Volume 3
Interlúdio 2
── Algumas horas antes · Perspectiva da Presidente do Clube de Literatura ──
No fim das contas, eu não consegui dormir. Eu estava com medo de ver a reação ao minha novel.
Mas eu precisava olhar.
Com as mãos tremendo, conferi meu celular e abri a minha Página Pessoal.
A novel do Eiji-kun tinha alcançado uma contagem de visualizações de cinco dígitos só hoje.
O meu história… quase não tinha reação.
O total de visualizações estava em um único dígito.
Não havia nenhuma avaliação.
Havia apenas um comentário.
“Não é possível… a esse ponto…”
Eu nunca imaginei que a diferença se ampliaria tanto assim. Era verdade que o que fazia sucesso em web novels não era um gênero no qual eu fosse boa. Mas isso também valia para o Eiji-kun. Se a diferença aparecia de forma tão clara, então se resumia a uma questão de talento.
“Eu não quero aceitar isso, eu não quero aceitar. Não tem como eu aceitar isso. Não tem como a diferença entre nós ser tão grande assim!”
Talvez o comentário pudesse me salvar. Pensando isso, estendi a mão como se estivesse me agarrando a um fio, mesmo sabendo que ele levava ao inferno.
【Foi razoavelmente interessante. Mas pareceu um pouco formulaico. No momento, dentro do mesmo gênero, achei que soava como uma versão inferior da história do Eiji-san, que está perto do topo do ranking.】
“Até aqui, Aono Eiji! Até onde esse homem precisa estar acima de mim para ficar satisfeito!?”
Eu joguei um travesseiro no chão com toda a minha força.
Meu orgulho tinha sido completamente esmagado. Eu rasguei o certificado do concurso de redação de livros que havia vencido no verão passado. — Por quê, por quê eu não tinha talento? Eu amava novels a esse ponto. — Por que o Eiji-kun tinha justamente a única coisa que eu mais queria?
Ei, por quê!?

Mesmo quando eu tentava esmagar isso, não era esmagado.
Era realmente um sentimento distorcido. O ciúme, que havia se tornado espesso e lamacento dentro de mim, entrou em combustão.
No começo, ele tinha sido um kouhai fofo. Conforme eu lia o que ele escrevia, aos poucos comecei a gostar dele. Mas ele tinha uma namorada. E tinha um talento para escrever que superava o meu. Meus sentimentos já estavam completamente confusos.
Olhei para o espelho. Um rosto parecido com o de um zumbi me encarava de volta.
Cambaleando, troquei de roupa, vesti o uniforme e saí de casa. Não havia como eu tomar café da manhã. Mesmo que comesse, eu não achava que sentiria o gosto.
Quase inconscientemente, segui em direção à escola.
Quando estava prestes a virar uma esquina, vi Aono Eiji caminhando junto de uma garota mais nova. Ichijou Ai. — Então aquele rumor era verdade. Ela… é a pessoa de quem ele gosta?
Nenhum dos dois parecia me notar.
Falando em voz baixa, os dois conversavam animadamente.
“Eu acordei depois de uma noite, mas ainda não consigo acreditar.”
“Pois é, eu também estou muito chocado.”
“Pensar que alguém de uma editora entraria em contato com você.”
Uma editora?
Entrar em contato com ele?
O que significava…
Eu entendi a resposta imediatamente. Não — eu pensei que apenas estivesse tentando não pensar nisso. Desde a noite passada, essa possibilidade vinha permanecendo o tempo todo em um canto da minha mente. Mas, se aquilo se tornasse realidade, eu não conseguiria mais sustentar meu orgulho. Eu sabia disso, então empurrei esse pensamento para longe e tentei não pensar nele.
Por que você estava me impondo uma realidade tão cruel?
“Nãoooooo…!”
Dentro da minha cabeça, um outro eu chorava e gritava como uma criança. Tudo o que pude fazer foi impedir que minha postura desabasse.
Uma editora havia notado o gênio chamado Aono Eiji e entrado em contato com ele. Nesse ritmo, a estreia profissional dele seria decidida em breve. Eu podia ter certeza disso — porque eu era a pessoa que mais havia lido as obras dele até então.
Era como se eu estivesse observando o lançamento de um foguete muito acima de mim, como se eu não passasse de uma mera espectadora. Eu queria me tornar uma personagem de uma história, mas a realidade cruel não permitia nem mesmo isso.
Já estava completamente fora do meu alcance. Impotente, tudo o que eu podia fazer era observar aquele talento ir para cada vez mais longe.
Em outras palavras, eu teria que admitir a minha falta de talento. Todo esse tempo, eu vinha zombando de outras pessoas por não terem talento dentro do meu coração — e vinha fazendo a mesma coisa comigo mesma. Inconscientemente.
Perceber isso fez meu corpo esfriar.
Eu corri. Para a sala do clube de literatura. Tirei todos os meus manuscritos antigos da gaveta da mesa da presidente do clube. Centenas de páginas — a cristalização dos meus esforços. Eu os rasguei.
Os pedaços rasgados dançaram pelo ar e se espalharam pelo chão. Tudo o que eu tinha feito até então havia sido inútil. Eu não precisava mais de nada tão inútil assim. Comparado aos manuscritos de Aono Eiji, era tão vergonhoso que eu queria morrer. Desse jeito, eu não podia vencer. Não havia como eu vencer. E me aterrorizava o fato de eu ter escrito tudo isso sem sequer entender isso.
Então, deixando os pedaços espalhados, eu saí correndo da sala.
Não havia mais necessidade de assistir às aulas. Eu iria para casa e pensaria em uma forma de não encarar essa realidade. Estava tudo bem. Eu era boa em fazer planos assim.
“Eu preciso fugir… Se eu ficar aqui, não serei mais eu mesma. Eu vou ter que aceitar.”
Eu nunca o perdoaria. Aono Eiji.
Eu sai para fora da escola.
Sem sequer saber que aquele era o acesso à escadaria que levava ao desespero. Sem conseguir admitir que eu era uma tola que havia aberto a Caixa de Pandora, eu simplesmente caí.
Traduzido por Moonlight Valley
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