Volume 3

Capítulo 216: Um Casal e Dois Bebês

 

Morar longe das cidades era uma escolha muito questionável. Principalmente para os mais fraco, como aqueles abaixo da Classe Prata Preta. 

Morar longe de uma cidade era o mesmo que se entregar ao ataque de qualquer criatura abominável que chegasse perto da moradia. E existiam muitas delas. As cidades serviam como proteção, seja proteção contra as Bestas Ferozes, contra os horrores que mal recebiam nomes, ou contra as pessoas.

Mas nem todos estavam dispostos a viver como comunidade, e assim que tinham a oportunidade se afastavam da civilização para nunca mais voltarem. Seja por um motivo ou por outro. 

Xin Lian e Xin Moyan era um casal que por vontade própria escolheu viver longe das cidades. 

Moravam em uma grande árvore, perdidos no centro de uma floresta coberta por uma vegetação que causava ilusão, confusão mental, distúrbios emocionais, e crises em qualquer um que entrasse lá sem os antídotos, sem conhecimento sobre a flora, ou sem um mapa.

Para alguém abaixo da Classe Ouro, entrar alí em busca de recursos era perigoso demais. E para aqueles nessa Classe, fazê-lo era um desperdício porque não havia nada de valioso para eles.

Este ano o casal foi abençoado com o nascimento de dois garotos. Eram gêmeos. As coisas mais lindas de suas vidas.

Como a boa mãe que almejava ser, Xin Moyan preparou o alimento para seus filhos, cantarolou e brincou com eles. Estavam suspensos no ar com o Sentido Espiritual da mulher e gargalhavam com suas vozes finas. Adoráveis criaturinhas inocentes que viam a mãe e se enchiam de felicidade sem saberem.

— Meus garotinhos estão com fome? Hein? Será que querem comer?

Fez voz fofa, espremeu uma grande fruta num copo de beirada grossa, enquanto com a outra mão fazia cócegas nos garotos. Os três gargalhavam. 

— Olha aqui a comidinha, Gen... abra a boquinha...

Ao terminar, levou o suco no como até a boca do gêmeo mais velho. Deu de comer. O suco escorreu da boca mole do garoto e sujou suas roupas, enquanto ele também brincava de fazer bolhas.

— Ei! Não faça isso. É para engolir tudo.

Tirou da boca de Xin Gen e passou para o outro, que sacudia as mãos, batia palmas e gargalhava. 

— Agora é sua vez, Xien. 

Assim como o irmão, Xin Xien fez bagunça para comer, como se provocasse sua mãe para também lhe dar uma bronca.

Até que os gêmeos estivessem cheios, Xin Moyan continuou a brincar com eles. Faria isso o dia inteiro se fosse possivel, e à noite também. Ao terminar, viu Xin Lian cruzar as portas. 

Seu marido portava uma espada fina e longa como uma agulha, e em suas mãos uma Besta Feroz morta jazia pendurada. Era para comer.

— Cheguei!

— Bem-vindo, amor! Como foi a caçada?

— Perfeita. — chegou em sua mulher e lhe deu um beijo. Descansou a espada contra a parede. Jogou a caça sobre a bancada, lavou as mãos, secou, e cutucou os filhos.

— Como meus heróis se comportaram enquanto o papai esteve fora? — os gêmeos riram. A falta de dentes crescidos era óbvia, mas alguns já davam sinais de que iriam sair em poucos dias.

— Oh, vocês protegeram a mamãe? 

Xin Moyan riu. Visto por fora, parecia muito bobo conversar com bebês que nem entendiam aquelas palavras. Que vergonha! Era assim que ela ficava ao conversar com os filhotes? 

Mas apesar dos pensamentos ela não se deixou para trás e entrou na conversa.

— Mas é claro. Quem acha que seus filhos são? Eles não são os bebês mais lindos do mundo? — encarou o marido de soslaio. Não conseguia esconder o sorriso. Flutuando a frente os bebês seguravam cada um os dedo do casal.

— Mas é claro! — deu outro beijo na mulher. Esse mais longo. Mais intenso. — E você é a mulher mais linda!

— ... não faça isso na frente das crianças. — protestou após o beijo. O marido arfou.

Imaginariam que seria a última vez que seus lábios se encontrariam nesse singelo gesto de carinho? Não.

— Eles nem entendem. 

— Quer que eu prepare a carne?

— Não, eu mesmo faço isso. Pode ir brincar com eles. — deu um último beijo nas bochechas flácidas e macias dos garotos, fazendo seus pequenos olhinhos se fecharem. 

Agarraram o rosto do pai pela última vez.

Ao se afastar, Xin Lian foi até a Besta Feroz. Cheia de escamas, 6 patas, uma cara de cobra e grandes olhos brancos, a criatura só possuía um pouco de calor. Buracos no corpo entregavam que foi morta pela espada longa e fina.

Xin Lian, com uma faca pesada abriu a criatura. Começou a preparar a última refeição que nunca iria terminar.

— Se despeçam do papai. Digam: Até mais, papai.

Xin Moyan balançou os bracinhos curtos e gordos dos garotos.

— A-ha!

— He-Aheee! 

Xin Lian sorriu para os balbucios.

Xin Moyan se afastou do marido sorridente. Ao chegar na sala colocou os filhos no chão, se ajoelhou e começou a brincar.

Viver na floresta não era ruim. De jeito nenhum. Havia paz o tempo inteiro, sua força proporcionava isso. Havia alimento para os filhos. Havia o sossego que as cidades cheias de pessoas não proporcionavam, e o melhor:

Na floresta havia apenas eles. 

Com as gargalhadas dos garotos, Xin Moyan planejava como treiná-los para, assim como ela, seguirem o Dao do Veneno. Viver nessa floresta era bom, mas eles tinham que aprender a se proteger também. Eles iriam precisar reconhecer plantas tóxicas, venenosas, os insetos que habitavam certas áreas e os gases que por muitos habitantes da floresta eram usado. Algumas receitas de como preparar venenos certamente seria aprendidas por eles: técnicas de envenenamento também. 

Uma pena. Seu desejo nunca iria se realizar, porque enquanto brincava, repentinamente uma pressão monstruosa caiu sobre aquela área da floresta, e veio junto com um grito estridente!

— SEU FILHO DA PUTA! EU IREI MATAR QIN XA! IREI PARTÍ-LA EM 1 MILHÃO DE PEDAÇOS E MOSTRAR QUE NÃO SE DEVE SER UMA VADIA TÃO INSOLENTE! MAS ANTES DISSO EU VOU ARRANCAR SUA VIDA! 

TOOOOOOOMMMMMM!

Xin Moyan agarrou os garotos, seu coração quase a escapar pela boca quando metade da sua casa explodiu pelos ares!

Seus olhos se arregalaram ao ver que seu marido desapareceu junto com a madeira da arvore. Os bebês choraram. Gritaram e se agarraram as roupas dela e ela contra eles.

— LIAN! — gritou, girou a cabeça. Levantou num pulo, ainda sem reação. Viu com horror a cratera que surgiu com a destruição. Dentro, um homem pássaro, coberto de sangue e ferimentos tentava se levantar com a força do vento! 

E seu marido... A cintura repousava de um lado, com suas entranhas espalhadas. O dorso se esparramou metros adiante. Tripas, sangue e o resto pintou o chão de vermelho. Não viu a cabeça. 

Sentiu sua sanidade ruir com a visão de pesadelos. 

— LIAN! NÃO! NÃO! — quis correr até o marido, mas agarrou os filhos com força e se impulsionou para longe do tormento. Pelo menos tentou, até sentir o frio mortal que congelou seu Qi, e mais uma vez um grito.

— VOCÊ NÃO IRÁ ENCOSTAR UMA PENA EM QIN XA, SUA COISA IMUNDA! ELA É MINHA MULHER! 

Uma estaca de gelo azul caiu sobre o mundo como se fosse congelar ele inteiro e tampou o sol! O frio se alastrou junto com o gelo que surgiu numa maré imparável.

Xin Moyan implorou aos céus que pudesse proteger seus filhos da algidez horrenda. Os bebês não paravam de chorar. Mas só teve tempo de terminar seu pensamento quando um espinho de gelo rasgou seu corpo inteiro, fazendo dela uma marionete sangrenta.

Largou os filhos num baque surdo que os levou para junto das raízes da árvore que lhe serviu como casa por longos e felizes anos. Berraram de dor e agonia com as lascas de madeira rasgaram a frágil pele.

Xin Moyan teve seu sangue congelado. O gelo que lhe empalava destruiu sua vida inteira, e nos últimos momentos viu seus filhos chorarem. Teve vontade de chorar também e não se impediu de fazer isso. Ainda mais quando os bebês não suportavam o gelo que insistia em querer cobri-los como um manto de morte.

— Naaa... — não conseguia falar. Sabia que iria morrer ali e agora. Num último fôlego apontou o dedo para os pequenos, rasgou sua própria alma para criar uma chama que foi para aquecer os garotos com a mesma intensidade que seu desespero.

A chama era branca, feroz. Cobriu os bebês e mandou embora o frio e o gelo. Mas ainda não era o suficiente, então destruiu a terra abaixo deles e cavou um buraco. Os aqueceu.

Xin Moyan perdeu as forças. Sua visão escureceu para sempre, atormentada por saber que seus filhos iriam morrer com dor. E arrependeu-se. 

Isso teria acontecido se morassem em uma cidade? Lá havia proteção...

Por fim Xi Moyan pendeu, mole e empalada pela estaca de gelo que logo lhe cobriu de frio transformou-a em uma estátua rígida. E aqueles que causaram a sua desgraça já estavam longe dalí, destruindo tudo em seu caminho com sua batalha cuja origem os mortos não sabiam. 

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