SESSÃO 1
17 - Sentimentos de Ayaka Tojo ⑤
Voltei para o meu quarto e mergulhei direto na cama.
"Ahh... tô tão cansada..."
Enquanto me deitava, exausta, suspirei.
"Mesmo o Otsuki tendo feito um lindo prato de sashimi pra mim, eu nem consegui saborear direito..."
Meu pai preparou um lindo prato de sashimi com os peixes que pescou, mas mamãe, papai e Ryota estavam tão ocupados que não tive tempo de aproveitar a refeição.
Eles até grelharam cavalinha pra mim usando o maçarico que compramos na loja de ferragens, mas eu também nem consegui sentir o gosto direito.
"Ah, é verdade, eu prometi ir ao zoológico com o Otsuki... o que eu faço?"
A promessa que fizemos na loja de ferragens.
Pra ser sincera, eu tinha planejado conversar com ele hoje, enquanto ele estivesse cuidando da casa, mas não tive oportunidade pra isso.
Eu estava tão desesperada tentando impedir minha família de agir fora de controle, que quando percebi o horário do contrato do Otsuki já tinha acabado, e ele foi embora sem termos tido uma conversa de verdade.
"Mas se eu tivesse dito que íamos ao zoológico juntos, minha família teria surtado ainda mais..."
Tenho certeza de que mamãe teria me provocado com aquele sorrisão dela.
Mas tudo bem. Quer dizer... não tá tudo bem, mas vai.
Ryota ficaria super feliz, e isso não é problema.
O maior problema é o papai.
Papai ficou completamente encantado pelo Otsuki. Mamãe também gosta dele, mas parece que o papai já está seriamente pensando em fazer dele um genro.
Agora há pouco, durante o jantar, ele estava animadamente convidando o Otsuki pra ir pescar com ele um dia desses.
"Ah! Poxa! Eu ainda tô no ensino médio!!"
Afundei o rosto no travesseiro e gritei.
Ainda é muito cedo pra pensar em casamento ou em genro nenhum!
Claro, seria o ideal se meu marido fosse alguém gentil, bom nas tarefas domésticas e na cozinha como o Otsuki, mas...
"N-não, que que eu tô pensando?!"
Balancei a cabeça com força para apagar esses pensamentos.
A opinião da minha família sobre o Otsuki só melhora a cada dia, e sinto como se o fosso em volta de mim estivesse se fechando.
Mas esse nem é o único problema.
Na verdade, o problema pode ser “esse” — algo bem mais sério.
Foi pouco antes das férias de verão começarem.
Eu já esqueci o nome dele, mas um veterano me chamou pelo alto-falante da escola e se declarou pra mim.
Naquele momento, eu só fiquei envergonhada. Queria sair daquela situação o mais rápido possível.
Eu nem conseguia imaginar casar, e achei que aquele veterano era louco por pensar em noivado ainda no ensino médio.
Mas... se fosse o Otsuki...
Quando papai chamou o Otsuki de genro e Ryota perguntou se eu ia me casar, eu comecei a imaginar. Uma imagem se formou na minha cabeça.
Uma vida morando sob o mesmo teto que o Otsuki.
Sim, o mais sério não é o comportamento da minha família... são os meus próprios sentimentos.
Eu não me incomodo quando mamãe me provoca sobre o Otsuki, quando Ryota quer que ele vire meu irmão de verdade, ou quando papai fala dele com tanta empolgação.
No fundo do meu coração, fico feliz de ver o Otsuki sendo aceito pela família.
"Vou falar com a Saki."
Peguei meu celular e abri a conversa com a minha melhor amiga.
Ainda são pouco mais de 10 da noite, então a Saki com certeza tá acordada.
Apertei o botão de chamada e olhei pro nome “Aizawa Saki” na tela.
A ligação foi atendida depois de alguns segundos.
“Miaaau?”
“Saki, sabe... preciso te pedir um conselho...”
“Oh? Sobre o quê? É sobre amor?”
Saki perguntou num tom brincalhão, e meu coração disparou um pouco.
“Acho que sim...”
“O quê?! Tá brincando comigo?! O quê?! Sério?!”
Junto com a voz super agitada da Saki, ouvi um barulho alto do outro lado da linha.
“O que foi? Ei, Saki? Tá tudo bem?”
“Claro que não!! Como assim! A Ayaka pedindo conselho sobre amor!”
“Calma, tá? Vamos respirar um pouco.”
“Não dá pra ficar calma! Não dá!! Será que é... sobre o Minato-senpai? Eu ainda tava preocupada com isso!”
Mesmo sendo de noite, a voz da Saki tava alta e empolgada.
Ou melhor... Minato-senpai? Quem mesmo era ele? Hmm... Ah, aquele da transmissão interna antes das férias de verão?
“Não, não tem nada a ver com isso.”
“Sério? Então quem é? Quem é que conquistou o coração da Ayaka!?”
“Bem, ainda não me conquistou...”
É, ainda não estou apaixonada... provavelmente.
“Sabe... Saki, você já tinha dito isso antes, não foi?”
“Hmm? Eu? O que eu disse?”
“Você disse... algo sobre eu ter uma boa química com ele.”
Fiquei sem coragem de dizer o nome dele, então fiquei me contorcendo e corando sozinha.
“Hmm? Química... ah, o Otsuki-kun?”
Meu coração deu um pulo quando ouvi o nome dele vindo do celular.
“....... É.”
“Uaaah! Sério?! ...Hã? Pera aí? ...Mas agora são as férias de verão, né? Como isso aconteceu com o Otsuki-kun?”
“Bem, aconteceram várias coisas...”
“Hã? Tô curiosa! Tô MUITO curiosa sobre tudo isso!!”
Saki parecia super interessada, então expliquei como conheci o Otsuki-kun.
De repente, a voz empolgada dela ecoou tão alto que quase estourou o alto-falante do meu celular.
“O que é isso?! É perfeito!! Parece um mangá de romance real! Isso não é coincidência!! É destino!! Ahh, o Otsuki-kun é bom demais pra ser verdade! Eu tô morrendo de rir!”
“A comida do Otsuki-kun é realmente deliciosa.”
“Ah, e isso agora é pra se gabar?”
“N-não é isso! Eu queria pedir um conselho pra Saki!”
“Conselho? Sobre como se declarar?”
Meu rosto ficou vermelho até as orelhas quando minha melhor amiga disse isso.
O motivo de eu estar quente assim... com certeza não era só porque eu tinha acabado de sair do banho.
“Não, antes de me declarar ou qualquer coisa, eu quero entender o que eu sinto... quer dizer, eu não sei se gosto do Otsuki-kun ou não... e queria te pedir um conselho sobre isso.”
“......”
Depois que eu disse isso, Saki ficou em silêncio.
Nenhuma resposta. Hã? Será que ela dormiu?
O silêncio durou tanto que eu comecei a achar que sim, mas então ela finalmente falou.
Ainda bem que não dormiu.
“Bem, faz sentido. A Ayaka sempre evitou garotos. Nunca conseguiu se apaixonar, mesmo que quisesse. É natural que não entenda bem esses sentimentos.”
Saki disse, parecendo convencida.
É impressão minha ou ela tá com pena de mim?
Perguntei, ansiosa:
“O que você quer dizer? O que isso quer dizer?”
“Bem, é perda de tempo explicar pelo telefone, então... vamos nos encontrar amanhã?”
“Hã? Perda de tempo? Mas a gente pode se ver amanhã sim. O quê? Você não vai me contar agora?”
Parece que a Saki tá me fazendo esperar de propósito.
“Amanhã eu te ouço com calma. Que tal no café de sempre, às 11h?”
“T-tudo bem. Mas... me conta agora? O que eu não sei?”
“Bom, bom... até amanhã, então.”
“Ei, Saki?... Desligou.”
Olhei pro celular, que voltou pra tela do chat, pensando se devia ligar de novo.
Mas conhecendo a Saki, ela só ia desconversar.
Pensando na personalidade da minha melhor amiga, desisti e coloquei o celular para carregar ao lado do travesseiro.
“O que é que eu... não entendo?”
Olhando pro teto do quarto, fiquei pensando e repensando no que minha melhor amiga tinha acabado de me dizer.
****
Quando a luz do sol da manhã atravessou as cortinas, eu franzi o rosto e virei pro lado.
“Ugh... que sono...”
Olhei o horário no celular ao lado do travesseiro.
“Sete horas... tenho que levantar...”
Ontem à noite, depois da ligação com a Saki, fiquei pensando em tanta coisa que não consegui dormir.
O céu já estava clareando quando finalmente peguei no sono, então praticamente não dormi nada.
Mas eu combinei de encontrar a Saki hoje, então já estava na hora de levantar e me arrumar pra sair.
Forcei-me a sair da cama e, como se meu corpo protestasse, soltei um enorme bocejo.
A cama me puxava com tanta força que parecia um ímã.
Com pura força de vontade, consegui me soltar, saí do quarto e fui até a pia.
Depois de lavar o rosto com água fria, o sono diminuiu um pouco.
Sequei o rosto com a toalha pendurada ao lado da pia e me olhei no espelho.
“Meus olhos estão inchados de tanto sono... não quero que o Otsuki me veja assim...”
Depois de murmurar isso, com a cabeça ainda meio zonza, percebi o que tinha acabado de dizer e fiquei vermelha.
Virei o rosto, fugindo do reflexo corado no espelho, e fui pra sala no primeiro andar.
“Oh? Bom dia, Ayaka. Você tá acordada cedo hoje.”
“Bom dia, mãe.”
Mamãe já estava na cozinha, preparando o café da manhã.
“Tenho um encontro com a Saki hoje, então tenho que sair depois das nove.”
“Oh, a Saki? Faz tempo que não vejo a Saki.”
“A casa dela agora é longe.”
Antes de se mudar, a Saki vinha aqui em casa o tempo todo, então claro que mamãe a conhece.
“Dá um oi pra ela por mim.”
“Tá bom.”
Assenti e sentei à mesa.
“Mãe vai trabalhar cedo hoje?”
Mamãe já estava em modo de trabalho, vestindo um terno elegante.
Aliás, parece que papai já tinha saído.
“Sim, vou começar cedo hoje. Pode levar o Ryota pro jardim de infância antes de encontrar a Saki?”
“Claro.”
O jardim do Ryota está de férias, mas quando os dois trabalham de manhã, ele fica no berçário.
“Já tomou café?”
“Hmm, acho que vou começar agora.”
“Certo. Já vai sair.”
Cerca de 10 minutos depois, o café estava pronto na mesa.
Quando olhei, fiquei surpresa.
“Hã? Esse café da manhã tá tão elaborado... parece refeição de pousada japonesa.”
“Pois é. O Otsuki-kun preparou pra mim ontem. Eu tinha que sair cedo pra trabalhar hoje, então foi uma ajuda e tanto.”
Mamãe disse animada, e eu fiquei chocada.
Hã? O Otsuki-kun preparou tudo isso? Eu nem sabia!
Enquanto eu olhava pro café da manhã em silêncio, mamãe explicou cada prato.
“Esse é arroz com pargo. E aqui, cavalinha espanhola grelhada no estilo saikyo, e também peixe amarelo cozido. Aqui tem espinafre e cenoura com molho shiraae, e essa é uma sopa clara de pargo.”
“Incrível...”
O que é esse café da manhã? Hã? Isso é uma pousada? Meu sono sumiu na hora.
Sem conseguir esconder o espanto, disse “Itadakimasu” e comecei a comer.
“... Delicioso.”
O arroz de pargo tem um caldo saboroso, o gosto de shoyu e gengibre preenche o nariz, e a doçura leve do peixe se espalha na língua.
A cavalinha espanhola no estilo saikyo tem uma textura cremosa, o tempero levemente adocicado combina perfeitamente com o sabor rico do peixe, e um sorriso naturalmente se forma no meu rosto. O que eu faço? Não consigo parar de comer.
“Hehe, Ayaka, você parece tão feliz.”
“Mas tá muito bom.”
“É, eu tô grata ao Otsuki.”
Ao ouvir isso da mamãe, eu instintivamente fiquei tensa.
Mas, diferente de ontem, ela não me provocou. Me olhou com um olhar gentil.
Não sei por quê, mas isso me deixou um pouco desconfortável.
“Ayaka.”
“...O quê?”
“A juventude é algo que passa num instante dentro de uma vida longa, mas é o tempo mais divertido, doloroso, cheio de dúvidas, de alegrias — e também o mais importante. Então, viva o 'agora' ao máximo. O que você sente agora, um dia será seu tesouro.”
“...Tá.”
Mamãe é traiçoeira.
Ela normalmente vive me provocando, mas de vez em quando vira uma “mãe” de verdade assim.
Se ele fizesse isso comigo, como sua “filha”... eu ficaria tão feliz.
“Essa sopa... tá deliciosa.”
“É, tá ótima.”
Aproveitei junto com a mamãe a comida suave e deliciosa que o Otsuki preparou.
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Impressão de Ayaka sobre Haruto: Eu não sei... mas quero saber.
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