SESSÃO 1
4 - O Irmãozinho da Idol da Escola
O garoto grita, gira nos calcanhares com força e sai correndo pelo corredor.
"Ladrão! Mana! Ladrão!"
"Não! Espera! Eu não sou um ladrão!!"
Haruto corre atrás do garoto freneticamente, tentando desesperadamente se explicar.
No entanto, o garoto parece não ouvi-lo e tenta subir as escadas enquanto repete "Ladrão!".
"Ryota, o que é essa confusão toda?"
Quando o garoto põe o pé no primeiro degrau da escada, Tojo, que saiu do quarto ao ouvir sua voz, aparece no topo.
"Mana! É terrível! Tem um ladrão na casa!!"
"Ha… ha… Desculpa Tojo, parece que esse garoto acha que eu sou um ladrão..."
O garoto aponta para Haruto, que o alcançou, e implora desesperadamente para Tojo.
Por outro lado, Haruto, que acabara de fazer uma corrida super veloz, pensando que não suportaria ser um criminoso, explicou a situação ofegante.
"Pfft."
Tojo deve ter achado engraçado o comportamento dos dois.
Ela colocou a mão na boca e caiu na risada.
"Mana?"
O garoto inclinou a cabeça diante do comportamento da irmã.
Tojo desceu as escadas e colocou suavemente a mão no ombro do garoto.
"Ryota, esse cara não é um ladrão."
"O quê? Ele não é um ladrão? Então quem é ele? O namorado da minha irmã?"
"Pfft."
Agora foi a vez de Haruto cair na risada com o que o garoto disse.
Em contraste com ele, Tojo calmamente corrigiu o mal-entendido do irmão.
"Ele também não é meu namorado. Esse cara é de um serviço de limpeza doméstica."
"Ele é aquele...?"
O garoto inclinou a cabeça diante da explicação da irmã.
"É ele quem limpa e cozinha pra gente. Entendeu?"
O garoto assentiu diante da explicação de Tojo.
"Desculpe, Otsuki. Esse é meu irmão mais novo, Ryota. Ele ainda está no jardim de infância e não entende bem as coisas."
"Ah, não. Contanto que o mal-entendido tenha sido resolvido, está tudo bem."
Haruto respondeu a Tojo, que se curvou, e se agachou para ficar na altura do irmãozinho dela, Ryota.
"Ryota. Desculpa por te assustar antes. Eu sou Otsuki. Haruto. Prazer em te conhecer."
Haruto sorriu e estendeu a mão, e Ryota, já mais tranquilo, apertou a mão dele de volta.
"Desculpa por te chamar de ladrão antes."
Haruto ficou um pouco surpreso quando Ryota se curvou.
"Ryota, você é um bom menino."
Haruto disse isso a Tojo, que estava ao lado dele.
Não é fácil perceber um erro nessa idade e se desculpar antes que alguém diga algo.
A expressão de Tojo suaviza com o elogio de Haruto, mas ela faz uma cara meio envergonhada tentando disfarçar.
"Mas ele é bem arteiro e vive deixando os brinquedos espalhados por aí."
"Ele tem energia, né?"
Tojo acaricia a cabeça do irmão com um sorriso.
Haruto também sorri, achando que eles são um par de irmãos bem próximos.
Como filho único, ele sente certa admiração por irmãos assim.
"Ah, é mesmo. Já terminei a limpeza, pode dar uma olhada?"
A chegada do irmãozinho de Tojo faz Haruto lembrar do trabalho que quase esqueceu.
"Já terminou? Foi rápido."
Tojo vai em direção à sala de estar enquanto fala isso.
Seus olhos se arregalaram ao ver o cômodo limpo.
"Hã? Uau... está brilhando."
A sala de estar está impecável, com mesas e pias reluzentes como se fossem espelhadas.
Tojo fica de boca aberta, admirada com a sala de estar/jantar, que parece uma casa modelo.
"Se tiver alguma reclamação ou pedido sobre a limpeza, por favor me avise."
Haruto fala com um pouco de orgulho, mas segue o manual. Tojo balança a cabeça em resposta.
"Não, está perfeito. Não tem nada pra reclamar."
Tojo passa os dedos pelas prateleiras e mesa, mas nenhum grão de poeira gruda neles.
"Uau, Otsuki-kun é bom em limpeza."
"É, bom. Se não fosse, não teria escolhido esse trabalho de meio período."
"Faz sentido, é verdade."
"Uau! A sala da mana tá brilhando!"
Ryota parece empolgado com a sala de estar limpa e corre por ela, fazendo barulho.
Haruto pensa consigo mesmo, Acabei de limpar, mas a poeira já está voando..., mas sente pena de interromper a alegria inocente do menino e apenas observa sorrindo.
"Ei Ryota. O Otsuki-kun se esforçou pra limpar, mas a poeira tá voando."
No entanto, Tojo cumpre o papel de irmã mais velha e repreende o irmão.
Ryota, ao ser advertido, responde obedientemente "Tá bom" e para de correr.
Haruto não consegue evitar comentar ao ver isso.
"Tojo-san é uma ótima irmã."
"É?... Será?"
"Sim, acho que é, vendo assim."
"S-Sério? Obrigada..."
Talvez por estar envergonhada com o elogio, Tojo olhou para ele e agradeceu, e Haruto sentiu seu coração bater um pouco mais rápido.
"Sabe, você é uma ótima irmã!!"
Haruto ficou tão encantado com a fofura de Tojo que parou de pensar por um instante, mas então Ryota se aproximou e disse orgulhoso, com um grande sorriso.
"É isso mesmo. A mana do Ryota é uma ótima mana. Mas acho que o Ryota também é um ótimo irmãozinho."
Haruto se agachou para olhar Ryota nos olhos e falou enquanto acariciava sua cabeça.
"Sério? Eu sou um bom irmão?"
"Sim, Ryota é um bom irmão que ouve a mana."
O rosto de Ryota se iluminou ao ouvir as palavras de Haruto.
"Mana! Eu sou um bom irmão!!"
"Sim, Ryota é um bom menino."
"Hehehe."
Ryota sorri feliz por ser elogiado pelos dois.
Haruto e Tojo também sorriem.
"Ah, é verdade. Tojo-sama, pediram pra fazer quatro porções pro jantar usando o que tiver na geladeira."
Haruto estava se sentindo acolhido pelo irmãozinho angelical de Tojo, mas de repente voltou à realidade e mudou para o modo de trabalho.
"Posso dar uma olhada no que tem na geladeira?"
Graças à educação da avó, Haruto sabe preparar vários pratos — japoneses, ocidentais e chineses.
No entanto, nada pode ser feito sem ingredientes. Se faltar algo, ele precisa ir às compras — o que também faz parte do trabalho de um serviço doméstico.
"Ah, bem. Está um pouco bagunçada, mas aqui está."
"Então, deixa eu ver."
Haruto se sente um pouco culpado com o constrangimento de Tojo, mas decide que é trabalho e abre a porta da geladeira.
"Hum, ovos, leite, cebolas, cenouras, repolho... oh, também tem carne moída. Mistura de boi e porco..."
Haruto verifica o conteúdo da geladeira e imagina alguns pratos possíveis com os ingredientes encontrados.
"Com licença, posso ver os temperos e especiarias?"
"Sim, estão nessa gaveta."
Tojo responde enquanto abre uma gaveta sob o balcão.
"Uau! Tem uma grande variedade!"
A gaveta contém mais temperos e especiarias do que Haruto imaginava.
"Pimenta grossa, pimenta Sichuan, anis estrelado, cardamomo, cravo, ah, folhas de louro, gengibre em pó e paus de canela! Isso é noz-moscada...?"
Como alguém que gosta de cozinhar, Haruto se anima diante da variedade de especiarias.
Ele já imagina um prato usando o que há na geladeira e os temperos disponíveis.
"Que tal hambúrguer de carne para o jantar?"
"!! Eu quero hambúrguer!!!"
O irmãozinho de Tojo, Ryota, reage antes mesmo da irmã.
"Mana, vamos comer hambúrguer no jantar hoje?"
Tojo diz com um sorriso forçado ao irmão, que a olha cheio de expectativa.
"Gostaria de hambúrguer no jantar, por favor."
"Obrigado."
Haruto se curva de forma exagerada em resposta, e Ryota, observando, levanta os dois punhos no ar e explode de alegria.
"Yay!! Hambúrguer!!"
Sorrindo diante da reação adorável de Ryota, Haruto começa imediatamente a preparar o jantar.
Hambúrguer é um dos pratos favoritos de Haruto, e ele havia feito um com sua avó recentemente.
Portanto, é um prato em que ele tem confiança, tendo praticado desde pequeno para conseguir reproduzir o hambúrguer delicioso da avó.
Haruto continua a preparar o hambúrguer com mãos habilidosas.
Os irmãos Tojo sentam-se à mesa e o observam cozinhar sem movimentos desperdiçados.
Haruto continua cozinhando, pensando: Tojo-san, você não vai voltar pro quarto dessa vez? Enquanto pega a faca para picar a cebola, de repente sente um olhar sobre si e levanta os olhos, vendo Ryota observando com grande interesse.
Haruto sorri levemente, então demonstra como picar uma cebola em pedacinhos minúsculos numa velocidade impressionante, com um toque teatral.
De repente, Ryota grita: "Uau!"
"Então Otsuki é bom de cozinha."
Ao lado do irmão, que olhava com os olhos brilhando, Tojo também falou admirada.
"Você é perfeito na limpeza e na cozinha, Otsuki tem muito charme feminino."
"Acho que hoje em dia há poucos homens que não sabem cozinhar."
"Sério? Mas mesmo assim, acho que o nível do Otsuki é alto demais."
"Fico honrado com o elogio."
Não apenas o irmão Ryota, mas também Tojo observava as mãos de Haruto com interesse.
Sentindo os olhares dos dois espectadores, Haruto continuou preparando os hambúrgueres.
Quando chegou à parte de amassar, Haruto fez uma tigela de água gelada e mergulhou as mãos nela.
"O que você tá fazendo, mano?"
Ryota inclinou a cabeça diante do comportamento misterioso de Haruto.
"É pra evitar que a gordura da carne derreta com o calor das mãos."
"A gordura derrete?"
"Isso mesmo. Se a gordura derreter, não dá pra fazer um hambúrguer saboroso."
Ryota não pareceu entender a explicação e apenas inclinou a cabeça.
Tojo, por outro lado, assentiu levemente, dizendo: "Entendi."
Haruto tirou as mãos da água gelada, enxugou e começou rapidamente a amassar a mistura.
As mãos dele estavam bem vermelhas por causa da água fria.
"Mano, suas mãos doem?"
Ryota perguntou preocupado.
"Obrigado, Ryota. Estou bem. Quero que Ryota coma um hambúrguer bem gostoso."
Haruto amassa a carne sentindo-se aquecido pela bondade de Ryota. Quando a mistura fica pegajosa, ele a divide em quatro partes e molda em forma oval.
Só falta grelhar, e Haruto pergunta a Tojo:
"Ah, devo grelhar os quatro hambúrgueres? Ou dois primeiro?"
Tojo pediu o jantar para quatro pessoas.
Mas, no momento, apenas os irmãos estão em casa.
As outras duas porções provavelmente são para os pais, mas ainda não há sinal de que estejam chegando.
Como cozinheiro, Haruto acha que o hambúrguer fica melhor quando grelhado na hora, então quer que os pais também o aproveitem fresco.
"Ah, é verdade. Talvez seja melhor grelhar só dois. Mas..."
Enquanto fala, Tojo parece um pouco ansiosa.
Ela olha para o relógio pendurado na parede da sala.
São pouco mais de 17h30 agora.
O contrato de Haruto vai até as 18h, então, se os pais não chegarem logo, ele não estará lá para preparar os dois restantes.
"Vou deixar um bilhete com o modo de preparo. Se seguir direitinho, vai sair igual."
As palavras de Haruto, tentando tirar a preocupação dela, fazem Tojo assentir.
"Sério? Então, por favor, prepare só as nossas porções."
"Obrigado."
Haruto coloca dois hambúrgueres na frigideira e começa a grelhar.
Enquanto espera ficarem prontos, ele organiza o prato com sopa de consommé e legumes de acompanhamento.
Após grelhar os hambúrgueres, colocar o arroz nas tigelas e arrumar tudo na mesa de jantar, já são 18h — fim do horário contratado.
"Bem, como meu horário acabou, estou indo agora."
Haruto diz após lavar a frigideira e os utensílios usados.
De repente, o rosto de Ryota, que estava radiante ao ver o hambúrguer pronto, fica abatido.
"Você vai embora, mano? Não vai comer comigo?"
"Desculpa, Ryota. Eu só fiz hambúrguer suficiente pra você e sua mana."
Haruto responde olhando nos olhos de Ryota, e o garoto, como se tomasse uma decisão, diz:
"Então eu divido o meu com você, mano."
Ryota o convida para comer seu prato favorito com ele, e Haruto, com um sorriso constrangido, tenta pensar em como recusar, quando Tojo o salva.
"Não, Ryota. Otsuki-kun tem que ir pra casa jantar com a família dele. Então não seja teimoso, tá?"
"... Tá bom."
Ryota assentiu de forma relutante, com o rosto abatido, e Haruto não resistiu a acariciar sua cabeça e se desculpar.
"Desculpa, Ryota."
"Não. Vamos comer juntos da próxima vez."
"É, ah, tá... da próxima vez... certo?"
Ryota, que não entende muito bem por que Haruto acabou fazendo o jantar da família Tojo, diz com uma expressão inocente.
Haruto responde, meio sem saber o que dizer.
"Vou te acompanhar até a porta, Otsuki."
"Ah, sim. Obrigado."
Haruto, incapaz de suportar a inocência de Ryota, aceita o gesto de Tojo com gratidão.
"Tchau, mano! Até mais!"
"Tchau, tchau."
Embora provavelmente nunca mais o veja, Haruto não consegue ignorar Ryota e acena de volta com um sorriso incerto.
"Desculpa. Meu irmãozinho te deu trabalho."
Tojo se curva para Haruto ao chegarem à porta. "Não, Ryota é um garoto muito fofo e educado. Ah, é verdade."
Haruto tirou um panfleto da bolsa e o entregou a Tojo.
"Muito obrigado por usar nosso serviço de limpeza hoje. Se quiser usar novamente, também oferecemos contrato regular."
Haruto explicou, apontando para o panfleto.
"Com o contrato regular, a taxa sai mais em conta do que o contrato avulso, como o de hoje, então considere na próxima vez."
Tojo riu ao ver Haruto vendendo o serviço conforme o manual.
"Você parece um vendedor, Otsuki."
"Bem, isso faz parte do trabalho."
"É estranho quando um colega fala de forma tão formal assim, parece um adulto. Não pode falar normalmente?"
"Não é que eu não possa. Mas, bom, Tojo é uma cliente."
Tojo sorriu sem graça diante da resposta de Haruto.
"Entendi... uma cliente..."
"Isso. Ah, se você não voltar logo, o hambúrguer vai esfriar."
"Ah, é mesmo. Bem, obrigada por hoje, Otsuki-kun."
"Sim. Esperamos vê-la novamente."
Haruto se curvou profundamente uma última vez e deixou a casa dos Tojo.
Quando levantou o olhar e captou um vislumbre da expressão de Tojo, achou que ela parecia desapontada — mas provavelmente era apenas imaginação. Pensando isso, Haruto seguiu para casa.
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