Volume 7
Capítulo 1: O Que Tomonari Itsuki Deveria Almejar
— TODOS ESTÃO avançando maravilhosamente bem, não é? — Assim que a reunião do chá começou, Tennouji-san foi a primeira a dizer isso. — Principalmente você, Tomonari-san. Ouvi dizer que tem expandido bastante seus negócios ultimamente?
— Sim, é verdade. Estou trabalhando para construir conexões com vários parceiros e ampliar nossa linha de produtos. Desde aquele incidente, tenho recebido muitas propostas de outras pessoas…
Era realmente algo pelo qual eu devia ser grato. Graças à parceria com a Wedding Needs, nossa oferta de presentes para ocasiões cerimoniais ficou muito mais robusta e, como resultado, as vendas da Tomonari Gifts estavam crescendo constantemente.
— Honestamente, até na sala de aula mais gente tem se aproximado do Tomonari ultimamente.
— Sim, sim! Uma amiga minha comentou outro dia que foi pedir conselhos para ele.
Era mesmo? Eu não tinha percebido na hora, mas parecia que uma das amigas da Asahi-san também tinha vindo falar comigo em busca de orientação.
— Hehehe…
— E por que você está com essa cara tão convencida…?
Hinako exibia uma expressão praticamente dizendo "estou tão orgulhosa", e Tennouji-san imediatamente apontou isso. Bem, Hinako vinha compartilhando documentos e materiais comigo, então não seria exagero dizer que boa parte do meu sucesso atual era graças a ela.
Mas, com todos os elogios que eu vinha recebendo ultimamente, acabei percebendo algo sobre mim mesmo. Ao que parecia, eu era muito bom em identificar parceiros de negócios confiáveis.
Talvez fosse mais correto dizer que eu tinha habilidade para enxergar as pessoas por trás dos dados… Honestamente, nem eu entendia muito bem a lógica disso, e depender de algo tão vago quanto intuição era um pouco assustador, então pretendia continuar estudando administração. Ainda assim, existiam pessoas como Takuma-san, capazes de navegar pelo mundo com uma capacidade de observação assustadoramente afiada, então achei que devia aproveitar ao máximo essa minha aptidão.
Eu estava mais atrasado nos estudos do que qualquer outra pessoa naquela academia. Se era assim, então precisava usar todas as cartas que tinha ao meu favor. Eu não tinha o luxo de escolher demais. Erguendo minha xícara cheia de chá preto, contemplei o que precisava fazer dali em diante.
— Ultimamente, mais pessoas têm dito que o Tomonari-kun é bem legal, sabia~?
— Hã?
Acabei pousando a xícara sem sequer tomar um gole. Tive a impressão de ter ouvido algo inacreditável.
— Quero dizer, começar de um lugar relativamente desconhecido e subir tão rápido ao topo… esse tipo de história de sucesso não parece incrível? …Ah, quando digo "desconhecido", não quero dizer isso de forma ruim!
— Entendo o que quer dizer, mas… uma história de sucesso, hein?
Provavelmente Asahi-san queria dizer que foi impressionante eu ter ganhado destaque em uma área inesperada, e não exatamente que eu tivesse vindo do nada.
Uma história de sucesso…
…Eu definitivamente não tinha planejado trilhar um caminho tão direto assim.
Na realidade, tudo tinha sido uma caminhada constante na corda bamba. A parceria com a Wedding Needs havia me salvado, mas, se eles tivessem recusado, minha empresa provavelmente já teria sido engolida pela SIS da Suminoe-san. Não importava quantas vezes eu refletisse sobre isso, sempre acabava pensando se não existia uma maneira melhor.
— Cara, como seu amigo, eu também estou super orgulhoso! Você não acha, Konohana-san?
— Sim, é algo de que se orgulhar quando um amigo recebe elogios.
Então por que você passou esse tempo todo chutando minha canela debaixo da mesa?
Ai, ai, ai… Você vai acabar estragando o uniforme da Academia Kiou, que custa centenas de milhares de ienes cada conjunto!
— Bem, a falta de noção do Tomonari-san não é exatamente novidade, certo?
— Hum, Tennouji-san? Será que você poderia parar de olhar para mim desse jeito…?
Tennouji-san estava me lançando um olhar gelado como eu nunca tinha visto antes. Ela não confiava em mim. Mas por quê…? Será que ainda guardava ressentimento daquela vez? Quando estávamos dançando juntos e ela me pediu para escolher entre a empresa dela e a da Hinako, e eu não consegui optar por nenhuma das duas.
— E-Ei, Asahi. E quanto a mim? Você não ouviu nenhum rumor sobre mim?
— Não ouvi absolutamente nada sobre você, Taishou-kun!
— Você não precisava enfatizar tanto assim…
Taishou parecia prestes a chorar. Asahi-san, pega mais leve com ele…
— A propósito, alguém está tendo dificuldades com alguma tarefa?
Ao ouvir a pergunta de Tennouji-san, todos trocamos olhares, mas ninguém respondeu.
— Tarefas, hein… — Narika murmurou baixinho.
— Miyakojima-san, alguma coisa está incomodando você?
— Ah, não!? Não é nada disso…?
Por que isso soou como uma pergunta? Narika balançou a cabeça freneticamente, claramente agitada, enquanto Hinako a observava com preocupação.
— Então, vamos encerrar por aqui? …O Management Game entrou na segunda metade a partir de hoje. Vamos manter o foco e dar o nosso melhor.
Ao ouvir as palavras de Tennouji-san, todos nós assentimos em concordância. Parecia que todos da Aliança do Chá estavam avançando de forma constante.
◆
Depois que a reunião do chá terminou, cada um seguiu para casa. Tennouji-san tinha uma reunião com um colega de classe e voltou para dentro do prédio da escola. Taishou e Asahi-san correram em direção ao portão, já que seus carros aparentemente haviam chegado.
— Desculpem, eu também preciso ir. Prometi ajudar um colega de classe com uma coisa.
Fiquei tão surpreso ao ouvir Narika dizer algo assim que quase deixei minha bolsa cair.
— Ajudar? Você?
— O-O que tem isso!?
— Não, é uma coisa boa. Muito boa.
Eu só estava surpreso, só isso. Não achava ruim nem um pouco.
— Narika… você realmente amadureceu, hein?
— Hmph, isso mesmo! Eu também estou evoluindo! …Então, ahn, será que você pode parar de olhar para mim como um avô babão olhando para a neta?
Narika fez uma expressão complicada enquanto voltava para o prédio da escola. No fim, restaram apenas eu e Hinako. De repente, Hinako relaxou completamente a postura impecavelmente reta, deixando os ombros caírem.
— Ufa… estou exausta…
— Ei, ei, ainda é cedo demais para baixar a guarda.
— Mmph… eu só quero entrar logo no carro…
Olhei ao redor para garantir que não havia outros alunos por perto, mas, se alguém a visse daquele jeito, a imagem impecável de "ojou-sama perfeita" da Hinako desmoronaria.
Só mais um pouco.
Hinako começou a caminhar em direção ao portão com uma expressão preguiçosa no rosto.
— Ah, Konohana-san! Desculpe, posso pedir um conselho sobre uma coisa?
Naquele instante, uma estudante desconhecida a chamou por trás. O rosto de Hinako murchou visivelmente. …Ugh, ela esteve tão perto de largar completamente a atuação.
— Quer que eu dê um jeito de dispensá-la por você?
— Não… Mesmo que eu recuse, ela só vai me mandar mensagens no jogo depois. …Eu vou lá.
— Entendido. Me avise quando terminar.
Os olhos de Hinako pareciam mortos. Sinceramente, ela já tinha passado tantas vezes por esse tipo de situação na academia — recusar uma consulta só para ser bombardeada por mensagens depois — que tomou a decisão imediatamente.
Ser popular devia ser cansativo. Eu também vinha recebendo mais pedidos de conselho ultimamente, mas nem de longe na mesma quantidade que Hinako.
— Faça o seu melhor. Depois vou pegar escondido alguns salgadinhos para você.
— Yay….!
Aquilo pareceu animá-la, e Hinako seguiu até a estudante que a chamou com as energias renovadas.
Shizune-san vivia me dizendo para não "alimentá-la", e como eu não vinha fazendo muito isso ultimamente, achei que uma vez ou outra não teria problema.
Mas agora eu tinha ficado sem nada para fazer. A estudante que abordou Hinako parecia bem formal, então provavelmente aquilo demoraria um pouco. Resolvi caminhar pela academia para matar o tempo.
A Academia Kiou era enorme. Mas, depois de um semestre ali, eu já tinha visitado praticamente todos os lugares. O café, o campo esportivo, as quadras de tênis, a biblioteca, o ginásio. Eu vinha relaxando bastante nos exercícios ultimamente, então pensei que poderia aproveitar para alongar as pernas enquanto passava pelos lugares.
Quando estava prestes a passar pelo prédio da escola uma última vez, avistei Narika.
— Narika? Já terminou a consulta?
— Sim. Acabou mais rápido do que eu esperava, então estou esperando meu carro aqui.
Parecia que o carro dela ainda demoraria um pouco para chegar. Mas Narika não parecia apenas entediada — ela também parecia um pouco abatida.
— Bem, não foi tanto que terminou rápido… é mais que eu não consegui ajudá-los direito…
— Foi assim….?
— Eles queriam conselhos sobre como administrar uma grande empresa. Mas eu costumo agir muito por instinto, então não consegui explicar as coisas direito… Estou me sentindo mal por isso.
Conforme as empresas cresciam nessa fase do jogo, alguns alunos começavam a ter dificuldade em se adaptar às mudanças. A pessoa que procurou Narika provavelmente era uma delas. Eu mesmo já tinha recebido consultas parecidas algumas vezes.
— Não precisa se culpar tanto por isso. Às vezes acontece comigo também.
— S-Sério?
— Provavelmente eles nem esperavam que você tivesse todas as respostas. …Mais importante, desde quando você virou alguém tão procurada pelos colegas? Não faz muito tempo que você dizia que ainda não tinha conseguido se enturmar na turma?
— Ah, é… Desde que o Management Game começou, mais pessoas passaram a falar comigo. Dizem que minha empresa está indo bem e querem dicas.
O Management Game realmente fazia os alunos interagirem mais entre si. Talvez aquele ambiente fosse exatamente a oportunidade perfeita para Narika fazer novos amigos. Enquanto eu pensava nisso, Narika de repente abriu um sorriso estranho e bobo.
— O que foi essa cara?
— Nada… Só percebi que você realmente presta bastante atenção em mim, Itsuki.
— Bem, é porque você já veio choramingar para mim vezes suficientes.
— Ugh… É-É, acho que isso é verdade.
Narika, que parecia radiante até então, murchou visivelmente. …Mas aquele não era o único motivo. Era verdade que as constantes reclamações dela me faziam me preocupar, mas existia outra razão para eu acabar sempre atento a Narika.
Tudo remontava ao dia do festival esportivo—
Naquele dia, Narika me disse:
"Mesmo que eu faça muitos amigos no futuro… a única pessoa especial pra mim é você, Itsuki! Agora e sempre, só você!"
(N/SLAG: Aconteceu no Volume 3 Capítulo 4.)
Essas palavras ainda ecoavam nos meus ouvidos. Eu tinha dito a Narika que esperava que ela encontrasse mais pessoas especiais com quem pudesse se conectar, como eu fazia, mas ela balançou a cabeça, quase chorando. Não era isso. Eu era a única pessoa especial para ela.
…Desde então, não consigo deixar de ficar excessivamente consciente da presença dela.
Quando estamos só nós dois, aquelas palavras às vezes voltam à minha mente. O que ela quis dizer com "especial"? O que Narika estava tentando me transmitir?
Por enquanto, eu vinha tentando não pensar demais nisso, porque exagerar na interpretação poderia deixar tudo estranho. …Conhecendo Narika, provavelmente não havia nenhum significado profundo. Talvez ela só quisesse dizer que os amigos que começava a fazer eram diferentes de mim, o melhor amigo dela.
Não tinha como aquilo ser algo romântico. …Certo? Quer dizer, estamos falando da Narika…
…Por enquanto, vou tirar isso da cabeça.
Provavelmente aquele não era o momento certo para lidar com isso. Se eu pensasse demais e acabasse deixando as coisas estranhas, Narika também ficaria em uma situação difícil. Com o Management Game entrando na segunda metade e exigindo toda a nossa atenção, criar complicações não seria uma boa ideia.
Além disso… Narika ainda dependia bastante de mim. Se as coisas ficassem estranhas entre nós, ela talvez acabasse sem ninguém a quem recorrer, e isso poderia machucá-la de verdade. Quando eu pensava dessa forma… ficava difícil ir além.
— Hm?
Completamente alheia ao meu conflito interno, Narika avistou alguma coisa e caminhou até lá.
— Itsuki! Tem uma bola de futebol!
— Alguém deve ter esquecido de guardar….
Narika olhou para mim animada ao encontrar a bola. Se ao menos ela pudesse mostrar esse lado despreocupado diante de todo mundo…
— Passa!
A bola rolou suavemente até os meus pés. O passe de Narika foi leve e fácil de dominar. Não era uma tentativa de mostrar habilidade, mas um passe cuidadosamente controlado para facilitar para mim. Como sempre, ela era incrivelmente talentosa quando o assunto era esportes. Era raro alguém ter qualidades e defeitos tão extremos.
Agora era minha vez de devolver a bola para Narika.
— Faz tempo desde a última vez que chutei uma bola.
— Na Academia Kiou, jogamos futebol no primeiro ano, mas você transferiu este ano, não foi?
Então eu não teria mais aulas de futebol, hein? Bem, mesmo sem aulas, sempre daria para jogar enquanto houvesse uma bola por perto.
— Aqui, Itsuki!
— Opa!
Narika levantou a bola de propósito, então a dominei com o peito. Meu uniforme provavelmente ficaria sujo de novo. Shizune-san provavelmente me daria uma bronca depois… mas, vendo a expressão alegre de Narika, não consegui evitar entrar no clima e me sentir como uma criança outra vez.
…É, provavelmente era melhor continuar mantendo essa dinâmica leve entre mim e Narika. Pelo menos por enquanto, era isso que eu pensava.
— Na reunião do chá mais cedo, Tennouji-san perguntou se alguém tinha algum problema, não foi?
Depois de mais alguns passes, Narika começou a falar.
— Por um momento, pensei em pedir conselhos para todo mundo… Como vocês conseguem conversar com tanta confiança com pessoas que acabaram de conhecer?
— Como assim?
Sem entender exatamente onde ela queria chegar, chutei a bola de volta enquanto olhava para ela.
— Desde que o Management Game começou, tenho precisado conversar com muitas pessoas desconhecidas. Graças a você, venho fazendo mais amigos aos poucos, mas… algumas pessoas ainda ficam assustadas comigo quando me conhecem. Isso acabou travando algumas reuniões.
O Management Game provavelmente tinha dado a Narika mais oportunidades de interagir com desconhecidos, e isso parecia ter trazido uma nova preocupação para ela.
Talvez a consulta de mais cedo também tivesse dado errado pelo mesmo motivo.
As interações no mundo real eram extremamente importantes no Management Game. Afinal, a parceria da Tomonari Gifts com a Wedding Needs só aconteceu graças às minhas negociações presenciais com Ikuno.
— Se eu conseguisse agir com mais confiança, acho que as pessoas naturalmente deixariam de me entender mal. Mas, quando vejo alguém olhando para mim com medo, eu simplesmente travo e não consigo falar direito. Aqueles olhos assustados fazem minha mente ficar completamente em branco.
Narika já tinha me contado antes que ser temida por todos durante o festival esportivo do ano passado havia deixado uma cicatriz profunda nela. Agora, ouvindo aquilo, tive certeza. Ela ainda não havia superado completamente aquele trauma.
E isso era perfeitamente natural. Por quase um ano inteiro, seus colegas de classe tiveram medo dela. Ela agia de forma alegre conosco, mas a imagem negativa que a manteve constantemente sob pressão não desapareceria tão facilmente.
O festival esportivo ajudou a melhorar parte da má reputação da Narika, mas… talvez ela ainda precise mudar mais por conta própria.
Ela definitivamente estava caminhando em uma direção positiva, mas ainda não era o suficiente. Pelo menos, ela mesma não parecia satisfeita. Mas esse tipo de coisa…
— Não é simplesmente uma questão de ganhar experiência?
Percebendo que minha resposta tinha saído seca demais, completei:
— Acho que esse é justamente o propósito do Management Game. É para acumular experiência nos negócios agora, para não cometer esse tipo de erro no mundo real mais tarde. Esse é o objetivo do jogo.
— Você tem razão. Passar por dificuldades meio que já era esperado, né?
— Sim. Então acho que não tem problema errar agora.
Mesmo dizendo isso, continuei quebrando a cabeça em busca de algum conselho mais concreto. Mas, honestamente, sentir desconforto ao falar com estranhos parecia algo completamente normal para mim.
Narika estava destinada a liderar uma grande empresa no futuro, então eu entendia que "normal" não seria suficiente para ela. Infelizmente, eu mesmo ainda não tinha chegado nesse nível, então não havia muito que eu pudesse oferecer.
— O que você quer alcançar, Narika? — Acabei perguntando isso. — Não só no jogo, mas… que tipo de pessoa você quer se tornar no final?
— Mmm… Essa é uma pergunta difícil.
Provavelmente eu mesmo ficaria sofrendo para responder por um bom tempo se alguém me perguntasse isso. Então eu não tinha a menor intenção de pressionar Narika, não importava quanto tempo ela levasse para responder.
— Sei que é um objetivo meio pretensioso, mas… — Narika falou hesitante, quase envergonhada. — No fim das contas, eu quero ficar lado a lado com pessoas como a Konohana-san e a Tennouji-san…
Apesar de todo o negativismo dela, a incapacidade de se contentar com pouco era uma das melhores qualidades da Narika. E aquele objetivo? Era exatamente o mesmo que o meu.
— Então vamos continuar nos esforçando juntos.
Narika e eu talvez tivéssemos começado de lugares completamente diferentes, mas ter alguém próximo compartilhando o mesmo objetivo me deixava estranhamente feliz.
É… era isso mesmo… Nós queríamos ficar ombro a ombro com aquelas duas.
Passávamos tanto tempo ao redor delas todos os dias. Tenho certeza de que Asahi-san e Taishou sentiam a mesma coisa no fundo.
Enquanto uma silenciosa onda de motivação surgia dentro de mim, meu smartphone vibrou. Uma mensagem da Hinako apareceu no aplicativo: "Terminei~."
— Certo, estou indo.
— Entendi. Obrigada por me ouvir, Itsuki.
— Não sinto que tenha ajudado muito, para falar a verdade.
— N-Não é verdade! O lema da família Miyakojima diz: "Nunca tema um encontro." Graças a você, eu me lembrei disso… Vou tentar conversar com as pessoas sem medo!
A família dela tinha um lema desses…?
Comecei a caminhar em direção ao portão da escola. …Mas, antes disso, me virei mais uma vez.
— Narika, eu não tinha certeza se devia dizer isso, mas…
Ao ver Narika inclinar a cabeça em dúvida, senti uma pontada de constrangimento. Provavelmente era melhor falar agora para ela não acabar passando vergonha depois.
— Ah… acho que você não devia levantar tanto as pernas quando está usando saia.
— Hã…!? Ah!
O rosto de Narika ficou vermelho vivo enquanto ela abaixava rapidamente a saia.

Espero que da próxima vez ela perceba isso mais cedo.
◆
De volta à propriedade dos Konohana, liguei para Takuma-san para atualizá-lo sobre o progresso do jogo.
"Então as coisas estão indo conforme o planejado, hein?"
A voz de Takuma-san ecoou pelo alto-falante do smartphone. Eu já tinha compartilhado o estado atual do jogo com textos e capturas de tela, e parecia que ele havia analisado tudo cuidadosamente.
"Então, qual é o próximo passo? Qual é o seu plano daqui para frente?"
Takuma-san perguntou.
"Acho que você também consegue perceber isso, Itsuki-kun, mas o mercado atual é pequeno. Talvez você ainda consiga aumentar um pouco mais os lucros, mas logo deve chegar ao limite, não acha?"
"Sim… honestamente, sinto que estamos nos aproximando do topo."
Não acho que minha escolha de focar no nicho de presentes tenha sido errada. O fato de Suminoe-san ter se tornado uma rival foi inesperado, mas quase não havia concorrência, e conseguimos um excelente começo.
Mesmo assim, quando conversava com Hinako, Tennouji-san ou Narika, às vezes ficava impressionado com a escala gigantesca dos negócios delas.
Sinceramente… eu sentia inveja. Eu também queria lidar com números maiores.
No fim das férias de verão, eu tinha jurado para Hinako, naquela velha casa, que um dia me tornaria alguém capaz de ficar ao lado dela como igual. E uma das formas de medir isso era me tornar alguém capaz de carregar grandes responsabilidades, assim como elas.
Acho que a Tomonari Gifts tinha crescido de forma impressionante. Mas, se eu quisesse assumir responsabilidades ainda maiores… aquela empresa não seria suficiente.
"Posso começar um segundo negócio?"
"Ótimo. Eu queria ouvir essas palavras saindo da sua própria boca."
Takuma-san sempre me guiava para que eu mesmo tomasse as decisões importantes. Esse cara realmente seria um excelente educador… Confiar nele foi a escolha certa.
"Sou totalmente a favor de você começar um novo negócio. Mas você também deveria pensar no que fazer com a empresa atual. Vendê-la através de uma fusão ou aquisição e usar o lucro para começar a próxima? Ou preparar um sucessor para assumir? Existem várias formas de lidar com sucessão empresarial."
Administrar o negócio atual enquanto começava outro estava, infelizmente, além dos meus recursos. Takuma-san sabia disso, então conduziu a conversa já partindo do princípio de uma sucessão.
Como os únicos funcionários da Tomonari Gifts além de mim eram IAs, uma sucessão interna significaria que a próxima presidente seria uma IA. Por outro lado, com uma fusão, aquisição ou sucessão externa, trazendo alguém de fora, eu poderia entregar a empresa para outro jogador humano.
Era uma empresa na qual eu tinha colocado meu coração e alma, então, se possível, queria confiá-la a alguém que eu conhecesse.
"Mesmo que eu entregue para um conhecido, ainda posso vender as ações, certo?"
"Você quer vender as ações que possui atualmente, hein? Claro, isso é possível. Vai ser um pouco mais complicado do que uma simples transferência, mas tudo depende da outra parte."
Começar um novo negócio exigiria capital. Se possível, eu preferia vender em vez de simplesmente transferir. O conteúdo do próximo negócio e a garantia de capital — eu precisava pensar nas duas coisas em paralelo.
"A partir daqui, cabe a você decidir, Itsuki-kun. Estou ansioso pelos resultados."
Com isso, Takuma-san encerrou a ligação. Soltei um pequeno suspiro e relaxei os ombros.
Nove horas da noite.
Já devia estar perto da hora do jogo encerrar. Depois da escola, comprei escondido alguns salgadinhos pelas costas da Shizune-san e fui até o quarto da Hinako com eles nas mãos.
— Hinako, você está aí?
— !?
Quando bati na porta e chamei, ouvi um alto tum-tum-tum! vindo lá de dentro. Depois de esperar um pouco, ouvi um:
— E-Entre…!
Então entrei. Hinako estava sentada diante da escrivaninha. Por algum motivo, seu rosto estava completamente vermelho e ela parecia suada.
— Uh… você está bem? Ouvi um barulho.
— E-Eu só estava estudando… estou bem.
Ela estava claramente escondendo alguma coisa. Olhando discretamente pelo quarto, percebi que a coberta da cama estava estranhamente elevada.
— Isso aqui?
— Ah…!?
Quando levantei a coberta, encontrei um mangá shoujo escondido embaixo.
— Um mangá que você pegou emprestado com a Yuri, hein? Quero dizer, talvez a Shizune-san se importe, mas você não precisa esconder isso de mim, sabe?
— B-Bem… talvez.
Hinako respondeu de forma vaga. Bom, sinceramente, acho que até a Shizune-san provavelmente deixaria mangás passarem. …Embora, dependendo do conteúdo, ela pudesse confiscá-los dizendo que eram inadequados para a educação dela.
…Será que esse mangá era desse tipo? Tentei folheá-lo para conferir—
— N-Não, não leia…!
Hinako correu apressada até mim.
— Q-Quer dizer, eu ainda nem li…!
— Oh, foi mal.
Eu não pretendia dar spoilers… mas, como era algo que Hinako pegou emprestado, fazia sentido ela querer ler primeiro.
— Só para avisar, a Shizune-san provavelmente não vai deixar passar nada muito pesado, entendeu?
— N-Não é esse tipo de coisa, então está tudo bem…!
Ao que parecia, ela não estava escondendo o mangá por causa de conteúdo pesado. Espera, então Hinako sabia o que significava "conteúdo pesado"…?
— I-Itsuki, já está na hora… do banho.
Hinako olhou para o relógio enquanto falava.
— Sim, você tem razão. Vamos.
Eu estava pensando em comer os salgadinhos, mas decidi tomar banho primeiro.
◆
Naquele dia, Konohana Hinako estava decidida. Ela precisava fazer o coração do Itsuki disparar logo. Estava desesperada para fazer aquele cara descarado e completamente sem noção perceber seus sentimentos.
A reunião do chá daquele dia tinha lhe dado o empurrão de que precisava. Ela já tinha percebido que Itsuki vinha recebendo mais atenção das garotas ultimamente, mas não imaginava que fosse naquele sentido.
Se isso continuar, o mundo inteiro vai perceber o charme do Itsuki…!
Na imaginação exageradamente vívida de Hinako, Itsuki estava cercado por cem garotas enquanto girava casualmente uma taça de vinho com um "Hahaha". Ela não podia permitir que aquele futuro se tornasse realidade. Até poucos instantes atrás, ela estava lendo o mangá que pegou emprestado com Yuri para preparar sua estratégia. Quando Itsuki apareceu, escondeu tudo às pressas.
Felizmente, Itsuki não parecia saber o que havia no mangá. Seu plano ainda estava seguro.
Agora era a hora de agir—
— Tudo bem!
Depois de vestir o biquíni, Hinako criou coragem e foi em direção ao banheiro.
— Itsuki… desculpe por fazer você esperar.
— Ah, oi.
Itsuki já estava na banheira. Ele estava com os pés mergulhados na água enquanto lia algum tipo de documento.
— Isso é um balanço patrimonial? Você consegue ler isso…?
— Sim. Takuma-san disse que eu deveria aprender.
Um balanço patrimonial era um documento que resumia a situação financeira de uma empresa.
Antes, ele nem sabia o que era um BS ou um PL, mas agora já conseguia entendê-los. Ela queria elogiá-lo sinceramente por isso, mas não estava no clima. …O irmão dela de novo. Será que o irmão dela estava atrapalhando outra vez?
— Hmph…
— Ah, foi mal. Quer que eu pare de falar do Takuma-san?
Itsuki deu um sorriso sem graça enquanto deixava o documento de lado. Ao ver a expressão dele, Hinako percebeu que estava fazendo uma cara emburrada.
Sou adulta. Sou adulta. Sou adulta. …Ok!
Ela repetiu isso mentalmente três vezes para se acalmar. Afastando os pensamentos sobre o irmão da mente, Hinako se sentou ao lado de Itsuki com um pequeno impulso.
— A-Ah… estou, tipo, super cansada hoje~…
Ela falou enquanto observava discretamente a reação de Itsuki.
— Eu realmente queria que alguém me lavasse~…
— Hã….? — Itsuki congelou. — E-Espera, não tínhamos combinado que você mesma se lavaria?
— Mas eu estou, tipo, tão cansada hoje~…
(N/SLAG: OLHA QUE SAFADA! Se isso não é conteúdo pesado, o que é?!)
Hinako falou enquanto se aproximava dele aos poucos.
— Você poderia me lavar~…?
Ela olhou para ele com olhos suplicantes. As bochechas de Itsuki ficaram levemente avermelhadas.
Está funcionando…!
Sentindo um pequeno gosto de sucesso, Hinako decidiu ir até o fim.
— Tipo, aqui… você poderia lavar aqui~…?
— O-OH!?
Ela deslizou um pouco a alça do biquíni para fora do ombro enquanto dizia aquilo.

Itsuki entrou visivelmente em pânico. Mas Hinako também estava completamente agitada.
E-Espera, acho que passei dos limites…!
No mangá shoujo parecia funcionar daquele jeito, mas talvez ainda fosse cedo demais para ela fazer isso.
Algo estava errado… Na imaginação dela, a essa altura deveria estar exibindo um sorriso sedutor e maduro para Itsuki. Suas bochechas queimavam, e, mesmo tendo acabado de entrar no banho, ela sentia como se estivesse superaquecendo.
Qual era… a reação do Itsuki? Checando nervosamente a expressão dele—
— Itsuki…..?
Itsuki desviava o olhar com uma expressão assustadoramente rígida. Ele parecia a metade direita de uma estátua de Niou.
(N/SLAG: Itsuki ficou paralisado, por assim dizer…)
— Hinako, precisamos conversar.
— S-Sim?
Com uma expressão séria, como se estivesse reprimindo à força uma enxurrada de emoções, Itsuki falou. Aquilo… não era a reação que ela esperava.
— Esse tipo de coisa… bem, é impróprio.
— I-Impróprio…!?
Gong! Um som ecoou dentro da cabeça dela. Ela jamais imaginou que ele reagiria daquela forma.
— Parece até tarde demais para dizer isso, mas mulheres não deveriam mostrar a pele de qualquer jeito. Quer dizer, realmente tarde demais, mas…
Itsuki falou com uma expressão extremamente constrangida.
— D-De quem…
O rosto de Hinako ficou vermelho vivo enquanto ela tremia de vergonha.
— De quem você acha que é a culpa disso…!?
Ela só estava se esforçando tanto porque Itsuki era absurdamente sem noção…! Hinako ajeitou a alça do biquíni e soltou um longo suspiro para aliviar a frustração.
— Lava logo…..
Ela falou sem conseguir olhar nos olhos de Itsuki.
— Meu cabelo. Anda logo. Lava ele.
— S-Sim, senhora.
Itsuki começou a lavar cuidadosamente o cabelo de Hinako.
◆
Itsuki seguia em direção ao quarto de Hinako com um pacote de salgadinhos nas mãos. Após receber esse relatório de uma das criadas subordinadas, Shizune passou a segui-lo discretamente para pegá-los no ato, dirigindo-se até o quarto de Hinako.
Mas não houve resposta quando ela bateu na porta.
Será que estão no banho?
Pensando nisso, Shizune foi até o banheiro. E, de fato, as roupas deles estavam no vestiário. Ela espiou silenciosamente lá para dentro e testemunhou toda a cena.
Ojou-sama… você está apressando demais as coisas…
Itsuki se importava profundamente com Hinako. Por isso, ele não ultrapassaria certas linhas de forma leviana. Nesse aspecto, Shizune confiava cegamente nele. Se Hinako realmente quisesse conquistá-lo… provavelmente precisaria criar uma atmosfera mais séria e sincera. Além disso, ele parecia ser absurdamente vulnerável a fatos consumados.
…Não, não, por que estou sequer pensando nisso?
Ela devia ter ficado abalada depois de presenciar aquela cena bizarra. Para se acalmar, afastou-se do banheiro. Havia um mangá shoujo sobre a cama. Ao pegá-lo e folheá-lo, ela entendeu.
Então era isso.
Hinako tinha tentado imitar aquele mangá. Ela não conseguiu evitar um suspiro enquanto levava a mão à testa. Ainda levaria algum tempo até Hinako aprender que mangás não eram a realidade.
Foi então que uma ligação chegou. Ela olhou para a tela do smartphone… outra fonte de suspiros.
Relutantemente, Shizune atendeu.
— Número errado.
— Não, não é.
Ela quase desligou imediatamente, mas o outro lado foi rápido em apontar isso. Aquele homem — Konohana Takuma — provavelmente estava exibindo o sorriso irresponsável de sempre naquele momento.
— Faz tempo, Shizune. Tem um minuto?
— Não, não tenho. Ao contrário de certas pessoas, eu sou muito ocupada.
— Saber administrar a própria agenda faz parte do trabalho. Você é a chefe das criadas agora, então deveria delegar mais e distribuir melhor as tarefas.
Ela tinha falado aquilo como sarcasmo, mas ele respondeu seriamente.
Que homem irritante.
— Preciso de alguns dados para o trabalho, mas estou fora e sem acesso. Poderia enviar as listas de clientes D7 a D9 do servidor da matriz para o meu PC?
— Entendido…
Se recusasse, ele apenas pediria a outra pessoa, aumentando o trabalho de mais alguém. Então Shizune aceitou a tarefa de má vontade.
— Takuma-sama. Quais são suas intenções com Itsuki-san?
— Hinako já me perguntou exatamente a mesma coisa antes.
Quando Hinako descobriu que Takuma era o observador de Itsuki, ela suspeitou que ele estivesse tramando algo e chegou a contatá-lo uma vez. Provavelmente era disso que ele estava falando.
— Itsuki-san está progredindo tranquilamente no jogo. …Sinceramente, mais rápido do que eu esperava. Por isso, estou curiosa sobre o que o senhor pretende que ele alcance daqui em diante.
— Dito isso, faltam apenas cerca de três semanas para o fim do jogo. A taxa de crescimento dele é incrível, mas os resultados podem acabar sendo relativamente comuns, sabe?
— Não se trata apenas do jogo.
Além disso, ela tinha a sensação de que os resultados do jogo também não seriam comuns. Takuma parecia compartilhar desse pressentimento, falando de propósito de maneira vaga.
— O que o senhor realmente deseja que Itsuki-san se torne no futuro?
Ao ouvir essa pergunta, Takuma permaneceu em silêncio por um momento. Isso era raro. Ele estar tendo dificuldade para responder.
— No começo, planejei transformá-lo em um empreendedor serial.
Um empreendedor serial era alguém que criava uma empresa, a colocava nos trilhos, vendia-a e utilizava o lucro para abrir outra empresa, repetindo o ciclo continuamente para seguir lucrando.
— Mas ele tem mais talento para negócios do que eu imaginei. E, sendo assim, talvez fazê-lo pegar tantos desvios não seja o melhor caminho para ele.
— Ser um empreendedor serial era um desvio?
— Ah. Isso sempre foi pensado apenas como um trampolim para aprender administração.
Entendo.
De fato, experimentar repetidamente a criação e venda de empresas refinaria profundamente as habilidades de gestão.
Mas chamar aquilo de desvio significava—
Takuma não queria transformar Itsuki em alguém com vasto conhecimento administrativo.
— O que o senhor realmente quer de Itsuki-san é…
— Exatamente. Alguém como eu.
Não era impossível. Pelo contrário — talvez fosse até o ideal. Ele definitivamente tinha aptidão para isso. Naquele campo, Itsuki certamente brilharia.
— Não acha que é um bom objetivo?
Takuma falou com uma risada animada.
— Está tentando criar um clone de si mesmo?
— Exatamente. Parece ideal, não? Se existisse um clone meu neste mundo, eu poderia lidar com o dobro do trabalho. Coisas que considerei impossíveis na minha geração talvez se tornassem possíveis.
— Itsuki-san não vai se tornar como o senhor.
— Hinako disse a mesma coisa — uma risada baixa escapou de Takuma. — Então, Shizune. Posso pegar emprestado o Itsuki-kun nesta sexta-feira?
— O que está planejando?
Diante da desconfiança de Shizune, Takuma respondeu:
— Uma excursão de estudos.
◆
Três dias depois, na sexta-feira.
Como as sextas-feiras durante o Management Game eram dias de folga, eu planejava estudar no meu quarto na mansão. Mas, depois do café da manhã, Shizune-san me chamou até o escritório.
Takuma-san estava lá. Sem muitas saudações, Takuma-san me informou que tinha uma tarefa para mim.
E a tarefa era—
— Uma excursão de estudos?
— Isso mesmo.
Takuma-san assentiu.
— Vou participar de uma reunião de acionistas por causa do trabalho, e você vai comigo.
— Uma reunião de acionistas? Isso não é o tipo de coisa em que se entra casualmente, é? Você não está usando conexões suspeitas de novo, está?
— Hahaha, do que você está falando? Você é um aprendiz de escrivão judicial participando de uma reunião de acionistas como treinamento, certo? Que sorte a do escritório de estágio ter conexões com a empresa.
Como esperado, ele realmente estava usando conexões suspeitas. Então finalmente chegou a hora de eu aproveitar a rede absurda de contatos do Takuma-san? …Se alguém estava sendo incomodado por isso, minhas desculpas.
— Por favor, deixe-me participar.
— Sabia que você diria isso.
Para alguém como eu, que sentia ainda ter muito a aprender, não existia motivo para recusar essa oportunidade.
— Então, Hinako. Poderia parar de me encarar desse jeito agora?
…
Hinako, que estava atrás de mim, encarava Takuma-san diretamente. Ela tinha vindo até o escritório insistindo que queria acompanhar tudo para ficar de olho nele, mas, desde que viu Takuma-san, não falou uma única palavra. Em vez disso, continuava lançando olhares afiados e penetrantes em sua direção.
— Se você fizer qualquer coisa estranha com o Itsuki, eu não vou perdoar…
— Eu não faria isso. Não sou você, Hinako.
— O qu…!?
— Oh? Então você realmente fez alguma coisa? Pela sua reação, foi recente. Ontem? Anteontem… não, aposto que foi há três dias.
— O-O-O QUÊ…!?
Takuma-san observava cuidadosamente a reação de Hinako enquanto fazia suas suposições. O rosto dela ficou vermelho como uma maçã, e sua boca abriu e fechou sem conseguir formar palavras. Ela estava se lembrando daquela noite no banheiro, três dias atrás? …Isso também era constrangedor para mim.
— S-Seu… idiota…!!
Bufando de irritação, Hinako saiu furiosa da sala. Preocupada com ela, Shizune-san correu atrás dela, deixando o escritório logo em seguida.
— Bem então, vamos?
— Sim….
Como se nada tivesse acontecido… Será que eu ficaria bem? Eu realmente conseguiria acompanhar esse cara? Com essa inquietação, deixei a mansão.
◆
— Durante o trajeto, vou ensinar a você sobre assembleias gerais de acionistas, Itsuki-kun.
Dentro do carro, Takuma-san disse isso enquanto me entregava um tablet. Na tela aparecia o site de vídeos mais famoso do mundo, com as palavras "assembleia de acionistas" digitadas na barra de pesquisa.
— Existem vídeos de assembleias de acionistas online?
— Das grandes empresas, sim.
Por enquanto, abri um vídeo com muitas visualizações. Comecei a me sentir um pouco enjoado por causa do carro, então apenas ouvi o áudio enquanto desviava os olhos da tela de vez em quando e avançava algumas partes conforme assistia.
Vinte minutos depois—
— Acho que entendi o básico.
— Alguma impressão?
Takuma-san perguntou enquanto eu devolvia o tablet.
— Achei que as assembleias de acionistas fossem mais parecidas com debates acalorados, mas… não são exatamente assim.
— É. É menos uma discussão e mais um relatório. Existe a parte de perguntas e respostas, mas a ideia principal é prestar contas aos acionistas e ouvir opiniões.
A assembleia do vídeo consistia basicamente em uma apresentação unilateral do presidente.
Durante a sessão de perguntas e respostas, os acionistas davam opiniões, mas não havia discussões sobre planos futuros — eram apenas comentários sobre decisões já tomadas.
Como Takuma-san disse, aquilo parecia muito mais um evento de apresentação ou relatório do que uma reunião propriamente dita.
— O fluxo é praticamente igual em qualquer assembleia de acionistas. Relatórios financeiros, alterações no estatuto social, distribuição de dividendos e nomeações de diretores são colocados em votação, depois há perguntas e respostas. Entendeu?
— Sim.
— Então deixe-me explicar rapidamente sobre esta assembleia.
Takuma-san continuou.
— Vamos participar da assembleia geral da Taiyo Construction Co., Ltd. Capital de 20 bilhões de ienes, dois mil funcionários — uma construtora geral de médio porte. Eles são fortes em engenharia civil marítima e também atuam no exterior.
Taiyo Construction… Eu nunca tinha ouvido falar, mas definitivamente não parecia pequena.
— Mas essa empresa está enfrentando um certo problema no momento.
— Um problema?
— Vou explicar os detalhes quando chegarmos lá. Esse problema vai aparecer durante a assembleia, então fique ansioso por isso.
Takuma-san sorriu de forma travessa. Estou com um péssimo pressentimento.
Pouco depois, o carro parou diante de um grande prédio comercial. Aquele devia ser o local. Segui Takuma-san, que parecia completamente à vontade, até uma sala de conferências alugada dentro do edifício. Na recepção, uma mulher de terno olhou para mim e fez uma leve reverência.

— Você é o estagiário, certo? Já fomos informados. Aqui está seu crachá.
— Obrigado.
Desculpe… na verdade eu sou só um estudante…
Ao meu lado, Takuma-san entregou algo pequeno para a recepcionista.
— Takuma-san, o que você entregou?
— Um formulário de voto por procuração. É como uma cédula de votação.
Mais um termo novo. …Vou pesquisar isso depois. Dentro da sala de conferências, mesas e cadeiras dobráveis estavam organizadas de forma impecável. Encontramos lugares vazios e nos sentamos juntos.
— Cof cof. Declaro iniciada a 97ª Assembleia Geral Ordinária de Acionistas.
O presidente da Taiyo Construction, atuando como chairman conforme previsto no estatuto social, anunciou o início da reunião.
Assembleia Geral Ordinária de Acionistas.
Uma reunião obrigatória realizada anualmente pelas empresas.
Primeiro, o procedimento foi explicado. Em resumo, a empresa apresentava seus relatórios de negócios e propostas de resolução. Depois vinha a sessão de perguntas e respostas, seguida da votação, e então a reunião era encerrada.
Aquele fluxo parecia ser o padrão das assembleias de acionistas. O vídeo que assisti no carro também tinha sido parecido.
— Agora, explicaremos a estratégia de crescimento da Taiyo Construction.
O chairman colocou para reproduzir um vídeo previamente preparado.
Era muito bem produzido, mas, no fundo, não era tão diferente dos relatórios financeiros que fazíamos na Aliança do Chá. A diferença era que aquilo era voltado para acionistas, então incluía explicações sobre dividendos.
…Vendo aquilo, o Management Game realmente era algo sério.
Termos familiares como vendas e lucro operacional apareciam repetidamente.
— Em seguida, passaremos às propostas de resolução. O primeiro item da pauta é a distribuição de dividendos—
O vídeo terminou, e um slide apareceu na tela. As resoluções eram assuntos que precisavam ser decididos. O primeiro item era sobre dividendos. Eles estavam um pouco maiores do que no ano anterior, algo que os acionistas certamente receberiam bem, então dificilmente haveria oposição.
— O segundo item da pauta é a nomeação dos diretores.
O presidente, atuando como chairman, trocou os slides enquanto explicava.
— Com o encerramento desta assembleia, o mandato de todos os diretores atuais expirará. Portanto, solicitamos a aprovação dos senhores para a nomeação dos novos diretores.
Como o mandato dos diretores atuais estava chegando ao fim, era necessário escolher novos. O slide mostrava a lista de candidatos a diretores preparada pela Taiyo Construction, mas…
…Ele está nervoso?
A expressão do chairman parecia rígida. A explicação continuou com a nomeação dos auditores e as resoluções relacionadas à remuneração dos executivos.
— Em seguida, o sexto item da pauta. Ahem… a partir daqui, teremos as propostas dos acionistas.
A sala se agitou levemente. Propostas dos acionistas...? Isso não estava no vídeo que eu tinha assistido. Na verdade, a reunião do vídeo nem sequer tinha tantos itens na pauta.
— Estes são os candidatos a diretores propostos pelo Fundo Suzuki.
O slide exibiu vários nomes de candidatos. Diretores propostos pelo Fundo Suzuki? Não pela Taiyo Construction...?
— Certo, vou explicar. Leia estes materiais enquanto escuta.
Takuma-san me entregou os documentos enquanto falava.
— A questão aqui é a nomeação dos diretores. O conflito é entre dois grupos: a Taiyo Construction e o Fundo Suzuki.
Fundo Suzuki. O termo que o presidente havia mencionado mais cedo.
— Como acionista da Taiyo Construction, o Fundo Suzuki vinha propondo reformas há muito tempo, como o lançamento de novos negócios. Mas a Taiyo Construction rejeitou tudo isso de forma consistente.
Assenti, incentivando-o a continuar.
— O Fundo Suzuki não desistiu e chegou até a sugerir uma oferta de aquisição, mas as negociações não avançaram. Frustrado, o Fundo Suzuki anunciou que apresentaria seus próprios candidatos a diretor. É disso que trata este item da pauta.
— Então o Fundo Suzuki estava desafiando os candidatos da Taiyo Construction e tentando eleger os seus próprios?
— Exatamente. Era uma disputa entre o Fundo Suzuki e a Taiyo Construction pelas posições na diretoria.
Lembrei-me da típica assembleia de acionistas do vídeo no carro. Normalmente, apenas os candidatos indicados pela empresa eram apresentados, e os acionistas avaliavam se eles eram adequados ao cargo. Mas ali, o Fundo Suzuki estava propondo candidatos completamente diferentes.
Os acionistas precisavam escolher entre os dois lados.
— Se os candidatos do Fundo Suzuki conseguissem a maioria, o que aconteceria com a Taiyo Construction?
Takuma-san abriu um sorriso astuto.
— O que você acha?
Bem… Se isso acontecesse, o conselho administrativo — o órgão responsável pelas decisões da empresa — ficaria dominado pelas pessoas do Fundo Suzuki, o que significava que a Taiyo Construction...
— A empresa seria tomada?
— Correto.
Takuma-san estreitou os olhos em direção ao presidente. O presidente, ainda pálido e suando, estava compreensivelmente tenso. A empresa dele poderia ser tomada.
— A propósito, a votação já terminou. Estamos apenas esperando os resultados.
— Era aquele formulário que você entregou na recepção?
— Isso mesmo. É ali que os acionistas exercem seus direitos de voto. Quem não comparece vota por correspondência ou online.
Agora eu entendia por que Takuma-san tinha chamado aquilo de cédula de votação.
— Quem você acha que vai ganhar, Itsuki-kun?
Pensei por um momento antes de responder.
— A Taiyo Construction, certo?
— E por que você acha isso?
— Porque confiar a diretoria a pessoas de fora de repente parece arriscado. Os outros acionistas provavelmente pensam o mesmo.
— Muito bem, muito bem.
Parecia que eu tinha acertado, ou chegado perto. Takuma-san assentiu, satisfeito. A estratégia do Fundo Suzuki era simples. Eles queriam reformar a Taiyo Construction do jeito deles, então estavam tentando colocar seus próprios diretores.
Para mim, aquilo pareceu autoritário. Lembrou-me de quando Suminoe-san adquiriu nosso fundo — usando dinheiro para forçar os outros a obedecer.
— Como você disse, é raro que diretores propostos por acionistas sejam eleitos. Mas o Fundo Suzuki sabia disso.
Sabendo disso e ainda assim apresentando candidatos, então...
— Eles tinham algum tipo de confiança, não tinham?
Takuma-san assentiu.
— Veja a página dezessete dos materiais. Lá estão os perfis dos candidatos do Fundo Suzuki.
Abri a página conforme ele havia instruído. Ao ler os perfis dos candidatos do Fundo Suzuki... fiquei atônito.
— Mas que... são todos figurões!
— Essa era a confiança deles.
Era uma lista de executivos de empresas que qualquer japonês conheceria. Conseguir reunir pessoas desse nível... afinal, quem era o Fundo Suzuki?
— Ahem, os resultados da votação chegaram. Quanto ao segundo item da pauta, sete diretores foram aprovados.
O presidente anunciou aquilo de forma hesitante. O suor frio dele... não parava.
— Quanto ao sexto item da pauta, oito diretores... foram aprovados.
Sete para a empresa, oito para os acionistas. Em outras palavras—
— O Fundo Suzuki... venceu.
— Os outros acionistas devem ter sentido a determinação do Fundo Suzuki. Pensaram algo como: "Se eles estão levando isso tão a sério, vamos dar uma chance."
A sala ficou barulhenta. Ignorando o tumulto ao redor, reavaliei calmamente a situação.
— Será que isso...
Conseguir a maioria para tomar o controle da empresa. Aquilo parecia familiar. Como se tivesse percebido minha conclusão, Takuma-san sorriu levemente.
— Isso mesmo. Foi uma aquisição.
Eu sabia. As informações complexas eram confusas, mas, no fim das contas, aquilo era simplesmente uma aquisição.
— Espero que esta assembleia de acionistas tenha ajudado você a entender, Itsuki-kun, mas a direção de uma empresa é basicamente decidida pelos votos dos acionistas. Em geral, é um voto para cada cem ações, então a influência varia de acordo com a porcentagem de participação.
Alguém com cem ações recebia um voto, mas mil ações significavam dez votos. Quanto mais você investia, mais influência tinha. Quem assumia riscos maiores conquistava uma voz mais forte. Pensando dessa forma, os negócios pareciam justos. Talvez houvesse menos injustiça neste mundo do que eu imaginava.
— TOB é uma coisa, mas o objetivo final de um M&A é vencer esta votação. Se você possui a maioria das ações da empresa-alvo, consegue vencer qualquer votação, não importa qual seja.
(N/SLAG: Eu não lembro se tinha dito, mas provavelmente vocês pesquisaram, né. M&A refere-se a operações de fusões e aquisições entre empresas, abrangendo negociações privadas ou públicas. TOB (Takeover Bid) é uma oferta pública feita aos acionistas para aquisição de participação em uma companhia aberta.)
De fato, se você garantisse a maioria dos votos antecipadamente, poderia controlar qualquer resolução como quisesse.
Então era assim que M&A funcionava… Era um tema que tínhamos abordado incontáveis vezes no jogo, mas eu nunca havia entendido o fluxo real daquilo.
— No Management Game, é difícil sentir o que realmente está acontecendo, não é? No jogo, assim que você adquire a maioria das ações, a empresa automaticamente se torna subsidiária.
Era exatamente isso. Foi por isso que eu pensei que estudar além daquilo não era necessário. Então, na realidade, era ali que o destino de uma empresa era decidido.
— Mas esta aquisição não é normal, é?
— Sim, é uma anomalia entre anomalias. O Fundo Suzuki possui apenas trinta por cento das ações da Taiyo Construction. Mesmo assim, eles conseguiram realizar a aquisição ao conquistar o apoio dos outros acionistas.
Não se tratava apenas de negociar ações. Com um plano de reforma superior e uma formação impressionante de talentos, o Fundo Suzuki conseguiu substituir a liderança da Taiyo Construction.
— Uma aquisição assim era possível?
Os acionistas ao redor estavam agitados, provavelmente porque aquela situação era realmente extraordinária.
— Com isso... declaro encerrada a assembleia anual de acionistas.
A assembleia de acionistas terminou. O rosto do presidente estava pálido. Não consegui evitar sentir pena dele.
— Isso foi tipo... um momento histórico ou algo assim?
— Hmm, quem sabe. Mas definitivamente vai virar notícia.
Parecia que eu tinha tropeçado em uma cena inacreditável. Mas, se esse era o caso, uma pergunta ainda permanecia.
— Por que você sabia que isso aconteceria, Takuma-san?
Takuma-san parecia ter previsto aquele resultado desde o começo. Talvez por isso tivesse feito questão de me trazer àquela assembleia de acionistas. Para começar, qual era exatamente o papel de Takuma-san em tudo aquilo?
— Vou explicar passo a passo.
Takuma-san olhou para mim com diversão enquanto eu lutava para organizar todas aquelas dúvidas.
— Havia três coisas que eu queria que você aprendesse hoje, Itsuki-kun. ...A primeira era sentir na prática o mecanismo de uma aquisição. A segunda era reconhecer adequadamente a existência dos acionistas.
— Acionistas...?
Sem entender muito bem o ponto dele, inclinei a cabeça, e Takuma-san assentiu.
— Você tem talento para enxergar além dos dados. Você já percebe isso vagamente, não percebe?
Ele perguntou aquilo com tanta convicção. Assenti levemente. Eu sempre tive certa habilidade para interpretar parceiros de negócios, então provavelmente era disso que Takuma-san estava falando.
— Mas ainda não é suficiente. Esse seu senso pode evoluir ainda mais. ...Daqui para frente, não olhe apenas para os rostos dos executivos — olhe também para os rostos dos acionistas.
No instante em que ele disse aquilo, foi como se algo se encaixasse dentro da minha mente.
O rosto do presidente da Taiyo Construction, que havia conduzido a reunião. Os acionistas, murmurando em choque diante do resultado da eleição do conselho. Relembrei as reações deles mentalmente.
— É uma questão de intuição, então você não precisa entender completamente agora. Com mais estudo, eventualmente—
— Não.
Interrompendo Takuma-san, balancei a cabeça.
— Tudo bem. Acho que entendi o que você quis dizer.
Ao ouvir aquilo, os olhos de Takuma-san se arregalaram. Mas logo um sorriso surgiu em seus lábios—
— Eu sabia que fazer de você meu discípulo tinha sido a escolha certa.
Takuma-san assentiu, satisfeito.
— Agora, a terceira coisa. Isso também responde à sua pergunta—
— Ei, Takuma-san! Então você estava aqui!
Quando saímos para o saguão do prédio, um homem nos chamou por trás. Eu o reconheci — ele estava sentado perto da frente na assembleia de acionistas. Seu porte imponente o tornava memorável. Ele tinha aquela aura de figurão, e o terno italiano que vestia combinava perfeitamente com ele.
Quem era esse cara? Inclinei a cabeça, e Takuma-san começou a explicar.
— Deixe-me apresentá-los. Este é Suzuki-san, o chefe do Fundo Suzuki.
— Quê—!?
O chefe!? Fiquei tão chocado que acabei soltando um grito no meio da palavra. Apresentar alguém tão importante assim, do nada...!
— Ah, eu sou Tomonari Itsuki. Tive o privilégio de acompanhar a assembleia de acionistas hoje.
— Ah, então você é o Tomonari-kun! Takuma-san já me falou sobre você — o discípulo prodígio dele, não é?
Prodígio... eu realmente era isso tudo? Bem, considerando que ele estava me proporcionando uma experiência tão rara, eu não podia exatamente negar.
— Hum, qual é a sua relação com o Takuma-san, Suzuki-san?
Quando perguntei, Suzuki-san lançou um olhar para Takuma-san. Tudo bem responder? Foi isso que o olhar dele pareceu perguntar. Takuma-san assentiu e respondeu ele mesmo.
— Os diretores externos propostos pelo Fundo Suzuki? Fui eu quem apresentou todos eles.
— Hã?
Aqueles candidatos de peso? Aquela formação praticamente imbatível? Takuma-san tinha montado aquilo... sozinho?
— Cara, Takuma-san, você realmente nos salvou. Foi tudo graças a você.
— Você é gentil demais. Foram o apoio financeiro e a paixão que o senhor tinha pela Taiyo Construction que tornaram isso possível, Suzuki-san.
— Hahaha, agradeço por dizer isso. ...Ainda assim, é fato que dois dos candidatos que propusemos foram rejeitados. Eu esperava que todos fossem aprovados, mas as coisas nem sempre saem como planejamos, não é?
— Os dois que foram rejeitados tinham ligações próximas demais com o senhor. Eu avisei, não avisei? Independência é essencial para diretores externos. Até a empresa de consultoria apontou isso.
— Você tem razão... Aqueles dois estavam tão motivados que isso deixa um gosto agridoce.
Suzuki-san falou com um olhar arrependido. Então parecia que Takuma-san realmente tinha manipulado os bastidores de toda aquela situação. ...Era por isso que ele conseguia prever o resultado da assembleia de acionistas.
Eu já sabia que Takuma-san era incrível, mas talvez aquele tivesse sido o primeiro dia em que eu realmente vi o trabalho dele em ação.
— A propósito, Itsuki-kun. Se você fosse o presidente da Taiyo Construction, como teria lidado com essa situação?
— Ah...
Takuma-san lançou a pergunta de repente. Não consegui pensar em uma resposta imediatamente. Parecia um desafio injusto... mas então percebi Suzuki-san me observando com grande interesse.
Naquele instante, engoli minhas reclamações e me concentrei.
Coloque a cabeça para funcionar.
Aquele momento era absurdamente valioso. Eu tinha testemunhado uma assembleia de acionistas sem precedentes, e os dois principais responsáveis por aquilo estavam bem diante de mim, esperando ouvir minha resposta.
Talvez eu nunca mais tivesse uma oportunidade tão rara. Eu precisava aprender o máximo possível.
— Que tal emitir golden shares?
— Oh?
Quando apresentei minha resposta, fruto de muito esforço mental, Suzuki-san soltou um pequeno som de surpresa.
As golden shares, de forma simples, eram ações com autoridade extremamente poderosa. Quem as possuísse poderia até anular uma decisão tomada em uma assembleia de acionistas. Então, se a Taiyo Construction tivesse um acionista detentor de golden shares, talvez pudesse ter alterado o resultado daquela eleição do conselho.
— Se fossem emitir golden shares, haveria algo que precisariam fazer primeiro.
Takuma-san disse isso enquanto olhava para mim. Sustentei o olhar analítico dele sem desviar.
— Fechar o capital da empresa, certo? A Taiyo Construction estava listada no segmento Prime da Bolsa de Tóquio, mas a Bolsa de Valores de Tóquio basicamente não permite golden shares.
As golden shares eram como uma carta na manga, exercendo um poder imenso. Mas esse poder podia comprometer o princípio da igualdade entre acionistas previsto na legislação corporativa, então a Bolsa de Tóquio praticamente as proibia. Em termos simples, se alguém detivesse golden shares, isso dificultaria a participação dos demais acionistas na gestão, algo considerado prejudicial pela bolsa.
Por isso, para emitir golden shares, seria necessário fechar o capital da empresa — torná-la privada — e se livrar das restrições impostas pela Bolsa de Tóquio.
— Bem, você realmente estudou bastante.
Suzuki-san parecia impressionado.
— Takuma-san, ele é aluno da Academia Kiou, certo? O Management Game ensina tudo isso?
— Não, isso é mérito dele estudando por conta própria.
— Entendo... então ele realmente é seu discípulo prodígio.
Suzuki-san me observou como se eu fosse algo fascinante. Fiquei feliz por ter ido além de simplesmente vencer no Management Game. Se eu tivesse ficado obcecado apenas com vitórias, nunca teria adquirido esse tipo de conhecimento.
— Ah, preciso ir agora — Suzuki-san olhou para o relógio enquanto dizia isso. — Takuma-san, vamos marcar uma bebida qualquer dia desses! Claro, eu pago!
— Muito obrigado.
Takuma-san se curvou em agradecimento.
— Itsuki-kun, nos vemos por aí!
— Por aí?
Não consegui evitar repetir aquilo, e Suzuki-san me olhou confuso.
— Com o tanto que você está estudando, você também vai acabar entrando nesse mundo, não vai?
Por um breve instante, fiquei sem palavras. Mas então respirei fundo—
— Sim!!
Respondi em voz alta, e Suzuki-san riu enquanto se afastava. Takuma-san e eu permanecemos imóveis até que a figura dele desaparecesse de vista.
— Estávamos no meio da nossa conversa, não estávamos?
Assim que Suzuki-san saiu de vista, Takuma-san falou.
— Havia três coisas que eu queria que você entendesse, Itsuki-kun. A primeira era o ambiente de uma aquisição. A segunda era a existência dos acionistas. E a terceira era o meu trabalho.
O trabalho... de Takuma-san?
Pensando bem, qual era exatamente a profissão dele?
— Você provavelmente já percebeu por tudo isso, mas meu trabalho é dar suporte aos executivos. Ser a mão direita deles, por assim dizer. Eu identifico os problemas de uma empresa, proponho soluções e, se necessário, as executo.
De fato, naquela assembleia de acionistas, Takuma-san havia dito que reuniu todo aquele grupo de talentos. No mínimo, o trabalho dele não consistia apenas em jogar ideias ao vento.
— É um trabalho que exige conhecimento e experiência vastos, além de muita agilidade. Sou alguém que atua nos bastidores e raramente aparece sob os holofotes, mas o alto grau de liberdade e responsabilidade pode fazer de você um estrategista capaz de controlar o mundo dos negócios.
Takuma-san, manipulando os bastidores do Fundo Suzuki, estava sem dúvida na posição de um estrategista. Um jogador das sombras, mas ao mesmo tempo um mestre por trás do tabuleiro. A mão direita dos executivos e alguém que governava os negócios nos bastidores.
— As pessoas chamam esse trabalho de... consultor — dizendo isso, Takuma-san olhou diretamente para mim. — Itsuki-kun. É isso que você deve almejar.
◆
Depois da visita de campo com Takuma-san, voltei para a mansão da família Konohana. Após terminar minhas tarefas do Management Game, fiquei no meu quarto refletindo sobre tudo o que tinha vivido naquele dia. Quando percebi, já estava escuro lá fora. Enquanto fechava as cortinas, ouvi uma batida na porta.
— Com licença.
Shizune-san entrou no quarto.
— Trouxe uma coisinha para você.
— Obrigado….
Ela havia preparado chá para mim. Tomei um gole da xícara, e o aroma das ervas percorreu meu nariz. ...Eu era grato por aquilo. Quando precisava esfriar a cabeça e pensar, algo refrescante combinava melhor com meu estado de espírito do que algo doce.
— Shizune-san... você acha que eu tenho perfil para ser consultor?
— Tem.
Ela afirmou aquilo sem hesitar nem por um instante. Fiquei tão surpreso com a resposta imediata que pisquei, atônito.
— Você se lembra? Houve uma época em que você quase foi demitido como cuidador, Itsuki-san.
— Sim. Foi no começo do primeiro semestre.
Foi quando Hinako jantou com executivos de uma empresa de construção naval. Influenciada por mim, ela acabou cometendo uma quebra de etiqueta, e eu quase fui dispensado do cargo de cuidador para assumir a responsabilidade.
— Naquela época, você conseguiu permanecer porque Kagen-sama valorizou sua rede de contatos. Sua habilidade de criar conexões com as pessoas é inegável.
— Conexões, é...
— E ouvi dizer que você ajudou várias pessoas a alcançarem sucesso em M&As no Management Game. Isso é, sem dúvida, talento de um consultor.
Ela provavelmente estava falando de quando escolhi a empresa parceira de Tennouji-san. Eu nunca imaginei receber um reconhecimento tão direto pelo meu talento, então dei um sorriso torto para esconder o constrangimento.
— Onde você ouviu isso?
— Ojou-sama comentou. Ela disse que, ultimamente, você tem recebido muita atenção das garotas da classe e não consegue parar de sorrir.
— Isso é um mal-entendido.
Pelo visto, ela também tinha recebido algumas informações erradas junto com isso.
— Não cause muitos problemas para Ojou-sama, certo?
— Vou fazer o possível.
Ultimamente, se fosse para comparar, eu é que estava tendo mais problemas. Como aquele incidente no banho outro dia... ela não estava sendo influenciada demais por mangás shoujo?
— Você sente alguma resistência em seguir o caminho de consultor?
— Resistência exatamente não... é que eu sempre imaginei que trabalharia em algo relacionado à TI. Acho que estou um pouco abalado.
— Então que tal ser um consultor de TI?
Um consultor de TI?
— Existem vários tipos de consultores. Você pode tentar se tornar um especializado em TI.
— Entendo.
— Embora, com essa sua visão ampla, eu ache que conseguiria trabalhar em diversos campos.
Shizune-san parecia um pouco cética quanto à ideia de eu me limitar à consultoria de TI. Especializar-me em TI talvez deixasse meu futuro mais claro... mas não, isso seria apenas escolher o caminho mais fácil. Só porque eu tinha certa facilidade com TI não significava que deveria limitar meus horizontes.
— Que tipo de consultor o Takuma-san é?
— Pode-se dizer que ele é um consultor estratégico, mas é do tipo que não se encaixa perfeitamente em nenhuma categoria.
Parecia um modelo difícil de seguir. Mas, por outro lado, isso também significava que existiam consultores que não se limitavam a uma única forma de atuação.
Takuma-san parecia convencido de que eu escolheria o caminho da consultoria, mas, no fim, a decisão ainda era minha. Eu ainda tinha a opção de mergulhar de cabeça na área de TI.
Mas então me lembrei dos acontecimentos daquele dia.
Depois da assembleia de acionistas, eu tinha compartilhado minhas ideias sobre como a Taiyo Construction poderia ter sobrevivido, bem diante de Takuma-san e Suzuki-san.
E funcionou.
O conhecimento que eu havia acumulado com tanto esforço realmente se sustentou diante daqueles dois. Aquilo me deixou extremamente feliz. Tudo o que estudei conseguia se manter firme no mundo da consultoria. Agora que eu tinha essa certeza, comecei a sentir um interesse genuíno por aquele universo.
Além disso, Takuma-san havia chamado os consultores de "a mão direita dos executivos". Se eu pudesse ocupar essa posição, talvez conseguisse...
Apoiar Hinako.
Tennouji-san, Narika, Asahi-san, Taishou também. Talvez eu pudesse ficar lado a lado com as pessoas que me ajudaram e contribuir com os esforços delas. Essa sensação era, sem dúvida, minha maior motivação.
— Não estou dizendo isso porque concordo com as ideias de Takuma-sama, mas...
Depois dessa ressalva, Shizune-san continuou.
— Às vezes eu penso... que, se a empresa da minha família tivesse tido um grande consultor, talvez ela não tivesse falido.
No fim das férias de verão, Shizune-san havia me contado sobre o passado dela. A família dela administrava uma empresa de roupas fundada ainda na Era Meiji, que inclusive era listada na bolsa de valores. Mas a empresa acabou ruindo depois do estouro da bolha econômica, incapaz de acompanhar os novos tempos.
Entendo… O papel de um consultor era apoiar executivos. Então, se eu me tornasse um consultor, talvez pudesse salvar empresas como aquela.
...O quão atraente era isso?
Desde que entrei na Academia Kiou e testemunhei as enormes responsabilidades carregadas por herdeiras nobres como Hinako, eu achava que o máximo que podia fazer era aliviar parte do peso delas. Afinal, eu não tinha uma empresa. Não tinha capital. Não importava quão grandiosos fossem meus ideais, quando deixasse a academia e me tornasse um adulto trabalhador, eu não teria os recursos necessários para ajudá-las diretamente.
Mas, como consultor, eu poderia fazer isso. Eu poderia ajudar todos usando minhas próprias habilidades. E provavelmente da forma mais direta possível...
— Vou fazer isso….
Transformei em palavras a determinação que havia se acendido dentro do meu peito.
— Vou me tornar um consultor.
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