Volume 1
Capítulo 42: Melodia entre Segredos
KANARIS, FLORESTA
O homem estalou a língua e bateu com força na traseira do corcel, que relinchou e disparou pela floresta, sumindo entre as árvores, ao som de cascos abafados.
Raygan piscou, atônito.
— Mas o quê?!
Joellis recuou um passo, franzindo o cenho.
— Ele… ele está indo embora?!
— Eu… acho que sim — murmurou Daemis, a voz contida, mas de alguma forma mais calma que as dos demais.
Raygan se virou para os outros, descrente.
— Ei! — gritou. — Droga, ele está mesmo indo embora!
Foi então que Daemis, sem hesitar, começou a correr.
— Você também?! — esbravejou Raygan.
— Ele não vai voltar! — bradou Daemis, a neve levantando sob seus passos apressados.
— Como você pode ter tanta certeza?! — Joellis levou as mãos à boca, a voz quase engolida pelo vento.
Porém, sem retorno.
Daemis correu. Incrivelmente determinado, como se já tivesse vivido uma experiência semelhante — ou mesmo igual aos exercícios em Jighal.
Mas Raygan, vendo-o correr com todo fôlego, amaldiçoou.
— Merda! Ele não está parando! — Ele se voltou para Joellis, os olhos ardendo em fúria. — E se você levantar a voz para mim de novo…!
— Ou o quê? — Joellis cortou; ergueu o queixo, encarando-o. — Vai me bater com um candelabro?
Raygan não pensou duas vezes — nem uma foi necessária. Ele agarrou a gola do casaco dele, puxando-o para perto com um tranco brusco.
— Eu posso fazê-lo lamber minhas botas, se eu quiser!
Joellis se desvencilhou com um golpe certeiro no pulso do príncipe.
— Ha! Eu vejo como você trata ele. E se continuar pisando nele desse jeito, eu vou contar a verdade!
Raygan estreitou os olhos.
— A verdade?
Existiam tantas verdades. Algumas perigosas como à beira de um precipício; outras sufocavam como correntes no fundo do mar. Contudo, qual verdade Joellis se referia?
— Vai dizer que sou um príncipe? — murmurou, mais calmo.
Joellis riu — não de alegria.
— Que diferença faz ele saber? Por que ele não pode saber?
— Você não sabe nada sobre mim.
A tensão entre os dois era quase tangível, como uma espada prestes a ser desembainhada. Mas Joellis não cedeu.
— Ainda assim, você não está mais no palácio para usar sua posição como arma — retrucou. — Aqui fora, você está no mesmo nível que eu. Ou talvez até abaixo.
Raygan permaneceu em silêncio por um momento, seus olhos percorrendo Joellis, medindo-o de dentro para fora. Então, de repente, deu de ombros.
— Tudo bem. Vamos fazer do seu jeito.
O nariz de Joellis subiu numa careta, desconfiado.
— O quê?
— Estou cansado desses jogos. — Com a adaga em mãos, guardou-a no bolso fundo da calça. — Você e eu sabemos exatamente o que fazer em um lugar como esse.
Nós?!
— Não, eu não sei! — disse Joellis, incisivo. — Estou aqui para aprender, como todos os outros, inclusive você!
O sorriso persistiu, mas os olhos de Raygan diziam outra coisa. — Eu apenas queria passear um pouco e fingir que não sou o príncipe como querem que eu seja.
Joellis hesitou, contudo, diante da mudança inesperada de humor, somente assentiu.
— Então, está se redimindo?
— Hmm…, você provavelmente não sabe disso, mas… — Alongou as pernas. —, detesto quem faz muitas perguntas. — Encarou-o sobre o ombro. — Que tal brincarmos um pouco? — Seu sorriso se alavancou e seus passos rapidamente se estenderam para uma corrida.
Joellis não teve outra reação senão observá-lo partir, e mesmo assim, a resposta de Raygan fora rápida demais. Fácil demais. Mas não havia tempo para questionar. Daemis já estava longe, e eles tinham que alcançá-lo.
— Me esperem! — gritou Joellis, disparando atrás deles.
O eco dos passos preenchia o corredor como um sussurro constante.
Alguns acreditam ser um lembrete de que cada caminho levava a algum destino, por mais incerto que fosse.
O som mudava conforme o solo — barro, terra, pedra polida — mas a essência permanecia. Enquanto isso, no corredor externo do palácio, as solas deslizavam sobre o mármore frio, reverberando suavemente entre os arcos esculpidos. O sol esgueirava-se pelas janelas, lançando feixes dourados sobre o chão, marcando as paredes. E do lado de fora, a vegetação densa prosperava apesar do frio mordaz.
Movendo-se por aquele espaço onde não deveria estar, Henryk caminhava sem pressa, sua postura relaxada desafiando as regras tácitas da nobreza. Seu traje, refinado para aquela ala do palácio, destoava do ambiente simples dos criados, mas ele não se preocupava com isso. Nunca se preocupara.
Era como se aventurar em uma terra desconhecida, cheia de mistérios. Um lugar que poucos se atreviam a frequentar. Nenhum nobre, em sã consciência, faria algo assim. Henryk tinha ciência dos comentários, embora os ignorasse. Ele gostava de se imaginar em uma discussão, defendendo sua honra.
Mas, um som interrompeu seus pensamentos — um baque seco, seguido pelo ruído de algo deslizando sobre a pedra. Henryk franziu o cenho e acelerou o passo. Ao virar a esquina, deparou-se com um monge idoso curvado, a coluna arqueada em um esforço para alcançar os livros caídos ao chão.
— Senhor Levi? — A surpresa na voz de Henryk foi sutil, mas presente.
O ancião ergueu os olhos enrugados e ofereceu um sorriso gentil.
— Ah, bom dia, lorde Henryk. — Seus olhos pousaram sobre o jovem quando ele se agachou para recolher os livros. — Por favor, não se incomode!
— Não, não, eu insisto. — Henryk já empilhava os volumes em seus braços quando uma dúvida surgiu. — Está indo para a biblioteca?
— Não, meu lorde. Não houve aula hoje. Agora, por gentileza, devolva-me os livros.
Porém, Henryk negou com a cabeça.
— Deixe-me ajudá-lo. Para onde está indo?
— Para meus aposentos.
— Então permita-me escoltá-lo — disse, oferecendo um sorriso discreto.
O caminho prosseguiu em um silêncio tranquilo, quebrado apenas pelo rumorejar das vestes do monge e pelo leve ranger dos livros entre os braços do jovem. O ar fresco da manhã enchia os corredores, carregando consigo o cheiro da terra úmida e da lenha queimada nas cozinhas do palácio.
Porém, a rotina parecia diferente naquela manhã — uma quietude incomum.
— Onde estão os criados? — perguntou Henryk.
— Creio que estejam reunindo as especiarias para a festa.
Henryk se atentou ao comentário, intrigado.
— Algo especial acontecerá?
O monge analisou por um instante, sua voz soando mais cuidadosa:
— Normalmente, não falo sobre isso, mas abrirei uma exceção porque você é um bom rapaz. Uma vez por mês, os criados e servos se reúnem para um banquete preparado por eles mesmos. Encontram-se na floresta, longe dos muros do palácio, e festejam. Só não me pergunte o dia — brincou.
Henryk inclinou a cabeça, observando o ancião.
— Eu não fazia ideia.
— É um segredo. Um pacto entre eles. Seria lamentável se algo os impedisse de celebrar, de se alegrar com o pouco que podem oferecer a si próprios.
Henryk se calou, mas deixou que as palavras do velho se assentassem em sua mente. Enquanto avançavam pelo corredor estreito, seu olhar deslizou para a porta ao fundo, para a madeira escura.
O que mais acontecia no palácio sob os olhos desatentos da nobreza?
— Aqui está bom — falou Levi, parando diante da porta de madeira envelhecida. Seus dedos enrugados giraram a chave na fechadura, e o trinco cedeu com um estalo. — Deus o abençoe.
A porta se abriu para um aposento mergulhado em sombras. Apenas um fio de luz escapava por uma pequena janela rente ao teto, projetando uma linha pálida sobre o interior. Henryk entregou-lhe os livros, mas seus olhos permaneceram presos ao quarto.
As paredes estavam repletas de papéis colados de maneira caótica, folhas repletas de anotações minúsculas e esquemas intrincados. Pilhas de livros se acumulavam no chão, algumas tão altas que pareciam prestes a desmoronar. Uma escrivaninha modesta, empurrada contra a parede, estava coberta por rolos de pergaminho e tinteiros quase secos.
— Nossa… — murmurou Henryk, dando um passo hesitante para dentro. Seu olhar passeou pelo ambiente desordenado, absorvendo cada detalhe. — O senhor é um homem letrado.
Levi soltou um riso baixo, sem surpresa.
— Dediquei mais de trinta anos ao estudo, viajando entre mosteiros e bibliotecas espalhados por reinos e cidades distantes. Mas jamais encontrei um lugar onde pudesse permanecer por muito tempo. — Com cuidado, ele pousou os livros sobre a mesa, o impacto produzindo um som abafado. — Lembro-me de tê-lo visto certa vez em um desses mosteiros.
Henryk tocou a própria nuca, um gesto inconsciente.
— Eu nunca imaginei que houvesse algo além do ducado e do palácio — admitiu, um sorriso nostálgico brincando em seus lábios. — Fui ensinado a pensar assim, mas depois que fiz amigos… percebi que era apenas uma ilusão.
Levi pegou um fósforo e, com gestos precisos, acendeu a lamparina presa à pilastra de madeira. A chama tremeu, oscilante, perante as paredes forradas de papel.
— Suponho que o falecido príncipe tenha sido parte dessa mudança. — A luz refletiu em seus olhos parcialmente fechados.
O semblante de Henryk se suavizou. Não havia tristeza. Apenas aceitação.
— Ele era como um espírito livre. Um corcel indomável — expôs, sem esperar uma resposta.
O velho monge inclinou levemente a cabeça, e Henryk continuou, o olhar vago.
— Passei muito tempo refletindo sobre o que poderia ter sido mudado. — Ele caminhou pelo espaço apertado, passando os dedos pelas lombadas de livros alinhadas nas estantes, a maioria delas sem um grão de poeira. — Uma guerra iniciada antes mesmo de nossos pais nascerem. Um conflito que, a cada década, só crescia.
Levi sentou-se em sua cadeira de madeira, o corpo afundando no assento gasto.
— Impérios se alimentam de terras. Para crescer, precisam expandir suas fronteiras.
Henryk cruzou os braços, o olhar preso nas estantes.
— Sim…, mas em que momento isso tornou-se tão pessoal a ponto de… — As palavras desapareceram, atoladas na lama em um pântano de ressentimentos; dúvidas e perguntas sem resposta; afogadas e uma maré de incertezas.
Foi quando o silêncio pesou entre os dois.
Henryk parou. Lentamente, voltou o olhar para o monge.
— Mas está no passado. — Seu rosto permaneceu inalterado, a voz calma. Ele abaixou o olhar para um livro específico, um de capa verde-escura e bordas desgastadas.
Levi observou o jovem com atenção. Por um instante, pareceu querer dizer algo, então, apenas apontou para o livro.
— Quer levá-lo?
Henryk virou o rosto para a estante, depois, voltou o olhar para ele, surpreso.
— Posso?
— Claro. — O velho sorriu. — Venha sempre que quiser.
Henryk pegou o volume com cuidado, virando-o nas mãos.
— O verei na reunião do Conselho na próxima semana?
— Sim, meu lorde. — Levi assentiu. — A propósito, seu pai já está em Leswen?
— Chegou ontem, mas terá que permanecer mais alguns dias na pousada. As estradas estão bloqueadas pela neve.
— Entendo. — O monge sorriu, cansado. — Obrigado.
— Disponha. — Henryk o saudou com um leve aceno. — Até breve.
Saindo do aposento, o jovem retomou seu caminho pelo corredor silencioso. O livro pesava em suas mãos, mas sua mente estava ainda mais apreensiva. Ele não deveria estar ali, não entre aqueles muros onde o sangue determinava os passos permitidos.
E, ainda assim, era curioso…
Um monge, tão afastado do restante do palácio.
Tão isolado e observador.
Henryk lançou um olhar furtivo para o livro em suas mãos enquanto caminhava. A capa dura resistia ao tempo, e as letras douradas no título reluziam sob a luz pálida da manhã. “Correntes do Comércio: Rotas Marítimas e o Pulso da Economia.” Ele arqueou uma sobrancelha e esboçou um sorriso discreto.
Por que um monge teria algo assim? — questionou para si, intrigado.
Durante o trajeto, o ar gélido da manhã crispava contra sua pele. O caminho de pedras estendia-se à sua frente, ladeado por montes irregulares de neve que cresciam ao longo das margens do jardim. Quando cruzou o arco que separava a ala dos criados do resto do palácio, um som atravessou o silêncio.
Primeiro, uma única nota, alta e ressonante, atravessou o ar como um tiro perdido.
Depois, outras a seguiram — notas suaves, envolventes, que se entrelaçavam como cordas invisíveis, formando uma melodia que movia o jardim.
Nenhuma flor, por mais resistente ao frio, poderia desejar algo mais delicado.
Henryk ponderou. Seu olhar varreu os arbustos, as rosas de um vermelho profundo, até que, além das árvores despojadas, encontrou a origem da música.
No coreto coberto de neve, uma figura solitária movia-se graciosamente. O vestido longo resvalava o chão em cada inclinação do corpo, e o instrumento em seu ombro vibrava com movimentos suaves diante dos arcos da construção antiga.
Mechas ruivas como rubi, mesmo presas, escapavam do penteado meticuloso, moldando-lhe o rosto com delicadeza. O xale delicado pendia dos ombros esguios, e o pescoço exposto parecia ainda mais frágil sob a luz difusa da manhã.
Ele soube, naquele instante, quem era.
Sua postura era determinada, e todas as notas que eram arrancadas do violino pareciam alcançar alturas que Henryk nunca ouvira antes.
O tempo parou.
Mas uma voz interrompeu o encanto.
— Senhor Henryk?
Ele piscou — mais de uma vez — e virou-se, deparando-se com um rosto familiar.
— Ah… Olá! Senhorita…?
— Nadye. — Ela sorriu de leve e soprou contra as próprias mãos enluvadas, tentando aquecê-las. — Dama de companhia da princesa.
— Sim, claro. Perdoe-me, mas…
— Já conversamos antes. Na festa das debutantes, antes do baile começar.
Henryk estreitou os olhos, buscando em sua memória.
— Ah, perdoe-me, havia me esquecido completamente. Como está seu noivo?
— Está bem, obrigada. — O olhar dela desviou-se sutilmente para o coreto. A princesa continuava imersa na música, indiferente ao mundo ao seu redor. — Ele ficou animado ao saber que o senhor conhece a língua de sinais do nosso reino.
Henryk inclinou levemente a cabeça, assertivo.
— Passei muito tempo viajando, e aprender a me comunicar apenas com gestos foi uma experiência fascinante.
Nadye concordou, mas seus olhos brilharam com um interesse diferente.
— Imagino que sim. Uma pena que ela nunca pôde ver nada disso.
A leveza no rosto de Henryk esmoreceu. As palavras o atingiram com um peso inesperado. Instintivamente, voltou a olhar para a princesa.
O violino cantava uma melodia que se tornava mais intensa. O som ressoava fundo em seu peito, notas que oscilavam entre o sublime e o opressor. Cada acorde espelhava uma lembrança que ele não sabia se queria encarar.
— Sua antiga dama de companhia me contou tudo o que eu precisava saber. — A voz de Nadye veio baixa, quase um sussurro. — O que aconteceu antes… e depois da tragédia no palácio.
A neve acumulada nas árvores resvalou, caindo em silêncio.
— Da forma como ela, todos os dias, teve que lidar com as discussões…
O som do violino mudou. As notas tornaram-se graves.
— Que tipo de discussão?
— O rei e a rainha se desentendiam muito em relação ao príncipe Raygan — disse, cautelosa. — Mas não digo isso negativamente, antes que eu pague com a língua. — Ela cobriu os lábios com a mão.
— Eu conheço sua personalidade. Problemática, sim… mas ele continua sendo um bom garoto.
Nadye o estudou por um instante. Seus olhos seguiram o dele, pousando na silhueta que ainda se movia no coreto. A jovem dama de companhia não sabia dizer o que era tão expressivo no rosto de Henryk. O modo como sua postura se mantinha rígida? As sardas em suas bochechas, que pareciam mais evidentes sob a luz? Ou talvez… fosse a maneira como ele olhava para a princesa.
Como se estivesse relutante — acorrentado — em um tempo que já não existia.
— Ela despediu todas as outras damas.
Henryk olhou para as pedras do caminho.
— Por quê?
— Não sei. O casamento está tão próximo e…
O olhar dele finalmente se desviou da princesa.
— Isso ainda não está decidido — interrompeu. — Nada foi confirmado. Ela não deveria criar expectativas em algo tão incerto.
Nadye suspirou, junto de um sorriso melancólico.
— Para mulheres como nós, tudo o que nos resta é esperar por um pedido audacioso.
O olhar de Henryk pousou sobre ela, atento.
— Diga à princesa que não precisa se preocupar — expressou, como uma ordem.
Nadye observou atentamente sua expressão, intrigada com o que poderia significar. Então, como se receasse que até o vento pudesse ouvir suas palavras, baixou a voz em um sussurro:
— O senhor já ouviu dizer que as paredes do palácio guardam segredos? Em uma de minhas visitas à princesa, um ratinho me contou que houve um tempo em que ela se apaixonou. Mas, quando seu irmão faleceu, esqueceu esse sentimento de infância.
O som do violino ergueu-se, levando Henryk consigo para um emaranhado de pensamentos.
— Pelo que sei, o rapaz era próximo do príncipe Leion. E… do senhor.
Henryk prendeu a respiração.
A melodia do violino atingiu seu auge. E Henryk soube, naquele instante, que algumas coisas nunca ficavam enterradas por muito tempo.
— Agora, preciso retornar. — Fez uma reverência elegante antes de acrescentar, com um sorriso astuto: — Pelo menos, agora o senhor já tem um pretendente para lhe apresentar.
— Sim, obrigado.
Obrigado…? Pelo quê?
Henryk engoliu em seco. Seus dedos apertaram com mais força a lombada do livro, como se entre as páginas encadernadas, pudesse encontrar a resposta que sua mente se recusava a dar.
Em meio às sombras de suas lembranças, ele procurou um nome — qualquer nome — que não fosse o seu ou o de Leion. Mas sua memória lhe devolvia apenas o eco de um silêncio incômodo.
Ao longe, ele observou Nadye se aproximar da princesa. Por um segundo, mas intenso, os olhos dela encontraram os seus.
O olhar vibrante, tão penetrante quanto um raio surgindo no céu antes da tempestade. Sempre a mesma sensação — um súbito aperto no peito, uma inquietação que roçava perigosamente a intimidade.
E se…? Não, ele não se atreveria!
Henryk desviou o olhar antes que a dúvida tomasse raízes. Ajustando o passo, ele afastou-se dos arbustos, a neve rangendo sob suas botas. Quem quer que tivesse roubado o amor de infância da princesa, não importava. Não deveria importar.
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