SESSÃO 6

143 - Alheio, Insensível e Sem Percepção

 

   A luz do meio-dia brilhava intensamente, suavemente filtrada pelas árvores do pátio da escola.

   Sob a sombra leve, Haruto e seus amigos estavam sentados em um banco, aproveitando um momento tranquilo depois do almoço.

"Ugh, vai chover neste fim de semana..."

   Saki, que tinha acabado seu bentô, gemeu enquanto encarava o celular. Ela se largou sobre a mesa, com o ar totalmente desanimado.

   Ayaka, depois de tomar um gole da garrafa térmica, perguntou: "Vai chover sábado e domingo?"

"Hmm… Domingo talvez só fique nublado, mas sábado está completamente perdido. Um desastre total."

   Vendo a animação de Saki sumir, Tomoya, mastigando um pão de yakisoba, soltou uma risadinha.

"Você tinha planos para sábado, Aizawa?"

"Não, nada em particular."

   Saki balançou a cabeça, fazendo Tomoya soltar automaticamente: "Então por que você se importa tanto?!"

"Ué, sabe como é? Quando chove, não dá pra sair assim casualmente. Né, Shizuku?"

   Buscando concordância, Saki olhou para Shizuku, que apenas assentiu em silêncio.

"Eu entendo. Além disso, quando fica úmido, meu adorável cabelo enrola, o que é bem irritante."

"Hã? Shizuku, você tem cabelo naturalmente ondulado?"

   Ayaka parecia surpresa, mas Shizuku, ainda sem expressão, respondeu casualmente:
"Nem um pouco."

"Espera, então por que você disse aquilo?"

"Se uma garota beliscar de leve a pontinha enrolada do cabelo e disser: ‘Ah não, meu cabelo enrolou’, ela pode atingir o coração de um homem como uma flecha. Não é, Haru-senpai?"

"Uh… não sei bem o que responder a isso."

   Como sempre, Shizuku estava dizendo coisas incompreensíveis. Haruto, sem saber como reagir, ficou perdido.

   Vendo isso, Shizuku balançou a cabeça com um suspiro exagerado.

"Haru-senpai, você é um idiota desatento, insensível e sem percepção. Ayaka-senpai deve sofrer muito com você."

"O Haruto não é tão ruim assim."

   Ayaka deu um sorriso constrangido ao comentário de Shizuku e então virou-se para Haruto ao seu lado.

"Mas, bem… você me pega desprevenida muitas vezes. Não faz bem pro meu coração, então eu queria que você parasse."

"Hã? Te pego desprevenida? Eu faço isso mesmo?"

   Haruto inclinou a cabeça confuso, e Shizuku repetiu: "Sim, Haru-senpai é um idiota desatento, insensível e sem percepção."

   Ouvindo isso, Tomoya, que estava abrindo um pão de croquete, riu.

"Essa frase tem um ritmo bom—desatento, insensível e sem percepção. Sim, combina bem."

   Ao vê-lo concordar consigo mesmo, Saki pareceu interessada.

"Sério? Otsuki é um idiota desatento, insensível e sem percepção... Haha, realmente tem um som divertido! Ayaka, tenta falar também!"

"Tudo isso? Haruto é um idiota desatento, insensível e sem percepção… Hmm, é meio divertido mesmo. Dá vontade de repetir."

   Enquanto Saki a animava, Ayaka repetiu algumas vezes, parecendo ganhar gosto pela frase.

   Nesse momento, Shizuku, totalmente no clima, ergueu a garrafa térmica como se fosse um microfone e começou a fazer um rap.

"Yo! Yo! Haru-senpai, idiota desatento, insensível, sem percepção! Aya-senpai, preocupações sem fim, sem descanso no coração, sensação! Senpai tolo, zero entendimento feminino, nenhuma noção, nenhuma ação, o tempo vai e vem, que situação! Yeahhh!"

"Yeahhh o quê?! E o que diabos significa ‘o tempo vai e vem’?!!"

   Haruto respondeu na hora.

   Shizuku manteve a garrafa térmica perto da boca e fez um gesto com a mão, dedo indicador, polegar e médio estendidos.

   Saki, completamente entretida com o rap, bateu palmas animada.

"Uau! Isso foi incrível! Como você pensa nisso na hora?!"

   Enquanto repetia "Muito legal, muito legal", Shizuku, ainda sem expressão, respondeu monótona: "Dá uma olhada."

Haruto virou-se para o lado e viu Ayaka batendo palmas também.

"Meu Deus…"

   Haruto suspirou, coçando a cabeça.

   Ele não podia reclamar muito, considerando o quão cego tinha sido em relação aos próprios sentimentos antes de confessar para Ayaka.

   Pensando em sua antiga falta de percepção, Haruto decidiu que, se fosse chamado de "desatento, insensível e sem percepção" novamente, ele poderia provar o contrário encarando Ayaka de maneira adequada.

   Foi então que Tomoya, tendo terminado seu pão de croquete, fez uma pergunta casual.

"Ah, Haru, o que você vai fazer sábado?"

"Bom… Se não der pra sair por causa da chuva, acho que vou passar o tempo com o Ryota ou estudar. Mas seria legal sair com a Ayaka."

"Ah, é mesmo, esqueci. Você e a Tojo meio que estão morando juntos agora, né?"

"Eu não diria exatamente ‘morando juntos’…"

   Haruto respondeu com hesitação, mas Tomoya deu de ombros.

"Eh, é praticamente a mesma coisa, né?" Ele então se virou para Ayaka. "Você queria sair com ele, né?"

"Queria, mas... sair na chuva é meio chato."

   Ayaka pareceu um pouco desapontada, mas de repente se animou ao lembrar de algo.

"Ah! A gente tinha falado sobre assar doces juntos, lembra?"

"Ah, é verdade, foi quando comemos a torta de maçã da Ikue-san."

   Naquela época, Haruto disse que não era bom em doces ocidentais, e Ayaka sugeriu que tentassem assar algo juntos algum dia.

"Sim! Que tal passarmos este sábado assando coisas?"

"Parece bom, vamos fazer isso."

   Quando Haruto concordou, as orelhas de Shizuku se animaram.

"Eu quero doces também! Ah! E sábado é o dia em que o Kazu-senpai vai me dar brownies!"

   Lembrando do que aconteceu no dojo no dia anterior, os olhos de Shizuku brilharam. Saki inclinou a cabeça.

"Kazu-senpai?"

"Ah, ele é um veterano do nosso dojo. Haru-senpai, Kazu-senpai e eu treinamos juntos desde pequenos."

   Ouvindo isso, Ayaka olhou para Haruto.

"Sério?"

"Sim, conheço o Kazu-senpai desde o jardim de infância."

"Então ele é tipo seu amigo de infância. Akagi, você conhece ele?"

"Sim, conheço. Mas não vejo o Kazuaki-senpai há uns dois anos."

   Tomoya às vezes brincava com Haruto e Ishikura quando eram menores.

"Se a Aizawa e a Tojo encontrarem o Kazuaki-senpai, elas vão ficar chocadas."

"Hã? Por quê?"

   Saki olhou confusa para o sorriso malicioso de Tomoya.

   Ishikura tinha uma aparência bem intimidadora, o que podia assustar quem não o conhecia. Haruto já imaginava como Ayaka e Saki reagiriam quando o vissem e não pôde evitar um leve sorriso.

   Então, Shizuku levantou a mão de repente.

"Tive uma ótima ideia. Vamos convidar o Kazu-senpai e todos nós assarmos juntos no sábado!"

"Ah, isso parece divertido!"

   Saki aceitou na hora.

"Você quer dizer nós cinco aqui, mais o Kazu-senpai?"

   Haruto perguntou, e Shizuku assentiu com firmeza.

"Exatamente."

"Seis pessoas, hein… Vamos precisar de uma cozinha grande…"

   Haruto virou-se para Ayaka.

   Vendo todos olharem para ela, Ayaka sorriu.

"Vou perguntar pra minha mãe. Ela provavelmente vai dizer sim."

"Por favor. Já que vamos invadir com um grupo grande de novo, vou levar algum presente."

"Ah, não precisa! Meus pais adoram receber visitas."

   Enquanto Ayaka os tranquilizava, a curiosidade de Saki despertou de novo.

"A propósito, esse Kazu-senpai é bom em assar doces?"

"Ele é excelente. Honestamente, acho que nunca vou conseguir superá-lo nisso."

   Ouvindo isso do Haruto, Saki ficou impressionada.

"Uau, se até o Otsuki diz isso, ele deve ser muito habilidoso."

   Ishikura sempre gostou de confeitaria como hobby, mas recentemente estava estudando por conta própria com vídeos. A qualidade do que ele fazia já parecia digna de uma loja.

   Após o Haruto, Shizuku também falou sobre os doces de Ishikura.

"A torta de frutas que ele fez nas férias de verão era absolutamente divina. Um sabor digno do nome ‘Fenda do Relâmpago’."

"Fenda do Relâmpago? O que é isso?"

   Saki, que não sabia nada sobre Ishikura, perguntou curiosa.

   Ayaka também inclinou a cabeça.

   Enquanto isso, Tomoya, que conhecia Ishikura, caiu na gargalhada.

"Ah cara, se o Kazu-senpai ouvir isso, ele vai ficar muito bravo."

"Sim, ele já ficou bravo comigo."

   Shizuku respondeu casualmente, fazendo Tomoya rir mais ainda.

   Haruto, divertido, olhou para Saki.

"Mas vai chover sábado. Você vai conseguir vir? Não vai ser difícil chegar na casa da Ayaka?"

   Saki costumava morar perto da casa de Ayaka, mas tinha se mudado e agora morava mais longe.

   Haruto estava preocupado sobre ela ter que ir até lá na chuva.

   Em resposta, Saki balançou o dedo indicador de um lado para o outro.

"Otsuki-kun, nunca subestime a paixão de uma garota por doces."

"Isso mesmo, Haru-senpai. Você não entende nada do coração de uma garota."

   Shizuku reforçou, trazendo de volta a conversa anterior.

"Tá, tá. Minha culpa."

   Haruto pediu desculpas antes que Shizuku começasse a cantar rap de novo.

   Ayaka, assistindo à troca de todos com um sorriso, virou-se para o grupo.

"Então, vou confirmar com a minha mãe sobre sábado."

"Obrigada!" Saki e os outros responderam animados, claramente ansiosos.

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