Volume 1
Capitulo 15: A nova amiga alada
Mais cedo naquele mesmo dia.
“Eric parecia esquisito hoje”, Aisha indagou em seus pensamentos.
A garota sempre voltava a sua casa acompanhada de seu amigo, era um de seus castigos impostos pelo seu pai, mas neste dia ela ficou impaciente de o esperar retornar do banheiro e seguiu caminho sem ele.
— Quando o castigo do papai vai acabar… — choramingou.
De repente um barulho na vegetação à sua frente a deixou alerta, de dentro do matagal um animal surgiu, no qual a garota logo identificou sua espécie.
— Um cachorro? — indagou.
Seus pelos eram tão brancos como a neve, sua cauda era felpuda lembrando nuvens, e seus olhos eram tão azuis como o oceano. O animal a encarou por uns segundos, até correr mata adentro.
— Espera!; correndo atrás do animal — Não irei lhe fazer mal! — A garotinha gritou.
Entretanto, por mais que tivesse apressado seus passos, acabou perdendo o animal de vista.
— Poxa…
Na mesma hora, de forma repentina e sem explicação, uma forte ventania a atingiu. De maneira involuntária ela usou seus braços para cobrir seu rosto.
Não tinha ideia de como aquilo tinha surgido, mas em sua frente ela contemplava uma espécie de um templo religioso abandonado.
A estrutura lhe dava uma sensação de opressão, os muros do templo eram feitos de pedra acinzentada, e suas colunas de um mármore esbranquiçado, porém seu branco estava apagado por musgos esverdeados, Aisha então observou que o templo também tinha grandes vidraças com imagens no qual não conseguia reconhecer, mas era possível adivinhar se tratar de figuras animalescas.
Ela encarava a grande porta de madeira a sua frente com curiosidade e confusão, já havia passado por aquele local inúmeras vezes, lembrava de já ter caído de uma árvore naquele mesmo canto onde o templo estava, por isso não entendia como nunca tinha visto aquela estrutura imensa. Contudo, o que a mais causava estranheza era que aquele local, sujo e abandonado, parecia estar a chamando. Aproximando-se lentamente, agarrou a maçaneta da grande porta de madeira, a princípio não teve forças para abri-lá, mas com um grande esforço ela adentrou o templo.
Diferente do lado de fora, o lado de dentro não parecia tão abandonado, havia um corredor reto com inúmeros bancos de madeira, no fim do corredor havia um batistério feito de mármore branco com uma espécie de tapete vermelho guiando até o objeto. Andando até o meio do corredor, Aisha olhou para cima, podendo assim ver melhor os animais ilustrados na vidraça.
Havia cinco animais ao todo, quatro eram aves, uma das aves possuía uma longa cauda que a lembrava um leque, outra ave possuía um bico engraçado, é por último havia duas imagens de pássaros que pareciam unidas, em uma delas as penas de sua cauda formava um sol, enquanto na outra o formato da cauda lembrava uma lua.
O último animal era um cavalo, ele estava envolto de uma armadura com inúmeros adornos que a garota não conseguiu identificar, porém, o que mais a chamou atenção é que o animal possuía longas asas em suas costas.
Ela não sabia se era coincidência, mas todos os cinco animais possuíam coisas semelhantes, além de terem asas, no centro de cada pintura havia um coração de uma cor diferente.
— O que é esse lugar? — Aisha indagou, confusa.
De repente uma voz afeminada rompeu a sala silenciosa.
— Para alguns um local de adoração, mas para mim, uma prisão infernal!
Presa dentro do batistério ao lado de estátua de uma bela mulher, estava um lagarto, suas escamas eram de uma tonalidade Salmon, e sua cauda era longa e enrolada, em sua cabeça existiam três chifres, era um camaleão. Aisha recuou, aquele animal havia acabado de falar com ela.
— Não, espere! Não irei fazer mal — Ao se agarra no que parecia uma parede invisível, o animal falou. — Estou presa aqui há muito tempo, por favor me solte!
O camaleão então usou sua cauda para apontar para um objeto preso ao batistério, no qual Aisha logo notou que se tratava de uma pena de um pavão.
— Você é a única ser vivente que apareceu por essa bandas a anos! Por favor, solte-me, e eu terei uma dívida contigo — o lagarto suplicou.Por mais que seu pai a tivesse dito para não se envolver com estranhos, a garotinha sentiu pena daquele camaleão, decidindo o libertar. Ao se aproximar da bacia, ela retirou a pena do pavão analisando-a.
Era ela linda, parecendo ser feita de alguma joia de cor verde, ela era longa e em sua ponta havia algo que lembrava um olho, a garotinha queria analisá-la mais, contudo a pena se desfez de repente em pó brilhante.
— Ah finalmente! — Exclamou o animal.
Ele desceu do batistério, envolvendo-se em um forte luz, sua aparência antes um camaleão, agora era de uma bela mulher.
Seus cabelos possuíam uma tonalidade Salmon, lembrando a mesma cor das suas escamas na forma de camaleão, seu penteado era um rabo de cavalo preso ao uma presilha com aparência de uma flor, em seu busto a mulher vestia um collants de cor escura, o objeto lembrava os usados por bailarinas, sua saia era longa também de cor escura, porém parte da armação de sua crinolina estava a mostra, revelando o ferro do objeto que sustentava a saia.
— Meus braços doem… — Ao esticar seus membros, a mulher murmurou. — Na verdade, todo meu corpo está doendo ….
Aisha encarou a situação boquiaberta, quando de repente um barulho desviou sua atenção. De maneira repentina uma grande rachadura se formou em volta do batistério, na mesma hora inúmeros outros barulhos de pedra quebrando começaram a surgir.
— Esse é sinal para saímos daqui pequena — a mulher falou.
Ela então pegou Aisha em seus braços, e com um pequeno salto atravessou o longo corredor até a saída. A ação foi tão repentina que Aisha não conseguiu falar nada.
Do lado de fora, ela colocou a garotinha no chão, enquanto encarava o templo que se desfazia em poeira brilhante da mesma que outra hora a pena fez.
— É, pelo visto ninguém vem… Já era para alguma empregada ter aparecido até esse momento.
Aisha então colocou as mãos sobre a cabeça — Você era um lagarto, agora é gente!?, e como andamos tão rápido naquele momento!? Parecia que estávamos voando!
Diferente do que imaginava, a garotinha não parecia assustada, ao contrário, um grande sorriso estampava em seu rosto, tal coisa fez com que a mulher desse uma leve risada.
— Acho que lhe devo uma apresentação adequada, hehe.
Ela então ergueu levemente sua crinolina — Muito prazer, sou a Besta alada da Determinação, o camaleão Éolo, mas pode me chamar apenas de Determinação se isso lhe for mais fácil, é você seria?
— Aisha, eu me chamo Aisha, Dertemi… Por que seu nome é de um sentimento? — Curiosa, a garota indagou.
Tal reação fez com que Determinação risse novamente — Uma longa história, minha pequena Aisha, uma loga historia.
Entretanto, Determinação não contou sua história, ao invés disso fez um apelo a garotinha.
— Aisha, você pode esconder que me encontrou ou de tudo que aconteceu aqui? Sei que pode ser estranho a você, mas eu não quero envolver outras pessoas nos meus problemas.
Aisha concordou com a cabeça. A mulher sorriu com a resposta. — Então, essa nossa despedida, adorei conhecer você.
A mulher lagarto então de meia volta e seguiu estrada. Não entendendo a ação atual, Aisha a seguiu — Espera! O que você que dizer com despedida?
— Um adeus pequena, como falei antes, não quero envolver inocentes nos meus problemas pessoas, muito menos quero envolver uma doce menina como você nestes problemas.
Por mais que mulher lagarto deixasse evidente que queria se afastar, Aisha não conseguia dizer adeus, algo naquela mulher causavam-na uma sensação de curiosidade, tudo aquilo que ela tinha feito, sua aparência e seus poderes, eram semelhantes aos livros que normalmente ela via seu amigo, Eric, ler, queria entender mais o que era aquela mulher.
Ela ia perguntar mais, contudo quando menos esperava, Determinação não estava mais ao seu lado, olhou aos lados a procura dela, mas nada encontrou.
“Onde será que ela foi?”, indagou-se consigo mesma em seus pensamentos.
Ela não percebeu, mas a mulher lagarto a observava em cima de uma árvore próxima. A mulher encarou a garotinha indo estrada adentro, voltando a atenção para seu problema principal.
“Onde você foi, cabeça de alface?!”, falou em seus pensamentos.
Duas coisas passavam por sua mente naquele momento, a primeira era encontrar sua irmã mais velha, Vida, a segunda era a impedir de completar o plano dita pela mesma. Não tinha certeza se uma mera Besta alada como ela, poderia entrar em conflito uma Besta do vazio como sua irmã, mas não tinha opções a não ser arriscar.
Naquele momento em que havia a reencontrando e foi presa pela mesma, Determinação tentou de todas as maneiras sair daquele templo, pensava que por sair de seu selo as servas de sua mãe iriam tentar contatá-la, mas infelizmente descobriu que sua irmã mais velha havia colocado alguma coisa nela que a impedia de ser detectada pelas servas de Nephrite.
Determinação temeu ficar presa eternamente naquele templo, mas para sua sorte, Aisha apareceu do nada ao seu resgate. Tinha um débito de vida com aquela garotinha, porem, Determinação não queria envolvê-la em seus problemas com Vida.
— Deve haver alguma maneira de eu encontrar a energia daquela pavoa, mas como farei isso… — murmurou.
Diferente das raças do tecido dos mundos que usam da energia elemental como combustível para sobreviver, as bestas aladas usavam outro tipo de energia, no qual os sentimentos eram a principal fonte de poder, a chamada energia sentimental.
Era uma energia difícil de ser sentida, até mais pelo os mais experientes manipuladores de energia, simplesmente por se tratar de um poder que usar os sentimentos como base. Determinação até tentou, mas acabou deparando-se com outra coisa no momento.
— Essa é a energia da mamãe? — Murmurou.
Em vários pontos, a mulher lagarto pode sentir o poder familiar, estava bem fraco, de uma maneira que um manipulador facilmente o perderia de vista, mas Determinação conhecia muito bem para saber que realmente tratava-se do poder de sua mãe.
Ponderou alguns minutos, estava confusa sobre tudo aquilo, temia que Vida tivesse algum envolvimento nisto, com as palavras de sua irmã mais velha, sabia muito bem que a mesma procuraria outras bestas aladas que aceitasse seguir o seu propósito, e temia que alguma de suas irmãs acabariam por aceitar o plano maluco dela.
Ao decidir por investigar o que era esses poucos pontos de energia, Determinação pulou da árvore, usando de seu poder de controlar o vento para planar floresta adentro, ela então utilizou-se de cauda preênsil de réptil para se agarrar nos galhos para então saltar deles e planar até outra árvore.
Fez isso por alguns minutos até para em frente a onde pensou ter sentido a energia de sua mãe, ela observava o matagal a sua frente com atenção, quando de repente algo pulou sobre ela gritando.
Griaa!
Da vegetação saiu uma criatura, sua aparência lembrava a de uma ave, porem em suas costas estava uma casca de tartaruga, ela possuia grandes garras em suas mãos e afiados dentes. Determinação mal se moveu perante ao ataque da criatura, ela simplesmente a agarrou pela sua mandíbula, parando o ataque repentino da besta na mesma hora.
— O que é você? — ao encarar a criatura, a mulher indagou seriamente.
O animal tentava violentamente se desvencilhar das mãos de Determinação, atacando-a com suas garras, mas, por mais que tentasse, nenhum dano era desferido contra a mulher que permanecia agarrando sua mandíbula com ainda mais força.
Ela então usou seu vento para jogar o animal para longe e, no mesmo momento, invocou um objeto em suas mãos. O objeto lembrava um chicote com uma das suas pontas tendo um objeto triangular e na outra ponta uma esfera sólida rodeada de espinhos.
Determinação começou a girar seu chicote, jogando a esfera de espinhos contra o animal como uma jogadora profissional de vôlei.
O objeto ia tão rápido contra seu alvo que soou um assobio antes dos barulhos de ossos quebrando.
Griaa!
A criatura gritou em desespero.
No ataque as pernas da criatura enfeitaram o chão junto ao seu sangue, e em um ato de desespero ela tentou fugir, se arrastando para longe, contudo, Determinação a pegou pela cauda puxando-a para próximo de seu rosto.
— Compreendo seu desejo por viver, mas infelizmente a energia que portas não é algo que um ser vivo deve ter.
Ao enfiar seu braço na boca do animal, invocou uma forte ventania que o fez começar a inchar igual a balão com água. Após inchar até uma altura específica, a criatura explodiu, sujando tudo ao seu redor com sangue
Determinação reagiu com desgosto a todo líquido vermelho preso em seu corpo — Eu odeio essa parte.
Porem ela não teve muito tempo para se sentir enjoada, pois avistou algo que nunca pensou que veria naquela terra. Em meio ao cadáver explodido, estava o que parecia um pedaço de uma fruta, ele pulsava brilhando em vermelho, Determinação arrancou aquele objeto com força e o encarou assustada.
— Um pedaço de maça sangria!?
Aquilo era impossível, uma maçã sangria era um objeto capaz de portar grande energia, aquela criatura que tinha enfrentado foi criada por tal energia, contudo apenas Nephrite Yggdrasil tinha o poder de gerar tais frutos, e devido a essa natureza da maçã, os outros dragões governantes a proibiram de as produzir, por isso a mulher lagarto não entendia o porquê daquele objeto está ali.
Quanto mais pensava, menos respostas apareciam, porém, ela tinha certeza de uma coisa, que precisava agir.
— Eu não sei o que está rolando a está terra, mas como filha de Nephrite, não posso ignorar esse chamado.
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