SESSÃO 6
140 - Você Ainda Não Entende
Banhado pela luz da manhã que entrava pela janela da sala de estar, Haruto toma café com Kiyoko e o resto da família Tōjō.
“Mmm, esse prato de vagem com molho de gergelim é simples, mas tem um sabor tão profundo”, comenta Shuichi, segurando uma tigelinha enquanto compartilha sua opinião.
Kiyoko, com a expressão suavizada, volta-se para ele e diz: “Esse foi feito pela Ayaka hoje.”
“Oh! É mesmo? Ayaka, está realmente delicioso!”, Shuichi elogia entusiasmado.
“Obrigada, pai”, responde Ayaka, seus lábios se curvando em um sorriso feliz com o elogio do pai.
Vendo a reação dela, Kiyoko — que a ensinou a preparar o prato — sorri calorosamente. “Fico feliz que tenha ficado bom, Ayaka.”
“É tudo graças ao seu ensinamento, Kiyoko-san. Obrigada por sempre me orientar com tanta paciência”, diz Ayaka, inclinando a cabeça respeitosamente para Kiyoko.
Enquanto isso, ao lado delas, Ryota está diligentemente tirando os espinhos do seu salmão. Haruto intervém para ajudar.
“Ryota, tem espinhos pequenos aqui também, então tome cuidado”, Haruto orienta.
“Ok, obrigado, Mano!”, Ryota responde energicamente, enchendo a boca com o salmão agora sem espinhos.
“Está bom?”, pergunta Haruto.
“Sim! Está delicioso!” Ryota exclama, o rosto iluminado com um sorriso feliz enquanto saboreia a refeição.
Compartilhando da alegria de Ryota, Haruto dá uma mordida no tamagoyaki que ele mesmo preparou. Nesse momento, Ikue, que havia colocado sua tigela de missoshiro de lado, sorri e puxa conversa com Haruto.
“A propósito, o festival esportivo está chegando, não é? Em quais provas você pretende participar, Haruto-kun?”
“A gente ainda está discutindo isso na sala, mas no ano passado eu corri os 100 metros rasos”, responde Haruto.
“Oh, essa é uma das principais provas do atletismo! Você é rápido, Haruto-kun?”, pergunta Ikue, juntando as mãos com admiração.
Antes que Haruto possa responder, Ayaka intervém orgulhosamente: “O Haruto foi o âncora no revezamento quando estava no fundamental.”
“Isso é incrível!”, exclama Ikue, reagindo como se estivesse elogiando o próprio filho.
Sentindo-se um pouco envergonhado, Haruto diz baixinho: “Obrigado.”
Desde o incidente “Izakaya Haruto”, Ele percebeu que Shuichi e Ikue ficaram ainda mais próximos dele. Ele sempre teve a sensação de que eles tinham uma impressão favorável desde que ele começou a ajudar com as tarefas domésticas durante as férias de verão. E depois que começou a namorar Ayaka, sentiu que eles o tratavam ainda melhor. Contudo, ele assumira que era tudo por causa da Ayaka — porque ela gostava dele, e ele era o namorado dela.
Mas agora, ele sente que mesmo sem Ayaka, eles realmente se importam com ele. É como se o tratassem como um filho. Isso faz Haruto pensar em seus pais falecidos, e ele não consegue evitar sentir-se feliz e envergonhado ao mesmo tempo, o coração formigando com emoções misturadas.
Depois de terminar o café da manhã, Haruto troca para o uniforme escolar e vai até a entrada. Enquanto calça os sapatos, Ayaka, também de uniforme, junta-se a ele.
“Desculpa te fazer esperar”, diz Ayaka.
“Imagina. Vamos?”, responde Haruto.
“Vamos”, Ayaka acena, feliz.
Juntos, se despedem de Kiyoko, que os acompanha até a porta, e seguem para a escola.
Antes, eles evitavam caminhar juntos até a escola para manter o relacionamento em segredo, saindo em horários diferentes. Mas agora que assumiram o namoro, não há mais necessidade de esconder.
Enquanto Ayaka caminha ao lado dele com passos leves, Haruto pergunta com uma expressão divertida: “Seu pé direito já está bem?”
“Sim, não dói mais”, responde Ayaka, até dando um pulinho para provar.
Haruto ri suavemente do entusiasmo dela. “Ayaka, presta atenção nos carros, tá? Não vai ser atropelada.”
“Eu não sou o Ryota, tá? Vou ficar bem”, retruca Ayaka.
“O Ryota e você são bem parecidos em algumas coisas”, provoca Haruto.
Ayaka faz um leve biquinho com o comentário, então se aproxima mais de Haruto e estende a mão direita. “Então, se eu segurar sua mão assim, você fica mais tranquilo?”
“Sim, assim eu fico mais tranquilo”, responde Haruto, apertando suavemente a mão delicada dela. Ele ajusta seu passo ao dela enquanto caminham calmamente.
O sol da manhã parece um pouco menos intenso em comparação ao verão, e Haruto e Ayaka caminham para a escola, irradiando felicidade.
Enquanto caminham, uma voz meio sonolenta chama por trás deles.
“Ei, Haru. Tōjō-san, bom dia.”
“Yo, bom dia”, responde Haruto.
“Bom dia, Akagi-kun”, acrescenta Ayaka.
Tomoya, alcançando-os por trás, parece extremamente sonolento.
“Tomoya, você está com uma cara péssima”, comenta Haruto.
“Sim, perdi a noção do tempo vendo vídeos de guitarra ontem à noite”, responde Tomoya, soltando um grande bocejo.
“A propósito, Haru, indo pra escola de mãos dadas com a Tōjō-san de manhã? Qual é a dessa? Explode logo”, Tomoya provoca.
“Desculpa, sem planos de explodir tão cedo”, responde Haruto com um sorriso de canto.
“Você é irritante”, resmunga Tomoya, lágrimas nos olhos por causa de outro bocejo.
Nesse momento, outra voz se junta.
“Aya-senpai, Haru-senpai, bom dia. E Tomo-senpai também.”
Shizuku, com seu rosto habitualmente inexpressivo, cumprimenta.
“Bom dia, Shizuku-chan”, Ayaka responde com um sorriso.
“Hmmm, de mãos dadas com o Haru-senpai de manhã, hein?”, diz Shizuku, encarando fixamente a mão esquerda de Ayaka segurando a de Haruto. Então, com a voz um pouco mais baixa, acrescenta: “Aya-senpai, você se divertiu com o Haru-senpai ontem à noite?”
“Qu—?! Shizuku-chan, o que você está dizendo?! Não é nada disso!” O rosto de Ayaka fica vermelho na hora.
Shizuku, fingindo inocência, inclina a cabeça. “Hã? Por que você ficou tão vermelha?”
“É porque você está dizendo coisas estranhas tipo ‘se divertiu’!”, exclama Ayaka.
“O que tem de estranho em se divertir? Eu sou só uma criança, então não entendo. Aya-senpai, por favor, explique em detalhes”, continua Shizuku, a voz pingando curiosidade fingida.
“Você está fazendo isso de propósito, Shizuku-chan! Para de se fazer de boba!”, protesta Ayaka.
“Do que eu estou me fazendo de boba? Por favor, explique em detalhes, Aya-senpai?”, insiste Shizuku, com sua expressão vazia com uma pontinha de diversão.
“Argh! Haruto!”, Ayaka, incapaz de lidar com o teasing de Shizuku, olha para Haruto pedindo ajuda.
Haruto, com um sorriso torto, olha para Shizuku. “Shizuku, para com isso, vai?”
“Tá bom, tá bom”, Shizuku dá de ombros, e então acrescenta: “Aya-senpai resmungando é a melhor coisa”, como provocação final.
Ayaka, prestes a retrucar, vira-se para Shizuku, mas o olhar firme dela a faz engolir as palavras. Um pequeno sorriso brincalhão puxa o canto dos lábios de Shizuku.
“Shizuku-chan, você é tão má…”, murmura Ayaka.
“Eu adoro esse seu lado, Aya-senpai”, diz Shizuku sem rodeios.
“…Você é tão ardilosa”, responde Ayaka, a expressão misturando frustração e felicidade.
Observando a troca das duas, Tomoya suspira contente. “Cara, as manhãs são as melhores. Né, Haru?”
“Por algum motivo, não quero concordar com você”, responde Haruto.
“Do que você está falando? Ser honesto com seus sentimentos é importante, sabia?”, diz Tomoya, cruzando os braços atrás da cabeça despreocupadamente.
Nesse momento, Saki aparece vindo do caminho que leva à estação.
“Bom dia, pessoal. Oh, Ayaka, já indo pra escola de mãos dadas com o Otsuki-kun? Vivendo o sonho, hein?”
“Saki-senpai, ouve isso! A Aya-senpai resmung—”
“Shizuku-chan! Não conta nada desnecessário pra Saki!”, interrompe Ayaka, aflita.
“Hã? O que está rolando, Shizuku-chan?”, pergunta Saki, interessada.
“Nada! Absolutamente nada!”, Ayaka insiste, desesperada para impedir Shizuku de abrir o bico.
Saki, com um sorriso travesso, pressiona Ayaka. “Qual é, Ayaka, me conta também!”
A conversa animada das garotas enche o ar matinal enquanto Tomoya suspira de novo.
“Que manhã pacífica, hein, Haru.”
“Isso é pacífico mesmo?”, pergunta Haruto, observando sua namorada desesperada sob as provocações das amigas.
Depois de caminharem até a escola, o grupo se despede de Shizuku na entrada, já que ela segue para seu próprio ano. Haruto e os outros seguem para a sala do segundo ano.
Antes de entrar, um aluno chama por eles.
“Uh, Otsuki, e Tōjō-san…”
Ouvindo a voz nervosa, Haruto se vira e vê o aluno que o havia insultado no dia anterior, desencadeando a ira de Ayaka.
O rosto alegre de Ayaka imediatamente se endurece ao reconhecê-lo.
O aluno, ao notar a mudança na expressão dela, recua ligeiramente.
“Uh, que foi?”, pergunta Haruto, percebendo a palidez do garoto.
O aluno hesita antes de falar. “Eu… eu queria pedir desculpas por ontem.”
Ele olha para Ayaka, que permanece sem expressão.
“Desculpa. Eu disse coisas que te deixaram chateada, Tōjō-san…”
Ayaka acena friamente com a cabeça.
O aluno, aflito, continua: “Eu… eu não queria te chatear. O que eu disse ontem não era o que eu realmente sentia—”
“Não peça desculpas pra mim. Peça desculpas para o Haruto”, interrompe Ayaka, a voz fria.
“Ah, sim, claro”, o aluno gagueja, virando-se para Haruto.
“Otsuki, eu… eu sinto muito pelo que aconteceu ontem. Te chamar de nerd, sombrio, perdedor… eu não pensei. Eu só… perdi o controle das emoções. Me desculpa.”
Haruto, sentindo certa pena do garoto claramente abalado, responde: “Eu não me importei tanto, então fica tranquilo. Eu te desculpo, não se preocupe com isso.”
Ao ouvir o perdão de Haruto, a expressão do aluno se ilumina um pouco.
“Obrigado. Eu sinto muito mesmo. Eu…” Ele faz uma pausa, olhando para Ayaka antes de continuar. “Eu gosto da Tōjō-san desde o primeiro ano. Sempre gostei… então quando descobri que o Otsuki era o namorado dela, eu não consegui aceitar. Perdi o controle das emoções e disse aquelas coisas horríveis… me desculpa.”
Ele inclina a cabeça novamente.
Ayaka, com a expressão suavizando levemente, fala: “Sato-kun, daqui pra frente, não fale coisas ruins sobre o meu namorado, tá?”
“Hã? Ah, sim. Claro”, responde Sato, surpreso que Ayaka lembre seu nome.
“Haruto é incrível. Ele ficou em primeiro lugar no boletim no último teste”, acrescenta Ayaka.
“Sim, isso é realmente impressionante”, concorda Sato.
“Obrigado”, diz Haruto, um pouco envergonhado.
Ayaka, sorrindo, continua a elogiar Haruto. “Sabe, Sato-kun, o Haruto não é só bom em estudar. Ele pratica karatê desde pequeno, e ele é muito forte.”
“Sério? Eu não sabia disso. Agora me sinto ainda mais mal por ter chamado você de perdedor”, diz Sato.
Ayaka acena animadamente. “E o Haruto é ótimo em limpeza também. Desde que começou a morar lá em casa, tudo está impecável.”
“Uau, isso é incrível, Otsuki”, responde Sato.
“E a comida do Haruto é deliciosa. Eu poderia assistir ele cozinhando para sempre”, continua Ayaka, os olhos brilhando.
“Ah, sim… Otsuki cozinha também?”, pergunta Sato, começando a ficar sobrecarregado.
“Sim, ele cozinha. E ele sempre cuida do Ryota também. O Ryota gosta muito dele. Ah, o Ryota é meu irmãozinho”, explica Ayaka.
“Entendi…”, responde Sato, dando um passo para trás enquanto Ayaka se aproxima.
“E o Haruto é muito atencioso. Quando a gente sai para fazer compras, ele sempre pega discretamente as sacolas de mim se eu estiver carregando muito.”
“…O Otsuki é um verdadeiro cavalheiro”, murmura Sato.
“É sim. E ele é muito gentil. Quando o festival de fogos foi adiado por causa da chuva, ele saiu na chuva para comprar todos os ingredientes para um festival caseiro só pra mim. Não é incrível?”
“Ah, sim… o Otsuki é tipo um super-herói”, diz Sato, claramente sentindo a pressão.
“Sim, o Haruto é um super-herói. E tem mais—”
“Ok, ok! Eu entendi! O Otsuki é incrível!”, interrompe Sato, nitidamente sobrecarregado.
Mas Ayaka não termina. “Não, Sato-kun, você não entende. O Haruto também é muito rápido. Ele foi o âncora do revezamento no fundamental.”
“Fundamental… isso é impressionante”, responde Sato, suando.
“É, né? E tem muito mais…”, continua Ayaka, os olhos brilhando enquanto lista as muitas virtudes de Haruto.
Sato, cada vez mais em pânico, murmura: “Ah não…”
Observando o ataque implacável de elogios de Ayaka, Saki ri. “Ai, ai, o Sato pisou em outra mina terrestre.”
“Ei, Haru, vamos vender um pote com sua cara impressa depois pro Sato. Ele com certeza compra”, brinca Tomoya.
“Para com isso. Nem parece uma piada”, responde Haruto, sentindo-se ao mesmo tempo tocado pela admiração de Ayaka e com pena de Sato, que está sendo bombardeado com as virtudes dele.
“E o Haruto sempre segura minha mão com tanta gentileza”, continua Ayaka.
“…O Otsuki é incrível…”, murmura Sato, completamente derrotado.
“Sim, ele é”, conclui Ayaka, finalmente satisfeita.
O grupo segue para a sala, deixando Sato para se recuperar do bombardeio esmagador de elogios de Ayaka. Haruto não consegue evitar sentir uma mistura de orgulho e pena pelo garoto que, sem querer, desencadeou a defesa apaixonada dela.
Traduzido por Moonlight Valley
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