SESSÃO 7

171 - Não Somos Mais Apenas um Casal

 

   Dentro do trem a caminho do parque de diversões.

   Como era o primeiro trem do dia, mal havia outros passageiros além do grupo do Haruto.

   Haruto estava sentado com Ryota entre ele e Ayaka.

“Ei, Mana, quanto tempo até chegarmos ao parque de diversões?”

“Uma hora, eu acho. Vamos ter que trocar de trem no caminho, então fique pertinho de mim, ok?”

“Okay! Tô muito animado!”

   Ryota balançava as pernas alegremente, claramente empolgado. Haruto sorriu com carinho para ele. Quando levantou o olhar, cruzou os olhos com Ayaka, e os dois trocaram um sorriso caloroso com o feliz Ryota se mexendo entre eles.

   Observando a cena do assento oposto, Tomoya esfregou o queixo e se inclinou em direção à Saki.

“Ei, Aizawa-san. Só eu que tô vendo esses dois como um casal casado com um filho?”

“Eu sinto o mesmo. Eles parecem exatamente uma família feliz indo para o parque de diversões.”

   Saki concordou com a cabeça. Ao ouvir a conversa, as bochechas de Ayaka coraram rapidamente.

“Para com isso, Saki! Você também, Akagi-kun! Não falem essas coisas estranhas!”

“Por que você tá corando? É algo bom. Só significa que você e Otsuki-kun combinam muito, só isso.”

“Exato. Haru e Tōjō-san são o par perfeito — tipo, eles realmente parecem marido e mulher!”

“Eh? U-uh, o-obrigada…”

   Aflita pelos elogios diretos de Saki e Tomoya, Ayaka abaixou o olhar para esconder o sorriso enquanto agradecia.

   Haruto deu um sorriso sem graça e virou-se para Tomoya.

“Mesmo que Ayaka e eu fôssemos casados, o Ryota-kun seria grande demais pra ser nosso filho.”

“Você acha? Eu não acharia estranho se alguém me dissesse que ele é filho de vocês.”

“Ah, não tem como.”

   Haruto riu, balançando a cabeça, enquanto Tomoya fingia inocência com uma inclinação da cabeça.

   Então, Shizuku, sentada ao lado de Ayaka, murmurou baixinho.

“Se Ryota-kun fosse filho deles, isso significaria que Aya-senpai deu à luz aos doze… o que quer dizer que Haru-senpai e ela… Hmm. Culpados.”

“Não imagina coisas estranhas, Shizuku-chan!”

“Não vai pra esses delírios, Shizuku!!”

   Haruto e Ayaka protestaram em uníssono.

   Ouvindo isso, Ryota, que estava olhando pela janela, levantou a cabeça para Haruto.

“Mano, o que significa ‘culpado’?”

“Eh? Ah… ‘Culpado’ quer dizer tipo… que você fez algo errado.”

“Algo errado? Você fez algo errado, Mano?”

“Não, não, nada disso…”

   Haruto tropeçou nas palavras, sem saber como explicar, e lançou um olhar mortal para Shizuku por ter começado aquilo. Em resposta, Shizuku se inclinou para Ryota.

“Então, Ryota-kun. Deixe-me explicar em detalhes o crime que Haru-senpai cometeu.”

“Nem pense nisso!”

“De jeito nenhum!”

   Mais uma vez, Haruto e Ayaka levantaram a voz para impedi-la.

   Fazendo biquinho, Shizuku pareceu descontente.

   Observando o caos, Ishikura se recostou confortável e olhou pela janela apoiando o cotovelo no banco.

“Uma manhã pacífica, né?”

“Ah, qual é, Kazu-senpai. A Shizuku tá totalmente descontrolada — tá longe de ser pacífico.”

“Descontrolada é o modo padrão dela.”

“Bem… isso é verdade.”

   Quando Haruto concordou com Ishikura, Shizuku virou um olhar vazio para ele.

“Não quero ouvir isso de alguém que fica pensando em exterminar a humanidade.”

“Eu não tô pensando isso!”

   Ignorado como sempre, Shizuku mudou de tática e sussurrou para Ryota.

“Ryota-kun. Aquele cara de cabelo castanho é, na verdade, o Senhor Demônio planejando dominar o mundo.”

“Eh!? Sério!?”

   A alegação absurda fez Ryota arregalar os olhos em choque. Ishikura rapidamente sorriu para o garoto.

“Claro que não, Ryota-kun! De agora em diante, não acredite em uma única palavra do que essa onee-chan sem expressão diz, ok?”

“Ryota-kun, não se deixe enganar. O Senhor Demônio está tentando lavar seu cérebro agora mesmo.”

“Eh? Lavar o cérebro?”

“Para com isso, Shizuku! Não encha a cabeça do Ryota de bobagens!”

“Você pode não mexer com meu irmãozinho?”

   Ayaka interveio para ajudar o confuso Ryota. Shizuku, sempre expressionless, respondeu calmamente:

“Você está ok com seu precioso irmãozinho sendo roubado pelo Senhor Demônio?”

“Eu não estou roubando ninguém!!”

   Enquanto Ishikura gritava de volta, Tomoya e Saki observavam a cena do outro lado do corredor e trocaram algumas palavras.

“Tá bem agitado pra tão cedo.”

“Com certeza. Parece que hoje vai ser divertido.”

   Com esse clima alegre, o grupo do Haruto seguiu até o parque de diversões.

   Após conseguirem fazer a baldeação, finalmente chegaram ao portão de entrada. Já havia uma grande multidão reunida, esperando o parque abrir.

   Vendo isso, Haruto murmurou surpreso.

“Já tem tanta gente assim…”

“Acho que vieram mais cedo ainda que o primeiro trem?”

“Talvez. Mas ouvi dizer que os realmente dedicados acampam desde o dia anterior.”

“Acampar…”

   Haruto ficou genuinamente impressionado com a popularidade desse parque temático de primeira linha.

   Tomoya parecia compartilhar do espanto, olhos ligeiramente arregalados.

“Quando decidimos pegar o primeiro trem, eu achei que estávamos exagerando, mas agora percebo que não estávamos.”

“Você subestimou o Reino dos Sonhos, Akagi-kun.”

   Saki sorriu sabiamente, e Shizuku acrescentou seriamente:

“Sonhos não são fáceis de alcançar. Somente através de esforço doloroso pode-se chegar até eles. É por isso que sonhos brilham tão intensamente.”

“Essa viagem ao parque de diversões tá começando a soar como algum tipo de história intensa de amadurecimento…”

   Haruto fez uma careta ao ouvir a frase digna de citação de Shizuku, fazendo-a virar para ele.

“Haru-senpai.”

“Hmm? O que foi?”

“Leve-me ao Reino dos Sonhos.”

“Não fala assim como se fosse ‘Leve-me ao Koshien’. Já estamos no Reino dos Sonhos. Seu sonho está prestes a se realizar.”

   Haruto rebateu secamente. Enquanto isso, Ishikura seguiu até o fim da fila na entrada.

“Certo, vou colocar a lona aqui.”

   Ele estendeu a lona que tinha trazido, e quando todos se sentaram, Haruto tirou uma grande marmita da mochila.

“Já que temos tempo antes de abrir, vamos tomar café da manhã agora.”

   Ele abriu as tampas, revelando uma variedade de onigiri em uma caixa e tamagoyaki, mini-hambúrgueres e outros acompanhamentos na outra.

“Oooh! Esse é um dos hambúrgueres da Kiyoko-san!?”

   Os olhos de Tomoya brilharam ao espiar a caixa.

“Aham.”

“Então eu vou pegar um!”

“Vai fundo. Aizawa-san, sirva-se também. Kazu-senpai, você também, Shizuku.”

   Haruto colocou as caixas onde todos pudessem alcançar facilmente.

   Todos agradeceram enquanto pegavam os onigiri e acompanhamentos. Ryota sentou ao lado de Haruto, sorrindo para ele.

“Parece uma excursão!”

“Parece mesmo. Aqui, Ryota-kun — um onigiri de ume-okaka pra você.”

“Obrigado, Mano!”

   Ryota sorriu radiante, segurando o onigiri que Haruto lhe deu.

   Haruto se virou para Ayaka ao lado dele.

“Qual você quer, Ayaka?”

“Vou de onigiri de wakame.”

“Fechou. Aqui.”

“Obrigada.”

   Ayaka pegou o onigiri e olhou para Ryota, que comia feliz seu ume-okaka.

“Ryota, não esquece dos legumes. Olha — Kiyoko-san fez cenoura ralada só pra você.”

“Tá bom.”

“Ryota-kun, você tem arroz grudado na bochecha.”

   Haruto estendeu a mão com um sorriso gentil e tirou o grão da bochecha do Ryota.

   Vendo Haruto e Ayaka cuidando de Ryota dos dois lados, Tomoya deu uma mordida em seu onigiri de salmão e murmurou.

“Sério, eles parecem um casal casado com um filho.”

“Pois é? A Ayaka parece uma mãe jovem se esforçando na criação.”

“O Haru é o pai passando o dia de folga fazendo coisas de família.”

   Saki riu depois de engolir seu onigiri de yukari, observando Ayaka cuidar de Ryota com um sorriso suave. Tomoya concordou com a cabeça.

   Então Shizuku entrou na conversa.

“No ritmo que vão, o segundo filho não deve estar longe.”

“HAHAHA! Verdade.”

   Tomoya caiu na risada.

   Enquanto ele ria, Ishikura, beliscando um tamagoyaki, comentou pensativo:

“Eles realmente passam mais vibe de casal casado do que só namorados. Haruto já é querido pelos pais da Ayaka-chan, então o casamento talvez não esteja longe.”

   Diante do comentário sério, Tomoya, Saki e Shizuku assentiram juntos.

   No exato momento em que esse consenso se formava — de que eles não eram mais apenas namorados — Haruto, que estava servindo kinpira gobo para Ryota, levantou o olhar.

“Hm? O que foi com vocês?”

   Ele percebeu as expressões estranhamente satisfeitas deles e inclinou a cabeça.

“Não se preocupa, Haru. Só estávamos comentando como o dia tá tranquilo.”

“É, como tá sendo um dia tão feliz.”

“O futuro do Haru-senpai parece brilhante.”

“Desejando uma vida feliz pra você, Haruto.”

   Cada amigo disse algo naquela linha, deixando Haruto totalmente confuso.

“Eh?”

   E assim, os três casais — incluindo um que estava praticamente casado — passaram o tempo felizes até que o parque de diversões finalmente abriu.

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