SESSÃO 2

29 - Tia, nós não somos! Na verdade…

 

   Ryota entrou na sala de estar esfregando os olhos sonolentos enquanto Ayaka e Haruto terminavam de preparar os acompanhamentos para o almoço.

"Bom dia, Ryota.”

"...Hã? Mano...?"

   Ryota olhou para Haruto, que estava em pé na cozinha, com uma expressão confusa.

"Vamos lá, Ryota. Pare de ficar aí parado, tome seu café da manhã rápido e se prepare para sair."

   Ryota ainda estava meio dormindo.

   No entanto, as palavras da irmã o despertaram de repente.

"O zoológico!"

"Isso mesmo. Então, se você não se arrumar logo, vai se atrasar."

"Tá bom!"

   Ryota assentiu com entusiasmo, sentou-se à mesa de jantar e começou a comer o café da manhã que já estava preparado.

"Doce e delicioso!"

   Ryota disse enquanto enchia a boca com torradas francesas.

   Enquanto Haruto sorria observando Ryota devorar o café da manhã, Ayaka, que estava ao seu lado, sussurrou:

"Ontem, Ryota ficou empolgado o tempo todo dizendo ‘vou ao zoológico com o Mano!’ e não dormiu a noite inteira."

"Ah, então é por isso que ele acordou com sono."

"Ele parecia realmente animado para ir ao ‘Parque Animal Crossing’ com o Otsuki."

"Hehe, fico honrado."

   Ryota continuava comendo com gosto o café da manhã preparado por Haruto, sem perceber que estavam falando sobre ele.

   Depois que Ryota terminou de comer, ele colocou a marmita que havia preparado em uma bolsa térmica e guardou um cobertor de piquenique, uma troca de roupa, etc., em sua mochila.

"Ah, Ayaka-san. Eu trouxe uma mochila um pouco maior, então vou colocar a minha marmita e as roupas de troca do Ryota aqui."

"Certo, entendi. Então vou colocar o lençol de piquenique na minha mochila."

"Por favor."

   Haruto e Ayaka dividiram as tarefas e prepararam as coisas que levariam.

   O Parque Animal Crossing tem uma área gramada, uma área de contato com animais e uma área de brincadeiras com água, então uma troca de roupas é essencial.

"Pronto! Está tudo certo?"

"Parece que não esquecemos nada."

   Enquanto os dois conferiam as bagagens, Ryota esperava impaciente.

"Mano, Mana! Vamos logo!"

"Tá bom, tá bom, entendi. Sim, parece que está tudo certo. Então, vamos."

   Enquanto dava um leve tapinha em seu irmão, Ayaka terminou de verificar os pertences e chamou Haruto.

"Ryota, vamos."

"Sim!!"

   Haruto chamou Ryota, e ele disparou para a porta como uma flecha.

"Ei, Ryota. Acalme-se um pouco."

   Ayaka o advertiu com um sorriso forçado, mas provavelmente suas palavras não chegaram aos ouvidos de Ryota.

   Ryota rapidamente calçou os sapatos e saiu correndo com força.

"Você é mesmo uma pilha de energia, Ryota."

   Seguindo o animado irmãozinho, Haruto e Ayaka também saíram.

   Do lado de fora estava ainda mais quente do que quando Haruto havia chegado, e ele estreitou os olhos por causa da luz forte do sol acima.

"Ryota, venha aqui. Coloque seu chapéu."

   Ayaka chamou Ryota, que corria animadamente, ignorando o calor úmido.

"Parece que a garrafinha d’água não vai ser suficiente pra hidratar."

"É, talvez devêssemos comprar mais bebidas no caminho."

"Sim."

   Apenas caminhar já fazia suar, e brincar na grama os deixaria encharcados de suor.

   Se não se cuidassem, ficariam facilmente desidratados.

   Conversando assim, Haruto e os outros seguiram para a estação mais próxima.

   O Parque Animal Crossing fica nos arredores da cidade.

   Depois de uma viagem de trem, eles pegaram um ônibus gratuito.

   Ryota, sentado entre Haruto e Ayaka no trem, disse a Haruto com empolgação e voz animada:

"Mano! Tem cabras no Parque Animal Crossing!"

"Sério? Que outros animais tem lá?"

"Bom, tem coelhos e pôneis também!"

"Você sabe bastante, Ryota."

"Hehe."

   Ryota ficou feliz ao ser elogiado por Haruto.

   Ayaka disse com um sorriso:

"Ryota passou o dia inteiro ontem pesquisando."

   Ao ouvir isso, Haruto sorriu e deu um leve tapinha na cabeça de Ryota, percebendo o quanto o menino estava ansioso por aquele dia.

"Você se preparou bem, Ryota."

"Sim! E! Lá eles emprestam bolas e outras coisas pra brincar na grama!"

"Sério? Então, vamos jogar futebol juntos? Ou brincar de bola?"

"Quero fazer os dois!"

   Ryota respondeu com entusiasmo, e Haruto assentiu divertido.

"Entendi, então faremos os dois."

"Sim!"

   Ayaka, ouvindo a conversa ao lado, também olhava para eles com um sorriso.

   Depois de chegarem ao destino, os três desceram do trem e embarcaram no ônibus de traslado do terminal até o Parque Animal Crossing.

   Era época de férias de verão e o tempo estava bom, então o ônibus estava lotado de famílias e casais.

"Tem muita gente."

"É, foi uma boa ideia termos vindo cedo."

   Observando o interior cheio do ônibus, Haruto comentou.

   Ayaka assentiu em resposta.

   Depois de balançar por dezenas de minutos no ônibus cheio, as pessoas começaram a descer e seguiram em direção à entrada do Parque Animal Crossing.

   Haruto e seus amigos fizeram o mesmo e foram até o guichê para comprar os ingressos.

"Dois adultos e uma criança, por favor."

"Certo. Dois adultos e uma criança, 2000 ienes."

   Uma senhora simpática do outro lado do balcão os atendeu com um sorriso acolhedor.

   Haruto entregou o dinheiro pelo espaço sob o balcão.

"Sim, exatamente 2000 ienes. Aqui estão seus ingressos."

"Obrigado."

   Haruto entregou os ingressos para Ayaka e Ryota.

   Ryota então se curvou para a senhora do balcão.

"Obrigado!"

"Oh, que menino educado."

   Disse a senhora, inclinando-se um pouco e sorrindo para Ryota.

"Tem muita gente hoje, então certifique-se de segurar a mão da mamãe e do papai pra não se perder, tá?"

"Hã!"

   Ayaka reagiu ao que a senhora disse e olhou para Haruto.

"Não é isso, tia! O Mano e a Mana não são meus pais!"

"Oh! Me desculpem, entendi errado. Vocês são tão jovens."

   A senhora do balcão se curvou, pedindo desculpas a Haruto e Ayaka.

"Não tem problema."

   Haruto respondeu com um sorriso constrangido, e Ayaka corou levemente enquanto assentia.

   Ryota se aproximou do balcão para esclarecer o mal-entendido da senhora.

"Olha, a Mana é minha irmã de verdade, mas o Mano ainda não é meu irmão de verdade. O irmão é... bem..."

   Ryota ficou sem palavras por um momento.

   Era difícil para ele, ainda no jardim de infância, entender completamente que Haruto trabalhava meio período como empregado doméstico em sua casa ou o tipo de relação entre Ayaka e Haruto.

   Então ele explicou o melhor que pôde.

"O Mano é o namorado da Mana, sabe! E quando a Mana casar com o Mano, aí ele vai virar meu irmão de verdade também!"

"H-Hey!! Não diga essas coisas estranhas!"

   Ryota explicava animadamente à mulher do balcão, enquanto Ayaka, vermelha como um tomate, correu para impedi-lo.

"C-Chega! Você tá atrapalhando as pessoas atrás, então vamos logo!"

   Ayaka levantou Ryota rapidamente e se afastou apressada do balcão. Enquanto se afastavam, ela ouviu a senhora dizer: "Ah, amor jovem, que gracinha", o que a fez corar ainda mais.

   Depois de se afastarem um pouco da multidão, Ayaka colocou Ryota no chão e imediatamente começou a repreendê-lo.

"Ryota, ouça. O Otsuki-kun não é meu namorado! E você não pode sair por aí dizendo pras pessoas que a gente vai se casar, entendeu?"

"Mas casamento não é algo que você faz com quem ama?"

"B-Bem, sim, mas..."

"Então, Mana, você vai casar com o Mano, né?"

"Casamento não é tão simples assim, sabia!"

   Ayaka, aflita com a pergunta inocente do irmãozinho, levantou a voz. Mas Ryota, ainda sem entender direito, olhou para Haruto, que estava ao lado.

"Mano, você não quer casar com a irmã?"

   Haruto fez uma pausa para pensar e respondeu devagar:

"...Bem, se eu pudesse, acho que gostaria."

"O quê!?"

   A voz de Ayaka subiu em choque com a resposta inesperada de Haruto.

   Haruto se agachou para ficar na altura de Ryota e falou com um sorriso gentil.

"Mas sabe, Ryota, casar não é algo que acontece tão fácil assim."

"Sério?"

"Sim. Casamento significa virar família."

"Eu quero ser família do Mano!"

   Ryota respondeu na hora, fazendo Haruto sorrir calorosamente enquanto afagava sua cabeça.

"Obrigado, Ryota. Fico muito feliz por isso."

"Ei, ei, Mano, você gosta da Mana, né?"

"...Sim, gosto," disse Haruto, um pouco hesitante, mas sem ter como negar diante de Ryota.

   Ao ouvir isso, Ayaka virou o rosto, corando e olhando para baixo.

"Então vocês vão se casar, né?"

"Casamento não é algo que acontece só porque a gente gosta de alguém."

"Sério?"

   Enquanto Ryota inclinava a cabeça confuso, Haruto explicou gentilmente.

"Ryota, você ama sua irmã, certo?"

"Sim."

"Mas às vezes vocês brigam, não é?"

"Às vezes sim."

"E quando vocês brigam, como você se sente sobre ela?"

   Ryota pensou um pouco, olhando para a irmã com uma expressão hesitante.

"Talvez... eu não goste dela por um tempinho..."

   Haruto riu suavemente da resposta cuidadosa de Ryota.

"Isso acontece quando a gente briga, né? Mas isso não quer dizer que você para de gostar dela pra sempre, certo?"

"Não!"

"É assim que é ser família."

"...?"

   Ainda confuso, Ryota inclinou a cabeça novamente. Haruto bagunçou seu cabelo e continuou.

"Mesmo quando não gostam um do outro, continuam juntos. Não importa o que aconteça, vocês sempre ficam lado a lado. Isso é ser família. E isso não se faz só por gostar de alguém."

"Então, você não gosta dela?"

"Não é isso... É que você precisa amá-la."

   Falando com um pouco de vergonha, mas de forma firme, Haruto explicou. Ryota olhou para ele e perguntou mais uma vez:

"Então, Mano, você não ama a Mana?"

"Leva tempo para as pessoas se amarem. Eu ainda preciso de tempo para amar a Ayaka. E, da mesma forma, mesmo que a Ayaka venha a me amar, precisaríamos de muito tempo para construir essa relação."

"Entendi... Então é assim que funciona."

   Ryota finalmente pareceu entender. Ele sorriu amplamente para Ayaka.

"Mana! Espero que você e o Mano consigam se amar logo!"

   Ao ouvir as palavras puras do irmãozinho, Ayaka ficou vermelha de vergonha, sua voz saindo quase como um sussurro.

"S-Sim... eu também..."

   Graças à pureza de Ryota, Ayaka sentiu um calor muito mais intenso do que o sol de verão envolver todo o seu corpo.

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