Volume 1

Capitulo 16: Vida

Malachite caminhava mata adentro.

Ela vestia-se com uma capa de cor marrom, cobrindo seu vestido de sujo de lama, ela mexia em suas mechas azuladas meio inquieta.

— Minha cabeça doe… — murmurou.

Possuía pequenas lembranças do que tinha ocorrido após eliminar a Besta nascida da maçã, porém, tais lembranças eram tão vagas que podiam muito bem serem confundidas com sonhos.

— Bom, de qualquer forma, missão concluída: encarou a fatia em suas mãos

o objeto lembrava uma decoração usada em festas natalinas, possuindo um avermelhado tão forte como sangue. 

Encarava a conquista com orgulho, isso a deixaria em boas condições com seu comandante e aliados, ainda sentia-se culpada por perder a fruta inteira em meio ao conflito com a dama gélida.

Após alguns minutos de caminhada, ela parou em frente a uma espécie de fábrica abandonada.

O local possuía muita vegetação e em algumas partes a estrutura já havia cedido ao tempo. 

Indo até uma porta de metal bastante enferrujada, batendo três vezes sendo respondida por uma voz feminina.

— Ao império lutaremos? — a voz falou

— É a imperatriz Chaos serviremos! — Malachita complementou

A porta então se abriu e uma mulher jovem a recebeu. Ela vestia um vestido casual de bolinhas, em sua cabeça usava um chapéu coche de cor azul-escuro, seus cabelos eram prateados assim como seus olhos, a mulher recebeu Malachita com uma certa expressão de repulsa.

— Já era hora de aparecer híbrida; puxando a garota para dentro.

— Bom dia para você também, Turmalina — Malachite respondeu.

O local por dentro possuía mais sinais de abandono que o lado de fora, muitos objetos usados para derreter o metal estava jogado ou empilhados no chão, algumas das paredes possuía rachaduras onde a luz do sol era coberta por camada grossas de poeira.

Em uma cadeira de madeira mofada, em frente a uma mesa quebrada também feita de madeira, um homem sentava.

Ele vestia uma roupa casual de cores marrom e usava uma boina do exército, assim como Turmalina, os cabelos e olhos do homem era prateados, ele encarava o que parecia um mapa da cidade de Dunquerque debruçado sobre a cadeira quebrada.

— Malachita apresentado-se, comandante Ósmio! — ao bater continência, Malachita anunciou sua presença.

O homem não olhou nos olhos da garota, apenas falou de forma rígida — Repórter.

A garota então jogou a fatia da maçã em cima do mapa — Infelizmente apenas conseguiu isso… Parece que as partes que se soltaram da maçã completa criaram aberrações para se sustentar.

O homem pegou a fatia da maçã ponderando.

— Era lógico que isso ia acontecer, a maçã sangria carrega a energia de nossa deusa — comentou.

Turmalina então entrou na conversa.

— Parabéns híbrida, além de perder a fruta inteira, ainda prejudica a missão dando energia para o concelho nos achar!

Malachita nada respondeu, queria discordar, mas o prisma estava certo, era culpa dela o surgimento daquelas aberrações. 

Ósmio retrucou — Eu não vejo motivos para alarde, esse mundo é neutro, a burocracia do conselho irá demorar para agir, mesmo detectando a energia das aberrações.

Turmalina rebateu — Mas é os outros dragões governantes, gênio? Lembre-se que essa maçã pertencia ao dragão da cobiça, acha mesmo que ela não está atrás dela neste momento?

Dentre o tecido dos mundos, os dragões governantes eram a segunda força política, administrando as terras, mesmo mundo considerados neutros eram governados ou possuía a influência de um dragão por debaixo dos panos, o responsável pela a região no qual os três prismas estava era Cupiditas, conhecida como o dragão da cobiça pelos povos do tecido dos mundos. 

Malachite e Ósmio não negaram os argumentos de sua companheira, por mais que o poder político dos dragões tenha diminuído com o fim da guerra elemental, sua influência ao redor do tecido apenas aumentava, as pessoas acreditavam estarem mais segurou sobre as asas de um dragão governante do que sobre a tutela de um mesmo da sua espécie.

— Se os seguidores de Cupiditas nos atacarem, poderemos por lei responder o ataque, então repito, não há motivos para alarde! — Ósmio retrucou novamente, a encarando com expressão de raiva.

Turmalina cruzou seus braços, saindo bufando — Não ache que eu concorde com sua confiança, parece que apenas eu tenho noção da importância desta missão!

Ignorando o drama, Ósmio levantou-se de sua cadeira falando com Malachita — Fez bem; tocando em seu ombro — A um quarto nos fundos deste prédio, não deve está muito arrumado já que foi Turmalina que o preparou, mas descanse um pouco.

A garota balançou a cabeça concordando, e batendo continência ao sair. Após caminhar em meio às máquinas abandonadas, parou ao chegar em frente a uma porta de madeira apodrecida, abrindo-a.

O quarto estava bastante empoeirado, havia uma pequena janela com rachaduras ao lado da entrada, no canto do quarto existia um grande armário de cobre, que pelo o tempo já estava todo esverdeado, o local também tinha um pequeno sofá, assim como todas as coisas daquele lugar estava rasgado e empoeirado.

Malachita então andou até uma pequena cama que se localizava ainda mais fundo no quarto, o objeto estava com seus lençóis rasgados e com fungos, contudo, a garota não ligou para isso, deitando-se na cama.

Tinha passado inúmeros dias tendo que dormir no chão duro e, em alguns casos, em meio a tempestades, aquela cama empoeirada era um paraíso para suas costas.

Suspirando o mais forte que podia naquele momento, estava preparada para um cochilo leve, mas de repente algo a deixou em alerta.

— Esse local está em trapos, que lixo — falou uma voz feminina.

Encarando de onde vinha voz, deparou-se com uma mulher. Seus cabelos eram verdes assim como seus olhos lembrando esmeraldas, vestia-se com uniformes usados por cavaleiros em festas, ele era de cor branca e esbelto, com botões amarelos perto de seu busto com adornos da mesma cor. Em uma estocada rápida, a garota brandiu seu chuço indo atacar o invasor, pequenas descargas elétricas saíram da lâmina do objeto, porém seu corpo paralisou-se.

— Hehe, belas reações, mas inúteis ao mesmo tempo — a mulher falou.

Malachita não entendia, seu corpo não se movia por mais que tentasse, nem mesmo sua voz saia de sua boca.

A invasora reagiu sorrindo, começando a brincar com a lâmina do chuço — Já se esqueceu? Seu corpo me pertence, isso inclui os pensamentos, então acalma a mente, faz o favor, suas perguntas me irritam.

A mulher caminhou até a janela, observando Ósmio que possuía toda sua atenção ao mapa em cima da mesa, ignorando o olhar da invasora.

— Sinceramente eu não queria trabalhar com prismas, mas tempos difíceis requerem alianças difíceis, portanto você me ajudará.

“Porque eu ajudaria você!?”, Malachita indagou em seus pensamentos.

A mulher deu de bruços — porque você é meu receptáculo, dah, pode me chamar de Vida, aliás.

Vida deitou-se no sofá despreocupada, enquanto isso a garota encarava incrédula. Receptáculo era algo que apenas as bestas aladas conseguiam criar, e prismas possuíam algo em sua biologia que impediam de receberem o estigma de uma Besta alada.

Como se lesse os pensamentos da garota, Vida reagiu com desgosto — Fala sério, já se esqueceu que tem parte mortal?

Ela tinha razão, e por conta disso que muitas vezes era menosprezada por seus colegas, mas isso também a facilitou em receber certos benefícios do exército da imperatriz.

“Essa mulher me diz que sou seu receptáculo, então ela é uma besta alada?”, indagou-se em seus pensamentos 

— Logico, você só faz perguntas idiotas! Sinta-se feliz, prisma, tu irás servir a um filho de sua deusa — Vida respondeu.

“Pare de ler meus pensamentos! Isso é medonho” 

Vida deu uma leve risada, ela então estalou seus dedos e, na mesma hora, o corpo da garota começou a se mover sozinho, sentando-se de joelhos.

— Vamos deixar algumas coisas claras sobre nosso acordo, lógico que não preciso da sua permissão para ele funcionar, é claro; Ela dobrou suas pernas encarando Malachita nos olhos — Como sabe por obrigação do estigma eu tenho que lhe oferecer parte de meu poder, contudo, se você ousar falar algo para seus amiguinhos ali…

A mulher então brandiu sua katana, ficando a lâmina cristalizada no armário de cobre. Na mesma hora o objeto se desintegrou em poeira — É difícil encontrar um receptáculo compatível, mas eu tenho paciência 

A garota nada respondeu, ponderava sobre tudo que escutou até esse momento. Tinha ouvido história deste que era apenas uma criança, dos tais seres que nasceram dos próprios sentimentos da deusa da criação, o poder de uma besta alada era bastante cobiçado no começo da guerra elemental por isso ambos os lados procuraram maneiras de convencê-las a se unirem a eles, devido a isso, a própria deusa teve que intervir, proibidos de se envolver nos conflitos de outras raças

Mesmo com a proibição da deusa, ambos os lados buscaram meios de conseguir o acesso a poder das bestas, entretanto não houve sucesso, isto é, quando perto do fim da guerra uma notícia de um mortal capaz de receber o poder das bestas e controlá-los, assim surgiu a era dos receptáculos.

Quem obtivesse mais receptáculos, controlava o mundo, por isso tantos os dragões governante e o recém-criado concelho, criou leis para administras o poder destes receptáculos, pressionando Nephrite a selar suas filhas pelo bem da paz no tecido dos mundos.

“Se tu és mesmo uma Besta alada, não deveria estar selada?”, Malachita, lembrando de tal afirmação, indagou em seus pensamentos.

— Ah, sim, o selo do concelho: reagiu com repulsa, começando a brincar com seus cabelos — Eu não ligo para que os mortais pensam, minha mãe pode querer ter boas relações com eles, mas eu não, então essas regras não valem para mim.

Vida estalou os dedos novamente, tirando sua tensão de Malachita que pode por fim respirar, ela então começou a andar em círculos em volta da garota.

— Tenho poucas informações, mas sei que a mais de minhas irmãs presas aqui, quando eu as encontrar, você me ajudará a libertá-las.

— E como você quer que eu lide com uma besta aladas? — Ao massagear suas costas, Malachita indagou.

Vida reagiu com uma expressão feia — Você indaga demais, puta que pariu! Não interessa o que você pensa, se eu mandar você faz, entendeu!?

A garota encolheu, não esperava tal reação espontânea da mulher que até então estava calma. Vida então suspirou fundo, na mesma hora seu corpo começou a brilhar.

— Você se menosprezar demais, se eu a escolhi, é porque eu sei de seu potencial. Entrarei em contato, e não ouse me trair, eu sei de tudo o que você ver e pensa; gesticulando seus dedos os apontando para seus olhos e cabeça.

Ela então desapareceu, envolta de suas penas de pavão. Malachita ficou em silêncio por alguns minutos, pensando como tudo aquilo que tinha ocorrido parecia ter saído de uma espécie de sonho, ou um pesadelo se pensasse melhor.

Sempre ouviu histórias dos outros sobre as bestas aladas, histórias inspiradoras e de admiração, desejava mais do que tudo conhecer uma. Entretanto, agora o que conheceu o que tanto desejava não se sentia tão feliz.

Ela desabou no chão cobrindo seus rostos com suas mãos — potencial você diz, quem me dera — choramingou.

Longe dali, Vida reapareceu.

— Que ótimo, achei um receptáculo promissor, mas ele tem sério problema de autoestima — reclamou.

De repente ela sentiu uma energia familiar, era bem fraca, ao ponto de até mesmo mais experimente portador não a notar logo de cara, era o poder de uma de suas irmãs, a energia de uma besta alada.

— Oh, parece que o camaleão saiu de sua jaula, hehe — murmurou — Finalmente, esse lugar já estava ficando chato mesmo.

Sabia que sua irmã só poderia ter saído com um receptáculo, a pena que colocou para prendá-la apenas aumentava o poder do selo que a própria Nephrite havia colocada, sabia também que primeira coisa que Determinação faria era tentar a encontrar, ela não aceitava seus planos para sua mãe. Então a mulher decidiu, ia encontrar o camaleão, ela mesma conhecia outras formas de a conhecer a ajudar em seus planos.

— Tenho pena do meu novo receptáculo, pelo visto seu primeiro oponente será outro igual… — murmurou.

Ponderou em como iria achar sua irmã, por mais que sentisse sua presença, aquele mundo neutro era tão diverso em cores que a deixava nauseada.

— Bom, não importa, consigo resolver isso depois: cruzando seus braços.

A mulher estava animada, não lutava com um oponente a altura desde do começo da guerra elementais, assobiando sua canção de ninar favorita ela adentrou mata adentro, desaparecendo em meio a escuridão daquela noite.

Naquela noite a ave caçava o reptil.

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