SESSÃO 2
32 - Uma Noite Quente de Verão
Haruto e seus amigos brincavam alegremente sob o céu brilhante, encharcados da cabeça aos pés. Ayaka, que inicialmente havia hesitado em participar por não ter uma troca de roupa, acabou cedendo, ficando encharcada e rindo junto com seu irmão mais novo, Ryota.
Enquanto Haruto observava Ayaka, que se divertia jogando água em Ryota, ele refletia sobre suas próprias ações anteriores.
Quando Ayaka quase caiu, ele instintivamente a segurou em seus braços, sem segundas intenções. Tudo o que pensou foi em ajudá-la. No entanto, depois da queda, ele a abraçou inconscientemente, mesmo depois que ela já estava segura.
O que há de errado comigo? Talvez seja o calor do verão.
Haruto não pôde deixar de se perguntar se suas ações haviam passado do limite. Quase parecia assédio — em circunstâncias normais, Ayaka poderia ter gritado ou lhe dado um tapa.
Mas ela não fez isso.
Na verdade, ela relaxou em seus braços, quase como se aceitasse a situação.
“...”
A imagem de Ayaka naquele momento ainda estava vívida na mente de Haruto.
A aparência dela o deixara abalado. O cabelo castanho-claro de Ayaka, brilhando sob a luz do sol, gotejava como pérolas. Suas bochechas coradas e lábios entreabertos, dos quais escapavam respirações suaves. Seus olhos, cheios de incerteza e esperança, eram tão cativantes que Haruto não conseguiu desviar o olhar. Seu olhar se aproximou, e aquele momento permaneceu em seus pensamentos.
Se não houvesse ninguém por perto... Se fossem apenas os dois...
Os pensamentos de Haruto foram subitamente interrompidos por um jato de água em seu rosto.
“O quê—?”
“Hehe, Otsuki-kun, te peguei!” Ayaka provocou.
Haruto piscou e sacudiu a água dos olhos, sua visão clareando para revelar Ayaka sorrindo de forma brincalhona para ele. Sem pensar, desviou o olhar, sentindo uma onda de emoção desconhecida despertar dentro dele.
Ele sempre achara Ayaka fofa — sua beleza era inegável. Mesmo na escola, ela chamava a atenção de outros garotos, e Haruto entendia o porquê.
Mas até agora, ele via essa beleza como algo distante, como admirar uma bela pintura. Divertir-se com ela nunca significara nada além de apenas se divertir.
Agora, porém, um sentimento novo e desconhecido agitava-se dentro dele, algo além de simples alegria.
Ayaka e Ryota continuaram brincando por perto, rindo juntos, e Haruto se juntou a eles, mascarando sua confusão interior e fingindo que tudo estava normal.
“Toma essa!” Haruto abriu os braços, jogando água em Ayaka e Ryota com entusiasmo.
“Ahh! Otsuki-kun, agora você vai ver!”
“Eu te disse pra me ajudar, não pra me atacar!” Ryota protestou, rindo.
Ayaka e Ryota, agora completamente encharcados, trocavam protestos falsos enquanto riam alegremente.
“Vamos nos unir, Ryota! Vamos pegar ele!” disse Ayaka.
“É! Vamos derrotar ele!”
Os irmãos começaram a se aproximar de Haruto, pouco a pouco.
“Eu não vou ser pego tão facilmente!” Haruto sorriu travesso antes de sair correndo.
“Ei! Não foge, Mano!”
“Vamos, Ryota! Pega ele!”
Ayaka e Ryota o perseguiram, enquanto Haruto olhava por cima do ombro de vez em quando. Ele desacelerou de propósito, deixando Ryota alcançá-lo.
“Mano, te peguei!”
“Uau, você é rápido, Ryota.” Haruto sorriu, dando um leve tapinha na cabeça de Ryota, que se agarrava à sua cintura.
Mas Ryota não foi o único — Ayaka de repente agarrou o braço de Haruto por outro lado.
“Te peguei também, Otsuki-kun!”
“O quê—!?”
Haruto ficou surpreso com o abraço repentino de Ayaka. O sorriso brincalhão dela fez seu coração pular, e as emoções dentro dele ameaçaram vir à tona.
Ela era tão fofa.
Mas não era apenas sua aparência. A forma como brincava livremente com o irmão, seu riso inocente e sua timidez determinada em se aproximar dele... tudo isso despertava algo profundo no coração de Haruto.
“Você é o oni agora, Otsuki-kun!” disse Ayaka.
“É! Corre!” gritou Ryota enquanto saía correndo.
Sem dar tempo para Haruto reagir, Ayaka se aproximou e sussurrou suavemente em seu ouvido:
“Me pegue se puder.”
Surpreso, Haruto virou a cabeça, apenas para ver o olhar provocante de Ayaka antes que ela rapidamente o soltasse e saísse correndo. Por um momento, seus olhos se encontraram, e o coração de Haruto disparou.
Ele quis correr atrás dela com toda a força, mas hesitou. Em vez disso, foi atrás de Ryota, usando o garoto como distração para evitar o olhar de Ayaka, que parecia observá-lo com um leve toque de insatisfação.
****
Eles brincaram na água por mais tempo do que o esperado, e quando o sol começou a se pôr, Haruto, Ayaka e Ryota finalmente deixaram a área de brincadeiras.
“Isso foi tão divertido!” gritou Ryota, encharcado da cabeça aos pés.
“Aqui, seque a cabeça com esta toalha,” disse Ayaka, tirando uma toalha da bolsa e colocando-a sobre a cabeça do irmão.
Vendo Ayaka ainda molhada, Haruto se aproximou.
“Ayaka-san, se quiser, pode usar isso.” Ele lhe entregou uma camisa seca de sua bolsa.
“Eh? Mas essa é sua camisa reserva, Otsuki-kun,” Ayaka hesitou, incerta.
“Não é bom ficar molhada,” insistiu Haruto.
“Bem, eu ainda tenho uma troca de camisole, então achei que ficaria bem…”
“Mas se sua blusa está molhada, até o camisole vai ficar encharcado.”
“É… acho que você tem razão.”
Ayaka ainda parecia relutante, então Haruto fingiu uma expressão triste.
“Você… não quer usar minha camisa? É estranho?”
“Não! Não é isso!” Ayaka rapidamente balançou as mãos, negando ao ver o ar desapontado de Haruto.
“Eu só me sinto mal — se eu usar, você vai ficar com a camisa molhada.”
“Eu fico bem. Está quente, e se eu torcer, ela seca rápido.”
“Tem certeza? Mesmo?” perguntou Ayaka, olhando para ele.
Haruto assentiu firmemente. “Sinceramente, eu me sentiria pior se você ficasse com roupa molhada.”
As palavras dele, ditas com tanta sinceridade, tocaram Ayaka.
“Tudo bem… obrigada, Otsuki-kun.” disse ela, pegando a camisa.
Ayaka e Ryota foram então aos vestiários para se secar e trocar, enquanto Haruto torcia sua própria camisa o máximo que podia antes de vesti-la novamente.
Quando terminaram, Haruto e Ryota esperaram por Ayaka do lado de fora do vestiário feminino. Ryota, exausto de tanto brincar, começou a cochilar, sua cabeça balançando sonolenta.
Quando Ayaka finalmente saiu, ela usava a camisa de Haruto, que ficava grande demais nela, com as mangas cobrindo as mãos e a barra chegando até os joelhos.
“Desculpe pela demora,” disse ela.
“...Não, de jeito nenhum,” respondeu Haruto, momentaneamente paralisado. Ver Ayaka usando sua camisa, parecendo tão diferente e ao mesmo tempo tão familiar, despertou nele um sentimento possessivo. Era como se ela fosse sua namorada, vestindo algo dele.
“Como eu estou? Fica bem em mim?” Ayaka perguntou com um sorriso tímido.
“Você… não está estranha,” murmurou Haruto, incapaz de expressar completamente o que sentia. Apesar da falta de jeito dele, Ayaka parecia feliz, sorrindo calorosamente.
“Vamos pra casa?” sugeriu ela.
“É… vamos,” concordou Haruto, com um leve tom de relutância na voz.
No caminho de volta, Ryota finalmente sucumbiu ao sono. Vendo isso, Haruto decidiu carregá-lo o resto do caminho, envolvendo-o suavemente em uma toalha e dando-lhe uma carona nas costas até a casa da família Tojo.
****
Quando chegaram, o céu era uma mistura de crepúsculo e início da noite.
“Ryota, chegamos em casa,” chamou Haruto suavemente, balançando o garoto para acordá-lo.
“Mmm… onde…?” murmurou Ryota, ainda meio dormindo.
“Estamos em casa, Ryota. Vamos, desce das costas do Otsuki-kun,” disse Ayaka.
“…Tá bom…” murmurou Ryota, deslizando lentamente das costas de Haruto.
“Diga obrigado e tchau pro Otsuki-kun, Ryota,” incentivou Ayaka.
“...Valeu, Mano… Tchau…” murmurou Ryota sonolento.
Ayaka sorriu em desculpas para Haruto. “Obrigada por carregá-lo, Otsuki-kun. E pela camisa — eu vou lavar e devolver logo.”
“Sem problema,” respondeu Haruto.
“Eu me diverti muito hoje. Muito obrigada,” disse Ayaka com um sorriso.
“Eu também me diverti,” respondeu Haruto, e os dois trocaram sorrisos.
Por um breve momento, apenas se olharam, em um silêncio confortável, porém constrangedor.
“...Bom, até amanhã,” disse Ayaka por fim.
“...É, até amanhã,” repetiu Haruto.
Havia uma leve sensação de incômodo, mas também um desejo de prolongar o momento.
“Então tá,” disse Haruto, acenando enquanto se virava para ir embora.
“...Tá,” respondeu Ayaka suavemente.
Enquanto Haruto se afastava, não pôde deixar de sentir que Ayaka parecera um pouco solitária antes de ele virar, mas não olhou para trás.
O caminho de volta para casa, que normalmente levava mais de trinta minutos, pareceu passar num instante. Haruto estivera perdido em pensamentos o tempo todo, pensando em Ayaka.
Durante o caminho, ele pensou tanto nela que teve a ilusão de ter se teleportado.
Ele abriu lentamente a porta da frente e entrou em casa.
“Cheguei!”
Na casa escura, Haruto chamou por sua avó.
Depois, Haruto se sentou na entrada para tirar os sapatos, mas de repente parou.
Algo estava errado, algo estranho.
O sol já quase se pôs, e a casa estava completamente escura.
E, mesmo assim, nenhuma luz estava acesa dentro da casa.
Sua avó não tinha planos de sair hoje.
Ela deveria estar em casa, mas as luzes estavam apagadas...
Os pensamentos de Haruto haviam parado por causa de Ayaka, e num instante, várias possibilidades passaram por sua mente.
Todas elas, ruins.
“Vovó!”
Haruto chamou por sua avó, chutando os sapatos e correndo o mais rápido que pôde.
Ela não estava no corredor.
Nem na sala de estar.
Haruto correu pela casa, tentando desesperadamente conter a ansiedade.
Seu coração batia tão forte que doía há algum tempo.
“Haa, haa, vovó!”
Ofegante, Haruto finalmente chegou à cozinha — e pôde vê-la.
Mas ele a encontrou caída no chão da cozinha.
Haruto sentiu todo o sangue sumir de seu corpo.
Ele correu desesperado até ela.
“Vovó!!”
Seu grito angustiado ecoou por toda a casa, onde viviam apenas ele e sua avó.
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