SESSÃO 5
122 - As Dificuldades de Ayaka Tōjō ⑥
A voz de Haruto ecoava pela sala de karaokê.
É disso que as pessoas falam quando dizem que “seus ouvidos foram abençoados”?
A música enka que ele cantava era famosa — eu já a tinha ouvido algumas vezes em programas musicais na TV. A letra retratava uma história de amor agridoce, porém ardente.
Quando imaginei o Haruto cantando aquelas palavras como se fossem direcionadas a mim, senti uma onda de calor borbulhando dentro do peito, uma mistura indescritível de emoções que fez meu coração acelerar.
Eu queria poder ouvir a voz dele para sempre.
Mas, para minha tristeza, a performance terminou em cerca de cinco minutos. Sentindo um leve desapontamento, bati palmas com entusiasmo.
Então Saki se virou para mim com um sorrisinho brincalhão.
"Eu nunca vi alguém cantar enka no karaokê antes", ela provocou.
"Pra mim também foi a primeira vez, mas acho que o Haruto foi incrível!", respondi sinceramente.
"Bem, foi bom, mas ainda assim… ver um estudante do ensino médio, de uniforme, cantando enka — é meio engraçado. Aliás, Ayaka, seu rosto está meio vermelho."
"Hã? E-Está? Deve estar só um pouco quente aqui."
Se eu dissesse que estava imaginando o Haruto e eu vivendo a história da música, ela com certeza iria me atormentar sem piedade.
"Quer que eu abaixe um pouco o ar-condicionado?", ela sugeriu.
"N-Não, tô bem! Ah, vou pegar uma bebida!", falei rapidamente, pegando meu copo, que ainda tinha um terço, para escapar do olhar investigativo dela.
Nesse momento, Akagi se aproximou da Saki com um microfone. "Sua vez, Aizawa-san."
"Obrigada. Hmm, o que devo cantar agora…", Saki murmurou, passando a lista de músicas.
Eu me levantei e perguntei: "Saki, quer que eu pegue uma bebida pra você enquanto estou lá?"
"Não, tô bem. Vou pegar uma depois que terminar de cantar."
"Certo. Alguém mais quer alguma bebida?", perguntei aos outros.
"Não, estou bem", disse Haruto.
"Mesma coisa aqui", acrescentou Akagi.
"Oh, eu quero uma bebida. Ayaka-senpai, vamos juntas!", Shizuku disse, levantando sua taça vazia.
"Eu posso pegar pra você, Shizuku."
"De jeito nenhum! Seria terrível da minha parte fazer minha senpai buscar minha bebida."
"Você realmente sente isso?", perguntei desconfiada.
"Claro! Nem um pouco", ela respondeu com a cara mais séria do mundo.
"Ei!" bufei, fazendo bico, mas não consegui evitar o sorriso. De certa forma, eu já esperava isso dela.
"Certo então, vamos juntas, Shizuku."
"Aye aye, capitã!", ela disse, fazendo uma saudação relaxada enquanto caminhávamos até bar.
O bar ficava no final do corredor, perto do elevador. Enquanto caminhávamos, Shizuku me chamou.
"Ayaka-senpai."
"Sim? O que foi, Shizuku?"
"Obrigada por me convidar hoje", ela disse, inclinando a cabeça em um leve aceno.
A sinceridade repentina me deixou um pouco alerta. Essa garota nunca é direta sem motivo.
"Que história é essa de gratidão repentina?", perguntei com cautela.
Shizuku fez uma pausa antes de falar de novo. "Foi você quem convidou o Haruto-senpai hoje, certo?"
"É, fui eu."
"Eu pensei que, agora que você consegue falar com ele na escola, eu seria vista como um estorvo e descartada."
"Eu jamais faria algo tão horrível!"
Neguei imediatamente, e ela inclinou a cabeça, genuinamente surpresa.
"Sério?"
"Claro! Graças a você, eu consegui me aproximar do Haruto na escola. Você é minha salvadora! Não tem como eu te jogar fora como uma ferramenta que eu já usei."
"...Ayaka-senpai, você é surpreendentemente leal."
"Surpreendentemente? Acho que a maioria das pessoas não faria algo tão maldoso assim."
"Você se surpreenderia. Existem muitas pessoas que fazem coisas terríveis sem piscar."
"Que tipo de passado sombrio você tem, Shizuku?"
Ela soltou uma risadinha maliciosa. "É segredo. É legal ser a mulher misteriosa com um passado sombrio, não acha?"
"Nem um pouco", falei rindo enquanto servia suco de laranja no meu copo.
"Enfim, não importa o que você diga, Shizuku, você ainda é minha salvadora. E além disso..." virei para ela com um sorriso, segurando o copo com cuidado.
"Somos melhores amigas, certo?"
Lembrei de como ela tinha declarado que deveríamos ser “besties para sempre” na primeira vez que conversamos. No início, fiquei chocada com a ousadia, mas conforme passamos mais tempo juntas, percebi que, apesar de suas peculiaridades, Shizuku era uma pessoa maravilhosa. Agora, eu realmente queria estar perto dela.
Quando sorri para ela, Shizuku fez um leve biquinho e começou a encher o copo com ginger ale.
"Você é injusta, Ayaka-senpai."
"Hã?"
"Você é linda, gentil, e agora ainda diz coisas fofas desse jeito. Injusto. E… você é tão… grande."
"Grande?" inclinei a cabeça, sem entender.
Ela me lançou um olhar de canto e sorriu. "Não me diga que você não tem consciência do caos que você causa com seus… atributos? Você não anda… sufocando o Haruto-senpai com eles sem querer, né?"
"O-O que—! E-Eu nunca faria isso!"
"Mesmo?"
"Mesmo!!"
O olhar desconfiado dela permaneceu por alguns segundos antes de finalmente desviar, pegar o copo cheio e se virar para mim.
"Ayaka-senpai."
"Q-Que foi?"
"Vamos continuar sendo besties para sempre, ok?"
"...Claro, Shizuku."
Mesmo com o rosto impassível, eu senti uma pontinha de timidez nela. Talvez eu estivesse começando a entender os detalhes das expressões dela. Esse pensamento me fez sorrir.
Levantando o copo em minha direção, ela disse: "À amizade eterna."
"À amizade eterna", repeti, batendo meu copinho de plástico no dela. O som abafado fez nós duas rirmos.
Com as bebidas em mãos, voltamos para a sala de karaokê.
"Ah, obrigada pelos lanches durante a sessão de estudos", eu disse. "Você deixou tantos pra trás."
"Sem problema... Ah, também deixei uns Pocky. Você e o Haruto-senpai jogaram Pocky Game depois?"
"O quê—! B-Bem, uh..." meu rosto queimou instantaneamente.
"Oh? Então vocês jogaram Pocky Game?", ela perguntou com falsa surpresa.
"N-Não jogamos!"
"Mentira."
"Ugh..."
"Então? Como foi? Conta tudo, Ayaka-senpai", ela disse com um brilho predatório nos olhos, como se eu fosse a presa.
"Eu não vou contar nada!"
-"Vamos, para a sala de interrogatório", ela brincou, abrindo a porta do karaokê.
Para mim, parecia a entrada para um covil de interrogadores impiedosos.
"Pessoal! A Ayaka tem uma história suculenta pra contar!", Shizuku anunciou.
"Oh? O que foi?", Saki perguntou, imediatamente interessada.
Ugh… e agora são duas interrogadoras.
"Por que você está parada aí, Ayaka?", Haruto perguntou, confuso.
"...Me desculpa, Haruto", murmurei.
"Pelo quê?"
Antes que ele pudesse saber, Saki me chamou com um sorriso travesso. Sem escolha, me sentei ao lado dela, mentalmente me preparando para o pior.
Como esperado, Saki e Shizuku me interrogaram sobre o Pocky Game até eu ficar completamente vermelha. Haruto, sem entender nada, só observava confuso.
Nem preciso dizer que virei o alvo das provocações pelo resto da noite.
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