Interlúdio Vl 1
Interlúdio 1- Ian, o Príncipe

Ano 10 após o fim da Grande Guerra
Optar por ficar fora da escola durante as férias de final de ano e o aniversário de sua irmãzinha fez com que Ian perdesse suas férias, e para não ter reprovação, teria que ficar na academia nas suas férias.
Ao menos não estava sozinho, seu irmão estava na mesma situação, mas ele tinha alguém:
— Você não tem mais tempo pra mim, e isso é meio irritante. — Ian reclamava jogado na cama do irmão.
— Eu estou tendo tempo agora, mas você prefere reclamar. — Ferrer rebateu.
O príncipe mais velho estava de frente para o espelho, penteando os cabelos loiros que herdou da mãe, enquanto os de Ian eram ondulados e cheios, os de Ferrer eram lisos e sempre alinhados, agora chegavam pouco abaixo dos ombros:
— Vai continuar deixando crescer?
— Sim, gosto deles longos, tipo os do papai.
Ferrer não usava seu uniforme branco, apenas uma camisa acinzentada comum e calças leves pretas, se sentou ao lado do irmão na cama, mantendo o cabelo solto naquele dia fresco:
— Não sei se os meus ficam legais, não são lisos como os seus. — Ian fez bico.
Não era parecido com seu pai, era a versão masculina de sua mãe, mas tinha o porte mais largo de seu pai, os olhos avermelhados que dividia como irmão mais velho estavam focados no teto.
Ferrer que olhava para frente em silêncio, talvez ambos esperando que o outro começasse a falar:
— Ferrer… Eu sou um bom irmão?
O irmão mais velho encarou o mais novo com a maior cara de tacho que tinha, de tantas coisas ele… Por que?
— Antes de eu te responder… Qual o contexto da pergunta? — Ferrer questionou após respirar fundo.
Ian era uma pessoa meio burra as vezes, até hoje não reparou nos sentimentos claramente mais que amizade do meio elfo, então precisava de todas as variáveis para não falar algo que piorasse aquelas inseguranças do mais novo:
— Eu não acho que eu sou bom irmão.
— Por que?
— Sei lá.
Mais silêncio pela parte de Ferrer, dava para ver que estava indignado, mas no final soltou um suspiro se jogando na cama também:
— Você pode ser um chato, mas não pediria outro irmão diferente. — Ferrer disse finalmente. — Mesmo quando você estraga meus encontros.
— Quando eu estraguei um encontro seu!?
Ian se virou para o lado, olhando o rosto do irmão meio perdido e indignado por aquela acusação infundada:
— Lembra do Marco? — Ferrer começou a explicar.
— Ah sim, você tava passando tempo demais com ele, aí eu entrei no seu quarto quando ele estava lá e…
A fala foi morrendo enquanto o mais velho lhe encarava com um sorrisinho de lado, vendo o rosto de seu irmão mais novo ficar vermelho:
— Você gosta de garotos!? Mas e a Seraphs?!
— Eu só não me importo na verdade. — Voltou a olhar para o teto, com aquele rosto reflexivo que costumava ter quando falava algo muito sábio. — Se eu gosto de alguém, por que o gênero dela deveria ser um impedimento?
Ian ficou pensando sobre aquilo, nunca pensou que seu irmão mais velho iria ter gostos tão parecidos quanto os seus, mas ele ainda gostava de garotas, já Ian…
— Então você gosta mesmo da princesa elfa?
— Sim, assim como você gosta do meio elfo.
— É… Pera que? Como sabia?
Ferrer caiu na risada vendo o rosto de seu irmão ficar vermelho, tão vermelho quanto os olhos que compartilhavam, era mesmo engraçado o encher com aquilo, o mais novo jurava que ninguém tinha reparado?
— Está na cara, irmãozinho, só você que não reparou. Ao menos parece que não.
— Não é isso.
Ian se encolheu todo, fazendo bico, parece que discrição não era bem seu forte, bem, inteligência fora do campo de batalha não era seu forte:
— E se ele não gostar de mim? Eu não sei como os garotos se relacionam…
Ok, aquilo ao menos era uma preocupação válida, não tinham tanto contato com casais masculinos, seu pai mesmo tinha três esposas! Então…
— Por que não pergunta ao Gregory e ao Naitan? Eles são um casal bem antigo por aqui. Quem sabe eles te ajudem.
— Não é constrangedor?
— Constrangedor é você ficar babando por eles sem camisa na aula de forja.
— Ferrer! — Ian acertou o travesseiro no rosto de seu irmão.
— Não que eu julgue, eles são bonitos, mas você e os outros…
— Ferrer! — Avançou no irmão que caiu na risada mais ainda.
Ferrer amava seu irmão mais novo, adorava encher o saco dele como naquele momento, abraçou o mais novo, deixando ele perto de si um pouco mais:
— Vai lá, ao menos pode consertar sua espada.
— Ah verdade. Tinha esquecido completamente daquilo.
Claro que tinha esquecido, mas deveria mesmo ver os dois veteranos que já estavam tão perto de se formar, mas isso ficaria para depois. Suas mãos deslizaram pelo corpo do irmão, alcançando sua cintura e começando a cutuca-lo, arrancando risadas do mais velho:
— E-Ei! Golpe baixo I-Ian!
Fisicamente, Ian era mais forte que seu irmão, e naquele momento Ferrer estava indefeso completamente, rindo enquanto tentava empurrar seu irmão para longe de si!

Ian estava parado na frente da grande forja da academia, já tinha decidido o que iria fazer, mas mesmo assim ainda estava sem jeito.
Conseguia ouvir as vozes de seus veteranos ali dentro, respirou fundo e abriu as portas, sentindo o ar quente do local contra seu rosto, lá dentro seus dois veteranos estavam ali.
Naitan, o mais alto, tinha cabelos baixos e castanhos, pele branca, mas já mais bronzeada pelo calor da forja, era relativamente alto e ria de algo que o seu namorado falou.
Falando nele, Gregory, um garoto mais baixo, de cabelos negros e volumosos, os quais prendia com uma tiara prateada, falava qualquer bobagem, seus olhos bicolores de vermelho e azul focaram em Ian:
— Ian! Como você está? — Ele caminhou até o príncipe, mas não abraçou, o suor escorria pela pele também manchada pelo calor da forja.
Ian sentiu o rosto esquentar, com seus olhos seguindo algumas gotas de suor… Que coisa Ian! Eles são seus veteranos!
— B-Bem eu queria ajuda com minha espada, eu… Quebrei ela.
O rosto de Gregory ficou sombrio encarando Ian, enquanto Naitan segurou seus ombros e afastou o namorado do príncipe humano.
Naitan e Gregory eram dois meio elfos, ambos com orelhas pontudinhas e fofas que Ian achava charmosas demais:
— Bem, por que não faz a sua?
— Ah? Eu posso? — Ian ficou claramente surpreso pela proposta de Naitan.
— Sim, a gente te ajuda, você queria saber como faziam as espadas mágicas que usamos não é?
— Sim!
Mesmo que Naitan tenha falado espadas, o termo certo era “armas mágicas”, armas que um tipo específico de mago criava, um mago que era uma mistura de mago com alquimista, chamados de Artesãos.
Aquele era o tipo de magos que os dois eram, artesãos de armas!
— Pra que? Pra ele quebrar de novo?
— Gregory! — Naitan repreendeu o namorado. — Desculpa, ele é meio sensivel com armas quebradas. — Se desculpou com o príncipe.
— Tudo bem, entendo a raiva dele, mas vão mesmo me ensinar?
— Bem, sim, mas até onde acha que vamos?
— Como?
Naitan deu passos para trás, estendeu a mão para frente, Ian ficou meio confuso, era pra pegar? Não, não era, o martelo que o artesão mais alto usava veio voando para sua mão:
— Pera? O que? Isso é uma magia? — Ian já tinha visto outros magos fazerem isso, mas era algo avançado!
— Isso é uma habilidade básica de um artesão como eu, na hora da confecção podemos infundir nossa mana na criação e controlar ela.
— Não só isso. — Gregory parecia menos enfezado agora. — Observe.
Gregory estalou os dedos, um círculo mágico apareceu atrás dele e uma lança saiu, Ian conhecia aquela!
Ficou completamente boquiaberto com aquela cena, o garoto de olhos bicolores pegou a lança e girou na mão, sorrindo largamente com aquilo!
— Como…?
— Isso é mais uma coisa que podemos fazer. — Gregory estava claramente falando com soberba, afinal não era sempre que podiam falar disso.
Artesãos mágicos não era muito valorizados, na verdade eram vistos como uma subcategoria de magos, que não conseguiam manifestar sua magia por si só, e apenas por meio de armas, o que era uma mentira deslavada.
Já tinha visto tanto Gregory quanto Naitan lutando, Naitan com sua magia elemental do tipo terra e metal que conseguia ser incrivelmente versátil em luta, e Gregory com uma magia única de fogo que evoluiu para lava, dando a ele até mesmo uma resistência absurda ao calor.
Mesmo antes de seguirem essa linha de atuação eram uma dupla, o que lhe deixava curioso.
Quando entrou, com seus dez anos, Naitan e Gregory tinham por volta de treze ano, e céus, como brigavam, presenciou muitas vezes aqueles dois saindo no soco por motivo mais bobos possíveis.
Até que um dia só pararam, e pouco tempo depois apareceram de mãos dadas e se tornaram um dos casais mais populares da escola, para a infelicidade das garotas que tinham uma queda por eles, mesmo que tivessem dito que não gostavam estritamente de garotos.
Aquilo lembrou um dos motivos que estava ali, vendo aqueles dois implicarem um com um outro, mas ainda sim… A mão de Naitan estava na cintura do namorado enquanto falava que o menor estava se exibindo:
— Não acredite em tudo que ele fala, para criar um pequeno espaço assim requer uma prática invejavel, Greg que é muito bom. — Naitan disse.
— Você consegue controlar mais de três armas por vez, eu que deveria ter inveja de você. — Gregory rebateu.
Mas a mente do príncipe estava longe, aqueles dois tinham apelidos entre eles, se tratavam com um carinho que via em seu pai e suas esposas, sua mãe! Eram sorrisos cúmplices e olhares apaixonados, nunca iria admitir… Mas sentiu uma inveja enorme daqueles dois.
Viviam seu amor sem medo dos julgamentos dos outros, poderiam viver isso, tinham certeza um do outro, ele não.
E se seu amor não fosse de verdade? Não fosse correspondido? Não sabia como seu pobre coraçãozinho ficaria se fosse rejeitado!
Pior!
Como ficaria a relação entre os dois se fosse rejeitado, e se tivesse ressentimentos de seu amigo? E se ele se afastasse?
— Ei, Ian, você ‘tá bem?
Gregory chamou, pisando nas chamas que começaram a brotar ao redor do mais humano para apaga-las.
Fogo era um elemento fortemente ligado as emoções do garoto, claro que sentir demais iria resultar em coisas assim, o que pessoalmente o artesão de olhos bicolores achava muito fofo, mas não falaria.
Vai que tocasse fogo na forja!
— Sim, eu estou, eu… Quando podemos começar? — Tentou mudar se assunto.
Mas tudo que recebeu foi uma mão no ombro, mesmo por baixo do uniforme, sentia o calor afetuoso da mão daquele garoto que olhava em seus olhos com um sorriso afetuoso:
— Olha, ter a mente livre de preocupações também é algo importante nesse ofício, ou pode passar isso para sua arma. — Instruiu. — Não sei do que se trata suas pendências mas…
— Como souberam? — Ian atropelou a fala de Gregory.
— Oi? Como soube de que? — O garoto de olhos bicolores não entendeu de imediato.
— Que… Se gostavam. Por que só não faz sentido! Vocês… Brigavam e tudo. — Ian falava sem jeito com o rosto vermelho.
Naitan riu.
Realmente riu, curvando seu corpo pra frente enquanto gargalhava, o que deixou Ian ainda mais sem graça, mas a risada não era pra ele, era pra Gregory que estava ainda mais sem jeito e vermelho que Ian:
— Vai Greg, conta a ele como foi. — Falava entre risadas.
— Cara você vai dormir na sua cama hoje! Que saco!
— Foi fofo!
Uma pequena discussão iria começar, mas por Ian estar ali, ambos se seguraram, Naitan ofegante da risada, Gregory limpando a garganta, ainda com as bochechas coradas, mas ao menos meio sem jeito:
— Eu sempre soube que gostava do Naitan. — Confessou.
— E por que vocês brigavam tanto? — Ian estava confuso.
Gregory não parecia mesmo demonstrar tal coisa, nunca, e agora tinha aquela confissão que ele sempre foi afim do Naitan?
— Porque tínhamos doze anos, Ian, é meio complicado saber o que pensar sobre amor com doze anos. — Deu uma risada daquilo. — Sentir raiva e estar apaixonado, sabia?
Aquelas palavras pareceram ressoar mais dentro do peito do jovem príncipe, mas olhou em direção a Naitan:
— Eu descobri um ano depois. — Riu. — Ai eu comecei a achar muito fofo ele irritado comigo, eu provocava.
— Mas como acabaram juntos?
Entendeu por cima que eles se gostavam, mas brigavam para um senhor caramba, e agora estavam ali! Se amando como um casal lindo de namorados, um casal modelo que parecia que nunca iria acabar:
— Essa é uma história engraçada… Quer falar, Gregory?
— Vai te ferrar! Enfim, estávamos brigando…
— Não não, você não sabe contar.
Naitan deu dois chutinhos no chão, dois bancos de pedra surgiram, um deles derrubando Gregory que sentou emburradinho:
— Era um dia ensolarado, e eu estava muito animado para ver a minha abelhinha favorita…
— Naitan!
— Fica na tua, eu ‘tô contando.
Gregory cruzou os braços emburrado, na verdade era mais indignado com aquela situação toda:
— Então como todo dia, Gregory brigou comigo, a gente começou a brigar, a briga foi escalando, um pouco mais que queria… — Ele fazia gestos ao contar a história, atrás dele, seu namorado começou a imitar. — Ele me xingou muito, nossa, quanto ele me xingou tanto naquele dia, eu perdi completamente a paciência também, e xinguei de volta.
“Brigamos aos gritos, nem sei como não partimos um pra cima do outro. Talvez por que ele nunca me bateria, afinal ele sempre foi afim de mim…”
Gregory parou de mover os braços quando seu namorado lhe encarou, fingindo ainda estava emburrado:
— Continuando… Aos berros, o meu querido Gregory solta: Por que caralhos eu fui me apaixonar por um otário como você?!
— Eu falei gostar! — Gregory se defendeu.
Ian estava muito focado naquela história de amor que não sabia, finalmente fazia sentido:
— E ai? — Ian incentivou.
— Ai eu beijei ele. — Naitan sorriu orgulhoso. — E agora estamos namorando e quase nos formando, né amor? — Olhou todo feliz pro namorado.
Mesmo outrora, Gregory estava com uma raiva abismal e todo sem jeito, agora tinha um sorriso bobo nos lábios, olhando seu namorado com aquele carinho especial:
— É sim, querido.
Ian parecia ter ganhado um gás a mais, sabendo o que deveria fazer agora, precisava mesmo fazer algo em relação aos próprios sentimentos:
— Obrigado veteranos! — Se levantou do banquinho de pedra improvisado com um sorriso nos lábios. — Eu já sei o que fazer agora!
Saiu correndo da forja, deixando os dois sozinhos ali em risadas divertidas:
— Sabe, eu bem que queria refazer aquele dia que você se declarou pra mim. — Naitan comentou, abraçando o pescoço de Gregory.
— Quer que eu te xingue? — Gregory riu abraçando a cintura de Naitan.
— Não, vamos pular pro beijo…
A porta a forja se abriu com força de novo, fazendo os dois se afastarem num pulo quando Ian apareceu mais uma vez:
— Me emprestam uma espada?
— Ninguém sabe mais bater numa porta não? — Greg reclamou.

De tudo que imaginou que iria acontecer quando Ian o chamasse para sair, uma luta não estava nos planos de Elberony.
Definitivamente não.
Estavam numa das arenas feitas para lutas da academia, olhando o seu amigo e paixão girar a espada treinando o balanço:
— Me diz aí, estamos brigando ou…?
— É algo amistoso, calma.
Ian riu alongando o corpo para começar a lutar, o meio elfo estava levemente irritado, como ele poderia ser tão tonto? Não queria pensar nisso. Talvez só tenha entendido errado aqueles atos, que queria apenas amizade.
Era a vida, não é?
Sacou sua rapieira, entrando em posição de combate, olhando seu adversário e amigo.
Sua mão estava nas costas, como uma posição de luta nobre, coluna ereta e não tinha aberturas visiveis:
— Você primeiro. — Ian falou.
Com sua espada de duas mãos emprestadas, olhando fixamente para o meio elfo de pele negra.
Algo que Elberony tinha acima de de Ian era a velocidade, concentrando sua mana nos pés avançou em alta velocidade contra Ian, qualquer outro teria sido derrotado ali.
Mas Ian não.
Sua espada emprestada interceptou a rapieira de Elberony, começaram a trocar golpes rápidos que faziam o meio elfo recuar um pouco.
Ian era um gênio.
E isso poderia ser visto na diferença entre os dois, mesmo com uma arma emprestada, mesmo dando o primeiro movimento, o meio elfo estava sendo completamente pressionado, recuando passos.
Ian deu um passo para trás, com a espada apontada para para seu adversário e voltou a avançar com uma estocada firme contra ele, Elby não teve escolha a não ser desviar ou seria atingido, dando passos rápidos para o lado e tentando flanquear seu amigo, coisa que não deu certo.
Ian se virou com a espada pronta para a defesa, impedindo o golpe direto e voltando àquela disputa de forças que só eles dois tinham, Ian com um sorriso entusiasmado e Elberony com certa raiva.
Aquele sorriso estava lhe irritando, como poderia estar feliz com aquilo?!
— Por que? — Perguntou finalmente quando foi empurrado para trás.
— Por que o que? — Ian voltou a avançar.
Elberony tentou redirecionar a espada, mas além de sua arma não ser feita para tal, era mais fraco que seu amigo, o que resultou nele sendo desarmado.
Ian não perdeu tempo.
Avançou contra ele mais uma vez, o meio elfo fechou os olhos, esperando o golpe certeiro, Ian soltou a espada no caminho, suas mãos seguraram o rosto de Elberony quando chegou perto o suficiente e seus lábios capturaram os outro.
A cara do meio elfo foi impagável, parado ali, sem entender o que estava acontecendo, até os lábios se distanciarem:
— … Por que? — Finalmente conseguiu falar após alguns segundos.
— Eu gosto de você Elby, eu gosto muito de você e eu não consigo mais imaginar meus dias sem dizer isso, estava me sufocando…
E como sempre o garoto começou a despejar palavras muito rápido como sempre fazia quando nervoso, movendo as mãos, com o rosto vermelho.
Elberony ficou encarando ele, ouvindo falar, falar, falar. Até que segurou o queixo de Ian, calando sua boca com um beijo doce:
— Você fala demais, humano.
— Você que me deixa assim, mestiço.
Ambos agora sorriam, com aquele olhar bobo e apaixonado, o mesmo que Ian sempre via em seus pais, em Naitan e Gregory.
Ele finalmente conseguia o ter e entender:
— Eu também gosto de você, Ian. Gosto muito de você.
E segurou o rosto de Ian mais uma vez, selando os lábios nos dele mais uma vez, um beijo meio desajeitado, porque vejam bem, esse era o primeiro beijo do príncipe humano, estava aprendendo naquele momento:
— Por favor… — Elberony interrompeu o beijo. — Quando quiser me contar algo que não seja com uma espada na mão, é meio assustador.
— Pareceu uma boa ideia na hora… — Ian riu.
— De fato, não pensaria nada diferente de você, humano.
— Talvez devesse planejar nosso pedido de namoro. — Brincou.
— Oh deuses, não, eu faço isso, de um jeito menos intenso.
A conversa continuava, ocasionalmente beijando-se, aos poucos Ian ia pegando o jeito da coisa, ficando menos desengonçado.
Ao longe, observando todo aquele amor juvenil estava Ferrer, observando a felicidade do irmão mais novo com um sorriso, não poderia estar mais feliz por ele:
— Finalmente se resolveu.
O príncipe de cabelos loiros saiu de seu esconderijo, estava genuinamente feliz pelo seu irmão, quem sabe assim ele largava a mão da possessividade que tinha, especialmente antes de Elia ter qualquer tipo de relacionamento romântico.
Andava pelos corredores, olhando as flores pequenas que cresciam por ali, sorria como aquilo lembrava sua princesa, talvez… Devesse ligar para ela pela bola de cristal mais tarde.

Elberony e Ian

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