SESSÃO 4
84 - Adivinhe o Sabor
Haruto sentiu uma mistura de emoções — alegria, carinho, vergonha e um toque de frustração — tudo de uma vez, em resposta às palavras sussurradas por Ayaka em seus braços.
“…O-obrigado,” ele gaguejou, sentindo o rosto esquentar enquanto olhava para os olhos levemente marejados de Ayaka, que o encaravam de baixo.
Embora quisesse retribuir suas palavras com um “Eu te amo”, ele não conseguia dizer isso. Para Haruto, essas palavras eram significativas demais para serem ditas levianamente. Seu profundo afeto por Ayaka tornava impossível banalizá-las.
Ayaka, ainda aninhada contra ele, esfregou a bochecha em seu peito com um sorriso radiante. Haruto acariciou suavemente seu cabelo e perguntou: “O que você quer comer primeiro da comida do festival?”
Abrandando o abraço, ele se afastou um pouco, permitindo que ela olhasse a variedade de comidas espalhadas pela mesa da sala.
“Hmmm… eu quero comer omusoba primeiro!”
“Certo, vamos começar com isso.”
Os dois se sentaram lado a lado no sofá. Ayaka pegou um pote de omusoba com uma expressão alegre.
“Essas embalagenzinhas fazem parecer ainda mais comida de festival,” ela disse, tirando a borrachinha que prendia a tampa.
“Verdade. Coloque um par de hashis descartáveis e fica perfeito,” Haruto respondeu enquanto partia um par de hashis.
“Ah, opa. Esses não partiram direito,” ele murmurou, levantando um par quebrado de forma desigual.
Ayaka riu. “Com certeza eles partiram errado.”
“Ugh, vai ser difícil usar isso,” Haruto lamentou, mas Ayaka, com um sorriso travesso, pegou um pedaço de omusoba com seus hashis e o levou à boca dele.
“Aqui, eu te dou na boca. Diz: ‘Ahh’”, ela disse brincalhona.
Embora Haruto já tivesse passado por isso durante os dias do “relacionamento de prática”, ele ainda não conseguia suprimir totalmente a vergonha. Corando levemente, ele aceitou a mordida de omusoba.
“Está bom?” ela perguntou.
“É… mas tipo, fui eu que fiz,” ele respondeu, desviando o olhar timidamente.
Os dois aproveitaram o resto da refeição, passando para espetinhos de frango frito, batatas fritas e até maçãs caramelizadas.
“Você realmente fez essas maçãs caramelizadas em casa?” Ayaka perguntou, dando uma mordida.
“Sim, é bem fácil. Só açúcar derretido na fruta. Se eu tivesse usado corante, ficaria ainda mais bonito.”
Ayaka assentiu impressionada enquanto Haruto mordia um pepino em conserva. “Hmm, isso poderia ter ficado mais tempo na conserva. O sabor está meio fraco.”
“Achei refrescante! Eu gostei,” Ayaka o tranquilizou.
Depois de provarem todas as comidas, Haruto perguntou: “Ainda tem espaço?”
“Estou bem cheia, mas com certeza consigo lidar com uma sobremesa,” ela disse com um sorriso.
Haruto se levantou e foi para a cozinha. Ayaka o seguiu curiosamente.
“O que você vai fazer?”
Puxando um copo escrito Ice, ele sorriu. “Não existe festival de verão sem raspadinha.”
“Verdade!” Ayaka concordou animada enquanto Haruto pegava a máquina de raspar gelo do armário.
Ele rapidamente preparou uma montanha de raspadinha, perguntando: “Qual xarope você quer — morango, melão ou blue Hawaii?”
“Ugh, escolha difícil. Quero morango, mas melão parece bom também… e faz séculos que não tomo blue Hawaii.”
“Que tal tentarmos os três? Um pouquinho de cada pra variar,” Haruto sugeriu.
“Sim! Vamos fazer isso!”
Os dois se sentaram com suas raspadinhas, alternando entre os sabores. Quando provaram o blue Hawaii, Ayaka de repente falou:
“Ei, ouvi dizer que todos os xaropes de raspadinha têm o mesmo gosto. Isso é verdade?”
“Também já ouvi isso,” Haruto respondeu.
Os olhos de Ayaka brilharam de empolgação. “Vamos brincar de um jogo! A gente se reveza adivinhando o sabor vendado.”
“Soa divertido. Vamos nessa,” Haruto concordou, sorrindo de canto.
“E o perdedor tem que dizer três coisas que ama no vencedor,” Ayaka acrescentou travessa.
“Acho que vou ouvir a Ayaka dizendo que me ama,” Haruto provocou.
“Você é tão convencido!”
O jogo começou com Ayaka vendada. Haruto colocou cuidadosamente o xarope de melão na raspadinha e ofereceu uma colherada para ela.
“Hmmm… é… melão?” ela arriscou confiante.
“Tem certeza?” Haruto perguntou, fingindo surpresa.
Ayaka hesitou. “Espera… talvez seja morango? Não—blue Hawaii!”
Haruto riu enquanto ela mudava de palpite, finalmente revelando a verdade: “Era melão!”
Ela abriu a boca em falsa indignação. “Eu falei melão primeiro!”
“Primeiras impressões importam,” Haruto provocou, desviando dos tapinhas brincalhões dela.
Quando foi a vez de Haruto, Ayaka sussurrou: “Vou deixar um pouco mais difícil pra você.”
“Claro,” ele disse, achando que ela fosse misturar dois xaropes. Mas, em vez de uma colher de raspadinha, algo macio e quente tocou seus lábios.
Os olhos dele se arregalaram, encontrando Ayaka a poucos centímetros, com rosto vermelho, mas cheio de determinação.
“Então, qual era o sabor?” ela murmurou.
A voz de Haruto falhou. “…Isso é difícil demais.”
“Então eu te dou outro gosto,” ela sussurrou, inclinando-se novamente.
A doçura permaneceu muito depois de o jogo terminar, mas Haruto não tinha certeza se havia realmente vencido ou perdido.
– Almeranto: Vou ir pegar mais café, isso é muito doce.
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