Volume 1
Capítulo 4: Quando você encara uma protagonista perdedora, a protagonista perdedora o encara de volta.
Coloquei silenciosamente a mão no rosto dentro da agitada sala de aula, ouvindo as conversas ao redor.
Alguns falavam sobre o programa de TV de ontem. Outros sobre beisebol. Alguns sobre seus amigos ou lição de casa. Além disso, havia aqueles que pareciam reclamar sobre, mas na verdade só queriam exibir seu relacionamento.
Nada de incomum. Não havia necessidade de prestar atenção. As pessoas da minha classe apenas viviam a vida escolar normalmente. Faziam isso normalmente. Aceitavam aquilo normalmente. Terminavam isso normalmente.
— Opa!
Lemon Yakishio me despertou dos pensamentos com sua saudação animada ao entrar. Algumas pessoas responderam.
— Bom dia! Nukkun, eu me diverti na viagem.
— Ah… bom dia.
— Ah, certo. Aqui, isso é de ontem.
Ela tirou um pedaço de papel da bolsa e me entregou.
Ela terminou o novo diário ilustrado tão rápido assim? Dá para ver uma garota correndo ao lado de um trem na ilustração.
— Que cena é essa?
— Eu dormi demais no trem voltando para casa ontem. Essa sou eu correndo de volta para a estação.
Por que você escolheu essa cena?
— Bom, vou postar hoje à noite.
— Valeu...
Yakishio acenou e voltou para o seu lugar. Cumprimentou e deu high-five em seus amigos. De onde vem tanta energia? Ela já está toda animada logo de manhã.
Enquanto isso, eu já estou exausto com o barulho ao redor. Eu me espreguicei e, no meio do movimento, acabei avistando a Yanami.
Ultimamente, Yanami não tem ficado com o Sosuke Hakamada e a Karen Himemiya.
Em vez disso, ela está andando com outros grupinhos. Seu sorriso adorável já está presente logo cedo, enquanto conversa alegremente com as amigas.
Ela percebeu que eu estava encarando. Quando desviei o olhar, ela sorriu.
Nós ainda não interagimos dentro da sala. Não que eu esteja evitando qualquer tipo de contato. Só que, no fim das contas, nosso relacionamento não é exatamente um segredo.
Ouço risadas vindas da outra turma. Aposto que a professora Amanatsu entrou na sala errada de novo. Isso acontece umas duas vezes por mês.
Todos na classe já estão acostumados com isso. A reunião matinal começou assim que todos voltaram para seus lugares em pequenos grupos.
O dia começou como sempre, mesmo que esse momento pertença apenas ao hoje.
◇
Yanami saiu da sala durante o intervalo do almoço. Eu segui para o lugar de sempre com um pequeno atraso. Nós nunca combinamos sobre isso. Na verdade, isso apenas se tornou um hábito com o tempo.
Enquanto caminhava pela escola, comprei uma caixinha de leite na máquina de venda automática. Depois, saí do prédio e me dirigi para a escada de emergência.
Eu estava prestes a virar a esquina quando ouvi risadinhas de algumas garotas e parei no mesmo instante.
Eu conheço essas vozes. É um pequeno grupo de meninas que chamam atenção por causa de seus visuais um tanto exagerados. Instintivamente, sinto que não sei lidar com elas.
Enquanto pensava em um caminho alternativo, ouvi um nome familiar.
— É, a Yanami.
Elas definitivamente mencionaram esse nome.
Além disso, o que estão dizendo soa incrivelmente desagradável.
Furei a caixinha de leite com o canudo enquanto continuava ouvindo.
— A Yanami ainda foi trocada por uma aluna nova depois de deixar na cara que gostava dele. Eu não me aguento de rir.
— Pois é, eu nem viria para a escola se isso acontecesse comigo.
Elas riram como se não fosse nada.
…Essa deve ser a tal sensação que ela disse antes, né? “Não me diga que a Yanami levou um pé na bunda?” e tal...
É claro que elas nunca diriam isso na cara dela.
Mas esses comentários maldosos vão continuar pairando no ar e, aos poucos, se infiltram no coração de alguém. Yanami já tem que lidar com isso enquanto eu estou por aí, só bebendo água.
Eu não devia estar ouvindo esse tipo de conversa. Estava prestes a sair dali quando a próxima parte do papo me fez parar no lugar.
— Você ficou sabendo? Acho que a Yanami arrumou outro cara.
— Sério?!
…Sério? Não consegui evitar me encostar na parede e prestar mais atenção.
Yanami com certeza não parece estar namorando. Pelo menos, a gente não percebeu nada...
Mas um cara como eu não tem como explicar isso por ela. Só posso tentar desaparecer. Enquanto isso, as garotas continuaram, animadas, com aqueles gritinhos de empolgação.
— Quem é? Eu acho que o capitão do Clube de Basquete chamou ela pra sair!
— Não, é outro cara. Da nossa sala. Acho que o nome dele é… Nuku…mizu?
— Nuku…?
Ah, então deve ter outro Nukumizu por aí... Não, não tem.
Então elas estão falando de mim!? Minha existência já ficou tão conhecida assim!?
Merda, onde foi que deu errado? Alguém viu a gente almoçando? No restaurante? Ou será que fomos flagrados por acaso na praia?
— Ahh, é, acho que tem um cara assim. Ele tá, hmm… ali no meio da lista da turma…?
É essa a impressão que vocês têm de mim?
Enquanto meu coração estava uma bagunça, as garotas ficaram em silêncio por um instante. Até que uma delas gritou, incrédula.
— Mas a Yanami é super popular! Não tem como ela escolher um cara desses, né?!
— Pois é, a Yanami deve ter uns gostos meio esquisitos.
— Sim, e olha que eu nem sei como ele é.
Eu lembrei de tudo que aconteceu até agora na minha mente.
Se os boatos sobre mim e a Yanami começarem a se espalhar… Vai ser aindar pior para ela, pois... ela ainda gosta do Hakamada.
— Ei, a Yanami tá mesmo se achando só porque é meio bonitinha, né? Um cara decente nem chegaria perto dela, certo?
— Bem, até que eles combinam de certa forma...
As garotas caíram na risada outra vez.
Não consegui mais ouvir. Me afastei dali.
Também joguei fora a caixinha de leite, amassada na minha mão.
◇
— Não, escuta aqui, Nukumizu. Você não acha que foi bem cruel?
A cena agora era na escada de emergência. A primeira coisa que Yanami disse foi uma reclamação que parecia estar guardando fazia tempo.
— Hã? O que você quer dizer?
— Eu não te olhei nos olhos? E mesmo assim, você me ignorou.
— Não, olha… Se as pessoas souberem que você tem algo a ver comigo, vai ser um problema, não acha? Foi por isso que fiquei quieto.
Assim que disse isso, me lembrei da conversa daquele grupo de garotas.
O que é essa sensação estranha apertando meu peito?
— Estamos no mesmo clube. É normal termos algum tipo de contato, certo?
— Desculpa. Não quis te ignorar.
— Que bom ouvir isso.
Yanami entendeu o que eu quis dizer. Ela tirou uma marmita da bolsa.
— Aconteceu muita coisa durante a viagem.
— Eh? Ahh, sim.
Mesmo com tudo o que aconteceu, no fim das contas, acho que foi divertido.
Agora posso até continuar minha própria história. Sempre achei que escrever fosse algo solitário, mas, depois de ter companhia, parece algo inacreditável.
— Também mostrei minhas habilidades culinárias. Aqui, o almoço de hoje.
O que foi que ela mostrou mesmo? Enquanto tentava lembrar, Yanami abriu a tampa. Dentro, havia um sanduíche. Não era de loja de conveniência. Ela mesma tinha feito.
Dava para ver presunto, repolho, ovo e… hã? O que é esse terceiro ingrediente? Parece… fatias de pepino?
O que será isso? Peguei o sanduíche na mão.
— Pepino e… isso é missô de trigo?
Então é um sanduíche de pepino com missô de trigo. A crocância do pepino e o sabor agridoce do missô combinam muito bem.
— E aí, o que achou?
— Deixa eu provar… Hm, é melhor do que eu imaginava. Gostoso.
Mesmo que o pão tenha absorvido um pouco da água do pepino.
— Bom, pra falar a verdade, você devia ter passado uma camada de margarina.
— Ah, esqueci disso. O preço vai ficar mais baixo, né?
Certo, eu preciso dar um preço pra ela. Hmm, quanto mesmo?
Preparar os ingredientes com antecedência torna um sanduíche algo surpreendentemente trabalhoso.
Bom, acho que vou cobrar 500 ienes...
— Até que eles combinam de certa forma...
A conversa de antes ecoou na minha cabeça de repente.
A adorável e popular Yanami e eu, um figurante.
A única possibilidade real aqui é… que eu tenha me apaixonado pela Yanami, sem nem entrar no mérito de sermos compatíveis ou não.
— O que foi, Nukumizu?
— …2.867 ienes.
— Hein? Esse é um novo recorde. Mas isso é...
Yanami inclinou a cabeça, confusa, depois de um instante de empolgação.
— Ué, não é quanto eu te devo?
— É. Então sua dívida está quitada.
— Você sabe que isso é só um sanduíche simples, né?
Acho que Yanami não entende o que tá acontecendo. Seus olhos alternam entre o meu rosto e a marmita.
…Anna Yanami. Sinceramente, ainda não consigo entendê-la.
Nunca sei quando ela tá falando sério ou brincando.
Ela se diverte me provocando sempre que acha engraçado.
— Sinto que tô tirando vantagem de você, e isso não é certo.
Primeiramente, ela nem falaria com alguém como eu.
Ela pertence à elite dessa escola. Uma garota alegre, popular e adorável.
Se faz de boba quando quer, mas também tem um lado sensível e chorão.
— O almoço estava muito bom. Valeu por ter feito.
Ela é uma protagonista nota 12/10. Um dia, Hakamada ainda vai se arrepender de não ter ficado com ela.
…Yanami me observou em silêncio antes de falar.
— No começo, eu fazia isso porque tava sem dinheiro, mas acabei me divertindo.
Ela deu uma mordida no sanduíche de pepino com missô de trigo.
— Eu não gosto desse tipo de final apressado.
Ela ficou olhando para a outra metade do sanduíche. O clima ao redor dela começou a oscilar.
— As pessoas começaram a comentar sobre nós dois almoçando juntos.
Observei a reação de Yanami depois de dizer isso.
Ela ficou olhando para o pão com manchas verdes, sem se mover nem um centímetro.
— Ah, você também não gosta de rumores estranhos sobre a gente, né?
Preocupado com o silêncio, continuei.
— Você ainda tem muitos amigos. Não precisa ficar andando com um cara como eu...
— Para. Não tô conseguindo te acompanhar.
Yanami fechou a tampa da marmita e me interrompeu.
— Eu fiz alguma coisa que te deixou bravo?
— Não!
Me assustei com o volume da minha própria voz. Balancei a cabeça e tentei me acalmar.
— …Não, eu não te odeio.
— Sério?
Desviei o olhar do rosto dela.
Mas… eu odeio essa situação.
A Yanami que eu conheço ama o Hakamada.
A Yanami que ainda gosta daquele cara está bem aqui.
Por isso, não quero aceitar fofocas que não combinam com o que ela sente de verdade.
— Eu… odeio que falem mal da gente.
Olhei para o meu sanduíche inacabado depois de finalmente conseguir explicar.
Yanami não respondeu.
Sinto que deveria dizer algo. Enquanto lutava para encontrar as palavras, Yanami colocou a marmita no meu colo.
— …Entendi. Sim, eu entendo.
Ela encerrou a conversa com um tom firme.
— Não vou mais falar com você.
Depois de dizer isso, Yanami se levantou.
— Obrigada por tudo. Foi divertido. Adeus.
Ela foi tão fria que até esqueci de respirar. Terminou de falar rapidamente, me empurrou a marmita e saiu das escadas de emergência.
…E foi assim que tudo acabou, com algumas frases simples.
Yanami nem sequer olhou para trás.
Ela pelo menos olharia uma última vez. Acho que, no fundo, eu esperava por isso.
Agora, sou o único que restou nas escadas. Eu abri a tampa da marmita.
O sanduíche que ela fez à mão estava colocado com cuidado dentro da caixa. Se olhar mais de perto, dá para ver dois tomatinhos nos cantos, para não ficar tão simples.
Aposto que ela acordou cedo para preparar nosso almoço.
Faltam apenas três dias para a cerimônia de encerramento. Só agora percebo que estou perdendo coisas que sempre estiveram ao meu lado.
◇
Eu não comi muito no jantar e decidi ir para a cama.
Quantas vezes eu vou ter que passar por isso? Minha mente continua reprisando a conversa de hoje à tarde.
...Está tudo bem.
Yanami e eu nem somos amigos, muito menos namorados. Não acho que duas pessoas vivendo em mundos tão diferentes possam continuar conversando normalmente.
Além disso, eu sou o motivo de as pessoas começarem a falar besteiras sobre ela-
— Querido irmão, você parece triste. Aconteceu algo na escola?
Como se tivesse sido encurralado, fiquei preso em pensamentos sem fim. Kaju já estava deitada do meu lado quando voltei a mim.
— ...Kaju, não entre debaixo do meu cobertor.
Olhei para o teto, atordoado. Eu não tinha muita energia para reclamar, então só dei um aviso casual.
Kaju começou a rir enquanto cutucava minhas bochechas.
— Hmm, você levou um fora?
— Bem, dá pra dizer que sim.
A aura de Kaju imediatamente ficou assutadora após ouvir o que eu disse.
— Irmão?! Eu sabia! Eu estava certa em desconfiar do que você estava fazendo esses dias!
De repente, o sorriso encantador e inocente da Yanami surgiu na minha mente. Eu virei o rosto para evitar os olhares suspeitos da Kaju.
— Não me diga que você está interessado naquela garota fofa que estava no churrasco com você?
— Espera, como diabos você sabe disso?!
Imediatamente pulei da cama depois de dizer isso. Kaju me deu um sorriso claramente falso.
— Eita, se interessou, meu amado irmão?
— Você estava lá? A propósito, quanto você viu?!
— Hmm, bem, vou responder essa pergunta se você contar para a Kaju sobre essa pessoa, Irmão querido. — Kaju colocou o dedo nos lábios de forma travessa — Bom, você também pode me fazer abrir a boca à força, tá?
Ignorei o que essa imbecil disse e deitei de volta na cama.
— Não entenda errado. Nós dois somos apenas colegas de classe e somos do mesmo clube. Além disso, ela já gosta de alguém.
— E aquela outra garota do cabelo curto? Você combina com uma pessoa animada igual ela.
— Ela também é outra colega de classe. E ela também já gosta de alguém.
Kaju pensou por um segundo e bateu palmas.
— Não me diga que é aquela garota mais velha de óculos... Mas acho que as coisas ficariam complicadas, viu.
— Essa aí já tá ficando com o presidente do clube.
— ...Bom, tinha outra também que era bem irrelevante... Não, espera... Não me diga que...
Nuvens se formaram no rosto da idiota da minha irmã.
— Não, mas se for ela quem você escolheu, amado irmão, então eu terei que aceitar isso...
Ela tem falado bobagens desde o início. De qualquer forma, agora eu sei que a Kaju viu tudo claramente.
— Por isso eu disse para não tirar conclusões erradas. Eu só estou um pouco cansado depois da viagem.
Virei as costas para a Kaju novamente.
— Kaju, o seu querido irmão precisa descansar. Pode sair do meu quart-
— N-ã-o! Eu não vou me mexer um único centímetro até descobrir quem é o seu verdadeiro amor! Eu tenho que saber se ela é a pessoa certa para vo- Hiyaa!
Enrolei Kaju em uma toalha. Acho que assim ela vai ficar mais quieta.
— ...Estou enrolada no cheiro do meu irmão que tanto amo...
Acho que minha irmã acabou de dizer algo incrivelmente nojento.
— Os sentimentos do meu amado irmão estão irradiando por todo o corpo da Kaju. Kaju vai tentar compreender esse sentimento e encontrar a melhor parceira para meu irmão que tanto respeito e admiro.
Ela ficou ainda mais barulhenta.
Eu adicionei mais um cobertor sobre ela enquanto me perdia novamente em pensamentos.
Minhas escolhas, minhas ações e a última conversa com a Yanami...
Eu não encontrei nenhuma resposta. Então, preciso enfrentar o sentimento escondido dentro do meu coração, que palavras simples não podem descrever.
Dívidade restante de hoje: 0 ienes
◇
Estamos no dia seguinte. Faltam dois dias para a cerimônia de encerramento.
Eu voltei à minha rotina: almoçar sozinho. Estou sentado nas familiares escadas de emergência, depois de devorar meu sanduíche de atum e tomar o achocolatado em alguns goles. Então, continuei escrevendo minha novel para publicar no site. Ao mesmo tempo, fico atento com a hora de voltar para a sala.
Apenas um dia se passou desde o nosso último almoço, mas já parece uma memória distante. Eu realmente passei meus intervalos com a Yanami?
Eu não falei com ninguém. Eu prestei bastante atenção com o momento do toque do sinal para voltar ao meu assento.
Yanami está conversando alegremente com suas colegas. Eu olhei de canto para ela.
— O que foi, Nukkun? Você parece meio perdido.
Yakishio invadiu minha solidão. Ela se agachou ao lado da minha mesa, apoiou os braços nela e ergueu a cabeça para me olhar.
— Relaxa, eu sempre tô meio perdido.
Yakishio, por favor. Desculpe, mas tenho algo mais importante na cabeça no momento. Por mais fofa que você seja, não quero falar com você agora...
— Hmph, você diz isso, mas não para de olhar pra ela.
…Ei, você... Não diga isso na sala de aula.
Yakishio se levantou e olhou para mim em silêncio. Um sorriso surgiu em suas bochechas bronzeadas.
— Mesmo que eu não saiba o que está acontecendo, você vai se arrepender se não disser o que sente, viu?
— ...Me arrepender?
Yakishio sorriu e deu um tapinha nas minhas costas, enquanto eu repetia na minha cabeça a frase que ela acabou de dizer.
— Isso vem de alguém que já passou pela mesma coisa antes.
Bom, isso é verdade.
◇
Já era depois da escola. Eu caminho tranquilamente por um corredor deserto que leva à sala do clube.
Uma coisa ficou clara após o fim do almoço. Um dia na escola parece ser muito mais longo agora.
Até ontem, eu passava a manhã pensando no almoço e o resto do dia lembrando dele. Comparado a ontem, é como se hoje eu tivesse perdido a alma.
— …Droga, eu sou um cachorrinho esperando pela comida?
A atividade do clube depois da aula é a única coisa que resta na minha agenda.
Embora tudo o que eu faça lá seja ouvir a Komari falar mal de mim, é útil para evitar o tumulto ao lado das prateleiras de sapatos.
Eu agarrei a maçaneta da porta da sala do clube. Não está trancada. Os primeiros a chegar geralmente somos eu ou a Komari.
Será que ela já está aqui? Meu corpo congelou ao abrir a porta.
— Yanami.
Anna Yanami estava lá dentro.
Ela parou de estender a mão para a estante. Consigo ver meu reflexo em seus olhos, mas não consigo interpretar qualquer sentimento neles.
— Ah, Nukumizu. Faz tempo que não nos vemos.
Estávamos na mesma sala de aula ontem. Definitivamente não faz tempo. No entanto, não consigo encontrar algo melhor para dizer.
— Não pensei que estaria aqui. Vai ficar?
— Só vim devolver os livros. Minhas amigas estão me esperando. Já vou indo.
Yanami desviou o olhar e colocou a mochila nas costas.
Quando Yanami estava saindo da sala do clube, uma coisa ficou clara para mim. Não tem lógica, e eu também não sei explicar o motivo, mas entendo o suficiente:
Se eu não disser nada agora, as coisas realmente vão acabar entre nós.
— Yanami, pode esperar só um segundo?
— …O que foi? Minhas amigas ainda estão esperando. Seja rápido.
Yanami não se virou. Respondeu calmamente, com um tom que reduziu minha coragem.
— Se você não tem nada para dizer, eu vou...
— Espera, Yanami.
Yanami e Yakishio não conseguiram expressar seus sentimentos. Consigo sentir a confusão e o arrependimento delas.
— Nós não dividimos vários almoços nesses últimos dias? Na verdade, eu estava sempre ansioso para saber qual seria o almoço do dia.
Komari se esforçou ao máximo, mesmo sabendo que seus sentimentos não seriam correspondidos. Consigo sentir a determinação dela.
— Então...
— Então?
Yanami pareceu me interromper de propósito.
Então...?
Claro que não somos namorados. Amigos... provavelmente também não somos isso.
É apenas uma relação vaga, construída por dinheiro.
— Eu também... fiquei feliz. Só queria te dizer isso.
Yanami segurou a maçaneta da porta com força. Ficou ali parada.
— …Ah.
Ela disse isso sem emoção e abriu a porta em silêncio.
Por causa da luz que vinha do corredor, não consegui ver sua expressão ao se virar.
— Bom, até logo.
◇
E assim, saudei o dia seguinte de forma apática. A cerimônia de encerramento é amanhã.
O clima na sala de aula está ainda mais animado devido à proximidade das férias de verão. Até mesmo a professora Amanatsu, que confundiu a data e distribuiu o aviso das férias de verão antes da hora, parece incrivelmente adorável.
É o último intervalo de almoço deste semestre. Já me acostumei a passar o tempo na escadaria de emergência. Eu observei o pátio enquanto mastigava um pão de curry.
Como a temperatura ultrapassou os 35 graus, práticas ao ar livre estão proibidas. Consigo ver Yakishio sendo levada pelo professor de Educação Física quando tentou correr escondida.
— O que essa garota tá fazendo...?
Abaixei a cabeça por causa do vento seco vindo do pátio. Alguém começou a subir a escada bem quando eu tentava tirar grãos de areia do pão.
Não consegui evitar endireitar minha postura.
— V-Você está aqui.
O que eu estava esperando, afinal? Chika Komari apareceu na minha frente. Ela se aproximou com uma atitude descontraída.
— Komari, por que você tá aqui?
— V-Você disse, né? Q-Que eu podia vir a-almoçar aqui.
Certo, por que você teve que dizer algo tão desnecessário, eu do passado?
— A-Aliás, e-eu ouvi dizer que você l-levou um fora.
Como se não conseguisse segurar mais, os lábios de Komari se curvaram para cima.
— Q-Quero dizer que você m-mereceu isso. Então, n-não consegui evitar e t-tive que vir aqui.
Vou enfiar um monte de embalagens na boca dela.
— Como você sabe disso?
— C-Claro que sei, vocês d-dois falaram a-aquilo na sala do clube, afinal.
— Só pra deixar claro, Yanami e eu não tínhamos nada.
— V-Você realmente odeia desistir.
Komari tirou pães com manteiga do bolso e começou a comer devagar. Era o pacote de 6 pães do supermercado.
— M-Mas, como é possível que s-só o Nukumizu sinta felicidade? I-Isso é muito arrogante.
— Certo, você levou um fora outro dia.
— F-Fica quieto.
Mas, será que Yanami e eu realmente parecemos um casal brigando aos olhos dos outros?
Isso é impossível. Isso... isso... o que é? Não consigo evitar um sorriso amargo.
...No fim, eu não sou ninguém para Yanami. Esse contato temporário desaparece quando a dívida é paga. É só isso.
Minha fome desapareceu depois de reconhecer isso. Coloquei o pão de curry pela metade na embalagem.
— É só isso que você vai comer no almoço?
Olhei para Komari. Ela franziu a testa enquanto comia o segundo pão com manteiga. Essa garota... será que nem trouxe algo para beber? Sem hesitar, lhe dei a caixa de leite que comprei na máquina de venda.
— Aqui, é para você. Você vai engasgar se não beber alguma coisa.
— C-Certeza? E você, Nukumizu?
— Eu tenho chá.
— "C-Conteúdo: leite cru"...
Komari enfiou o canudo com os olhos brilhando. Eu me sinto como se estivesse alimentando um gato de rua.
Mesmo assim, é preciso alimentar gatos de rua com responsabilidade. Ou você mantém uma distância adequada ou assume a responsabilidade e leva o animal para casa.
Komari percebeu que estava olhando para ela, e me olhou com desconfiança.
— J-Já é tarde d-demais se quiser que eu d-devolva...
...A propósito, eu lembrei.
Animais de estimação são proibidos na minha casa.
◇
Como esperado, minha conversa com Komari não foi lá muito divertida. Eu saí do prédio antigo da escola quando ainda faltava metade do intervalo.
Bom, hoje vou ceder as escadas de emergência para Komari.
— Aí está você, Nukumizu. Tive trabalho para te encontrar. Ah, espera aí!
Por um momento, quase fui embora sem perceber que alguém estava falando comigo.
A pessoa em questão era Sosuke Hakamada, o amor dos sonhos de Yanami.
— Er… o que houve?
Hã, por que todo mundo está me procurando hoje?
— Desculpa. É difícil dizer isso na frente de muita gente. Você pode vir comigo por um instante?
Eu o segui até o prédio antigo da escola.
...Sim, aposto que é aquele tipo de trama.
— Me desculpe, Nukumizu. Quero falar sobre...
Antes que ele pudesse continuar, entreguei minha carteira silenciosamente.
— Por que está me entregando sua carteira?
— Ah, não, pensei que fosse outra coisa.
Eu guardei a carteira rapidamente. Eu me enganei. Não era bullying.
— Não sabia que o Nukumizu gostava de bancar o idiota.
Sosuke Hakamada riu. Que honra ser o motivo da risada dele, hein.
Bom, por que ele veio falar comigo?
Ele olhou ao redor, como se fosse difícil dizer.
— Nukumizu, você… andou saindo com a Anna, certo?
Anna. Ah, ele está falando da Yanami...
— …Hã?! Não, né? Eu sequer a conheço?
Fiquei nervoso enquanto Hakamada me encarava. A expressão dele ficou mais calma.
— Para de fingir. Estão rolando rumores sobre um casal apaixonado fazendo propostas e se encontrando secretamente por aí.
Hã? O que diabos é isso? Esse mal entendido já passou dos limites.
— Não, não, isso não é verdade. Bem, quero dizer, você não está errado, mas entendeu tudo errado.
— Não precisa ficar com vergonha. Quando vocês começaram a namorar?
Isso nunca aconteceu. E, sério, é por isso que ele me chamou aqui?
Então, é outro daqueles clichês de sempre? Ele vai dizer algo como, "não se atreva a encostar um dedo na minha amiga de infância?"
Hakamada é impressionante nas aulas de educação física. Mesmo sabendo que ele venceria numa briga, eu ainda sou homem, pô. Acho que consigo durar uns dois segundos...
— Vou deixar a Anna nas suas mãos!
Hakamada se curvou abruptamente para mim.
...Hã? O que você quis dizer? O que foi que ele acabou de falar?
— Espera! Tem muita coisa errada aqui!
— Além disso, estou realmente feliz. Se a Yanami tem alguém que ama, eu quero apoiá-la também.
— Não, é por isso que eu disse...
Você pode, por favor, me ouvir? Esse cara é surdo? Ou ele é o protagonista de uma comédia romântica?
— Desculpa, eu só queria conversar com você, já que mal nos conhecemos.
— Ah, bom, claro, uma conversa está de boa.
Aliás, Hakamada é o cara que rejeitou a Yanami. Talvez um mal-entendido desses não cause problema nenhum para ele.
Mas então, o que é essa sensação difícil de descrever no meu coração?
Hakamada sorriu para mim. Não consigo sentir nenhum traço de hostilidade vindo dele.
— Se for possível, vamos sair nós quatro...
— Não, já falei isso várias vezes. Por favor, me escuta.
— Ah, desculpa, fui eu quem ficou falando o tempo todo.
Esse não é o motivo pelo qual você deveria se desculpar.
...Ah, certo. Isso é a única coisa que importa agora.
Avancei em direção a ele com uma expressão séria.
— ...A Yanami sempre esteve apaixonada por você desde muito tempo atrás, não é?
— Uh, ei, por que estamos falando disso do nada?
— Você sabe, não é? Ela te ama.
Eu não sou amigo da Yanami. Por que eu tenho que dizer isso para um cara que a rejeitou?
Hakamada desviou o olhar, um pouco confuso. Ele coçou a bochecha, tentando disfarçar a vergonha.
— Uh, bom, eu sei. Mas, se ela encontrou alguém novo para amar...
— Ela ainda ama você! Nesse exato momento! Não tente esconder as coisas com um mal-entendido!
Foi bonito seguir o impulso e dizer isso, mas... como é que eu termino essa conversa? Ahh, certo. Tenho que explicar mais uma coisa também.
— ...Além disso, Yanami e eu não temos nada.
— Então, por que vocês almoçam juntos?
Porque você rejeitou a Yanami, pediu um monte de coisas caras e foi embora sem pagar. Bom, metade disso também não teria acontecido se ela não tivesse pedido sobremesas e udon.
Em outras palavras...
— Porque vocês dois comem demais.
— Hã? O que?
Perdi a oportunidade de acabar a conversa de novo.
— Nada não. O problema foi comigo.
Aliás, esse cara é muito difícil de lidar. É assim que um protagonista de comédia romântica se parece na vida real?
Enquanto reclamo internamente por não ter encerrado isso mais cedo, o rosto de Hakamada de repente ficou rígido.
O quê? Ele está com a cara de quem acabou de ver um urso selvagem...
Eu segui a direção do olhar dele. Uma garota estava tremendo diante de nós.
— Hã?! Anna?!
— Ei, o que vocês dois... estavam conversando?
Não sei se ela está com raiva ou envergonhada. Ela corou e nos encarou.
— Yanami, por que você está aqui!?
— A Komari acabou de me mandar uma mensagem. Ela disse que o Nukumizu estava brigando com um delinquente bonitão e que as coisas estão esquentando entre vocês. Eu imaginei que talvez fosse o Sosuke, então vim aqui...
Ela olhou para mim e para o Hakamada, incrédula.
— ...Então, o que está acontecendo?
O que está acontecendo? Eu também não sei. Aliás, em que sentindo a Komari quis dizer com "as coisas estão esquentando"?
— A propósito, Nukumizu. O que você estava dizendo para o Sosuke?
— Ah, bom, estávamos falando que o novo Picolé Garigari de menta com chocolate limitado tem um gosto muito bom.
— ...Seja honesto enquanto ainda posso perdoar você.
Isso foi, com certeza, uma mentira. O olhar dela dava para ser comparado ao de um serial-killer.
Sinto que ela já viu tudo, mas não posso admitir agora. Por algum motivo, acho que minha punição será mais leve se eu ficar calado até as coisas se revelarem do que se eu confessar.
— Espera, eu que forcei ele a falar tudo. Nukumizu não fez nada de errado.
Hakamada me defendeu, dizendo coisas completamente desnecessárias.
— Tudo?! O que você quer dizer com tudo?!
Yanami está tremendo intensamente. Ela treme mais do que um chihuahua molhado. Talvez Hakamada colocou as mãos nos ombros dela. Talvez esteja tentando confortá-la.
— Me desculpe, Anna. Eu estava pensando que seria ótimo se você pudesse encontrar alguém novo para amar.
— Hã?
Yanami parece finalmente entender o que está acontecendo. Seu rosto perde a cor instantaneamente.
— ...Para com isso.
A aura assassina que ela exalava desaparece de repente. Yanami recua, parecendo até menor. No entanto, Hakamada não percebe isso e continua se aproximando.
— Eu quero que você seja feliz. Existe alguém melhor do que eu...
— Para!
Yanami está prestes a desabar. Nesse momento, meu corpo se moveu sozinho. Eu segurei a mão de Hakamada e me coloquei entre os dois.
— Você! Para com isso!
Eu sei que estou errado. Eu não tenho nenhum papel aqui. Ainda assim, eu…
— Ei, Hakamada! Está tudo bem você rejeitar alguém. Rejeite quem quiser, seja a Yanami ou qualquer outra garota!
…Sinto o olhar assassino da Yanami, como se ela estivesse decidida a me matar ali mesmo.
— Mas, se você tentar decidir os sentimentos da Yanami por conta própria, isso é o mesmo que jogar fora o amor que ela sente por você!
Os sentimentos confusos dentro de mim estão se transformando em palavras cristalinas, escapando sem controle.
— Se você rejeitou ela, não diga coisas como “quero que você seja feliz” ou “encontre alguém melhor para amar”! Você é a última pessoa que pode dizer algo assim!
…Ah, droga. Esse cara, o Hakamada, fica ainda mais bonito olhando de perto.
Hakamada não tem só a aparência. Ele é muito gentil e humilde com todo mundo. Isso só me deixa irritado comigo mesmo.
Diferente desse cara, eu só passei pouco tempo com Yanami. Claro, sem mencionar que eu de forma alguma sou especial ou próximo a ela.
No entanto, mesmo sendo uma pessoa irrelevante, eu vi as lágrimas e a determinação dela.
— Proteja ela por ser sua amiga, não por ser alguém que você rejeitou!
Eu não costumo gritar. Fiquei com a garganta doendo depois de fazer isso.
Hakamada acariciou minhas costas preocupado.
— Ei, você tá bem?
— A Ah, …eu to bem.
…Meu Deus, eu não acredito que disse algo tão cafona.
Se eu fosse tão atraente quanto ele, eu poderia encarar a Yanami diretamente?
Meu corpo simplesmente cedeu de repente.
— …De fato, você está certo, Nukumizu.
— Eh? Ah, bem. Me desculpa por falar tanto.
Não consegui evitar de me desculpar. Hakamada estendeu a mão para mim. Eu também estendi a minha, um pouco preocupado...
— Parem de falar sobre quem rejeitou quem!
Fui jogado para trás ao ouvir aquele grito.
— Quem deu a vocês dois o direito de terminar isso numa boa?! Não fiquem de bem sozinhos! Os cérebros de vocês estão cheios daqueles chás com bolhas?!
— Uh, bem...
Yanami pisou fundo no acelerador e avançou em nossa direção.
Hakamada foi o primeiro a ser atropelado.
Yanami agarrou o peito do Hakamada e enterrou o rosto nele.
— Eu sempre te amei, Sosuke! Até agora! Eu nunca te abandonei!
— Anna, me desculpe...
— Mas não peça desculpas! O que você quer dizer com "alguém novo para amar"? Cuida da sua vida!
Os doze anos de sentimentos começaram a escorrer dos olhos de Yanami. Ela se afundou ainda mais no peito do Hakamada.
— Eu ainda vou continuar amando você! Então, seja feliz com a Karen Himemiya! Cuide da sua própria felicidade!
Ela se apoiou nele após dizer isso, entre lágrimas.
Enquanto isso, eu esperava pela minha chance de fugir. De repente, Yanami levantou a cabeça do peito do Hakamada.
— Eu me apaixonei por você sozinha. Então, não sei se vou me apaixonar por outra pessoa sozinha também!
Yanami soltou as mãos e empurrou Hakamada, como se tivesse deixando algo ir embora.
Então, como se procurasse sua próxima vítima, ela rangeu os dentes e se virou.
Que assustador.
— Nukumizu! Uh, o que era mesmo que eu ia te dizer mais cedo?!
— Bem, uh, não tem nada que você precise me dizer, certo?
— Isso mesmo! Não tenho nada para te dizer!
Pah. Yanami deu um tapa na minha cabeça. Forte. Essa doeu.
— Então, por que eu levei um tapa?
— Não tem motivo!
Isso não faz sentido. Eu só estava parado ali sem fazer nada. Em seguida, Yanami começou a cutucar meu peito e a reclamar comigo sem parar.
— Escuta aqui! Mesmo que você provavelmente esteja tentando ser atencioso comigo quando faz essas coisas, não se atreva a decidir quem é próximo de quem sem me perguntar antes! Você ignorou todo mundo e seguiu em frente sozinho! Pelo menos pergunta a minha opinião antes de fazer algo tão idiota assim!
— Mas… não acho que alguém como eu deva falar com você.
Yanami ficou boquiaberta depois de ouvir isso.
— Não vem com essa! Apenas venha e fale comigo! Você pode fazer o que quiser!
— Eh, eu posso?
— Você precisa de permissão para falar com alguém na escola?! Que tipo de mentalidade é essa?!
Mas não é estranho falar com garotas do nada? Isso é literalmente um crime no mundo em que eu vivo...
— Eu vou decidir sozinha se isso é irritante ou não! Além disso, nem eu sei o que você está pensando!
Eh… sério...? Acho que sim...
Mesmo sendo uma pessoa bastante suspeita, ainda me sinto bem sozinho. Seja sobre estar ou não com alguém, falar ou não falar com quem quer que seja, o que eu vou fazer. Tudo isso é decidido por mim mesmo.
Depois, como a pessoa vai aceitar ou responder, isso é com ela.
— Em outras palavras, eu posso falar com… você?
— Dependendo de quando e onde!
Ela tem razão. Eu não consigo evitar sorrir. Yanami olhou para mim desconfiada.
— Uh, por que você parece tão feliz agora? Que nojo, Nukumizu.
— Bem, Yanami, muito obrigado.
— …Você é tão difícil de entender.
Yanami suspirou e balançou a cabeça, sem saber o que fazer.
— Enfim, pensem sobre o que os dois fizeram hoje!
— Sim, senhora!
— Sim, senhora!
A resposta foi limpa e sincronizada. Foi aqui que o coração de Hakamada e o meu se conectaram por um momento.
— Aliás, Sosuke. Pede desculpas para o Nukumizu.
Por quê? Hakamada já se curvou antes. E eu ainda não entendi o porquê disso.
— Desculpe, Nukumizu. Eu te meti nessa confusão porque fiquei pensando demais.
Não, não, isso não é verdade. Eu me sinto um pouco culpado. Que conversa é essa?
— Então, Nukumizu. Pede desculpas para mim.
— Eh? — Eu não entendi, mas acho que deveria obedecer — Desculpe, não vou mais dizer coisas idiotas assim.
— Está bem, eu te perdoo.
Yanami cruzou os braços e assentiu satisfeita.
…De repente, Yanami inclinou a cabeça, confusa.
— Então, onde deveríamos resolver isso?
Eu me pergunto onde? Os três nos olhamos. O sinal que sinalizava o fim do intervalo do almoço tocou.
Yanami enxugou as lágrimas que ainda estavam em seus olhos e sorriu para nós.
— De qualquer forma, vocês dois devem voltar para a sala de aula primeiro.
Preparar, apontar, virar!
Diante do impulso de Yanami, nós nos viramos rapidamente. Yanami nos deu tapas brutais nas costas e passou por entre nós.
— Rápido, não se atrasem, vocês dois!
Yanami acenou e foi embora após se virar.
Hakamada deu um tapinha no meu ombro.
— Vamos, Nukumizu.
— Sim, vamos.
Nós olhamos um para o outro com um sorriso amargo e corremos atrás de Yanami.
◇
Segundo dia, o qual também é o último dia do primeiro semestre.
Todos estavam ficando ansiosos pela cerimônia de encerramento. A professora Amanatsu falava com a gente.
— Aquietem-se. Peguem seus boletins de acordo com seus números-
O rosto da professora Amanatsu parecia chocado com o meu boletim. Eu o peguei e abri em minha carteira.
Até que eu fui razoável na primeira prova da minha vida colegial. Deixa isso pra lá. Eu me atentei à seção de comentários.
"Muito empolgado em relação às atividades do clube."
…Então esse boletim tá trocado? Então, quer dizer que tem alguém aqui na sala com um boletim escrito “Esse sujeito não parece ter amigos dentro da sala. Como será que ele é em casa?”. Bem, parece que essa pessoa vai ter uma reunião familiar essa noite.
Eu apoiei minha bochecha na mão enquanto olhava em volta. A turma mostrava os seus boletins entre si e conversavam sobre isso.
Eu supus que Yakishio também estaria bem tagarela, mas ela estava deitada na mesa enquanto envolvia suas mãos em volta da cabeça. Parece que também tinha uma reunião familiar esperando por ela.
— Nukumizu, você é bom em japonês e matemática.
Hakamada bisbilhotou meu boletim.
— Isso é de boa… Mas eu sou bem medíocre em qualquer outra matéria.
— Tenho que achar um professor de matemática. Sério, me poupe. Eu não quero ir à escola durante as férias de verão.
— Eh, você também tá no Clube de Ir pra Casa, Hakamada?
Isso é inesperado. Afeição +1.
— É que eu entrei em um clube de alpinismo fora da escola, então eu não posso entrar em nenhum clube.
Eh, tá de palhaçada comigo? Não satisfeito a escola, você tem que fazer mais coisas lá fora também? Todos os pontos de afeição que foram acumulados ontem sumiram.
— Bem, vamos ao karaokê na próxima.
Himemiya disse enquanto andava até a minha mesa. Eu acho que estou ficando viciado em conversas corriqueiras como essa. Um personagem verdadeiramente extrovertido genuinamente tem uma boa personalidade. Embora ele seja muito denso.
Eu procurei por Yanami. Ela está implicando com os amigos dela enquanto finge estar receosa em mostrar seu boletim ou não.
— Muito bem, parem de baderna e voltem às suas carteiras. Eu não posso deixar as férias de verão começar se vocês não se acalmarem.
A professora Amanatsu disse em voz alta depois que viu que todos estavam prestes a terminar.
Todos rapidamente voltaram às suas carteiras. A nanica professora Amanatsu disse em um tom pesado depois que os alunos se acalmaram:
— Eu vou explicar a todos vocês sobre as férias de verão.
Ela limpou a garganta.
Todo mundo olhou para ela devido a atitude atípica da professora.
— Serão 40 dias de férias. Eu espero que todos tenham objetivos em mente. Não desperdicem seus dias. O tempo não volta. Cada minuto que você desperdiça na sua vida, voltará para te cobrar daqui alguns anos.
Ela está bem séria. Eu antecipava o que ela diria a seguir. A professora Amanatsu continuava com um coração pesado.
— Alguns indivíduos podem dizer "Que bom, professora, aproveita suas férias, hein!"-
Eu acho que a professora Amanatsu lembrou de algo ruim. De repente ela socou a própria mesa.
— Mas eu ainda vou estar aqui, trabalhando, enquanto vocês se divertem por aí! Eu sou uma serva do governo! Além disso, há provas, preparo para exames, preparar o material do próximo semestre, reunião de professores, reunião de estudos, viagens de clube, e negócios da escola...
Repentinamente o lado obscuro da professora entrou em erupção. A sala ficou quieta.
— Sem mencionar que eu virei uma vtuber durante o segundo semestre, sabiam?! Dados móveis são muito caros, sabiam?!
Eu vou trocar meu celular por um flip, então.
— Vocês ao menos sabem o que é pedir pra ir embora no Festival dos Fantasmas e receber sarcasmo como resposta?! Mesmo se eu pedir folgas em momentos diferentes, ainda vão ter pessoas falando coisas tipo, “Que legal que você tá de boa enquanto todo mundo trabalha.” Vocês entendem o quão irritante isso é?!
…Professora, do que você tá falando?
De qualquer forma, somos meros adolescentes. Então, a atitude impulsiva da professora nos oprimiu. A sala está em silêncio.
A professora Amanatsu recuperou seu fôlego. Com uma pancada, ela bateu na mesa com a lista de alunos.
— A professora aqui só está tentando demonstrar consideração como sua veterana na vida. As férias começam agora, seus pirralhos!
◇
O semestre finalmente acabou. Eu chequei meu relógio. Ainda tá de manhã.
Eu fugi da barulheira e agora estou observando as nuvens no céu do verão nas escadas de emergências do prédio antigo. A maior parte dos clubes estão de folga hoje. Não há quase ninguém no pátio.
Comprar uma caixinha de leite no caminho se tornou um hábito meu. Eu joguei a caixinha entre minhas mãos. Bem, o que eu deveria fazer a seguir?
O novo volume de "As Gemêas que Começaram a Viajar Para Virarem Aventureiras Voltaram Como Gals" lançou. Acho que vou comprar e ler naquele restaurante... Ah, o quê? O que ela tá fazendo aqui?!
Na verdade eu já podia esperar por isso. Eu aposto que ela também não pôde aguentar a barulheira de hoje. Komari colocou sua bolsa no chão. Parece que estava pesada.
— O que? Você não vai voltar?
— E-Eu só estou p-passando o tempo.
Komari pegou pães de manteiga na bolsa. Devem ser de ontem.
Eu ofereci a caixinha de leite para ela.
— Aqui. Ainda não abri.
— Eh, não, eu não te pedi nada.
Em contraste com o que ela disse, os olhos de Komari estavam cintilando.
— H-Hoje o leite é concentrado. …São 10 ienes a mais.
Ei, você sabe disso. Bem, ao menos eu sei que vale a pena te alimentar.
— É a cerimônia de encerramento, afinal.
— M-Mas, eu ainda me s-sinto culpada. Aqui.
Haviam moedas em suas mãos. Só eram trocados de 1 e 10 ienes.
— Eh? Não, tá tudo bem.
— I-Isso é porque aquele cara r-roubou o Nukumizu ontem, né?
— Eu não fui roubado.
— Pera, n-não me diga que… ele roubou outra coisa sua?
Por que os olhos dela estão brilhando agora? Não fique tão animada sem motivo.
— Não, tanto meu coração quanto minha virgindade ainda estão intactos.
Na verdade, eu acho que metade do meu coração foi levado.
Talvez Komari tenha se esclarecido do seu engano. Ela me mostrou um sorriso que eu não vi antes, enquanto erguia sua cabeça, e olhou pra mim.
— I-Isso é realmente m-muito suspeito. Q-Quando isso tudo c-começou?
Seus olhos estavam faiscando, e as bochechas cheias de empolgação.
Ei, espera um pouco, porque do nada eu to achando ela um tanto adorável? Mesmo que o cérebro dela evidentemente não esteja funcionando direito.
— Eu não vou dizer nada mesmo que você me olhe assim. Vamos, você só deveria comer logo.
— Ehehe… E-Eu não vou perder um t-tópico tão suculento quanto esse.
A Komari é uma pessoa perigosa, e ela vai me arrumar problemas se contar isso pra alguém. Eu tenho que contar pra Tsukinoki… Não, a situação só vai piorar se eu contar a ela.
Enquanto eu me debatia por uma resposta, eu escutei uma refrescante e animada voz vindo escada abaixo. Era a Yakishio.
— Eh, eu não sabia que tinha um lugar assim. A brisa daqui é muito boa-
Yakishio nos viu depois que ela chegou. Ela fingiu estar surpresa e se virou.
— Yana, as coisas não estão indo bem. Eu sinto que esses dois estão de bom humor.
Sério? É assim que você se sente agora?
…Além disso, ela acabou de falar "Yana"?
— Mesmo que eu não tenha muita certeza do que você queira dizer, tá tudo bem. Afinal, é o Nukumizu.
Yanami disse algo bem grosseiro enquanto acompanhava Yakishio.
— Uh, Yanami. Por que você está aqui?
— Como assim por que? Eu descobri esse lugar primeiro, sabia?
Yanami sorriu maliciosamente.
— O que foi, nós interrompemos vocês dois?
— Pare. Eu estava pensando se deveria ir embora ou não.
— Somos todos solteiros. Vamos nos dar bem.
Yanami só estava implicando com a gente agora. Já Yakishio, ela estava com os olhos cintilando enquanto escutava nossa conversa.
— Eh? O que Nukkun acabou de experienciar? Não me diga que isso aconteceu agora a pouco? Agora a pouco?
Por que você tá tão animada, Yakishio? Por isso eu não gosto desse seu lado.
— Esquece isso aí. Por que vocês duas estão aqui?
— Ainda resta um tempo até a reunião do Clube de Atletismo, então eu fiz a Yana me levar até essa base secreta.
Parece que a Yakishio realmente ama lugares altos. Ela se inclinou na barra do telhado e olhou para o pátio de esportes. Ei, cuidado para não cair.
Yanami veio até mim. Ela não chegou muito perto, mas também não está tão longe.
Que distância estranha.
— Ei, Nukumizu, o que o Clube de Literatura vai fazer durante as férias de verão?
— Bem… a Tsukinoki disse que planejava fazer alguma atividade em grupo.
Yakishio soltou a grade. Ela pulou e foi na nossa direção com a mão levantada.
— Que legal! Me convidem também! Por que não vamos pegar cigarras? É verão, afinal!
Cigarras? Sério?
Eu saí com eles para nadar e fazer churrasco. Ainda assim, também vou sair no verão? Acho que virei um normie. Isso nem é o tipo de atividade que um Clube de Literatura deveria fazer.
Em um Clube de Literatura, o mais comum seria estarmos todos em cantos escuros de uma sala lendo livros, não?
Yanami olhou para Yakishio, que estava animada, enquanto se aproximava um passo.
— Sabe, eu me diverti na última viagem. Eu realmente tô ansiosa para o que faremos agora.
— Mas o Presidente e a Tsukinoki agora estão ficando, tá tudo bem mesmo se a gente atrapalhar eles?
— Bem, Nukumizu, estamos todos aqui agora… Menos aqueles dois… Você entendeu, né?
Yanami disse isso enquanto corava um pouco. Eu abaixei a cabeça, com vergonha.
— É, tem razão… Aliás, Yanami… Eu… Eu queria…
— Hmm? O que foi? O que você quer?
— Não é nada muito importante, não… Só queria dizer que eu… Ah, deixa pra lá…
…Komari estava olhando com bastante atenção para a gente.
Ela me olhou com uma cara de “deixa comigo!” e puxou o uniforme da Yakishio.
— Hmm? Precisa de alguma coisa, Komari?
Agora que Yakishio está bem de frente para ela, Komari não consegue falar nada e puxa o telefone do bolso.
— Bem… Eu quero começar a praticar corrida.
Komari abaixou a cabeça e colocou o telefone de volta no bolso.
— V-Você pode me ajudar, já q-que estou iniciando…?
Yakishio arregalou os olhos, surpresa, mas rapidamente sorriu e agarrou a mão de Komari.
— Só se for agora!
— H-Hein?!
— Vamos começar treinando a corrida de 100 metros em 12 segundos!
— Eh? E-Eu acho que deveríamos c-começar no básico…
— Relaxa, pô! Nós iremos usar o “Método de Treinamento 100% Atualizado da Yakishio”!
— Método de t-treinamento… Quê?!
Komari está assustada… O nome desse método aí é o que mais me preocupa.
— Eu tenho uma teoria. Se você consegue correr 100 metros, então não quer dizer que você vai conseguir correr 1500 metros se correr 15 vezes?! Vamos provar isso!
— B-Bem… Acho melhor c-começarmos do b-básico… Já q-que sou iniciante…
— É hora de provarmos essa teoria! Vamos lá!
Yakishio segurou Komari e a levou. Komari sussurrou para mim assim que nossos ombros se tocaram.
— …V-Você me deve uma.
Obrigado, vou retribuir esse favor algum dia.
Yanami olhou para aquelas duas descendo as escadas.
— Elas ficaram bem próximas…
— Eh, talvez.
Vou deixar ela acreditar nisso por enquanto.
— Não dá pra acreditar.
Yanami murmurou baixinho.
— Do que tá falando?
Yanami segurou o corrimão e me olhou de uma forma estranha.
— É que eu, você e a Komari nem nos falávamos antes, né? E eu nem sabia o que o Clube de Literatura fazi-
Cara, ela tá falando sério?! Como que deixaram ela ir na viagem, hein?
— Eu até comecei a escrever, e eu realmente gostei, foi divertido. Os livros que a Komari me recomendou também são bem legais. Até que leitura é algo divertido.
Yanami observou os alunos no pátio.
Bem, espero que a Yanami realmente continue no clube depois disso. Uma boa rotina de leitura enriquece a alma e muda a vida de alguém.
— Ler faz as pessoas esquecerem da realidade cruel.
Talvez todos pensem a mesma coisa que eu, afinal.
Ah, esquece. Ela deu um passo pra trás para se afastar.
— Ei, Yanami, não seja teimosa. Você devia tentar fazer uma dieta nesse verão.
Yanami rapidamente balançou as mãos em forma de negação após ouvir o que eu disse.
— Calma aí, eu não tô sendo teimosa, não! Eu apenas não consigo aceitar essa coisa de “dieta”! Ficar sem comer é um dos piores castigos que existe!
Ela discordou totalmente da ideia de fazer uma dieta… Legal, essa é a Yanami que conheço.
Eu estava meio preocupado se voltaríamos a nos falar normalmente depois daquilo com o Hakamada. Mas parece que agora está tudo bem…
Bem, né? É que nesse mesmo instante…
— Hmm? Aconteceu algo?
…os olhos da Yanami estavam lacrimejando. Ela piscava, sem entender.
Eu coloquei minha mão no peito e respirei fundo.
— Yanami… Tem algo que eu quero te dizer.
— Uhum…
Ela respondeu com indiferença.
De repente, ela piscou e arrumou a postura. Ela ficou completamente reta e virada para mim.
— Eh?! Você tem algo para me dizer?! Bem aqui?! Agora mesmo?!
— Sim. É raro termos a chance de conversar a sós.
Yanami surtou e arrumou o cabelo.
— Por favor, espere! Nukumizu, você devia pensar melhor nisso, não é?!
— Já pensei demais sobre isso. Então, vou me arrepender se eu não disser agora.
Parece que ela finalmente entendeu que eu estava falando sério.
Yanami arrumou o cabelo, a gola do uniforme, a gravata borboleta e a saia, tudo nessa ordem. Depois disso, ela engoliu em seco e me encarou.
— B-Bem, se for só… só para te ouvir, então…
Ela tá me deixando nervoso ficando toda formal assim.
Respirei fundo outra vez e encarei Yanami.
— Yanami, você quer…
— …
Minha boca está ficando seca de tanto nervosismo.
Reuni meu último pingo de coragem e dei um passo à frente para ficar mais perto dela. Seus ombros tremeram.
— …ser minha amiga?!
— …Desculpa, eu só te vejo como um amigo!
Nós falamos juntos. Os dois, ao mesmo tempo.
…O silêncio reinou ali.
Um tordo-azul pousou na barra do telhado. Dizem que pássaros azuis representam felicidade.
Finalmente nós descongelamos. Ela inclinou a cabeça, ainda confusa.
— Amiga?
— Sim…
— …
Yanami apoiou os braços novamente no corrimão… Ela suspirou por um momento.
— Entendi...
O murmúrio de Yanami era tão baixo que foi abafado pelo barulho daquele tordo-azul voando para longe.
Eh? O que foi? Por que ela ficou assim? Parece que preciso explicar melhor.
— Tipo, você já pagou o que estava me devendo, então não precisamos mais almoçar juntos. Sim, nós somos colegas de classe e estamos no mesmo clube, mas, bem, eu queria estar com você como seu amigo…
Meu corpo todo tremia enquanto eu falava. Calma aí, eu notei algo bem importante…
— .Hm? Ei, Yanami, espera um pouco…
— Tô esperando.
— Quer dizer que eu… levei um fora sem nem ter me declarado?!
— Hmm, bem, sim. Você levou um fora.
Yanami parecia bem orgulhosa ao dizer isso, ela até deu um tapinha no meu ombro.
— Bem-vindo ao mundo dos rejeitados.
— Eu não fui rejeitado. E abaixa a bola aí, viu. Tá se achando demais. Eu não me confessei para você, não.
Parece que ela não gostou nada do que eu falei.
— Só espera! Você ainda vai se confessar para mim com esse mesmo papinho furado, tá?! E quando isso acontecer, vai levar outro fora!
Não acho que isso vá acontecer…
— Yanami, não é assim que uma confissão deve ser.
— Eh? Logo você quer me ensinar sobre amor?
É só pensar um pouco. Vamos comparar nossos históricos:
Yanami no Jogo do Amor - Vitórias: 0 - Derrotas: 1
Nukumizu no Jogo do Amor - Vitórias: 0 - Derrotas: 0
O meu parece melhor. De fato, eu sei mais sobre o amor.
— Primeiro de tudo, antes de se confessar, as pessoas devem ser amigas por uns 2 ou 3 anos. E só devem se confessar quando tiverem certeza do que sentem. E tem que ser em um lugar para ficar marcado para sempre nas memórias delas…
— Isso aí já não é um pedido de casamento?
Acho que ela tem razão…
— Então quer dizer que você, Nukumizu, vai me pedir em casamento daqui 3 anos? Hmmm, devo te rejeitar logo agora?
— Não vou. Por favor, não deixe isso marcado no seu calendário ou agenda.
Ela está agindo como sempre: sendo má. A conversa tranquila me fez esquecer do assunto principal: Qual a resposta dela para o meu pedido de amizade?
— Bem, uh…
— Hm?
— E-Então… qual sua resposta? Sobre se tornar m-minha amiga…
Minha voz foi ficando cada vez mais baixa.
— Por que você tá gaguejando, cara? E nós já somos amigos, não somos?
— Eh… sério?
— O que mais nós seríamos…?
Yanami sorriu, suavemente, enquanto continuava apoiada no corrimão.
— …O que foi? Você fica aí me olhando…
Yanami suspirou.
— Poxa... É exatamente disso que não gosto em você…
— “Disso” o quê, Yanami?
Ela não respondeu, apenas deu um sorriso bobo. Eu respondi com um sorriso forçado.
…Eu continuo achando que estar sozinho não é algo ruim. Seja na forma que me conecto com os outros ou a forma que vivo minha vida, eu ainda acho que está tudo bem viver da forma que acredito ser a melhor para mim.
Eu gosto de viver assim com a Yanami.
— Obrigado, Yanami.
Isso foi sincero, foi algo do fundo do meu coração.
Yanami ficou um pouco surpresa ao me ver sorrindo de forma sincera, e rapidamente retribuiu com o mesmo sorriso.
Ela estendeu o punho cerrado na minha direção.
— Conto com você, meu companheiro de rejeição.
Sorri depois de ouvir ela dizer isso, e dei um toque no punho cerrado dela com o meu.
— Eu não fui rejeitado.
Apoie a Novel Mania
Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.
Novas traduções
Novels originais
Experiência sem anúncios