Volume 3
Capítulo 7: Seja bem-vinda à família, Haruka
— Não acredito que isso está acontecendo...
Eu estava sentada à mesa da nossa sala com a Shijoin-san e a Kanako. As coisas finalmente tinham se acalmado depois do caos no banheiro. Conseguimos que todos se trocassem e se acomodassem, mas mesmo depois de ouvir toda a história, eu ainda estava tendo dificuldade para assimilar tudo o que acabara de acontecer.
— Você correu na chuva só para ajudar a Kanako... Muito obrigada, Shijoin-san. Kanako, agradeça a ela novamente também.
— Claro! Obrigada, Haruka-chan!
— O-O quê?! P-Por favor, não se curvem assim para mim! Eu só peguei uma carteira!
Kanako e eu abaixamos a cabeça em sinal de gratidão, deixando Shijoin-san nervosa. Ela gesticulou com as mãos em pânico.
Uau, Kanako... Você a conheceu hoje e já está chamando-a de “Haruka-chan” como se fossem melhores amigas? Quer dizer, Shijoin-san não parece se importar, mas mesmo assim...
— Além disso... sobre o que aconteceu no banheiro. Sinto muito... Kanako e eu não estávamos prestando atenção e as coisas saíram do controle...
— N-Não, foi um acidente... E, hm, s-sinto muito por ter mostrado algo tão... inapropriado...
Seu pedido de desculpas tímido fez com que toda a cena voltasse à minha mente. A pele impecável e branca como a neve de Shijoin-san. A garota que eu amava mais do que qualquer outra pessoa no mundo... ali parada, vestindo nada além de uma blusa fina e sua calcinha. Não foi apenas excitante. Foi hipnotizante. Quase divino, como contemplar uma deusa. Aquela imagem ficou gravada na minha memória.
E o que torna tudo ainda mais inesquecível é o fato de ela estar usando minha camisa.
As bochechas de Shijoin-san ficaram vermelhas, como se ela também estivesse se lembrando disso. Vê-la assim, enrolada na minha camisa e abraçando os ombros com força, despertou algo dentro de mim. Sua pele recém-banhada ainda apresentava um leve rubor, e a ideia dela roçando na minha camisa fez meu coração acelerar.
As palavras de Kanako ecoaram na minha cabeça:
“Hehe, conseguimos encontrar uma das saias da mãe, mas tivemos que usar a sua camisa como blusa, já que, você sabe... o peito dela é um pouco... grande demais, né?”
— E-eu sinto muito... por tudo...
— É, sinto muito mesmo, Haruka-chan — disse Kanako e, então, ela acrescentou — Mas, sinceramente, não há nada do que se envergonhar. Sua pele é linda! A maioria das pessoas provavelmente pagaria uma fortuna só para vê-la.
— Kanako! Não diga coisas assim! — sussurrei.
Como ela pôde simplesmente soltar isso tão casualmente? Dá um tom mais moderado na frente da nossa convidada!
— Tudo bem, sério. — disse Shijoin-san com um sorriso — Na verdade... me sinto meio aliviada.
— Hã?
— Isso pode parecer um pouco estranho, mas estou muito feliz em te ver de novo, Niihama-kun. — disse ela — Sinceramente, eu meio que esperava que a gente se encontrasse de novo em breve.
— O quê... sério!?
Os olhos de Kanako se arregalaram de surpresa com as palavras de Shijoin-san.
O que é essa reação dela?
— Ah, bem, eu também esperava te ver — respondi, sentindo minhas bochechas corarem — Já faz um tempo que não conversamos pessoalmente, em vez de só trocar mensagens.
— Espere... o quê!?
Vê-la novamente deixou tudo claro. Meu coração estava praticamente voando. Parecia que minhas baterias emocionais tinham acabado de ser totalmente recarregadas. Só de estar perto da Shijoin-san era como mergulhar em energia pura e curativa.
Mas, falando sério, o que há de errado com a Kanako?
— E-Ei, Aniki! — ela sussurrou, agarrando meu ombro e me puxando para o lado — O-O que foi aquilo agora!? Vocês dois estavam jogando lá um “queria te ver” como se não fosse nada! É exatamente assim que os casais conversam! Quando você conquistou a Shijoin-san!?
— Uh... não. Acho que só me acostumei com isso. Mas as palavras dela foram totalmente amigáveis. Não tem nada de romântico nisso.
— Hã!? Você tá falando sério!? Isso é algo que amigos deveriam dizer!? Quer dizer, claro, já ouvi dizer que ela é meio distraída, mas vamos lá — tem que ter um limite, né!?
— É, bem... provavelmente sou o único cara de quem ela é próxima o suficiente para ter esse tipo de reação. Nesse sentido, acho que é especial. Pena que não tem um filtro em forma de coração junto, porém.
A inocência natural da Shijoin-san era como uma parede impenetrável, mantendo os rapazes à distância. Eu ainda estava tentando romper essa barreira. Sabia com certeza que estávamos nos aproximando, então não podia me dar ao luxo de apressar as coisas.
— A propósito, cada palavra que digo para a Shijoin-san está praticamente decorada com corações.
— É, eu sei! Acredita, eu sei! Não precisa ficar esfregando isso na minha cara! — Kanako me lançou um olhar severo.
Ok, talvez eu tenha falado um pouco demais sobre meus sentimentos pela Shijoin-san na frente dela.
— Ahaha, desculpa por ter cochichado às escondidas, Haruka-chan! — disse ela de repente — Eu só estava pedindo desculpas pro meu irmão por ter contado sem querer que ele fica sempre falando de você em casa!
O-O QUÊ!? Sua traidora! O quanto do que eu disse você contou!? E como ousa agir tão naturalmente sobre isso enquanto diz que sente muito!?
— Ah, sério? — disse Shijoin-san, corando — Quando Kanako-chan me contou sobre isso, fiquei feliz e envergonhada ao mesmo tempo... Hm, Niihama-kun?
— S-Sim!?
— Por favor, não conte muitas coisas embaraçosas sobre mim para a Kanako-chan, tá? Pode parecer bobo, mas... eu quero ser vista como uma figura de irmã mais velha confiável.
Uh... espera aí. Qual parte do que eu disse conta como “coisas embaraçosas” exatamente!?
Eu falei tanto com a Kanako sobre a Shijoin-san que nem consigo identificar a qual história ela pode estar se referindo.
— Mas, bem... eu falo muito de você em casa também, Niihama-kun, — ela acrescentou — então acho que não posso dizer nada...
— E-Espere, sério!? Que tipo de coisas você fala sobre mim!?
— Fufu, tantas coisas! — ela respondeu com um sorriso — Como o quanto você é incrível, como você me ajudou, ou sobre o que conversamos naquele dia. Eu poderia ficar falando sem parar!
Kanako se inclinou para mais perto, os olhos brilhando de curiosidade, enquanto Shijoin-san, por algum motivo, parecia mais alegre do que nunca.
Sério... como essas duas ficaram tão ridiculamente próximas em tão pouco tempo!?
— Mas... toda vez que eu falo de você, meu pai de repente faz uma cara como se tivesse mordido um limão e então começa a tremer como se estivesse tentando conter algo.
Como era de se esperar, toda vez que ela menciona meu nome, o medidor de irritação do Tokimune-san dispara.
Pare com isso, por favor! Agradeço por você falar de mim, mas não aumente ainda mais o nível de explosão dele!
— Ahahahahahaha! Haruka-chan, seu pai é hilário! — Kanako riu — Ele parece super nervoso. Boa sorte com isso, Aniki, você está por conta própria!
— Pare de rir, sua pirralha!
Ela está se divertindo demais com isso! Enquanto isso, estou suando frio só de lembrar daquele interrogatório de alta pressão pelo qual o Tokimune-san me fez passar. Não tinha nada de engraçado nisso!
— Mesmo assim, Kanako-chan, você realmente ama seu irmão, não é? — disse Shijoin-san.
— H-Hã?!
Shijoin-san sorriu gentilmente, com uma expressão calorosa. Kanako, que estava rindo momentos antes, congelou, pega de surpresa.
— Vocês dois parecem tão felizes sempre que estão juntos — comentou Shijoin-san — É muito claro o quanto vocês são próximos como irmãos.
— O quê!? — Kanako gaguejou, pega de surpresa.
Isso é raro… Ver Kanako sem palavras assim.
— I-Isso não é verdade! — gaguejou Kanako, com as bochechas levemente avermelhadas — E não faça parecer que eu sou algum tipo de brocon!
— Sério? — Shijoin-san inclinou a cabeça, com um brilho travesso nos olhos — Mas há pouco, quando você estava falando sobre o Niihama-kun no banho, parecia bem animada…
O rosto de Kanako ficou vermelho.
— O-o-o quê!? Aaaah! Chega! Fim da discussão! Eu disse que encerramos esse assunto!
Ela gesticulou com os braços, tentando desesperadamente encerrar a conversa com um beicinho.
Incrível… Kanako está realmente corando e sem palavras?
Fiquei maravilhado com o charme natural de Shijoin-san. Suas palavras sinceras pareciam refletir a verdade de volta para Kanako, tornando impossível para ela argumentar.
— Hehe, Kanako-chan fica tão fofa quando fica envergonhada — Shijoin-san deu uma risadinha — Niihama-kun, estou com inveja de você.
Seu elogio repentino me pegou de surpresa, e não pude deixar de concordar.
— É mesmo, né? Ela nem sempre respeita o irmão mais velho, mas tenho orgulho de tê-la como minha irmãzinha.
Kanako, ainda fazendo beicinho com o rosto virado para o lado, só fez com que eu e Shijoin-san sorríssemos.
— O-O-O QUÊ!? — ela finalmente exclamou, girando para ficar de frente para nós — O que é essa bobagem de repente, seu irmão mais velho idiota!?
Sua voz nervosa só fez com que eu e Shijoin-san ríssemos ainda mais, o que, a julgar pelo rubor cada vez mais intenso em seu rosto, só a deixou ainda mais nervosa.
— O quê? — eu ri — Estou falando sério. Você é minha irmãzinha querida, sabia?
— Ugh! Não acredito que você está me olhando assim, com esse sorriso presunçoso…
Haha, deixa eu te provocar só dessa vez.
— B-Bem… quer dizer, como irmãos, acho que dá pra gente se dar bem… — murmurou Kanako, com a voz cada vez mais fraca — Mas não é como se eu realmente quisesse que meu irmão mais velho ficasse me mimando ou algo assim! Ei, Parem de me olhar assim! Vocês dois!
Antes que alguém pudesse responder, a atmosfera tranquila foi quebrada pelo som de pneus espirrando água e pelo barulho de um motor de carro se aproximando.
— Ah… parece que nossa mãe voltou.
Era férias de verão para nós, estudantes, mas minha mãe, uma adulta que trabalha em tempo integral, teve que trabalhar hoje como de costume.
Esta manhã, antes de sair, mãe disse “Vocês, crianças, têm tanta sorte de ter férias de verão…” e agora que estou vivendo minha segunda vida, entendo perfeitamente como ela se sente.
Os adultos não têm férias de verão. Nem férias de primavera. Nem férias de inverno. É por isso que os adultos que trabalham invejam os estudantes que podem aproveitar livremente seus verões e anseiam por férias que só terão quando se aposentarem.
Claro, até os adultos têm algumas folgas. A maioria das empresas dá pelo menos alguns dias de folga por volta do Obon, certo?
Por outro lado, pensando bem, a empresa exploradora para a qual eu trabalhava como escravo nem sequer consideraria algo assim.
Suspirei, com a lembrança amarga pairando no ar enquanto meu olhar vagava sem rumo. Eu estava tão perdido em pensamentos sobre minha antiga miséria corporativa que mal percebi o som da porta da frente se abrindo, seguido pelo barulho familiar de passos se aproximando da sala de estar.
— Cheguei! Nossa, a chuva está uma loucura lá fora!
Minha mãe apareceu, enxugando as gotas do cabelo com um lenço. Ela não tinha uma aparência tão jovem quanto a mãe do Shijoin-san, a Akiko-san, mas ainda parecia jovem demais para ter um filho no ensino médio. Seu cabelo curto e ondulado estava bem arrumado, e era claro que ela não negligenciava sua rotina de maquiagem e cuidados com a pele. Ela era a típica mulher de carreira.
Por natureza, minha mãe era uma pessoa alegre e otimista. Desde que não tivesse que ver seu filho idiota sendo devorado e cuspido por uma empresa exploradora, ela tinha todas as chances de levar uma vida feliz e despreocupada.
— Bem-vinda, mãe! Você voltou cedo hoje.
— É, a chuva só piorava, então decidi voltar para casa um pouco mais cedo… Oh?
Foi então que minha mãe finalmente percebeu a presença da Sra. Shijoin. Seus olhos se arregalaram de surpresa.
— Ah, desculpe-me por me intrometer! — a Shijoin rapidamente se levantou e fez uma reverência, com uma postura impecável e elegante.
— Ah, hm… você é amiga da Kanako?
— Não, na verdade, sou amiga do Niihama-kun... do Shinichiro-kun. Meu nome é Haruka Shijoin. É um prazer conhecê-la!
— Oh! Que educada você é… Sou a mãe do Shinichiro, Mika Niihama… Espere, você é amiga dele? — os olhos da minha mãe alternavam entre nós, sua expressão ainda cheia de descrença.
— E-Ei, Shinichiro! O que está acontecendo aqui!? Essa garota é bonita demais para ser sua amiga!
— O que diabos você quer dizer com isso!?
Claro, eu admito que ela está muito acima de mim. É como comparar a lua a uma tartaruga de lama, mas mesmo assim!
— M-Mas, falando sério, o que está acontecendo aqui? Essa garota ridiculamente fofa é sua amiga? E espere, ela está usando sua camisa? O-O quê!?
Oh, não.
Dada a situação e, mais importante ainda, o fato de que Shijoin-san é uma garota incrivelmente linda, minha mãe estava entrando em pânico total.
— Bem, quer dizer, da perspectiva da minha mãe, é basicamente “Cheguei em casa um dia e descobri que meu filho taciturno tinha trazido para casa uma beleza digna de princesa”. Certo?
— Taciturno é exagero, seu pirralho!
Além disso, só para constar, foi você quem a trouxe aqui. Não fui eu! Ainda assim, ver a Shijoin-san depois de tanto tempo me fez pensar baixinho:
Bom trabalho, irmãzinha! Muito bem.
— Tudo bem, tudo bem. Acalme-se, mãe. Vou explicar tudo. Acabei de ouvir os detalhes da própria Kanako…
Enquanto começava a explicar a situação para minha mãe, claramente impressionada, que parecia não conseguir processar como seu filho conseguiu trazer para casa alguém como a Shijoin-san, certifiquei-me de cobrir todos os detalhes.
— Eu… entendo! Meu Deus, muito obrigada!
Quando terminei de contar como a Shijoin-san se esforçou para devolver a carteira perdida da Kanako e os eventos que se seguiram, minha mãe se curvou repetidamente diante dela em sinal de gratidão.
— P-Por favor, não precisa se curvar assim!
Shijoin-san, claramente nervosa, acenou com as mãos em protesto. Suas bochechas ficaram levemente rosadas enquanto ela recuava um passo.
— Tanto o Shinichiro-kun quanto a Kanako-chan já me agradeceram bastante! Sou eu quem deveria pedir desculpas por causar tanto alvoroço…
Ela parecia genuinamente incomodada com toda aquela gratidão, como se correr na chuva atrás de uma desconhecida fosse algo que qualquer pessoa faria naturalmente.
Mesmo assim… ouvi-la me chamar de “Shinichiro-kun” daquele jeito é incrível... Meu coração parecia estar flutuando.
Claro, ela me chamou assim porque havia três Niihamas na sala, mas a maneira como ela disse meu nome deixou minha mente a mil. E, antes que eu percebesse, eu estava sonhando acordado.
— Shinichiro-kun!
— Sim? O que foi, Haruka-san?
— Hehe, nada. Só tive vontade de dizer seu nome.
Sim... Aquela cena clássica! A Shijoin-san conseguiria fazer isso com perfeição.
Justamente quando meus pensamentos estavam se deixando levar, Kanako se inclinou e sussurrou:
— Sua cara está nojenta, Aniki.
Suas palavras diretas estouraram minha bolha e me trouxeram de volta à realidade.
Droga. Eu devo ter ficado tão feliz por ver a Shijoin-san de novo que perdi totalmente a compostura.
— Quero dizer, sério, ela é tão fofa que estou completamente chocado... Espera aí. Shijoin-san? Não me diga que ela é a garota de quem você tem falado, Shinichiro! O-O quê? Ela é real!?
— Ei! De quem você achou que eu estava falando!?
Sempre que a minha mãe perguntava “Como tem sido a escola ultimamente?”, eu sempre mencionava a Shijoin-san. Fazia isso em parte para tranquilizar a minha mãe, que sempre se preocupava com seu filho tímido e frequentemente intimidado, de que minha vida no ensino médio estava indo bem dessa vez. Mas, aparentemente…
— Q-Quero dizer… Eu só achei que você estivesse inventando coisas para parecer legal! Tipo, fingindo ter uma garota fofa e gentil como amiga ou algo assim! Não achei que você realmente tivesse uma garota linda como uma princesa como amiga!
Kanako tinha reagido da mesma forma no começo, mas fui tratado como se tivesse inventado ela? Tudo bem, tudo bem.
Se o meu eu sombrio e otaku de repente afirmasse ser amigo de uma garota linda, talvez eu também tivesse duvidado disso se estivesse no lugar da minha mãe.
Mas mesmo assim…
— E-Hum… Shinichiro-kun… Fico feliz que você fale de mim em casa, mas… você não está exagerando um pouco? Eu realmente não sou tão fofa assim…
— Não, não, não. Haruka-chan, você é super fofa. Se há algo a dizer, meu irmão minimizou o quanto você é bonita.
— K-Kanako-chan!?
Shijoin-san corou ao perguntar nervosamente se eu tinha embelezado a imagem dela, mas Kanako dissipou suas dúvidas sem hesitar.
Sério, com uma aparência como a dela, não há como alguém chamá-la de “não bonita”.
Minha mãe e eu concordamos silenciosamente, acenando com a cabeça em uníssono.
— Mesmo assim… se você tem cuidado do Shinichiro, eu realmente preciso te agradecer como deve ser. Só espero que ele não tenha sido um incômodo...
— N-Não! De jeito nenhum! Se há alguém, sou eu quem tem contado totalmente com ele! Não consigo agradecer o suficiente ao Shinichiro-kun!
— Sério?
Minha mãe parecia completamente surpresa com a resposta sincera de Shijoin-san.
— Sim! Especialmente durante as provas finais! Shinichiro-kun passou inúmeras tardes depois da escola me ajudando a estudar! Ele é tão bom em explicar as coisas e...
O quê... Shijoin-san, o que você está fazendo?
Por alguma razão, Shijoin-san de repente começou a contar, com entusiasmo e energia, como eu a havia ajudado com as provas. Desta vez, foi a minha vez de corar.
Quer dizer, sério, ela não parava de me elogiar.
Ela falou sobre como eu tinha preparado materiais de estudo personalizados só para ela, como eu ainda mantinha meus próprios estudos em dia apesar de ajudá-la, e como isso era incrível.
Haruka, pare. Nesse ritmo, vou morrer de vergonha.
— E-Então? O que ele disse para você?
— É, eu também quero muito saber!
Espere. Por que tanto a minha mãe quanto a Kanako estão se inclinando para frente com tanto entusiasmo?
— Ele disse: “Fico feliz que você confie em mim, então quero fazer jus a essa confiança até o fim”. Isso me deixou muito feliz.
— Oooooohhhhh!?
Não é como se eu estivesse tentando manter isso em segredo ou algo assim, mas ter minhas palavras exatas reveladas para minha família dessa forma foi seriamente constrangedor!
E o que há com a minha mãe e a Kanako? Por que elas parecem tão empolgadas com isso?
— Graças a isso, tirei as melhores notas da minha vida, e o Shinichiro-kun ficou em primeiro lugar geral! E não é só isso, ele me ajudou muito com os eventos da escola e até mesmo nas coisas do dia a dia! O Shinichiro-kun é realmente incrível e uma pessoa maravilhosa!
Com um sorriso tão radiante quanto um céu de verão, Shijoin-san declarou isso sem hesitar. Era óbvio para qualquer um que ela estava falando com toda a sinceridade.
Ouvir aquilo me deixou incrivelmente feliz, mas… ter minha mãe e minha irmã ouvindo também foi humilhante. Reflexivamente, cobri o rosto corado com as mãos.
— E-Ei, Kanako… Ela é definitivamente bonita por fora, mas você não acha que ela é igualmente pura e linda por dentro também?
— Sim. Ela é um anjo absoluto. Quer dizer, ela correu na chuva só para me devolver a carteira hoje.
Minha mãe, claramente comovida pelo comportamento angelical de Shijoin-san, sussurrou para Kanako. A propósito, o “sussurro” delas era alto o suficiente para eu ouvir cada palavra bem ao lado delas.
— E algo me diz… será que é isso? Ela não o vê apenas como um amigo. Ela pode até gostar dele!
— Hmm… É difícil dizer, já que ela é um pouco distraída, mas não há dúvida de que Shinichiro se tornou super importante para ela.
— Oh, não… Ela é uma garota tão boa, sinto que preciso garantir que consolidemos esse relacionamento imediatamente!
— Heh, mãe, eu venho planejando isso desde o início…
E assim, de repente, minha mãe e Kanako trocaram acenos de cabeça e sorriram com ar de cumplicidade.
Ei! O que vocês duas estão tramando!? Sério, a aprovação delas pelo Shijoin-san disparou nas alturas.
Agora, a minha mãe e a Kanako estavam me dando sinal de positivo com o polegar e sorrisos que diziam claramente “Vai atrás dela!”.Eu não tinha ideia de como responder a isso, então tudo o que pude fazer foi retribuir com um sorriso forçado e constrangido.
Gaaah! Nunca pensei que passaria por isso, mas ter a sua mãe apoiando a sua vida amorosa é incrivelmente constrangedor…
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