Volume 11

Capítulo 1: Se você largar o controle, a história nunca avançará

— Aoi, feliz aniversário!

Papapapapapaan,—chhh chhh chhh.

Enquanto confetes coloridos dançavam e caíam na tela, eles se refletiam nos olhos escurecidos de Hinami como uma fita de bênçãos que parecia envolvê-la.

Em nítido contraste com os rostos sorridentes de sua mãe e irmã, a expressão de Hinami gradualmente perdia toda a cor.

— A Aoi cresceu tanto nos últimos dezessete anos. Ainda me lembro da maratona na escola primária, onde ela estava entre os últimos colocados. Agora, Aoi chegou ao nível nacional no atletismo. Mas, pensando bem, acredito que Aoi vem correndo na direção de seu destino atual desde aqueles dias.

O rosto da mulher que falava, como se narrasse uma história, lembrava muito o de Hinami.

Sua voz era tão bela quanto o som de um sino, possuía uma luminosidade que cativava quem a ouvia, mas tinha uma ressonância mais pura do que a de Hinami. O sorriso juvenil parecia simples o suficiente para tranquilizar qualquer um que estivesse diante dela.  

— Pare com isso! — Hinami gritou. Sua voz, expelida como a de um animal encurralado, estava repleta de urgência, e o ar, que antes transbordava celebração, desapareceu tão rápido quanto a chama de uma vela sendo apagada.

Respirações confusas e um silêncio tenso preencheram o espaço.

Pelos olhares trocados, era evidente que todos -- Mimimi, Izumi, Kikuchi-san, Nakamura e os outros garotos -- estavam perplexos.  

Por que ela gritou daquele jeito? O que naquele vídeo tocou em um tabu de Hinami? Era apenas o fato de interagir com sua família, ou havia algo mais? Em meio àquela incerteza, eu me concentrei unicamente em Hinami.  

— Aoi...? — Izumi, que tinha preparado a carta em vídeo da família de Hinami, falou com uma tremedeira evidente na voz. Contudo, mais do que ela, era claro que Hinami era quem estava mais ansiosa.  

— Por que você fez isso? ...Pare com isso.

Seus lábios tremiam levemente enquanto falava, e o controle estava jogado aos seus pés.  

O dispositivo que permitira a Hinami controlar tudo em um raio de um metro agora jazia descuidadamente no chão, com seus cabos emaranhados e caóticos.  

Uma memória veio à tona.  

A última atração. Em uma montanha-russa que se movia lentamente pelo pôr do sol, eu ouvi sobre o passado de Hinami. Ela havia perdido uma de suas duas irmãs em um acidente, e lamentava que a causa jamais seria conhecida. Essa resignação, sem dúvida, havia se enraizado profundamente nela.  

No que parecia ser um quarto capturado no vídeo, dois sorrisos alinhados em um cômodo tradicional decorado com pergaminhos pendurados eram suaves e calorosos.  

Ainda assim, a expressão de Hinami diante de mim era rígida e tensa.  

— Aoi—! Me desculpe!

A voz animada de Mimimi desviou a atenção de todos para longe de Hinami. Ela sempre sabia como aliviar o clima em momentos como aquele.

— Parece que fizemos você se sentir mal...

— Você não foi quem preparou isso, foi?

— Hã!?

Seu tom afiado cortou qualquer consideração. Não estava claro se ela fazia isso de propósito ou não, mas a voz de Hinami estava carregada de uma rejeição inconfundível.

— Yuzu, Shuji. O que é isso?

Sua pergunta parecia buscar por responsáveis, tornando o ambiente ainda mais tenso.

Izumi abriu a boca como se fosse dizer algo, mas tudo que conseguiu foi um suspiro entrecortado, incapaz de continuar suas palavras.

— Qual é o seu problema, Aoi?

Nakamura deu um passo à frente com um tom irritado, encarando Hinami com hostilidade.

— Talvez tenhamos errado ao fazer isso sem permissão, mas foi mesmo tão irritante assim?

— E-Espera, Shuji...!

— Você não precisa ser tão direta com essa atitude.

Ignorando minha tentativa de detê-lo, Nakamura continuou falando. Seus olhares se chocaram. As palavras escolhidas às pressas carregavam uma clara agressividade.

— Então não digam nada sem permissão.

O comportamento indiscriminado de Hinami me lembrou de como ela lidou com Erika Konno uma vez; no entanto, diferente daquela ocasião, quando calculou cuidadosamente suas palavras para um propósito, agora parecia apenas estar descarregando sua força sem qualquer direção.

— Escuta aqui, Aoi. A Yuzu se esforçou para encontrar sua família e gravar isso para você! E você—

— Se é para mim, isso significa que vale qualquer coisa? — Hinami interrompeu as palavras de Nakamura e lançou-lhe um olhar frio. — Se Shuji continuar falando, ele pode acabar dizendo algo errado. Então, se eu der um soco nele para fazê-lo parar pelo próprio bem dele, isso seria aceitável também?

— Hã?

Uma falsa sensação de justiça. Palavras que não serviam para nada além de esmagar sentimentos e boas intenções soavam apenas como pura hostilidade. Não era surpresa que a voz de Nakamura estivesse carregada de exasperação.

— Aoi, o que você quer dizer com isso? — Izumi perguntou tristemente.

Ela devia estar tentando apoiar Hinami. Mas, naquele momento, Hinami espalhava suas emoções de um jeito que rejeitava até mesmo a ajuda.

— Vocês não sabem de nada... nada mesmo.

Ela repetiu, com uma expressão que parecia ao mesmo tempo zangada e triste. Eu realmente queria enxergar por trás da máscara de Hinami. Mas o que eu queria ver não era essa figura despedaçada.

— Se não sabemos, então nos diga. Como podemos entender se você não falar nada?

As palavras de Nakamura eram, de fato, razoáveis. Por mais que alguém falasse, compreender completamente seria difícil. Mas se nada fosse dito, entender seria impossível. Ao mesmo tempo, isso provava que havia um desejo de se aproximar. Mesmo claramente ferido pelas palavras dela, que tinham a intenção de machucar, Nakamura ainda estendia a mão para Hinami.

Ainda assim—

— Eu não tenho nada para dizer.

— Hã?

— Desculpa. Não estou me sentindo bem, vou voltar para o meu quarto.

Hinami virou as costas para nós.

— Ei, Aoi—

— Você está bem? Eu vou com você!

Hinami tentou sair de maneira forçada e obviamente mentiu sobre sua condição. Ao lançar um olhar para Izumi, que demonstrava preocupação, respondeu sem hesitação.

— Estou bem. Posso voltar sozinha.

Sua recusa veio sem qualquer hesitação, adornada com um sorriso perfeito. A espessura de sua máscara apenas aprofundava a sensação de afastamento.

— Sendo assim...

Sem lançar um único olhar para trás, Hinami passou pelo centro do cômodo e abriu a porta que levava ao corredor.

— E-Espera, Aoi—

A voz de Mimimi, lançada em sua direção, foi cortada pelo som da porta se fechando com força atrás dela. Ficamos para trás, sem sequer saber sobre o que deveríamos conversar. Apenas trocamos olhares em silêncio.

No entanto—

— Ugh!

Minhas pernas se moveram mais rápido que as de qualquer outra pessoa em direção à porta fechada.

— Fumiya-kun!?

Ignorando a voz de Kikuchi-san atrás de mim, disparei atrás de Hinami.

*

 

— Hinami!

Mesmo quando estendi minha mão, não consegui alcançá-la; ela caminhava vários metros à minha frente. Minha voz deveria ter chegado até seus ouvidos, mas ela continuou andando pelos corredores alinhados de quartos de hóspedes com passos firmes. Seu caminhar era áspero, mas ainda assim carregava uma beleza moldada pelo treinamento.

Eventualmente, Hinami chegou à porta dos fundos da pousada. Ela agarrou a maçaneta de metal desgastada, que rangeu como uma garganta se fechando ao ser girada.

Quase no mesmo instante em que ela atravessou a porta, eu a alcancei e coloquei minha mão sobre a porta entreaberta, deixando claro que pretendia segui-la.

Com um sussurro, o ar ao nosso redor mudou.

Enquanto o vento roçava meu rosto, a noite se revelou diante de nós. O céu estava repleto de estrelas. Talvez por estarmos nos arredores de Osaka; naquele céu azul-marinho, próximo à escuridão total, incontáveis estrelas cintilavam — uma visão impossível de se ver no centro de Omiya, agora visível sob o ar fresco da noite.

Os sons de carros e o barulho da cidade desapareceram naquela praça silenciosa, onde o som dos cascalhos sob nossos pés ecoava alto contra o silêncio.

Hinami permaneceu ali, resignada.

Fiquei ao seu lado em silêncio.

Não poderíamos conversar por muito tempo; logo, alguém preocupado conosco nos encontraria. A jogadora de elite chamada Aoi Hinami havia construído laços de confiança com seus amigos ao longo do tempo.

— O que você quer?

Ela falou de maneira brusca, como se me acusasse, mas permaneceu onde estava, sem rejeitar completamente minha presença. Não era apenas minha imaginação; seu olhar fixo em algum ponto distante carregava uma tristeza acinzentada que perfurava a alma.

— Sobre aquela carta em vídeo...

— Não estou com vontade de falar mais.

A pergunta foi cortada. Na última atração do Yontendo World, ela havia compartilhado seu passado. Certamente, isso tinha relação com o que estava acontecendo agora. As memórias turvas contidas na carta em vídeo se infiltravam pelas rachaduras de sua armadura derretida e afundavam profundamente em seu interior.

Mas eu não tinha permissão para tocá-las. O que estava lá dentro era, sem dúvida, algo que eu queria saber. Hinami provavelmente havia trancado tudo, determinada a não deixar ninguém descobrir.

— Não há nada que eu possa dizer...

Naquele momento, senti como se pudesse ver um vislumbre por trás de sua máscara. Os sentimentos de todos, comemorando. Hinami, pareciam ter derretido sua armadura. Mas agora, seu tom ansioso e infantil fazia com que parecesse uma garota perdida, abandonada pelo mundo.

Não importava o quanto eu a perseguisse e estendesse a mão, a porta de ferro inabalável permanecia firmemente trancada. No entanto, eu podia sentir que essa porta estava terrivelmente fria, e por isso não queria sair dali. Eu não sabia quais palavras Hinami queria ouvir. Nem tinha certeza se ela queria ouvir algo.

Mas uma coisa era certa. Do outro lado daquela porta espessa — Aoi Hinami estava completamente sozinha. Então, sem perguntar sobre os sinais óbvios de sua angústia, decidi dizer algo.

— Você ainda pode enganá-los.

— Hã...?

Hinami virou-se para mim com os olhos arregalados e cansados.

— Claro que pode enganá-los.

Falei de maneira direta sobre algo desonesto.

— O que você construiu até agora, a confiança que conquistou, não vai desmoronar por causa de um único erro.

Eu acreditava nela mais do que qualquer um. No valor do que ela construiu até aquele momento. Ela lembrava do que os outros gostavam, memorizava tópicos para conversas, treinava os músculos do rosto para criar sorrisos e se vestia de maneira impecável para ser admirada por todos. 

Cada detalhe dela, por dentro e por fora, era meticulosamente moldado por camadas de cálculo egoísta. Para algumas pessoas, isso poderia ser tão frio a ponto de causar repulsa. Para aqueles que acreditam em pureza, suas ações poderiam parecer nojentas. Mas para mim, que havia acumulado as mesmas estratégias que Hinami para navegar neste jogo chamado vida, eu conseguia compreender seu verdadeiro valor.

Seus esforços e sua frieza — o quão valiosos eles realmente eram.

— Então, não se preocupe. Você está bem.

Declarei isso sem nenhuma base concreta.

— Você é Aoi Hinami.

Não havia provas, mas minha convicção era inegável.

— Foi para isso que você veio até aqui?

Finalmente, ela me encarou diretamente.

Seus cabelos, sempre impecáveis para realçar sua beleza, agora estavam bagunçados. A expressão que costumava encantar a todos agora mostrava sinais evidentes de exaustão.

A heroína perfeita, antes inabalável, agora parecia uma peça frágil de vidro, prestes a se quebrar com um simples toque.

Um suspiro escapou de seus lábios entreabertos, quase como se achasse graça naquilo.

— Ahh.

Com um tom de autodepreciação, Hinami olhou para o céu noturno com uma expressão tranquila.

A luz da lua flutuante iluminava a brancura de seu pescoço. Mas essa luz fraca não era suficiente para revelar as profundezas de seu coração.

— Sabe, acabei me lembrando de muitas coisas.

Sua voz soava jovem, carregada de uma vulnerabilidade involuntária.

Aqueles olhos negros, refletindo um passado desbotado, agora... que emoções ou memórias estariam revivendo?

Eu esperei em silêncio pelo restante de suas palavras.

— Hoje... eu senti como se tivesse me divertido pela primeira vez em muito tempo.

— Fico feliz em ouvir isso.

— Havia tantas coisas que eu amo... Ah, e percebi que tudo o que fiz até agora retorna para mim dessa forma.

Ela falava como uma garota apreciando seus tesouros, ou como uma caçadora exibindo seu troféu. Talvez, para Hinami, essas duas coisas fossem a mesma coisa.

— Eu não queria que fosse assim, mas acabei pensando em como Aoi Hinami é incrível.

Ela disse isso como se estivesse falando de outra pessoa. Provavelmente, esse sentimento era semelhante a estar desconectada de si mesma. A Aoi Hinami que estava diante de mim parecia uma marionete que se movia sozinha, mas cuja verdadeira essência estava nas mãos frias de quem segurava os fios do outro lado da tela.

— Talvez seja por isso que doeu.

Seu tom me fez pensar em uma menina indefesa. Que tipo de passado ou emoção aquilo representava? Eu esperei, sem dizer nada.

— Eu já te disse, não foi? …Eu só queria provar que estava certa.

Hinami apertou a barra de sua roupa de dormir simples, mas elegante.

— Todas as palavras de parabéns e os sorrisos... são apenas parte da minha prova.

Isso já não me surpreendia mais. Afinal, a palavra prova raramente é usada para descrever boa vontade entre amigos.

Todos aqueles atos de carinho e afeto direcionados a ela — aqueles sorrisos e palavras que deveriam ter surgido naturalmente — eram reduzidos a meros argumentos para validar sua própria correção, dentro de uma mentalidade cruelmente fria e solitária. Definitivamente, não era um modo de vida amplamente aceito. Mas—

— Eu já te disse.

Falei com firmeza enquanto olhava para Hinami.

— Aoi Hinami está bem do jeito que é.

Eu não a neguei. Não queria pensar que tudo pelo que ela se esforçou tanto, e que me salvou, estava errado.

— Pode até ser um jeito distorcido de viver...

Não havia base para as minhas palavras, mas nelas havia certeza — corretas demais, porém desajeitadas demais.

— Mas essa prova ajuda aqueles ao seu redor. Você é valorizada e se tornou uma pessoa importante para todos. Deve ter percebido isso pelas palavras e expressões de todos mais cedo, certo?

Sua meticulosidade impecável. O olhar cruelmente distante. A ilusão perfeita nascida dessas características emanava um brilho avassalador.

— Você está tornando as pessoas ao seu redor felizes.

Não importavam as intenções de Hinami; se havia cálculo ou engano envolvido, isso já não fazia diferença. A estrutura que resultou disso era um fato objetivo e inegável, que ninguém poderia refutar — nem mesmo Aoi Hinami.

— Então, isso por si só não pode estar errado.

Afirmei a existência de Aoi Hinami com base nessa estrutura.

— Então, ouça, Hinami. Não espero que entenda de imediato. Mas à medida que passarmos mais tempo juntos... pouco a pouco…

No entanto, por que Hinami escolheu este momento.

— Não, mesmo assim. Como você pode dizer que isso está certo?

Ela me encarou com um olhar incrivelmente límpido. Sua pureza assustadora buscava a essência da correção de uma maneira quase infantil. Instintivamente, estremeci; sua atitude e palavras pareciam inadequadas para este momento em que tentávamos compartilhar nossa solidão e trocar nossas verdades.

— Que razão você tem para dizer que está certo?

— Razão...?

Gaguejei, repetindo a palavra em pânico.

Parecia que estávamos próximos o suficiente para que, se estendêssemos a mão, pudéssemos nos tocar. Tudo o que ela precisava fazer era abrir aquela porta espessa e estender a mão para mim; então, eu poderia puxá-la para este lado do abismo profundo que se formou entre nós.

— Existe alguma base para dizer que ninguém pode refutar isso?

Mas—

— Você pode provar isso?

Hinami parecia estar buscando algo escondido nas profundezas da escuridão.

— É por isso que eu disse. Você... Aoi Hinami, é valorizada por todos. Não há mentira nos sentimentos deles.

Meus pensamentos se embaralhavam enquanto eu tentava encontrar as palavras certas. O que ela estava exigindo provavelmente era uma base mais fundamental para afirmar a existência de Aoi Hinami — uma resposta simples, acompanhada de uma razão concreta para sustentar minhas palavras afirmativas.

— Você construiu conexões importantes, tem amigos... Isso é algo bonito...

Parecia que minhas palavras não a alcançavam. O que ela estava exigindo com sua busca por prova era algo mais profundo do que conexões humanas, gratidão ou amor — algo abstrato e belo.

— Então, isso significa que está certo...?

Pois, sem dúvida, a verdadeira pergunta de Hinami era—

— Você pode realmente dizer que isso é correto?

Ela me desviava dos sentimentos e das amizades para algo fundamentalmente mais profundo.

Fiquei sem palavras.

— Ser valorizado e ter conexões importantes certamente é considerado correto pela sociedade. No entanto, isso é apenas o que todos acreditam. Ninguém pode provar se é verdadeiramente certo ou errado — ninguém pode.

Crianças frequentemente expõem aquilo em que os adultos acreditam cegamente, sem fundamentos.

— Ainda assim, você diz que está certo?

Hinami estava simplesmente confrontando a insinceridade dentro de mim pelo que ela realmente era.

— Isso é...

Seria fácil descartar o que ela dizia como mera sofisma. Se eu dissesse isso, poderia cortar sua pergunta e me sentir vitorioso. Mas alguém como eu, que tende a pensar demais, já havia ouvido essa palavra muitas vezes desde a infância.

Por isso, eu sabia. Era uma palavra usada por aqueles que haviam parado de pensar para se afastar da verdade — uma palavra de rendição. O que existia nas minhas palavras era apenas uma oração desejando que fosse verdade. Certamente, a verdadeira correção não existe.

— Porque pessoas comuns não conseguem algo assim, mesmo que queiram, certo...?

Enquanto continuava falando, impulsionado por uma pressão irresistível, a resposta de que eu precisava para alcançar Hinami agora — as palavras que eu deveria dizer para fazê-la estender a mão para mim—

— Apenas aqueles que são verdadeiramente necessários para todos podem ser tratados assim...!

Busquei desesperadamente palavras para expressar meus sentimentos.

Uma base sólida. A máscara e o verdadeiro eu. Raridade e vitória. Aprovação e brilho.

— E você, Hinami, ficou feliz com isso, não ficou!? Seu coração se emocionou, não foi!?

Eu não achava que essa era a resposta definitiva. Mas acreditava que, se expressasse meus pensamentos, as palavras se conectariam organicamente e eu poderia transmitir algo novo. Porque esse sentimento dentro de mim — de que era certo acreditar nisso — era absolutamente real.

— Então... se o seu coração se emocionou, isso já é o suficiente...!

Transformei meus pensamentos em voz, como se estivesse apostando em um fio de esperança. No entanto, as palavras que saíram de mim logo se misturaram com urgência e emoções que pareciam apenas tentativas de persuasão.

— Você não está errada...!

Pois, ao dizer isso, eu finalmente comecei a acreditar nisso com convicção.

— A profundidade da resposta que sua pergunta buscava não foi alcançada pelas minhas palavras.

Os olhos de Hinami, estreitados pela solidão, tinham um tom de negro ainda mais profundo do que a noite que se expandia ao nosso redor.

— Entendo.

Com um suspiro, Hinami desviou o olhar de mim e ergueu os olhos para o céu noturno transparente, inalcançável, mesmo que estendesse a mão. Incontáveis estrelas cintilantes. Ela sabia que existiam dois tipos: estrelas autoluminosas e planetas que só brilham ao refletir sua luz.

— Você pode acreditar em coisas sem motivo.

As palavras que Ashigaru-san me disse naquele dia voltaram à minha mente. Pessoas fracas precisam de um motivo para agir e mudar, para poder acreditar.

Eu, que conseguia acreditar em mim mesmo sem motivo, era um personagem forte. Aqueles que buscam razões para cada ação—

— Hinami, você não consegue acreditar em si mesma, na correção da sua existência, sem motivo?

Normalmente, se alguém tivesse ao menos um mínimo de comprometimento com razões ou lógica — alguém com um senso geral de entendimento — depois de passar anos juntos, construir relacionamentos com amigos, receber sorrisos, palavras, pensamentos e gratidão, tudo isso demonstrado por ações sinceras, não se sentiria validado, mesmo sem uma razão concreta?

Ao menos temporariamente, essa pessoa poderia se sentir assim e acreditar na própria existência, baseada na emoção que brotava em seu coração.

Mas—

— Eu não consegui.

Uma brisa soprou. As pontas do cabelo de Hinami roçaram suavemente em sua bochecha.

— Achei que, se me tornasse a número um, poderia estar certa. Se eu fosse melhor do que todos os outros, se me tornasse alguém necessária para todos, isso afirmaria minha existência.

Havia algo semelhante a uma prece em suas palavras.

— Mas… eu me lembrei.

Hinami sorriu suavemente.

— Eu sou vazia.

Seu tom calmo e sereno lembrava o luar.

— Naquele momento, eu só conseguia sentir felicidade… Naquele momento, eu só conseguia sentir uma sensação de conquista. Não importava o quão correto fosse… Eu não fui validada de verdade.

Apesar do conteúdo negativo de suas palavras, seu rosto tinha uma expressão estranhamente leve. Pelo menos, eu nunca tinha visto Aoi Hinami falar sobre derrota dessa forma antes.

— Acho que eu me forçava a acreditar.

Sua boca se contorceu de maneira hesitante enquanto falava.

— Mesmo sabendo que ser necessária para todos não definia o meu valor.

Eu reconhecia essa expressão. Porque eu já a tinha vivido muitas vezes também.

— Para esquecer minha solidão, eu menti para mim mesma… Eu tentei acreditar.

Era a expressão que eu usava quando realmente me sentia impotente. Quando precisava engolir esse sentimento e me curvar em humildade, era sempre essa a face que mostrava—

— A falsa história de que vencer continuamente é o certo.

Um sorriso de derrota de alguém que percebeu sua própria insinceridade.

— Eu sou um personagem fraco.

Eu precisava dizer algo. Precisava encontrar um jeito de trazer Hinami para mais perto, depois que ela finalmente se abriu para mim novamente.

Era só isso que eu queria fazer.

Mas como eu poderia afirmar a essência de Hinami, que possuía tudo o que os outros invejavam, mas que ainda assim não conseguia se enxergar como correta?

O que poderia preencher o vazio de Aoi Hinami, se não fosse a correção ou a aprovação? O fio de pensamento que comecei a puxar não levava a nenhuma solução. A primeira a quebrar o silêncio foi Hinami.

— Se existe algo correto neste mundo… então é apenas uma coisa.

Ela disse isso como se estivesse revelando um segredo do universo.

— Não existe nada neste mundo que seja verdadeiramente correto. Isso, e apenas isso, é o único acerto.

Era claramente contraditório. Como uma cobra mordendo o próprio rabo, o raciocínio se dobrava sobre si mesmo. E, ainda assim, carregava uma ressonância de certeza.

…………

O silêncio aos poucos nos distanciou. Ou talvez fosse melhor do que dizer algo vazio novamente e encarar outra decepção. Hinami me encarou por um tempo que pareceu uma eternidade enquanto eu esperava por uma resposta. Quando permaneci em silêncio, ela disse algo suavemente — e sorriu, triste.

……….

Não consegui ouvir as palavras. Mas sabia que não eram dirigidas a mim. Ainda assim, senti que eram palavras de decepção sobre mim. Não suportei ver sua expressão triste, que parecia comprovar minha própria impotência. Meu olhar caiu sobre o asfalto frio abaixo dos meus pés.

— Então.

Sua voz soou fraca, como se estivesse se entregando ao mundo.

O ritmo lento de seus passos era menos da metade da velocidade frenética do meu coração ansioso, mas, ainda assim, a afastava de mim de maneira constante.

As dobradiças rangendo produziram um som doloroso quando a porta mal ajustada se fechou com força, separando-me de Hinami em espaços diferentes, sem qualquer cerimônia.

O sentimento que me dominava era simplesmente — ódio por mim mesmo. Neste momento — Hinami certamente estava esperando minhas palavras. Achei que havíamos trocado palavras verdadeiras. Compartilhamos dúvidas sobre nossa existência e chegamos ao entendimento de que seria doloroso continuar assim.

Talvez, dentro de Hinami, houvesse uma vontade nascente de mudar. Ou um desejo de mudar. Parecia que algo começava a germinar. Talvez fosse possível que ela mudasse, que ultrapassasse essa barreira e entrasse em um mundo mais colorido. Parecia que tais pensamentos estavam começando a surgir.

Mas faltava apenas uma coisa. Razão. Sem razão, ela não conseguia acreditar em si mesma. E, por não conseguir acreditar em si mesma, não podia escapar da solidão indescritível. Então, talvez, só um pouquinho — o jogador mais forte do Japão, Nanashi, esperava poder ajudá-la de alguma forma.

Eu não consegui dizer nada. As palavras que eu poderia ter juntado nunca chegaram até ela.

Tendo quase perdido meu vínculo com Hinami desde o dia em que prometi ensiná-la a alegria de viver, não consegui mudar nem mesmo essa única coisa que eu mais queria no mundo. Diante do que eu realmente desejava, senti-me impotente. Enquanto olhava adiante, tomado por um desejo desesperado, a porta fechada bloqueava meu caminho.

Embora seus passos tivessem sido tão claros, quase não restavam vestígios de Hinami no chão ou na porta — apenas a textura fria de ferrugem avermelhada e metal escurecido refletiam tristemente de volta para o meu coração.

— Eu…

Sozinho sob o céu noturno, a luz das estrelas cadentes não era nem quente nem fria. Apenas me iluminava como uma realidade imutável.

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