SESSÃO 7

163 - Posso Ir Também?

 

   No dia seguinte à conversa sobre o revezamento misto, Haruto e os outros se reuniram após a aula no campo da escola para treinar.

"Faz tempo que não corro um sprint com tudo", disse Tomoya, limpando com o braço o suor que começava a se formar na testa após completar seus 100 metros.

   Haruto, que já havia corrido seus próprios 100 metros, respondeu:

"Com a sua habilidade atlética, não é um desperdício você estar no clube de ir pra casa?"

"Eu poderia dizer o mesmo de você", retrucou Tomoya, olhando para Haruto com os olhos semicerrados.

"Eu estou no karatê, então tecnicamente não estou no clube de ir pra casa."

"Bom, eu toco numa banda. Além disso, se eu entrasse num clube no meio do segundo ano, teria que sair logo."

"Verdade."

"Eu não consigo liberar todo meu potencial em um período tão curto."

"É, tirando treinar violão, você basicamente odeia fazer qualquer outra coisa."

"Você me conhece bem", respondeu Tomoya orgulhosamente, estufando o peito enquanto Haruto parecia um pouco exasperado.

   Nesse momento, da linha de largada a 100 metros de distância, uma voz pequena chamou: "Vou correr agora!"

"Ei, é a vez da Aizawa-san", disse Tomoya, encerrando a conversa e se virando para Saki.

   Ela disparou a partir da posição de agachamento.

   Como ex-membro do clube de atletismo, sua forma de correr era bonita e fluida, suas pernas se movendo suavemente.

"Ela ainda manda bem, por ter sido do atletismo."

"Sim."

   Haruto e Tomoya observaram admirados enquanto ela cruzava rapidamente a linha de chegada onde eles esperavam.

"Ufa… Acho que perdi um pouco de velocidade no final", disse Saki ao se aproximar, avaliando sua corrida.

"Eu achei sua forma muito bonita."

"Obrigada, Otsuki-kun. Mas acho que minha resistência caiu um pouco — não consegui manter o ritmo."

   Saki sorriu com o elogio de Haruto, mas admitiu sua queda de fôlego.

   Tomoya entrou na conversa animado:

"Depois de ver a Aizawa-san correr, tô achando que o revezamento misto vai ser moleza."

"Você tá sendo otimista demais. Tem muita gente mais rápida que eu", respondeu Saki com um olhar meio sério, talvez de vergonha.

"Mesmo assim, já que fomos escolhidos pro revezamento, temos que dar o nosso melhor pela turma e nos divertir."

"Sim, senhora! Pode deixar, chefe!"

   Tomoya ficou em posição de sentido e bateu continência. Saki balançou a cabeça com uma risada leve.

"Você continua bobo como sempre, Akagi-kun", disse, com um olhar suavizado. "Mas obrigada. Honestamente, fiquei surpresa com o quão rápido você é."

"Eu sou um gênio, afinal. Ahahaha!"

   Tomoya riu alto, mãos nos quadris, enquanto Saki e Haruto o encaravam com descrença idêntica.

   Nesse momento, uma voz tímida veio da linha de largada — Ayaka, que tinha ficado para trás.

"Posso ir agora? Vou correr, tá?"

   Haruto levantou uma mão, sinalizando para ela.

   Vendo isso, Ayaka começou com uma largada em pé.

   Ela não era ruim em esportes — na verdade, tinha boa coordenação. Mas logo depois da corrida impressionante de Saki, seu ritmo parecia um pouco... deficiente.

   Enquanto Ayaka se aproximava aos poucos, Tomoya murmurou:

"Mano… Não vou dizer o quê, mas a corrida da Tojo-san é seriamente intensa."

"É… bem devastadora", acrescentou Saki ao lado dele, apertando os olhos enquanto observava Ayaka, talvez entendendo algo que só outra garota entenderia.

   Haruto sorriu de canto ao ouvir isso enquanto esperava na linha de chegada.

   Ayaka finalmente chegou, ofegante.

"Haah… haah… Como eu fui?" Perguntou, um pouco insegura, já consciente de que tinha sido mais lenta que Saki.

"Eu achei que foi bom. Talvez você incline demais o corpo pra frente quando corre. Tenta manter as costas mais retas", disse Haruto gentilmente, oferecendo um conselho.

   Saki também entrou na explicação:

"O segredo pra correr rápido não é empurrar o chão, mas usar o impulso do retorno dele. Pra isso, ajuda manter as costas retas."

"Assim?" perguntou Ayaka, ajustando a postura.

"Isso, exatamente. Pense no seu corpo como um eixo e deixe esse eixo absorver o impulso."

"Aaff, isso parece difícil…"

"Você não vai pegar de uma vez. Só pratique o quanto puder antes do evento. Imaginar que está pulando corda pode ajudar."

   Como era de se esperar de uma ex-atleta, Saki ensinava muito bem e dava conselhos precisos.

   Depois disso, os quatro correram mais alguns sprints de 100 metros antes de encerrar o dia.

   Como Haruto não tinha treino de karatê, ele ia dormir novamente na casa dos Tojo.

   Então ele e Ayaka voltaram juntos da escola, lado a lado.

   Grudada no braço de Haruto enquanto caminhavam, Ayaka falou com um toque de preocupação:

"Você acha que eu consigo ficar um pouquinho mais rápida até o festival esportivo?"

"Vai sim. Você não é ruim em esportes, e a Aizawa-san ensina bem. Tenho certeza de que você vai estar bem mais rápida até lá."

"Obrigada, Haruto."

   Ayaka sorriu radiante e entrelaçou sua mão com a dele.

   Ainda de mãos dadas, os dois voltaram para a casa dos Tojo.

   Por causa do treino de revezamento, eles chegaram mais tarde do que o habitual. Shuichi e Ikue já tinham voltado do trabalho, e Kiyoko tinha acabado de preparar o jantar.

   Após se lavarem e trocarem de roupa, Haruto e Ayaka foram para a sala de jantar se juntar à família.

   O prato principal daquela noite era yodare-dori — frango “de fazer salivar”.

   Kiyoko fez uma versão própria do prato popular de izakaya para que até Ryota pudesse comer facilmente.

   Enquanto Haruto saboreava a refeição deliciosa, Ikue lançou um olhar brincalhão para os dois e perguntou:

"A propósito, vocês chegaram tarde hoje. Estavam num encontrozinho depois da aula?"

   Shuichi entrou na conversa com os olhos brilhando:

"Oh? É isso?"

   Haruto deu um sorriso meio sem jeito e respondeu:

"Na verdade, a gente estava treinando pro revezamento do festival esportivo."

"Ah, entendi. Então a Ayaka tava torcendo pro Haruto-kun durante o treino?"

"Nada! Eu também tô no revezamento, então estávamos treinando juntos."

   Ao ouvir isso, Ikue piscou em surpresa.

"Você tá no revezamento? Sério?"

"Sim."

"Que incrível!"

   Ikue sorriu, e Ayaka ficou vermelha, claramente envergonhada pelo elogio.

"O-o-obrigada…"

   Enquanto Ayaka estava toda atrapalhada, Ryota — que estava totalmente concentrado na comida — olhou para ela com curiosidade.

"Você corre rápido, Mana?"

"Eu estou treinando pra correr rápido."

"Hmm… Se esforça, Mana!!"

   Ryota deu um incentivo apaixonado antes de voltar ao frango.

   Então, Shuichi, cheio de orgulho, comentou:

"Eu adoraria ver a Ayaka correndo no revezamento. Talvez eu devesse tirar folga no domingo."

"Você não precisa vir! Além disso, o festival esportivo nem é aberto ao público!!"

   Ayaka rapidamente cortou a ideia.

   Na escola de Haruto, o festival esportivo não era aberto para visitantes. Enquanto Ayaka tentava explicar isso, desesperada, Haruto riu sozinho — até Shuichi de repente mudar completamente de assunto.

"Falando nisso, Otsuki-kun. Isso é meio do nada, mas eu tô planejando ir pescar num barco fretado este domingo. Quer vir?"

   Haruto fez uma expressão de desculpas.

"Desculpa. Na verdade, eu e a Ayaka planejamos ir a um parque de diversões neste domingo. Mas agradeço muito o convite…"

"Ah, entendi! Sem problema! Só cuide bem da minha filha nesse dia, tudo bem?"

"Pode deixar."

   Haruto assentiu, sentindo a pressão silenciosa de Ayaka pedindo para o pai não falar mais nada.

   Nesse momento, Ryota — que tinha limpado o prato — olhou para Haruto com olhos arregalados.

"Você vai no parque de diversões no domingo?"

"Sim… Você também quer ir, né, Ryota-kun?"

   Haruto percebeu o sentimento dele e perguntou gentilmente.

   Os olhos de Ryota brilharam por um instante, mas ele rapidamente tentou se conter.

"Mas é um encontro com a Mana, né?"

"É, é sim."

"…Então eu não vou."

   Ryota balançou a cabeça, cerrando os punhos, como se estivesse segurando alguma coisa.

"Eu não vou atrapalhar enquanto vocês aumentam o amor."

   Suas palavras sinceras fizeram Haruto sentir uma onda de ternura.

   Ele olhou para Ayaka, que deu um leve aceno.

   Vendo isso, Haruto se abaixou e falou gentilmente:

"Por que você não vem com a gente também, Ryota-kun?"

"Hã? Eu posso? Eu não atrapalho?"

"Claro que não. Você lá vai deixar tudo ainda mais divertido pra mim e pra Ayaka."

"Sim! Vamos todos juntos!"

   Ao ouvir isso de Haruto e Ayaka, o rosto de Ryota floresceu como um girassol.

"Sério!? Eba! Eu quero ir também!!"

   Seus olhos brilhavam de alegria, e Haruto não conseguiu evitar sorrir junto.

   Transbordando empolgação, Ryota de repente se virou para Kiyoko como se tivesse lembrado de algo.

"Vovó! Esse frango tava super gostoso! Obrigado!"

"Fico tão feliz que você gostou, Ryota-kun. Vou fazer de novo em breve, tá?"

"Uhum!"

   Animado com o passeio no parque de diversões, Ryota vibrava de entusiasmo.

   A mesa de jantar da família Tojo estava envolvida em uma atmosfera calorosa e feliz.

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