Volume 2
Capítulo 11: O Lugar Onde a Lua Nasce
Após uma semana, as aulas do colégio Sakuraen voltaram. Muitos estudantes conversavam sobre os acontecimentos daquele dia. Obviamente, a verdade sobre o que ocorreu foi encoberta, com as notícias revelando um suposto ato terrorista na escola, o que, de certa forma, não está muito longe dos fatos.
Apesar da gravidade do ocorrido, as aulas retornaram normalmente, com a única mudança sendo a quantidade de oficiais de polícia rondando o prédio. Na entrada, havia pessoas vistoriando as mochilas dos alunos. A segurança foi reforçada, por motivos óbvios.
Durante o intervalo, Luna e suas amigas conversavam como de costume.
— Eu ainda acho que tem mais coisas nessa história… — falou Chika, ainda um pouco incrédula com as notícias.
— As notícias explicaram de forma clara, eu acho. Não é bom ficar criando teorias da conspiração. — respondeu Luna tentando disfarçar a verdade.
A garota, que havia presenciado tudo de camarote, estava um pouco triste de ter que mentir para suas amigas, principalmente a Chika. Mas sabia que isso era necessário, para que pudesse protegê-las de todo o caos.
Enquanto ela se lamentava, uma voz familiar surgiu por trás das duas.
— Concordo com a Gekkou-san, teorias sem provas não valem de nada — Disse Miyuki Matsuo, nova amiga da Luna e Chika.
Hana apresentou Miyuki a Luna durante o recesso, sem notar que as duas já dividiam a mesma sala de aula. Por trás das lentes de seus óculos, a mente genial da jovem — herdeira do clã Matsuo e mestre na magia de madeira — processava tudo com precisão lógica. Sua compostura impecável, porém, só falhava diante de uma única fraqueza: os gatos, sua mais confessa e absoluta paixão.
— Aliás, Luna, — disse Chika, mudando completamente de assunto. — Gostei do novo corte!
— Ah, isso? Bem, coisas aconteceram e tive que mudar um pouco.
— Também acho que ficou lindo. Combina bastante contigo. — falou Watanabe, e Shindo assentiu logo em seguida.
— Mesmo…? O-obrigada.
Aquele corte de cabelo não foi por acaso. Depois que Luna quase foi atingida durante a batalha contra os inimigos desconhecidos, seu cabelo ficou desorganizado, então teve que aparar as pontas. Ela lamentou ter que mudar de penteado de repente naquele momento, mas, com o elogio de suas amigas, essa preocupação se esvaiu.
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O restante da primavera passou sem nenhuma anormalidade. Logo Luna se via à beira das férias de verão. Desde que seu pai falou sobre a viagem de treinamento, ela esteve ansiosa, e um pouco apreensiva. Já que entrou de cabeça em um mundo totalmente novo, a pequena e frágil garota pensava se realmente tinha o que era preciso para enfrentar os desafios que viriam pela frente.
Depois das provas de fim do semestre, Luna e Chika estavam na sala do clube de Novels, discutindo sobre seu desempenho.
— Ahhh… Tenho certeza de que vou tirar uma nota vermelha… — disse Chika, suspirando.
— Não se preocupe, Chika, vai dar tudo certo. — disse Luna, tentando acalmá-la.
— Para você é fácil falar! Você é praticamente fluente em Inglês!
— Fluente é exagero. Ainda me falta muito a aprender.
— Você literalmente traduz as novels no clube… — disse Ryuu. — Aliás, Chika, o que faz aqui?
— Só estou conversando com minha amiga, algum problema?
— A sala do clube é apenas para os membros.
— Ah Ryuu, deixe de ser chato! — retrucou Eru. — Ela pode ficar o quanto quiser.
Apesar de Chika não fazer parte do clube de Novels, ela era uma boa amiga da presidente, e frequentava a sala de vez em quando. Eru já a havia chamado várias vezes, mas ela nunca aceitou, com o pretexto de que não tinha muito interesse em novels.
Após isso, Chika usou novamente suas habilidades de mudar de assunto para perguntar sobre o que os outros fariam nas férias de verão. Luna ficou apreensiva, pensando se poderia ou não revelar suas atividades. Suas duas amigas então disseram estarem completamente livres. Mas, então chegou a vez dela, e ela não conseguiu aguentar a pressão dos olhares curiosos em sua direção.
— Eu… Eu vou viajar… — disse ela.
— Uma viagem? Para onde? — perguntou Eru.
— Okinawa…
— Oh! — exclamou Chika. — Um típico destino de viagens de verão!
Ryuu então olhou para ela com um olhar de decepção, e ela o olhou de volta com uma expressão arrependida. Chika, com sua percepção afiada, logo se deu conta da situação.
— Espere… Por acaso vocês vão juntos?!
— Eh? Ah… na verdade sim… — respondeu Luna.
Neste momento, a garota enérgica e a presidente do clube olharam uma para a outra e depois de volta para Luna, com uma expressão pretensiosa e animada. Elas já haviam presenciado de antemão a relação entre os dois amigos de infância, e, com sua intuição questionável, sabiam que havia algo que eles pareciam não ter percebido ainda. A garota logo percebeu o que se passava na cabeça de suas amigas de imaginação fértil.
— N-não é nada disso que estão pensando! Nossos pais vão também! — explicou Luna, tentando fazer com que elas desistissem daquele pensamento.
— Não estamos pensando nada! Não é, Yoshimoto-senpai? — falou Chika, num tom irônico.
Eru balançou sua cabeça em negação. Mas o sorriso em seu rosto falava outra coisa.
Então, a porta do clube se abriu, e por trás dela apareceram Hana e mais um garoto.
— Ah, aí estão vocês. — disse Hana, olhando para Luna e Ryuu.
— Hana nee-san… e o Haru nii-san também? O que fazem aqui?
— Temos uma coisa para discutir — disse Haru.
Haru Aoki, o irmão gêmeo de Hana, era o capitão do time de futebol da escola. Inteligente, atlético e charmoso, ele era o típico garoto popular da escola, o qual várias garotas da escola admiravam. Por conhecê-lo desde sua infância, Luna não o via com esses olhos, mas ela podia compreender o sucesso dele com as meninas.
— É sobre a viagem? — perguntou Luna.
Os dois imediatamente colocaram uma expressão de surpresa em seus rostos, e então olharam para Ryuu, que virou a cabeça para baixo e a balançou. Hana então suspirou.
— Isso — respondeu. — Ainda temos algumas coisas para planejar e fazer.
— Vocês também vão nessa viagem? — perguntou Eru.
— Sim. É uma viagem em conjunto das três famílias. Nossos pais disseram que queriam se reconectar após passarem um tempo distantes.
— Que interessante!
— Bom, te aguardamos lá fora, Luna. É melhor conversarmos em um lugar mais reservado. — falou Haru antes de sair da sala do clube, juntamente com seu irmão.
Assim que os dois foram embora, Chika prontamente partiu para o ataque.
— Luna-chi… — disse ela, com o rosto abaixado se aproximando da Luna.
— Hã?
— Por favor, me deixe ir junto?
— O quê?
Chika estava decidida. Ela iria junto com Luna em sua viagem, e ficaria mais próxima de Haru. Ela estava pronta para fazer de tudo para que sua amiga a deixasse ir também. Enquanto isso, Luna conseguia sentir a determinação de Chika, mas, apesar de que gostaria bastante da ideia, infelizmente essa não era uma opção.
— Ah… Me desculpe, Chika. Mas não vai dar.
— Por favor, Luna-chi… não, Luna-sama!
— ‘sama’?
— Eu faço o que você quiser! Só, por favor, me deixe ir com vocês!
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Era uma tarde típica de fim de verão em Quioto; o sol baixava no horizonte, tingindo o céu de laranja e roxo. A luz amarelada alongava as sombras das palmeiras e dos postes, criando um contraste dramático com o azul escuro dos uniformes estudantis. O portão do Colégio Sakuraen regurgitava a última onda de alunos. Eles se dispersavam rapidamente, ansiosos pelo cheiro de liberdade das férias que se iniciavam.
O ar estava pesado, denso com a umidade pós-chuva e o cheiro metálico e adocicado de incenso de verão vindo de alguma casa próxima. O calor era uma massa pegajosa que grudava o tecido da camisa em suas costas.
Luna e Ryuu caminhavam lado a lado na calçada estreita. Ryuu, com seu passo habitual e metódico, parecia absorvido em seus próprios pensamentos. Ele carregava a bolsa com o cuidado de quem transportava algo frágil, e seus olhos estavam fixos na frente, como se estivesse calculando a rota mais eficiente para casa.
Luna, por outro lado, tentava absorver cada detalhe. O som distante de um trem, o ronronar de um gato de rua espreguiçando-se sob um carro, o burburinho alegre dos estudantes se despedindo. Ela estava muito nervosa por estar voltando com Ryuu para casa, mas não entendia o motivo ao certo, então buscava se distrair com o ambiente.
— Ryuu! — chamou Luna, parando de repente e puxando-o pela manga do uniforme.
— Eh, o que foi Luna?
Ele a encarou, confuso com a interrupção abrupta. A cafeteria “Moonrise”, um lugar pequeno e tranquilo que costumavam ignorar no caminho, estava bem ali, com suas tortas e menu à mostra.
— Que tal uma pausa? Estou morrendo de calor e estou querendo provar a nova torta de chocolate branco da Moonrise — Luna sorriu, apontando para a fachada de madeira com um charme irresistível.
— Mas estamos quase em casa. E você tem que terminar de arrumar suas coisas para a viagem. — Ryuu franziu a testa, como quem não gosta de planos repentinos, mas ele a conhecia bem demais. Quando Luna fazia aquele olhar, ele sabia que a batalha estava perdida.
— Por favor? Pode ser nosso último momento juntos antes da viagem de treinamento… — Ela brincou, mas a menção ao treinamento trouxe um leve tom sério à sua voz.
Ryuu suspirou, um leve sorriso se formando em seus lábios, ele sabia que não conseguia ser frio ao ver a cara fofa que Luna fazia.
— Certo. Vamos entrar e pegar uma mesa. Vou pegar um café gelado para refrescar.
Eles entraram na cafeteria. O sino da porta tilintou, e o frescor artificial do ar-condicionado foi um alívio imediato. Eles se sentaram em uma mesa de canto, ao lado de uma janela com vista para a rua movimentada e a um pôster colado na parede.
Após fazerem seus pedidos, Luna observava Ryuu. Ele estava mexendo em seu celular, provavelmente checando alguma fórmula de matemática que o intrigava.
— Você está ansioso? — perguntou Luna.
— Pela viagem?
— Pelo… treinamento.
Ryuu levantou os olhos, a expressão voltando à sua seriedade habitual.
— Eu não estou ansioso, Luna. Estou pronto, este é apenas mais um passo para alcançar meu objetivo — Ele fez uma pausa, e sua voz se suavizou. — Estou mais acostumado que você a esses poderes, já tenho noção de como controlá-los.
— Eu sei. — Luna olhou para a rua. — É só que… desde aquele dia, tudo tem sido tão… pesado. Segredos, mentiras, o ataque na escola… Sinto falta de como as coisas eram antes.
Nesse momento, uma funcionária trouxe os cafés gelados e a torta de chocolate branco que a Luna queria provar. O cheiro de café e a doçura do açúcar preencheram a mesa.
— Falando em como era antes… — Luna pegou o canudo, sorrindo de novo. — Estou vendo um panfleto naquela parede ali. O Festival de Fogos de Artifício, é depois de amanhã. Na noite antes da nossa viagem.
Ryuu engoliu em seco. Aquele festival era sempre lotado. Centenas de pessoas, trânsito caótico, e a música alta das barracas.
— Fogos de artifício? Luna, a gente sai bem cedo no dia seguinte. E o festival é uma confusão. Não seria melhor descansarmos? — Disse Ryuu, tentando se esquivar do evento.
— Não! É exatamente o que precisamos! — Ela se inclinou sobre a mesa, os olhos brilhando com uma determinação que ele reconhecia como impossível de vencer. — Um último momento antes de virar a chave, entende? Praia, sol, e depois treinamento até o fim das férias. Não podemos pular os fogos de artifício!
— Luna…
— Por favor, Ryuu. Por mim? Tenho vergonha de dizer isso, mas… eu gostaria que fosse comigo…
Ao escutar o que Luna havia dito, Ryuu corou e tentou encarar seu café para disfarçar, depois encarou Luna. Ela havia puxado todas as cartas, e ele não tinha como resistir àquele apelo dela e seu olhar encantador.
— Tudo bem. — Ele suspirou, resignado. — Às dezoito horas. Mas se você se atrasar, eu te deixo para trás.
— Sério?! Muito obrigada, Ryuu — diz Luna se encolhendo na cadeira de vergonha.
Ryuu apenas tomou um gole de seu café gelado, permitindo-se um sorriso pequeno e quase invisível. Ele não era bom com demonstrações de afeto, mas faria qualquer coisa para ver Luna sorrir assim novamente, apesar de sua personalidade não demonstrar isso. A promessa dos fogos de artifício será um pequeno conforto antes de terem que ralar nas férias de verão.
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