Volume 2

Bônus: A Compensação de Hinako

ALGUNS DIAS HAVIAM se passado desde o anúncio dos resultados das provas.

— Agora que penso nisso… eu prometi compensar você outro dia… — era final de semana. Eu havia chamado Hinako ao meu quarto. — Tem alguma coisa específica que você gostaria que eu fizesse?

— Hmm… — Hinako solta um murmúrio pensativo. — O que você e a Tennouji-san fizeram naquele dia, Itsuki?

— Fomos a um fliperama, jogamos boliche e depois cantamos no karaokê. Foi basicamente isso.

Enquanto eu explicava, Hinako estreitava levemente os olhos.

— Parece que… vocês se divertiram bastante.

— Bom, quer dizer… seria mentira dizer que não foi divertido.

Tive a sensação de que o humor de Hinako poderia piorar, então tentei medir melhor minhas palavras, mas dizer que não havia sido divertido também seria injusto com a Tennouji-san.

Como esperado, Hinako inflou as bochechas.

— Eu… quero ir também.

— Hã?

— Quero fazer… todas essas coisas…!

E assim, antes que eu percebesse, já estávamos no fliperama com Hinako. Claro, não estávamos sozinhos. Um pouco afastados, Shizune-san e os seguranças da família Konohana acompanhavam tudo à distância.

Comparada à Tennouji-san, Hinako tinha bem menos liberdade, o que era uma pena. Por outro lado, considerando a personalidade da Tennouji-san e a postura dos pais dela, dava para dizer que ela era a exceção.

— Certo, que tal começarmos por aquele jogo de corrida?

— Uhum.

Sentei-me ao lado de Hinako na máquina. Hoje, ela estava disfarçada, assim como a Tennouji-san havia estado antes. Ou seja, nada de modo ojou-sama — estava agindo mais como seu eu habitual. Com roupas simples e um chapéu de aba baixa, a Hinako de agora provavelmente passaria despercebida até mesmo pelos colegas da Academia, desde que não chegassem muito perto.

— Itsuki… em que lugar a Tennouji-san ficou nesse jogo?

— Em último, disparado.

Lembrei-me da Tennouji-san sendo atingida por uma banana na tela e reclamando que o jogo era mal-educado.

— Então… vou tentar ir melhor que isso.

O espírito competitivo de Hinako despertou de um jeito inesperado. Curioso, coloquei uma moeda de cem ienes e iniciei o jogo.

O resultado foi exatamente o que eu imaginava…

— Último lugar, hein.

— Mgh…

Terminando na mesma posição que a Tennouji-san, Hinako franziu os lábios.

— Mais uma vez.

Enquanto ela dizia isso, coloquei outra moeda e começamos novamente.

Mas—

— Mrrgh…

Hinako acabou em último lugar de novo. Tentamos várias vezes depois disso, mas talvez por não ter muito contato com videogames, ela teve dificuldade em se adaptar.

— E-Ei, que tal tentarmos outro jogo?

— Uhum.

Quando percebi, já havíamos passado mais de uma hora apenas no jogo de corrida. Em seguida, fomos para o Taiko no Tatsujin. Mas Hinako também não se saiu muito bem e levou game over rapidamente.

— Se fosse um taiko de verdade… eu seria bem melhor.

A Tennouji-san havia dito algo parecido… Será que tocar taiko japonês é uma atividade comum entre as ojou-samas da Academia Kiou?

— Ah, falando nisso, eu também joguei aquilo ali com a Tennouji-san.

Apontei para a mesa de hóquei aéreo. Hinako observou o disco branco à distância, inclinando a cabeça.

— Um porta-copos… da Seil?

Ela confundiu com um porta-copos de alguma marca de luxo. Provavelmente porque já tinha visto vários semelhantes na cozinha da mansão.

— No hóquei aéreo, a gente bate nisso de um lado para o outro para marcar pontos.

Expliquei as regras de forma simples, e começamos a partida.

— Certo!

— Mgh…

Depois de algumas rodadas, continuei vencendo. Mas os movimentos ainda desajeitados de Hinako começaram a ficar cada vez mais precisos—

— Acho que entendi.

No momento em que ela disse isso, Hinako passou a se mover com uma velocidade surpreendente. Ela fingiu atacar o disco, me confundiu e marcou um ponto de surpresa.

— O quê?!

— Eu ganhei… hehe.

Hinako abriu um sorriso satisfeito. Uma finta no hóquei aéreo? Isso era novidade… Pensando bem, Hinako sempre foi muito boa em esportes. Conhecida como a ojou-sama perfeita, ela se destacava tanto nos estudos quanto nas atividades físicas. Sua capacidade atlética realmente não era baixa.

— Itsuki… você viu isso? — disse Hinako, aproximando-se um pouco. — Eu sou… melhor que a Tennouji-san…

Com um ar levemente convencido, ela se encostou em mim, e logo sua respiração ficou calma e regular.

— Ela adormeceu.

— É raro a ojou-sama se envolver tanto assim em algo. Deve estar exausta.

Shizune-san, que havia se aproximado sem que eu percebesse, observava Hinako recostada.

— Vamos deixar o karaokê e o boliche para outro dia. Tudo bem para você, Itsuki-san?

— Ah, sim, sem problemas.

Apoiei Hinako com cuidado e a carreguei até a saída. Seu rosto trazia uma expressão tranquila e satisfeita.

Pessoas da alta sociedade provavelmente não têm muitas oportunidades de relaxar dessa forma. Talvez eu a convide para sair novamente algum dia, se ela quiser.

Pensando nisso… como será que a Narika está?

Ela é outra ojou-sama que tem certa familiaridade com a vida comum. Será que consegue relaxar sem dificuldades? Com esse pensamento em mente, deixei o fliperama junto com Hinako.

 


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