Interlúdio Vl 1
Interlúdio 4- Aine, a Enteada

Aine era uma uma garota adorável e curiosa, andava segurando o vestido esverdeado de Lady Ana Bael, perguntando sobre tudo que podia. Às vezes Ian respondia, às vezes era a própria Lady:
— E como é a princesa? — Finalmente questionou a pequena garota.
Os cabelos vermelhos da menina estavam soltos, pareciam brilhar enquanto andava ao lado dos dois:
— A princesa Eliassandra é… Complicada, não tente tocar nela sem permissão, ok? — Ian instruiu aquilo.
Estavam andando em direção aos fundos do castelo onde normalmente os soldados treinavam, a garotinha estava muito ansiosa, sempre quis ter uma irmã e quando seu pai faleceu, acho que nunca teria isso.
E seria irmã de uma princesa!
Seu coração estava palpitando de emoção enquanto ia feliz da vida com a Lady Ana Bael e seu novo irmão mais velho! Sim, já considerava Ian seu irmãozão.
Como seria a princesa? Será que ela era como aquelas de conto de fadas?
Toda delicada e graciosa, que tinha um sorriso doce e simpático.
Tinha certeza que a princesa Eliassandra seria tudo isso!
Caminharam pelo jardim interno, entre as roseiras, encontrando uma garotinha deitada na grama, lendo um livro com um coelho azul.
Ian até tentou conter a pequena criança, mas ela correu até até Eliassandra, parando na frente dela com aquele sorriso animado de sempre:
— Oi vossa alteza! Sou Aina! Filha da Lady Maeve!
Eliassandra piscou algumas vezes, encarando a menina com sua maior cara de paisagem, até ver seu irmão atrás da menina, vindo até as duas:
— Elia, querida, essa é a Aine, a filha da nova esposa do papai.
— O pai casou de novo?
Estava meio perdida, encarando a cena da menina de cabelos vermelhos lhe encarar com um sorrisão que parecia brilhar, não queria falar com ninguém, não estava afim de lidar com aquele bom humor no meio dos seus estudos.
Mas ela não tinha culpa.
Por isso a pequena garota viu a expressão da princesa se suavizar para algo mais perto da compreensão, aceitando a companhia dela:
— Vamos ser família, me chame de Eliassandra, apenas.
Ian sorriu aliviado, Lady Ana Bael soltou o ar quando perceberam que Eliassandra não tinha feito caso.
Para o príncipe do meio, era importante a presença de Aine, afinal sua irmãzinha não tinha mais nenhuma menina para lhe fazer companhia, talvez a Daphne, mas ela estava focada coma nova familia de seu pai.
Aquela menina talvez fosse o raio de sol que a vida de sua irmãzinha precisava:
— O que está lendo? Qual seu inseto favorito? Gosto de borboletas… Ah
— Um livro sobre circulação de mana, e eu nunca pensei no meu inseto favorito.
— Você combina com mariposas!
E logo a pequena garota começou a falar de tudo que podia.
Tudo que conseguia.
Eliassandra tentava quase em vão acompanhar, mas como ela falava!
Falava de sua mãe, suas amigas, seus gostos pessoais, até mesmo sobre sua dificuldade em fazer magia, mesmo sendo uma maga.
A pequena princesa piscava, tentando acompanhar tudo aquilo, meio incerta de tudo que a outra falava. Sua cabeça dava um nó!
“Como fala…” — Eliassandra concluiu após longos minutos caminhando com ela, ao lado dela, as vezes se perdendo nos seus pensamentos, encarando o jardim a sua frente, as vezes comentando sobre o que a menina falava.
As vezes sorria de algum comentário bobo que ela fazia.
Para Aine aquilo era a sua felicidade naquele dia, a princesa estava ali, lhe dando uma atenção que não sabia que poderia ter.
Eliassandra era um pouco diferente do que imaginava.
Ela não era gentil ou bondosa, não.
Mas era prestativa.
Dava uma atenção que nem mesmo sua mãe dava, era uma atenção genuína, prestando atenção de verdade no que ela falava, ou até mesmo fazia alguma pergunta sobre seus interesses.
A jovem princesa não sabia, mas tinha achado uma amiga que não poderia se livrar.
Com o passar dos dias, Aine começou a ser cada vez mais envolvida na família real.
E cada vez mais próxima à princesa Eliassandra.
Com o passar do ano, o casamento de sua mãe estava se aproximando, o que queria dizer que cada vez mais estava próxima de ser totalmente inserida dentro da família real.
Não apenas isso, tinha se tornado uma das pessoas mais próximas de Eliassandra, o que antes era apenas uma dupla, agora era um trio: Aine, sempre animada, Daphne, sempre tímida, e Eliassandra, sempre indiferente.
Três garotas que aos poucos estavam sendo conhecidas pelo palácio.
Mas era claro que algumas pessoas não gostariam daquela proximidade.
Eliassanda era conhecida como “A Princesa de Olhos Frios” não tinha qualquer outra amiga fora Daphne, e desde que Aine chegou a menina parecia ter mudado.
Não que sorrisos agora fossem mais comuns para ela, ainda tinha uma expressão séria e fechada, mas agora parecia que a garota de olhos bicolores estava mais sociável.
Do ponto de vista infantil aquilo não significava nada, do ponto de vista político era um grande problema! Afinal uma burguesa sem títulos estava cultivando uma proximidade perigosa com um dos membros da família real!
Por isso Aine era um alvo, mas sendo tão nova, nunca iria reparar naquilo, não até aquele momento.
Enquanto a pequena menina andava pelos corredores, já esperando para encontrar sua irmã postiça, não demorou para encontrar outras pessoas, crianças mais ou menos de sua idade que pareciam a esperar:
— Olha só se não é o novo animalzinho da princesa.
Aine já tinha ouvido falar aquele tipo de coisa, afinal não era tonta, era só animada.
Parou de andar para encarar as crianças ainda mantendo o sorriso largo e animado que apenas ela tinha:
— A Elia é minha irmã. — Disse simplesmente.
— Não, não é.
Uma das crianças, uma menina, se aproximou encarando Aine com desprezo, desprezo demais para uma criança tão pequena.
Já não gostavam da princesa Eliassandra e sua proteção com Daphne, estavam em busca de um novo alvo de bullying, e estavam vendo aquilo em Aine.
Diferente da loira, Aine não era nobre, apesar de ser, muito provavelmente, mais rica que todos aqueles garotos, ainda não tinha qualquer título, logo iria se intimidar fácil com aqueles nobres, ao menos aquilo pensavam:
— Você é apenas a filha da nova esposa do rei, você não é nada.
— Se está dizendo. — Aine cantarolou sorridente.
Aquelas falas da ruiva irritavam ainda mais as crianças, a menina, que parecia ser a líder daquela gangezinha avançou puxando Aine pelo vestido:
— Quem você pensa que é?
— Eu sou Aine, e você?
Aquilo foi suficiente para a menina acertar um belo tapa no rosto da ruiva, claro, ela achou que ficaria assim, até abriu a boca para falar, mas foi surpreendida por um tapa bem dado de Aine, fazendo a menina morder a língua e sangrar:
— Não sei o que pensou que ia acontecer. Eu ia te bater de volta.
Aine estava massageando o rosto no local atingido, sabia o que tinha feito, sabia que teria um problemão, mas no final, só sorriu:
— Bem, vou indo.
— Eu vou contar pra todos e…
— E quem vai acreditar em você? Sou o “animalzinho” da princesa Eliassandra, em quem você acha que eles vão acreditar? Em você com sua personalidade péssima, ou em mim que sempre estou sorrindo?
— Meus amigos vão falar que…
— Que amigos? — Aine interrompeu, apontando para trás da garota.
Ela arregalou os olhos ao se virar, nenhum de seus amigos ficou para defende-la, quando Aine reagiu todos correram em desespero, afinal não estavam esperando aquele tapa:
— Vou avisar o que vai acontecer. — Aine se aproximou sorrindo, usando os dedos para limpar o sangue do rosto da menina. — Você me deixa em paz e eu não conto pra Elia que você me bateu. Que tal?
Tudo aquilo era dito com uma voz infantil e divertida, como um grande jogo, e talvez para Aine era.
Eles erraram quando a subestimaram, crescer entre burgueses deu àquela pequena garota uma inteligência e habilidades fora do comum. Aine era astuta e esperta, precisou ser para sobreviver, e pensando bem precisaria para aqueles novos dias.
Gostava de Eliassandra, gostava do jeito que ela lhe tratava e parecia lhe escutar.
Era raro pessoas que escutavam suas longas histórias.
Mas acima de tudo, gostava da proteção que essa posição lhe dava.
A amiga da princesa Eliassandra.
A amiga da princesa de olhos frios, que já tinha ouvido falar que possuía tendências violentas.
Quem mexeria com ela? Bem, aquela garota que agora corria em prantos tentou mexer:
— Bobona.
Se virou para seguir seu caminho, dando de cara com Daphne.
Daphne, a amiga apagada de Eliassandra, enquanto a princesa chamava atenção por onde passava, Daphne era uma garota branca de cabelos loiros cor de palha que não chamava atenção.
Aine sorriu acenando para a amiga de sua irmã postiça, acenando com a mão:
— Oi, senhorita Daphne não é?
— Seu rosto…
Aine lembrou de seu rosto machucado, tocou com os dedos, agora com o sangue frio, sentia a dor, sua mãe iria lhe questionar por aquilo, que mãe não perguntaria?
— Ah tá tudo bem.
Sentiu o olhar de Daphne sobre si, seus ombros se encolheram com aquela encarada:
— Desculpa.
— Vem, vou cuidar desse rosto.
Aine não questionou, apenas seguiu, ter mais de um aliado era bom, e Daphne não parecia ruim.
Caminharam pelos corredores, em direção ao quarto da menina, não entendeu. Não seria melhor ir para a enfermaria? Mas quem questionaria? Não Aine aparentemente:
— Seu quarto é bonito.
— … Você enfrentou a Célia.
— Quem? Ah aquela menina? Não sabia o nome dela.
— Ela é uma garota popular no castelo e…
— E daí? É pra deixar ela me bater?
Aine ainda estava parada no meio do quarto, olhando ao redor de todo o local, o quarto de Daphne era cheio de livros, alguns estavam em cima da cama dela.
Observava a garota andar pelo quarto, percebendo o quanto Daphne era pequena, tinha quase o tamanho de Eliassandra, mas a princesa era mais nova que ambas, tinha oito anos e só.
Elas deveriam ter seus dez anos completos.
Mas a garota ruiva não falou nada.
Não queria ser chata.
Mas Daphne era pequena.
Viu a menina de cabelos loiro palha andar pelo quarto pegando sabe-se lá o que, e então apontou para uma cadeira, entendeu que era para sentar ali:
— Não é que… Ela faz o mesmo comigo… Ou tenta por que a Eliassandra não deixa mais… Como você faz isso?
— Me defender? Ah você fecha a mão e…
— Não assim! Como você não se sente mal…?
— Por não apanhar? Eu não.
Viu os ombros de Daphne se encolherem, falou algo errado? Não sabia.
Observou Daphne misturando algumas coisas até ter uma pastinha:
— Vou passar no seu rosto. — A garota loira avisou.
Aine passou as mãos pelos cabelos, prendendo para não atrapalhar. Era fresco, mas doía o toque, como não doer? Estava machucado! Inchado!
— Você é bem gentil. Você é a Daphne né? Sou a…
— Aine. Eu sei. — Daphne disse. — Agora fique calada, preciso terminar isso.
Aine se calou,a apenas encarando sua nova aliada? Talvez… Amiga? Não sabia, mas daquele dia em diante, Aine começou a ser uma pessoa constante na vida de Daphne, não apenas na dela, mas na de Eliassandra.
A princesa Eliassandra agora tinha uma sombra, sua dama de Companhia, Magda, e alguém que lhe arrastava para todos os lugares, puxando sua mão sem qualquer problema.
Não respeitava seu espaço pessoal ou coisa parecida, e não importava o quanto Eliassandra falasse, não tinha como fugir dela totalmente:
— Uma pulga. — Um dia Eliassandra falou. — Não, um piolho.
— Que? — Aine não entendeu.
Fazia uma coroa de flores para sua amiga, quando finalizou, colocou sobre a cabeça da princesa:
— Você é um piolho. Pequeno, irritante, grudou e não sai da minha cabeça.
Um silêncio se ergueu entre as duas, Eliassandra achou que finalmente tinha ofendido sua irmã postiça o suficiente para que ela lhe deixasse em paz, mas foi surpreendida pela cara de nojo de Aine:
— Eca, piolhenta. — Aine disse com a voz infantil.
— Você que é um piolho! — Eliassandra rebateu antes de rir.
Desistiu.
Não tinha como se livrar de Aine.


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