Ultima Iter Brasileira

Autor(a): Boomer BR


Trauma Longínquo

Capítulo 111: Justiça Fúnebre

 

 

[Incis Katulis]

 

Os soldados atacaram.

Um afiado gume pela direita, um corte diagonal pela esquerda e uma estocada por trás.

Em apenas um respirar meus arredores foram tomados por golpes de diversas direções no que abaixei todo o peso do meu corpo para o chão como resposta.

Dobrando um dos joelhos e flexionando uma das pernas para frente a minha rasteira varreu as pernas dos soldados Zypher como uma hélice.

Zush!

Gah!

— D-Droga!

— Maldição!

Os urros dos meus oponentes sendo derrubados uns atrás dos outros quando Zakio derrapou para trás lançando seu punho massivo sob o rosto de um dos que sobrou de pés apenas para logo em seguida agarrar uma pequena Rapieira que vinha de encontro com seu olho.

Uma perna para trás, outra para frente, ombros erguidos, Zakio corrigiu sua postura de forma instintiva puxando o inimigo da Rapieira pela lâmina molenga e por fim lançando uma firme joelhada contra o abdômen do seu oponente.

A vibração rígida da armadura sendo massada pelo contra-ataque ressoou pelos arredores semelhante ao bater de um gongo e o restante dos cavaleiros vindo em nossa direção, bom... foram jogados para trás pela força desse mesmo impacto.

“Esse é o Lunge-Hei, uma arte-marcial capaz de distorcer vibrações pelo completo vazio em alta frequência. Não me admira nem um pouco que aquela assassina que enfrentamos na Dungeon a dominava.”, ponderei lançando as costas do meu punho contra os tendões expostos de um dos cavaleiros Zypher quando puxei minha outra mão com a palma aberta na direção de seu rosto.

Bruuum!

O bramido vibrante que se expandiu da minha palma perfurando o vazio apenas para parar bem na ponta do nariz dele.

O som da carne e ossos sendo dilacerados em conjunto no que a cabeça do pobre soldado dentro do elmo foi reduzida a miolos.

“Não importa, não importa, eles são todos lixos do império!”, repeti a mim mesma no fundo de minha alma enquanto meu corpo dançou entre os inimigos com esquivas precisas da direita para esquerda.

Se Zakio fosse descrever os meus movimentos nesse instante ele diria que eu estaria praticamente patinando entre os ataques enquanto meus cabelos dançavam de um lado para o outro.

Meus olhos ficaram frios de repente.

Cada nervo do meu corpo se concentrou apenas em alcançar a mulher de braços cruzados por trás de todos esses lacaios.

Passo por passos, segundo por segundo.

Pass Flash...”, a concentração foi tanta que pude sentir a energia Vitalis pulsar em minhas pupilas e veias no instante em que meu corpo reluziu com um movimento limpo e preciso em zigue-zague pelo meio da rua.

Impacto! Vetania! Passo! Impacto! Ventania!

Minhas mãos abertas cortando o ar em direção dos pontos vitais dos soldados eram como duas adagas.

Aurgh!

P-Parem-na!

Tudo o que esse veloz movimento deixou para trás foram gritos de agonia e corpos cedendo inconscientes, alguns deles até vomitaram sangue.

Gardenia a alguns metros de distância exclamou: — Nada mal. É uma pena que tanto talento tenha sido desperdiçado em uma organização terrorista.

Ao meu lado os ventos uivaram com o balançar do punho de Zakio que estava mais para um mero borrão carmesim se curvando.

Os diversos soldados que vinham pelo beco a direita foram empurrados contra as paredes e janelas dos prédios abandonados como penas antes de serem reduzidos a pedaços de carne e esmagados e sangue respingando em todas as direções.

O Lunge-Hei havia sido proibido na guilda justamente por causa desse tipo de brutalidade, porém Zakio já havia compreendido a mensagem apenas com uma trocar de olhares comigo.

— Nós não vamos mais jogar limpo contra trapaceiros. — Pensei em voz alta chutando o chão com a força Vitalis que se concentrou em minha perna direita.

Os ventos ainda gélidos da neve derretendo sendo rasgados ao redor da minha silhueta viajando os ares como uma bala.

Os meus cabelos longos e negros se espalharam no ar brilhando sob a luz solar quando aterrissei todo o peso da minha massa gravitacional reunida na ponta de minha bota contra Gardenia, que em resposta apenas olhou para cima com um sorriso debochado.

BAM!

Uma onda se expandiu no ar com o impacto e o asfalto em baixo de Gardenia se rachou quando pisquei meus olhos e percebi que o chute foi bloqueado.

Uma luz irradiou na frente da cabeça da capitã de cabelos curtos sorrindo para mim, era um grande escudo transparente desenhado por linhas de energia Vitalis crepitantes.

Os lábios curvados e corados dela sibilaram — Squyer Lustitiae! — a entonação modulada por trás do escudo de energia. — Esse é o nome do meu Vitalis, por tal conveniência minha pessoa foi promovida ao cargo que me encarrego no momento atual, uma escudeira capitã de sua própria justiça.

“Um capitão de um exército com um Vitalis. E pra variar ainda é um Vitalis baseado apenas em defesa?!”, meus olhos se arregalando.

Irrompendo entre o impasse um vulto escarlate rasgou vorazmente entre os soldados até colidir contra o lado direito de Gardenia.

Os dedos de Zakio dobrados como garras afiadas se afundando no escudo transparente que reluziu ao lado da mulher de capa e armadura no mesmo instante da colisão, assim bloqueando outro golpe.

Nem mesmo a força bruta do meu companheiro somado a marca da maldição que lhe despertava algumas células de Vitalis Negativo foi o suficiente para quebrar o escudo de energia.

Foi então que a voz dela passou pelos escudos engolindo o ambiente em um tom trêmulo devido a energia Vitalis emanando.

Skill On: Lustitia Putrida. — Gardenia levantou seu punho e o fechou firmemente ao entoar a habilidade.

Conjunto a isso os escudos de energia Vitalis ao redor dela eclodiram em fragmentos parecidos com cacos de vidro que reluziram com um vapor brilhante pelo perímetro.

Minha face ficando pasma. — Merda!

No mesmo momento minha voz e audição foram devoradas por desenhos que irradiaram ao meu redor formando um caixão envolto em correntes.

— I-Incis! — Zakio gritou em minha direção quando a porta do caixão se selou e as correntes zuniram eclodindo em energia Vitalis.

Meu corpo foi esmagado por um peso indescritível de doloroso que arranhou meus ossos e tensionou meus músculos como uma corrente elétrica de alta tensão.

Nem mesmo minha voz conseguiu fugir de dentro da sela que meu próprio corpo se tornou nesses poucos segundos presa dentro do caixão da justiça pútrida.

“Essa mulher... esse poder... e-esse poder veio de um trauma?”, minha mente divagou entre esse solene detalhe.

Meu corpo vibrou com a dor aguda rasgando de dentro para fora quando meus batimentos se enfraqueceram.

[Você sofreu um dano crítico!]

Um poder tão avassalador como esses... era a representação de um trauma profundo carregado por essa pessoa, escudos que machucam, uma blindagem que apesar de proteger também fere.

— Incis!

Fui puxada do transe pela voz de Zakio quando meu corpo caiu das alturas.

Antes que minhas costas colidissem contra o asfalto meu corpo foi agarrado pelos braços de Zakio que aterrissou ao chão. — Merda! Como isso foi acontecer?! Eu não imaginava que ela tinha um Vitalis e um tão forte ainda por cima.

Os olhos carmesins de meu companheiro segurando-me em seus braços oscilaram de um lado pro outro.

Não, isso não importa.

Sim, isso não importava, pouco me importava se ela servia o império Zykron e usava Vitalis ou seja lá o que diabos fosse, eu... essa mulher... mesmo que talvez o que tenha feito todo esse poder nascer tenha sido um passado obscuro como o meu nós só precisávamos contra-atacar!

— Z-Zakio. — Minha voz rouca estava mais pra um grunhido.

Meu corpo ainda fraquejando com a dor pulsou com aquele sentimento.

Uma intenção assassina blindada por virtudes destorcidas capazes de fazer até as piores atrocidades parecerem belas.

Ventania! Passos! Passos! Passos!

Esse sentimento...

Estava se aproximando.

Por trás de Zakio eu pude sentir aquele conjunto de emoções explosivas que estiveram por talvez anos sendo contidas por escudos ardentes explodir em sua direção.

AQUELES QUE NÃO SE CURVAM DIANTE DE SUA PRÓPRIA SENTENÇA, SÃO OS MESMOS QUE PERECEM DE FORMA VAZIA!

O grito imponente ardendo em pura fúria traçou os ares em conjunto a sua dententora, Gardenia que com um pulo amplificado por energia Vitalis girou nas alturas tapando a luz do sol por um segundo e pairando sob nós com uma sombra gigante.

“Não, não podemos fugir. Vamos lutar, nós vamos lutar! Eu estou bem, me solte Zakio.”, eu gritava no fundo de minha alma.

Tomando quaisquer pensamentos ou sentimentos que estivessem me preenchendo no momento ela desceu dos céus tão veloz quanto uma bala enquanto um escudo tão pontudo quanto uma lança foi conjurado a abaixo de suas botas, seriamos esmagados por completo em um piscar de olhos.

Skill On Ingis Sclopis!

— SKILL ON RADIUM SPADA!

Tanto minha entonação quanto a de Zakio se sobrepondo no instante abrupto que o escudo pontiagudo e brilhante colidiu contra nós tentando nos esmagar com as correntezas massivas de energia Vitalis estalando em faíscas e sons quebradiços pelos arredores.

A única coisa que me restou foi fechar os olhos e acreditar.

Me agarrando em minhas próprias forças, no poder que eu aprimorei, assim como a guilda R.O.U.N.D.S nesse mundo todos nós estávamos vivendo por nós mesmos sem uma garantia de acordarmos no outro dia e foi por isso que os R.O.U.N.D.S foram criados.

— M-mas o que?

O tom de descontentamento nas palavras de Gardenia veio junto do som de seu escudo gigante sendo rachado ao meio antes de se despedaçar por completo.

Quando abri meus olhos novamente a única coisa que pude ver foi uma grande camada de distorções nebulosas tremendo por cima de nossas cabeças.

Zakio imóvel olhou para cima — Sabe senhorita capitã do império, existem realmente muitas possibilidades quando se trata de Vitalis e acho que você já deve saber disso certo? — ele me soltou no chão no que um abrupto rugido de destruição tomou o ambiente levantando poeira e destroços.

Os prédios, casas e vielas estremecendo no momento em que a explosão de fogo e brasas se dissipou com fumaça revelando vários pinos de granada dourados caindo aos chãos.

Zakio continuou: — Então já deveria saber o motivo do por que eu e Incis sempre sermos uma dupla tão boa.

Caída sob a pista a única coisa que consegui fazer foi acompanhar a entonação de Zakio sendo redirecionada pelos pinos caindo das alturas, uma linha brilhante envolta por flocos esverdeados.

Em um piscar de olhos um dos pinos que caía por trás de Gardenia se materializou na silhueta do meu parceiro de cabelos carmesins que não hesitou em almejar a espinha dorsal de sua oponente com um golpe certeiro de Lunge-Hei.

— Seus insolentes. — A capitã Gardenia rangeu os dentes no que a palma de Zakio perfurou o vazio parando alguns centímetros de distância das suas costas.

Impacto!

Um estrondo.

Com esse único golpe ela foi atirada para longe sendo reduzida a um borrão viajando entre os prédios do distrito residencial como um meteoro.

O som das janelas se quebrando com a força dos ventos sendo quebrados.

Me apoiando em um dos joelhos eu limpei meu lábio sujo de sangue com as costas do punho apenas para ser surpreendida pela figura que pousou diante de mim no meio da pista ainda tomada por um pouco da fumaça dos meus explosivos.

— Concluo que realmente não tenha sido uma boa ideia termos negligenciado a potência dos grilhões anuladores de energia Vitalis quando se tratavam de usuários como você e seu companheiro, Incis Katulis. — Ele disse em um tom calmo, seu único olho profundo e vazio me encarando no fundo da alma.

Me erguendo de forma dolorosa como resposta eu o lancei um olhar hostil.

— Parece que só agora está abrindo um pouco dos olhos, não é Eykrill? A situação em que acaba de se encontrar não é nem um pouco boa.

— Vocês são apenas terroristas agora, o passado fica no passado. Como eu já havia concluído, esta é uma nova era, a minha era.

O longo cabelo negro de Eykrill preso por um rabo de cavalo atrás da cabeça ondulou para cima levemente enquanto um vapor negro emanou dos seus arredores.

— Incis — Ouvi Zakio por trás de minhas costas. — mais daqueles soldados estão a caminho e aquela mulher provavelmente não foi derrotada apenas com aquele golpe também.

— Sim eu compreendo perfeitamente. — Retruquei em alto e bom tom por cima do ombro enquanto encarei Eykrill com uma face séria. — Quanto tempo ainda temos?

— Eu sei lá, porra! Só sei que podemos iniciar uma rota de fuga voltando pro estacionamento a alguns quilômetros daqui.

— Bem astucioso de sua parte eu devo dizer, entretanto ainda tenho alguns assuntos a resolver com esse bastardo.

Quando terminei de falar com Zakio os arredores de Eykril já estavam repletos de espadas, lanças, foices, armas de fogo, espinhos e quaisquer armas que pudessem ser imaginadas por qualquer um com o mínimo de inteligência para matar.

“A pressão Vitalis dele é absurda.”, respirei um pouco mais pesado que o normal com um peso nos ombros.

— Não acho que seja benéfico da sua parte fugir. — Disse ele erguendo sua mão em minha direção. — Skill On Funebris Umbra.

Os ventos sopraram sob o ambiente fazendo meus fios de cabelo dançarem para trás em conjunto ao meu traje longo de pano.

Passos! Passos! Passos!

Zakio correu em nossa direção já resmungando.

— Nós não temos tempo pra isso, Incis você desmaiou a alguns segundos atrás!

— Zakio, você é realmente um fiel companheiro devo dizer. — Meus punhos se selando firmemente. — Você é a pessoa certa pra isso e foi quem me restou para acreditar, portanto me deixei aqui e vá de encontro com Akira. Tente contatar alguém dos R.O.U.N.D.S sobre a situação e vá atrás de Jack. — Minha voz foi engolida pelas milhares de armas negras sendo lançadas em nossa direção simultaneamente.

O poder de controlar sua própria sombra como quiser, essa era a ameaça diante de mim.

Como uma chuva de flechas as armas sombrias de Eykrill caíram sob nós quase como se fosse alguma cerimônia de abertura para a sua tal nova era, todavia mesmo que esses novos tempos chegassem nós continuaríamos resistindo e buscando por novas possibilidades de provar que ainda existia um caminho bom em um mundo como esses.

Por que esse era o nosso trabalho, sonho e única virtude.

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