SESSÃO 1

7 - Amigo de Infância e Sua Irmã

 

   No dia seguinte a ter completado com sucesso as tarefas de limpeza na casa da família Tojo.

   Haruto estava visitando a casa de seu melhor amigo, Akagi Tomoya.

"Ei, Haru. Achei que você ia apenas estudar e trabalhar meio período durante as férias de verão, né? Tem certeza de que pode vir aqui em casa?"

"Era isso que eu planejava fazer, mas ontem à noite acabei assistindo a um programa sobre casas entulhadas de lixo."

   Disse Haruto, zombando.

   Haruto continuou falando enquanto organizava os mangás em sua estante bagunçada.

"De repente fiquei preocupado. Fiquei com medo de que a próxima casa entulhada que aparecesse fosse o quarto do meu melhor amigo."

"Meu quarto não é tão sujo assim!!"

   Tomoya se levantou da cadeira em que estava recostado e se jogou nela com força.

   As ondas de calor do verão eram implacáveis.

   A forte luz do dia brilhava intensamente no quarto de Tomoya. No entanto, seu quarto tinha ar-condicionado, então, mesmo aproveitando apenas a claridade do sol, a temperatura do ambiente se mantinha agradável.

"Bem, eu só me refugiei aqui porque o meu ar-condicionado não está funcionando direito."

   Disse Haruto casualmente, e Tomoya olhou para ele com uma expressão vazia.

"Ei, vou te cobrar pela eletricidade."

"Então vou te cobrar pela limpeza do quarto. Retroativamente, por todo o tempo que já limpei."

"Desculpa. Fique à vontade pra usar o quarto."

   Tomoya admitiu a derrota rapidamente.

   Ele se recostou novamente na cadeira e perguntou a Haruto:

"Agora que penso, ontem foi seu primeiro dia de trabalho, né? Como foi o emprego de faxineiro?"

"Ah, é mesmo."

   Haruto parou de limpar por um momento e pensou antes de responder à pergunta de Tomoya.

"Meu primeiro cliente foi a Tojo-san."

"Hmm, certo, Tojo-san... hã?"

   Tomoya não pareceu entender o que Haruto disse de imediato e ficou paralisado por um instante.

   Então, quando compreendeu, gritou alto.

"O quê?! Tojo-san, aquela Tojo-san?! Tojo Ayaka-san?!"

"Bem, é a única Tojo-san que eu conheço."

   Tomoya estava chocado e surpreso, mas Haruto estava completamente normal.

"Ah, não conte a ninguém que a Tojo-san me contratou pra fazer a faxina. Se eu não proteger as informações e a privacidade dos clientes, a empresa vai brigar comigo. Eu te contei porque confio em você, tá? Se espalhar, a gente termina a amizade."

"Não, não vou espalhar. Sério... então? Como foi?"

"Como foi? O que você quer dizer?"

   Haruto inclinou a cabeça enquanto retomava a limpeza do quarto de Tomoya.

"Como o quê? Você foi na casa da Tojo-san, certo?"

(Ainda o Tomoya) "Você foi convidado..."

   Haruto olhou para Tomoya com uma expressão atônita.

"Eu não fui na casa da Tojo-san pra me divertir, eu fui trabalhar."

"Sim. Então, como é a casa da Tojo-san? Tem cheiro bom?"

   Haruto suspirou profundamente enquanto seu melhor amigo fazia perguntas com um olhar curioso, sem ouvir o que ele dizia.

"Ei, isso soa pervertido. E, como já falei, não posso divulgar informações dos clientes."

"Tsc, que pão-duro é esse? Eu sou seu melhor amigo."

   Haruto ignorou elegantemente Tomoya, que fez bico e ficou emburrado.

   Se uma garota fizesse esse tipo de gesto fofo, ele até poderia se sentir tentado, mas, infelizmente, não importa o quanto um cara faça bico, o coração de Haruto não se move nem um centímetro. Só o deixa mais irritado.

"Pão-duro, Haru é pão-duro, pão-duro, pão-duro, pão-duro."

"Cala a boca!"

   Haruto jogou a revista musical que estava segurando em Tomoya para fazê-lo parar. Tomoya desviou e riu alegremente.

"Mas é bom, Haru."

"O quê? O quê?"

"Você vai se dar bem com a Tojo neste verão, né? Que inveja."

   Tomoya se sentou de pernas cruzadas na cadeira, sorrindo de orelha a orelha. No entanto, Haruto franziu a testa, sem entender o que ele queria dizer.

"Como eu ia me dar bem com alguém depois de ir na casa dela uma vez?"

"Ué? Você não vai continuar indo à casa da Tojo enquanto trabalha meio período?"

   Disse Tomoya, com um olhar confuso.

   Haruto balançou a cabeça, negando o que ele dizia.

"Não, não, essa foi a última vez que eu fui na casa da Tojo-san."

"Hã? Por quê?"

"Por quê? Bem, pensa bem, é constrangedor. Se um colega de classe fosse na sua casa fazer faxina e outras tarefas domésticas, da próxima vez você escolheria outra pessoa pra ajudar. Seria muito estranho ter um colega limpando sua casa."

"Hmm?... É mesmo?"

   Tomoya inclinou a cabeça diante das palavras de Haruto e olhou para o colega que estava, no momento, limpando seu quarto.

"Eu não acho estranho nem um pouco."

"..."

   A boca de Haruto se contraiu ao ouvir seu melhor amigo dizer isso com uma expressão tranquila.

"Acho que eu devia cobrar, afinal."

   Haruto murmurou em voz baixa.

"O quê?! Por favor, não faz isso! Acabei de comprar isso e estou sem grana!"

   Tomoya implorou com um olhar desesperado, abraçando um estojo preto que estava por perto.

"Hã? Comprou um novo?"

   O estojo preto que Tomoya abraçava era de guitarra.

   Ele começou a tocar guitarra no ensino fundamental e agora está em uma banda com um garoto de outra escola.

"Isso mesmo. Outro dia fui numa loja de instrumentos e me apaixonei por essa aqui à primeira vista."

   Tomoya sorriu e esfregou a bochecha contra o estojo da guitarra, dizendo “Hehehe”.

   Haruto ficou um pouco incomodado com o comportamento estranho do amigo e voltou sua atenção para outra guitarra encostada na parede.

"Você precisa de duas guitarras?"

"Sim! Nunca se tem guitarras demais!"

"Ah, é mesmo?"

   Haruto, que nada sabia sobre instrumentos ou música, deu uma resposta sem graça e retomou a limpeza do quarto de Tomoya.

"Ei! Mostra mais interesse!"

"Eu não entendo muito de instrumentos e nem pretendo tocar."

"Não fala assim, Haru. Que tal começar a tocar guitarra e formar uma banda comigo?"

   Disse Tomoya, gesticulando animadamente. “Eu te ensino passo a passo.”

"Não, tô fora."

"Então pode ser o vocalista. Você canta bem, não é? Nossa banda vai se apresentar no festival da escola este ano, e se mostrarmos a voz do Haru lá, você vai encantar todas as garotas da escola!"

   Tomoya disse com um grande sorriso e um joinha, e Haruto respondeu sem parar de limpar, parecendo desinteressado.

"Não, eu dispenso."

"Não fala isso, vai, vamos formar uma banda juntos."

   Enquanto Haruto limpava, ignorando Tomoya, que fazia birra como uma criança, ouviu-se uma batida repentina na porta. E, ao mesmo tempo que a batida, a porta foi escancarada.

"Maninho! O Haru tá aqui?"

   Uma garota de cabelos loiros amarrados em um rabo de cavalo lateral entrou no quarto dizendo isso.

"Ei, Haruka. Se você abre a porta antes de responder, não adianta bater."

"Cala a boca, maninho."

   Depois de responder de forma brusca à reclamação de Tomoya, a garota que apareceu de repente se iluminou ao ver Haruto.

"Haru-nii! Que saudade!"

   A garota correu até Haruto, o abraçou com força e disse com um grande sorriso, esfregando a bochecha contra a dele.

"Eu te vi só no domingo passado."

"Mentira! Já faz mais de uma semana sem te ver, Haru-nii!"

   Haruto sorriu sem jeito com as palavras da garota.

   O nome dela era Akagi Haruka.

   Ela era a irmã mais nova de Tomoya.

   Tomoya era tanto seu melhor amigo quanto seu amigo de infância.

   E Haruto a conhecia desde que ela usava fraldas, então ela era como uma verdadeira irmãzinha para ele.

"Ei, Haruka! Você tá grudando demais no meu Haru!"

"O quê? Do que você tá falando, maninho? Que nojo, sai do meu quarto."

"Não, esse é o meu quarto!"

   A irmã mais nova ignorou completamente a réplica do irmão, e a expressão fria que dirigia a Tomoya mudou completamente quando ela se virou para Haruto com um sorriso radiante.

"Era férias de verão, mas você não veio me ver, fiquei com saudade, sabia?"

"Hahaha, desculpa, Haruka."

   Enquanto se desculpava, Haruto olhou de relance para o braço esquerdo dela, onde ela se agarrava a ele.

   Ele podia sentir claramente uma maciez que não sentia antes.

   Quando eram pequenos, eles costumavam brincar juntos, tomar banho e, quando dormiam na mesma casa, os três — incluindo Tomoya — dormiam no mesmo futon.

   Porém, isso começou a diminuir quando ela chegou às séries finais do ensino fundamental e nunca mais aconteceu depois que entrou no ensino médio.

   Agora que Haruka estava no terceiro ano do fundamental e seu corpo havia crescido como o de uma mulher adulta, Haruto já não podia tratá-la da mesma forma de antes.

   Haruka, por outro lado, não parecia perceber isso e ainda abraçava Haruto como antigamente.

   Toda vez que isso acontecia, o coração de Haruto acelerava, e ele precisava se esforçar ao máximo para reprimir os pensamentos inapropriados que surgiam dentro dele.

"Comecei um trabalho de meio período neste verão. Tenho que estudar também, então estou um pouco ocupado."

"Hã? Como assim? Que tipo de trabalho você começou?"

   Curiosa, Haruka apertou o braço de Haruto com força.

   Haruka, a irmã mais nova de Tomoya, era tão bonita quanto o irmão.

   Embora tivesse um ar um pouco determinado, seu nariz reto e olhos amendoados e duplamente pálpebrados eram fofos e redondos, como os de uma idol.

   Sendo uma aluna do terceiro ano do ensino fundamental, ainda tinha um toque de criança, mas era claro para todos que, em alguns anos, seria uma bela mulher que chamaria a atenção dos homens na rua.

   Sem dúvida, já devia ser bem popular entre os meninos da escola.

   Como uma figura de irmão mais velho, Haruto se preocupava um pouco com a possibilidade de rapazes estranhos se aproximarem dela. Sim, para Haruto, a garota chamada Haruka agora era como uma irmã mais nova — praticamente parte da família.

   Então Haruto se esforçou para ignorar a sensação agradável e macia vinda de seu braço esquerdo.

"É um trabalho de limpeza domiciliar."

"Quer dizer que o Haru-nii vai na casa das pessoas fazer faxina?"

"Sim, isso mesmo."

"Eu quero que o Haru-nii cuide de mim também! Ou melhor, quero cuidar do Haru-nii!"

"Haru é tão idiota quando se trata da Haru."

"O quê? Que é isso? Que irritante. Eu te disse pra sair do quarto, por que ainda tá aqui?"

   Ela ainda era tão dura com Tomoya quanto sempre foi.

   Ela costumava chamá-lo de “maninho” e o seguia por toda parte, mas começou a agir friamente com ele quando entrou no ensino médio.

   Por outro lado, passou a se aproximar mais de Haruto — mas Haruto, que conhecia bem o vínculo de irmãos entre os dois, achava isso um pouco triste.

[Almeranto: Se meu irmão mais velho, de repente, começasse a me tratar assim, ficaria tristão.]

"O serviço de faxina do Haru não é de graça. Não tem como você contratá-lo se ainda depende da mesada dos pais."

   Disse Tomoya, zombando da irmã, e Haruka, caindo na provocação, soltou o braço de Haruto e estreitou os olhos para o irmão.

"Eu posso contratar sim! Pago o quanto for pro Haru-nii!"

"Não, não, Haru-chan. Eu não aceito dinheiro de uma faxina ou algo assim..."

   Tomoya respondeu calmamente às palavras dela.

"Mas você sempre faz o Haru-nii limpar o seu quarto! Você devia pagar pra ele!"

"Ugh... isso é, sabe... bondade entre amigos."

"Você é um lixo, Onii."

"Gufuu..."

   Tomoya pareceu bastante ferido pelas palavras duras da irmã e se abaixou, segurando o estômago.

   Ignorando o irmão, Haruka perguntou a Haruto:

"Ei, você já começou o trabalho de meio período?"

"Sim, comecei ontem."

"Uau, que tipo de pessoa contrata faxineiro? Tipo, homens solteiros de meia-idade que não sabem limpar a casa?"

   Haruto riu, amargo, do preconceito de Haruka.

"Bem, alguns dizem isso, mas não é só esse tipo, não."

"Isso mesmo, a primeira pessoa pra quem o Haruto trabalhou foi uma garota incrivelmente linda."

"O quê? Como é?"

   Haruto falou em um tom monótono quando Tomoya, já recuperado do golpe, se intrometeu.

"Haru-nii, o que ele tá dizendo é verdade?"

"Ah, é. Bem, é verdade... acho?"

   Assim que disse isso, Haruto sentiu uma sensação incrível de intimidação vinda dela e começou a suar frio.

"Mas você só foi na casa dessa garota linda pra trabalhar, né? Só isso, né?"

"Claro! E não vou ser chamado de novo! Definitivamente não vai ter próxima vez!"

   Sentindo a pressão misteriosa vinda de Haruka, Haruto lutava desesperadamente para formar palavras.

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