SESSÃO 4
98 - Você Está Nervoso?
Apesar do momento de tirar o fôlego em que Haruto confirmou com as próprias mãos se a barriga de Ayaka era macia, os três terminaram de se lavar e se acomodaram dentro da banheira.
Ryota rapidamente encheu suas duas pistolas d’água com água morna e entregou uma delas a Haruto.
“Mano Haruto! Aqui, pega!”
“Valeu, Ryota. Então... Wahp—!”
No meio da frase, Haruto levou três jatos rápidos de água direto no rosto.
“Hehehe! Acertei você, Mano!”
“Ah, é assim que você quer, Ryota? Toma essa!”
“Ahahaha!”
Haruto revidou, borrifando Ryota com sua pistola d’água. A risada de Ryota ecoou alegremente enquanto ele chapinhava.
A banheira da família Tōjō era maior que o normal, mas não era grande o suficiente para três pessoas se moverem livremente. Incapaz de desviar dos ataques de Haruto, Ryota se jogou atrás das costas de Ayaka em busca de abrigo.
“Escudo da Mana!”
“Ei, Ryota! Não me use como escudo—isso é injusto!”
“Não é injusto! Agora você é minha refém!”
A declaração brincalhona de Ryota fez Ayaka rir. Ela se virou para Haruto com um pedido de socorro fingido.
“Me ajuda, Haruto!”
“Como seu namorado, devo resgatá-la!”
“Mano! Se quiser salvar ela, largue a arma!”
Ryota apontou a pistola d’água para Haruto, repetindo uma fala que provavelmente tinha ouvido em algum drama de TV.
“Certo, Ryota, eu me rendo.”
Haruto levantou as mãos teatralmente e abaixou sua pistola d’água. Quando ela estava prestes a afundar na água, ele deu um sorrisinho.
“Ou talvez não!”
Ele juntou os braços, pegando uma grande quantidade de água, e jogou sobre Ryota e Ayaka.
“Ahhh!”
“Opa—ahaha!”
Ayaka soltou um gritinho surpreso, enquanto Ryota ria mais uma vez.
“Ugh, Ryota, agora estou toda molhada por sua culpa!” Ayaka fez um biquinho dramático antes de espirrar água de volta no irmão.
“A culpa é sua, Mano! Toma essa!” Ryota revidou, borrifando água em Ayaka e Haruto.
Os três riam e jogavam água uns nos outros, enchendo o banheiro com sons de pura alegria. Até mesmo Haruto e Ayaka esqueceram que eram estudantes do ensino médio, entrando totalmente na brincadeira com a energia infantil de Ryota.
Mas depois de um tempo, a expressão de Ryota mudou de repente. Seu sorriso brilhante desapareceu, substituído por um olhar tenso e contido.
“Hã? Ryota, você está bem?” Haruto perguntou, largando a água que estava prestes a jogar.
“Eu... eu preciso ir ao banheiro,” Ryota disse, a voz apertada.
“Banheiro?”
“É... cocô...”
“Cocô?!”
A voz de Haruto subiu um pouco, alarmada, enquanto Ayaka repreendia o irmão.
“Ryota, você devia ter ido ao banheiro antes de entrar na banheira!”
“Ugh...” Ryota gemeu, pulando de um pé para o outro.
“Eu não vou aguentar!”
“Espera aí! Só mais um pouquinho!”
Parece que Ryota estava segurando porque queria continuar brincando, mas finalmente tinha chegado ao limite. Ayaka rapidamente apertou o botão do interfone na parede do banheiro.
“Sim? O que aconteceu?” veio a voz de Ikue pelo monitor da cozinha.
“Ryota precisa ir ao banheiro!”
“Mãe, eu preciso fazer cocô!”
[Almeranto: Quando eu era criança, com uns 6-7 anos, a noite, quando dava vontade de ir ao toalete, eu ficava no quarto em cima enquanto o trabalho da mamãe era em baixo. Lembro que eu gritava pela janela: “Ô mãe, quero fazer cocô!” Aí toda a vizinhança escutava Kkkkkkk. Só parei de gritar desse jeito porque os vizinhos me falaram que dava pra me ouvir.]
“Ai, meu Deus. Já vou para o vestiário. Tire Ryota da banheira.”
“Vamos, Ryota, vamos sair.”
Encerrando a chamada, Ayaka ajudou Ryota a subir. Logo a voz de Ikue veio do outro lado da porta.
“Posso abrir a porta?”
Ayaka olhou para Haruto, que assentiu e levou Ryota até a entrada.
“Pode sim.”
Ikue abriu a porta e rapidamente envolveu Ryota em uma toalha.
“Vamos te secar rapidinho e te levar ao banheiro,” ela disse, sorrindo para Haruto e Ayaka.
“Eu cuido do Ryota. Vocês dois podem relaxar e aproveitar o banho.”
Com isso, ela fechou a porta, deixando Haruto e Ayaka sozinhos.
O banheiro ficou silencioso, a algazarra substituída por uma calma tranquila. Ayaka suspirou enquanto se recostava na banheira.
“Sinceramente, o Ryota estava animado demais.”
“Provavelmente ficou empolgado por tomar banho com todo mundo,” Haruto respondeu, sentando-se de frente para ela.
Sem Ryota, a atmosfera ficou um pouco constrangedora. Haruto e Ayaka ficaram subitamente conscientes da presença um do outro.
“...”
“...”
Haruto tentou quebrar o silêncio.
“Hum... não é meio embaraçoso tomar banho de maiô?”
“É... é sim.”
Os dois trocaram palavras curtas e hesitantes, roubando olhares um do outro e corando.
“Aliás, o banheiro de vocês é bem legal,” Haruto comentou, tentando puxar conversa.
“Obrigada... é o favorito da mamãe.”
“Entendi... até tem TV.”
“Tem. Quer assistir algo?”
“Não, tô de boa.”
“Agora só deve estar passando jornal mesmo.”
“É.”
A conversa deles foi morrendo, voltando para outro silêncio constrangedor.
Haruto se lembrou da primeira vez que foi ao cinema com Ayaka. O nervosismo que ele sentia enquanto esperava para segurar a mão dela era estranhamente parecido com o que sentia agora.
Ele deu uma risadinha.
“O que foi engraçado, Haruto?” Ayaka perguntou, inclinando a cabeça curiosa.
“Ah, nada. Só lembrei de algo que li na internet. Você sabia que sentimentos românticos supostamente duram só três anos?”
“Sério?”
“Sim, dizem isso. Depois de três anos, a dopamina que seu cérebro produz quando você está apaixonado para de ser liberada.”
“Hm... mas meus pais estão casados há anos e ainda se dão bem.”
“Pelo que dizem, depois dos três anos, o amor vira algo mais calmo, tipo uma sensação de paz e conforto.”
“Isso soa legal,” Ayaka disse, com os olhos brilhando. Depois de um momento, ela olhou para Haruto, corando.
“Ei, Haruto...”
“Sim?”
“Posso sentar do seu lado?”
“Ah, claro...”
Corada, Ayaka deslizou até sentar-se ao lado dele, seus ombros se tocando. Haruto ficou rígido, completamente consciente da suavidade da pele dela.
“Você está nervoso, Haruto?”
“É claro. Quem não estaria nessa situação?”
“Eu também,” Ayaka murmurou, sorrindo de forma brincalhona enquanto abraçava o braço dele.
“E agora? Está ainda mais nervoso?”
“A-Ayaka!” Haruto gaguejou, seu coração disparando descontroladamente.
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