Volume 4

Interlúdio: O Motivo de Não Sermos um Casal

— AH... VOU AO banheiro rapidinho...

Domingo, dentro de uma sala de karaokê. Quando Nukumizu saiu às pressas, praticamente fugindo da sala, apenas Yakishio e Tiara permaneceram ali.

O silêncio tomou conta do ambiente. Yakishio deu um gole em seu chá oolong e então mudou de lugar, sentando-se ao lado de Tiara.

— Ei, Ba-chan?

— Ba...? Hã? Está falando de mim?

Yakishio assentiu naturalmente e apontou o microfone para ela.

— Então, uma pergunta. Ba-chan, você está saindo com o Nukkun?

— O quê!? P-Por que você pensaria isso!?

Fweee! A voz aguda de Tiara provocou uma microfonia estridente que quase perfurou os tímpanos. Yakishio sequer se abalou. Pelo contrário, aproximou-se ainda mais e empurrou o microfone para perto dela.

— Pela forma como vocês estavam sentados antes. Não dá para confundir. Sessões normais de estudo não ficam tão... íntimas assim.

— I-Isso foi porque...!

Tiara arrancou o microfone de suas mãos.

— Só havia um caderno de exercícios! Tem algum problema nisso!? É estranho eu estudar com um garoto, por acaso!?

Ela despejou tudo de uma vez só e, ofegante, devolveu o microfone para Yakishio.

— Ah... é, você tem razão. Não há nada de estranho nisso.

Recuando diante da intensidade da reação de Tiara, Yakishio assentiu e desligou o microfone com um clique. Tiara esvaziou o restante do chá já frio e retomou a conversa em um tom mais calmo.

— Nukumizu-san e eu apenas temos uma certa ligação. Estávamos estudando, só isso. Mais importante, Yakishio-san, qual é exatamente a sua relação com ele?

— Hã? Eu faço parte do Clube de Literatura com ele. E hoje eu fui convidada...

No meio da frase, Yakishio franziu a testa e olhou para o teto.

— Espera... eu realmente fui convidada?

— Com licença? Está dizendo que não foi convidada e mesmo assim veio?

Yakishio cruzou os braços e inclinou a cabeça.

— Hmm... nem eu entendo muito bem. Mas, pensando agora, ninguém me chamou diretamente. De alguma forma, simplesmente acabei vindo ao karaokê.

— Entendo.

Tiara assentiu com firmeza, como se tivesse acabado de desvendar um grande mistério.

— Essa é uma das técnicas clássicas usadas por golpistas matrimoniais.

— Hã? Golpistas matrimoniais?

— Sim. É um método que atrai as pessoas usando linguagem vaga e ambígua, enquanto evita qualquer responsabilidade. Por exemplo, em vez de dizer "Vamos nos casar", a pessoa diz: "Não posso me casar com você porque estou endividado". Agora, o que você faria se alguém com quem quisesse se casar lhe dissesse isso?

— Dívidas são sérias! Eu diria: "Vamos trabalhar juntos para pagar isso!" e...

Batendo as mãos uma na outra ao compreender algo, Yakishio exclamou:

— Ah, entendi! Então a pessoa faz você acreditar que, se quitar a dívida, poderá se casar com ela.

— Finalmente entendeu. Ao deixar a vítima presumir que pagar a dívida tornará o casamento possível, o golpista faz com que ela aja por vontade própria. Isso significa que Nukumizu-san, mesmo sendo apenas um estudante do ensino médio, já está utilizando técnicas de golpista matrimonial.

— Espera, eu estou sendo enganada? Mas quem me mandou mensagem foi a Yana-chan.

— Seja quem for essa pessoa, envolver terceiros ou cúmplices falsos também é uma tática clássica.

Tiara lançou um olhar afiado para a porta pela qual Nukumizu havia saído. Yakishio observou aquela expressão intensa com curiosidade.

— Mas o Nukkun não parece esse tipo de pessoa. Ele é mais... completamente sem noção. Ou simplesmente sincero demais. Não parece alguém que fique fazendo joguinhos mentais.

— Bem, isso é verdade. Ele não é o tipo de pessoa tão calculista assim. Falta-lhe a aptidão necessária para ser um golpista matrimonial de sucesso. Mesmo hoje, na maior parte do tempo, ele só foi absurdamente sem consideração...

Tiara murmurou para si mesma enquanto servia mais chá de sua garrafa térmica.

— Aconteceu alguma coisa, Ba-chan?

— Não é que tenha acontecido algo específico. Mas, independentemente de com quem seja, sair para algum lugar exige esforço de uma garota, não é?

— Ehh... é, acho que sim.

Yakishio mentiu com naturalidade.

— Não é que eu queira que ele perceba ou algo assim, mas Nukumizu-san realmente não faz ideia do quanto as garotas se esforçam, faz?

— Ahh, totalmente. O Nukkun é exatamente assim. Quem acabar gostando dele vai sofrer bastante.

— Sem dúvida. Um exemplo clássico de inimigo das mulheres.

— Sério, imperdoável, Nukkun~.

As duas trocaram olhares e começaram a rir alegremente. Nesse instante, a porta se abriu com um rangido, e Nukumizu colocou a cabeça para dentro cautelosamente.

— Hã? O quê? Por que vocês duas estão olhando para mim desse jeito?

— Isso. Exatamente isso.

— Sim, precisamente isso.

Enquanto as duas caíam na gargalhada mais uma vez, Nukumizu soltou um longo suspiro resignado.

 

 


📖✨ Este capítulo foi traduzido por Slag e revisado por Shisui

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