Volume 1

Capítulo 96: Aqueles Que Se Reúnem Devem Se Separar

(2)

Essa era a terceira vez que Seo Jun-Ho ia ao Mercado dos Jogadores desde que voltou.

— Está sempre movimentado toda vez que venho aqui. 

Mas era por isso que ele gostava. Ele vinha sempre que estava preocupado ou deprimido, pois a energia das pessoas agitadas o fazia se sentir melhor. Quando ele viu as pessoas circulando, sentiu que também precisava se esforçar ainda mais.

— Nossa, este é um lugar interessante. — Era a primeira vez que a Rainha Gélida vinha aqui. Ela girou em volta de Seo Jun-Ho, olhando ao seu redor. De repente, ela puxou a camisa dele.

— Contratante! Contratante! Vamos ali. Há tantos itens peculiares. 

— Chá mágico? Como será o gosto? Vamos comprar uma xícara. 

— Eek! Um gato de rua! Essas feras estão por toda parte… 

Ela estava muito animada.

— Ei. Você sempre se gaba de Niflheim, então por que está tão animada com um mercado? 

— …Não tenho culpa. — Ela estava exausta de tanto voar e sentou-se no ombro dele. — Passei a maior parte da minha vida dentro do castelo. 

— Huh? Não era sufocante? 

— Claro que sim. Se eu tivesse que descrever usando a linguagem do seu mundo… A vida de um monarca é 3D. — Como rainha, ela deveria ser capaz de fazer o que quisesse, mas o sorriso amargo em seu rosto dizia o contrário. — Liderar o reino é difícil, perigoso e precisa ser destemido. Esse é o peso que um líder deve carregar. 

— …Então é por isso que é 3D. 

— Tu deverias entender. Quanto mais responsabilidades tiver, mais tu deves se rebaixar. 

— Sim. — Claro que ele nunca foi rei ou líder de um país. Mas uma vez carregou as expectativas de um mundo inteiro em seus ombros. — Acho que entendi. Senti isso várias vezes no passado. 

Às vezes, ele sentia que não conseguia respirar, como se toda a sua liberdade tivesse sido tomada. Ele não tinha privacidade alguma e não podia sair em público como agora. Era por isso que passava todo o tempo em casa, a menos que estivesse concluindo Portais.

"Era impensável para mim ir à loja de conveniência de moletom como faço agora."

Sua casa era o único lugar onde ele podia tirar a máscara e relaxar. Era seu único refúgio.

— Mas eu achava que um monarca teria uma situação muito pior do que a minha. 

— Nunca experimentei a liberdade desde o momento em que nasci. No entanto, nunca odiei minha vida. Eu gostava de dedicar minha vida ao meu reino e ao meu povo. 

Ele presumiu que essa era a diferença entre eles. Seo Jun-Ho nunca mais quis viver sua vida como Espectro novamente. — Então você literalmente nasceu para ser uma rainha. 

— Fufu, já ouvi isso muitas vezes. — Ela riu levemente. — Mas não importa o quanto tu aproveites tua vida, há momentos em que tu anseias por coisas que não podes ter. 

— Claro. Já me senti assim muitas vezes. 

— Eu queria saber como era ser despreocupada. Não pude experimentar antes de morrer, mas estou aproveitando minha vida aqui na Terra. Viver assim também é bom. 

Em algum momento, eles chegaram à oficina. Seo Jun-Ho bateu na porta e Kwon Palmo o cumprimentou.

— Ora, se não é o Jogador Seo Jun-Ho! — Seus músculos volumosos estavam encharcados de suor, como se ele tivesse acabado de largar o martelo. — Bem-vindo. Você deveria ter ligado antes! 

Ele sorriu, mas foi assustador o suficiente para fazer a Rainha Gélida tremer. — C-Contratante. Um monstro na cidade…? 

— Calma, ele é humano. 

— Você veio visitar o vovô? 

— Sim. Vim aqui para me despedir. 

— Entendo. — Quando um Jogador vinha se despedir, isso significava que ele estava se aposentando ou que estava indo para o 2º andar. Mas não tinha como Seo Jun-Ho, que atualmente era o melhor Jogador do 1º andar, se aposentar. Nesse caso, só havia um motivo. — Então você está indo para a Fronteira. 

— Sim. Não tem necessidade de adiar por mais tempo. 

— Agora que penso nisso, nunca consegui agradecê-lo de forma adequada pela Armadura Negra. Estou realmente grato. Suas capacidades de defesa são incríveis. 

— Hehe, é mesmo? — Kwon Palmo corou. — O vovô está lá em cima, pode subir. Oh, você quer que eu dê uma olhada na armadura? Se tiver muitos defeitos, eu resolvo enquanto vocês dois conversam. 

— Sério? Eu não vou recusar. — Seo Jun-Ho sorriu. Armadura Negra havia se desgastado muito depois da luta com Kis Bremen e Kal Signer. Mesmo que Kwon Palmo não tivesse se oferecido, ele teria pedido de qualquer maneira. Seo Jun-Ho colocou Armadura Negra na mesa.

— Vamos ver… — O rosto de Kwon Palmo empalideceu. Ele olhou para a armadura que parecia mais com trapos. — … Com quem diabos você lutou? 

— Ei. — Havia muitos para listar todos, o elfo negro Rodomir, as formas ilusórias dos 4 Heróis, os cavaleiros invernais, Kal Signer, etc. Todos eles eram oponentes que eram totalmente capazes de matá-lo a qualquer momento. Se não fosse pela Armadura Negra de Kwon Palmo, ele já teria morrido há muito tempo.

— Hmmm. Isso vai levar algum tempo. Cerca de seis horas, mais ou menos. 

— Conto com você então. Vou estar com o Noya. 

— Sim, ainda bem que você veio tão cedo. Vou terminar na hora do almoço. 

Quando Kwon Palmo começou seu trabalho, Seo Jun-Ho subiu as escadas e passou por um corredor familiar. Ele bateu na porta.

— O quê?! — Uma voz latiu.

— Nossa, você deveria ser mais legal com seu único neto. — Quando Seo Jun-Ho estalou a língua, a porta se abriu. Kwon Noya olhou para Seo Jun-Ho, que apareceu aleatoriamente em sua porta.

— Por que você está aqui? 

— E aí? Eu vim para jogar. 

— Hmph! — Noya bufou, mas ele se afastou para deixá-lo entrar. — O que você quer que eu faça dessa vez? — Ele perguntou, sentando-se.

— Eu não vim aqui para pedir equipamentos. Mas pedi que Palmo consertasse a Armadura Negra. 

— Hm, se você não veio aqui para isso… Você vai subir? — ele perguntou. Os dois se conheciam muito bem.

— Bingo. 

— Você com certeza é rápido. — Disse Kwon Noya, surpreso. Seo Jun-Ho havia aberto os olhos apenas alguns meses atrás, mas já havia atingido o nível 30 e estava dizendo que iria subir para o 2º andar. — Estou a par das notícias. Vi que você tem estado ocupado. 

— Eu tenho que me esforçar para salvar meus amigos. 

Os olhos de Kwon Noya escureceram com essas palavras. Ele silenciosamente preparou uma xícara de chá e passou para ele.

— Você acha que é possível? 

— Com certeza. — Jun-Ho respondeu de forma resoluta. Se ele continuasse assim, ele seria capaz de salvar seus amigos eventualmente.

— Isso é tudo que importa. — Kwon Noya não disse mais nada enquanto tomava seu chá. Ele confiava nele. — Desça de vez em quando se conseguir bons materiais. Vou fazer algo bom para você. 

— Claro. Quem mais faria minhas armas? — Não havia ninguém tão habilidoso quanto Kwon Noya. — Além disso, Palmo é muito mais talentoso do que eu pensava. A Armadura Negra me impressionou. 

— Bem, que bom que você gostou. — Ele murmurou. Não havia ninguém que não gostasse de se gabar dos filhos ou dos netos. Kwon Noya parecia mais feliz em ouvir elogios sobre o neto do que sobre si mesmo. — Tem alguma coisa que você precisa? Tenho alguns itens sobrando. São só de grau raro, mas podem ser úteis. — Kwon Noya era fraco quando se tratava de elogios do seu neto.

— Só Raro… É melhor não sair por aí dizendo coisas assim. — Afinal, os itens eram da oficina de Kwon. Aconteceu um alvoroço quando a Armadura Negra também foi revelada. — Mas obrigado. Vou fazer bom uso disso. 

— Eu acredito em você. — Noya se levantou e deu um tapinha em seu ombro antes de abraçá-lo. Mesmo que o velho fosse muito mais baixo que Seo Jun-Ho, seu abraço foi o suficiente para tocar seu coração.

— Eu vou voltar. Continue saudável assim. 

— Eu vou. Se você voltar sozinho ou com outras quatro pessoas, vou estar esperando. — Ele finalmente se soltou e sorriu. — Se bem que acho que vou só estudar Go enquanto você estiver fora. 

Seo Jun-Ho devolveu o sorriso. — Sério? Você devia desistir. Você é péssimo em Go. 

— O que você disse?! 

Naquele dia, Seo Jun-Ho teve que jogar Go por sete horas seguidas. Claro, Seo Jun-Ho venceu todos os jogos.

***

Seo Jun-Ho voltou para a Associação com sua Armadura Negra recém-consertada e foi direto para a secretaria e para o cubículo de Cha Si-Eun. Ela estava digitando em seu teclado enquanto falava ao telefone.

— Sim, Olá? Oh… Você acha que está sendo difamado? Só um segundo. Qual era mesmo o nome da guilda? Mariposa Tigre? É um nome muito legal. Entre em contato novamente assim que nos processar por favor. — Ela desligou e rapidamente escreveu algo em um post-it preso na parede de seu cubículo.

<Lista de guildas para Jun-Ho-nim>

Os Bravos

Clã Figmore

Mariposa Tigre

Eram todas Guildas que patrocinaram Seo Jun-Ho, solicitaram e receberam reembolsos e foram posteriormente humilhadas em público. Ela anotou os que ligaram para reclamar que haviam prejudicado suas reputações.

— Jun-Ho-nim me disse fazer uma lista de todas as pessoas que o acusassem de difamação… — Ela terminou de escrever e sorriu enquanto lia.

Seo Jun-Ho olhou por cima do ombro. — Você está indo muito bem. Então essas são todas as pessoas que reclamaram? 

— Sim, é tão ridículo… Eek! — Ela gritou adoravelmente de surpresa e pulou da cadeira. Ela cobriu o rosto avermelhado quando as pessoas começaram a olhar. — Q-quando você chegou? 

— Hum… "Alô? Você acha que está sendo difamado?" A partir daí. 

— Ack, então você estava aqui desde o começo… 

— Você é boa em conversas. — Seo Jun-Ho sorriu e arrancou o post-it de seu cubículo e o colocou no bolso. — Vou cuidar desses caras antes de ir, então não se preocupe. 

— Sério? Obrigada! — Ela se iluminou. Eles estavam ligando para ela sem parar. Ela percebeu algo e inclinou a cabeça. — Com isso, você quer dizer… 

— Vou para o 2º andar. 

— Entendo… 

— Você não parece muito surpresa. 

Era de se esperar. Ela sabia que isso aconteceria e já havia entregado sua carta de demissão.

— Espero que você encontre um chefe melhor assim que eu subir. — Ele disse suavemente.

Ela riu. — Acho que não vou encontrar um chefe melhor do que você. — Nos últimos anos em que ela foi secretária, nenhum de seus ex-chefes a fez se sentir tão confortável quanto Seo Jun-Ho.

— Estou honrado. Acho que também não vou conseguir encontrar uma secretária como você. 

— Obrigada. Então você veio aqui para se despedir? 

— Sim… acho que essa é a última vez que vamos nos ver. — Ele coçou a cabeça antes de tirar uma pequena moldura do bolso. — Isso é um presente. 

— Ah, não me lembro de termos tirado uma foto… Hã? Isso é…? — Seus olhos se arregalaram quando ela viu seu conteúdo e suas mãos começaram a tremer. — J-Jun-Ho-nim, isso é… 

— É de verdade. Saiu do forno essa manhã. — Ele sorriu e acenou com a cabeça para ela pegar.

A moldura continha um pedaço de papel comum com uma única frase.

"Que você encontre sucesso em tudo o que fizer. Do Espectro."

Era simples e a forma como estava escrita parecia insensível, mas ela ainda o apertou contra o peito e até se curvou várias vezes. — Muito obrigada! De verdade! 

Era um pouco embaraçoso dar seu próprio autógrafo de presente, mas mesmo assim ele queria dá-lo a ela. Como ele poderia não fazer isso quando sabia o quanto ela admirava o Espectro?

— Obrigado por seu trabalho duro. — Graças à ajuda dela, ele conseguiu se concentrar totalmente no treinamento e na caça. Ele riu e estendeu a mão. Essa era uma bela despedida.

"Provavelmente nunca mais a verei."

Ela permaneceria na Terra enquanto ele teria que subir ao 2º andar. Seria bom se ela pudesse continuar a ser sua secretária, mas era impossível.

— Secretária Cha… Não, Srta. Cha Si-Eun. Você se sairá bem, não importa aonde vá. 

— Você também. Vou torcer por você. 

Ela o observou sair.

— Se eu tiver a chance… 

Ela queria ficar ao lado dele como companheira de equipe, não como secretária. Afinal, Seo Jun-Ho era o segundo jogador que ela mais respeitava.​

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