Volume 3

Capítulo 208: Torre dos Sábios Sem Dentes. #2

 

Ouvindo a pergunta de Qin Xa enquanto observava os belos exemplares de joias em uma loja, Xie Yun disse: 

— Para a Torre dos Sábios Sem Dentes. Eu realmente não entendo o porquê tem esse nome. O lugar é uma grande biblioteca e também tem um salão de adivinhação. Dizem os rumores que um dos 7 Sábios da Corte Imperial é o mestre desse lugar.

Qin Xa jogou uma semente em sua boca e pensou nisso.

— Será que os adivinhos são banguelas? — as três garotas riram. Até tremiam com as risadas, mas tinham que concordar.

— Faz sentido, senão por que teria o nome de "Sábios Sem Dentes"? — Mi Daoye disse.

Todos concordaram tacitamente que esse deveria ser o motivo do nome.

Se o lugar se Chamava Torre dos Sábios Sem Dentes, definitivamente deveria ter sábios banguelas! De repente as 4 estavam animadas de novo.

...

— Eu sinto que fui traída novamente. — Qin Xa disse, enquanto observava um velho vestindo um manto preto, que cobria uma parte do rosto mas deixava a outra exposta. E pela aquela parte Qin Xa viu o impensável...

— Por que você não é banguela?

O ancião estava sorrindo, mas seu sorriso congelou ao ouvir isso.

— Eu não sou um sábio. — parecia que não era a primeira vez que ele ouvia essa pergunta. Nem deveria ser a última.

— Então é isso. — Qin Xa suspirou. O sábio suspirou internamente também.

Talvez essa júnior realmente tivesse a esperança de encontrar alguém sem dentes nesse lugar? Não pode ser... ninguém era tão estúpido assim...

Certamente essa deveria ser apenas uma brincadeira dela.

— Mas se você não é um sábio, o que está fazendo aqui? Não me diga que é um impostor? Eu sabia! Não tem como ser normal as pessoas desse lugar terem dentes! Você é um charlatão!

A garota mordeu os dentes, olhando nos olhos dele antes de desviar o rosto. Estava decepcionada demais para olhar na sua cara.

O ancião sentiu sua mente girar. O que há de errado com essa garota? Por que ela insiste que eu não deveria ter dentes?

— Eu não sou um impostor, sou um adivinho do Salão de Adivinhação. Meu dever aqui é fazer adivinhações, o que você quer saber?

— Você não é um adivinho? — indagou, abaixando uma sobrancelha e levantando a outra.

— Sou. E sou muito bom no que faço.

— E por que você está me perguntando o que eu quero?

— ...

— ...

— Não é assim que funciona.

— E como é que funciona?

— Você me pede algo e eu uso o Dao da Adivinhação para ter vislumbres do universo. Assim eu ganho as respostas para sua pergunta.

— E você pode responder suas próprias perguntas?

— Posso. Por que não poderia? — E por que você não perguntou a si mesmo o que eu iria te perguntar quando chegasse aqui?

Os dois se encararam sem piscar. Não houve respostas por alguns segundos.

— Não é assim que funciona.

— E como é que funciona?

— Você vai perguntar ou não?

— Se você fosse um adivinho iria saber se eu vou ou não.

— Apenas faça sua pergunta e pare de questionar o que eu faço. — rapidamente o velho se cansou dessa conversa. Por que essa garota era tão cética e ainda veio até ele? O que mais ela fazia? Pulava em rios caudalosos quando não sabia nadar?

'Um homem que viveu 500 anos tinha que ter paciência. Pelo menos o suficiente para não tirar a própria vida'.

Esse era um ditado desse mundo, Qin Xa viu na sua frente o motivo disso. Que velho irritante e mentiroso. Destruidor de esperanças!

Charlatão!

— Eu quero saber quando eu vou morrer.— se ela soubesse quando iria morrer poderia apenas se esconder nesse dia, não é? O título de alguém que superou o destino parecia bastante atraente para Qin Xa.

— Existe uma lei celestial que impede os adivinhos de falarem quando alguém vai morrer, isso vai contra os céus e é errado, afinal todas as mortes tem um motivo.

Qin Xa ficou sem expressão, mas ela deixou essa passar. Sua paciência até que estava generosa hoje.

— Então eu quero saber o quanto eu vou ficar forte.

— Também tem uma lei que impede alguém de saber disso. Afinal a força de alguém determina o quanto ela vai viver, saber disso não é a mesma coisa que saber quando vai morrer?

Mais uma vez ela ficou confusa. — Então me diga quando eu irei conhecer minha alma gêmea.

Agora era o ancião que estava se sentindo injustiçado.

— Eu não posso fazer isso. Pela lei dos céus as almas gêmeas não podem ser determinadas antes que sejam criadas.

Por que essa garota só fazia as perguntas erradas?

— Me diga, você pode fazer alguma coisa a não ser negar o que eu peço? Eu paguei por isso. Se a próxima coisa que eu perguntar você disser que não tem resposta ou que uma lei dos céus não me deixa saber, eu quero meu dinheiro de volta e não digo que você é um impostor se passando por um sábio banguela...

A expressão do velho estava ficando amarga. — Eu já disse que não sou um sábio e nem um impostor. Mas vamos lá, desde que sua pergunta não seja ridícula ou que contemple os aspectos mais profundos do seu destino, eu posso responder.

— Eu vou voltar a cultivar em alguns dias. Me diga qual será o caminho mais apropriado para eu seguir.

Era uma pergunta simples. Não podia julgar quando ela iria morrer, não tinha relação com o quanto ela ficaria forte e nem tinha relação alguma com a alma gêmea de Qin Xa. Isso deveria ser algo muito simples de responder para um sábio.

Até porque uma das coisas mais comuns para os artistas marciais era trocar de Dao até acharem aquele que estava dentro deles mesmos. Não era de forma alguma uma pergunta de extrema importância, mas também não era completamente inútil.

— Tudo bem, isso não vai contra os céus nem suas leis. — o ancião estendeu suas mãos magras e enrugadas sobre a mesa que estava separando os dois.

Ele jogou alguns cristais coloridos sobre a mesa e eles começaram a brilhar intensamente.

Qin Xa ficou expectante com isso. Oh, finalmente uma apresentação decente de um poder! O que viria depois desse brilho?

Uma aparição? Um fantasma? Um deus que queria arrancar as almas de todos dentro dessa cidade?

Quem sabe as palavras abomináveis de um ser incompreensível? Palavras que ditariam seu caminho dalí em diante...

A revelação da vontade do céu sobre sua existência no mundo!

Sua imaginação estava fértil hoje.

Na verdade ela não tinha nada para perguntar, até porque "Qin Xa" e "destino" tinham uma certa desarmonia, mas já que estava aqui não fazia mal algum saber de algumas coisas. Ou pelo menos tentar. O brilho diminuiu e o ancião fechou os olhos em contemplação. Deveria estar vendo as enigmáticas lições do destino, pensou Qin Xa.

Foi então que ele abriu os olhos, atordoado, e jogou as pedras novamente.

Qin Xa ficou com um olhar estranho, muito confuso, enquanto via isso. O destino dela era tão complexo que precisava de duas jogadas para saber? Ela ficou ainda mais expectante.

Novamente o ancião abriu os olhos, ainda mais atordoado do que antes e jogou os cristais pela terceira vez.

Novamente brilhou e depois ele fechou os olhos. Abrindo eles com uma expressão fechada, ele falou, sua voz sombria: — Eu não vi nada...

Qin Xa piscou, ficou 5 segundos em silêncio, e recolheu seu corpo para trás. Depois balançou a cabeça, compreendendo o que acabou de ouvir. Ela inconscientemente se aproximou, afinal teve todo um suspense de saber seu destino.

— Nada?

— Nada.

— Nada mesmo?

— Nada.

Qin Xa acenou com a cabeça mais uma vez e lentamente levantou da cadeira.

— Devolva meu dinheiro.

O ancião nunca se sentiu tão amargo em sua vida como nesse dia. Por que ele não conseguiu ver nada olhando o destino dessa garota?

Todo mundo tinha um destino, mesmo o mais miserável dos miseráveis ou o mais resplandecente dos gênios.

Mas onde estava o destino dessa garota?

Ele realmente se sentiu muito injustiçado hoje... Com grande relutância entregou 9 pedras de cor amarela para Qin Xa, querendo que ela parasse de olhar para ele como se ele fosse um incompetente.

Ela pegou isso e guardou em sua manga. Sem olhar mais para o velho, virou as costas e tentou sair da salinha particular de cada adivinho. Mas quando estava prestes a abrir a porta o velho falou.

— Espere. Eu vou tentar mais uma vez. — o silêncio da saída de Qin Xa realmente deu uma pancada no orgulho dele como adivinho.

— Não precisa. Eu já tive o suficiente por hoje. — Qin Xa disse sem expressão.

Ela realmente estava expectante quando viu aquelas pedras brilhando.

Ela foi traída no lago que não tinha ramos fora da primavera, ela foi traída na torre que não tinha sábios sem dentes.

Além disso, no final um impostor quebrou todas as suas expectativas por esse lugar.

Chega de criar expectativas por hoje.

— Não. Dessa vez será totalmente por minha conta! — ele bateu com os dedos na mesa, determinado a fazer isso até contra a vontade dela. — Eu não posso mais me considerar um adivinho se não puder adivinhar nem mesmo algo tão simples!

Com suavidade retirou uma grande bola multicolorida de debaixo da mesa e a colocou por cima. — Ainda quer saber qual é o caminho mais apropriado para você seguir?

— Não importa mais. Já que é por sua conta apenas veja qualquer coisa aleatória. — Qin Xa desistiu de pensar em algo.

O ancião sentiu uma pontada por dentro. Aquele olhar sem nenhuma expectativa e sem nenhuma crença era algo extremamente desconfortável.

"Eu definitivamente vou ver seu destino, pequeno demônio bonito!" 

Seu orgulho realmente foi ferido por esse evento.

Sabia que podia existir algumas pessoas cujo destino era tão caótico que compreender o mínimo do seu futuro não era possível.

Também havia aqueles que recebiam tanta influência das pessoas ao redor que seus destinos ficavam emaranhados com milhares de pessoas diferentes.

Mas ele nunca viu ninguém que nem sequer pudesse ser vislumbrado!

Ele alisou a bola de cristal e ela começou a brilhar. Estava focando totalmente no que estava fazendo, e iria fazer isso com todo o seu poder! Alguns segundos depois ela aumentou a intensidade do brilho. E brilhou ainda mais, e mais e mais. A bola brilhou tanto que Qin Xa colocou a mão em frente do rosto para não ferir seus olhos.

O ancião parecia estar em transe enquanto seus olhos estavam fechados. Foi então que o brilho ficou mais intenso e; 

Prahh!

A bola quebrou em um milhão de pedaços e virou farinha em cima da mesa. O ancião abriu os olhos, completamente atordoado.

— E aí? — Qin Xa perguntou. Já que brilhou tanto ele deve ter visto alguma coisa. Pelo menos era o que ela queriam acreditar.

— .... Nada .....

— Entendo. — Qin Xa nem disse nada e apenas virou as costas para abrir a porta.

O ancião encarou sua bola e protestou: — Mas minha bola quebrou, eu preciso de d- 

— Por acaso você viu alguma coisa? — ela cortou. O tom de Qin Xa não tinha nenhuma emoção evidente.

— Não, eu não pude ver nada...

— Então não me peça nada para te compensar por sua perda. Eu nem sequer desfrutei do serviço, por que deveria pagar alguma coisa?

Além disso, você disse que isso era por sua conta, não venha me cobrar nada. Isso se chama roubo!

Ela fechou a porta atrás de si e saiu de dentro da sala do adivinho. Que charlatão.

...

O velho encarou a porta por alguns segundos, sua expressão impassível. Que dia foi esse? O que ele fez de errado em sua vida anterior para receber tanta frieza de uma júnior que ele nem sequer sabia o nome?

O pior de tudo era que ela realmente não estava errada. Se ela não se aproveitou do seu trabalho, não fazia sentido cobrá-la por essa perda. E ele não era imbecil o suficiente para distorcer a lógica e querer alguma compensação dela.

Mais tarde o ancião levou esse assunto para o Mestre da Torre, explicando com detalhes o quanto estava indignado com esse caso estranho.

O Mestre da Torre parecia extremamente chocado com isso — com a falta de destino de Qin Xa, não com a bola — ele mesmo tentou ver alguma coisa, querendo saber se seu subordinado não estava mentindo, mas nada aconteceu.

E esse assunto não acabou nessa torre. Em um futuro próximo, esse pequeno episódio mudaria a vida de muitas pessoas.

E levaria ao estranho caso em que Qin Xa arrancaria os dentes de um Sábio Imperial.

...

Depois de sair da sala, a mente de Qin Xa já estava bastante abalada, parecia que nesse passeio a única coisa boa eram suas irmãs.

Mas para arruinar ainda mais seu dia, do pior jeito, a voz extremamente irritante de alguém que ela torcia para não encontrar soou ao longo do salão.

— Irmãzinha Qin, há quanto tempo não conversamos!

Duang Zen entrou no seu campo de visão sorrindo, e atrás dele estavam mais 4 homens de diferentes raças. Pareciam um bando de retardados aos seus olhos.

Talvez fosse pela raiva que ela sentia.

Qin Xa pensou: "Um homem que viveu 500 anos tinha que ter paciência. Pelo menos o suficiente para não tirar a própria vida.

Uma mulher que quer viver um ano tem que ter paciência. Pelo menos mais do que o suficiente para não matar um desgraçado com uma pedrada!" 

Ela estava seriamente se perguntando para onde foi sua sorte que lhe deixou em paz por 7 anos.

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