O Cuidador da Ojou-sama Japonesa

Tradução: slag

Revisão: slag


Volume 7

Capítulo 2: Consultor

NO DIA SEGUINTE, era sábado.

Passei a manhã inteira pesquisando sobre consultores.

Assim como Shizune-san havia dito, existiam consultores de todos os tipos. Consultores estratégicos ajudavam a expandir os negócios dos clientes, consultores contábeis melhoravam as operações financeiras, e também havia áreas como reestruturação empresarial, recursos humanos e TI — a consultoria abrangia uma enorme variedade de campos.

Takuma-san parecia ser um consultor estratégico, mas, no meu caso, achei que começar como consultor de TI, aproveitando os conhecimentos que eu já tinha, seria a melhor escolha.

Eu não sabia se era algo tão fácil de alcançar, mas era exatamente para isso que o Management Game existia. Quanto mais seriamente eu pesquisava sobre negócios, mais me impressionava com o valor prático daquele jogo.

Aquele jogo me mostrava as possibilidades do meu futuro.

Queria continuar me esforçando mais um pouco, mas…

Quando olhei para o relógio, já era quase meio-dia.

— Tudo bem. Por hoje chega!

Murmurei para mim mesmo, como se estivesse reforçando a decisão, e fechei o notebook. Desde que Tennouji-san apontara que eu estava me esforçando demais, decidi dedicar as tardes de sábado ao descanso sempre que possível.

Eu me sentiria mal se acabasse preocupando Tennouji-san de novo… A própria Tennouji-san havia dito que suas notas melhoraram depois que conseguiu um pouco mais de tranquilidade mental, então resolvi confiar nas palavras dela e continuar avançando sem exagerar.

…Talvez eu leve alguma coisinha para a Hinako.

Já era hora do almoço, então uma bebida parecia ideal. Depois de preparar um chá na cozinha, fui até o quarto da Hinako.

— Hinako, você está aí?

Quando bati na porta, ouvi um "Hmm…" preguiçoso vindo lá de dentro. Ao entrar no quarto, encontrei Hinako recostada na cadeira, com a cabeça apoiada no encosto, encarando — encarando fixamente o teto.

— Estou taaão cansada…

— Bom trabalho. Preparei um chá para você.

Coloquei a xícara sobre a mesa dela. Hinako provavelmente também estava trabalhando no Management Game. Na tela do computador, os funcionários controlados por IA do Grupo Konohana corriam de um lado para o outro em um ritmo frenético.

— Ah… isso está bom.

Hinako tomou um gole do chá e murmurou baixinho.

— Sério? Foi um chá que a Tennouji-san recomendou…

— Na verdade, está ruim.

— Hã!?

Por quê!?

— Estou brincando. …Está bom.

— A-Ah, ainda bem…

Todo aquele cuidado medindo o tempo da infusão e a temperatura da xícara valeu a pena.

— Qualquer chá… quando o Itsuki prepara, fica bom. …Qualquer chá.

— Hinako…

Ver Hinako bebendo o chá tão satisfeita aqueceu meu coração.

Embora, honestamente, a obsessão dela pelas folhas de chá fosse um pouco preocupante. …Ultimamente, às vezes ela olhava para Tennouji-san como se a visse como uma rival — talvez isso fosse uma extensão daquilo.

— Itsuki, você está fazendo uma pausa agora?

— Sim. Embora eu ainda planeje revisar e me preparar para as aulas depois do jantar.

Provavelmente também estudaria um pouco no domingo, então hoje eu só pretendia dar uma olhada rápida.

— Itsuki… você tem ido muito bem ultimamente.

— Você acha?

— Uhum. Parece mais relaxado.

Ela queria dizer que eu estava mais tranquilo?

Pensando bem, quando o Management Game começou, Hinako preparava chá para mim várias vezes. Como parecia gostar de fazer aquilo, eu deixava, mas naquela época quase nunca retribuía o favor. …Eu não percebia isso na época, mas provavelmente não tinha espaço mental para notar o que acontecia ao meu redor.

— Vou seguir seu exemplo e encerrar os estudos por hoje também…

— No seu caso, "relaxada" parece mais "folgada", não acha?

Sorri de forma irônica quando Hinako fechou o notebook e desabou sobre a mesa.

Olhando para ela assim… talvez a personalidade tranquila da Hinako fosse exatamente o motivo pelo qual ela evitara se esgotar como eu costumava fazer — ou como aconteceu com Tennouji-san.

— Quer que eu faça uma massagem nos seus ombros?

— Por favor…

Hinako se endireitou na cadeira, e comecei a massagear seus ombros.

Nossa… estão mais tensos do que eu imaginava…!

Fiquei calado porque comentar poderia deixá-la constrangida, mas os ombros de Hinako estavam muito mais rígidos do que eu esperava. Ela parecia uma garota delicada, mas era a Ojou-sama do Grupo Konohana. Aqueles ombros provavelmente carregavam um peso que eu nem conseguia imaginar.

— Mmm~…

Quando massageei a região do pescoço, Hinako soltou um pequeno som satisfeito. Pelo menos naquele momento, eu queria que ela relaxasse completamente.

— Itsuki… ontem você parecia meio preocupado. Está melhor agora?

Hinako perguntou sem se virar.

— Sim. Decidi que vou tentar me tornar um consultor.

— Entendi. …Estou ansiosa para ver no que você vai se tornar.

Hinako falou com um sorriso bobo e gentil. Eu faria o meu melhor para corresponder àquelas expectativas.

— Assim está bom?

— Mmm… está mais leve. Como agradecimento, vou massagear você agora.

Depois que terminei os ombros dela, Hinako se posicionou atrás de mim. Quando me sentei na cadeira, seus dedos finos pousaram sobre meus ombros.

Ah… isso é muito bom.

Eu não tinha estudado tanto naquele dia, mas talvez ainda estivesse carregando o cansaço da noite anterior. Depois de conversar com Shizune-san, fiquei acordado até tarde pesquisando sobre consultoria.

De repente, as mãos de Hinako pararam. Ao mesmo tempo, senti uma sensação estranha na parte de trás da cabeça.

…O que ela estava fazendo?

Disfarçadamente, desviei o olhar para o lado e aproveitei o reflexo da janela. Hinako não percebeu, mas eu conseguia vê-la refletida no vidro.

Ela tinha uma expressão sonhadora enquanto aproximava lentamente o rosto da minha cabeça.

E então… fungada, fungada — ela estava me cheirando.

— Hinako?

— !

Hinako afastou o rosto da minha cabeça às pressas.

— O-O-O quê…?

— Não, agora há pouco…

— E-Eu não estava fazendo nada…!

O rosto de Hinako ficou completamente vermelho enquanto ela balançava a cabeça freneticamente. Ela estava tão desesperada que parecia até estar suando.

…Acho melhor eu lavar o cabelo depois.

Talvez eu estivesse com cheiro de suor de quem acabou de acordar ou algo assim. Afinal, cuidar do odor corporal fazia parte da boa educação.

 

À uma da tarde, almocei com Hinako no salão de jantar da mansão e, agora, estava lavando a louça na cozinha.

— Ah, então é isso que você anda fazendo ultimamente?

Yuri, que lavava pratos ao meu lado, assentiu enquanto ouvia minha história. Naquele dia, Yuri estava trabalhando como ajudante de cozinha na residência da família Konohana. Desde as férias de verão, ela vinha pegando turnos aos fins de semana.

— Mas, sinceramente, estou meio nervoso pensando se consigo trabalhar como consultor sem praticamente nenhum histórico.

— É, consultores realmente parecem depender muito de confiança, né?

Entreguei um prato já lavado para Yuri, e ela o secou com movimentos experientes antes de guardá-lo na prateleira.

— Aliás, eu estou te deixando ajudar naturalmente aqui, mas você não precisa ficar, sabia? Lavar louça faz parte do meu trabalho.

— Tenho tempo livre, então me deixa ajudar pelo menos nisso. Além disso, consegui permissão direitinho com a Shizune-san.

— Bom, então tudo bem.

Desde pequeno eu tomava iniciativa para ajudar nas tarefas domésticas, então aquilo era até uma forma agradável de relaxar para mim. Limpar ou lavar louça dava aquela sensação imediata de realização — o resultado aparecia na hora.

— Ah, falando nisso, as vendas da nossa loja caíram um pouco ultimamente.

— Sério….?

— Sim. Ainda estamos ganhando bem, então não estou tão preocupada. Mas fico pensando se um consultor conseguiria resolver algo assim.

Isso era bem a cara do Hiramaru — um restaurante amado por jovens e idosos. Nem mesmo uma queda nas vendas abalava aquela mentalidade firme deles. Mesmo assim, Hiramaru era um lugar familiar para mim desde sempre.

Eu não conseguia simplesmente ignorar aquilo, então comecei a pensar nos possíveis motivos da queda nas vendas.

— A principal fonte de renda do Hiramaru vem dos teishoku, certo?

— Isso. O combo especial do dia provavelmente é o que mais vende.

— Descobri durante as férias de verão que abriu uma nova loja de bentô perto da estação, né? Será que eles não estão roubando parte dos clientes de vocês?

— Bentô e teishoku realmente competem entre si desse jeito?

— Acho que o público-alvo é bem parecido. Além disso, como eles são uma rede, provavelmente conseguem manter custos mais baixos.

Parecia que estavam disputando o mesmo grupo de assalariados que saíam do trabalho.

A loja de bentô também vendia acompanhamentos separados e podia flexibilizar descontos facilmente. Para trabalhadores que voltavam tarde para casa, acompanhamentos em promoção eram algo fácil de comprar por impulso.

— Já que eles apostam tanto em preços baixos, talvez vocês possam se diferenciar focando mais na qualidade. O especial do dia do Hiramaru já é uma pechincha por 500 ienes, mas e se aumentassem 100 ienes e passassem a usar ingredientes melhores?

— Hmm…

Provavelmente também seria necessário ajustar os acordos com fornecedores.

Atualmente, o especial do dia do Hiramaru dependia da proposta de ser barato, mas entrar em guerra de preços com uma grande rede era um jogo perdido. Seria melhor lapidar ainda mais a qualidade. A comida do Hiramaru era genuinamente deliciosa, então aquela estratégia tinha grandes chances de funcionar.

— Olha só você conseguindo fazer isso.

— Hã?

— Isso aí agora há pouco? Não foi trabalho de consultor?

Ela falou aquilo tão casualmente que minha mente travou por um instante.

— Você tem razão. Aquilo foi consultoria.

Talvez eu estivesse pensando demais. O trabalho de um consultor basicamente era servir de conselheiro para executivos, certo? Isso não era tão diferente do que eu já vinha fazendo.

Ultimamente, muitos colegas de classe vinham pedir conselhos para mim. De certa forma, aquilo também era consultoria, não era? Claro, eu ainda tinha muito a aprender, mas… talvez não houvesse necessidade de ficar tão ansioso.

— Como agradecimento pelo conselho, toma aqui.

Yuri me entregou uma taça gelada.

— O que é isso?

— Uma sobremesa em fase de teste. Tokoroten ice.

Que combinação era essa? Dentro da taça, havia sorvete sobre uma base de tokoroten. Hesitante, peguei um pouco do sorvete junto com o tokoroten e levei à boca…

— Nossa, isso está muito bom!?

— Boa! Se você disse isso, então foi um sucesso!

O sorvete tinha um sabor intenso de caramelo artesanal, combinando perfeitamente com a leveza do tokoroten. Eles provavelmente haviam deixado o sorvete amolecer de propósito — ele derretia na medida certa para se misturar ao tokoroten.

— Vou adicionar isso ao cardápio.

— Parece ótimo, mas tudo bem decidir isso baseado só na minha opinião?

— Pffft, quem você acha que treinou o seu paladar todos esses anos?

…Justo. Não era à toa que eu provava os protótipos da Yuri desde criança.

— Ei, posso chamar a Hina—digo, a Konohana-san? Já que estamos aqui, ela também pode experimentar.

— Ah, claro, sem problemas…

Quase deixei escapar "Hinako" na frente da Yuri, já que era assim que eu a chamava dentro da mansão. Resolvi buscar Hinako no salão de jantar, onde ela estava relaxando, para fazê-la provar o tokoroten ice.

— Ah, Itsuki-san.

No caminho até o salão, Shizune-san me chamou.

— Desculpe incomodar durante sua folga, mas as roupas da lavanderia chegaram. Poderia ajudar a trazê-las para dentro?

— Claro.

Shizune-san sabia que eu gostava de fazer tarefas domésticas para clarear a mente. Além disso, eu não tinha muito o que fazer no meu quarto mesmo, então ajudaria nos trabalhos da mansão naquele dia. Eu recebia um salário considerável — o mínimo que podia fazer era merecê-lo.

— Hinako, a Yuri fez uma sobremesa e—

Chamei Hinako no salão de jantar antes de seguir para ajudar Shizune-san.

 

Ao ouvir que havia uma sobremesa deliciosa, Hinako foi até a cozinha. Lá, encontrou a amiga de infância de Itsuki, Hirano Yuri.

— Hum… Tomonari-kun me chamou, então eu vim…

— Ah, sim…

As duas trocaram reverências constrangidas.

Um minuto inteiro se passou enquanto ambas permaneciam em silêncio.

I-Isso… isso está muito constrangedor…!

Hinako mexia nervosamente os lábios enquanto mantinha o olhar fixo no chão. Existia um motivo para aquele silêncio doloroso. No fim das férias de verão… Hinako descobrira pela primeira vez o que era amor. E quem a ensinou isso foi justamente a garota diante dela — Yuri.

Mas, no final, Yuri havia se declarado rival amorosa de Hinako.

…Nós estamos apaixonadas pela mesma pessoa.

Depois que perceberam isso, Hinako e Yuri passaram a evitar ficar sozinhas juntas. Como sempre usavam Shizune como intermediária para emprestar mangás uma para a outra, aquilo nunca tinha sido um problema. Mas agora, frente a frente, a tensão era inevitável.

— E então, como estão as coisas?

Yuri perguntou em voz baixa. E por "coisas", ela obviamente queria dizer — o relacionamento amoroso de Hinako com Itsuki.

Como ela deveria responder…? Ela deveria blefar? Ou ser honesta e admitir que "não houve progresso"?

Hinako colocou seu cérebro de altíssimo desempenho, herdado dos pais, para funcionar a todo vapor—

— Ah…. está, tipo, indo super bem.

Ela escolheu blefar.

— H-Hã. Sério? Nossa… que coisa.

Yuri reagiu como se não ligasse nem um pouco. Provavelmente também era um blefe… mas, como Hinako estava mentindo, não podia apontar isso. O impasse continuou inutilmente.

— Tipo…. o que vocês fizeram?

— Hã?

A pergunta de Yuri pegou Hinako desprevenida, e ela hesitou. Entrando em pânico, acabou mencionando um acontecimento recente.

— B-Bem, deixa eu ver. Outro dia, eu me inspirei naquele mangá que você me emprestou e tomei banho com ele—

— Espera aí — o rosto de Yuri se contraiu. — V-Você realmente fez na vida real algo que viu no mangá…?

— ? Sim, fiz… Tem algum problema nisso?

Para Hinako, mangás shoujo eram seus livros didáticos sobre amor. O que havia de errado em seguir o manual? Pensando assim, Hinako inclinou a cabeça, confusa, enquanto Yuri, com uma expressão complicada, tentou explicar.

— O-Olha, Konohana-san. Mangá não é vida real, tá? Fazer essas coisas de mangá no mundo real… é meio pesado, sabe?

— Hã?

— Quero dizer, eu te emprestei como referência, claro, mas aquilo é para ser apreciado como ficção. Se você simplesmente fizer aquelas coisas na vida real, pode acabar assustando as pessoas.

— !

Hinako ficou sem palavras. Será que… ela cometeu um erro gigantesco?

— E-Então, por exemplo? Tipo, naquele mangá que você me emprestou dessa vez da última vez, tinha uma cena em que a garota se aproximava toda de roupa de banho e mostrava um pouco de pele discretamente. Fazer isso na vida real seria…

— Na vida real isso faria você parecer uma completa tarada.

— Guh!?

O rosto de Hinako tremeu.

— O quê? Não me diga que você realmente fez isso?

— N-Não fiz. Eu definitivamente não fiz nada desse tipo.

— Ah, qual é… Essa reação aí? Você está totalmente culpada.

— Eu não fiz. Juro que não fiz.

Hinako negou teimosamente, com o rosto completamente vermelho. O olhar de Yuri atravessava Hinako como se gritasse: "Você fez, neeeeeeeeeé."

Será que eu… talvez tenha deixado o Itsuki desconfortável…?

Ela relembrou o incidente no banheiro. Então era por isso que a reação do Itsuki tinha sido tão estranha naquela hora… Parecia que ela havia feito algo muito distante das interações românticas normais entre garotos e garotas.

— E-E você, Hirano-san?

Desesperada para mudar de assunto, Hinako resolveu perguntar sobre Yuri.

— Eu? Nada de especial aconteceu.

— Ah… entendo.

Hinako lançou para Yuri um olhar difícil de descrever.

— Ugh, não olha pra mim assim! Além disso, se você parar para pensar, a culpa de eu e o Itsuki termos nos separado foi sua desde o começo!

— Eu… sinto muito por isso.

— Ahh! Estou brincando! Foi brincadeira, então não fica tão para baixo assim!

Yuri entrou em pânico ao ver Hinako realmente abatida.

— Olha, eu até estou trabalhando na sua casa agora, certo? Honestamente, isso tem sido uma experiência valiosa, e eu sou grata por isso.

— Mesmo assim… o que estou fazendo parece coisa de vilã de mangá…

— Como eu disse, mangá e realidade são diferentes. Eu não guardo ressentimento contra você, Konohana-san.

Yuri parecia falar aquilo sinceramente, do fundo do coração. Hinako achava que Yuri não era apenas gentil, mas também alguém de espírito forte. Ela não culpava os outros e sempre tentava enxergar as coisas de maneira positiva. Era por isso que Yuri nunca guardava rancor de ninguém. Se fosse preciso culpar alguém, ela primeiro apontaria as próprias falhas antes de acusar outra pessoa.

— Aqui, prova isso se quiser.

Yuri entregou uma taça para Hinako. Ah, é mesmo — o objetivo original delas era provar a sobremesa. Hinako pegou a taça, inclinando a cabeça por um instante diante da combinação misteriosa lá dentro, mas quando experimentou…

— Está delicioso…. A textura é tão diferente.

— Heh… Nada mal, né? Até eu fiquei impressionada comigo mesma.

Yuri sorriu satisfeita enquanto observava Hinako comer, escondendo o sorriso atrás da mão. As duas trocaram olhares — e então começaram a rir ao mesmo tempo, sem motivo específico.

— Ha… Certo, chega. Se continuarmos ficando assim toda vez que nos encontrarmos, eu não vou aguentar.

— Você tem razão.

Hinako concordou do fundo do coração.

— Quero dizer, se apaixonar pelo mesmo cara? Isso provavelmente nem é tão raro assim.

Yuri esticou as costas e falou casualmente. Agora que ela mencionava isso, fazia sentido. Se Hinako achava alguém atraente, era natural que outras pessoas também achassem.

— Então, tipo, podemos simplesmente agir normalmente sobre isso, certo?

— Sim. Quero continuar me dando bem com você como sempre, Hirano-san.

A relação delas não precisava virar algum drama exagerado de mangá shoujo nem uma rivalidade séria. Não havia vilãs ali, nem protagonistas. As coisas podiam simplesmente continuar como estavam. Normais, como sempre—

— Hehe.

— O que foi tão engraçado?

Hinako deixou escapar uma pequena risada e balançou a cabeça diante da pergunta de Yuri.

Desde que tinha idade para entender as coisas, ela vivera como a herdeira do Grupo Konohana. Sempre observara as pessoas vivendo vidas tranquilas à distância, acreditando que a sua própria seria cheia de restrições.

Mas o amor era diferente. Quando estava apaixonada, ela era apenas uma pessoa comum… Não importava o quão perfeitamente interpretasse o papel de refinada ojou-sama, havia uma coisa que ela não conseguia fingir.

— Eu estou… sendo normal agora, não estou? — Hinako murmurou, e Yuri inclinou a cabeça, confusa. — Hirano-san, quer comer comigo?

— Ah, claro. Parece bom.

Hinako deu leves tapinhas na cadeira ao seu lado, convidando Yuri para se sentar. Yuri se acomodou, mas sua expressão endureceu um pouco.

— O que foi?

— Não, é só que… você é tão bonita, Konohana-san, que eu fico um pouco nervosa sentando ao seu lado.

— Ah, eu também fico nervosa. Você é uma pessoa tão maravilhosa, Hirano-san.

— E-Espera… Você consegue simplesmente soltar elogios assim!?

Não era brincadeira, mas… Hinako decidiu ficar em silêncio, sem querer deixar Yuri ainda mais constrangida. Talvez — só talvez — ela pudesse mostrar para Yuri quem realmente era. Yuri provavelmente entenderia e até a ajudaria, aceitando o lado preguiçoso e pouco refinado de Hinako como parte de seu charme "normal".

Ela chegou a considerar isso… mas desistiu.

Aquele segredo era algo que queria compartilhar apenas com Itsuki. Talvez fosse um pouco injusto, mas Hinako esperava que Yuri a perdoasse por pelo menos isso.

Hirano Yuri — a amiga de infância de Itsuki, dona de um coração forte e de um vasto conhecimento que Hinako não possuía.

Konohana Hinako frequentemente se pegava sentindo inveja dela.

 

Segunda-feira.

Faltavam duas semanas para o fim do Management Game.

Agora, já na segunda metade da competição, a sala de aula fervilhava com discussões ainda mais intensas entre os alunos. Falava-se sobre parcerias, fusões e aquisições, ou até negociações como a que tive com Suminoe-san sobre a divisão de mercados. Alguns estudantes debatiam com expressões tensas.

Naquela etapa, todos pensavam em como encerrariam o jogo. Alguns buscavam maximizar seu valor de mercado, outros tentavam proteger suas marcas até o fim, e havia também aqueles que, após estratégias fracassadas, se desesperavam tentando minimizar prejuízos e recuperar seus negócios.

E, no meio de tudo aquilo — eu fazia parte do raro grupo que estava começando um novo empreendimento.

— Certo.

Hoje era o habitual encontro do chá. Naquela reunião, eu pretendia contar a todos que estava pensando em me tornar consultor.

— Desculpa, Tomonari! Tenho uma reunião, então vou me atrasar um pouco para o chá!

— Desculpa, Tomonari-kun! Eu também vou chegar um pouco atrasada!

Taishou e Asahi tinham alguns assuntos para resolver e me avisaram antes.

Hinako… parece que ela também vai se atrasar.

Olhei para Hinako, que estava no centro da sala de aula respondendo perguntas dos colegas. Até alunos de outras turmas faziam fila para pedir conselhos a ela, formando uma longa sequência de pessoas.

Nossos olhares se encontraram, e ela me deu um leve aceno. Entendendo o sinal para eu seguir sozinho, fui em direção ao café.

— Oh…

Ao chegar ao café, encontrei uma garota incrivelmente bonita, de cabelos loiros dourados presos em elegantes cachos verticais — Tennouji-san. Parecia que Narika ainda não tinha chegado. Tennouji-san estava sozinha, completamente concentrada em um livro.

Estudando, é? …Ela também parece ocupada.

Murmurando coisas como "Hmm, entendo… então é assim que funciona", Tennouji-san virava as páginas profundamente focada. Sem querer incomodá-la, puxei discretamente uma cadeira.

Mas, ao fazer isso, acabei vendo a capa do livro.

—Até um Macaco Entende: A Arte da Conquista Amorosa!

…Tennouji-san?

O que exatamente você está lendo no café da academia…?

— Hum, Tennouji-san.

— !?

Sem conseguir evitar, falei com ela, e Tennouji-san fechou o livro com força.

— Esse livro que você estava lendo…

— N-N-Não entenda errado, por favor! Konohana Hinako disse que era útil para estudar, então eu fiquei curiosa…!

Tennouji-san balançou a cabeça freneticamente, completamente atrapalhada.

— Sim, imaginei que fosse algo assim.

Como não havia outros alunos por perto, deixei de lado a formalidade.

— Você podia pelo menos interpretar errado um pouquinho, sabia?

Por algum motivo, Tennouji-san fez um biquinho emburrado. Interpretar errado…? Isso queria dizer que Tennouji-san tinha interesse em romance? Ela já tivera uma proposta de casamento arranjado antes. Embora tudo tivesse sido cancelado depois de várias reviravoltas, talvez aquela experiência tivesse feito com que ela começasse a pensar seriamente sobre amor.

— Que tipo de pessoa você gosta, Tennouji-san?

— G-Gostar!?

— Ah, hum, você não precisa responder se não quiser…

A reação dela foi maior do que eu esperava, então sugeri gentilmente que poderíamos mudar de assunto. Mesmo assim, com as bochechas coradas, Tennouji-san respondeu.

— B-Bem, sim! Precisaria ser alguém adequado para a família Tennouji, é claro! Com boa educação, resiliente, puro de coração e capaz de inspirar os outros—

— Isso… é uma lista bem exigente.

— Oh!?

Sorri sem jeito, e os olhos de Tennouji-san se arregalaram, como se ela tivesse acabado de voltar à realidade.

— N-Não, não é isso. Essas eram apenas… condições ideais para a família…

Aparentemente, aquilo não representava exatamente suas preferências pessoais. Ela balançou a cabeça apressadamente. Provavelmente, no calor do momento, acabou listando apenas o que sua família consideraria ideal.

Minha pergunta estranha a deixou encurralada. Foi mal.

— Meu tipo… seria alguém sério, gentil, que sempre se esforçasse para melhorar, mesmo que ainda não fosse perfeito… e alguém que permanecesse ao meu lado, não importa o quanto eu me tornasse fraca.

As bochechas dela ficaram ainda mais vermelhas enquanto ela olhava discretamente para mim ao dizer aquilo. Quando enfrentou pela primeira vez aquela proposta de casamento, provavelmente teria dado apenas a resposta aprovada pela família. Mas agora Tennouji-san era diferente — ela estava pensando por si mesma, e não apenas pela família.

— Você realmente refletiu bastante sobre isso.

Saber que ela estava encarando os próprios sentimentos de frente me deixou estranhamente emocionado.

Mas—

Espera, por que ela está me encarando desse jeito…? Essa não era a parte em que nós dois ficaríamos um pouco emocionados?

— E quanto a você, Itsuki-san?

— Eu?

Tennouji-san olhou diretamente nos meus olhos.

— Você se lembra do que meu pai disse para você?

— I-Isso é…

Claro que eu lembrava, mas…

"Que tal entrar para nossa família?" …Acredito que ainda não ouvi sua resposta para essa pergunta.

Foi depois das provas, quando Hinako e eu visitamos a casa da Tennouji-san. Como eu ajudei Tennouji-san a expressar seus verdadeiros sentimentos para cancelar o noivado, o pai dela passou a gostar de mim e acabou dizendo algo daquele tipo.

— Isso foi só algo dito no calor do momento, não foi?

— Você realmente acredita nisso?

Ela ergueu os olhos para mim, e eu travei, engasgando com as palavras. Se eu concordasse, ela provavelmente acharia que eu era superficial. Mas, se eu negasse… o que exatamente deveria dizer?

O olhar dela era tão direto que eu estava nervoso demais para pensar direito. Enquanto eu me debatia tentando responder, o som de um celular vibrando quebrou o silêncio.

— O-Oh, é o meu — Tennouji-san pegou o smartphone sobre a mesa. — É uma mensagem da Suminoe-san.

Não era uma ligação, mas uma mensagem enviada por aplicativo. Enquanto Tennouji-san respondia, perguntei:

— Você continuou em contato com a Suminoe-san depois daquilo?

— Sim. Parece que perder para você a abalou bastante — ela vem se esforçando ainda mais e melhorando muito seu desempenho ultimamente.

Pelo jeito, qualquer tensão restante entre as duas já havia desaparecido completamente. Eu já sabia que a empresa da Suminoe-san, SIS, estava indo muito bem. Provavelmente ela estava mostrando seu verdadeiro potencial agora, e não na época em que competimos. Se eu enfrentasse a Suminoe-san atual — focada, motivada e evoluindo constantemente — talvez eu realmente perdesse desta vez.

— Desculpem a demora, vocês dois!

A voz de Asahi-san ecoou à distância. Atrás dela vinham Hinako, Taishou e Narika. Tennouji-san discretamente guardou o livro na bolsa. O encontro do chá estava começando… Ainda bem que aquela conversa não foi adiante……..

 

O assunto habitual do encontro do chá era compartilhar atualizações e discutir problemas.

Mas agora, na segunda metade do jogo, todos já estavam consolidando suas estratégias, então havia menos coisas para compartilhar. Além disso, todos ali eram tão competentes que resolviam a maior parte dos problemas sozinhos, sem dificuldade.

Então…

— Como esperado, todos estão indo esplendidamente bem.

Tennouji-san estava certa — todos relataram progresso constante. Todas as empresas estavam crescendo, sem obstáculos aparentes no caminho. Exceto… que isso não me incluía.

— Uma aliança de superdotados pode acabar sendo um problema. Ficamos sem muito o que discutir—

— Desculpem interromper. Tenho algo para compartilhar.

Levantei a mão, atraindo a atenção de todos. Como todos pareciam entediados pela falta de assunto, o momento foi perfeito.

— Estou planejando abrir uma empresa de consultoria.

Os olhos de todos se arregalaram, mas continuei falando com confiança.

— Foi algo em que pensei bastante. Vou deixar minha empresa atual, Tomonari Gifts, e começar uma nova empresa de consultoria.

— Com apenas duas semanas restantes? Será difícil gerar resultados.

A cautela de Tennouji-san era compreensível. Mas…

— Mesmo assim, acredito que essa seja a melhor escolha para o meu futuro.

Tomei essa decisão pensando no panorama maior do Management Game. Eu não estava me tornando consultor apenas para vencer o jogo. Queria ganhar experiência aqui para me preparar para um futuro como consultor de verdade.

Asahi-san e Taishou assentiram diante da minha determinação.

— Eu apoio totalmente! Acho que combina muito com você, Tomonari-kun!

— Eu também. Sempre achei você fácil de conversar, Tomonari.

Ser acessível era, sem dúvida, uma grande qualidade para um consultor. Assim como Shizune-san, eles acreditavam que eu tinha talento para isso.

— C-Claro, eu também apoio você! Só estava preocupada que, se estiver mirando o conselho estudantil, isso possa colocá-lo em desvantagem…

Então era isso que preocupava Tennouji-san. Eu também havia pensado nisso e balancei a cabeça.

— Comparado a Konohana-san ou a você, minhas notas ainda são claramente inferiores. Também não tenho o histórico familiar da Narika nem um talento extraordinário. Mesmo com o incidente envolvendo Suminoe-san, jogar pelo seguro não será suficiente para eu ser eleito para o conselho estudantil.

— Então você pretende partir para o ataque?

— Exatamente. Mais uma jogada ousada não vai me fazer mal.

Eu não achava que impedir a aquisição da empresa pela Suminoe-san fosse, por si só, conquistar instantaneamente a confiança de todos os alunos. Eu precisava dar outro salto.

Duas vezes. Eu me elevaria duas vezes dentro desse Management Game. Então todos perceberiam — aquilo não era sorte, mas habilidade.

— Acabei fazendo uma observação bastante fora do meu normal, não foi?

Tennouji-san exibiu um sorriso destemido.

— Continuar avançando ainda mais logo depois de alcançar resultados… essa atitude merece elogios! Tenho grandes expectativas para o seu próximo salto, Tomonari-san!

Recebendo aquelas palavras sinceras de incentivo, abaixei a cabeça.

— Muito obrigado.

— Eu também concordo.

E Hinako também expressou seu apoio mais uma vez diante de todos.

— Pensando bem, foi você, Tomonari-kun, quem reuniu este grupo. Ouvi dizer que conexões são essenciais para o trabalho de um consultor, então talvez esse caminho sempre tenha sido o seu destino.

Se não me engano, a primeira vez que aquele grupo se reuniu foi logo depois da minha matrícula. Eu me sentia mal em continuar recusando os convites de Taishou e Asahi-san, então acabei passando um tempo com eles depois da aula. E, já que estávamos juntos, convidei Tennouji-san e Narika também.

Pensar que Hinako ainda se lembrava daquele momento… bem, isso me deixou profundamente feliz. Por fim, Narika olhou para mim e falou.

— Eu também sou a favor. E além disso… por favor! Pode me ouvir?

Narika juntou as mãos e abaixou a cabeça. O que ela queria dizer…?

— É que minha empresa está planejando abrir uma loja virtual.

— Uma loja virtual?

Ao repetir as palavras dela, Narika assentiu.

— Quero criar uma loja online especializada em artigos esportivos dentro da minha empresa. Mas nós não temos conhecimento técnico para isso, então eu já pretendia pedir sua ajuda… Se você realmente vai se tornar consultor, gostaria de contratar formalmente seus serviços.

Em outras palavras, Narika queria me contratar como consultor para o novo empreendimento de e-commerce.

Não era uma proposta ruim.

A empresa da Narika, Shimax, era um gigante da indústria. Conseguir prestar consultoria para uma empresa daquele porte seria um enorme diferencial para mim. Além disso, como eu já administrava uma loja online, aquela era uma área com a qual eu estava familiarizado.

Mas… aquilo realmente estava certo? Eu conseguiria lidar com uma corporação tão grande logo de cara sem cometer erros?

…Não.

Eu não tinha o luxo de hesitar diante de uma oportunidade tão valiosa.

Lembre-se de quem você está tentando alcançar. Asahi-san, Taishou, Narika, Tennouji-san e Hinako. Não eram pessoas que eu conseguiria alcançar desperdiçando oportunidades como aquela.

— Narika. Deixe isso comigo.

— S-Sim! Isso ajuda muito!

E assim, minha primeira cliente tornou-se a empresa da Narika — Shimax Co., Ltd.

 

Depois das aulas, já de volta à mansão, comecei imediatamente a trabalhar nas minhas tarefas.

"Tomonari-kun, deixe-me confirmar mais uma vez."

A voz de Ikuno, presidente da Wedding Needs, ecoou pelo alto-falante do smartphone. Seu tom era firme e, mesmo através da ligação, eu conseguia sentir a atmosfera tensa.

"Você tem absoluta certeza disso, certo?"

"Sim. Por favor, prossiga."

Era uma decisão sem volta. Assenti em resposta à confirmação final de Ikuno.

"Entendido. Então a partir de agora, assumirei total responsabilidade pela administração da Tomonari Gifts."

Uma grande decisão havia sido concluída. A sucessão da Tomonari Gifts. Finalizei aquilo vendendo todas as minhas ações para Ikuno.

"Como combinado, agradeceria se você pudesse mirar uma abertura de capital."

"Claro. Você também me apoiou, Tomonari-kun, então farei o meu melhor."

Ao organizar a sucessão da Tomonari Gifts, fiz dois pedidos a Ikuno. Primeiro, que a Tomonari Gifts não fosse absorvida pela Wedding Needs e continuasse operando como empresa independente.

Segundo, que a Tomonari Gifts fosse listada no Mercado Standard.

Nós já havíamos alinhado isso durante nossa parceria empresarial, mas minha visão sobre negócios combinava bastante com a de Ikuno. Foi justamente por isso que julguei que ele seria capaz de assumir a Tomonari Gifts.

Além disso, como a Wedding Needs já era listada na TSE Prime, Ikuno possuía conhecimento para conduzir tanto o IPO quanto a gestão posterior da empresa. Por precaução, perguntei qual seria sua estratégia para abrir capital, e ele explicou diversas formas de aumentar a receita aproveitando o mercado de casamentos desenvolvido pela Wedding Needs. Ao ouvir aquilo, reafirmei minha decisão de confiar a empresa a ele.

(N/SLAG: IPO (Initial Public Offering, ou Oferta Pública Inicial) é quando uma empresa começa a vender ações na bolsa de valores pela primeira vez, permitindo que qualquer pessoa invista nela.)

Para ganhar experiência, talvez eu devesse ter feito tudo sozinho, mas, realisticamente, equilibrar um IPO com trabalho de consultoria estava além da minha capacidade atual.

…É um pouco solitário.

Abrir mão de uma empresa que construí com tanto esforço era, honestamente, algo bastante doloroso.

Adeus, Tomonari Gifts. De agora em diante, voe alto sob a liderança de Ikuno.

— Certo… próximo passo.

Não havia tempo para sentimentalismo. Depois de encerrar a ligação com Ikuno, imediatamente liguei para Narika. Ela atendeu na hora.

"Narika. Você está livre agora?"

"Sim, estou!"

Enquanto trabalhava no notebook com uma das mãos, fiz uma pergunta.

"Sobre a loja virtual — você preparou os materiais que pedi?"

"Os documentos sobre orçamento e tudo mais, né? Acho que sim. Acabei de enviar."

"Certo. Vou usar isso como referência para selecionar as empresas terceirizadas."

Uma mensagem de Narika chegou à caixa de correio do Management Game. Passei rapidamente os olhos pelos documentos anexados.

"Também fiz algumas pesquisas, mas, se vamos administrar um site, deveríamos criar um departamento específico para manutenção?"

"Sim. Se vocês só quisessem criar uma loja virtual, um modelo de divisão de receita talvez funcionasse, mas você quer que a própria Shimax cuide de tudo internamente, certo?"

"Exatamente. Acho que isso transmite mais clareza para os clientes."

"Entendido. Vamos terceirizar a criação do site, mas a manutenção e as inspeções ficarão sob responsabilidade da Shimax. Comece a se preparar para contratar pessoas que já possam entrar trabalhando imediatamente."

"C-Certo, entendido!"

Revenue sharing, de forma simples, era um contrato em que várias empresas colaboravam em um único projeto. Mas, como Narika queria que a própria Shimax administrasse o site de forma independente, mesmo terceirizando a criação, os funcionários da Shimax precisariam cuidar da operação depois.

Dito isso, administrar um site perfeitamente logo de início era difícil, então provavelmente terceirizaríamos tanto a criação quanto a operação inicial. A partir daí, poderíamos fazer uma transição gradual para uma gestão interna.

"Montar servidores próprios sai caro, e vocês ainda vão querer testar o mercado primeiro, então desta vez vamos usar uma nuvem pública, certo?"

"Hm? …Ah, sim! Tudo bem!"

"Depois eu te envio os detalhes, então não se preocupe."

"D-Desculpa…"

Percebi que Narika estava fingindo entender o que eu dizia, provavelmente para não me atrasar, então tentei tranquilizá-la para aliviar sua ansiedade. Narika não era especialista em TI — foi justamente por isso que veio me procurar. Poderíamos discutir os detalhes mais técnicos depois.

"Ainda assim… uau, a Shimax é realmente impressionante. Pensar que o valor das ações disparou tanto em apenas uma semana."

Uma semana no mundo real. Dentro do jogo, isso equivalia a meio ano. Ao ver aquele crescimento extraordinário na receita, fiquei genuinamente impressionado.

"Sei que parece estranho dizer isso, mas a Shimax já era uma empresa enorme. Eu tinha o ambiente perfeito para perseguir qualquer ideia que quisesse."

"Claro, isso faz parte, mas…"

Com seu vasto conhecimento sobre esportes, Narika constantemente criava ideias brilhantes. E a Shimax tinha recursos para transformar essas ideias em produtos reais. Pensando bem, o talento da Narika e a situação atual da Shimax formavam uma combinação perfeita.

"Administrar uma empresa grande traz muita pressão?"

"Ugh, sim. Quando o jogo começou, eu estava morrendo de nervosa. …Ugh, só de pensar nisso meu estômago já dói…"

Eu conseguia sentir o desgaste na voz de Narika.

"Você tem uma sensibilidade bem normal, não é, Narika?"

"Hã? O que isso quer dizer?"

"Veja a Konohana-san… ou especialmente a Tennouji-san. Se eu perguntasse isso para a maioria das pessoas da Academia Kiou, acho que responderiam algo como: "Não é simplesmente assim mesmo?" como se não fosse nada demais."

"Ah… sim, entendo isso."

Até Hinako, que vivia reclamando que tudo era "um saco", acabava assumindo a responsabilidade no final.

Comparada à Hinako ou à Tennouji-san, as preocupações da Narika eram bastante comuns. Dificuldade de comunicação, pressão emocional, não ser muito boa academicamente… eu conhecia muita gente com problemas parecidos na minha antiga escola.

E era exatamente por isso que Narika entendia tão bem as pessoas comuns. Como quando mostrou para Kita, que tinha complexo por causa de esportes, o quanto se exercitar podia ser maravilhoso — Narika tinha talento para se conectar com pessoas que carregavam problemas cotidianos.

Aquilo certamente era um dom incrível. Mesmo em um ambiente tão fora do comum, conseguir manter uma sensibilidade comum, capaz de ressoar com todos — eu achava que aquele era o verdadeiro talento da Narika.

E era justamente essa sensibilidade comum que provavelmente fazia com que ela fosse tão elogiada no Management Game. Nesse momento — clunk — ouviu-se um barulho do outro lado da ligação.

"Ah, desculpa!"

A voz apressada de Narika veio logo em seguida. Então ouvi água batendo no chão. Parecia quase… um chuveiro.

"Narika. Onde você está agora?"

"No banho!"

No banho…?

"Eu não sabia quando você ia ligar, então, como fui eu quem pediu sua ajuda, achei que seria rude não atender. Por isso fiquei com o celular comigo o tempo todo!"

"N-Não precisava ir tão longe assim…"

Outro clunk ecoou. Provavelmente o som de um balde caindo no chão.

"Quer continuar isso depois?"

"Não, tudo bem! Estou quase terminando de me lavar, então espera só um pouquinho!"

Ouvi um squish squish — provavelmente o som dela apertando sabonete líquido. Sem perceber, comecei a imaginar o que estava acontecendo do outro lado da chamada. Quando ouvi o esfrega esfrega dela lavando o corpo, eu—

"Vou te ligar de volta depois."

Desliguei sem esperar resposta. De repente, senti um cansaço inexplicável.

…Preciso clarear a cabeça.

Dei leves tapas nas próprias bochechas para afastar distrações. Antes da próxima ligação com Narika, queria encontrar algumas possíveis empresas terceirizadas. Com apenas duas semanas restantes no Management Game, ter sucesso como consultor era uma corrida contra o tempo.

Enquanto me concentrava na tela do computador, ouvi uma batida na porta. Quando respondi, Shizune-san entrou.

— Itsuki-san, preparei os materiais que você pediu.

— Desculpe pelo trabalho. Muito obrigado.

— Eles originalmente eram para auxiliar a Ojou-sama, então isso não é incômodo algum.

Peguei o tablet das mãos de Shizune-san. Na tela havia dados de várias empresas. Coloquei o tablet sobre a mesa e comecei a passar rapidamente pelas páginas.

— Você está lendo incrivelmente rápido.

— Estou pulando partes como receita ou capital social — informações sobre o tamanho da empresa.

— Por quê?

Nos negócios, números eram, sem dúvida, os dados mais importantes. Curiosa pelo fato de eu deliberadamente ignorá-los, Shizune-san perguntou.

— Quero evitar preconceitos. Julgar apenas pelo negócio em si parece mais justo.

— Entendo.

Jogando o Management Game, aprendi que números podiam esconder irracionalidades. Você podia desenvolver um produto de altíssimo nível e, ainda assim, perder tudo porque as tendências mudaram por acaso. Um vazamento vindo de alguém próximo poderia permitir que concorrentes saíssem na frente. Os números não refletiam essas injustiças. Uma empresa que poderia ter sucesso se tivesse outra oportunidade ainda assim acabaria rotulada como "um fracasso sem esperança" pelos dados.

Era por isso que eu olhava primeiro para o negócio em si. Depois, buscava entender a filosofia da empresa — e então observava o rosto do líder por trás dela. Se aquele líder parecesse confiável, só então eu consideraria os números.

— Essa empresa parece promissora.

Encontrei algumas empresas que pareciam compatíveis com a Shimax e fiz uma lista para compartilhar com Narika por e-mail. Também calculei aproximadamente os custos de cada opção.

Pouco depois, Narika respondeu, escolhendo uma das empresas.

Certo — agora o próximo passo era marcar uma reunião com eles. Se tudo corresse bem, poderíamos começar a construir o site de e-commerce.

 

Shizune observava silenciosamente Itsuki lidando com o Management Game enquanto alternava entre o computador e o tablet. Itsuki já havia até esquecido que ela ainda estava no quarto.

Sua concentração intensa a fazia lembrar de Hinako, Takuma e até mesmo do chefe da família, Kagen.

Eu já sabia que ele era formidável, mas…

O ar do quarto parecia ficar mais solene, centrado em torno de Itsuki. Era exatamente a mesma atmosfera que surgia quando Takuma ou Kagen levavam o trabalho a sério. Tendo auxiliado ambos por tanto tempo, Shizune percebia claramente a transformação de Itsuki.

"Estou pulando partes como receita ou capital social — informações sobre o tamanho da empresa."

Shizune relembrou as palavras que Itsuki havia dito anteriormente.

"Quero evitar preconceitos. Julgar apenas pelo negócio em si parece mais justo."

Ao ouvir aquilo, Shizune quase caiu na gargalhada. Era simplesmente absurdo demais.

— Você é o único capaz de fazer isso…..

Ela murmurou baixinho, para que Itsuki não escutasse. Talvez Takuma também conseguisse. …Mas um feito daquele nível provavelmente estava restrito apenas aos dois.

Normalmente, ninguém conseguia julgar apenas pelo negócio em si, então as pessoas dependiam dos números. Planos empresariais e filosofias podiam estar repletos de mentiras. Havia inúmeras empresas que proclamavam agir pelo bem maior enquanto, nos bastidores, perseguiam apenas lucro.

Já os números não mentiam. Era exatamente por isso que a maioria dos executivos e investidores os usava para avaliar os outros — mas Itsuki provavelmente não precisava disso.

Itsuki possuía a habilidade de enxergar através das mentiras escondidas nos dados. Por isso, para ele, o verdadeiro foco não eram os números, mas sim a filosofia.

O encontro dele com Takuma-sama. E a oportunidade proporcionada pelo Management Game. O alinhamento perfeito dessas duas coisas levou ao crescimento explosivo do Itsuki-san…

Ele havia despertado. Completamente. Ao testemunhar o talento de uma pessoa florescendo diante dos próprios olhos, Shizune sentia uma mistura indescritível de emoções. Apoio genuíno, admiração pelos esforços dele finalmente darem frutos e até um leve toque de curiosidade mórbida — tudo se misturava dentro dela.

Mas havia uma coisa da qual ela tinha certeza: com um talento daqueles, ele talvez pudesse permanecer ao lado de Hinako para sempre. E, para Shizune, aquilo era mais precioso do que qualquer outra coisa.

…Fico feliz por ter escolhido essa pessoa para cuidar dela.

E, já que o havia escolhido, sentia também a responsabilidade de acompanhar aquilo até o fim.

Até onde exatamente esse garoto iria? …Observando as costas de Itsuki enquanto ele se concentrava na tela, Shizune sentiu uma rara centelha de empolgação.

 

No dia seguinte, na academia.

— Itsuki!

Durante o intervalo, alguém me chamou do corredor. Levantei da cadeira e fui em direção à garota que havia me chamado.

— Narika, o que foi?

— Vim te agradecer pelo que fez ontem!

Os olhos de Narika brilhavam enquanto ela falava. Eu quase conseguia ver orelhas de cachorro e uma cauda abanando atrás dela. A cauda parecia balançar tanto que corria o risco de sair voando.

— Não está mais preocupada com as pessoas olhando?

— Hã? …Ai!?

Percebendo os olhares ao redor, Narika corou e rapidamente se escondeu em um ponto fora da vista da sala de aula. Achei raro ela ter gritado daquele jeito em público, mas aparentemente não tinha sido intencional.

— E-Eu estava com pressa, então…

— Você podia simplesmente ter enviado um relatório por e-mail, sabia?

— Do que você está falando!? Nessas situações, o certo é agradecer pessoalmente!

Ela realmente era diligente nessas coisas. Aquilo era uma das virtudes da Narika.

— Cof cof. …Sério, você me salvou ontem! Graças a você, as coisas estão parecendo promissoras!

— Fico feliz em ouvir isso. Como ainda estamos sob contrato, continue compartilhando regularmente os dados da empresa.

— Pode deixar! Estou contando com você!

O contrato de consultoria com a Shimax havia sido definido para durar um ano. Em tempo real, isso significava duas semanas — o acordo continuaria até o fim do Management Game. Talvez nem precisasse durar tanto, mas como o jogo já estava perto do encerramento, decidimos estabelecer um prazo mais organizado.

— Preciso dizer… os nomes das suas empresas continuam incrivelmente diretos.

Como esperado, ela estava prestes a zombar do nome da minha empresa—

— Ei, se vai falar isso, então "Shimax" também é um nome super direto, não é?

— O quê!? V-Você está insultando o senso artístico dos meus antepassados?!

Eu não queria ser zoado por Narika, que possuía um senso de nomeação tão simples quanto o meu, mas pensando bem, no caso dela, o nome da empresa vinha sendo herdado por gerações.

— Shimax, veja bem, foi nomeada com a ambição de se tornar a maior — o "max", por assim dizer — empresa deste país insular!

— Entendo…

Mesmo assim… não era simples demais? Bem, no fim das contas, o importante em um nome de empresa era ser memorável para os clientes, então talvez Shimax fosse realmente um bom nome sob essa perspectiva.

Depois de me despedir de Narika, voltei para a sala de aula.

— Ah, ei, Tomonari-kun!

Dessa vez, quem me chamou foi Asahi-san.

— Tem um minuto?

— Por mim tudo bem, mas não pode ser aqui?

— Hmm… se possível, eu preferia conversar só nós dois.

Isso era raro… Para o bem ou para o mal, Asahi-san normalmente não se importava muito com o olhar dos outros, então ela querer uma conversa particular… pelo menos até onde eu lembrava, era a primeira vez.

Mas, com o Management Game chegando ao clímax, muitos alunos queriam conversas privadas, e praticamente todos os lugares usados para isso — como escadarias ou cantos de corredor — já estavam ocupados. Até espaços normalmente vazios agora estavam constantemente cheios.

— No intervalo talvez seja difícil, então que tal depois da aula, no nosso café de sempre?

— Sim, por favor!

Naquele café, as mesas ficavam bem afastadas umas das outras, então, se falássemos baixo, ninguém conseguiria ouvir.

Além disso… talvez por causa dos rumores sobre a refinada Aliança do Chá, a mesa que sempre usávamos acabara, de alguma forma, se tornando intocável para os outros alunos. Era tratada quase como um lugar reservado. Aquela mesa tinha a melhor vista e era a mais tranquila… eu me sentia um pouco culpado, mas desta vez aproveitaria isso.

 

E assim, depois das aulas. Após avisar Hinako e Shizune que me atrasaria, fui ao café com Asahi-san.

— Então, sobre o que você queria falar?

Depois de tomar um gole do chá, Asahi-san abriu a boca com uma expressão séria.

— É que… eu quero aumentar ainda mais as vendas da minha empresa.

Um silêncio de dez segundos se seguiu. Depois de pensar um pouco, finalmente entendi a intenção dela.

— Entendi. Você quer passar seus concorrentes para trás, certo?

— Exatamente! Você entende rápido mesmo, Tomonari-kun. Isso ajuda muito.

Se fosse apenas sobre aumentar vendas, ela poderia ter conversado na sala de aula. O motivo de não ter feito isso era porque não queria que ninguém ouvisse — o que significava que queria agir secretamente para ganhar vantagem sobre alguém específico.

— Minha empresa não é como a da Miyakojima-san, que está confortavelmente no topo do setor. Se meus rivais descobrirem meus movimentos, podem inverter o ranking num piscar de olhos. Então é complicado, mas não posso falar abertamente sobre esse tipo de coisa…

— Que setor complicado.

A empresa da Narika, Shimax, tinha vendas que deixavam as empresas em segundo lugar para baixo muito atrás. Com uma vantagem daquele tamanho, eles podiam agir de forma ousada, mas a situação da Asahi-san era diferente. Se não me engano, a J’s Holdings ocupava o quarto lugar no setor de varejo de eletrônicos.

— Então, eu estava pensando em contratar você oficialmente, Tomonari-kun! Vi você conversando com a Miyakojima-san mais cedo… parecia que as coisas estavam indo bem, né?

— Bem, sim.

— Quero aproveitar essa onda também, sabe?

Com um olhar brincalhão, Asahi-san lançou um olhar de lado para mim. …Ela nem precisava fazer isso. Minha resposta já estava decidida.

— Eu aceito. Afinal, ainda te devo por ter me apresentado àquela empresa de marketing.

— Yay! Aqui, pega isso! São os dados da minha empresa!

Ela realmente estava preparada. Asahi-san provavelmente já esperava que eu aceitasse. Entregando-me um tablet com os documentos, ela também abriu o Management Game no notebook e me enviou os dados por e-mail.

Passei rapidamente os olhos pelos demonstrativos financeiros da J’s Holdings.

Graças à orientação de Takuma-san, eu já havia me acostumado a ler balanços patrimoniais e demonstrações de resultados. Agora conseguia compreender aquele tipo de dado muito mais rápido do que antes.

— As vendas para idosos são baixas, hein?

— Sim, esse é o problema. Bem, talvez eletrodomésticos sejam assim mesmo.

Os aparelhos evoluíam constantemente com novas funções todos os anos. Talvez fossem difíceis para idosos comprarem.

— Vocês costumavam vender aparelhos voltados para idosos, não? …Não fabricam mais?

— Não. Fizemos até comerciais, mas os números foram péssimos. Com o envelhecimento da população, investimos pesado no desenvolvimento, então toda a equipe ficou bastante chocada quando fracassou.

Segundo os documentos, aquilo havia acontecido cerca de três anos atrás — um evento do mundo real, não parte do jogo.

O projeto não deu certo, mas eles já haviam desenvolvido produtos antes. Com essa base, talvez fosse possível criar uma estratégia rápida para esse setor.

— Asahi-san, o que exatamente faz esse departamento aqui?

— Hm? Ah, deixa eu ver…

As letras eram pequenas, então Asahi-san se inclinou mais perto da tela do meu notebook.

Thud.

Nossas testas bateram.

— Ah!

— Oh!

Provavelmente nós dois soltamos um som ao mesmo tempo. Recuando por reflexo, nossos olhares se encontraram.

— D-Desculpa…

— N-Não, a culpa foi minha…?

Talvez porque estivéssemos tão concentrados, acabamos calculando mal a distância. As bochechas da Asahi-san ficaram vermelhas, e ela desviou o olhar sem jeito.

— Então até você fica envergonhada, Asahi-san.

— Claro que fico! Eu sou uma garota, sabia!?

Ela me lançou um olhar irritado.

— Eu meio que achei que você só fosse rir disso…

— B-Bem, talvez com outros caras! Mas você é diferente, Tomonari-kun!

— Diferente?

O que exatamente isso queria dizer? Inclinei a cabeça, confuso, e vi o rosto da Asahi-san ficar ainda mais vermelho enquanto ela se agitava em pânico.

— W-Wahhh!? Esquece o que eu disse!! Não significa nada, tá!?

— Ah… tudo bem.

Por enquanto, resolvi apenas concordar, já que até as orelhas dela estavam completamente vermelhas.

— Bem… já que chegamos até aqui, acho que vou falar logo.

Depois de se acalmar um pouco, Asahi-san começou a falar.

— Quando você entrou na academia, eu fiquei meio preocupada com você. Sabe, às vezes aparecem pessoas na Academia Kiou que não conseguem acompanhar e acabam desistindo rapidinho. No começo, você parecia exatamente esse tipo de caso…

Eu não podia discordar. Naquela época, eu era um completo plebeu que claramente parecia incapaz de sobreviver naquele lugar. Mesmo agora, se baixasse a guarda, provavelmente voltaria a ser daquele jeito, então no fundo não havia mudado tanto assim…

— Mas eu estava completamente errada. Você se esforçou pra caramba e virou praticamente um profissional em pouquíssimo tempo. Konohana-san, Tennouji-san, Miyakojima-san… todas confiam em você. E agora eu também estou aqui pedindo sua ajuda.

Dizendo isso, Asahi-san olhou diretamente para mim.

— Crescer tanto assim, ficar tão confiável… tão legal… em tão pouco tempo… eu simplesmente não consegui evitar pensar: "Uau, o Tomonari-kun é incrível." Então, hum…

Nesse momento, o rosto dela ficou vermelho outra vez.

— N-Não, esquece isso também! Finja que eu não disse nada!

— Ah… certo…

Resolvi fingir que também não tinha ouvido aquilo. Tentei trazer a conversa de volta para o Management Game, mas… não dava. O clima tinha ficado estranho demais para uma conversa séria. Nossos rostos estavam completamente vermelhos.

— Ugh, isso ficou tão estranho! Argh, que vergonha!!

— Isso definitivamente não parece com você, Asahi-san…

Enquanto Asahi-san segurava a própria cabeça, tudo o que consegui fazer foi rir sem jeito. Normalmente nós dois éramos bem mais descontraídos, então ela mudar o clima daquele jeito de repente parecia meio injusto.

 

Na manhã seguinte.

— Tomonari! Me ajuda aqui!

Assim que cheguei à academia, Taishou bateu as duas mãos sobre minha mesa e se curvou profundamente.

— Uh, um pedido de consultoria?

— Sim!

— Eu adoraria dizer sim, mas estou atolado agora. Posso ouvir os detalhes primeiro e depois decidir?

— Claro!

A consultoria da Shimax ainda estava em andamento, e eu sequer havia elaborado uma estratégia para a J’s Holdings da Asahi-san. O trabalho estava se acumulando — o que era ótimo — mas eu estava chegando ao meu limite.

— É o seguinte — empresas de e-commerce estão roubando nossos negócios!

Taishou cobriu o rosto com as duas mãos e lamentou dramaticamente. Ele parecia um herói trágico.

— Agora que você mencionou, houve umas movimentações bem intensas no setor de logística ultimamente.

— Sim. Uma enorme empresa estrangeira de e-commerce acabou de entrar de vez no ramo de logística.

A gigante internacional do comércio eletrônico — Amazoness. Uma varejista online bastante conhecida no Japão, essa empresa havia anunciado recentemente sua entrada no setor logístico dentro do Management Game. O serviço já funcionava no exterior, e dizia-se que as empresas japonesas de logística sofreriam um enorme impacto futuramente.

— A Amazoness não é administrada por alunos, certo? Para uma empresa fora do jogo estudantil, eles estão fazendo movimentos bem absurdos…

— Ah, você não sabia?

Taishou falou, um pouco surpreso.

— Todo ano, quando o jogo começa a ficar estagnado, a academia lança eventos para sacudir as coisas.

— Entendi. Então a entrada da Amazoness no setor logístico é um evento criado pela academia.

— Isso mesmo. O setor de logística estava estável desde o começo do jogo, então parece que fomos os escolhidos da vez.

Taishou disse aquilo com uma expressão triste. Que academia assustadora. Eles realmente não poupavam esforços para treinar executivos de elite.

— Quando eventos assim acontecem, parece até algo que poderia ocorrer no mundo real. É por isso que quero levar isso a sério e pensar em contramedidas.

— Entendi…

— Quer dizer, isso realmente poderia acontecer. Atualmente, a Amazoness depende de empresas logísticas para realizar entregas, mas eles têm um serviço reconhecido mundialmente e estrutura suficiente para montar uma logística própria. A logística é essencial para praticamente todas as indústrias, então, mesmo que não seja a Amazoness, outra empresa poderia acabar desestabilizando o setor.

Como esperado do herdeiro da empresa de mudanças da família Taishou. Ele conhecia o setor profundamente. As pessoas da alta administração da academia que criaram aquele evento também deviam ser brilhantes. Com o Ministro da Economia, Comércio e Indústria envolvido no Management Game, aquele cenário provavelmente havia sido elaborado após debates meticulosos entre especialistas de elite. Isso tornava tudo extremamente convincente.

— Sei que estou pedindo muito, mas você já administrou um site de e-commerce, certo? Qualquer dica já salvaria minha vida…!!

— Sim… é um problema complicado, então vou precisar de um pouco de tempo.

— Entendido! Se precisar de qualquer dado interno, é só falar!

Claramente desesperado, Taishou se curvou profundamente mais uma vez. Como aquilo poderia acontecer na vida real, ele queria contramedidas sólidas. Eu queria corresponder à sinceridade dele, mas realmente era um problema difícil.

Precisaria montar uma estratégia rápido, mas com cuidado.

 

Hora do almoço.

No terraço do antigo prédio do conselho estudantil, além do jardim. Como de costume, Hinako e eu almoçávamos sozinhos.

— Itsuki… perdido em pensamentos?

— Sim. Os pedidos da Asahi-san e do Taishou são problemas bem complicados…

Enquanto enchia o estômago, refletia sobre aqueles dois desafios difíceis. Asahi-san queria aumentar as vendas e superar os concorrentes. Taishou precisava encontrar uma maneira de sobreviver à entrada da Amazoness no setor logístico.

Ambos estavam enfrentando obstáculos enormes.

— O que vem agora?

— Hm… que tal o tamagoyaki?

Peguei um pedaço de tamagoyaki da elegante marmita dela com os hashis e levei até sua boca.

— Aqui, diga "ahh".

— A-Ahh…

As bochechas de Hinako ficaram vermelhas enquanto ela desviava o olhar e abria a boca.

A reação dela… era tão diferente de antes. Quando me tornei cuidador dela pela primeira vez, ela agia com tanta naturalidade, como se aquilo não fosse nada demais. Mas ultimamente tudo estava estranho.

Não, não apenas estranho — aquela reação era…

— Hinako.

— O-O quê…?

— Você está… ficando envergonhada?

— Mmph!?

Hinako quase cuspiu o tamagoyaki, cobrindo rapidamente a boca.

— Não precisa esconder. É natural.

Porque eu estava envergonhado desde o começo. Sinceramente, para um garoto saudável do ensino médio como eu, esse tipo de interação era brutal para o coração. Eu vinha aguentando firme, mas por dentro estava em pânico o tempo todo.

— Talvez esteja na hora de deixarmos isso de lado.

— N-N-Não, não é… como se a gente precisasse parar ou algo assim…?

— Mas se está tão difícil para você comer, talvez seja melhor parar, não? Não queremos acabar nos atrasando para a aula…

Ao dizer aquilo, percebi que estava me sentindo um pouco solitário. Claro, eu tinha ficado nervoso o tempo inteiro… mas também não podia negar que aqueles momentos eram reconfortantes.

Devíamos continuar com aquilo ou deixar para trás? Um conflito surgiu dentro de mim.

— E sobre tomarmos banho juntos… talvez devêssemos repensar isso também…

— Wha…!?

Hinako soltou um som parecido com um grito sufocado.

— M-Mas isso é… meu, hum, interesse adquirido…

Interesse adquirido? O que isso queria dizer?

Ultimamente, até a hora do banho parecia estranha. Talvez fosse hora de rever nossos limites.

Pelo menos era o que eu pensava — mas Hinako discordava.

— É…

— É o quê?

Com os olhos levemente marejados, Hinako ergueu o rosto para mim…

— É… tão errado assim?

Sua voz saiu fraca, acompanhada de uma respiração trêmula, quase como se estivesse febril.

…..

……..

……………

— Não é que seja errado….

Mas o que exatamente eu estava dizendo? Eu deveria ter pensado melhor nisso. Ignorando meu lado racional, levei um pedaço de peixe até a boca de Hinako.

— Ahh.

— A-Ahh…

Hinako mastigou feliz e então abriu um sorriso radiante.

— Delicioso… hehe…

O constrangimento ainda permanecia, mas aquele sorriso tão satisfeito acabava ofuscando tudo.

…Bem, ela é fofa, então está tudo bem.

De repente, todo o resto pareceu irrelevante. Se ela era fofa, isso já não bastava?

Sinceramente, aquele horário de almoço era precioso tanto para mim quanto para Hinako. Poder me afastar por um momento da atmosfera intensa da Academia Kiou e respirar um pouco era essencial para minha saúde mental.

Eu só queria proteger aquele momento. Bastava isso. Juro por Deus, não havia nenhuma segunda intenção.

— Sobre aquele dia em que tomamos banho juntos.

Já que o assunto tinha surgido, aproveitei para mencionar aquele incidente também. Hinako desviou o olhar timidamente.

— A-Aquilo foi, hum… porque eu fiz uma coisa estranha…

— Bem, não vou negar que foi estranho….

Um pequeno "ugh" escapou dos lábios de Hinako. Mas, naquela ocasião, não era exatamente a atitude dela que eu queria apontar. Já que estávamos falando disso, achei melhor tocar naquele assunto também.

— Quando me tornei seu cuidador pela primeira vez, o Kagen-san me deu uma bronca por causa daquela regra dos três segundos que eu te ensinei, lembra?

Hinako assentiu levemente.

— Aquilo me veio à cabeça. …Acho que provavelmente não tem problema, mas pensei que seria ruim se você fizesse algo assim com outra pessoa. …Foi por isso que falei aquilo.

— Entendo…..

Talvez ela tivesse entendido meus sentimentos, porque Hinako abriu um sorriso gentil. Mas logo em seguida inclinou a cabeça, curiosa.

— Itsuki… o que você quer dizer com "ruim"? — Com olhos puros e inocentes, Hinako me encarou. — Se eu fizesse algo assim com alguém além de você… isso te incomodaria?

…Por um instante, hesitei sobre como responder.

Mas, pensando calmamente, claro que me incomodaria. Era a mesma coisa do incidente da regra dos três segundos. Se ela fizesse algo assim, a máscara de perfeita ojou-sama que Hinako usava acabaria caindo. Como cuidador dela, eu precisava impedir isso.

Não havia necessidade de pensar demais. Nenhuma.

— Claro que me incomodaria.

— Te… incomodaria…. — quando respondi, Hinako abriu um sorriso travesso. — Te incomodaria…? Heeey… hmmm…

Completamente satisfeita, Hinako curvou os lábios em um sorriso malicioso.

— Não se preocupe, eu não faria isso com ninguém além de você.

— Entendo.

— Sim. …Não faria de jeito nenhum.

Hinako declarou aquilo com total certeza. Se ela só fazia isso comigo, então acho que estava tudo bem. …Espera, será que estava mesmo? Bem, eu pensaria nisso caso acabássemos em uma situação parecida outra vez.

— Hinako, tenho uma pergunta sobre o Management Game. Tudo bem?

Hinako assentiu levemente.

— Grandes empresas geralmente preferem cuidar de todos os seus serviços internamente, sem depender de outras companhias, se possível?

— Esse é o ideal, mas na prática nem sempre acontece — Hinako respondeu pensativa. — Um dos problemas são… os interesses envolvidos de que falamos antes…

Os tais interesses envolvidos que ela mencionara mais cedo — eu ainda não entendia muito bem aquilo…

— Como esperado… tentar encerrar um serviço já existente acaba gerando ressentimento de vários lados. …A menos que seja uma empresa gigantesca, ninguém sequer cogitaria isso.

Assumir algo que outra empresa fazia significava tirar o negócio dela. Assim como Taishou e as pessoas do setor logístico observavam cada movimento da Amazoness, aquilo inevitavelmente criava atritos nas relações.

— O segundo problema é… know-how. Se uma empresa decide, de repente, assumir internamente um serviço que antes terceirizava, ela não tem experiência suficiente, então a qualidade inevitavelmente cai em comparação ao serviço terceirizado. …Com o tempo isso pode melhorar, mas os clientes não vão esperar.

— Entendi. Para uma grande empresa pode ser um investimento de longo prazo, mas para os clientes a queda imediata na qualidade é o problema, então eles simplesmente vão querer voltar para a empresa original, certo?

— Exatamente… E mesmo que tentem compartilhar o know-how, isso esbarra no primeiro problema, então ninguém vai querer dividir esse conhecimento. …Yawn.

Hinako soltou um bocejo sonolento. Já era o meio do intervalo do almoço, então talvez fosse melhor deixar aquele assunto pesado de lado por enquanto.

Era natural que um novo empreendimento não tivesse experiência suficiente. Mas não havia como a empresa da qual você tentava tirar negócios compartilhar seu conhecimento. Resolver aquilo provavelmente dependia apenas da força bruta da própria companhia.

A empresa da Narika, a Shimax, estava atualmente administrando seu próprio site de e-commerce com base na minha consultoria. Por enquanto parecia estar tudo bem, mas, depois de ouvir Hinako, comecei a ficar um pouco inquieto. Eu deveria falar novamente com Narika e trabalhar para melhorar a qualidade.

…Parar a Amazoness é irrealista, hein.

A Shimax era uma grande empresa, mas a Amazoness estava em outro patamar.

O poder de uma empresa como a Amazoness era extraordinário. Aqueles dois problemas que Hinako mencionou? Eles provavelmente conseguiriam atropelar tudo sem dificuldades. Frear o avanço da Amazoness parecia praticamente impossível.

O que eu deveria fazer…? Enquanto refletia sobre isso, peguei a pilha de papéis que havia deixado no chão.

— O que são esses…?

— Documentos da J’s Holdings e da Taishou Movers. Ficar olhando para o monitor o tempo inteiro força meus olhos, então imprimi tudo.

— Entendo isso.

Desde que o Management Game começou, eu passava mais tempo encarando telas do que nunca, então queria variar um pouco. Além disso, papel às vezes era simplesmente mais conveniente. Tablets e notebooks eram difíceis de usar sem mesa e cadeira, mas com uma pilha de documentos eu podia simplesmente sentar no chão assim e folheá-los casualmente.

Takuma-san também costumava usar papel para mudar o ritmo. Pensando agora, provavelmente ele estava se sentindo da mesma forma naquela época.

"Você tem talento para enxergar a verdade por trás dos dados."

Naquele dia em que pude observar a reunião de acionistas, Takuma-san me disse isso.

A verdade por trás dos dados. A realidade difícil de enxergar na superfície. Talvez houvesse uma pista ali. …Procure por ela. Os pontos fortes daquelas duas empresas — forças que talvez nem elas mesmas percebessem possuir.

A arma de que a J’s Holdings precisava para superar os concorrentes. A arma de que a Taishou Movers precisava para enfrentar a Amazoness.

Procure. Aquilo tinha que existir.

…Droga, preciso de mais tempo.

O problema da Asahi-san e o problema do Taishou — ambos precisavam de soluções rápidas. Essa realidade alimentava minha impaciência, interrompendo minha capacidade de mergulhar fundo nos pensamentos. O Management Game já estava se aproximando do clímax. Se eu quisesse entregar resultados, não podia perder tempo.

Se ao menos existisse uma forma de resolver os dois problemas de uma vez…

— Ah…..

Os dois de uma vez. No instante em que pensei nisso, pontos soltos na minha mente se conectaram como uma linha. Dois problemas aparentemente impossíveis, que eu acreditava jamais poder relacionar, de repente se uniram por meio de uma única resposta.

— Hinako, desculpa, mas pode voltar sozinha para casa depois da aula hoje também?

— Você teve uma boa ideia?

— Sim.

Acho que vai funcionar. Tenho um pressentimento muito forte sobre essa ideia. Agora só preciso verificar a viabilidade, os custos e apresentá-la aos dois. Talvez percebendo minha confiança, Hinako assentiu com um leve brilho de empolgação.

— Tudo bem… vou esperar você na saída da academia.

— Você podia simplesmente voltar para a mansão, sabia?

Hinako balançou a cabeça vigorosamente.

— Quero ouvir o que você vai aprontar… imediatamente.

Ela parecia achar que até voltar para casa seria perda de tempo. As expectativas dela sobre mim, sobre o que eu estava prestes a fazer, eram altas.

— Entendido. Vou me esforçar para trazer boas notícias.

— Vou esperar ansiosa.

 

Depois da aula, convidei Taishou e Asahi-san para o nosso café de sempre. Sentando os dois lado a lado, mostrei a tela do meu notebook.

— Ahem… vamos começar a apresentação.

Ao ouvir minhas palavras, Asahi-san e Taishou começaram a bater palmas e vibrar.

— Woo!

— To-mo! Na-ri! To-mo! Na-ri!

— Desculpem, mas podem agir normalmente?

Aquilo era sinceramente constrangedor, então queria muito que parassem. Pigarreando, olhei para os dois.

— Primeiro, vamos revisar os problemas que vocês me trouxeram. …Asahi-san, você quer aumentar as vendas para superar seus concorrentes. Taishou-kun, você quer tomar medidas para evitar o impacto da entrada da Amazoness no setor logístico. Certo?

Os dois assentiram, então continuei.

— Gostaria de resolver os dois problemas com um único novo negócio.

— Um único…?

Diante do murmúrio de Asahi-san, assenti firmemente.

— Vou explicar a abordagem para cada caso. Primeiro, no caso da empresa da Asahi-san, a J’s Holdings, existe uma tendência clara de vendas baixas entre idosos. Mas, como você mesma disse, isso vale para toda a indústria de eletrônicos. …Em outras palavras, se apenas a J’s Holdings conseguir resolver isso, vocês vão superar os concorrentes.

— Então você está dizendo para começarmos um negócio voltado aos idosos?

Exatamente.

No caso do problema da Asahi-san, a solução era lançar um negócio especializado para o público idoso.

— Por outro lado, no caso da empresa do Taishou-kun, a Taishou Movers, o maior atrativo é sua longa história. A Taishou Movers é confiável para todas as gerações e possui uma rede enorme de filiais, alcançando até pequenas vilas rurais. Esse alcance refinado não é algo que a Amazoness consiga reproduzir facilmente.

— Isso aí! Quando o assunto é número de filiais, somos os reis do setor!

Exatamente — foi nisso que foquei. A Taishou Movers possuía uma força que nem mesmo a Amazoness podia copiar.

— Combinando essas duas abordagens, gostaria de propor um novo negócio.

Troquei o slide na tela. O novo negócio exibido era—

— Venda móvel de eletrônicos.

Os olhos de Taishou e Asahi-san se arregalaram. Venda móvel, de forma simples, consistia em carregar produtos em um veículo grande, como um caminhão, e vendê-los diretamente em áreas residenciais. Era como vendedores de batata-doce assada, mas surpreendentemente versátil — como food trucks aparecendo em prédios comerciais, por exemplo.

E nós faríamos isso… com eletrônicos. Provavelmente era uma combinação inédita. Mas tudo bem. Eu explicaria passo a passo por que tinha tanta confiança naquele empreendimento.

— Eletrônicos têm vida útil, e idosos também precisam substituí-los. Mas muitos deles não compram porque simplesmente não têm meios fáceis de fazer isso.

Asahi-san assentiu pensativa, claramente acompanhando meu raciocínio. Ela provavelmente já tinha vivido isso na prática.

— A maioria dos idosos não entende muito de tecnologia e nem sequer acessa sites de e-commerce. Vi isso pessoalmente na minha antiga empresa. …Então os jovens acabam comprando os eletrônicos por eles, seja em lojas online ou grandes varejistas urbanos.

Quando administrava a Tomonari Gifts, enfrentei esse problema diretamente, e foi justamente por isso que criei uma divisão de catálogos voltada às necessidades dos idosos. Jovens e idosos… quando se tenta atingir ambos como clientes, às vezes é preciso criar portas de entrada diferentes para o mesmo serviço.

— É aí que entram as vendas móveis. Com elas, até idosos com dificuldades de locomoção podem comprar eletrônicos diretamente, sem complicações. Ao abrir esse caminho primeiro, vocês podem conquistar um mercado voltado para idosos que seus concorrentes ainda não possuem. …Além disso, a J’s Holdings já possui experiência com eletrônicos adaptados para idosos. Essa pode ser a chance daqueles antigos produtos brilharem novamente.

A própria Asahi-san havia dito — eles desenvolveram aqueles produtos seriamente, e a equipe ficou devastada quando foram descontinuados. …Talvez aquela fosse a oportunidade de redenção deles.

— E quanto à logística necessária para esse negócio de vendas móveis, proponho que a Taishou Movers fique responsável.

Desviei o olhar de Asahi-san para Taishou e continuei.

— Como eu disse antes, os pontos fortes da Taishou Movers são a confiança conquistada entre todas as gerações e seu alcance até áreas rurais. …Ela é perfeita para esse negócio.

Os idosos conheciam e confiavam na Taishou Movers. Um serviço familiar era fácil de usar, e essa sensação de segurança não era algo que pudesse ser subestimado. A imagem que a Taishou Movers construiu ao longo de décadas não era algo que a Amazoness pudesse reproduzir da noite para o dia.

— Além disso, transportar eletrônicos delicados é complicado, mas justamente por isso essa é uma oportunidade de acumular muita experiência nessa área. …Se isso der certo, também pode aumentar a confiança no negócio principal de mudanças de vocês. As pessoas podem começar a pensar: "Se for para transportar eletrônicos delicados, a Taishou Movers é a melhor opção."

Com o avanço da tecnologia, a vida moderna estava cada vez mais cercada de eletrônicos delicados — computadores, videogames e assim por diante. A demanda pelo transporte desse tipo de equipamento provavelmente aumentava a cada ano. Nesse campo, a Taishou Movers poderia assumir a liderança.

— Aliás, também encontrei um caso modelo. …Já existe um precedente parecido, então acredito que a viabilidade seja sólida.

Para tornar a proposta mais convincente, compartilhei um caso modelo. Entreguei a eles documentos que havia impresso na copiadora da academia. Era um estudo de caso sobre um distrito comercial local que enfrentou grandes supermercados online iniciando vendas móveis de alimentos. Uma empresa logística da região carregava veículos com produtos de mercearias, peixarias e açougues locais para vender diretamente — um negócio extremamente parecido com o que eu estava propondo agora.

— Então, o que acharam da ideia?

Perguntei aos dois, que liam os documentos em silêncio. Mas nenhum deles respondeu.

— Hum, pessoal?

Será que havia alguma falha no plano…? Olhei para os dois com um leve toque de ansiedade, mas—

— Isso…

— É…

Asahi-san e Taishou encaravam os documentos com os olhos arregalados.

— Isso poderia realmente funcionar no mundo real…?

Taishou murmurou baixinho.

— Tomonari, talvez você tenha criado algo absurdo aqui.

— S-Sério…?

Eu não esperava que eles ficassem tão impressionados, então fui pego de surpresa. Ainda assim, essa havia sido exatamente minha intenção ao propor aquele negócio.

Asahi-san, que havia fracassado uma vez no desenvolvimento de produtos voltados para idosos, e Taishou, que queria enfrentar uma possível entrada da Amazoness no setor logístico do mundo real — ambos tinham problemas reais que desejavam resolver. Por isso, eu queria apresentar algo que pudesse realmente funcionar fora do jogo.

— Vamos fazer isso. Estou totalmente dentro!

— Sim, eu também!

O clima descontraído de antes da apresentação havia desaparecido. Agora, com expressões sérias, os dois decidiram adotar meu plano.

— Tomonari, tem mais alguma coisa que deveríamos fazer?

— Bem… se eu tivesse que dizer algo, talvez pesquisar materiais especiais de embalagem para transportar eletrônicos delicados.

— Boa! Inferno, vamos desenvolver isso do zero e patentear!

Taishou estava completamente empolgado.

— E eu!? O que eu devo fazer!?

— Asahi-san, você deveria começar a garantir engenheiros agora. Tente reviver o departamento que desenvolvia produtos voltados para idosos, mesmo que só um pouco.

— Entendido!

Asahi-san estava tão animada quanto ele. Os olhos dos dois brilhavam de entusiasmo.

— Não dá para eu ficar parado… Desculpa, estou indo! Quero começar a trabalhar nisso o mais rápido possível!

— Eu também!

Taishou e Asahi-san guardaram o notebook às pressas e correram em direção ao portão da escola. Eles pareciam impacientes demais para esperar os carros, querendo chegar em casa nem que fosse alguns minutos mais cedo indo a pé.

— Tomonari! — Taishou se virou à distância. — Você é incrível! Sério, absurdo demais! Eu te respeito do fundo do coração!!

Taishou gritou aquilo com toda a força. Sem dúvida, era o maior elogio que ele poderia fazer.

— Obrigado!

As palavras de gratidão escaparam da minha boca naturalmente. Por algum motivo… meu peito parecia aquecido.

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