SESSÃO 3
74 - Confissão
O bairro residencial estava envolto na escuridão da noite.
Haruto corria pelos becos silenciosos, sua respiração irregular.
Ele havia treinado seu corpo por anos de karatê, então correr não deveria deixá-lo tão ofegante. Ainda assim, agora que estava indo ao parque onde Ayaka o esperava, sua respiração se tornava rasa, como se estivesse treinando em grande altitude.
Quanto mais se aproximava dela, mais forte seu coração batia.
Essa noite, ele pediria sinceras desculpas a ela pela mentira que contou. Depois disso, confessaria seus verdadeiros sentimentos:
"Eu te amo."
Só de pensar nisso, Haruto era tomado pelo medo, uma vontade esmagadora de fugir.
A noite de verão parecia excepcionalmente úmida, talvez por causa da forte chuva mais cedo. Suor se acumulava em sua testa, e sua camisa grudava no corpo enquanto corria.
Tentando afastar o medo, Haruto murmurou alto para si mesmo:
“Ah, droga!”
Ele estava prestes a se confessar para Ayaka, mas ali estava ele, encharcado de suor e com o cabelo grudado na testa. Definitivamente não era o visual ideal. Ele queria se arrumar, mas temia que, se parasse, não conseguisse se mover novamente. Então continuou correndo.
Finalmente, o parque apareceu, iluminado por um poste de luz. Ele diminuiu o ritmo, tentando regular a respiração.
“Ha... ha... ha... Certo...”
Com um suspiro profundo para acalmar os nervos, Haruto entrou no parque silencioso. Não era muito grande, então rapidamente avistou Ayaka perto de um quiosque. A luz de um poste acima iluminava-a como um holofote.
“...Ah.”
Ayaka, que estava olhando para baixo, ergueu o rosto ao ver Haruto. Sua expressão estava ansiosa, mas seus olhos tinham uma firme determinação.
“Desculpa. Te deixei esperando.”
Haruto se aproximou, ainda recuperando o fôlego.
“Não, você chegou tão rápido.”
“Eu corri. Agora estou todo suado.”
Eles trocaram algumas palavras leves antes de caírem em silêncio, olhando um para o outro.
Então, ambos falaram ao mesmo tempo.
“Um...”
“Na verdade...”
As falas se sobrepuseram, e eles ficaram quietos novamente.
Haruto lembrou do conselho da avó: Ele precisava se desculpar sinceramente, mas também ouvir Ayaka. Ela tinha algo importante a dizer também.
Mas primeiro, ele tinha que se desculpar.
Haruto respirou fundo e falou.
“Posso... falar primeiro?”
“...Tá.”
A expressão de Ayaka mostrava uma mistura de medo e determinação. Vê-la assim fez o coração de Haruto apertar. Ele começou a falar devagar.
“Primeiro... me desculpa.”
Ele se curvou profundamente.
“Por fugir de você hoje... e depois te evitar.”
“Tá... tudo bem! Você não precisa se sentir tão mal. Eu também tive culpa... Por favor, levanta a cabeça.”
A voz dela era gentil, quase implorando para que ele erguesse o rosto. Ele a obedeceu e encontrou seu olhar.
“E... desculpa por te arrastar para aquela mentira. Por fazer você fingir ser minha namorada.”
“Não se preocupa com isso. Eu também pedi por isso. Não foi só sua culpa.”
As palavras dela eram gentis, mas carregavam um tom desesperado.
“Mas eu... eu me aproveitei disso e brinquei com seus sentimentos.”
“Não... isso não é... verdade...”
Ayaka balançou a cabeça, lágrimas brilhando em seus olhos. Haruto se preparou e continuou.
“Eu contei a verdade para minha avó hoje.”
“...O quê?”
“Eu não aguentava mais. Eu contei tudo pra ela...”
“Espera... não...”
A voz de Ayaka tremia, mas Haruto continuou.
“Eu não posso continuar fingindo ser seu namorado de mentira.”
Lágrimas se acumularam nos olhos de Ayaka.
“Haruto... eu...”
“Porque eu te amo.”
“...O quê?”
“Eu te amo tanto que não posso mais fingir. Estou completamente, irremediavelmente apaixonado por você, Ayaka.”
Ele finalmente disse aquilo que guardou por tanto tempo. Seu coração batia forte, mas ele sentia um estranho alívio.
“Eu amo o seu sorriso. Sua risada brincalhona, sua doçura, até seus sorrisos tímidos. Tudo em você me encanta. Eu amo como você cuida do seu irmão, como você é um pouco atrapalhada, e como você tem um lado bem feminino. Eu me apaixonei por tudo em você.”
Ele fez uma pausa, olhando diretamente em seus olhos.
“Tudo em você. Eu amo tudo em você.”
Era sua primeira confissão. Sua voz parecia distante, dominada pelo nervosismo, mas ele continuou.
“Eu não quero mais fingir. Então...”
Sua boca secou, mas ele prosseguiu.
“Por favor... seja minha namorada de verdade.”
Ele observou Ayaka, o coração acelerado. Então viu as lágrimas escorrendo pelo rosto dela.
"D-desculpa... Eu..."
As lágrimas dela o deixaram desnorteado. Ele teria cometido algum erro? Disseram a ele para não tornar tudo sobre si mesmo, mas foi exatamente o que ele fez. Um arrependimento enorme o atingiu.
De repente, ele ouviu o sussurro dela.
“...Idiota...”
“Hã?”
“Seu... idiota...”
A voz fraca dela o atingiu em cheio, enchendo-o de medo. Ela o rejeitou?
Ele abaixou o olhar, pensando na reputação dela. Será que tudo tinha sido em vão?
Mas então ela continuou.
“Você... deixou tudo tão confuso...”
“Confuso?”
“Eu achei... que você me odiava...”
“Eu nunca poderia te odiar! Eu realmente, verdadeiramente te amo!”
As palavras desesperadas de Haruto finalmente chegaram até ela. As bochechas de Ayaka se tingiram de vermelho.
“...Eu também te amo.”
A brisa de verão carregou suas palavras suaves até ele.
“Eu te amo. Mais do que qualquer um.”
Seu sorriso radiante, marcado por lágrimas, era mais brilhante do que qualquer coisa que ele já havia visto. Era um momento que ele sabia que jamais esqueceria.
“Haruto... eu também tenho algo para dizer. Posso?”
“Claro.”
Corada, mas com um olhar firme, ela declarou:
“Me faça sua namorada de verdade.”
– Almeranto: MEUS AMIGOS! Não vou mentir que, enquanto eu li esse final de capítulo, eu ouvi a música do Ayrton Senna quando ele ganha uma corrida kkkkkkk. Comecei a chutar a parede do quarto pra aliviar a emoção, senão eu ia explodir. Que capítulo amigos!
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