Volume 1
Capítulo 41: Kwon Noya (1)
Ao mesmo tempo que Seo Jun-Ho estava voando de volta para Coreia, um homem caminhava em direção a sua casa na Fronteira, no 2º andar.
— Huh?
Em frente à sua porta, havia uma caixa.
— Uma entrega via teleporte… Do primeiro andar? — Entregas via teleportes eram caras, mas elas chegavam em poucas horas.
"Mas quem mandou?"
Entregas entre andares, ainda mais via teleporte, eram muito caras para uma pessoa comum.
— Eu não lembro de ter pedido nada… — Sua testa enrugou enquanto ele pegava o misterioso pacote.
"É uma armadilha daqueles malditos demônios?"
Era possível. Atualmente ele estava buscando pelos segredos dos demônios. Lentamente ele preparou sua magia defensiva contra uma possível explosão e abriu o embrulho. Mas diferente do que ele esperava, lá continha uma caixa luxuosa.
— Espera… — Seus olhos se abriram ao reconhecer o símbolo encravado na caixa.
Como ele não poderia? As notícias sobre o grande leilão chegaram até mesmo ao 2º andar.
É o selo do The Auction.
Com bastante cuidado, ele abriu a caixa para encontrar um colar bastante grã-fino.
— Janela de Item. — Ver que era de qualidade rara só o deixou mais confuso.
"Colar de Regeneração de Vitalidade… Quem diabos me mandou isso?"
Mesmo após pensar por um tempo, ninguém vinha a sua mente. Ninguém da sua família, equipe, ou até mesmo de sua Guilda o enviaria algo desse calibre enquanto ele vivia se movendo.
"Huh? Tem um bilhete."
Olhando rapidamente o bilhete no canto da caixa, estava escrito:
— Espero que você esteja bem. Eu irei lhe visitar em meio ano. De seu tio.
— … — Ele acabou relendo várias vezes e encarando o céu estrelado. Seus olhos começaram a brilhar como o céu.
"Meio ano… Então ele começou a se mover."
Agora ele estava cheio de antecipação e preocupação. O 2º andar era um mundo completamente "diferente" do que seu tio conhecia.
Mas no fim ele deu de ombros e soltou um pequeno riso.
— Sério, por que estou preocupado com ele? —
Seu nome era Arthur Green, filho de Gilberto Green e considerado como o sobrinho dos 5 Heróis.
***
Seo Jun-Ho piscou surpreso ao chegar no portão do Aeroporto Incheon. Alguém completamente inesperado estava lá por ele.
— Po-por que está me encarando assim…? — Cha Si-Eun murmurou enquanto se afastava do olhar. Ela estava vestida formalmente como sempre.
— Oh, foi mal. Eu não sabia que você viria até aqui.
— … Lhe escoltar assim de volta para casa é o trabalho de uma secretária. — Ela o guiou casualmente até o carro. — Quer parar em algum lugar? Ou devemos ir direto para a Associação? — Ela perguntou enquanto ele se sentava.
— Direto para a Associação. E… — Procurando em suas coisas, ele retirou um livro bem embrulhado. — Um presente. Eu não sabia o que devia comprar, então escolhi um livro… Mas não sei se é do seu gosto.
— Es-espera. Você me comprou o livro de fantasia que vai ganhar uma adaptação pros cinemas de Hollywoo, <O Caçula de Gates>? Edição de capa dura…?!
— Oh, então conhece o livro? Era a última cópia na seção de mais vendidos.
— Sim! É claro que conheço! — Sua boca estava largamente aberta enquanto ela estendia suas mãos de forma reservada, como uma criança ganhando seu dinheiro de Ano Novo. Após encarar o livro por um segundo, ela o abraçou fortemente como se fosse um grande tesouro e se curvou em agradecimento. — Eu tentei tanto conseguir uma cópia, mas falhei.
— Sério? Fico feliz então. — Ele viu o rosto dela completamente iluminado. — Você pode ler agora se quiser.
— M-mas… Eu estou em horário de trabalho agora. — Posição admirável, mas os seus olhos não negavam o desejo.
— Você possui algum formulário para preencher?
— Eu terminei todos eles a caminho do aeroporto…
— Então qual o problema? — Seo Jun-Ho sorriu enquanto se afundava no assento. — Boa leitura, me acorde quando chegarmos.
— … — Cha Si-Eun hesitou um pouco antes de responder com um tom suave. — Bo-boa noite…
Alguns minutos se passaram, Seo Jun-Ho já estava em sono profundo, ouvindo o som das páginas sendo viradas.
***
— Yo~ Se não é o mister Sherlock? — Com um caloroso e característico sorriso, Shim Deok-Gu o recebeu no escritório.
A expressão Seo Ju-Ho azedou. — Sherlock? O que você quer dizer com isso?
— Para onde quer que você vá, coisas acontecem e temos o terror. Basicamente, você.
— Do que caralho você está falando… — Com um sorriso fino, ele se sentou e retirou um licor que trouxe da loja livre de impostos. — Aqui, Balvenie 1975. Um presente.
— É algo caro? O que que eu faço? Estou evitando beber no momento.
— Depois você bebe. — Ele continuou falando enquanto seu amigo avaliava a garrafa valendo milhões de won com um sorriso.
— Entrei em contato com Arthur no caminho para cá. Eu disse que iria visitá-lo em seis meses.
— Ótimo. Ele passou por muitas dificuldades, mas está crescendo bem.
— Faz muito tempo que você o viu?
— Ele não desce para o primeiro andar desde que subiu para o 2º. Ele fala que o 1º andar o lembra de seu pai…
— Tsk. — Um gosto amargo preencheu sua boca. Mudando de tópico: — Oh, eu ouvi da Gong Ju-Ha… Ela me explicou sobre o convite que você me entregou.
— Então você ficou sabendo? — Shim Deok-Gu concordou na cara de pau. — Era um aviso para o mundo do quanto eu me importo com você.
— Ew, que nojo.
— Hehe, essa nojeira vai te salvar em algum ponto. — Seo Jun-Ho estava um pouco constrangido com o carinho que seu amigo lhe demonstrava, afinal de contas, ele era um adulto, não uma criança.
— De qualquer forma, preciso de um favor.
— Que tipo de favor?
— Quero que você procure por um orfanato.
— … Por que um orfanato? — Shim Deok-Gu não conseguia compreender o pedido.
— Escute com calma o que estou prestes a lhe dizer. Será tenso. — Com uma expressão séria, ele começou a relatar a informação.
Ele contou para Shim Deok-Gu como ele adquiriu a habilidade de ler a memória dos mortos, como ele deu conta dos Cães de Guarda em Las Vegas e, por fim, sobre o lugar onde os demônios treinavam órfãos para transformá-los em um deles.
Quando ele terminou, a expressão de Sim Deok-Gu estava rígida como pedra. — … O que você acabou de me contar, é tudo verdade?
— Sim. Mas eu não sei a localização específica do orfanato. A única coisa que tenho certeza é que não fica na Coreia.
— Merda, esses filhos da puta não sabem onde ficam os limites! — Sua respiração estava ríspida enquanto ele surrava a braçadeira de sua cadeira. Este era o nível do choque sobre o orfanato para ele. — … Hoo, eu prometo. Eu vou encontrar informação sobre tudo que puder.
— Estou contando com você.
Após tentar recuperar o fôlego, Shim Deok-Gu abriu o Balvenie 1975. Seo Jun-Ho ficou abismado. — Você não estava parando?
— Foda-se! Como eu posso ficar sóbrio após ouvir essas coisas?
— Espera.
Ele colocou gelo nos copos com sua habilidade. Os dois viraram a bebida assim que servida.
— Keuh… — O rosto de Shim Deok-Gu se contorceu com o sabor forte do whiskey. Ele limpou seus lábios e disse: — Kwon Noya quer te ver.
— Noya?
— Sim. Sabe a espada que você pediu antes de ir para a América? Ele disse que terminaria amanhã e que queria lhe entregar pessoalmente. Não será mais estranho se os dois se encontrarem pessoalmente. [1]
— … Entendo. — Ele concordou enquanto colocava o copo na mesa. Só existia um motivo pelo qual ele ainda não tinha ido ver o velho assim que acordou do gelo.
"Eu era um zé ninguém na época."
Enquanto isso, Kwon Noya era um nome tão famoso que a diferença entre eles era igual o céu e a terra. Mas agora era diferente.
— O que você acha? Já sou famoso o suficiente para vê-lo?
— Bem, você ainda tem que fazer muita coisa se quiser ficar no nível dos Rankers do 2º andar… Mas se compararmos o 1º andar inteiro, você é incrível. Seu progresso é impressionante.
Os outros países sabiam que ele estava acima do nível 15, mas existia um motivo dele ser tão famoso.
— Os Portais Não Concluídos ajudam muito.
— Seu plano funcionou. — Seo Jun-Ho era um Jogador novato que entrou em um Portal Não Concluído e transformou a Coreia em uma Zona Especial Segura. Ele tinha conquistado coisas que ninguém imaginou ser possível.
— Você disse amanhã, certo?
— Sim, iremos de manhã.
— Ótimo. Vou dormir então.
Shim Deok-Gu sorriu enquanto via o amigo sair. — Safado, ele está extremamente ansioso para ver Noya já tem um tempo.
Ele se ajeitou na cadeira e bebeu outro copo. Ele parou de sorrir quando chamou a secretária.
— Consiga-me uma lista de todos os orfanatos de Jogadores do mundo.
Não tinha como ele fazer um trabalho porco relacionado ao assunto.
***
Assim que amanheceu, Seo Jun-Ho foi em direção ao Mercado de Jogadores Insa-dong. No fim da rua de oficinas estava a forja de Kwon Noya. Seo Jun-Ho olhou para o lugar com carinho, não tinha mudado nada nos últimos 25 anos.
"Agora que paro para pensar, o neto do Kwon Noya deve ter crescido bastante."
Ele sorriu só com a ideia. A criança vivia levando bronca do velho ao ponto de viver com lágrimas nos olhos, então Seo Jun-Ho sempre o comprava um sorvete. Era muito fofo ver ele o seguindo igual um cachorrinho chamando-o de Herói-nim.
"Ele era tímido e fraco, me pergunto como ele está."
Pelo que ele ouviu de Shim Deok-Gu, o chorão tinha herdado a oficina de Kwon Noya e era o dono agora.
Conforme ele se aproximava da porta da forja, ele escutava um som rítmico.
Clang! Clang! Clang!
O som do martelo era bastante preciso e limpo.
"O chorão aprendeu bem o ofício do velho."
Assim que ele bateu na porta com antecipação, o som parou.
— Quem é?
Quando a porta da frente abriu, um ar quente foi liberado, e um gigante musculoso de 1,91m atendeu. Ele estava vestido com roupas de trabalho e segurando um martelo como prova de que ele era, de fato, o ferreiro.
"Espera… Então esse é o…"
Seo Jun-Ho o encarou surprese de cima a baixo.
"Esse é o neto do Kwon Noya?"
Ele era igual um adorável filhotinho antigamente, mas após 25 anos ele tinha se tornado um cão de guarda dos portões do inferno.
O gigante musculoso o reconheceu e rapidamente o convidou para dentro. — Oh, você é o Jogador Seo Jun-Ho. A Associação me informou sobre você. Pode entrar.
A oficina estava organizada e limpa. Era uma família com gerações de ferreiros, suas habilidades eram obviamente boas.
"Noya está provavelmente lá em cima ."
Seo Jun-Ho olhou o topo das escadas.
— Vagabundo, é tão difícil ver sua cara. — Uma forte e familiar voz veio de trás dele. Conforme Seo Jun-Ho lentamente se virava, um sorriso se formava em seu rosto quando ele viu o velho homem que tinha adquirido uma longa barba e cabelo brancos.
— Faz bastante tempo, Noya. — Era a primeira vez que eles se viam em 25 anos.
Nota:
[1] "Noya" também significa "homem velho", mas eles usam como um "nome/apelido".
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