SESSÃO 3
60 - Se Você Pensar Racionalmente...
No dia seguinte a ter passado o dia inteiro procurando o sorvete de edição limitada com Ayaka — que, essencialmente, foi um encontro — Haruto se encontrava no quarto de seu melhor amigo, Tomoya.
"Então? Desde quando você está namorando a Tojo-san?"
O tom direto de Tomoya fez Haruto suspirar enquanto respondia:
"Eu já te disse da última vez — a Ayak... quer dizer, a Tojo-san e eu não estamos namorando."
"Você ia chamar ela de ‘Ayaka’ agora mesmo, não ia?"
"...Eu não ia."
Haruto desviou o olhar de Tomoya, que o encarava com uma expressão afiada e acusadora.
"Haruto-kun! Mentir é feio, sabia?!"
Tomoya imitou o tom e os trejeitos de Ayaka, zombando de Haruto, que havia virado o rosto e se fechado.
Isso arrancou um leve tique de irritação de Haruto.
"Tô te dizendo, não tem nada entre mim e a Tojo-san do jeito que você tá pensando. Ela é só uma cliente do serviço de limpeza, só isso."
"Mas você não disse antes que não iria mais pra casa dela? Então por que você ainda tá fazendo o serviço lá?"
"É que… os pais dela gostaram da minha comida e tal, e decidiram me contratar regularmente."
Ouvindo a explicação, Tomoya sorriu com malícia e acariciou o queixo como se tivesse entendido algo.
"Ah, então você já foi aprovado pelos pais dela. Entendi."
"Aprovado pelos pais dela? Você tá tirando conclusões do nada de novo..."
Enquanto Haruto lançava um olhar cansado para Tomoya, este mudou para uma expressão mais séria e o encarou firmemente.
"Olha, você tem certeza de que vocês dois não estão realmente namorando? Porque se não estão, então a vibe entre vocês ontem estava... estranha."
"Estranha? Não foi tão ruim assim."
"Foi sim. Se vocês não estão namorando, então ou você é absurdamente desligado a ponto de isso afetar sua vida diária, ou a Tojo-san é algum tipo de quebra-corações que brinca com os homens. Ou... ela tá completamente apaixonada por você."
A afirmação certeira de Tomoya fez Haruto coçar a cabeça.
Apesar do jeito despreocupado, Tomoya era surpreendentemente perceptivo e frequentemente acertava em cheio com suas observações.
Haruto soltou um pequeno suspiro.
Depois de hesitar um pouco, abrindo e fechando a boca algumas vezes, ele finalmente se rendeu e explicou sua situação atual com Ayaka.
Ele contou a Tomoya sobre a mentira que havia dito para sua avó.
Como Ayaka concordou em ir junto com isso e fingir ser sua namorada falsa.
E como eles estavam praticando ser um casal para tornar o ato convincente.
Depois de ouvir tudo, Tomoya ficou em silêncio por alguns segundos antes de falar:
"Haruto, você é idiota?"
"Que foi agora do nada?"
"Uma namorada falsa? Praticar ser um casal? Ninguém faz isso a não ser com alguém de quem gosta."
"...Você não pode afirmar isso assim."
Haruto negou sem muita convicção. Ele havia ouvido algo parecido da Shizuku não muito tempo atrás, e as palavras de Tomoya só mexeram ainda mais com seu coração.
"A Tojo-san é muito gente boa. Talvez ela só tenha ido junto com a mentira por bondade."
A resposta de Haruto soou mais como uma desculpa, fazendo Tomoya cruzar os braços pensativo e soltar um “Hmm”.
"Eu não conheço nada da Tojo-san, então não posso afirmar com certeza. Mas pensa comigo: por mais gentil que alguém seja, ninguém iria tão longe assim, certo?"
"......"
Haruto ficou em silêncio, incapaz de refutar a lógica de Tomoya.
"E você? O que sente pela Tojo-san?"
"Isso é…"
"Você gosta dela? Ou ela é realmente só uma cliente?"
A pergunta direta fez Haruto baixar o olhar.
Ele já sabia a resposta — o que sentia por Ayaka. Mas dizer em voz alta, transformar em palavras, parecia impossível. Seus lábios simplesmente não se moviam.
Vendo isso, Tomoya assentiu como se tivesse confirmado algo.
"Ah, então você tá caidinho por ela também, né?"
"Eu não falei nada. Não tire conclusões do nada."
Haruto negou reflexivamente, fazendo Tomoya balançar a cabeça com um suspiro.
"Você não dizer nada já confirma. Você não consegue nem dizer casualmente ‘eu gosto dela’, o que significa que você tá seriamente apaixonado."
[Almeranto: Como dizem: “Quem cala consente.”]
"......"
"E porque você tá falando sério, você tá com medo do que pode acontecer entre vocês. Se fosse só uma paixonite, você confessaria fácil, achando que seria legal se desse certo."
"...Não é bem assim…"
Haruto negou fracamente a avaliação precisa de Tomoya, desviando o olhar.
Embora inexperiente no amor, Haruto havia começado a notar os possíveis sentimentos de Ayaka por ele. Mas lhe faltava confiança para acreditar nisso, descartando como ilusão.
Mas passar tempo com ela — seus sorrisos, o clima divertido, o calor de sua mão — lhe dava esperança. Esperança de que ela realmente pudesse se tornar sua namorada de verdade.
Haruto soltou um suspiro profundo.
"Ela é a idol da escola, a Tojo-san. A garota que rejeitou todas as confissões. Quais são as chances dela gostar de mim?"
"Vai saber? Mas duvido que algum desses caras tenha sido aprovado pelos pais dela igual você."
"Isso é verdade, mas..."
Haruto suspirou pela terceira vez, olhando para baixo novamente.
Ele queria poder ser tão denso quanto os protagonistas de comédia romântica. Isso pouparia o coração dele.
As palavras anteriores de Tomoya ecoaram em sua mente:
"Você tá com medo porque tá seriamente apaixonado por ela."
Ele queria mais de Ayaka do que apenas ser cliente ou colega de classe. Mas o medo da rejeição fazia com que ele hesitasse, contendo seus sentimentos.
"Eu queria ser um daqueles protagonistas tapados."
"Nada disso, Haru. Você já é desligado o bastante."
"...Hã?"
"Você nem percebe isso? É sério, cara."
Tomoya lançou um olhar exasperado para Haruto, justo quando a porta se abriu com força.
"Haru-nii!"
Era Haruka, a irmã mais nova de Tomoya, invadindo o quarto aos berros.
"Haruka, quantas vezes eu tenho que te dizer pra bater antes de entrar?"
"Se eu batesse, sua porta ia voar em pedaços!"
Cerrando o punho, Haruka retrucou com uma resposta feroz.
"O que te deixou tão brava assim?"
"Como não estar brava?! Haru-nii, quem era aquela garota super bonita de ontem? Ela é sua namorada?!"
"Ah, Haruka-chan, ela não é minha—"
"Mentira! Vocês DEFINITIVAMENTE estão namorando!"
Interrompendo Haruto no meio da frase, a acusação de Haruka fez Tomoya rir enquanto comentava:
"Pelo visto, ele não tá namorando a Tojo-san. Foi o que o Haru disse, pelo menos."
"Sério?! Você NÃO tá namorando ela? Você ficou maluco, Haru-nii?!"
Haruto desviou os olhos, envergonhado.
"Eu achava que não, mas agora não tenho tanta certeza…"
"Ei, Haru-nii! Me apresenta pra Tojo-san!"
"Hã? Por quê?"
"Porque ela claramente gosta de você! Não tem como você não se apaixonar também! Na verdade, você já tá apaixonado, não tá?"
"Isso é…"
Tentando refutar, Haruto foi novamente interrompido quando Haruka declarou com plena confiança:
"Não há dúvida nenhuma! Ela tá 100% apaixonada por você!"
"...E sua prova é?"
"A intuição feminina!"
"Ah… certo. Mas por que você quer conhecê-la?"
"Pra ver se ela é boa o suficiente pra ser sua namorada!"
A declaração fervorosa de Haruka fez Haruto rir constrangido.
"Bom, talvez algum dia. Se aparecer a oportunidade."
"Nada disso! Eu mesma vou avaliar ela!"
"Não, Haruka-chan. Você é irmã do Tomoya, não minha."
"Mas você é como meu irmão de verdade, Haru-nii! Você sempre fez parte da nossa família!"
Tomoya completou, dando um tapinha nas costas de Haruto.
"É claro! O Haru não é só meu melhor amigo; ele é família!"
Haruto coçou a bochecha, envergonhado.
Na época em que seu avô faleceu, Tomoya e Haruka estiveram ao lado dele. Por isso, ele era profundamente grato.
Mas apresentar Ayaka para Haruka parecia abrir a Caixa de Pandora. Haruto só podia suspirar enquanto escapava das exigências dela com promessas vagas.
Essa obra foi traduzida pela Moonlight Valley.
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