Volume 1

Capitulo 2: Veneno

Sala espaçosa, com estantes cheias de livros, mesa de centro, dois sofás em sua volta. Uma mesa de escritório, grande, marrom e com detalhes dourados em suas quinas. Em cima da mesa, alguns documentos, materiais para escrever e algumas outras bugigangas. Poltrona almofadada, com padrões de ouro a decorando.

Janela espaçosa com uma linda vista para o meu jardim, que de alguma forma estava bem cuidado e exalava um leve cheiro doce. E uma cortina vermelha, feita de um tecido caro esvoaçando com o vento de outono. Esse é o escritório. Sinceramente ele me deixa um pouco desconfortável.

Desde aquele dia já se passou uma semana, o que fiz durante essa semana? Apenas alguns treinos simples, para melhorar minha resistência, estamina e tal. Claro, como sou apenas uma criança de seis anos, não é como se esses treinos fossem me ajudar muito... O que eu realmente me concentrei foi em treinar e estudar magias, mas também não teve resultados muito significativos...

Bem, agora eu sou capaz de fazer uma barreira simples de magia, consigo acertar coisas pequenas em um alvo, com uma força que eu não conseguiria sem minha magia, mas no final não consigo nem as manter no ar por muito tempo. Também consigo controlar um pouco de magia de água (eu poderia afogar pessoas com isso), para falar a verdade, é bem insignificante também, mas usar magia de gravidade junto ajuda um pouco.

E a magia de gravidade parece ser a que tenho mais afinidade, eu posso ser capaz de fazer algo legal se eu chegar no nível certo... De qualquer forma, ainda não estou nesse nível, o máximo que posso fazer é dificultar um pouco o movimento de outras pessoas, ou jogar objetos pequenos... Objetos afiados como uma faca, por exemplo, hehe...

Durante essa semana também estive me acostumando com meu novo corpo e minha rotina. Esse corpo é tão menor que meu antigo, não que eu fosse alta em minha vida passada, mas sou apenas uma criança agora, dá uma sensação estranha às vezes, a diferença de força também é meio estranha.

Tentei convencer Emilly a me deixar vestir sozinho, mas no final não deu muito certo... Aliás, a comida que me servem continua sendo uma porcaria e as decorações do Castelo continuam sumindo. Resolvi esconder algumas delas para eu poder usar depois, vou vender e conseguir um dinheiro e, além disso, impedir que eles roubem mais.

Certo, depois dessa semana, como planejado, eu chamei o mordomo e a empregada chefe para o escritório para termos uma conversa. Na verdade, eu pedi para o mordomo que já estava no escritório, chamar a empregada chefe, mas isso não vem ao caso.

Emilly tentou me impedir, falando que poderia ficar perigoso, mas se as coisas realmente ficarem perigosas como ela disse... É a vida, né? Será que renasço como um príncipe de verdade da próxima? De preferência, no mundo moderno, as mordomias da tecnologia moderna são realmente ótimas.

Voltando ao presente, aqui estou eu e na minha frente tem uma empregada com um vestido caro e joias, como brincos, colar e anéis de ouro e diamante... Essa empregada é a verdadeira princesa desse castelo? Não, mesmo que fosse, era mesmo para ela ter esse tanto de joias caras?... Bem, tirando isso, ela tem um rosto todo enrugado e está me olhando com as sobrancelhas franzidas... Parece estar tentando me matar só com o olhar e também está com a cabeça empinada ao máximo...

Não importa, ela provavelmente só está com inveja da minha beleza, certo? Qualquer coisa, eu só falo para ela como ela é extremamente feia. Já o mordomo parece bem normal e respeitoso, igualzinho aos mordomos dos mangás. Me pergunto se o nome dele seria Sebastian...

— Chamei vocês aqui porque preciso que vocês resolvam uma coisinha por mim, os empregados estão roubando a decoração do palácio e o dinheiro que deveria ser para o meu palácio está sendo desviado.

— Hmph!! Você tem alguma prova de que eles estão roubando, ou de que algum dinheiro está sendo desviado!? Pare de perturbar os adultos com coisas inúteis e vá brincar em seu quarto!! — disse a empregada enquanto empinava mais ainda sua cabeça.

— Sobre estarem roubando as decorações do palácio, é óbvio, é só você olhar a decoração do palácio, tem um monte de coisas faltando e se você olhar elas hoje, amanhã vão ter sumido mais delas. Não me importo com quem roubou, mas vocês deveriam resolver isso e obviamente não tem por que eu roubar a decoração do meu próprio Palácio.

"Apesar de que eu também estou roubando ela, né?"

— Agora, sobre os desvios, só precisamos dar uma boa olhada nos registros. O valor roubado é enorme, então provavelmente não será tão difícil. Sou o príncipe desse Palácio, então tenho o direito de ver esses registros.

"Sem contar que essa empregada por si própria é uma prova do dinheiro sendo desviado, haha!"

— Que merda uma criança como você está falando!? Por acaso você ao menos entende o que significa registros ou desvios de dinheiro!? Está querendo bancar o sabichão imitando adultos!?

— Verdade... Tinha me esquecido de que eu era uma criança, isso provavelmente deve ser um pouco estranho...

— Quê!!??

— Vou te mostrar os registros, vossa alteza, por aqui.

— Sebastian!! Oque você está fazendo, você vai dar olvidos ao que essa criança está falando!?

— Rebeca, mesmo que sua alteza ainda seja uma criança, ele é um príncipe e eu sou um mordomo, então eu deveria escutar suas palavras e obedecer.

— ... E o que ah com esses olhos brilhantes de repente!? — A empregada perguntou, olhando para mim.

Exato, eu estou com os olhos brilhantes, estou surpreso, o nome dele é realmente Sebastian! É até engraçado, aposto que quem criou esse mundo não tinha muita criatividade para nomes.

— Aqui está, os livros de registro.

Peguei os livros e comecei a ler e fazer as contas, sempre fui bom em matemática, então isso não era tão difícil. Depois de algum tempo, eu já havia encontrado vários erros e furos no orçamento.

— Aqui está, toda essa quantidade de dinheiro, que não se sabe para onde foi. Você pode verificar novamente para ter certeza Sebastian.

— Certo, vossa alteza.

Sebastian sempre soube sobre os desvios, ele apenas não falava nada nem se intrometia, para ele quem deveria perceber e fazer algo sobre, era Yuki.

— Vou resolver o resto e descobrir quem são as pessoas por trás dos desvios. — Disse Sebastian.

— O que você está falando Sebastian!! Você se esqueceu que estamos sob as ordens de Sua Alteza, a segunda concubina!? Você não pode fazer nada sobre isso!!

— Estou apenas sob ordens de Sua Majestade o Imperador.

— Velha, você sabia que você é super medonha? ~ E essa tal de segunda concubina deve ser outra bruxa não é mesmo? — Sussurrei em seu ouvido.

— O que você está falando!? Como se atreve uma simples criança ilegítima a falar assim de sua alteza!? Quer ser decapitado!?

— Hmm~~ do que você está falando? Não lembro de ter dito nada... Você não estaria ouvindo coisas? Emilly, você ouviu alguma coisa?

— Absolutamente, nada.

— E você, Sebastian? Você ouviu eu dizer alguma coisa?

— Estou velho, então meus ouvidos não são mais os mesmos, não tenho certeza se ouvi alguma coisa.

"Oh, ele está do meu lado, será? Ele falou do imperador, certo? Será que meu pai não é tão ruim assim e pediu ao Sebastian para cuidar de mim?... Hum... Seila, não importa." Pensei enquanto sorria.

— Sebastian!! Vocês vão ver, a segunda concubina os fara se arrepender!

— Certo! Estou ansioso por isso!~

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Em poucos dias, Sebastian resolveu todos os problemas que mencionei e até um pouco mais, finalmente tenho ao menos um poco de controle sobre esse palácio.

Espero que essa tal bruxa (segunda concubina) não me cause muitos problemas... Não quero me esforçar em alguma coisa, só quero relaxar...

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Agora, eu estava pensando nisso, mas eu realmente virei um garoto, né... Eu não me importo muito na realidade, em minha vida passada eu também tinha um jeito meio masculino e nessas épocas de igualdade eu já era praticamente um garoto... Tirando que meu cabelo era grande, eu usava maquiagem às vezes, eu gostava de caras... Ainda gosto, é claro, mas sou um cara agora, não é mesmo? Mas posso me passar por uma garota com esse rosto, é impossível não serem enganados!

— COMO SE ISSO FOSSE DAR CERTO!!

— V-vossa alteza?

— Só estava pensando que seria impossível me passar como uma mulher quando todas as pessoas por aqui já sabem que sou um homem e ainda por cima sou um príncipe e praticamente qualquer um iria acabar me reconhecendo... Além de eu não saber por quanto tempo vou continuar com um rosto tão feminino, eu ainda tenho apenas 6 anos, afinal.

— Como!?

— Nada, esquece. Aliás, essa sobremesa que você preparou para mim é muito deliciosa~~.

Não é como se eu não pudesse me tornar gay ou algo assim... Mas isso provavelmente seria muito problemático, me pergunto se algo assim não seria fora da lei por aqui ou algo do tipo... De qualquer forma, esse não é um assunto tão importante, já que não estou realmente interessado em namorar alguém.

Mas voltando a falar de assuntos verdadeiramente relevantes... Eu finalmente estou comendo comidas deliciosas e variadas! Isso é o paraíso, eu posso ler e comer o tanto que eu quiser e ainda por cima eu não preciso trabalhar!!~~

Me sinto tão feliz, espero que as coisas continuem pacíficas assi-... O que é isso? De repente, eu me sinto um tanto tonto... Não consigo ver o rosto de Emilly direito, hm? Minha consciência...

— Thudd!

— Vossa alteza!! Vossa alteza!! — Gritou Emilly em desespero. — Sebastian!! Alguém ajude a Sua Alteza!

Isso mesmo, eu havia desmaiado.

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"Sou irritante demais? Por isso, ninguém gosta de mim e até minha mãe não me aguentou e me abandonou, isso com certeza faz sentido, só pode ser isso, não é?... Por que... me sinto tão vazia?..."

— Ughh... Está muito claro...

Eu abri meus olhos lentamente, eles estavam levemente úmidos, parece que sonhei com algo desagradável... E... Tinha algo segurando minhas mãos, quando eu finalmente consegui focar minha visão, vi uma Emilly em lágrimas, ela parecia tão preocupada, que eu queria confortá-la antes de qualquer coisa...

— V-Vossa alteza!! Você acordou!! — Emilly me abraçou fortemente enquanto chorava mais ainda.

— Estou bem, Emilly, o que aconteceu?

— Sinto muito... Vossa alteza, a culpa é minha, se eu tivesse sido mais cuidadosa, se eu estivesse mais atenta...

— Por que você está falando como se eu tivesse perdido permanentemente um braço ou algo assim? Me fala logo o que aconteceu.

— O doce que você estava comendo naquela hora estava envenenado, por isso você desmaiou... Você quase morreu... Se não fosse por aquele jovem mago...

— Jovem mago!? O que um mago estaria fazendo num lugar desses? E não, isso não é sua culpa, Emilly. Não é como se você tivesse como adivinhar o que iria acontecer.

"Minha cabeça doí..."

— Ele disse estar aqui para testar suas habilidades em magia. Parece que ele também era um filho ilegítimo e se identificou um pouco por você, por isso ele queria te dar a oportunidade de se juntar à torre dos magos.

— Sério? Até que parece uma boa ideia... Os magos ganham dinheiro facilmente por lá, né? Eu também posso conseguir uns contatos e treinar mais minha magia, além de que vou correr menos risco de ser envenenado ou algo assim... Certo, eu até posso aceitar, mas assim que eu me estabilizar, planejo sair dessa tal torre.

Isso porque eu não quero trabalhos e responsabilidades. Vou deixar outras pessoas cuidarem de qualquer tipo de trabalho e vou aproveitar o conforto do dinheiro e do meu título de príncipe, se é que ele vale de alguma coisa.

Um garoto de cabelos prateados e olhos vermelhos, que de alguma forma pareciam um tanto sem vida, entrou no quarto. Ele sorriu largamente e abriu a boca para falar. Por um momento, eu senti um ar gelado na sala e o olhar dele parecia mais frio que o próprio gelo. Talvez eu tenha alucinado, porque quando olhei novamente, parecia apenas uma criança gentil e inocente.

— Você está melhor agora? Ainda bem que cheguei aqui a tempo, eu levei um susto quando escutei que Vossa Alteza havia sido envenenada.

— Sim, estou bem agora, obrigado por me tratar. Quanto preciso te pagar por isso?...

— Hahaha! Não tem necessidade de um pagamento ou qualquer coisa assim, eu apenas gostaria que nos tornássemos amigos, eu também sou um filho ilegítimo como você e as pessoas me evitam por isso, queria saber se você não poderia ser meu primeiro amigo? — de alguma forma seu sorriso parecia o sorriso de um vigarista, talvez eu estivesse sendo muito paranoico ou algo assim.

— Tudo bem, mas minha empregada me disse que você veio aqui por outra razão.

— Isso mesmo, eu queria testar suas habilidades mágicas! — ele tirou uma bola de cristal de sua bolsa e me entregou. — Aqui, isso é um medidor mágico, ele pode dizer as suas afinidades e o nível de talento que você possui nelas, é só você despejar um pouco da sua mana nela.

Fiz o que ele disse e nesse momento, vi a bola de cristal encher um pouco d'água, quase chegando na metade do cristal. Fazia um som engraçado também, como se estivesse enchendo um balde d'água na torneira.

— Hum, parece que você tem alguma afinidade com magia de água...

De repente, a água sumiu e a bola de cristal começou a brilhar completamente em roxo e estava puxando levemente minha mão para o centro dela. Aquele mago arregalou os olhos enquanto aproximava o rosto do cristal, analisando-o de perto, enquanto eu estava apenas confuso.

— Como!? Uma afinidade tão grande em magia de gravidade!? Tá de brincadeira!?

— Isso... É tão impressionante assim?

— Sem dúvidas, magia de gravidade já é um elemento extremamente raro e você ainda tem um talento tão grande para ela que cobriu o cristal inteiro de roxo!! O maior talento para a gravidade que vi só passava a poucos centímetros da metade do cristal! Você precisa vir comigo até a torre dos magos, sem falta!!

Parece que eu também tenho algum tipo de hack?... Bem, isso pode me ajudar a conseguir meu objetivo com mais facilidade.

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