Volume 1
Capitulo 11: A dama gelida
Em uma noite barulhenta, uma garotinha choramigava.
— Eu não sou esquisita.
Ela caminhava entre os corredores luxuosos de um castelo. Vestia um vestido de baile infantil de saia longa bordada.
Estava presa em seus pensamentos, quando notou em sua frente uma porta de vidro aberta.
— Alguém chegou na varanda antes de mim… — murmurou.
Esgueirado-se até a porta de vidro, olhou de canto para a pessoa que estava na varanda, vendo que era uma mulher adulta. A mulher era extremamente bela, ao ponto da garotinha ficar enfeitiçada com tamanha beleza, vestia-se com vestido de baile azul-escuro.
Em seu quadril, a mulher usava algo que a garotinha assimilou ser um casaco emplumado de tom arroxeado, e em suas mãos, ela carregava uma sombrinha usando-a para esconder seus longos cabelos brancos.
“É a primeira vez que a vejo por aqui, será de algum reino vizinho?”, a garotinha perguntou-se em seus pensamentos.
Ao tentar observá-la melhor, a garotinha acabou se desequilibrando, e quase caiu. Devido a isso a mulher acabou notando sua presença, e ao ter seus olhares encontrados, ela sorriu gentilmente a garotinha.
— Parece que não sou a única que não gosta da balbúrdia — Aproximando-se da garotinha, a mulher falou. — Está bem pequena?
Ao mexer a cabeça confirmando esta bem, a garotinha notou que agora podia ver a face da mulher de maneira mais clara, era um rosto que não parecia humano por tamanha perfeição, porem, o que mais a chamou atenção era os seus olhos purpuras.
Eles pareciam gemas preciosas que normalmente só via sendo usados por mulheres nobres como decoração. Na mesma hora, ela lembrou-se de algo que sua mãe uma vez disse, de tal aparência, ser uma característica de uma certa raça.
— Você é um Prisma, moça?
A mulher riu da pergunta inocente.
— Não, mas também não sou mortal — oferecendo sua mão, a garotinha — Queres admirar as estrelas comigo, minha jovem?
Por mais que sua mãe tivesse dito que não deveria interagir com pessoas estranhas, a garotinha aceitou o convite. Ela não entendia, mas não se sentia incomodada com a presença daquela mulher, ao contrário, sentia-se extremamente familiarizada.
— O céu estrelado é tão belo, sinto inveja de ti por ter sempre essa vista em suas noites — admirando os céus, a mulher falou.
Aquela fala fez com que confirmasse a suspeita da garotinha de que aquela estranha não era daqui, era possivelmente de alguma outra terra do tecido dos mundos.
— Sua terra não possuir estrelas? Pensei que era algo comum no tecido… — comentou.
— Não, infelizmente minha terra foi desafortunada sobre a presença de astros — com sorriso gentil, a mulher acariciou os cabelos da garotinha. — Ainda não nos apresentamos, não é?
A garotinha reagiu surpresa, estava levando aquela conversa de maneira tão natural, que até havia esquecido de dizer seu nome. Ao se afastar da mulher, ela se apresentou erguendo sua saia.
— Isabela Garcia, prazer em conhecê-la.
A mulher sorriu e fez o mesmo, contudo, ao invés de erguer sua saia, ela ergueu um par de asas arroxeadas, surpreendendo Isabela, que achava que aquilo era um cassaco.
— Nephrite Yggdrasil, prazer em conhecê-la, senhorita Garcia, e espero que possamos ser boas amigas.
A visão de Isabela escureceu, dando lugar a um teto feito de metal bastante enferrujado. Sentia-se com frio e com certas partes de seu corpo doendo.
— Onde estou… — murmurou.
Não reconhecia o ambiente, parecia uma espécie de casa, mas com objetos que ela não reconhecia. Olhando ao seu redor percebeu que estava sem suas roupas, com apenas ataduras cobrindo-a.
Notou também que estava deitada sobre uma cama feita inteiramente de plantas que reconhecia, eram ervas medicinais valiosas no tecido dos mundos, com o poder de curar feridas internas ligadas a alma de um ser vivo, tais plantas causaram certo estranhamento a princípio.
Devido as suas habilidades, elas foram caçadas até a extinção durante o período da guerra elemental em todo o tecido dos mundos, então Isabela não sabia como era possível alguém possuir essa quantidade nestes tempos. Contudo, ignorou tal informação, pois havia algo mais importante no momento.
— Pelo visto alguém esteve cuidando de mim… — Ao levar sua mão a cabeça, murmurou. — Ai… Não consigo lembrar como cheguei aqui.
Ao olha ao seu redor percebeu uma iluminação de janela, infelizmente ela era muito pequena para atravessar, mas próximo à janela, estava seu vestido pendurado em um cabide.
A roupa estava em um estado péssimo, com vários rasgões ao ponto de Isabela nem querer imaginar o que ocorreu para ele chegar tal estado. Levantado-se, se dirigiu até a pequena janela, a todo momento olhava para os objetos estranhos no caminho, estavam tão enferrujados que com toda certeza um pequeno corte já era um aviso de morte por tétano.
— Hum, não vale mais a pena vesti-lo… — Ao olhar mais detalhadamente ao vestido, murmurou.
Notou então uma escrivania de metal com alguns livros empilhados sobre ela, ao pegar um, leu seu conteúdo em voz alta.
— O cavaleiro ergueu sua espada, a sua princesa, jurando a devoção eterna… Hum, romance medieval… Está aí uma coisa que com toda certeza a professora ia curtir — dando um leve sorriso, Isabela comentou
Isabela então tentou olha o lado de fora da pequena janelinha, mas o objeto estava muito alto para ser ver algo, o máximo que conseguiu ver foi apenas o céu azulado e algumas folhas de árvore.
— A energia elemental desse local é estranha… Definitivamente não estou em meu lá — suspirou.
De repente, Isabela ouviu um barulho que parecia de um pequeno objeto de metal sendo arrastado. Em uma reação rápida, ela se escondeu ao lado da parede de onde o barulho parecia vim.
Uma boneca de trapo apareceu então puxando uma bacia com água. Isabela encarou aquele ser pequeno com tensão
— Vamos Angel, você já está chegando, só mais pouquinho! — Ao puxar a bacia com toda sua força, Angel falou.
De repente, Angel foi parada por um objeto fincado ao chão ao seu lado. Era uma espécie de machado de cabo longo, ele possuía duas laminas em lados opostos e um cone pontiagudo em sua ponta, seu cabo era brilhante parecendo ser feito de puro cristal.
— Quem és tu possuída! — falou Isabela.
A mulher não escondia sua tensão, havia ouvido falar de suas colegas, servas do castelo de papel, que almas em outros corpos eram chamados de possuídos e que eram um mau sinal, pois possuídos serviam ao inimigo dos dragões governantes, uma entidade conhecida como a Devoradora.
— Possuída? O que isso? — Angel perguntou.
A reação da boneca levantou suspeitas em Isabela, não parecia haver mentiras naquela pergunta, e por algum motivo a presença daquele ser não a causava a sensação de ser algo maligno, sendo nada semelhante ao que lhe contaram.
— Que coisa esquisita é essa, moça? — Ao tentar tocar na arma, Angel falou. — É muito bonita…
Entretendo, a arma foi tirada de perto da boneca antes de ela poder tocá-la.
— Não a recomendaria fazer isso, a Alabarda Zamieć não tolera o toque de estranhos, aqueles que tentaram foram submetidos ao um congelamento eterno.
Angel olhava curiosa, para alguns segundos depois mudar sua expressão.
— Ei! Porque está fora da sua cama, continua machucada, não pode ficar fazendo esforço assim!
A boneca correu até as pernas da mulher, e tentou empurrá-la sem sucesso novamente até a cama de ervas. Aquela situação fez Isabela quase soltar um pequeno riso, com isso sua tensão começou diminui
— Então tu és quem cuidou de mim? — perguntou Isabela.
— Não, foi meu irmão. Ele me disse que era para eu trocar suas ataduras depois de umas duas horas, até me deu isso para eu me saber as horas — tirando um relógio de pulso de debaixo de sua saia. — Mas eu não faço a mínima ideia de como ler esse negócio…
Angel então apontou para a cama de vegetais.
— Senta para eu trocar suas ataduras — estufando seu peito falou.
Isabela não ofereceu resistência, notou desde o principia que aquela possuída possivelmente era uma criança, e que não sabia da fama da mulher, devido ao modo como a tratava.
Dirigiu-se até a cama, mas foi impedida pela boneca puxando gentilmente uma mecha de suas ataduras em seu pé.
— Pode me ajudar com essa bacia, por favor… Muito pesada — cutucando seu ombro, a boneca possuía uma expressão envergonhada em seu rosto.
Isabela fez o que ela queria, mesmo não tendo água o suficiente para dar peso. Sentando-se na cama, ela permitiu que Angel retirasse as ataduras de seu braço, aproveitando para esclarecer algumas de suas dúvidas.
— Diga-me possuída, sabes quem sou eu?
— Angel! Não possuída, e não, não sei nada de você — respondeu. — Mas sei que é amiga de meu irmão, então é minha amiga.
Isabela ergue a sobrancelha, não sabia de quem a boneca falava, para ser sincera consigo mesma, ela não lembrava nem como chegou naquele lugar.
— Ei possuí… Digo Angel, por que estou aqui?
— Não se lembra? Bom, o maninho falou que isso podia acontecer — cruzando seus braços, respondeu. — Vocês estava dando uma de cadela e quis morder a gente, ai meu irmão teve que lhe prender em árvores, e por isso você está aqui.
Isabela não entendeu nada do que a boneca falou.
— Respira… Explique de uma maneira que eu entenda, por gentileza…
Angel pôs a mão em seu queixo, explicando melhor. Explicou sobre a perda de sanidade de Isabela, e como ela agia como animal enfurecido e, por conta da tentativa do irmão da garota de lhe salvar, acabou adquirido esses ferimentos no processo, após tudo se resolver, o irmão da boneca então a trouxe até esse local abandonado, que ambos o chamavam de esconderijo, para lhe tratar.
Isabela escutou tudo em silêncio, preocupada com algumas das informações dita pela boneca, nunca havia acontecido tal coisa em seus momentos com empregada de Nephrite e, até onde sabia, nem com suas companheiras algo semelhante chegou a acontecer.
— Isso é estranho… Eu não machuquei ninguém, né!? — assustada perguntou.
Angel negou com sua cabeça.
— Não, mas o maninho falou que parecia que você caçava algo.
Isabela processou a informação, não fazia ideia do que aquilo significava, as únicas memórias que ela tinha antes de tudo escurecer, era que estava resolvendo um problema em seu território, depois disso nada mais
“Muito estranho…”
De repente um puxão em seu ombro a fez perder a linha de seu raciocínio.
— Ei, é legal ter poderes? — perguntou Angel, olhando para si mesma. — o maninho falou para eu não preocupar com isso, que logo os meus irão aparecer, mas…
Isabela, sentido um pingo de empatia pelos sentimentos daquela boneca, pois a sua mão em sua pequena cabeça, confortando-a.
— Eu compreendo suas dúvidas, mas uma grande pessoa uma vez me disse que todos nos possuímos poderes, porem não podemos controlar quando irão aparecer, mas a paciência sempre é recompensadora. Sei que eles logo irão aparecer — exalou um sorriso gentil.
Angel encarou a mulher em silêncio, concordando com a cabeça depois de alguns segundos ponderando.
— Paciência é uma coisa tão complicada! — reclamou Angel.
Isabela deu um riso leve, aquela boneca a lembrou dela mesma quando criança, muito antes de conhecer Nephrite e se tornar a que chamam de Dama gélida.
— Pronto terminei de trocar as ataduras! — inflando o peito em orgulho, Angel falou.
Ela tinha apenas trocado as da mão de Isabela, mas a mulher deixou a garotinha se orgulhar do serviço.
Isabela então encarou os trapos, que uma vez chamou de vestido, mesmo que o vestisse agora, não seria muito diferente do que está vestido as ataduras.
— Esse vestido foi presente da minha professora… — em um tom entristecido, murmurou.
De repente o barulho de um portão rangendo a fez sair de seus pensamentos. Na mesma hora, Angel correu até a entrada do corredor.
— Maninho!
Um garoto surgiu do corredor carregando uma cesta normalmente usada em piqueniques.
— Oi Angel… Oh parece que acordou — ao encarar Isabela, falou. — Tome fiz isso para ti.
De dentro da cesta de piquenique, o garoto tirou um vestido de cor azul. O vestido era bordado com algumas decorações que curiosamente eram as favoritas de Isabela.
— Eu tentei consertar o seu antigo, mas não tinha material apropriado para remendá-lo, perdão Isabela.
A mulher ficou curiosa sobre como ele sabia seu nome, nunca tinha visto aquele garoto em sua vida. Entretanto, ela aceitou o vestido.
— Pode me dar um pouco de privacidade, irei ignorar o fato de me despir, já que era para me curar — falou Isabela.
Eric concordou com a cabeça, indo para o corredor.
— Fiquei preocupado por você ficar adormecida por três dias, mas me alegra ver a ti com saudê — falou Eric. — Já terminou?
— Sim… É me diz, que serias tu? — perguntou Isabela.
O garoto saiu do corredor sorrindo sem jeito.
— Posso está com uma face diferente, mas eu sei que você sempre irá me reconhecer, minha nobre dama gélida
Eric então ergueu um de suas mãos, revelando um corte recente de onde saia sangue. Isabela encarou surpresa, não ao corte, mas sim ao sangue que fluía dele.
Aquele sangue vermelho possuía uma energia família, não, ela reconhecia bem aquela energia, não tinha como a confundi, era energia da pessoa no qual Isabela prometeu servir até o fim de sua vida.
A pessoa no qual demonstrou a ela um jeito diferente de ser ver, sua professora é amada rainha, Nephrite Yggdrasil.
— Acho que devo desculpas a ti, acabei mentido dizendo que ia dormir, mas…
Eric não pode terminar suas palavras, pois seu nariz foi agarrado por um perfume nostálgico, e sua face foi recebida por quentes lagrimas
— Professora! — gritou Isabela.
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