolsos e segurei duas latas de chá com leite quente que havia comprado mais cedo em uma máquina de venda automática.
Segui o rastro de pegadas de anjo mais para dentro da floresta. Normalmente, trilhas florestais como essa se conectavam a uma pista de esqui para ajudar os esquiadores a voltarem para suas acomodações. Mas não vi nenhum sinal de esquiadores. Além das minhas pegadas e das pegadas de anjo, a neve estava perfeitamente lisa.
Como essas pegadas chegaram aqui?
A julgar pelo tamanho do pé, provavelmente era uma menina. Espiei para dentro da floresta, na esperança de ver a origem das pegadas, mas tudo o que vi foi uma parede de pinheiros cobertos de neve.
Aprofundei-me na floresta. A neve estalava e rangia sob meu peso. Cada uma das minhas pegadas deixava uma marca ao lado do misterioso rastro de pegadas.
Depois de um tempo, parei, porque as pegadas pararam.
À frente havia uma curva à esquerda e, no lado externo da curva, havia um monte de neve. E naquele monte de neve estava uma menina.
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