Volume 3
Capítulo 198: E o Tempo Passa; Uma Excursão. #1
Xinlin voltou para sua moradia após 4 dias fora do pavilhão. Como o belo pássaro que era — galante e muito conquistador — fez questão de fazer proveito de todo o tempo que passou fora.
Assim que avistou Xue Ran varrendo o pátio traseiro, foi diretamente pousar na cabeça dela, bicando e arranhando.
— Au! É assim que você me cumprimenta depois de ficar fora tanto tempo? — falou, movendo a vassoura contra o chão, tentando se livrar das folhas secas.
Shap! Shap! Shap!
— Sim. Eu sou um pássaro. Por acaso quer que eu venha com um aperto de mão?
— Sim. — Xue Ran continuou a varrer, seu corpo miúdo quase que perdido naquele grande pátio. Os paralelepípedos pretos e brancos formavam um grande caractere de "FLOR" no chão.
— Por onde você esteve?
— Fazendo filhotes!
— Seu... — Xue Ran quase meteu a vassoura no pássaro que soltou uma gargalhada, bateu asas e pousou sobre uma das mesas no canto.
— O que mais um pássaro poderia fazer? — o rosto de Xue Ran estava vermelho.
— Buscando comida ou qualquer coisa! Eu não preciso escutar sobre suas aventuras e atos promíscuos! — voltou a varrer o pátio, agora ficando incomodada com o próprio silêncio.
Xinlin novamente pousou na sua cabeça e bicou.
— Quero comida.
— ...
— Quero comida.
— ...
Shap! Shap! Shap!
— Quero comida!
— ...
— Ei, mortal! Este grande demônio quer comida! Me alimente se quiser viver mais um dia nessa terra imunda e deplorável! — gritou, seu grito, na cabeça dele, soando como o estouro de um trovão, capaz de revirar as leis da natureza.
— ... — Xue Ran prontamente o ignorou.
Shap! Shap! Shap! Shap!
Xinlin, porém, insistentemente continuou bicando e beliscando seu couro cabeludo até que —adentrando o pátio com sua animação e excitação habitual, Fan Cejin correu até Xue Ran, segurando uma pipa dragão. Sorria como se ver sua irmã mais velha fosse a salvação da sua alma.
— Irmã Ran! Vamos brincar! Vamos!
— Não, eu estou ocupada. — não fez cara feia, mas respondeu com seu tom natural de serenidade. Fan Cejin olhou o pássaro e levantou a pipa.
— Xinlin, vamos brincar! — Este grande demônio quer comida. Você tem comida para mim?
— Você não é um pássaro? Basta entrar ali no meio das árvores e começar a comer qualquer coisa que encontrar. A cozinha também está cheia. Você vai brincar ou não?
Shap! Shap! Shap! Shap!
Xue Ran permaneceu a varrer, mas começou a jogar as folhas nos pés de Fan Cejin que pulou para longe.
E Xinlin respondeu irritado.
— Eu sou um pássaro. Eu não brinco. — as folhas novamente começaram a se aproximar dos pés de Fan Cejin, que deu mais um passo para longe.
Parecia que Xue Ran queria ficar sozinha...
— Você só é um pássaro quando é conveniente para você, não é?
— Não. Eu sou um pássaro sempre. Ran, eu quero comida! Me dá comida! Me dá comida! Me dá comida!
Xue Ran parou, pegou o animal que não resistiu e o encarou. — A única coisa que eu tenho aqui é uma vassoura. Quer comer ela? Vá brincar com Cejin e me deixe termina isso aqui.
Pondo o pássaro nas mãos da garota cujas mechas do cabelo eram mais coloridas que o arco-íris, Xue Ran viu o pássaro se debater e piar de forma desesperada.
Fan Cejin deixou o pátio com um largo sorriso, sua pipa já quase alçando vôo pelo vento do monte.
Assentindo satisfeita com o silêncio — Xue Ran começou a cantarolar enquanto voltava ao trabalho. Como era bom estar conseguindo ouvir mais os próprios pensamentos do que os barulhos externos do mundo.
PRA!
De repente um estouro quase a fez colocar o coração para fora e quando se virou — apavorada, viu Qin Xa entrar no pátio segurando um papel dobrado, que quando fazia um movimento rápido, ele estourava no ar.
PRA!
Também segurava um copo — e diga-se de passagem bem grande — de suco. Um suco vermelho como sangue, e que tinha um nível de doçura que a maioria das pessoas do pavilhão achava repugnante.
Ela foi até uma das mesas e sentou-se. Um pouco pensativa com algo, talvez apenas uma preocupação passageira visto que suas ações...
PRA!
Eram irritantes.
Encarou Xue Ran e balançou a cabeça.
— Meus pés estão doendo irmã mais velha. Eu acho que vou morrer...
PRA!
Xue Ran encarou o papel — tentando compreender como que chegaram a conclusão de que sacudir um papel dobrado causaria esses estouros... Mas respondeu a Qin Xa com a mesma serenidade de quem deveria estar aproveitando a experiência de varrer o pátio.
— Dança não é fácil. Mesmo que você seja talentosa em outras coisas, você simplesmente não pode ser resistente como os artistas marciais. Por que não vai até uma casa de banho?
Shap! Shap! Shap! Shap!
— Acabei de voltar de lá. — Qin Xa tomou um gole daquele suco rubro, deixando de propósito um bigode vermelho. — E meus pés ainda doem.
PRA!
— Você pode parar com esse barulho? Eu estou tentando me concentrar aqui... — não estava irritada, e percebendo isso, um sorriso ambíguo surgiu em Qin Xa, enquanto ela cruzava as pernas.
— Irmã mais velha... me faz uma massagem nos meus pezinhos bonitinhos e eu paro com o barulho. — fez questão de tirar suas sapatilhas vermelhas, mostrando seu pé um pouco avermelhado.
PRA! Desde que deixou o cultivo de lado ela parou de usar botas e estava usando coisas muito mais confortáveis. Tanto que agora usava uma saia longa e uma blusa que deixava o umbigo amostra.
Muito diferente de suas vestimentas cobertas de quando era artista marcial.
Xue Ran a encarou, seus grandes olhos negros brilhando com um toque de algo estranho para Qin Xa, ela se aproximou sem hesitar. Qin Xa sorriu, talvez achando que ganhou uma massagem de graça, quando piscou e de repente recebeu uma cabada de vassoura na testa!
Tek!
— AAI! — pôs as mãos lá, quase sentindo dor o suficiente para gritar, e Xue Ran falou: — Você nasceu 70 anos atrasada para vir brincar com essa irmã mais velha! Vá procurar alguma coisa de útil para fazer ou fique em silêncio.
Qin Xa assentiu, esfregando a testa, seu olhar cauteloso.
Mas Xue Ran percebeu que Qin Xa a encarava como se pensasse que mesmo sentada, ela ainda era mais alta que Xue Ran – cuja estatura não tinha a imponência de uma pessoa alta.
"Será que eu não bati forte o suficiente?"
— A irmã mais velha é muito fofa. Vai conquistar meu coraçãozinho se agir desse jeito.
Xue Ran levantou a vassoura mais alto e Qin Xa recuou, erguendo as mãos.
— Parei. Não está aqui quem te incomoda, pode fazer seus afazeres sossegada.
Ao retornar ao cuidado com o pátio, assistiu a garota de cabelos verdes mexer nos cabelos. Primeiro pegou um elástico que estava no pulso e amarrou os cabelos num coque alto.
Xue Ran achou isso estranho, nunca a viu amarrar aquilo.
Tomou do suco. Insatisfeita, desamarrou e fez o mesmo coque ao lado da cabeça. Ainda estava insatisfeita, agora balançando seu pé descalço — bebeu mais uma vez do suco — e começou a entrançá-lo. Aquele cabelo talvez nunca tenha sido tão explorado.
Xue Ran, por outro lado, silenciosamente juntou as folhas num pequeno monte. Assentiu com satisfação, procurou um saco com os olhos e ouviu Qin Xa falar:
— Irmã mais velha, eu não gosto quando meus cabelos estão amarrados...
Xue Ran a encarou e deu de ombros, sem entender o ponto dela.
— Então é só deixá-lo solto.
Qin Xa assentiu, passando a desfazer as tranças. Quando terminou, Xue Ran estava apanhando as folhas, colocando num saco, e observando ela pelo canto do olho.
— Irmã mais velha...
— Qin Xa, me chame pelo nome.
— Não quero.
— É o quê?
— Eu não quero. Você e a irmã Song são tão baixas e fofas que se eu começar a chamar vocês pelo nome, eu vou me sentir como se estivesse falando com irmãs mais novas. Por que vocês são tão baixinhas?
O rosto de Xue Ran começou a ficar sério. — Você por acaso não sabe respeitar a hierarquia que há entre nossas idades?
— Você parece ter 20 anos mas tem a altura de uma criança. Eu não consigo imaginar que vocês tenham 100 anos.
— Mas você sabe que somos mais velhas.
— E daí? Você não parece uma irmã mais velha e pronto. Ye Ti se encaixa muito melhor nesse papel, vê como ela é alta, quieta e é sempre séria? Ela é muito mais irmã mais velha que a irmã mais velha. Por sinal, qual a idade dela?
— 32. Você está dizendo que só por eu ser baixa eu não pareço uma irmã mais velha?
— Talvez o fato de se comportar como uma criança não ajude muito. Sabe, pessoas mais velhas têm responsabilidades... e as irmãs só passam o dia brincando e pulando por aí. A irmã mais velha Song agora está disputando uma partida de O Rei no Topo, com Yan Yan.
Esse jogo era um Jogo de Interpretação de Papéis, onde dois jogadores agiam 1 como um rei corrupto, e 1 como um cavaleiro, ou outra coisa. E seu objetivo era derrotar o rei. Cada um dos jogadores montavam duas estratégias de antemão com base nas informações que um terceiro jogador criou — apenas para aquela partida — e o objetivo era ver o vencedor.
Era um dos muitos jogos de estratégia do pavilhão.
Mas as palavras de Qin Xa de algum jeito atingiram Xue Ran com força, fazendo ela ficar imóvel por alguns momentos antes de assentir.
— Faz sentido. Por isso Song te chama de sem vergonha.
— Oi? — Qin Xa não entendeu a ligação entre as duas coisas.
O que houve com sua irmã mais velha para de repente atacá-la como "sem vergonha"? Ela nem fez nada... ainda...
Ela deveria estar pensando isso, pensou Xue Ran, terminando com as folhas.
— Qin Xa, quantos dos nossos livros você leu?
— Vocês tem livros? Deixa eu ver!
— ... eles estão na biblioteca...
— ... temos uma biblioteca?
— ... claro que temos, você por acaso não explorou o pavilhão?
— ... eu estava muito ocupada dançando 10 horas por dia, cantando até anoitecer e de noite tentando usar aquela técnica de respiração que a Mestra me passou... Sabia que tem 1 mês que minha espinha está doendo de eu respirar daquele jeito estranho?
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