Volume 1
Capítulo 12: O Brutal Draconiano Escarlate
[A Toca dos Leões, 10 de Junho de 812 da Era Mágica]
Eu e aquele ruivo nos encaramos como se fossemos os únicos naquele local do ringue de batalha. Dominic já havia dado início ao combate que aconteceria, eu e meu oponente estávamos circulando em volta do ringue, sempre de guarda alta e olhos fixos nos próximos movimentos que cada um usaria a qualquer momento.
Com toda a certeza aquele era um lutador formidável e cheio de experiência, pois muitos não estavam compreendendo o que estava acontecendo no ringue. Acharam estranho não começarmos a pancadaria logo que foi dado o início do combate. Pra ser mais claro e explicativo, ambos havíamos percebido o quão forte éramos, e por esse motivo começamos a nos estudar antes de agir por puro impulso.
— Ei?! Vocês vão lutar ou não?! — Gritou um dos homens de forma provocativa, enquanto começava a gargalhar.
— Se fosse você no ringue com qualquer um dos dois. Essa luta já teria sido finalizada em alguns poucos minutos. — Sadreen colocou uma toalha branca em volta de seu pescoço enquanto secava seu rosto e se aproximava de Miyuki e Fenrir. — Essa é a diferença de bons lutadores que voltam vivos pra casa. E lutadores como você, que morrem antes mesmo da parte principal da batalha.
Todos ali ficaram em silêncio ao perceberem o que Sadreen havia dito, e logo a atenção de todos eles se fixaram em nós mais uma vez quando finalmente paramos de frente um para o outro.
Nossos olhos se cerraram e quando todos menos esperavam um poderoso soco frontal de direita, veio em direção ao meu rosto como uma poderosa flecha. O golpe foi tão rápido que mal tive tempo para me esquivar, fazendo uma corrente de ar explosiva por todo o trajeto. Meus cabelos e o de toda plateia atrás de mim balançaram aos ventos provocados com tamanha força exercida naquele punho fechado. Meus olhos se arregalaram, enquanto que por trás daqueles olhos vermelhos brilhantes sob uma feição sombria, havia um sorriso maldoso e cruel.
— Ho ho! Você é interessante garoto! Ninguém nunca havia conseguido esquivar-se do meu soco de direita. — Eu estava em choque ainda com o havia acabado de acontecer, e sabia exatamente o que aconteceria se não desse um jeito de sair daquele transe, pois um segundo soco estava vindo de baixo para cima na região da minha barriga. – MAS EU NÃO VOU PEGAR LEVE COM VOCÊ!!!
Com um grito poderoso, coloquei toda a mana de minha benção divina em volta do braço direito, bloqueando o seu segundo ataque com dificuldade. Aquilo havia o deixado surpreso, e utilizando rapidamente da brecha que o mesmo havia deixado, o golpeei diretamente com toda a força que podia em seu rosto.
Meu soco de esquerda foi forte o suficiente para poder afastá-lo de mim por uma distância considerável, mas em compensação, eu havia machucado levemente a musculatura de ambos os meus punhos. Ele com certeza não era um humano comum, pois sua força era desproporcional, e sua pele era rígida como uma carapaça de escamas de dragão. Todos estavam em silêncio após o ocorrido, e logo o homem limpou seu rosto que estava sujo com o sangue da minha mão.
— Garoto... Você é o primeiro em anos que conseguiu fazer algo desse nível em mim. — Ele se recompôs. — Eu estou deverás admirado.
— Na verdade, eu que estou impressionado com tamanha força e resistência. Estou começando a cogitar que deveria ter ouvido o senhor Dominic antes de aceitar qualquer proposta. — Me coloquei em posição de combate novamente pronto para a investida que poderia vir a qualquer momento.
— É... Realmente você deveria ter ouvido. — Novamente ele abriu um sorriso mostrando seus dentes caninos anormais. — Eu estou me divertindo bastante aqui! Vamos continuar!
Ele investiu contra mim com uma velocidade impressionante, acertando um soco de baixo para cima na região do peito, me fazendo ficar no ar por alguns segundos antes de me lançar em direção à parede atrás da plateia com um poderoso soco no rosto, que me atingiu em cheio. Choquei com tanta força contra a parede que acabei rachando-a e até mesmo afundando a região do impacto. Senti como se tivesse quebrado alguma costela ou alguns ossos como consequência. Olhei para ele que ainda estava em pé no ringue com um grande sorriso no rosto.
— Ah! Verdade! Como eu pude esquecer!? – O grandão colocou as mãos sobre o rosto enquanto começava a rir. — Eu me chamo Bhalasar... Bhalasar Dragonshield! O último dos gloriosos Draconianos.
Me levantei saindo daqueles escombros um tanto machucado e com dificuldades para andar, mas segui até o ringue mais uma vez ficando frente a frente com ele.
— É um prazer Bhalasar. Mas agora que formalizamos mais as coisas. Vou colocar mais seriedade nisso. — Cerrei os dentes deixando lentamente a benção de Hawlking tomar conta do meu corpo, curando meus ferimentos com o aumentar da intensidade. — Eu sou Magnus Wingsfield! Príncipe regente do Reino caído de Eldoria, e o Último Eldoriano de sangue real abençoado pela Deusa Águia Hawlking !
— Magnífico!!! Venha Príncipe Águia!!! — Gritou Bhalasar pisando com força ao entrar em sua posição de combate.
Em volto de uma aura dourada, avancei contra Bhalasar com uma velocidade próxima a dele, deixando-o confuso. Dessa forma abri uma brecha perfeita para que encaixasse uma sequência de dois socos seguidos em seu rosto, finalizando com um poderoso chute na região da sua barriga.
Ele pareceu aguentar com facilidade, e antes que pudesse me afastar, o mesmo avançou e desferiu três socos em sequência que me vi obrigado a desviar sem deixar que ele me acertasse.
A sequência de golpes e bloqueios acontecia naturalmente em uma velocidade incrível, porém, só estava aguentando tamanho poder inimigo por causa da minha benção que continuava a me curar durante a batalha. Tenho plena certeza que se fosse um homem qualquer em meu lugar, ele não teria a menor chance contra aqueles movimentos brutais.
Bhalasar não tinha a menor intenção de me deixar sair ileso daquele confronto, então teria que pelo menos ser mais estrategista que ele naquele momento. Mesmo com a proteção da benção, ele ainda era forte o suficiente pra me fazer sentir cada soco que era aplicado. Por esse motivo, mudei minha forma de combate visando me esquivar e atacá-lo com contra ataques rápidos.
Meu objetivo era tentar deixá-lo cansado e ao mesmo tempo machuca-lo aos poucos sem que ele pudesse perceber seus danos físicos se acumulando.
Pensando dessa forma, Bhalasar me socava com sua brutalidade, e eu desviava aplicando socos em sua barriga e rosto, ou poderosos chute nas costas, costela e pernas.
Evitei que acabasse me machucando desnecessariamente contra ele, mas por outro lado acabei não prevendo durante as minhas sequências a sua percepção incrivelmente apurada. Com um grito assustador, Bhalasar bloqueou meu chute agarrando meu calcanhar e em seguida meu rosto, me enterrando violentamente no chão. No momento senti o brilho em meus olhos sumir momentaneamente, seguido do ar que estava em meu peito.
— Você é um oponente formidável... — Disse ele ao se levantar devagar me soltando no chão. Mas algo me chamou a atenção naquele momento, pois o ruivo estava ofegante. — Mas infelizmente ainda não é o suficie... Espera...
— Dói né? — Rolei para o lado tossindo forte ao recuperar o ar, e então comecei a me levantar com dificuldade limpando o sangue que descia da minha boca.
— O que foi... O que foi que você fez?! — Gritou ele para mim ainda ofegante.
— Pensei com a cabeça... E não com os punhos. — Claramente machucado e sem quaisquer meios de continuar a luta, levantei minha guarda mostrando que ainda não havia desistido, mesmo que já derrotado.
Bhalasar olhou para seu corpo, e começou a perceber o quão machucado e cheio de marcas de combate estava. Havia um corte pequeno abaixo de seu olho direito que estava começando a sangrar. Ele então passou a sua mão na região e olhou para ela manchada com seu próprio sangue dessa vez.
— Você me fez sangrar?! — Seus olhos ficaram cerrados e cheios de fúria. – Vou te plantar no chão!!! Pra que não saia mais de baixo dos meus pés!
— Pois bem... — Pisei firmemente no chão, carregando toda a mana que ainda tinha no meu braço direito. — Quero ver você tentar!
Com um grito poderoso, Bhalasar investiu contra mim com seu poderoso punho pronto para me acertar. Agindo por impulso, avancei rapidamente usando minhas últimas forças contra ele. Vindo de baixo para cima, ao ficar próximo suficiente para que seu soco não tivesse mais alcance acertei seu rosto com toda a força que me restava com um soco carregado de força e violência.
Começamos a gritar juntos, enquanto eu forçava o soco, mas ele era muito resistente, e ali dei a brecha perfeita que precisava. Usando sua força brutal ele agarrou meu pescoço me jogando violentamente mais uma vez contra o chão, finalizando por completo nossa luta naquele ringue.
Bhalasar me soltou cambaleando para trás enquanto tentava manter seu equilíbrio. Minha visão ficou turva, e tudo o que podia ouvir era um som abafado de Miyuki e Dominic gritando meu nome. Bhalasar por sua vez caiu de joelhos no chão, até que finalmente caiu desacordado antes que perdesse minha consciência completamente também.
[...]
Essa com certeza foi s maior surra que já havia tomado em toda minha vida, isso era inegável. Mas isso, obviamente, foi o fruto que colhi após plantar arrogância, afinal eu havia sido alertado sobre a força do meu oponente. Talvez não tenha sido a escolha mais inteligente, mas com certeza foi uma escolha que me trouxe algum grau de aprendizado por ter subestimado meu rival.
Enquanto estava desacordado, eu me vi em um lugar ao qual não visitava há muitos anos. A escuridão imensa que me circundava, não era nada comparado a incrível luz que emanava da imagem distorcida daquela enorme águia de penas douradas. Dessa vez, eu não tinha medo, e muito menos motivos para desconfiar do que estava acontecendo, e gradativamente eu me aproximei da Águia que me observava de cima para baixo.
— Magnus Wingsfield. — Uma voz feminina ecoou por todo aquele lugar. Aquela era Hawlking me chamando pelo meu nome. — Você me teme?
— Não mais, majestosa Hawlking. — Olhei para ela fixamente em seus olhos.
— Imaginei que nunca perderia o medo que sentia de mim ainda quando era menor. — A águia aproximou seu bico do meu rosto.
— Eu era inexperiente e sem conhecimento do quanto você deveria significar para mim. — Tentei tocar seu bico, mas ela se afastou abruptamente.
— Mesmo que tenha crescido me exaltando em suas orações jovem lorde? — O questionamento dela era realmente muito certeiro quanto a hipocrisia da minha parte.
— De fato, fui hipócrita de não ter confiado mais no que as palavras das minhas orações dizem e correspondem as minhas crenças. Mas hoje entendo muitas coisas que não entendia no passado. — Ainda olhando para ela, nossos olhos ficaram fixos um no outro por alguns segundos, até que ela finalmente baixou seu bico e o encostou em minha testa.
— Eu aceitarei seu pedido de perdão. — Hawlking foi compreensiva e bondosa, e merecia todo o respeito que poderia dar a ela. Afinal de contas, eu só estou vivo até hoje por conta de sua benção. — Você deve ir até o Reino Élfico Magnus, se quiser salvar seu povo e tudo o que há em Thâmitris. Deverá subir aos Domínios Sacro Mágico, lá você encontrará o que precisa pra vencer seus desafios.
— Espera! Como assim!? Hawlking! — Ela se afastou de mim enquanto sua imagem lentamente foi se dissipando. — Ei! Hawlking!!
— Boa sorte... Magnus – E assim ela desapareceu.
[...]
— HAWLKING!!! — Gritei acordando em um quarto, me levantando abruptamente de uma cama.
Eu estava ofegante e suando frio, mas algo me dizia que Hawlking não viria até mim daquela forma, se não fosse por algo realmente importante. Meu objetivo principal agora era subir aos dos Domínios Sacro Mágicos. Coloquei a mão sobre minha testa, erguendo meus cabelos enquanto restabelecia minha respiração.
— Lorde Magnus? — A porta do quarto se abriu enquanto Miyuki entrava lentamente. — Pelos deuses! Você está bem?!
— Eu estou sim. Foi só um... Sonho... — Olhei para ela que correu até mim pegando meu rosto com as duas mãos.
— Cuidei de você como havia me dito. — Um sorriso gentil se fez no rosto de Miyuki. Ela realmente havia cuidado de mim e dos meus ferimentos, pois havia ataduras pelo meu corpo, e todos os cortes haviam sido tratados.
— Eu agradeço... — Sorri para ela em resposta.
— Eu posso entrar? — Dominic bateu na porta duas vezes enquanto mantinha sua cabeça entre o vão aberto. — Se não estiver incomodando, claro!
— Pode entrar sim Dominic, não se preocupe. — Ele abriu a porta deixando Fenrir entrar, que logo correu até mim me dando uma lambida no rosto.
— Ah cara... Sério amigão? —Fenrir latiu em resposta.
— Tem uma pessoa aqui que quer falar com você. — Dominic se aproximou lentamente de Fenrir, enquanto que o grande ruivo Draconiano, Bhalasar Dragonshield passava pela porta com calma.
— Se me dão licença, eu estou entrando. — A voz imponente daquele guerreiro pareceu tomar conta de todo quarto por alguns segundos. Olhando mais atentamente, percebi que assim como eu, ele estava com seu braço em volto de uma atadura, além de um grande curativo na região do último soco que lhe dei no rosto.
Bhalasar se aproximou de Dominic, ficando lado a lado com ele enquanto me olhavam, e então contra todas as minhas expectativas e achismos, o draconiano colocou seu punho fechado sobre seu peito, se colocando de joelhos diante de mim.
— Ah... Espera... O que está acontecendo? — Sem entender nada olhei para Dominic que me deu um sorriso calmo como resposta.
— Vocês haviam entrado em um acordo que se você vencesse, ele iria confiar em você. E acreditar no seu potencial. Correto? — Dominic colocou as mãos entrelaçadas por trás das suas costas.
— E... Eu ganhei? — Ainda sem entender o que estava acontecendo, fiz a pergunta que todos esperavam.
— A princípio sim. Afinal Bhalasar perdeu a consciência completamente antes de você. — Dominic olhou para Bhalasar que claramente ficou um pouco incomodado com aquela afirmação.
— O soco que você me deu foi surpreendentemente incrível. — Bhalasar levantou sua cabeça para falar comigo. — Conversei com Dominic e ninguém nunca havia lutado comigo em tamanho pé de igualdade, e muito menos ganhado de mim por nocaute. Por isso, decidi que servirei a você oficialmente daqui por diante Lorde Magnus. Confio que seus motivos e objetivos sejam atrelados a causa de Dominic, e se assim for de seu desejo me tornarei pertencente da Nova Eldoria que está por vir com orgulho!
— Ah... — Olhei para Miyuki que abriu um grande sorriso assentindo sem parar com a cabeça. — Muito bem... Eu vou aceitar Bhalasar Dragonshield!
— Eu agradeço! Lorde Magnus! Estou as suas ordens! — Ele então se levantou, fez reverência e se retirou do local.
— Isso foi bem repentino eu diria. — Falei ainda tentado assimilar o que havia acabado de acontecer.
— Você vai se acostumar. — Entre gargalhadas, Dominic parecia estar se divertindo com toda a situação. — Bhalasar é um grande guerreiro. E um grande amigo. Quando tiver a oportunidade o ouça dizer um pouco sobre a sua história pessoal, pode ser que você se veja nele como pessoa.
— Vou lembrar dessa sugestão, obrigado Dominic. — Dominic começou a caminhar em direção a porta.
— Não se preocupe. Vamos vencer todos os problemas juntos! Descanse Lorde Magnus. — E assim ele saiu pela porta do quarto, me deixando a sós com Miyuki e Fenrir.
— Conseguiu uma bela aquisição não é mesmo? — Ela parecia animada de termos aquele Draconiano no nosso exército.
— Bem... Forte ele realmente é, então acredito que de alguma forma estamos fazendo progresso. — Sorri para ela em resposta a toda aquela animação — Miyuki... Hawlking falou comigo...
— Sério? Foi por isso que você acordou daquele jeito? — Ela passou sua mão pelos meus cabelos carinhosamente.
— Sim. Ela me deu uma missão. Disse que se eu fosse até os Domínios Sacro Mágico encontraria o que preciso para vencer o que está por vir. — Expliquei a Miyuki colocando minha mão sobre a dela. — Vou precisar acreditar no que a deusa me disse. E fazer o que ela me pede. Afinal, ainda sou o portador de sua benção.
— Estou logo atrás de você Meu Rei. — Nossos olhares se cruzaram, e assim ficamos fixamente até que nossos lábios se tocaram.
Miyuki montou em cima de minha cintura com delicadeza, enquanto que minhas mãos automaticamente escorregaram em volta de sua cintura.
— Eu já estava ficando com saudades de fazer isso. — Ela sorriu enquanto me beijava.
[...]
[A Toca dos Leões, 11 de Junho de 812 da Era Mágica]
Um grito esforçado foi dado por Bhalasar, após dar a última martelada no grande prego que faltava para terminar de construir uma Manganela que usaríamos em nossa missão. Tratava-se de uma arma de cerco, ou mais precisamente uma catapulta móvel, onde poderíamos puxá-la ou empurrá-la até o local.
Estávamos no meio de uma reunião logo pela manhã, onde eu, Dominic, Bhalasar, Sadreen e alguns soldados compareceram. Com as informações que eles haviam me fornecido, consegui ter certa noção de onde estaríamos colocando os pés durante a missão de invasão.
Era um antigo feudo que foi massacrado pelo exército vermelho Algardiano, e que estava sendo usado como base para experimentos e projetos utilizando cobaias humanas vivas. A região se tornou tão inóspita e inacessível, que uma espécie de névoa de Miasma tomou conta de todo o terreno em sua volta. Eles acreditam veementemente que alguma criação demoníaca está sendo a responsável pela aparição da névoa tóxica.
O local está sendo protegido por algumas aberrações demoníacas e algum estudioso maluco, que continua a fazer experiências desumanas. Nesse momento da reunião a médica anteriormente apresentada por Dominic como Ursula, também explicou que esse miasma está causando as pessoas com uma doença pulmonar letal.
Se for inalada em altas quantidades a pessoa definhará com o tempo, causando problemas respiratórios até o ponto de progredir para hemorragias internas.
— Essa será uma Tarefa complexa e muito perigosa senhores. Vocês tem plena certeza de que vão querer entrar nessa expedição? — Ursula estava realmente preocupada com todos naquela sala, mas seu olhar estava focado em ver como Dominic reagiria.
— Acredito que com o Lorde Magnus aqui conseguiremos alcançar a vitória que precisamos. A estratégia que foi traçada por ele é muito bem organizada, e não precisaremos entrar em contato com o miasma. Ou pelo menos não tanto. — Dominic pousou sua mão sobre meu ombro. — Os Leões estão ao seu lado, Lorde Águia. Por favor, seja nossos olhos!
Olhei calmamente para cada um diante daquela mesa, vendo o quanto estavam determinados em atingir o objetivo que havia sido traçado.
— Não vou prometer que trarei todos em plena saúde e segurança para casa. Afinal vamos estar expostos a qualquer situação que aparecer. — Cruzei os braços dessa vez olhando para Ursula. — Vou dar meu melhor para que não precise ter muito trabalho com eles. Vou pedir apenas que confie em mim por agora.
— Você vai entrar no Miasma nesse seu plano maluco? Tem certeza de que ficará bem? — Ela colocou as mãos sob a cintura arqueando a sobrancelha. — Eu cuidei e vi com meus próprios olhos os males que esse miasma pode fazer com quem o inala.
— Eu não tenho certeza de nada. Mas quero confiar que minha benção é mais forte do que esse miasma. — Me apoiei sobre a mesa onde um mapa improvisado da região havia sido colocado para fins estratégicos. — Muito bem! Então estaremos dividos dessa forma! A primeira equipe será comandada por Dominic, farão a proteção das três Manganelas que usaremos para destruir as construções e fazer a invasão final. Certifique-se de que nada aconteça com elas, serão muito úteis para o final dessa missão.
— Entendido! Vou garantir junto aos meus homens de que nada aconteça com elas! — Dominic demonstrou sua confiança.
— A segunda equipe ficará pronta para efetuar uma emboscada armada! Por isso quero arqueiros nesse ponto do campo de batalha. — Coloquei uma peça de madeira com um arco entalhado na sua estrutura, em cima de um local estratégico de distância e altitude relativas, para facilitar a mira dos arqueiros. — E também uma cavalaria pronta para avançar contra a infantaria inimiga, nessas posições opostas. Mas que fiquem entre a primeira equipe e os arqueiros.
— Dessa forma a emboscada dos cavaleiros irá diretamente para a infantaria e dará a chance perfeita para que os arqueiros disparem suas flechas quando oportuno. Muito astuto. — Sadreen colocou a mão sobre seu queixo analisando o plano que estava sendo traçado.
— Sadreen e Bhalasar! — Bhalasar que estava terminando de ajustar a Manganela, parou imediatamente o que estava fazendo para erguer sua cabeça na minha direção com uma feição de quem diz: “Me chamou?” — Vocês farão a invasão junto comigo, seremos a terceira e última equipe. A equipe de assalto. Entraremos lá e daremos fim a esses projetos bizarros. Atearemos fogo em todo o lugar e iremos embora o mais rápido possível.
— Entendido! As suas ordens Lorde Magnus! — Bhalasar não parecia nem um pouco intimidado com o fato de entrarmos no meio de todo aquele Miasma.
— Será uma honra Lorde Magnus. Mas me tire uma dúvida! Você, sabemos que possivelmente será imune ao miasma, por conta de sua benção divina. — Sadreen cruzou os braços me olhando. — Mas e quanto a mim e ao Bhalasar? Como poderemos entrar naquela névoa sem acabarmos infectados?
— Ah qualé!!! Tá com medo de uma nevoazinha Sadreen!? — Bhalasar abraçou o pescoço de Sadreen em tom provocativo enquanto gargalhava. — Será uma honra morrer em missão junto a vocês!
— Eu agradeço Bhalasar. Mas nesse caso Sadreen tem razão. — Coloquei a última peça que simbolizava eu e aqueles dois marmanjos. — Não sou tão bom com magia quanto meu irmão mais novo era. Mas aprendi algumas coisas com ele. Consigo manter vocês abençoados com a proteção de Hawlking por alguns momentos antes da minha mana se esgotar. Por isso que teremos que agir o mais rápido possível!
— Agora está fazendo mais sentido na minha cabeça! — Sadreen pareceu mais animado. — Minha lança sentirá o gosto do sangue daqueles porcos Algardianos mais uma vez!
— Quando vocês irão partir Lorde Magnus? — Ursula parecia levemente mais calma após ouvir como o planejamento iria ser colocado em prática no campo de batalha.
— Iremos partir em cinco dias! É tempo mais que o suficiente para que a logística das coisas sejam devidamente organizadas e posicionadas. E também será o tempo necessário para treinar os soldados. — Olhei Ursula confiante quanto as minhas escolhas e habilidade lógicas. — Quantos cavalos temos em seu estábulo Dominic?
— Cerca de vinte cavalos prontos para a guerra! — Respondeu ele orgulhoso.
— Corte as fêmeas e o seu melhor macho. — Barrei sua felicidade de imediato. — O ideal é mantermos a as fêmeas sempre prenhas do melhor cavalo que você tiver, para que não tenhamos que sair por aí buscando cavalos para domesticar.
— Bem. Nesse caso só temos quinze cavalos, contando com o de Sadreen. — Ele sorriu um tanto sem graça. — Serão sete cavalos para cada uma das duas equipes de cavaleiros, e se caso Sadreen quiser de juntar a cavalaria no final... Será de grande ajuda.
— Acredito que será o suficiente. — Respondi a ele imaginando a situação que aconteceria no momento da emboscada. – Com isso finalizamos essa reunião! Aproveitem esses cinco dias para treinar e se preparem. Dominic e eu cuidaremos da parte da logística. Nos encontraremos no campo de batalha senhores!
Enquanto todos estavam saindo do local da reunião, Bhalasar terminava de fazer a última verificação da Manganela. Mas acabei me lembrando sobre o que Dominic havia me dito sobre conhecê-lo melhor, então acreditei que aquela era melhor oportunidade que havia no momento.
— Bhalasar! — Chamei sua atenção, fazendo-o automaticamente se virar parar mim.
— Lorde Magnus, como posso te ajudar? — Ele colocou o punho fechado sobre seu peito em sinal de respeito.
— Onde aprendeu a saudação militar Eldoriana? — Ele então sorriu um tanto sem graça.
— Digamos que ouvi muito sobre vocês... Também ouvi como haviam resistido bravamente a investida Algardiana, mesmo que no final tivessem um fim trágico. Sinto muito pelos seus familiares e pessoas próximas, rapaz. — Bhalasar estava calmo e gentil, nem se parecia com o homem brutal e violento que havia conhecido um dia atrás.
— Eu agradeço. Vamos a taverna? Eu pago uma bebida pra você. Afinal, nada como um bom vinho matinal! — Sorrindo para ele, a resposta veio quase que imediata.
— Vai acabar se arrependendo! Eu não fico bêbado tão facilmente, e sou um tremendo beberrão! — De forma orgulhosa, ele apontou para si mesmo usando o polegar.
— Nesse caso vou tentar não falir pagando vinho para você! — Começamos a caminhar em direção a taverna da toca dos leões.
Bhalasar era um ser um tanto quanto curioso, pois enquanto bebíamos, começamos a compartilhar um pouco sobre nossas experiências de vida. Pra minha surpresa ele não era tão diferente de mim, e as similaridades eram bem assustadoras. Como quase tudo nesse mundo está interligado com as invasões de Algardia e a outros povos e culturas, com Bhalasar não seria diferente. Ele perdeu tudo o que tinha ainda quando era um garoto na idade dos draconianos.
Eles vivem muitos anos a mais se comparados a humanos, mas em contra partida demoram um pouco mais para atingir a idade adulta. Os Domínios Draconianos foram os primeiros a serem invadidos por Algardia, e de forma covarde foram completamente dizimados sem a menor chance de proteção. Bhalasar viu cada um de seus entes queridos serem mortos um a um, ele foi o único que sobreviveu ao massacre declarado.
Desde então ele veio sobrevivendo, treinando e lutando como podia para se tornar o melhor entre os guerreiros. Seu ódio por Algardia era notável, e o seu maior objetivo é esmagar cada um daqueles que um dia tiraram tudo que era importante para ele. Por mais que Bhalasar seja um pouco calado, cético e até brutal às vezes, nada tira o fato de que ele tem motivos claros para ser assim.
E agora mais do que qualquer um, eu podia dizer que entendia que por trás daquela carapaça pesada e grossa de dragão, havia um homem gentil, divertido e muito leal aqueles que considerava sua família.
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