SESSÃO 3
54 - Prática de Namorados (Edição Para Avançados) ①
Haruto caminha levemente pelas ruas estreitas de um bairro residencial sob o calor impiedoso do sol de meio de verão.
“Droga, fiz uma péssima escolha para o almoço.”
Haruto resmunga no beco.
Depois de comer ramen com Shizuku, Haruto está prestes a seguir direto para a casa dos Tojo.
Foi então que ele percebeu seu erro fatal.
O hálito depois de comer ramen estava terrível.
Bom, como tinha pago o almoço da Shizuku, Haruto não teve escolha.
Ele corre de volta para casa, arranca as roupas que fedem a ossos de porco, escova os dentes tão forte que suas gengivas poderiam sangrar, compra um comprimido antimal-hálito em uma loja de conveniência no caminho, e mastiga enquanto corre para a casa dos Tojo.
Nos dias em que faz seu trabalho de meio período como auxiliar doméstico, ele pratica e estuda com Ayaka a partir da tarde.
Embora não haja um horário fixo, Haruto tenta chegar à casa dos Tojo por volta das 13h.
“Será que vou conseguir chegar bem na hora?”
Haruto tira seu smartphone do bolso, verifica a hora e diminui o ritmo acelerado.
Quando chega em frente à casa dos Tojo, Haruto sopra na palma da mão para verificar o hálito, então aperta o botão do interfone.
“Haruto... Haruto?”
“Sim, sou eu.”
Haruto responde à voz de Ayaka pelo interfone.
Logo a porta da frente se abre e Ayaka aparece.
“Eu estava esperando por você, Haruto.”
Ao vê-la cumprimentá-lo com um grande sorriso, a mente de Haruto reproduz as palavras que Shizuku havia dito mais cedo.
“Garotas não dizem ‘eu te amo’ para alguém por quem não sentem nada.”
Haruto não pôde evitar que seu rosto ficasse vermelho com o sorriso de Ayaka, o qual quase o fazia se apaixonar.
“Posso entrar?”
“Claro.”
Ayaka abre bem a porta e o convida para dentro.
“Ah, posso dar uma olhada na geladeira primeiro pra decidir o que fazer para o jantar?”
Haruto diz enquanto tira os sapatos e entra na casa.
“Tudo bem.”
Haruto entra na sala junto com Ayaka, que acena alegremente.
De repente, Ikue, que tinha colocado seu laptop sobre a mesa da sala de estar/jantar, chama por Haruto.
“Entre, Otsuki.”
“Obrigado por me convidar para o churrasco ontem. Estava delicioso e foi divertido.”
“Fico feliz que tenha gostado.”
“Mano! Vamos brincar de fogos de artifício de novo!!”
Ryota, que estava assistindo a um show de Sentai na TV da sala, diz com os olhos brilhando.
Haruto responde a ele com um sorriso.
“Sim, vamos fazer de novo. Ah, Ikue. Posso dar uma olhada na geladeira?”
“Claro.”
Ikue, que está trabalhando remotamente, sorri e concorda.
Haruto abre a porta da geladeira e verifica os ingredientes.
“Ei, Haruto. O que você está pensando para o jantar de hoje?”
“Hm, ah, vocês têm lombo de porco, então que tal shōgayaki (porco ao gengibre)?”
Ryota parece ter ouvido Haruto dizer isso e corre até ele gritando de alegria.
“Porco ao gengibre!! Eu adoro porco ao gengibre!!”
“Beleza. Então hoje vou fazer um bem delicioso para você.”
“Eba!!”
Ryota corre animado, mas Ikue o repreende: “Calma.”
“Está tudo bem pra você, Ayaka e Ikue?”
Haruto confirma, só para ter certeza.
Em resposta, Ikue diz “Claro”, mas o rosto de Ayaka parece um pouco franzido.
“Você não gosta de porco ao gengibre?”
“Eh? Não, não é que eu não goste...”
Haruto inclina a cabeça para ela, que desvia ligeiramente o olhar, e Ikue diz com um sorriso:
“Otsuki-kun, não há problema algum em jantar porco ao gengibre esta noite.”
“Sério?”
“Sim, né, Ayaka?”
“S-sim, tudo bem...”
A filha dá uma resposta um pouco hesitante ao pedido da mãe por aprovação.
Haruto fica um pouco preocupado, mas decide que se as duas disseram que não há problema, então deve estar tudo certo — e assim escolhe porco ao gengibre para o jantar.
“Então, mãe, vou estudar com o Haruto no meu quarto. Vamos, Haruto.”
“Ah, certo. Até de noite.”
“Sim, estudem direitinho.”
Ikue sorri e acena para os dois.
Quando entra no quarto de Ayaka no segundo andar, Haruto pergunta a ela para confirmar.
“Tem certeza que quer porco ao gengibre, Ayaka? Se não quiser, posso fazer outro prato só pra você.”
“N-Não! Tá tudo bem. Eu adoro porco ao gengibre. Na verdade, o problema é que eu gosto demais...”
Ayaka balança as duas mãos recusando a sugestão de Haruto.
Depois que as palavras dela diminuem, ela olha para Haruto com uma expressão decidida.
“Haruto.”
“S-Sim.”
O nome dele é chamado de repente com uma voz firme, e ele instintivamente endireita a postura.
“Eu ganhei o concurso de velas ontem, né?”
“...Eu acho que sim.”
“Então você vai me ouvir, certo?”
“D-desde que seja dentro dos limites do senso comum...”
Haruto responde intimidado, vendo Ayaka parecer um pouco ameaçadora.
Ouvindo a resposta dele, Ayaka acena satisfeita, pega o smartphone e começa a pesquisar algo.
Haruto espera ansiosamente para ver o que ela vai pedir, quando Ayaka declara, apontando a tela para ele:
“Haruto, eu quero fazer isso com você!!”
“O quê? ...Ioga para casais?”
Olhando para a tela que ela apontou, Haruto lê as palavras.
“Isso mesmo! Ioga para casais! Acho que isso é a prática perfeita para namorados!”
“Sério?”
Haruto sente que os padrões dela de “coisas de namorados” são bem questionáveis.
Ele olha para Ayaka com desconfiança, mas ela começa a explicar com uma expressão que transbordava determinação.
“No ioga para casais, vocês trabalham juntos para fazer poses que não dá pra fazer sozinho. Por isso ele estica mais do que o ioga normal.”
“Entendi.”
“Também tem muitos benefícios, como aliviar o estresse, melhorar o sono e aumentar a concentração!”
Vendo o entusiasmo de Ayaka, Haruto também se interessa pelo que seria o tal ioga para casais e desliza a tela do celular de Ayaka para ler a explicação.
“Entendi, então é simples e recomendado até para iniciantes.”
“Isso, isso!”
“Dá para manter a prática por mais tempo do que sozinho.”
“Isso mesmo!”
“Então também é eficaz para dieta.”
“Isso aí!!”
Ayaka reage fortemente ao ouvir “dieta”.
Vendo isso, Haruto entende mais ou menos o motivo do entusiasmo dela com o ioga para casais.
Bem, ela comeu bastante no churrasco ontem...
Lembrando de quanto Ayaka comeu, o sorriso de Haruto fica levemente torto.
Do ponto de vista de Haruto, Ayaka era muito magra — ele até pensava que ela seria mais saudável se fosse um pouquinho mais cheinha. Mas dizer isso seria rude.
Pensando nisso, Haruto rolava o site que explicava o ioga para casais quando sua mão parou numa foto de exemplo.
“Hã? A gente vai fazer isso?”
Ele não conseguiu evitar resmungar.
Na foto, o homem estava deitado, com braços e pernas erguidos servindo de base, enquanto a mulher ficava em cima, esticando braços e pernas como se estivesse voando.
As poses eram tão acrobáticas que ultrapassavam totalmente a imaginação de Haruto.
“Ah, acho que essa é avançada. Vamos começar com essa aqui.”
Ayaka pega o telefone, dá uma olhada e mostra novamente.
“A gente consegue fazer essa, né?”
“Hm, bem...”
A pose que Ayaka queria fazer:
O homem e a mulher sentados de pernas cruzadas, encostados um no outro, torcendo o tronco e colocando as mãos nas coxas um do outro para alongar as laterais.
Parecia certamente fácil, e parecia trabalhar bem a região da cintura.
Mas o que chamava a atenção de Haruto era a distância... ou melhor, a falta dela.
Ioga para casais era literalmente para casais, parceiros, pessoas com intimidade total.
Todas as poses envolviam proximidade extrema.
“Hum... Ayaka não se importa... né?”
“Claro que não! Não é por dieta... é prática de casal!”
Ayaka deixa escapar.
Haruto já sabia perfeitamente que ela estava empolgada por causa da dieta.
Mas Ayaka, cegamente motivada pelo “destino feminino”, não percebia nada disso e estava decidida a fazer ioga para casais sem ligar para a proximidade física.
“Vamos começar com um alongamento leve.”
Dizendo isso, Ayaka estende um tapete de ioga no quarto.
O fato de já haver um tapete ali significava que ela já tinha tentado ioga antes e provavelmente desistido.
Enquanto Haruto pensa nisso, Ayaka pede para ele se sentar no tapete.
“Certo, Haruto, sente-se aqui com as pernas esticadas. Vou empurrar suas costas.”
“Tá.”
Haruto senta obedientemente no tapete com as pernas esticadas à frente e se inclina.
“Ok, vou empurrar suas costas. Me avise se doer.”
Dizendo isso, Ayaka empurra suavemente suas costas.
Haruto se inclina cada vez mais. Ele não parava — quanto mais Ayaka empurrava, mais ele dobrava.
“Hã? Hã? Haruto, você não é flexível demais?”
Ao ver que a testa dele estava quase tocando o joelho, Ayaka solta um grito surpreso.
“Eu faço treino de flexibilidade no dojô de karatê desde pequeno.”
“Sério? Posso empurrar mais um pouco?”
“Claro.”
Talvez Ayaka estivesse se divertindo vendo a flexibilidade dele, então ela empurra com mais força.
“Dói?”
“Nenhum problema.”
Mesmo totalmente dobrado, Haruto responde sem sinal de dor.
“Posso empurrar com toda minha força?”
“Sim, não tem pro— espera!?”
“Haha, incrível! Posso colocar o peso do corpo inteiro e ainda está tudo bem.”
Ayaka pressiona mais forte, animada com a falta de reação dele.
Haruto, por outro lado, sente uma sensação extremamente macia e atraente vinda das costas enquanto era empurrado, e fica nervoso.
Claro, Ayaka não estava “grudada” nele de forma óbvia, mas como ela inclinou o corpo para usar o peso, sua figura... bem, acabou ficando bem próxima dele.
“Hum... já não está bom?”
Haruto, completamente dobrado com Ayaka meio apoiada nele, não aguenta mais.
“Ah, pensando bem, sim. Desculpa, estava me divertindo.”
Ayaka se afasta.
Haruto sente alívio com o desaparecimento da sensação macia nas costas — mas ao mesmo tempo percebe que está ligeiramente decepcionado, caindo em leve autoaversão.
“Então vamos inverter agora. Haruto, você me empurra.”
“Hum, posso terminar meu alongamento primeiro?”
Haruto pergunta um pouco desconfortável, ainda sentado.
Se ele se levantasse agora, teria sérios problemas — então precisava continuar sentado.
“Entendi, isso é mais eficiente mesmo.”
Ayaka concorda com o argumento dele.
Enquanto Haruto suspira de alívio por não ter que ficar de pé por enquanto, ele também sente uma combinação de empolgação e ansiedade pelo ioga de casal que viria a seguir.
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