OVERKILL
Capítulo 16: Caixa de Exageros
Num campo aberto às margens da Torre, a intensa batalha se iniciava sem uma plateia, fadada a viver somente na memória do vencedor e por ele moldada.
Começaram com combate próximo, medindo as forças um do outro.
Após uma breve troca de golpes e com alguns hematomas em seu corpo, Devic tomou distância para organizar os pensamentos, aproveitando para reavaliar as estatísticas de Carmilla.
Vampiro Original
Força 75/100
Agilidade 78/100
Inteligência 92/100
Por qualquer que fosse a razão, ela evitou usar a habilidade inata até o momento, mesmo que sua Inteligência fosse o atributo mais alto.
Graças à resistência que desenvolveu nos últimos dias e aos efeitos de longo prazo mesmo depois de perder o Terceiro Olho, Devic podia lutar sem o medo ser enganado por algum alucinação repentina.
Apesar disso, não negava que seria extremamente mais fácil com os Órgãos Especiais, possivelmente terminaria tudo em um único golpe.
"Eu ainda consigo acompanhá-la por agora, mas não posso deixar a luta se estender demais."
Ele preparou para o próximo avanço, até que a vampira falou de repente.
— Por sinal, você é o décimo terceiro dos últimos três meses.
Pensando ser uma distração, manteve posição defensiva, mas nada veio.
Mesmo faltando qualquer intenção assassina — que era especialista em ler —, seu corpo recusou baixar a guarda.
— Do que estamos falando exatamente?
— O 13° a chegar na entrada da Torre. Você acha que é o único tentando isso? Todos os dias alguém tenta, e todos os dias alguém morre por causa dessa tentativa.
— A Torre tem quatro entradas — disse, como para definir a conversa.
— Eu sei, e já cuidei disso há muito tempo. Eu uso a minha habilidade para que qualquer um que chegue à Torre por outro caminho não enxergue uma entrada, um feitiço inquebrável por si só. Em outras palavras, enquanto eu estiver viva… — Ela apontou com o polegar por cima do ombro. — o único caminho é esse aqui.
Arqueou uma sobrancelha. Se fosse para ela mesma entrar e fazer um pedido ao Rei Eterno, já o teria feito. Egoísmo era uma possibilidade, tal qual mero desserviço pra sociedade.
— O que pretende com isso?
— Bem, isso fica aberto a interpretações.
Ao que ela sorriu, ambos seus braços se transformaram em madeira, os dedos se estendendo em vários galhos que formaram uma pequena esfera à sua frente. Quando quebrada, revelou uma caixa que cabia na palma da mão, dotada de uma pequena manivela na lateral.
— Você sabe o que é isso? — perguntou ela.
— Uma… — Forçou o olhar. — Caixinha de música?
— Precisamente. — Abrindo o item, um espaço vazio. — Sendo específica, é uma que eu guardo desde que eu era apenas uma garotinha. É algo que aprecio com todo o meu coração. Dito isso…
Concentrado a força numa das mãos, ela esmagou o item maciço por completo.
— Visto que não vamos chegar a lugar nenhum apenas com golpes simples, eu vou te ensinar a dançar. Ao ritmo da minha música, é claro.
Uma súbita pressão atraiu os olhares para o céu.
Vlush!
A mesma caixa de música, agora do tamanho de um castelo, emergiu de dentro das nuvens cinzas no céu. O abrir da tampa revelou um vazio semelhante ao Útero. Desta escuridão emergiram diversas e variadas figuras geométricas, que agora circulavam os céus da área próxima.
Em seguida, um tipo de pilar de cristal surgiu no centro da caixa. O tronco principal separou-se em diversos segmentos menores, estes que separaram-se em outros ainda mais pequenos, até que formassem uma grande árvore de cabeça para baixo.
Na ponta de cada galho brotou um fruto avermelhado do tamanho de uma cabeça humana, que por fim abriu-se num olho negro de pupilas amarelas. Todos miraram Devic ao mesmo tempo.
Admirada com sua própria criação, Carmilla concluiu:
— Por sinal, você é o primeiro a presenciar isso. — Sem nenhuma explicação, ela começou a voar, se erguendo alguns metros acima. — Esta é a verdadeira forma da minha habilidade, [Spieluhr].
…Agora, Devic, me mostre como vai…?!
Quando menos percebeu, o soldado desapareceu de vista.
Vush!
Carmilla sentiu um arrepio na nuca. Vendo o vulto atrás de si, usou os braços para proteger a cabeça de um golpe fatal. No entanto, Devic não mirou a cabeça, sequer usou sua espada.
Concentrou a força de todos os seus músculos na mão dominante, capaz de emular uma pequena porcentagem da Segunda Camada Muscular.
De palma aberta, acertou um tapa na bunda de Carmilla que a fez afundar no chão. O denso slap daria uma volta ao mundo.
"Certo, agora eu preciso ganhar tempo. Seria difícil fazer uma aproximação frontal, então me resta torcer para que isso dê certo."
Ele então começou a correr, contornando a vampira a se levantar sem pressa.
— Estava todo animadinho até agora pouco. O que planeja se afastando assim do nada?
Ilesa, ela acompanhou os movimentos do soldado com o olhar.
Temendo um ataque surpresa, Devic se manteve em movimento constante, com movimentos o mais precisos e necessários para economizar energia.
Como se lesse pensamentos, Carmilla sorriu de canto e apoiou aos mãos na cintura.
— Se não vai se aproximar, sem problemas. Eu mesma consigo te acertar mesmo se ficar paradinha bem aqui.
Um tipo inédito de incômodo atacou Devic. Diversas partes de seu corpo formigaram ao mesmo tempo, e a carne se expandiu como se algo rastejasse por debaixo da camada superficial da pele.
Num estouro indolor, incontáveis animais escaparam de seu corpo. Um esquilo, uma foca, um pequeno pardal, um coelho, uma zebra. Um animal das mais variadas espécies.
Em seguida, das áreas escuras da caixa de música no céu, outros emergiram. Uma coruja, um tubarão, um falcão, uma raposa, um leão. Emergiram das trevas com um único objetivo nos olhos sedentos: comer!
"Presa e predador, eu consigo ver essa conexão, mas qual o efeito?"
Antes que pudesse refletir, Carmilla surgiu à frente e imitou o golpe final contra Ludwig. Com a cabeça em jogo, Devic pôs a espada à altura do golpe. Graças a [Overkill], as palmas da vampira pararam ao contato com a lâmina, incapazes de atravessar.
Encaixou um chute na barriga, inútil, devolvido por uma cabeçada da vampira.
Prevendo um soco direto, baixou a espada e flexionou os músculos para defender.
Foi neste momento.
Trisk!
— GAAAARH!
Uma onda súbita de dor atingiu-lhe do pescoço para cima, escurecendo a visão completamente.
O punho de Carmilla afundou em seu rosto, arremessando o corpo por vários metros.
BLANK!
Parou ao colidir nas paredes externas na Torre, as placas de metal que afundaram imediatamente concertadas por forças invisíveis.
De volta aos seus sentidos, Devic procurou pela causa da dor e a encontrou pouco distante.
Um dos animais que saíram de seu corpo, o pardal, foi pego pelo falcão e era agora devorado. Os olhos da presa arrancados num único puxão de uma das garras. Em seguida, o bico afiado invadiu a boca do pássaro, por onde puxou suas estranhas.
— GAAAH! UURGH!!
Devic vomitou alguns litros de água misturados a suco gástrico. Se manteve consciente num esforço sobre-humano, temendo um ataque fatal se desmaiasse agora. Pelo menos conseguiu entender, supostamente, o que acontecia.
"Uma técnica de… indução de dor!"
De seu corpo saíram as presas, e da caixa os predadores. Quando a presa era caçada, cada golpe que sofriam de seus caçadores era transmitido para Devic na forma de estímulos equivalentes.
Longe de algo para matar. Apenas com essa primeira experiência ele teve certeza.
A habilidade inata de Carmilla, [Spieluhr], era uma técnica nascida com o objetivo de torturar.
"Eu consigo fazer algo pra melhorar a situação?"
Mirou a vampira brevemente. Ela andava sem pressa, chegando a bocejar.
Decidido a aproveitar a falta de preocupação, ele correu.
Num piscar de olhos, alcançou a dupla de presa e predador mais próximos.
Sua versão foca usava os céus como mar, elegantemente esquivando dos avanços velozes do grande tubarão, uma tática prestes a falhar.
Num avanço ascendente, o tubarão atropelou o ar como um míssil em rota de colisão com o alvo. Porém, seu trajeto perfeito foi quebrado por uma espada que acertou-lhe o focinho e o arremessou contra o chão.
Sem perder tempo, Devic forçou entrada na boca do tubarão e, quando dentro, empurrou com braços e pernas em direções opostas e separou a criatura em duas metades.
"Não recebi nenhum estímulo de dor… Então se eu eliminar todos os predadores, talvez…?!"
Novas silhuetas emergiram do vazio dentro da caixa de música nos céus. Dois tubarões, ainda maiores que o anterior.
Em adição, a criatura que matou não causou dano algum em Carmilla.
Neste meio tempo, a foca que salvou se mantinha próxima ao ver que foi salva do tubarão.
Com a falha da primeira alternativa, partiu para a segunda opção.
Envolveu a foca em seus braços e aplicou pressão gradualmente. O animal começou a se debater, mas nenhuma dor foi transferida desta vez.
Ele então agarrou a cabeça do animal e torceu seu pescoço em 180°, matando-o de imediato e causando o corpo a desaparecer.
Por um momento, os dois tubarões nadaram confusos pelo céu acima.
"É isso?! Se eu mesmo eliminar as presas, talvez consiga encerrar a habilidade!"
Logo quando um curto sorriso brotava em seus lábios, a caixa reagiu novamente. Da escuridão, um total de quatro baleais orca emergiram e começaram a caçar os dois tubarões.
Chamados de reis dos mares, foram feitos de brinquedos.
Um dos tubarões foi esmagado entre duas orcas, enquanto o outro teve a barriga perfurada e o fígado roubado antes de ser usado como saco de pancada.
No chão, Devic parecia ser vítima de um grupo de fantasmas boxeadores.
"Co-Como eu me livro disso!!?"
Ele foi ao chão. Os golpes eram indefensáveis, vindos de dentro para fora.
Os tubarões foram feitos em pedaços.
O coelho sufocou-se nas presas da raposa.
A zebra sangrava lentamente, ferida pelas garras do leão.
O esquilo, pobre coitado, empalado pelas garras da coruja.
— AAARGH…!! KUURGH!!
A maior das presas, no entanto, continuava viva. Para resolver, o predador de topo se aproximou. Seus olhos esmeralda destacados numa densa cortina negra a esconder sua feição.
— Resistindo tanto mesmo sem os Órgãos Especiais, tenho que te elogiar por isso.
Entre os espasmos que ameaçavam explodir seu corpo, Devic encarou de canto a situação dos animais.
Todas as presas foram pegas e devoradas pelos predadores. Porém a caixa logo cuspiu novos caçadores, e a perseguição se reiniciou, fadada a repetir para sempre.
A única exceção ao ciclo estava de pé, diante de seus olhos, sorrindo largamente em pose relaxada.
— Carmilla…!!
À mera ameaça de se levantar, a vampira pisou sobre suas costas, capaz de subjugá-lo sem precisar de força sobre-humana.
— Você estava curioso sobre o fato de que, apesar de Ludwig ser uma ilusão, você ainda ter lutado contra ele na última batalha…
Numa breve pausa que teve dos estímulos de dor, conseguiu mover o rosto para encarar a vampira de baixo.
— Originalmente, a [Spieluhr] tem base fundamental no conceito de ilusões. Os níveis do efeito variam de acordo com a resistência mental de cada indivíduo, então o Líder Absoluto foi muito preciso quando colocou o Terceiro Olho entre os Órgãos Especiais. Admito que me preocupei um pouco no início, mas mesmo aquela tecnologia conseguia anular apenas metade dos efeitos da minha habilidade. No fim, a verdadeira resistência tinha que vir da mente do próprio alvo.
…Você também deve lembrar que eu comentei sobre existirem limites para tudo, mas que haviam alguns que eu mesma consegui ultrapassar.
Num único estalar de dedos, duas jovens moças desconhecidas para Devic surgiram ao lado da vampira, que continuou:
— As ilusões, como já deve ter visto, são apenas cascas vazias que se desfazem quando levam um dano relevante. — Ela deu um tapa em uma das moças, que se desfez em névoa. — Porém, conforme se ganha conhecimento sobre a composição e estrutura de um ser vivo, algo interessante acontece.
Duas mãos surgiram flutuando ao lado da outra jovem, invadindo sua boca e em seguida puxando para direções opostas. Com a força hercúlea, a pele começou a rasgar e consequentemente todo o corpo, até que este fosse separado em duas placas, direita e esquerda.
Ao contrário da outra moça, o que escorreu para fora dessa foram pilhas de entranhas. Sua anatomia era perfeita, tal qual a de um humano comum, com a exceção de que continuava funcionando mesmo em situação tão extrema.
Carmilla trouxe uma das metades até si, virando-a sobre sua boca e bebendo da pequena cachoeira de sangue.
— Ainda está incompleta, mas é apenas questão de tempo. — Lambeu os beiços, pouco satisfeita. — Em algum ponto, eu consegui desenvolver um meio de elevar o nível das ilusões e manipulá-las ao ponto que se tornou quase impossível distinguir um do outro.
…Com o tempo, minhas ilusões se tornarão a nova realidade! Se eu quiser, eu poderei repopular toda essa terra deserta apenas com minhas criações! Um matadouro com estoque infinito!!
Em choque apenas por imaginar o cenário, Devic forçou as palavras pela garganta entupida de sangue.
— Mas… Cof! qual é a razão… pra tudo isso?
Ao que a mulher deu um sorriso inocente para responder: — Segredinho~!
Atormentado pelo falso rostinho fofo, ele suspirou.
— Sabe, às vezes… — Finalmente, agarrou a espada. — você age igual uma criança.
Fisuh!
A lâmina cortou a terra sobre os pés da vampira, desequilibrando-a.
Livre do peso extra, Devic levantou e brandiu sua arma contra Carmilla que, apesar de defender, foi arremessada para longe.
"Isso vai me dar no máximo cinco segundos!"
Era o suficiente.
Usando as paredes da Torre como apoio inicial, ele se lançou sobre uma das várias formas geométricas que flutuavam ao redor do campo de batalha.
Pisando sobre presas e predadores em saltos subsequentes, usou a cauda de uma das orcas como trampolim antes que uma criatura duas vezes o seu tamanho a engolisse inteira.
Nem este último estímulo de dor impediu o soldado, que por pouco conseguiu agarrar um dos galhos mais baixos da árvore de cristal.
Com pressa, escalou por entre os ramos até alcançar o tronco principal e cortou num único golpe.
Por fim, antes que caísse ao chão junto da estrutura, usou a base do tronco como plataforma e saltou para dentro da caixa, desaparecendo na escuridão.
"Se o que sai da caixa não afeta em nada, talvez o que eu procuro esteja aqui dentro."
Imerso num espaço sem profundidade, ficou à deriva por alguns segundos, uma sensação parecida com o interior das fissuras criadas pelo [Hollow Canvas] de Lucas.
O espaço então ganhou um senso de direção sem aviso, o que era cima virou baixo, e logo Devic sentiu um chão invisível aos seus pés. À vista, apenas um vazio infinito.
Procurou ao redor. Devia ter algo por perto, algo semelhante à árvore de cristal, talvez, um tipo de núcleo da caixa de música que pudesse ser destruído.
Entretanto, uma única figura humana surgiu sem aviso a apenas alguns metros de distância.
Uma garotinha de no máximo nove anos, passando um pouco de sua cintura em questão de altura. O cabelo chanel e os olhos esmeralda a se destacar mesmo distantes.
"Poderia ser isso?!"
Surgiu em seu corpo um anseio por atacar o mais rápido possível, mas ainda estava no centro da [Spieluhr], uma habilidade, lembrou-se, baseada em ilusão e tortura.
Temendo um ataque omnidirecional, ele preparou para saltar e atravessar o espaço infinito à força.
— Por favor, senhor, não vá!
A garotinha gritou de repente, o alcançando num piscar de olhos. Toda a distância coberta sem dar tempo de reação.
— Por favor, não me deixe sozinha! Eu… Eu tô cansada… Eu não quero ser deixada de novo! Por favor!!
Seu aperto era forte e sincero. As pequenas mãos fecharam nas costas de Devic, com o tremor assustado transmitido diretamente à sua pele.
"Essa é realmente… a Carmilla?"
Seu lado paterno subitamente acordou de um longo coma.
Ele tinha experiência mais que suficiente para falar: a tristeza da garotinha era verdadeira.
Sentia as lágrimas encharcarem seu uniforme e a dificuldade de choramingar entre os soluços.
Atordoado por um intenso misto de emoções, Devic teve a reação espontânea de acolher a garotinha num fraco abraço.
"Será que ela é o coração da habilidade? Essa jovem…?!"
O caminho mais óbvio de simplesmente eliminar essa mais que provável ilusão foi o que considerou primeiro, mas uma segunda opção cruzou sua mente.
"Será que eu poderia… ajudá-la?"
O faria sem qualquer problema caso confirmado ser possível. Sentia que isso era algo que Amanda e Claire aprovariam.
Foi então que uma ardência crescente atingiu sua barriga. Entre soluços, a garota encarou o soldado.
— Por favor, moço… fique mais um pouco.
Seus lábios estavam sujos de sangue.
Slam!
Devic se soltou ao afundar seu punho no rosto da criança, afastando-se aos tropeçou.
Sem que notasse, seu uniforme foi rasgado e os dentes da jovem cravaram sua barriga a partir de seu umbigo. Seu corpo capaz de processar a dor pouco antes que ela alcance algum órgão.
— Por favor, moço…
Ela mordiscou o último pedaço com calma, a saliva transbordando depois que engoliu.
— Eu ainda estou com fome.
Arrepio!
Uma sensação pior que aquela vinda da versão adulta deixou claro o que Devic devia fazer.
Com a espada em mãos, ele perfurou o chão aos seus pés e rasgou, vendo um curto túnel branco que resultava no mundo real.
— Não vá, senhor!
Se recusou a olhar para trás, não daria tempo se o fizesse.
Rastejou para dentro da passagem como um peixe se debate para água após escapar das mãos do pescador. Viu a pequena mão alcançar sua bota, separado do aperto por um fio de cabelo.
Correu em direção à saída, acelerando mesmo ao confirmar que a criança não o seguia.
Flush!
Como se emergisse de nuvens tempestuosas, escapou de dentro da caixa de música e teve a sorte de cair sobre uma das várias formas geométricas a voar pelo local.
— Hehe! Foi mais rápido do que eu pensei.
Carmilla se colocava em outra plataforma flutuante a poucos metros do soldado.
— Foi uma boa tentativa, eu provavelmente faria o mesmo se estivesse no seu lugar. Infelizmente, acho que nosso pequeno conflito está acabando.
Guiado pelo olhar da vampira, viu a árvore de cristal se regenerando aos poucos. Ao mesmo tempo, mais predadores surgiam das trevas, imediatamente caçando suas respectivas presas.
Hipnotizada pela peça a decorar os céus, Carmilla abriu os braços e declarou ao oponente:
— A minha habilidade, [Spieluhr], não tem…
Diante de seus olhos, pequenos pedaços de madeira começaram a cair.
— Fraquezas?!
Tragada à realidade por um farpa furando seu olho, ela se viu diante de uma cena impossível.
A caixa de música foi coberta por rachaduras, a madeira desfazendo-se em pequenas tábuas e caindo para o mundo mortal. A regeneração da árvore também foi interrompida, os cristais esfarelando em grãos menores que areia, e os animais — tanto presas quanto predadores — desvaneceram em névoa.
Sorrisos abandonaram os lábios de Carmilla, que sequer tentou disfarçar a surpresa em seu semblante.
Atormentada pelo cenário apocalíptico, ela furou o próprio crânio com o dedo indicador e procurou diretamente em seu cérebro por informações que explicassem tudo.
Em meio aos gritos de vítimas passadas, encontrou uma memória que se encaixava no mistério.
O tapa que levou na bunda logo que ativou a forma completa da [Spieluhr].
Ao refletir melhor, ela regenerou o crânio e o sorriso despreocupado voltou ao rosto.
— Hum, bem que eu senti algo me penetrando naquela hora. Pensei que você tivesse metido o dedo por aciden…
— PARA DE PENSAR EM VOZ ALTA!!
PLAM!
Acertou a cabeça em cheio com um golpe vertical da espada.
Gurh!! Alguns órgãos explodiram no impacto contra o chão. A velocidade de regeneração claramente mais lenta.
Com um largo sorriso, ela fechou as mãos acima da cabeça e impediu um outro golpe da lâmina. Na sequência, uma chuva de chutes conseguiu com dificuldade fazer Devic soltar sua arma pela primeira vez durante a batalha.
— Já chega de espadas!!
Ela segurou a katana pelas pontas.
CLA—ANK!
Batendo contra seu joelho, a lâmina branca foi partida em dois pedaços, jogados para fora de alcance.
— Sua!!
Veias saltaram sem controle no rosto de Devic, respondido com um convite de mão por Carmilla.
— Se vai tirar minhas armas, então que faça o mesmo! — Assumiu posição. — Vamos decidir isso com nossos punhos!!
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