Volume 1
Capítulo 31: A Caça (3)
Thud!
Psssss!
O urso desabou com um baque pesado, chocando-se contra uma árvore próxima. O tronco grosso estremeceu com o impacto, e uma chuva de folhas despencou até o chão.
Assustada, a pequena Yul se encolheu e se apertou contra a perna do pai por instinto.
[Você derrotou o Urso Marrom Faminto!]
[Você ganhou 33 Pontos de Benefícios.]
— Yul! Seus pontos aumentaram? — Eun-Ho perguntou.
— Sim!
— E você, Han-Wool?
— Estão subindo bem rápido, graças a você! — Han-Wool respondeu com um sorriso, arrancando a espada do pescoço do urso.
Com mãos experientes, ele encaixou uma pedrinha no estilingue que tinha comprado na Loja.
— Acha que os outros estão indo bem? — Han-Wool perguntou.
— Sim. O grupo deles está bem equilibrado! — Eun-Ho respondeu.
Ji-Eun distraía os monstros com Psicocinese, Jae-Hyuk derrubava e Sol-Ah estava ali para curar, se alguém se ferisse.
— Se estivessem em apuro de verdade, teriam pedido ajuda. Mas não ouvi um pio… haha.
— Sem notícias é boa notícia, né?
Han-Wool tinha razão. No mapa, o grupo da Ji-Eun também estava ganhando pontos de forma constante. Mas esse não era o verdadeiro problema.
— Han-Wool, quantos pontos a Yul tem no total agora?
— 900 pontos.
— Ela começou com 500 quando a gente saiu para caçar, certo?
Isso significava que eles tinham derrotado talvez uns dez monstros na última hora e meia.
— Assim não vai dar.
— Estamos indo devagar demais, né? Só estamos atrapalhando aqui…
— Não, não é isso. Eu consigo dar conta da caça sozinho.
— O problema é que simplesmente não tem monstros suficientes por aqui.
Era como se a “presa” tivesse secado de propósito, preparando o cenário para os sobreviventes se matarem.
[O Corvo do Departamento de Gestão sugere que salvar a criança significa eliminar os outros.]
[O Príncipe do Departamento de Investigação insiste que não dá para salvar todo mundo. Está pedindo para fazer uma escolha.]
[Vários observadores estão ansiosos e aguardam uma carnificina!]
Os observadores já estavam em frenesi fazia um tempo, com mensagens como “lutem”, “matem” e “acabem com eles!”.
Provavelmente estavam inquietos, famintos por entretenimento depois de um conflito tão esparso.
— O que a gente faz, senhor?
— Desse jeito não dá. A gente precisa de um plano.
— Um plano…? Espera, você quer dizer…
Han-Wool ficou pálido, então levantou um dedo e fez um gesto de corte no próprio pescoço.
— Não. Não esse tipo de plano.
Eun-Ho não podia deixar a Yul ver aquilo, então cortou a sugestão de imediato. Por mais desesperados que estivessem, ele não ia “dançar” para essa plateia. Precisava existir outra saída.
“Só resta um jeito.”
Ele encarou o céu por entre as folhas balançando, encarando o vazio como se uma solução fosse cair de lá. Então, um som suave ecoou no ouvido dele.
Ding!
— Achei! — Eun-Ho murmurou.
Era uma mensagem da Ji-Eun, a tábua de salvação dele.
- Para: Lee Eun-Ho
- De: Kim Ji-Eun
- Mensagem: Achamos. Fica a 800 metros da torre, direção 2 horas. 2175.
Ji-Eun tinha mandado a última alternativa que eles vinham procurando.
Fwoosh~
O envelope se abriu, e as quatro pontas se abriram como asas de borboleta, chamando-os para seguir.
— Vamos.
— Hã? Vamos pra onde? — Han-Wool virou para Eun-Ho, confuso com a mudança de direção.
“Será que minha explicação vai funcionar?” Eun-Ho pensou.
— Fazer trabalho braçal.
— Como é?
— Eun-Ho!
Por entre as árvores de longe, Ji-Eun acenou, chamando a atenção dele. Ela parecia exausta, mas o rosto ainda estava cheio de energia.
— Hyungnim! Como você está aguentando?
— Faz só algumas horas que a gente se separou. Você tá bem?
— Não! Eu me machuquei, rolei morro abaixo… foi brutal!
— Hm… pra ser sincero, a Sol-Ah está pior do que você.
Jae-Hyuk estava sendo dramático como sempre, exagerando o quanto quase morreu. Enquanto isso, Sol-Ah parecia ter passado por um moedor de carne; provavelmente por ter usado demais as habilidades de cura.
— Senhor, então o número 2175 era…
— Sim. São os pontos da Ji-Eun. 2.175 Pontos de Benefícios.
Antes da caçada começar, Eun-Ho tinha pedido um favor para ela, que era encontrar uma área onde os monstros continuassem reaparecendo. Afinal, Ji-Eun podia usar a Psicocinese para se elevar e observar do alto. Com visão panorâmica, ela conseguiria notar algo pela floresta.
— Ji-Eun! Então você chegou a usar a habilidade para voar? — Eun-Ho perguntou.
— Ah… não exatamente. Só acabei tropeçando no lugar enquanto andava.
Então esse nível de precisão ainda estava fora de alcance. Mesmo assim, o resultado era o que importava agora. O resto eles resolveriam depois.
— Então demos sorte.
— Você estava certo, Eun-Ho. Era um lugar coberto por fumaça preta, do jeito que você imaginou.
— Eu não tinha certeza… então ainda bem que acertei.
Sssss!
A mesma névoa escura que eles tinham visto quando enfrentaram aqueles três caras também estava ali, só que mais densa, mais pesada e muito mais sinistra.
— Você sente também, né? Essa energia estranha e… assustadora? — Ji-Eun perguntou.
Ela não estava errada.
Normalmente, cores escuras absorvem o calor do sol. Porém, essa névoa, fosse gás ou líquido, parecia desafiar essa regra. Em vez de aquecer, ela drenava o calor do corpo, como um buraco negro devorando luz. O frio que trazia não era cortante, e sim úmido e rasteiro, como a friagem pegajosa de um porão abandonado.
— Papai… estou com frio… — Yul choramingou, enfiando-se nos braços de Han-Wool.
Ele a pegou no colo, olhando ao redor com nervosismo, procurando por ameaças.
— Eu queria muito não trazer ela pra dentro disso… mas não tem outro jeito.
— Por favor, não. Nós é que estamos arrastando vocês pra isso. Então não se preocupe com a distribuição de pontos.
Ninguém queria levar uma criança de cinco anos para um campo de caça ensopado de sangue. Só que as regras eram cruéis. Apenas quem desferia o golpe recebia os pontos. Além disso, se demorassem demais entre um abate e outro, o sistema nem contava.
— Ji-Eun! Essa fumaça… você disse que ela não some nem depois de matar um monstro? — Eun-Ho perguntou.
— Isso. Eu mesma confirmei que ela continua.
— E outro aparece se alguém pisa na área?
— Exatamente. Eu não consegui ficar muito porque era arriscado demais. Mas é isso que acontece.
Era este lugar. A origem e o ponto que continuavam despejando feras sem fim. Seria esse o coração da ameaça da montanha? Havia um motivo para Eun-Ho ter trazido todos até ali.
“Até então, talvez o lugar estivesse produzindo uma criatura por vez, sem pressa.”
Porém, eles estavam forçando o sistema agora, porque estavam desesperados.
Crunch.
Eun-Ho deu um passo à frente, direto para dentro da névoa inquietante. O chão ondulou sob os pés dele, como água escura.
Ssss~
No instante em que a neblina negra tocou a pele dele, um frio subiu como se ele tivesse entrado num freezer industrial. Escalou dos pés aos joelhos, depois à cintura.
— Todo mundo, atenção!
— A gente não sabe o que vai sa...
Alguém engoliu em seco. Mas, antes mesmo da saliva descer, um monstro saltou de dentro da névoa.
— Kraaaagh!
[Derrote o Tigre Celeste Venenoso!]
Assim, de repente, o tigre aterrissou bem ao lado da pequena Yul.
— Yul…!
— Aceleração! Invocar!
O tigre avançou babando e estalando as mandíbulas, mas Eun-Ho o enfrentou de frente.
Swoosh!
A espada dele cortou num movimento suave, e a lâmina afundava mais a cada instante em que se acostumava com o peso.
[Você derrotou o Tigre Celeste Venenoso!]
[Você ganhou 50 Pontos de Benefícios.]
[A proficiência da habilidade Esgrima Básica (Nv. 2) aumentou!]
[+1%]
A sequência de alertas se dissipou, e o tempo pareceu se encaixar de volta no lugar.
Tick!
— Yul. — Eun-Ho ergueu a garotinha, ainda confusa, com cuidado. Ele a colocou sobre um cipó grosso de glicínia ali perto, alto o bastante e bem escondido entre a folhagem. — Aqui é mais seguro. Fica aí em cima e só joga pedrinhas, tá?
— Tá! Entendi.
Enquanto isso, o resto do grupo se virou, tenso e alerta, cada um segurando a própria arma com força.
— O resto, se preparem!
— Entendido!
— Certo!
[Derrote o Urso Marrom Faminto!]
E assim a batalha contínua começou.
[Derrote o Urso Marrom Faminto!]
[Derrote o Urso Marrom Faminto!]
[Derrote o Urso Marrom Faminto!]
…
Swoosh!
Thud!
— Kaaaargh!
Swoosh!
Thud!
Um a um, eles derrotavam os Ursos Marrons Famintos.
A pilha de cadáveres crescia sem parar, e o olfato deles já tinha amortecido, a essa altura. Tinha tanto sangue derramado que sombras vermelho-escuras pareciam dançar atrás dos olhos.
[Um observador anônimo sorri, satisfeito com o progresso fluido.]
Eles golpeavam, cortavam e fatiavam. Em pouco tempo, as espadas pareciam menos armas e mais extensões do próprio corpo.
[O Corvo do Departamento de Gestão marca o ritmo com o pé, satisfeito com a ação.]
“É por causa da habilidade de esgrima ou do título Pedra de Amolar Humana?” Eun-Ho pensou.
De um jeito ou de outro, em meio à sensação estranha, os comentários ocasionais dos observadores e as notificações do sistema eram as únicas coisas que os puxavam de volta à realidade.
[Você ganhou 33 Pontos de Benefícios.]
[A proficiência da habilidade Esgrima Básica (Nv. 2) aumentou!]
[Você ganhou 25 Pontos de Benefícios.]
[A proficiência da habilidade Esgrima Básica (Nv. 2) aumentou!]
[Você ganhou 20 Pontos de Benefícios.]
[A proficiência da habilidade Esgrima Básica (Nv. 2) aumentou!]
…
Quando até as mensagens que antes eles recebiam com alívio começaram a se tornar cansativas, quase inaudíveis, o sistema resolveu interferir nas coisas.
Ding!
[Parabéns!]
[Você cumpriu as condições de melhoria no Setor 13 pela primeira vez.]
[Deseja melhorar a Loja de baixo nível, Barraca Móvel para Novatos?]
“Hã?”
[Aceitar esta oferta concederá o Bônus de Primeira Melhoria!]
[O Bônus de Primeira Melhoria inclui…]
Uma janela translúcida apareceu flutuando diante dos olhos do Eun-Ho.
“Ok… isso aqui é tentador.”
— Melhorar! — Eun-Ho disse.
É claro que ele faria isso. Com a Loja cheia, em grande parte, de tranqueira inútil, Eun-Ho sempre suspeitou que existia alguma função escondida por trás.
[Gaste 10.000 Pontos de Benefícios para melhorar a Loja...]
Só que ele não esperava que custasse pontos.
— Cancelar! Cancelar!
[A melhoria da Loja foi cancelada.]
“Você só pode estar brincando… dez mil pontos? Nem pensar. De jeito nenhum!”
Ele precisava guardar pelo menos cinco mil pontos para a cota diária, se quisesse sobreviver e bater o ponto em três horas.
A menos que cinco mil pontos caíssem do céu, não havia como desperdiçar tanto neste momento, ainda mais com o esquema “autossustentável” que eles tinham montado. O tempo era curto demais.
— Vocês já conseguiram suas cotas diárias?
— Sim, falta pouco!
— A gente deve conseguir antes das seis, Hyungnim!
Eram 14:50, e faltavam três horas para bater o ponto.
[Em 10 minutos, uma Zona Segura será gerada.]
— Certo… hora de voltar…
— Papai! Buaaá!
O choro da Yul cortou o ar, então ele olhou para a árvore e viu uma visão aterradora. Eun-Ho vinha achando que as coisas estavam indo surpreendentemente bem.
— Roaaar!
— Yul, Yul!
A garotinha que deveria ficar onde estava tinha sumido, e tudo o que eles viam eram asas vermelho-sangue batendo no ar.
[Derrote o Tigre Celeste Venenoso!]
— Aceleração!
[A habilidade está em Recarga. 14 segundos, 13 segundos, 12 segundos…]
Droga!
As pedrinhas que Yul estava segurando escaparam das mãos pequenas dela.
— Han-Wool, aqui em cima!
Eun-Ho disparou pela árvore, quase trombando com Han-Wool quando os dois subiram às pressas. Uma cena horrível reapareceu na mente dele: uma mulher perfurada no abdômen pelo Tigre Celeste Venenoso e, ao lado, a pilha de corpos empilhados antes mesmo do projeto começar.
Crack! Snap!
Eles não suportavam ver aquilo outra vez. Se recusavam a deixar a mente voltar para o instante em que uma vida frágil se apagava. A imagem os assombrava; uma menina que antes corria rindo por campos ensolarados, agora fria e imóvel.
— Yul, por favor! O papai está indo! — Han-Wool arranhava o tronco com as mãos nuas, subindo como um homem enlouquecido. Então, algo chamou a atenção dele. — O que a gente faz?! E-eu acho que ele vai voar embora!
O Tigre Celeste Venenoso abriu as asas, preparando-se para decolar.
— Não!
“Sete, seis, cinco… por favor!” Eun-Ho pensou.
Quando faltavam três segundos, o Tigre Celeste Venenoso bateu as asas e tentou se lançar no ar.
Quando faltavam dois segundos, Han-Wool agarrou a cauda dele no meio do impulso, desequilibrando a criatura.
E então, por fim, quando faltava um segundo, o Tigre Celeste Venenoso se chocou de cabeça contra os galhos grossos.
— Acelera…
“Hã?”
O tigre celeste uivou, com as mandíbulas escancaradas e as garras vazias.
— Yul!
— Ela… sumiu?
Não havia ninguém ali além do Tigre Celeste Venenoso, encarando o homem destemido que ousou atacá-lo.
— Hã? O que está acontecendo? Cadê a minha Yul?
— Han-Wool! Atrás de você!
— Roaaaaar!
Naquele momento, o Tigre Celeste Venenoso avançou direto nas costas do Han-Wool, mais desesperado do que qualquer um deles. E, no instante em que abriu a boca enorme…
Han-Wool desapareceu.
“Hã? Ele desapareceu?”
Eun-Ho não acreditou no que viu. Não foi como a fumaça sumindo, foi como se o sistema o tivesse apagado na hora.
— Grr…?
O Tigre Celeste Venenoso inclinou a cabeça em confusão, como se perguntasse: “O que acabou de acontecer?”
“É igual ao Triângulo das Bermudas.”
No meio do caos, Eun-Ho mal teve tempo de reagir antes que uma mãozinha apressada agarrasse a dele.
[Você entrou no domínio de Pique-Esconde da Sujeita Kim Yul.]
[O efeito da habilidade terminará no momento em que você se afastar da conjuradora.]
— Pique-Esconde?!
— O que é is…
— Moço! Papai! Shiu!
— Grrr…!
O Tigre Celeste Venenoso ficou ali em confusão, bem na frente de Eun-Ho, Han-Wool e Yul, incapaz de entender o que estava acontecendo.
“Uau… então ele não consegue nos sentir.” Eun-Ho pensou.
Enquanto isso, Yul segurava com calma as mãos de Eun-Ho e do pai, balançando-as para frente e para trás. Era óbvio que ela já tinha usado essa habilidade muitas vezes.
“Ah… então foi por isso que você conseguiu se esconder tão bem no trem.”
Eun-Ho se lembrou de Yul contando que sabia se esconder muito bem. Ela tinha dito que se escondeu para evitar o fantasma dentro do vagão apertado. Pareceu estranho na época, só que tudo fazia sentido agora. Era graças à habilidade.
“Espera. Se isso funcionar…”
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