O Pior Herói Brasileira

Autor(a): Nunu


Volume 2

Capítulo 3: Do que tem medo? Você também é um de nós

Estava quente. O sol fazia como que queimar a pele, e ainda, eu não estava com minha roupa. Para completar, estava comendo uma comida quente... aquilo estava verdadeiramente um inferno!

 

Não bastando tudo isso, estavámos comendo no meio do campo de grama. Alguns deles aproveitavam as pequenas rochas para apoiar seus pratos ou para os mesmos sentarem em cima, enquanto riam ou apenas jogavam conversa fora. 

 

— Ei! Ei, Kichi! Como ocê pode ser tão fracassado héin? HAHAHAHAHA!

 

— Do que ocê tá falando seu frangote?! Ocê nem se moveu! 

 

— Mas, foi realmente engraçado não nego... — Disse, o tio de Shannah.

 

— Até ocê Gerald? Assim fica difícil...

 

— Hahahahahaha!

 

Eram apenas 8 homens ( sem contar Shannah ) conversando bobagens e rindo feito bocós. Sendo bem sincero, me lembrava quando meu avô me levava, ás vezes, para assistir ele jogar mahjong com seus amigos. Não são exatamente boas memórias por sinal. Eram horas e horas de conversa fiada e piadas idiotas provavelmente envolvendo a esposa imprestável de alguns dos participantes. 

 

Vejo hoje que, meu querido avô, apenas não queria que eu ficasse muito tempo sozinho. E me levar pra suas seções de jogatina foi uma forma de me tirar de casa e — socializar — com outras pessoas. Bem, acabou não dando muito certo. Principalmente, quando os velhotes daquele lugar começaram a fofocar sobre minha vida e ficar enchendo o meu saco por eu não ter uma namorada. 

 

Acabou que eu parei de ir lá. Sempre que meu avô me chamava para lá, eu acaba dando alguma desculpa esfarrapada. Chegou em um ponto que até meu avô desistiu. Apesar disso, não é como se eu sentisse algum ressentimento daqueles velhotes, ao contrário, apesar de tudo sentia que eles realmente gostavam de mim. 

 

"Talvez, eu poderia visitá-los de novo algum dia..."

 

— E você garoto? 

 

Hã?! 

 

Perdido em meus pensamentos, acabei não notando quando a conversa acabou chegando em minha pessoa. De repente, aqueles todos aqueles rostos estavam virados para minha direção, seus olhos estavam fixos em mim e sorrisos enormes podiam ser vistos em suas faces. Para alguém que odeia ser o centro das atenções, tudo aquilo era como um verdadeiro filme de terror. 

 

—...Eh... o que foi? — Murmurei baixinho. Minha voz quase não saía de tanto nervosismo. 

 

HAHAHAHAHAHAHA!  

 

Todos eles quem estavam ao meu redor começaram a rir como loucos, como se alguma piada engraçada acabasse de ter sido contada a todos ali. Entretanto — a piada — parecia ser eu. Não entendia a razão, mas eu parecia engraçado para eles. Meu peito doeu e apertou em resposta. Aquele sentimento... sim, eu já havia sentido ele inúmeras vezes... tantas vezes que eu não podia contar... 

 

Até mesmo Shannah parecia não querer se envolver. Eu a entendia, provavelmente, se estivesse no lugar dela também não me envolveria. 

 

Pela minha experiência em situações como essa, já sabia o que deveria fazer. Por isso, apenas agi como sempre fiz. Abaixei a minha cabeça e esperei até que a graça da piada terminasse e que a atenção deles voltassem a outra coisa. 

 

"Sim, isso é o ideal..."

 

— Garoto...

 

— [...]

 

— O gato comeu a sua língua foi? — Disse, o homem careca. 

 

— Hã?! 

 

— Hahahaha! Tão quietinho e retido... parece até eu quando jovem! — Disse, Kichi. O homem com o cabelo liso, mas maltrado. 

 

— É verdade! Você parecia que era um gato acoado! Hahahaha! 

 

— É... que eu...

 

— Garoto... não. Iori...— Murmurou, Gerald.

 

— [...]

 

— Não precisa ficar nervoso. Nós não mordemos, certo? O que eu quero dizer é...

 

—...Você já é da família, garoto! Se come conosco, então, é um de nós! — Exclamou em alta voz.

 

Quando eu levantei o meu rosto mais uma vez, notei que todos os homens presentes ali estavam sim com sorrisos em seus rostos. Mas, não eram como os sorrisos que estava acostumado a presenciar no meu mundo quando era mais jovem. 

 

Eram sorrisos gentis. Cheios de calor e sentimento. 

 

Apertando minha coxa com minhas mãos e cerrando meus dentes contra meus lábios, amaldiçoei a mim mesmo. Como eu podia ser tão covarde? Não havia aprendido nada? 

 

"Me desculpe, velhote... parece que eu não aprendi nada com você..." 

 

— Ei, Iori! — Shannah que acabara de engolir uma colher cheia de ensopado acabou chamando minha atenção. — Não fique ansioso homi, ocê pode ficar tranquilo! Aqui ninguém vai ter tratar mal não, sô! 

 

Hehehe! Eu sei... obrigado, Shannah! 

 

Hihi!! Que bom que ocê tá feliz então! 

 

Erich havia me ensinado. Ensinado que mesmo se passase por situações difíceis, ainda sim, precisaria manter a minha cabeça em pé. No princípio, achava aquilo uma idiotisse sem tamanho, porque aquilo só chamaria ainda mais atenção para mim. 

 

Entretanto, com o tempo entendi o que Erich queria dizer para mim. Ele não estava me dizendo para não ter medo, até porque somos seres humanos — Temer é humano. Erich apenas queria me dizer que eu não poderia viver minha vida com medo, porque se assim fizesse, minha cabeça ficaria abaixada por todo tempo, e assim, não poderia olhar ao meu redor. Manter a minha cabeça baixa e meus olhos fechados com medo de que todos estarão rindo de mim, só me fará perder a oportunidade de conhecer novas pessoas e perder conexões verdadeiras com outros. 

 

Afinal, seres humanos são seres de laços e conexões. Se isso se perde, então o que sobra? Além de uma casca vazia? 

 

— Iori?

 

Largando o prato já vazio na grama fofa, me pus de pé no meio de todos ali. Logo, mais uma vez, atenção de todos se voltou ao garoto de cabelos pretos. 

 

— [...]

 

Com toda minha vontade, levantei meu rosto. Foi tão difícil... como se um peso enorme estivesse em cima de minha cabeça. Mesmo quando meu rosto estava levantado, esse peso não se recusava a sair. Meu rosto parecia queimar, mas não sabia se era por causa do sol quente ou simplesmente devido a vergonha que estava sentindo naquele momento. 

 

Minha respiração incessante somado as batidas rápidas do meu coração tornavam aqueles poucos segundos em horas infinitas. Ainda sim, não recuei e permanecia em pé. 

 

—...Eu...

 

SOU SATORU IORI! — Gritei á plenos pulmões. — POR FAVOR, CUIDEM DE MIM! 

 

— [...]

 

Um vazio imensurável surgiu então. As batidas em meu peito se tornaram fortes como nunca, como batidas em uma porta de madeira. Ainda sim, esperei pela resposta com minha face em evidência. 

 

—...Pfffffffffff!

 

HAHAHAHHAHAHAHAHHAHHA!! Mas, isso é óbvio garoto!! 

 

— Hã?! 

 

Alguns homens, então, se levantaram e com seus pratos e copos em mãos e gritaram em comemoração! Já outros vieram me abraçar e esfregar a minha cabeça como se eu fosse um pirralho. Gerald — um dos que veio me abraçar — esfregou meus cabelos e falou com um grande sorriso:

 

— Eu já disse não?! Enquanto estiver aqui, você é um de nós!! 

 

Hehehe! É verdade... valeu velho! 

 

— Velho é sua vó! Eu apenas tenho 45! Estou na flor da juventude! 

 

— Velho! 

— Filho da...

 

— Hahahaha!!! Eu não deixava, Gerald! 

 

Mesmo que fosse apenas temporariamente, agora eu pertencia a algum lugar. Eu não era a — piada — mas sim, apenas mais um idiota que também ria dela.

 

Notas do Autor: Todas as Ilustrações dessa novel são feitas por IA. Comentem e façam teorias, leio e respondo todos os comentários

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora