Sinph Star Brasileira

Autor(a): SoulPeak


Volume I

Capítulo 29: A mente daquela que perdeu

Hoje eu acordei muito cedo. Pelo menos, muito mais que os outros. Minha mente não conseguiu pegar no sono depois que levantei para ir ao banheiro. Jin continuava dormindo. Deus, que homem bonito. Quando ele dorme profundamente, suas feições ficam bem leves; algumas vezes posso ver que seus olhos se movimentam, mas não sei dizer o que está acontecendo naquela mente. Quer dizer, quando eu já consegui?

 

O sonho... meu sonho. Finalmente vai acontecer. Sempre, desde a primeira vez que vi aquele jovem Jin, soube que seria meu esposo. Se eu pudesse conversar com uma versão mais nova de mim, provavelmente lhe diria que valeria a pena. Ela provavelmente mandaria eu me foder. Claro que não foi do melhor modo, e a coisa toda tem um prazo de validade, mas prefiro não pensar nisso.

 

— Chega pro lado. — Eu disse, sussurrando no ouvido de Jin.

 

Ele não me respondeu, mas franziu o cenho e abriu os braços. Eu instantaneamente me agarrei naquele homem. Sempre me surpreendo em como ele mantém um bom físico, mesmo com essa maldição. Minha parte preferida é abraçá-lo e sentir seu corpo por horas a fio. Quer dizer, tem outra coisa, mas...

 

— Onde cê tava? — a voz de um dorminhoco Jin me trouxe de volta de meus pensamentos... lascivos.

 

— Banheiro.

 

Ele não me respondeu de imediato. Acho que seu cérebro estava processando, de modo bem lento, o que eu tinha dito. Provavelmente me diria para tê-lo chamado, ou coisa do tipo.

 

— Essa é outra daquelas noites em que você não volta a dormir?

 

Sinceramente, me vi sem reação. Quer dizer, ele é meu noivo e tudo, mas como? Eu... gosto desse lado de Jin, que repara nas pequenas coisas. Ou talvez eu goste do lado que repara as pequenas coisas em mim.

 

— Desde quando?

 

Ele abriu os olhos. Deus, que olhos hipnotizantes.

 

— Desde sempre. Ultimamente tem piorado, sim? — ele beijou meu nariz e apertou o abraço.

 

Consigo sentir minhas bochechas quentes. Que vergonha... Sem muitas escapatórias, me aperto o máximo possível no seu peitoral e fico ali, esfregando a ponta de meu nariz, apreciando o tato que Deus me proporcionou. Após alguns minutos, uma mão de Jin começou a descer para além das minhas costas, e fui trazida de volta à realidade.

 

— Eu acho que...

 

— Eu sei que não. Tá todo mundo aqui. Só queria ver como reagiria comigo tomando a iniciativa de vez em quando. — ele apertou meu nariz e me fez um cafuné na cabeça. — Você ficou bem decepcionada.

 

Acho que deixei minha confusão transparecer nesse meio minuto que passou. Quer dizer, eu sempre tomo as iniciativas por aqui.

 

— Isso é maldade... — eu fiz como se fosse largar o abraço, apenas para que Jin me abraçasse com mais força ainda. — Tá vendo? Você não é o único que sabe das coisas.

 

— Você... sabia que eu ia apertar o abraço?

 

— Você sempre aperta.

 

Ele não falou nada. Geralmente, essa interação levaria a mais coisas, mas hoje não era o dia nem o lugar para isso. Ficamos ali, abraçados por mais algumas horas. Jin, eventualmente, voltou a dormir, ainda abraçado em mim.

 

Eu o acordei novamente quando o sol raiou. Fora um pedido dele; queria sair o mais rápido que pudesse. Estamos no terceiro dia de viagem em direção à masmorra, acampados numa clareira. Allastor parece uma montanha, deitado naquele grosso saco de dormir. Tenho que admitir que ele fica mais triste longe de Cynthia, mesmo que tente esconder. Cynthia nunca foi muito de aventuras, pelo que Allastor me disse; ela prefere o conforto de seu amado forte.

 

Os outros estavam espalhados perto da fogueira; Reid dormia com a cara para baixo. Sinceramente, nunca vi isso. Como ele consegue respirar? Pelo menos Valkyrie e Trevor dormem de maneira normal. Não consegui esconder o sorriso ao ver que os sacos de dormir vão se movendo com o passar da noite. Acredito que Reid vá fugindo da claridade da fogueira, com Valkyrie no seu encalço. Trevor vai chegando cada vez mais perto da fogueira.

 

— Bom dia! Vamos acordar, cambada!

 

Já é o terceiro dia que eu os acordo assim; posso dizer que não são muito gratos por isso. No primeiro dia, ficaram ranzinzas por algumas horas após despertarem. Allastor parece ser o único que não se importa.

 

— Lembra os velhos tempos, não? — Escutei a voz de Jin, por trás, um tanto distante.

 

— Um pouco. Sinceramente, é bom ter outra mulher no grupo. Tinha homem demais naquela época.

 

— Sério? Bom, imagino que sim. Bjorn, Allastor, Sean, Straph e eu.

 

Allastor nos ouviu conversando, a julgar pelo modo como sua cara se fechou. Ele e Straph eram... como eu posso dizer, eles divergiam muito em suas ideias. Straph era de origem nobre e rica, e Allastor não. Isso resultava em longas discussões quanto ao modo de o grupo agir.

 

— Elise, vamos indo.

 

As estradas estavam muito vazias. A neve tinha derretido, e era bem comum termos de desviar de poças de água. Venho sendo pega em longas sessões de pensamentos; alguns deles são sobre o futuro. Sempre quis ser mãe. Logicamente, já conversei com Jin sobre isso, mas ele não me deu uma resposta direta, apenas anedotas frustrantes. Tenho certeza de que, em outras condições, isso nem seria um assunto de discussão. Jin sempre quis ser pai, e tenho certeza de que seria um pai perfeito, sempre presente.

 

Todos os meus pensamentos voltam à doença dele. Não faz sentido. Como e quando ele contraiu essa praga? Teria sido na vez em que partiu para o outro continente? As intenções dele lá não eram boas, mas acabou poupando a garota traidora. Será que foi ela quem o amaldiçoou? Que situação de merda. Se fosse para que eu decidisse, simplesmente destruiríamos o núcleo dele e mandaríamos o Império se foder. Moraríamos em um lugar afastado e teríamos uma família gigante.

 

— Você fica muito fofa quando pensa por muito tempo. Seus olhos ficam confusos se devem se fechar ou abrir, e você cruza os braços.

 

— Você... quanto tempo ainda para chegarmos? — Eu coloquei meus braços na posição normal em tempo recorde.

 

— Provavelmente chegamos amanhã. Eu esperava que encontrássemos algo nessas estradas para os garotos esticarem as pernas, mas está quieto demais; estranho demais.

 

— Pode ser coisa da sua cabeça. Nem sempre tem que ter algo ruim; as coisas podem ser... boas.

 

— Bom, você tem razão. Tem algo que queira me dizer? Você está meio inquieta desde a madrugada.

 

— Eu... só tenho medo de te perder. Não podemos só... ir embora? Eu e você, e talvez as crianças.

 

Jin me abraçou, um abraço bem longo, na verdade. Eu fiquei esperando que falasse algo, alguma palavra de conforto, mas nada.

 

— Eu poderia destruir seu núcleo. Você se livraria desse prazo de validade, e poderíamos ser espadachins... juntos. E você seria meu para sempre.

 

Eu nunca falei desse jeito com ninguém. Droga, estava praticamente implorando. Ele não me respondeu, só me olhou com aqueles olhos — olhos que agora me expressavam uma dor que eu nunca tinha visto em ninguém. Céus. Será que estou sendo egoísta? Eu só quero ser feliz, meu Deus. Todos do grupo estavam nos olhando, todos com aqueles... malditos olhares de pena e compaixão de sempre — de sempre que falávamos com Jin.

 

A viagem até a próxima parada demorou mais umas duas horas; todos já sabiam da rotina de quando acampávamos. Eu aprendera o feitiço de detecção com Jin para que ele não precisasse gastar sua mana. Os garotos arrumavam o acampamento e acendiam a fogueira. Allastor saía para caçar, sempre voltando com algo, o que me deixava perplexa; eu mesma tentei caçar para o grupo, mas voltei de mãos vazias. Hoje, ele encontrou um veado adulto; a criatura pesava mais que eu. Demorou um tempo para o limparmos e começarmos a cozinhar.

 

— Elise, eu queria trocar uma palavra.

 

Reid raramente conversa sozinho comigo. Não sei muito sobre o garoto, quer dizer, não sei sobre o lado pessoal.

 

— Claro. O que aconteceu?

 

Ele não me respondeu de imediato, ficou olhando para os seus pés. Estávamos sentados próximos à fogueira que assava a janta.

 

— Eu sinto muito.

 

— Reid, eu odeio de verdade que sintam pena de mim.

 

— Algum dia, vou realizar seu desejo de viver com Jin.

 

Quê? Como assim? O garoto se levantou e foi embora, sem nem esperar que eu respondesse. Eu não faço ideia do que ele está falando. Será que tinha escutado toda a nossa conversa? Bom, não estávamos escondendo a conversa mesmo. O resto da noite foi muito calmo: comemos, conversamos e fomos todos dormir. Hoje eu estava realmente com sono, sentindo-me exausta.

 

Jin não estava deitado ainda. Entrei no saco de dormir para esperá-lo e fiquei ali. Devo ter dormido algumas horas, até sentir uma mão acariciando meus cabelos. Ele estava lá, deitado, fazendo carinho em mim. Odeio esse lado dele de não querer me acordar. Eu não me importaria se ele me acordasse para que eu o deixasse entrar no saco de dormir.

 

— Você tem o sono muito leve.

 

— E onde você estava? — Eu o puxei para dentro do saco de dormir, cada vez mais magro.

 

— Estava lhe procurando um presente.

 

— Um presente? Como assim?

 

Ele não me respondeu. Só olhou para o céu nublado.

 

— Mais cedo, você me pediu muitas coisas, mas você sabe que não posso lhe dar todas elas.

 

— Eu... entendo.

 

— Então, eu quero lhe dar a única que consigo.

 

Acho que nunca recebi um beijo tão... apaixonado antes. A única coisa de que me lembro foi de me sentir fraca naqueles braços.

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