Sword Art Online Progressive Japonesa

Tradução: slag

Revisão: Shisuii


Volume 8

RAPSÓDIA DO CALOR CARMESIM - SÉTIMO ANDAR DE AINCRAD, JANEIRO DE 2023 (PARTE 15)

15

SHEESH, QUE CALOR.

Depois de pensar um pouco, abri meu menu e desequipei minha armadura principal, o «Coat of Midnight». Após mais alguns segundos de consideração, também guardei minha Couraça Reforçada.

Isso me deixou apenas com uma camisa preta de mangas compridas e calças pretas, além da roupa de baixo. Ambas eram justas ao corpo, mas as calças eram feitas de um material fantástico chamado Fio das Sombras, que concedia um grande bônus para Furtividade e também uma pequena regulação de temperatura.

Suspirei e olhei ao redor.

Eu estava no meio de um caminho estreito e escuro entre a parede norte do Grande Cassino de Volupta e o alto muro que o cercava. Um pesado portão de ferro separava essa passagem do jardim frontal do cassino, deixando claro que os convidados não deveriam estar ali. Mas como SAO não tinha aquelas paredes invisíveis dos clássicos RPGs de ação 3D, qualquer cerca ou muro poderia ser atravessado — desde que você tivesse força ou agilidade suficientes. E o jogo não transformava automaticamente o jogador em um criminoso laranja por fazer isso.

Mas os guardas NPC da cidade eram outra história. Eu não achava que eles me atacariam sem aviso, mas depois do que aconteceu no Palácio da Árvore Harin, era bem possível que eu fosse detido, levado para a prisão e interrogado.

À minha esquerda estava a parede do cassino de quatro andares, e à direita, um muro de três metros de altura. Se eu ficasse encurralado na frente e atrás, não haveria escapatória.

Esta noite era o momento de expor os crimes da família Korloy para «Nirrnir», e amanhã seria nossa missão crucial de recuperar as chaves sagradas e restaurar a reputação de «Kizmel». Eu não podia me dar ao luxo de ser preso nem por uma única noite.

Devo voltar e jogar pelo seguro...? Me perguntei.

Mas havia uma preocupação vaga no fundo do meu estômago, como se eu estivesse deixando passar algum detalhe crucial. Já havíamos praticamente confirmado que os Korloy estavam tingindo a pele de uma espécie superior de lykaon para fazê-la passar por um Rusty Lykaon na Arena de Batalha. «Kio», a empregada, estava misturando o agente descolorante naquele exato momento, e assim que ele fosse borrifado na criatura diante do público apostador, os Korloy não teriam como se justificar.

Racionalmente, eu sabia que o plano de «Nirrnir» era infalível, mas o lado gamer dentro de mim sempre suspeitava de uma armadilha quando as coisas pareciam fáceis demais.

Só vou dar uma olhada rápida nos estábulos dos monstros atrás do cassino. Se nada acionar meu radar de intuição, saio imediatamente, disse para mim mesmo, então continuei andando pelo caminho.

Felizmente, cheguei ao canto noroeste do prédio sem encontrar guardas. Pressionei minhas costas contra a parede branca do cassino e escutei atentamente. Conseguia ouvir vozes ao longe, mas ninguém parecia se aproximar.

Inclinei-me levemente para espiar a esquina.

Atrás do cassino, havia um espaço pavimentado com pedras, muito mais amplo que o jardim da frente. Três carruagens sem cavalos estavam estacionadas ali. As portas traseiras das carruagens eram feitas de barras de ferro que deslizavam para os lados, sugerindo que eram usadas para transportar monstros capturados na natureza.

No extremo norte do espaço, havia uma construção semelhante a um armazém, mas de tempos em tempos, eu ouvia relinchos, indicando que ali ficavam os estábulos dos cavalos.

Inclinei-me um pouco mais para observar ao longo da parede do cassino. Havia um portão enorme, grande o suficiente para a passagem das carruagens, com portas menores em ambos os lados. Lá dentro deviam estar os estábulos dos monstros que eu procurava.

Eu tinha presumido que seria um prédio separado, mas eles mantiveram o espaço dentro do cassino. Meu plano inicial era me aproximar furtivamente e espiar pela janela, mas isso agora era impossível. Entrar sorrateiramente seria muito perigoso — e, no entanto, uma daquelas duas pequenas portas estava entreaberta, me chamando para mais perto.

Certo, certo, eu vou! Rosnei para o sistema do jogo SAO… ou talvez apenas para minha própria deusa do destino.

Mais uma vez, examinei todo o espaço além da esquina. Do estábulo, que estava a não mais que seis metros do meu esconderijo, eu conseguia ouvir o som fraco de um esfregão sendo usado e uma voz cantando uma música meio boba, mas não havia nenhum outro sinal de presença humana. Meu palpite era que as equipes de captura dos Nachtoys e Korloys ainda estavam fora, cumprindo suas tarefas.

Me preparei para a ação, virei a esquina e corri ao longo da parede em uma posição abaixada. Pausei diante da porta aberta, ouvindo atentamente qualquer som, e, quando tive certeza de que o caminho estava livre, deslizei para dentro.

A primeira coisa que notei foi um cheiro fraco e desagradável. Lembrava um zoológico: uma mistura de palha, terra e cheiro de animais.

O lugar era escuro e espaçoso, parecido com uma garagem. As paredes e o chão eram de pedra, e na parede do fundo havia dois grandes buracos quadrados. Isso me confundiu no início, até que percebi que eram portões para carregar os monstros. Provavelmente, as carruagens recuavam até ficarem alinhadas com os buracos, então deslizavam as grades de metal para que os monstros pudessem passar sozinhos.

Ouvindo com atenção, parecia que eu conseguia captar rosnados baixos vindos de trás dos buracos. Definitivamente, eu não queria entrar ali, mas não via outra opção — Não, espere: ali estavam portas cinza, simples, nas paredes à direita e à esquerda. Se eu apertasse os olhos, poderia distinguir brasões nelas — um dragão vermelho à esquerda e uma flor negra à direita, provavelmente um lírio.

Dragão vermelho e lírio negro. Um provavelmente era o brasão da família Korloy, enquanto o outro pertencia aos Nachtoys. Tentei me lembrar dos acontecimentos do dia anterior, mas não recordava de ter visto esses símbolos no quarto de «Nirrnir» nem no cassino. Se eu mandasse uma mensagem para Asuna ou Argo, talvez elas pudessem perguntar diretamente a «Nirrnir», mas isso significaria explicar onde eu estava e o que estava fazendo. E, se eu fosse honesto, elas certamente me mandariam desistir dessa missão na hora.

Bem, pensei, o que mais se faz em um cassino além de confiar nos instintos?

Mas então me lembrei da arena de monstros na noite passada. O Rusty Lykaon dos Korloys e o Bouncy Slater dos Nachtoys haviam surgido de entradas diferentes na jaula, esquerda e direita. Se os estábulos de monstros fossem divididos dessa forma, então o lado de onde veio o lykaon era o estábulo dos Korloy, e o lado do tatu-bola era o estábulo dos Nachtoys.

Repassando a cena visualmente na minha mente, encontrei a resposta. O tatu-bola apareceu primeiro, vindo da esquerda, e o lykaon surgiu depois, da direita. Isso significava que o estábulo dos Korloy, que eu queria investigar, não era a porta com o lírio negro à direita. Como eu estava de frente para o estábulo a partir do lado oposto ao da arena na noite anterior, as direções deviam estar invertidas. Ou seja, a porta dos Korloy era a da esquerda, com o dragão vermelho.

Aproximando-me furtivamente, alcancei a maçaneta, girei e puxei. Ela se abriu facilmente, então esperei um momento antes de entrar sem fazer barulho. Fechei a porta com cuidado e me virei.

Assim como as celas sob o Palácio da Árvore Harin, ali havia um corredor sombrio que se estendia para a esquerda e para a direita. Mas, nesse caso, o chão, as paredes e o teto eram de pedra sólida. As portas eram de madeira, mas reforçadas com ferro. Se eu fosse capturado ali, não haveria como queimar fechaduras com uma tocha para escapar.

Pensei em equipar minha espada do inventário, mas descartei a ideia. Eu era o invasor naquele lugar. Se os guardas me vissem, não queria piorar a situação ficando agressivo. Caso fosse descoberto, meu plano seria correr o mais rápido possível. Se falhasse… então falhei.

O corredor terminava logo à esquerda, então segui para a direita. Havia algumas portas na parede; tentei abrir uma delas, mas era apenas um depósito empoeirado, então ignorei as outras.

No final do corredor havia uma passagem aberta, sem porta; além dela, uma escada em espiral descia para o andar inferior. Ouvi com atenção e, ao não detectar nada suspeito, comecei a descer silenciosamente. Os degraus, iluminados por lanternas, eram de pedra natural e estavam lisos pelo tempo, um testemunho da longa história das duas famílias no coliseu.

A temperatura caiu conforme eu descia, e o cheiro de animais se intensificou. Presumivelmente, todos os monstros da Arena de batalha haviam sido domados pelo método secreto do herói Falhari para controlar criaturas, mas «Nirrnir» disse que a obediência deles não era permanente nem incondicional. Não havia garantia de que minha presença, como estranho, não os faria se tornarem selvagens novamente.

Ao chegar ao último degrau, mantive todos os meus sentidos em alerta máximo para qualquer sinal de perigo, pronto para fugir ao menor indício de problemas.

Além da arcada, havia outro corredor, mais largo que o de cima. Mas, em vez de portas, as paredes eram alinhadas com uma série de gaiolas de aço. Não vi nenhum humano ali, mas vozes abafadas podiam ser ouvidas à distância.

Escutei o máximo que pude, mas não consegui nem mesmo distinguir quantas pessoas estavam falando, muito menos o conteúdo da conversa. Só tem um jeito de descobrir, murmurei para mim mesmo e segui pelo corredor.

Depois de alguns metros, espiando dentro de uma das gaiolas à direita, vi um animal atarracado deitado sobre palha suja — algo parecido com uma mistura de porco e capivara. Reconheci-o como um Rato Pinça Gigante, uma criatura que vivia perto de «Lectio», a cidade principal desse andar. 

Ele se movia devagar e não possuía ataques especiais, mas os dentes em forma de pinça que lhe davam o nome eram incrivelmente poderosos. Se mordessem sua arma, era praticamente impossível soltá-la. Você teria que derrotar o rato com outra arma ou contar com a ajuda de um aliado — caso contrário, ele simplesmente quebraria sua arma. Nem mesmo um enorme machado de duas mãos suportaria a pressão.

Mas, contanto que se estivesse ciente disso, eles eram fáceis de derrotar, então haviam sido uma grande fonte de pontos de experiência no beta. Eu já havia derrotado bem mais do que cinquenta ou cem, mas, olhando agora nesse cenário, senti pena da criatura. Não seja hipócrita, repreendi a mim mesmo, afastando-me das grades e decidindo não espiar nenhuma das outras gaiolas. Passei pela segunda, terceira e quarta, mas, assim que cheguei à quinta, meus olhos se fixaram automaticamente nela.

Essa gaiola não era feita de barras verticais como as outras, mas era cercada por um fino padrão de treliça de ferro que se estendia tanto na vertical quanto na horizontal. Os espaços entre as barras mal chegavam a uma polegada de largura, sugerindo que um monstro bastante pequeno estava sendo mantido ali dentro. Mas, ao ver a sombra encolhida no canto, percebi que não era menor do que uma capivara. Curioso, encarei até que seu cursor aparecesse. O nome do monstro era SERPENTE ARGÊNTEA. Não me lembrava de tal monstro no beta, mas era claramente um tipo de cobra. Infelizmente, meu dicionário mental não continha o adjetivo que a descrevia.

(N/SLAG: Significa feito de prata ou da cor da prata.)

De qualquer forma, a gaiola agora fazia sentido para mim; uma serpente estreita poderia se esgueirar por espaços que um mamífero maior não conseguiria. No entanto, as lacunas entre as barras na arena dentro do cassino pareciam ter três ou quatro polegadas. Se soltassem a cobra lá, ela não escaparia e ameaçaria os espectadores que assistiam à batalha?

Foi então que uma voz irritada ecoou pelo corredor;

— Droga, comporte-se!

Girei instintivamente, mas não havia ninguém por perto. O que quer que a voz estivesse repreendendo, não era a mim.

Virando-me para frente novamente, vi uma gaiola à esquerda, outra à direita e, na parede do fundo, uma porta bastante pequena, que não parecia ser uma cela de monstros. Se me concentrasse, conseguia ouvir um som semelhante a um rosnado vindo da cela à direita.

Avancei lentamente, pressionando-me contra a parede, e espiei com cuidado dentro da sexta gaiola.

A pequena câmara tinha cerca de dois metros e meio de cada lado, e dois homens estavam lá dentro, de costas para mim. No canto, sobre um punhado de palha, repousava um monstro do tipo canino com pelos avermelhados. Não precisava ver o cursor para saber que era o Rusty Lykaon de ontem. Havia pontos onde a cor vermelha estava se soltando do corpo, revelando pelos brancos por baixo.

O lykaon arreganhava os dentes para os homens, rosnando baixinho. Se fosse uma versão superior do lykaon com a pelagem tingida, seria perigoso o suficiente para até mesmo os jogadores mais avançados tomarem cuidado, mas aqueles dois estavam totalmente despreocupados — porque o lykaon usava uma coleira de ferro pesado que o acorrentava à parede.

Os homens eram robustos e vestiam camisas vermelhas escuras, coletes de couro e luvas longas que iam até os cotovelos. Ambos tinham cursores exibindo TREINADOR DA FAMÍLIA KORLOY, indicando que seu trabalho era lidar com os monstros.

O homem à direita ergueu um chicote curto e gritou.

— Maldito vira-lata! Faça o que mandamos ou vai sentir o gosto disso!

O lykaon recuou ainda mais, mas não parou de rosnar.

O homem à esquerda murmurou, irritado.

— Temos que pintar essa coisa rápido, senão não vai fixar no pelo antes da luta, e ainda vai cheirar mal. Ontem à noite nem estava totalmente seco.

Notei que ele segurava um pincel grande em uma mão e um pote de cerâmica na outra. O pincel estava coberto de tinta vermelha retirada do pote — o corante para a pelagem.

Ao me concentrar nos cheiros persistentes, percebi um aroma doce e cortante misturado ao odor animal. Era, sem dúvida, o mesmo cheiro da mancha vermelha que limpamos das grades da arena. Não gostei daquilo da primeira vez, então devia ser insuportável para o nariz sensível de um monstro do tipo canino.

Mas o Rusty Lykaon — ou seja lá qual fosse seu nome verdadeiro — supostamente estava sob o controle do poder de «Employment» de «Bardun Korloy». Havia uma tigela de comida e um balde de água no canto, então presumi que ele não havia perdido seu status de domado por fome. Então, por que continuava mostrando os dentes para aqueles treinadores? 

Obviamente, eles não podiam sentir meus pensamentos, mas, ainda assim, o homem à direita coçou a nuca com o cabo do chicote e resmungou.

— Vamos precisar que o Mestre «Bardun» refaça o truque nele.

Os ombros largos do homem à esquerda subiram e desceram.

— Mas o plano é se livrar dele hoje, não é?

— Sim. Mesmo aqueles tolos dos Nachtoys devem ter percebido que há algo errado a essa altura. Assim que cumprir seu último turno esta noite, esse cachorrinho vai para a fazenda.

— Então, se pedirmos para ele usar o truque de novo, ele só vai nos ordenar a fazer durar mais uma luta. E isso não sai barato.

— Isso é verdade…

O que eles queriam dizer com "a técnica para domar monstros não sai barata"? De acordo com «Nirrnir» e «Kio», era um poder especial herdado de seu ancestral, o herói Falhari. Isso me soava como uma Habilidade Extra. Mas, seja o que fosse, algo não estava se encaixando.

O homem com o chicote estalou a língua.

— Tsk, tudo bem. Vou chicoteá-lo até que não consiga mais se mover. Então você aplica o corante. Contanto que o alimentemos com poções de cura ao longo da tarde, ele deve estar pronto para essa última luta à noite.

— Certo. Vá em frente — disse o homem à esquerda, recuando.

O da direita puxou o braço para trás. O chicote de couro trançado cortou o ar com um assobio e estalou firme nas costas do lykaon.

A criatura soltou um ganido e tombou de lado, efeitos vermelhos de dano escorrendo de suas costas. Levantou-se e voltou a rosnar, mas apenas aquele único golpe já havia reduzido sua barra de vida de aproximadamente 60% para menos da metade.

O chicote assobiou pelo ar novamente. O lykaon tentou saltar para longe, mas a corrente curta tilintou e esticou, mantendo-o dentro do alcance do chicote. Ele estalou contra as costelas do lykaon, lançando-o para trás e ao chão mais uma vez. Mais 10% de sua vida se esvaiu, e agora ele estava sob efeito de atordoamento.

Pela terceira vez, o homem ergueu o chicote.

— Pare!! — gritei antes mesmo de perceber o que estava fazendo. Fechei a boca na hora, mas já era tarde demais.

— Hã?!

— Quem disse isso?!

Recuei a cabeça antes que eles se virassem para me ver. Se eu fugisse agora... Mas não, se gritassem, seus companheiros provavelmente me encurralariam na escadaria em espiral. Num julgamento rápido, abri minha janela e equipei um Saco de Estopa Rasgado sobre a cabeça.

Com um sopro, o saco apareceu e encaixou-se sobre minha cabeça. Não havia aberturas para os olhos, mas as fibras eram tão espaçadas que, na verdade, eu conseguia enxergar bem melhor do que esperava. No momento em que fechei minha janela, a porta da cela se escancarou, e os homens saltaram para o corredor. Seus olhos se arregalaram ao me verem ali, usando a máscara improvisada, mas rapidamente se recuperaram e gritaram.

— Quem diabos é você?!

— Você está com os Nachtoys?!

A segunda acusação era perfeitamente precisa, mas eu não iria admiti-la. Em vez disso, permaneci em silêncio. O treinador com o pincel e o pote, que ostentava a combinação perfeitamente vilanesca de cabeça calva e cavanhaque, franziu a testa e cuspiu.

— Quem quer que você seja, não podemos deixar que saia daqui. Vamos dar uma surra nele e jogá-lo em uma das celas vazias.

— Ótima ideia. Sempre quis tentar acertar alguém com isso — disse o outro treinador, batendo o chicote contra o chão. Esse foi o sinal para que seus cursores de cor mudassem de amarelo para vermelho.

Mas o tom de vermelho era bastante pálido; isso significava que seus níveis estavam muito abaixo do meu. No entanto, além de ser a primeira vez que eu lutava contra alguém usando um chicote, eu também era o invasor ali. Só porque enfrentá-los não tornaria meu cursor laranja, não significava que eu poderia simplesmente matá-los. Talvez eu pudesse neutralizá-los sem causar muito dano, para escapar antes que os verdadeiros guardas aparecessem.

O chicoteador não tinha barba, mas seu cabelo era longo, e suas sobrancelhas eram grossas e inclinadas em um misto de fúria e concentração enquanto puxava o braço para trás.

Embora fosse minha primeira vez enfrentando um chicote, eu já havia observado seu alcance ideal e o tempo de ataque ao vê-lo punir o lykaon. No momento em que o assobio ecoou pelas paredes, eu já estava avançando.

A arma veio da parte superior esquerda, então me abaixei para evitar o golpe, sentindo a ponta alargada roçar no topo da minha cabeça enquanto eu passava. Mantive meu punho esquerdo na altura da cintura e o projetei para frente.

O punho brilhante e avermelhado atingiu o treinador do chicote bem entre suas sobrancelhas impressionantes. Aquela era a habilidade básica de «Martial Arts», «Sendai» — não tão poderoso, mas com uma chance muito maior de infligir atordoamento em um golpe limpo do que uma espada cortante. 

Como eu esperava, o treinador foi lançado para trás e caiu de costas no chão, imóvel. Ainda lhe restavam mais de 70% de HP, mas um anel de luz amarela girava ao redor de sua cabeça. Esse era o efeito de atordoamento que eu queria — e não o mais fraco, que desaparecia em três segundos, mas um forte, que o imobilizaria por quase um minuto. Isso não funcionava tão bem contra jogadores, mas parecia que NPCs comuns, que não fossem soldados ou guerreiros, eram mais suscetíveis a efeitos negativos.

— O quê…?!

O outro treinador arfou de surpresa e, em seguida, encheu os pulmões de ar. Ele ia chamar os guardas. Saltei para frente novamente, determinado a impedi-lo.

Desta vez, desferi um «Flash Blow» com meu punho direito, direto na têmpora dele. O treinador saiu do chão, bateu a parte de trás da cabeça contra as barras de metal da cela e caiu no chão, coberto por efeitos visuais indicando dano e um efeito de atordoamento. O pote escapou de sua mão e caiu — peguei-o antes que se espatifasse ruidosamente no chão.

Assim como eu esperava, consegui neutralizar meus adversários sem matá-los, mas, no máximo, eles ficariam atordoados por mais cinquenta segundos. Eu precisava escapar do estábulo Korloy e voltar para a frente do cassino nesse tempo.

Estava prestes a girar sobre a ponta do pé quando avistei o Rusty Lykaon, deitado inerte no fundo da cela.

Por puro instinto, tensionei o pé, pronto para correr novamente, mas meu avatar não me obedecia. O que aqueles treinadores fariam com o lykaon se eu o abandonasse agora? Eles assumiriam que seu esquema de tingimento de pelo havia vazado para os Nachtoys — e eliminariam as "provas" mais cedo.

Mesmo assim, e daí? Ele seria destruído ainda esta noite de qualquer jeito, então era apenas uma questão de tempo. E o lykaon não era o animal de estimação amado de alguém; era apenas um mob, como todos os besouros lanceiros, vespas venenosas e hematomelibes que já havíamos matado neste andar. Um simples mob, o tipo que eu não hesitaria em enfrentar com minha espada na natureza.

Eu sabia de todos esses fatos perfeitamente bem. E, ainda assim...

— Que droga!

Saltei pela porta aberta, entrando na cela.

A fera deitada ergueu o pescoço e rosnou — mas sua voz era fraca e nada intimidadora. O cursor amarelo indicava que sua barra de HP estava apenas um terço cheia.

Abri minha janela e joguei o pote no meu inventário, depois toquei o botão «QUICK CHANGE» para equipar minha espada. Assim que a saquei das costas, fiz um único golpe e cortei a corrente que conectava a coleira do lykaon à parede. 

O lykaon latiu ao sentir a vibração do golpe. Guardei rapidamente minha espada e sussurrei para a fera ferida.

— Apenas fique calmo.

— Grrrl...

Não consegui dizer se aquele rosnado era um sim ou um não. Mas o cursor ainda estava amarelo, então, pelo menos, ele não me via como um inimigo. Aproximei-me com cuidado e passei os braços ao redor da criatura, que tinha o tamanho de um pastor alemão, levantando-a. Seu corpo era robusto, mas, devido ao meu atributo de força, não parecia muito pesado para mim.

— Grar! — o lykaon latiu, se debatendo um pouco antes de desistir e abaixar a cabeça. Ele não havia aceitado meu controle; apenas não tinha mais forças para resistir.

No campo de batalha, monstros lutavam até o último pixel de vida. Isso deveria ser verdade para esse lykaon também, então por que ele não conseguia se mover? Talvez estivesse sob algum tipo de status negativo.

Mas eu poderia descobrir isso depois. No momento, precisava sair do estábulo subterrâneo.

Segurando o lykaon, saltei para fora da pequena cela. Os treinadores ainda estavam atordoados, mas o efeito visual amarelo ao redor de suas cabeças estava muito mais fraco do que antes. Provavelmente estariam de pé e se movendo em menos de vinte segundos.

Correndo a toda velocidade, disparei pelo corredor, usando a trama frouxa do saco para manter a visibilidade. Em menos de três segundos, atravessei, saindo no corredor sem desacelerar. Com cinco passos, passei pela parede curva e entrei na escadaria, subindo três degraus de cada vez.

Por fim, ouvi os gritos deles atrás de mim. Mas o prédio não havia sido construído para resistir a intrusos; não ouvi nenhum trompete ou sino de alarme. Levaria mais tempo para os guardas receberem a informação dos treinadores.

Quando cheguei ao andar térreo novamente, corri pelo curto corredor até a garagem de carga. Felizmente, ela ainda estava vazia — embora eu tivesse certeza de que o pátio aberto nos fundos não seria o mesmo.

Parei brevemente diante da porta por onde entrei, espiando com cuidado. Como suspeitava, no meio do pátio de carga, os dois funcionários haviam terminado de limpar os estábulos dos cavalos e estavam conversando com dois guardas totalmente armados.

Se um estranho com um saco na cabeça tentasse sair carregando um lykaon agora, isso causaria um alvoroço — e em mais vinte segundos, os treinadores lá embaixo estariam aqui em cima. Talvez eu tivesse algo útil no meu inventário, mas não havia tempo para rolar a lista enorme.

...Meu inventário.

—!

Meus olhos se arregalaram. Escorreguei o lykaon sob meu braço esquerdo e abri minha janela com a mão livre. No topo do meu inventário, que estava ordenado pelos itens mais recentes, havia um chamado TINTURA DE FLOR DE RUBRÁBIO. Toquei no nome e materializei-o, pegando o pote e puxando-o para trás o máximo que pude.

Eu bem que poderia usar a habilidade de «Throwing Knives» agora, mas essa distância deve ser suficiente. Por favor, acerte! Orei silenciosamente, lançando o jarro com toda a força através da porta entreaberta. 

O jarro voou reto e bateu com força na couraça resistente do guarda que estava de frente para mim. Ele estourou, espalhando um líquido vermelho como argamassa. Instantaneamente, os quatro homens que conversavam tiveram seus rostos salpicados com a mesma cor da pele do lykaon.

— Aaaah!

— O que é isso?!

— Meus olhos! Meus olhos!!

No instante em que os homens se curvaram, cobrindo os rostos com as mãos, disparei para o pátio. No mesmo momento, ouvi gritos atrás de mim.

— Guardas! Guardas!

— Tem um invasor!

Mas os guardas e os treinadores dos estábulos estavam ocupados. Passei correndo pelos quatro e, em vez de seguir pelo caminho lateral que contornava o prédio do cassino, fui direto para os portões duplos nos fundos do pátio traseiro. Obviamente, eu não podia simplesmente atravessar a porta da frente carregando um monstro de verdade nos braços. Mas essa rota também não seria nada fácil.

Os portões eram do tipo deslizante, com painéis grossos reforçados com aço. Nem mesmo um martelo de duas mãos conseguiria quebrá-los, muito menos uma espada. As duas trancas, na parte superior e inferior, talvez quebrassem com uma habilidade de espada, mas com os treinadores no meu encalço, eu não tinha tempo para lidar com isso.

Restava apenas um método de fuga: pular o muro de dois metros e meio de altura carregando o lykaon.

Era a mesma altura do portão de ferro que bloqueava o caminho lateral, mas dessa vez não havia nenhuma parede perpendicular por perto para eu escalar. Os muros de pedra ao lado dos portões eram mais altos e completamente lisos. As únicas coisas que poderiam servir de apoio eram as duas trancas que mantinham os painéis conectados.

Essas trancas tinham hastes de metal com um gancho na ponta que se encaixava no suporte, mas eram tão grandes que a ponta das minhas botas poderia se apoiar nelas com alguma dificuldade. No entanto, minhas chances de sucesso carregando o lykaon eram, no máximo, de cinquenta por cento — e eu precisava acertar dois saltos seguidos, o que reduzia minhas chances para apenas vinte e cinco por cento.

Nos três primeiros segundos de corrida, analisei a situação, e no quarto, tomei minha decisão. Enquanto avançava para os portões, gritei para mim mesmo.

— Vai!

Se qualquer vestígio de medo ou hesitação chegasse à minha mente, eu falharia. Concentrando todos os sinais mentais que o NerveGear captava da minha cabeça na vida real, reuni toda a minha força no pé direito e me lancei dos paralelepípedos.

Como um atleta de salto em distância, avancei quase cinco metros e apoiei a ponta do pé esquerdo na tranca inferior. Confiando na firmeza da sensação transmitida pela pequena estaca na sola das minhas Botas Curtas com Cravos, saltei verticalmente.

Meu pé direito mal alcançou a tranca superior. Mas ali terminava o impulso do meu salto. A única coisa que poderia me levar mais noventa centímetros para cima, junto com o lykaon, era força pura.

— Yaaaah!!

Gritar não era uma boa ideia, considerando que poderia haver guardas do outro lado do portão, e nem estava claro se gritar em um ambiente virtual realmente ajudava na ação. Mas, mesmo assim, transformei aquele grito em força para o meu segundo salto vertical. Minha perna esquerda se esticou tanto que senti um puxão na virilha, e ainda assim… não consegui alcançar o topo do portão.

Eu poderia estender a mão direita para segurá-lo, mas, se fizesse isso, deixaria o lykaon cair.

Se ao menos minhas pernas fossem um centímetro mais longas!

Afastei esse pensamento e imediatamente mudei de plano. Antes que começasse a cair, usei o pé esquerdo para me impulsionar e virei cento e oitenta graus no ar, ficando de frente para o pátio. Os guardas e treinadores ainda esfregavam os olhos, mas os dois cuidadores já estavam no meio do pátio. Se eu não fizesse nada, cairia de volta ao chão e, mesmo que não sofresse dano, não teria tempo para tentar outro salto.

Mas eu ainda tinha um último truque na manga.

Enquanto caía, dobrei as pernas e curvei a parte superior do corpo. Um som agudo ressoou, e uma luz amarela brilhou na minha perna direita.

Meu pé pisou no ar… e então disparou para cima. Uma força propulsora que ignorava completamente todas as leis da física me lançou diretamente para cima.

Era a habilidade de Martial Arts, o chute mortal em salto, «Gengetsu». Uma trilha de luz amarela ficou marcada no ar. 

Como eu dependia do jogo para me impulsionar, a força do movimento não era tão potente quanto um salto real, mas foi o suficiente para que minha cabeça ultrapassasse o topo do portão. O exausto lykaon soltou um latido fraco, assustado com o giro, mas felizmente não entrou em pânico. Provavelmente, nem tinha forças para isso.

Fiz mais dois giros e uma torção antes que meus pés tocassem o chão. Abaixado, olhei rapidamente ao redor — como temia, havia guardas totalmente armados de ambos os lados do portão. Seus olhos se arregalaram dentro dos capacetes.

— O quê?!

— De onde você…? 

Mas enquanto eles perdiam tempo falando, eu já estava de pé e correndo. O muro de pedra que cercava a parte de trás do cassino também fazia parte da muralha de «Volupta»; uma mensagem gráfica com os dizeres FORA DA CIDADE apareceu diante dos meus olhos e logo desapareceu. Eu podia ouvir os gritos dos treinadores atrás de mim, mas eles rapidamente foram se tornando mais distantes.

À frente, estendia-se um campo gramado sob o sol escaldante do meio do verão, além de um caminho de terra marcado por incontáveis trilhas de rodas de carroça. Ele se curvava para a direita e, sem dúvida, levava de volta à estrada que passava pelo portão oeste de «Volupta», por onde eu havia passado com o grupo algumas horas antes. Mas eu não podia entrar na cidade carregando um monstro, e, naquela estrada aberta, qualquer um que me perseguisse me veria com facilidade.

Olhei por cima do ombro enquanto corria e vi os dois guardas armados e os treinadores começando a correr atrás de mim. Eu tinha uma vantagem de pelo menos trinta metros sobre eles, mas, carregando uma criatura do tamanho de um grande cão, não tinha certeza se conseguiria superá-los em um terreno plano e aberto. Eu precisava sair da linha de visão deles para escapar.

Assim que voltei a olhar para a frente, lembrei-me de algo: se eu continuasse em linha reta onde o caminho se curvava, chegaria ao leito do rio onde procuramos as pedras de wurtz mais cedo, a menos de quinhentos metros de distância. E, em ambos os lados do rio, havia áreas de vegetação densa que seriam um esconderijo perfeito.

— Aguente só mais um pouco! — murmurei para o exausto lykaon, aumentando ainda mais a velocidade dos meus passos.

Eu corria como um ninja, mantendo o corpo inclinado o máximo possível para frente e regulando cada passada. Os gritos iam ficando mais fracos à distância, mas, se me desesperasse demais na fuga, poderia tropeçar e perder o equilíbrio. Concentrei-me no chão à minha frente, desviando de pedras escondidas na grama e galhos secos.

Ao chegar ao topo de uma colina suave, avistei os arbustos verdes que emolduravam o brilho prateado da água entre eles. Aquele era o maior rio do sétimo andar, começando nas montanhas ao norte e fluindo pelos campos até o mar ao sul. Sempre tive curiosidade para saber para onde ia toda aquela água ao chegar naquela pequena faixa de mar, mas esse não era o momento para pensar nisso.

Avancei em direção a um grupo de cinco ou seis arbustos agrupados, mirando neles enquanto descia a colina. O jogo costumava gerar arbustos mais densos perto de árvores, o que me daria uma boa cobertura. A única questão era se eu conseguiria chegar lá antes que meus perseguidores chegassem ao topo da colina e me avistassem.

Os últimos cem metros de descida foram praticamente uma queda. Parecia que o jogo estava testando a cada passo se eu iria tropeçar, e só podia contar com meus atributos e pura sorte. Minha atenção estava focada na borda da vegetação se aproximando rapidamente e, quando estava a apenas cinco metros, inclinei-me para trás e deslizei sobre as costas, segurando o lykaon com força nos braços enquanto meu pé guiava a entrada no meio das folhas.

A maioria das árvores e arbustos em SAO podiam ser cortados — ou seja, destruídos —, mas algumas árvores possuíam um núcleo básico indestrutível. Se o sistema tivesse marcado aquele arbusto em particular como um desses obstáculos, ele poderia me repelir. Felizmente, o arbusto apenas soltou algumas folhas enquanto me recebia em seu interior. Ainda mais sortudo, o espaço dentro era uma espécie de oco cercado por vários arbustos, tornando-se um esconderijo perfeito.

Arranquei o manto de estopa que estava usando esse tempo todo e espreitei através dos galhos para observar a colina que havia acabado de descer. Cinco segundos depois, meus perseguidores apareceram no topo. Os dois guardas e os treinadores olhavam ao redor, tentando encontrar qualquer sinal de mim. Se fossem jogadores ou AIs avançados, provavelmente perceberiam que eu estava escondido na vegetação, mas aqueles seguiam os algoritmos típicos de NPCs ou mobs em perseguição.

Os quatro homens vasculharam o campo aberto com o olhar, e seus olhos passaram várias vezes pelo meu esconderijo, mas eles não desceram a colina. Eventualmente, pararam de procurar e trocaram algumas palavras. Logo em seguida, seus cursores vermelhos voltaram a amarelos.

Depois que se viraram e desceram a colina em direção à cidade, finalmente soltei o ar dos pulmões. Foi então que me lembrei, enfim, de que ainda estava segurando o Rusty Lykaon.

O lykaon apoiou a cabeça no meu braço e arfava rapidamente. Verifiquei sua barra de HP e vi que restava menos de 20% — e diminuindo lenta, mas seguramente. Será que o chicote do treinador tinha veneno? Mas, nesse caso, deveria haver um ícone de debuff, e não havia motivo para enfraquecer um monstro que deveria lutar para eles em um confronto.

Isso significava que o efeito de dano contínuo vinha de algum tipo de status negativo oculto. E, na maioria dos casos, esses efeitos eram ocultos porque faziam parte de uma missão. O que queria dizer que…

— É o corante! — rosnei, me sentando de repente.

Minutos antes, escapei jogando o Corante Rubrábio nos guardas. Eu só esperava confundi-los por alguns segundos, mas os NPCs haviam desabado no chão, arranhando os próprios olhos. Isso sugeria que o corante era venenoso e provavelmente causava dano contínuo se entrasse nos olhos ou em uma ferida aberta. 

Ou seja, o lykaon estava perdendo HP porque foi atingido pelo chicote enquanto o corante ainda estava espesso em sua pelagem. Talvez eu pudesse levá-lo até o rio e lavar o corante… Mas não: se água comum bastasse para removê-lo, «Nirrnir» não teria se dado ao trabalho de criar um agente de descoloração.

Se eu não podia remover o corante, então, se eu curasse seus ferimentos, restaurando o HP, o dano deveria parar.

Abri rapidamente meu inventário, peguei o saco de estopa que havia largado e materializei uma poção de cura, abrindo-a e segurando-a perto da boca do lykaon.

— Aqui. Beba isso.

Mas o lykaon apenas arfava, sua língua pendurada para fora da boca. Ele não fez menção de beber. Tentei pingar um pouco do líquido vermelho em sua língua, mas ele apenas escorreu para o chão. Em um MMORPG antigo que eu havia jogado antes, curar o HP de um monstro domado exigia uma habilidade apropriada, então talvez em SAO funcionasse da mesma forma. Isso significava que eu não tinha como curar o lykaon agora.

Um cristal de cura poderia resolver o problema, mas o único cristal que encontramos neste andar estava com Asuna, e eu não queria desperdiçar um recurso que poderia ser nossa salvação em um monstro.

Foi um impulso repentino que me levou a salvar o lykaon e fugir; será que esse gesto tinha sido inútil? Não, isso também eliminaria uma oportunidade de revelar os crimes da família Korloy, então não era apenas inútil, era um retrocesso. Como eu poderia me desculpar com Argo, que assumiu a missão; «Nirrnir» e «Kio», os clientes da missão; e Asuna, que trabalhou tanto para reunir os materiais para o descolorante…?

— Ah — suspirei.

Talvez houvesse uma outra forma de salvar o lykaon. As chances de dar certo eram baixas, mas, se eu desistisse agora, nunca me perdoaria.

Voltei para minha janela de jogador aberta e escrevi uma mensagem rápida para outro jogador. Então, acariciei e afaguei o pescoço do lykaon moribundo até que uma resposta chegou dois minutos depois. Li rapidamente, soltei um suspiro e guardei a poção de volta no inventário, retirando em seu lugar um cantil de couro.

— Você pode não gostar da poção, mas aposto que vai beber água.

Derramei um pouco do líquido na palma da mão e a aproximei do focinho da criatura. O lykaon ergueu levemente a cabeça e começou a lamber a água. Claro, isso sozinho não iria restaurar seu HP, nem interromper o dano. Pelo menos, eu queria remover o colar de ferro com a corrente pendurada, mas ele estava preso com força, e não consegui afrouxar a porca com os dedos.

Em vez disso, deixei a cabeça do lykaon descansar no meu colo e esperei pacientemente.

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