O Mago de Água Japonesa

Tradução: Soll

Revisão: Mon


Volume 2

Capítulo 7: No Centro de Treinamento

 

  Tarde. Os três foram unânimes na recusa em comer, dizendo que simplesmente não conseguiam. Resignado, Ryo procurou sozinho um lugar para comer, mas... nada o chamava. Nenhum dos restaurantes o fazia querer dizer: "Quero comer isso!"

Ele estava faminto, o que não era surpresa, considerando que estava correndo sem parar desde de manhã... Infelizmente, seu estômago não sabia o que queria... Quando ele desceu a avenida principal e não encontrou nada de interessante, virou numa rua lateral perto do portão leste.

Normalmente, ele não entraria nessa área, mas encontrou um aroma distinto por pura coincidência. Um cheiro sedutor de várias especiarias, as mais fortes sendo cardamomo e coentro... Era curry! Tentado pelo cheiro, ele entrou em um restaurante. Não era especializado em curry, pois sua vitrine exibia pratos como bife de Hamburgo, espaguete e muito mais.

"Bem-vindo!"

Uma mulher de meia-idade lá dentro o cumprimentou. Quando ele examinou o local, encontrou apenas um outro cliente lá dentro, provavelmente porque a hora do almoço já havia terminado há pouco tempo. O cliente tinha cabelos loiro-platinados e olhos verdes que se arregalaram ao encarar Ryo.

A mulher elfa agiu alguns momentos depois. Usou a mão esquerda para chamá-lo enquanto levava uma colherada de curry à boca com a direita. Ele caminhou em direção à mão como se atraído por ela.

"S-Sera... Olá."

"Olá para você também. Eu não tinha ideia de que você conhecia esta loja também, Ryo..."

"De jeito nenhum. Foi apenas uma coincidência. O cheiro do curry me atraiu."

"Ora, ora! Um companheiro conhecedor de curry, vejo! Se você quer comer curry em Lune, este é definitivamente o lugar. Aqui, sente-se ao meu lado." — Ela deu um tapinha na cadeira ao lado dela, convidando-o a se sentar.

Quando ele se sentou, ela voltou a comer. Não demorou muito para a proprietária trazer água.

"Aqui está. O que gostaria de pedir?"

"Curry, por favor."

"Quão apimentado você gostaria?"

"A-Apimentado?"

Ele não esperava por isso...

"Podemos fazer suave, médio ou forte."

"Então médio."

Sera assentiu solenemente às palavras dele.

"Senhora, mais um curry médio-forte para mim também, por favor!"

"Pode deixar! Dois curries médio-fortes saindo."

Com isso, a mulher voltou para a cozinha.

Ryo olhou para Sera, surpreso com o pedido dela de repetição.

"E-Elfos têm um metabolismo muito rápido, sabe!" — ela deixou escapar depois de notar a expressão dele. — "Não pense que sou uma glutona!"

"Ninguém disse que você é..."

Uma beldade nervosa dando desculpas? Que visão encantadora.

Ela pigarreou e mudou de assunto forçosamente.

"A propósito, Ryo, posso perguntar onde você está morando?"

Se vai mudar de assunto, pergunte onde moram. A abordagem infalível.

"Estou ficando no anexo habitacional da guilda."

"O anexo habitacional? Ah, o lugar onde você pode residir dentro de trezentos dias após se registrar como aventureiro, sim? Mas o fato de você ter conseguido usar a biblioteca do norte significa que deve ser pelo menos rank D ou superior... certo? Você talvez subiu na hierarquia de ranks completando trabalhos num ritmo rápido?"

"Não exatamente... Consegui me registrar como rank D graças ao sistema de subida de rank."

Ele estava um pouco envergonhado por ter conseguido se registrar como rank D sem fazer nada.

"Um registro de subida de rank, hm? Incrível. Posso dizer de relance que você é forte, Ryo, então seu registro faz sentido." — Sera assentiu várias vezes, aparentemente convencida.

"Esta é a primeira vez que alguém me diz que pode perceber que sou forte simplesmente olhando para mim..."

"Sério? Suponho que isso apenas signifique que aqueles ao seu redor não têm um olho perspicaz. Não há nada que você possa fazer sobre isso, no entanto."

Enquanto ela falava, um cheiro sedutor se aproximou.

"Aqui está o seu curry médio-forte. Aproveitem!"

O prato que a proprietária colocou na frente dele era... exatamente o tipo de curry que ele costumava comer no Japão. Não curry indiano ou javanês. O mesmo curry grosso com sua variedade de especiarias e farinha de trigo... O próprio curry japonês!

"Não acredito..."

Claro que Ryo amava curry japonês. Não havia nada de errado com o curry indiano, mas o curry indiano era uma comida própria e, em sua mente, era diferente do que ele pensava como "curry".

Comovido pela visão do curry japonês diante dele, ele pegou uma colherada e provou.

"Tão delicioso..." — murmurou maravilhado, as palavras escapando sem querer de sua boca assim que engoliu.

"Sim, é muito mesmo. Concordo plenamente!" — disse Sera com um aceno entusiasmado, como se a experiência estivesse acontecendo com ela.

Sua colher não parou de se mover daquele ponto em diante. Ele não devorou avidamente, no entanto. Em vez disso, abordou seu curry deliberadamente. Essa era provavelmente a melhor maneira de descrever.

Palavras são apenas um obstáculo enquanto se come comida deliciosa, então os dois se dedicaram apenas a comer. Quando terminaram... as expressões mais sublimes de satisfação se espalharam por seus rostos.

"Estava tão bom."

"De fato estava."

Se uma escultura fosse feita dos dois naquele momento, certamente seria intitulada "Satisfação". Uma vez que pagaram suas respectivas contas, saíram juntos do Estação Abastecer. Foi quando Ryo descobriu o nome do restaurante onde acabara de comer...

"Ah, Sera, estou curioso sobre uma coisa. Não te vi na guilda, embora você seja uma aventureira. Por que isso, se não se importa que eu pergunte?"

A pergunta sempre estivera na mente de Ryo. Embora ele mesmo não passasse cada momento do dia na guilda, frequentemente aproveitava a cantina adjacente, e foi assim que percebeu que nunca vira Sera lá.

"Ah, sim... Bem, eu estava na capital a trabalho até recentemente. Além disso, estou em uma comissão de longo prazo, então não tenho motivo para ir à guilda tão cedo."

"Uma comissão de longo prazo?"

"Sou instrutora de esgrima da ordem de cavaleiros da cidade sob o comando do Marquês Lune."

"Não me diga!"

Quando notou o quão alto foi seu grito de surpresa, Ryo olhou ao redor apressadamente para garantir que não tinha incomodado ninguém.

"Sou bastante forte apesar da minha aparência, sabia?" — disse Sera, espiando o rosto dele.

Seus trejeitos e expressão poderiam destruir mundos inteiros...

Ah, não. Isso é ruim. Ela é tão incrivelmente cativante...

Por pura força de vontade, ele desviou o olhar do dela.

"Considerando a natureza do meu trabalho" — continuou ela —, "o lorde prefeito graciosamente me permitiu viver no prédio ao lado do dormitório da ordem."

O lorde prefeito... Esse é o marquês também. O que me lembra... Não sei que tipo de pessoa ele é.

"Ah, Ryo. Você tem planos agora?"

"Não, na verdade não... Pensei em voltar para o meu quarto e realizar mais alguns experimentos alquímicos..."

"Qual era seu objetivo mesmo? Criar um golem, certo? Se você não se opõe à ideia" — disse ela do nada —, "que tal uma batalha simulada contra mim? Ryo, quando você entrou no Estação Abastecer, parecia profundamente infeliz. Quase como se sua sede de batalha não tivesse sido saciada."

Ela acertou em cheio. O próprio Ryo entendia que a causa de sua inquietação era sua luta insatisfatória contra o príncipe demônio ontem. Ele começara a manhã correndo para suar seu estresse. O fato de Sera ter sentido isso tão claramente significava que seus esforços haviam falhado.

"Se estiver comigo, pode usar o centro de treinamento dos cavaleiros. A área é protegida por uma barreira mágica que está sempre ativa e excelentes sacerdotes estão à disposição em caso de ferimentos. A maioria dos aventureiros comuns nunca terá a oportunidade de entrar lá. Então, o que me diz? Gostaria de se juntar a mim para uma luta?"

Não havia como ele recusar um convite desses de uma mulher bonita.

"Sim, por favor."

No caminho para lá, Sera contou-lhe muitas coisas sobre a ordem de cavaleiros. O instrutor original era um homem chamado Max Doyle, um mestre licenciado da famosa Escola Hume de esgrima na capital real. Enquanto Max ensinava o estilo aos cavaleiros, Sera lhes dava experiência prática através de batalhas simuladas. Era assim que dividiam seus papéis.

"Max é extremamente bom em ensinar, então até mesmo iniciantes completos que se juntam à ordem tornam-se bastante habilidosos dentro de um ano. É por isso que o nível de habilidade dos cavaleiros desta cidade é tão alto" — explicou ela. — "Neville Black, o comandante dos cavaleiros, é muito amigo do Mestre da Guilda, então eles ocasionalmente bebem e discutem coisas juntos. A ordem de cavaleiros e a guilda de aventureiros são as duas maiores forças da cidade. Em outras vilas e cidades, essas duas organizações podem estar em desacordo, mas esse não é o caso em Lune. Embora eu não diria que são amigos íntimos aqui também... Hmmm, a melhor maneira de descrevê-los seria rivais. Suponho que a razão pela qual se dão bem é porque seus respectivos líderes têm um bom relacionamento."

"Então" — continuou Sera —, "devido ao relacionamento entre cavaleiros e aventureiros, não estou sujeita a nenhuma crítica simplesmente porque ensino os cavaleiros, apesar de ser uma aventureira. Tenho muito tempo para mim mesma também, permitindo-me ir à biblioteca e ao Estação Abastecer sempre que quiser, então sou bastante grata pelas circunstâncias atuais."

Em suma, ela falou alegremente sobre uma variedade de tópicos na caminhada até o centro de treinamento.

A residência do prefeito e o dormitório dos cavaleiros ficavam na parte mais ao norte da cidade. A entrada da área estava gravada com o brasão do marquês, que apresentava uma corça. Naturalmente, a segurança era rigorosa e a entrada do público em geral era restrita.

Dito isso, como Sera era a instrutora dos cavaleiros e também morava na residência do prefeito, tinha permissão para entrar e sair quando quisesse, porque todos a conheciam.

O porteiro curvou-se respeitosamente em saudação.

"Bem-vinda de volta, Madame Sera."

"Obrigada, Nash. Este é Ryo, um aventureiro. Usaremos o centro de treinamento para uma batalha simulada agora. Você poderia cuidar das formalidades, por favor?"

"Sim, senhora. Sr. Ryo, posso ver seu cartão da guilda?"

O porteiro cumpriu suas obrigações necessárias e eles entraram nos terrenos da propriedade sem problemas.

O centro de treinamento da ordem de cavaleiros era uma área separada dos campos de treinamento regulares. Comparado a este último, eles tinham um uso relativamente livre do centro para atividades como batalhas simuladas. Poderia ser chamado de uma versão menor de um coliseu romano.

Assim que a torre do relógio tocou três da tarde, Sera e Ryo entraram na sala de espera do centro. Sacerdotes e sacerdotisas esperavam lá dentro para o caso de o pior acontecer.

"Usaremos o centro de treinamento em breve para conduzir uma batalha simulada. Por favor, fiquem de prontidão." — Então Sera prosseguiu para a arena do centro. — "Ryo, vamos usar as armas reservadas para treinos. Todas as lâminas das armas neste arsenal simulado foram cegadas, então escolha o que lhe agradar."

Ela escolheu uma espada semelhante à fina pendurada em sua cintura.

Ryo sempre usara a Murasame, que era menos uma espada e mais uma katana. Entre as espadas japonesas existentes, ela se assemelhava mais à Mikazuki forjada por Munechika. Nem é preciso dizer que este arsenal não tinha nenhuma katana, então ele escolheu uma arma mais parecida em termos de comprimento e equilíbrio.

E foi quando ele de repente percebeu algo.

"Sera, como você sabia que eu uso uma arma? Por todas as aparências, eu deveria parecer qualquer mago normal."

De fato, ele não tinha armas à vista. Tanto a faca feita por Michael quanto a Murasame não eram visíveis de fora porque ficavam penduradas em seu cinto sob o manto, mas ela sabia desde o início que Ryo podia lutar em combate corpo a corpo com uma arma. Até Abel não sabia até que Ryo lhe dissesse quando chegaram a Lune.

"Hmmm" — cantarolou Sera. — "Talvez pelo seu andar e a maneira como você move seu corpo? E... eu também sou alguém que pode usar tanto magia quanto espadas."

Então Sera era muito provavelmente uma maga superior... provavelmente magia de ar. Ele fez a suposição com base no tropo clássico de fantasia de elfos se especializando em magia de ar.

"De qualquer forma, vamos começar?"

Eles se enfrentaram a uma distância de vinte metros no centro da arena.

"Ryo, está pronto?"

"Sim. Sinta-se à vontade para atacar quando quiser."

"Como quiser!"

Assim que falou, ela sumiu.

Tão rápida!

Num instante, Sera correu para o alcance do braço para desferir um golpe incrivelmente rápido. Em vez de recuar, Ryo contra-atacou rapidamente com uma estocada de sua espada. Mirou nos braços dela, golpeando antes que Sera pudesse reunir a velocidade e força adequadas para seu ataque. Sem um contra-ataque como este, uma pessoa fisicamente forte poderia quebrar a espada de seu oponente com a força de seu golpe.

Mas ela tirou uma mão do punho da espada e aparou com um golpe horizontal de uma mão. Ryo mudou seu equilíbrio para trás para evitar o ataque, balançando. Seus pés permaneceram plantados no chão. Ele mudou seu centro de gravidade para a frente novamente e cortou. Sera esquivou-se completamente e atacou em sequência.

Ele evitou o primeiro golpe dela e então, enquanto esquivava do segundo, cortou com a lâmina para cima em direção a ela. Ela evitou com um leve passo para trás.

Tudo isso aconteceu no espaço de alguns segundos. Ambos tiraram um momento para se reagrupar.

"Incrível, Ryo!" — disse Sera, toda sorridente. Sua voz encantada expressava sua alegria genuína.

"De jeito nenhum. Na verdade, você é rápida demais, Sera."

Assustadoramente rápida, na verdade. O príncipe demônio de ontem nem começava a se comparar. Ela se movia tão rápido quanto a velocidade do som, como a akuma Leonore e o falcão assassino de um olho só. Era assustador o quão rapidamente ela podia penetrar nas defesas dele.

"Mas você esquivou! Não há ninguém na ordem que consiga esquivar das minhas investidas."

Com isso, ela olhou significativamente ao redor deles. Ryo seguiu o olhar dela e viu cerca de uma dúzia de cavaleiros sentados nas arquibancadas.

"Suas reações me dizem que você já experimentou investidas igualmente rápidas no passado, não é?"

"Sim... Um pouco."

"Entendo... Então não vou mais me segurar!"

"Espe..."

Antes que ele pudesse terminar a palavra, ela atacou novamente. Desta vez, moveu-se em velocidade supersônica, o que significava que a velocidade de sua espada era...

Mais rápida do que antes!

Sera balançava sua espada cinco vezes mais rápido agora. Para a surpresa de ninguém, era impossível desviar continuamente nessa velocidade. Era ainda mais difícil lidar com ela de frente. Quando ele bloqueou a espada dela no ponto mais rápido, ficou chocado ao descobrir o quão pesada era.

Como ela pode suportar esse peso apesar de sua estrutura delicada...

Esse pensamento definitivamente irritaria uma mulher se ele o dissesse em voz alta.

Durante o primeiro confronto, ele conseguira contra-atacar depois de desviar. Desta vez, no entanto, viu-se completamente na defensiva. Conseguiu estocar e aparar ocasionalmente, mas essas vezes serviam apenas para mantê-la sob controle.

Mas um Ryo dedicado à defesa era uma parede de ferro. Porque, no fim das contas, nem o falcão assassino de um olho só nem Leonore, a akuma, tinham conseguido penetrar em sua defesa inexpugnável. Era assim que sua defesa era poderosa. No entanto...

Ugh! Isso é difícil. Cada golpe parece o do Mestre...

Até aquela parede de ferro estava começando a desmoronar. Se a velocidade fosse o único fator em jogo, então Sera superava o Dullahan conhecido como o Rei das Fadas por uma margem muito pequena.

Ela está usando magia de ar, não está?

Embora não houvesse uma regra contra o uso de magia, normalmente não haveria oportunidade de usar magia em uma luta de espadas conduzida a tais velocidades. Se o foco diminuísse por um segundo sequer, a pessoa seria morta num instante. Por mais rápido que Ryo fosse para gerar sua magia, era impossível até para ele nessas velocidades.

Exceto...

Exceto que Sera está usando magia. Ela está usando magia de ar para aumentar sua velocidade. Seja em seus golpes, seu jogo de pernas ou até para mover seu corpo inteiro...

Que nível aterrorizante de controle mágico. Dizer que ela usa magia tão facilmente quanto respira é um eufemismo enorme. É profundamente enraizado e instintivo, como o bater constante de um coração... Foi a essa altura que o controle dela sobre a magia evidentemente chegou.

Sera tinha dominado muito claramente a fusão de magia de ar e esgrima, muito mais do que Leonore, a akuma. Com sua magia de ar amplificando a força de sua lâmina, seus cortes eram anormalmente pesados.

Um oponente que o superava em velocidade e poder... exigia táticas extraordinárias para derrotar... Mas Ryo não queria usá-las. Finalmente tinha a chance de se testar contra um oponente tão habilidoso. Não queria desperdiçar essa experiência valiosa...

Em retrospectiva, parecia que suas habilidades estavam se deteriorando desde sua última sessão com seu mestre, o Dullahan. Então seria uma sorte tremenda para ele se pudesse voltar à forma, quase literalmente neste caso, com este confronto.

Uma mudança ocorreu na atmosfera. Começou sutil, mas Ryo logo percebeu que a destruição de sua parede de ferro era iminente. Até agora, ele havia suportado o ataque dela por um fio, mas não foi surpresa que ele estivesse prestes a atingir seu limite. Sua espada também parecia pior pelo desgaste depois de desviar os ataques impossíveis dela inúmeras vezes.

Isso definitivamente não está parecendo bom para mim...

Depois de suportar o impacto de mais uma dúzia de cortes dela... Krak. Quebrou. Ele ficou sem fôlego ao tentar deixar a espada deslizar no corte para a direita de Sera. Em vez disso, foi forçado a receber todo o peso do golpe dela e, naquele instante, a lâmina quebrou, deixando a lâmina dela correr em direção ao seu pescoço no momento seguinte. Lá, parou.

"Eu perdi."

Aplausos vieram das arquibancadas, mas não importavam para Ryo.

"Você é incrível, Ryo!" — Então Sera jogou os braços em volta dele, jubilante.

"Hããã..." — A mente dele entrou em modo de pânico com o abraço repentino e inesperado.

"Ah, me desculpe..." — Corando, ela o soltou. Mas imediatamente agarrou ambas as mãos dele com as dela e as sacudiu exuberantemente para cima e para baixo. — "Você se saiu soberbamente bem lidando com minha espada infundida com Manto de Vento!"

"Não, tá mais pra você ser a incrível por dominar a técnica, Sera."

Essa era a opinião honesta de Ryo. Acelerar todos os movimentos do corpo usando magia de ar... Embora simples, a ideia era virtualmente impossível na realidade. Mesmo que você concebesse, o primeiro e maior obstáculo era dar-lhe forma concreta. Depois disso, a única maneira de executá-lo era ter controle mágico superior. Era impossível de outra forma. Sem dúvida, uma pessoa normal ficaria sem energia mágica apenas tentando.

"Porque eu pratiquei muito. Estou mais impressionada com sua defesa inatacável. O que diabos é aquilo?! Está claro que você despendeu muito esforço para dominá-la... mas como?"

"Meu mestre me treinou na arte da espada."

"Seu mestre?"

"Sim, aquele que me deu este manto..."

Os olhos de Sera se arregalaram.

"Espere. O Rei das Fadas é seu mestre de espada?"

"Hã..." — Ryo ficou atordoado ao saber que ela sabia sobre o manto do Rei das Fadas. — "Como você sabia?"

"Bem... Hum, suponho que você poderia dizer que elfos são essencialmente meio fadas. Posso dizer que o manto foi dado a você pelo Rei das Fadas porque tem características únicas da espécie. Também posso dizer outra coisa: o Rei das Fadas deve ter gostado de você se te deu esse manto. Embora inicialmente eu tenha assumido que fosse porque ele gostava da sua magia. Pensar que ele é seu mestre de espada também... Francamente, há algo divertido no Rei das Fadas ter lhe ensinado a usar uma lâmina em vez de magia."

"Lembro-me de outra pessoa que disse quase exatamente a mesma coisa há muito tempo..." — Certa vez, Lewin, o dragão, mencionou algo semelhante com uma risada. — "É realmente tão estranho assim, então?"

"Hm, não estranho exatamente..." — Ela parecia indescritivelmente perturbada. — "Como vou colocar isso... O Rei das Fadas é um indivíduo lendário, então... vamos deixar por isso mesmo, suponho."

Justo quando ela estava prestes a continuar falando, alguém chamou das arquibancadas.

"Madame Sera, está quase na hora da sua sessão de prática com Lorde Alfonso."

Quando Ryo olhou na direção de onde vinha a voz, viu uma jovem gritando a plenos pulmões.

"Ahhh... já, hein?" — Ela acenou para a jovem vir até eles. — "Desculpas, Ryo, mas tenho um trabalho a fazer."

"Posso perguntar quem é Lorde Alfonso...?"

"O neto do lorde prefeito. Acredito que ele atingiu a maioridade no ano passado. O prefeito perdeu todos os seus filhos, então Alfonso está na linha de sucessão. Ele costumava ser um garoto tão inútil, mas eu o peguei e o disciplinei... Ele tentou me estuprar e eu o paguei quebrando o ombro dele com minha espada."

Uma elfa que podia dizer algo tão assustador de uma maneira tão casual estava diante dele...

"E ele vai ser o próximo prefeito...?"

"Não se preocupe. Quando o prefeito me contratou, eu disse a ele muito claramente que matarei o garoto se ele tentar algo assim novamente na propriedade. Então, apenas deixá-lo viver é uma bênção."

O sorriso dela era cegantemente adorável... Se você olhasse apenas para o sorriso, seria impossível imaginar o que ela estava dizendo. Ryo decidiu se comportar da melhor maneira possível.

Nesse ponto, a mulher que chamara Sera chegou ao centro da arena.

"Reilitta, este é Ryo. Ele é um aventureiro. Ele é importante para mim, então certifique-se de acompanhá-lo adequadamente até a saída. Certo então, estou indo para o treinamento."

E com isso, Sera alcançou a saída em um único salto e deixou o centro de treinamento. Ela devia ter usado magia de ar.

Deixados para trás estavam Ryo e Reilitta. Como Sera fora quem o apresentara, a mulher ainda estava parada ali com os olhos arregalados e a boca aberta de surpresa.

"Hum..."

"Ah! Perdão!"

Ela voltou à vida com um suspiro depois de ouvir Ryo falar.

"Trabalho como empregada na propriedade. Meu nome é Reilitta. É um prazer conhecê-lo."

"Sou Ryo, um aventureiro. Prazer em conhecê-la também."

"Por favor, permita-me acompanhá-lo até o portão. Siga-me."

Reilitta começou a caminhar. Mas continuava sussurrando palavras para si mesma, quase como um cântico.

"Ele é importante para ela, ele é importante para ela, ele é..."

Ryo não a ouviu.

Na caminhada até o portão depois de deixar o centro de treinamento, uma carruagem que passava parou na frente deles. Quando a porta se abriu, o homem que saiu foi...

"Ora, se não é o próprio Ryo. Que surpresa te encontrar num lugar como este."

"Mestre da Guilda..."

... Hugh. Tendo terminado de fazer seu relatório ao prefeito, estava a caminho de volta para a guilda.

"Você está indo para o alojamento, certo? Gostaria de falar com você, então entre."

"Hum..."

Francamente, Ryo não tinha vontade de entrar na carruagem por causa do que aconteceu ontem...

"Jovem, diga ao seu chefe que eu mesmo o levei de volta para a guilda."

A esse ponto, Ryo não tinha saída.

"Muito obrigado, Reilitta. Ficarei bem com o Mestre da Guilda, então você pode voltar aos seus deveres."

"Entendido. Informarei o prefeito."

Então ele subiu na carruagem. Hugh era o único lá dentro.

"Obrigado por me convidar."

"Sem problemas. Sente-se ali."

Assim que Ryo se sentou, Hugh bateu na parede da carruagem. O veículo começou a se mover ao sinal dele.

"Tenho certeza de que você sabe sobre o que quero falar, não sabe? O que aconteceu ontem e tudo mais."

"Sim, senhor..."

Ontem, Arthur viera em socorro de Ryo. Isso era claramente impossível hoje... Então ele se preparou, pronto para qualquer coisa.

"Ora, ora, não precisa ficar tenso assim. Ouvi tudo do Lorde Arthur, especialmente como, se você não tivesse chegado na hora H, eles teriam sido apagados da existência. Claro que sou grato também nesse aspecto. Então você tem meus agradecimentos."

Sentado como estava, Hugh ainda curvou a cabeça respeitosamente.

"Não, não se preocupe com isso" — disse Ryo, nervoso. — "Eu apenas invadi por conta própria..."

"Independentemente disso. Você salvou a pele de Abel duas vezes agora. Dito isso... não foi legal da sua parte passar voando pelos guardas. Como membro da guilda, você não pode simplesmente fazer coisas assim em público e, como Mestre da Guilda, não posso deixar passar também. Então você vai aceitar uma comissão como sua punição."

"Uma comissão?"

"Sim, senhor. Você não aceitou um único trabalho aqui na superfície desde o seu registro, certo?"

Quando pensou nisso, Ryo percebeu que Hugh estava certo. Bem, ele realmente não precisava pensar muito, para começo de conversa.

"É muito provável, sim."

"Não 'muito provável', garoto. É fato" — declarou Hugh. Ele verificara antes de visitar o prefeito, então sabia que era verdade. — "De qualquer forma, não é como se eu quisesse que você aceitasse trabalhos urgentes. Você vai fazer três deles nos próximos dois meses. Deixo a escolha em suas mãos. Isso é bom o suficiente como punição, não acha?"

Era certamente uma punição muito mais leve do que Ryo previra.

"Hããã... Sei que não devo abusar da sorte, mas tenho que perguntar... Tem certeza de que não deveria ser uma penalidade mais dura?"

"Sim, tenho. Desse jeito, ninguém sai perdendo."

A guilda se beneficiava porque os trabalhos seriam concluídos. Ryo se beneficiava porque podia construir seu histórico. Quanto a Abel e todos os outros que foram resgatados, eles também se beneficiavam porque podiam continuar aceitando comissões como de costume — provavelmente? Bem, ninguém sairia perdendo, pelo menos.

"Ah, é, Ryo. Por que você estava na propriedade do prefeito?"

"Ah, apenas uma batalha simulada..."

Embora Ryo falasse brincando, os olhos de Hugh se arregalaram com as palavras dele.

"N-Não me diga que você destruiu as instalações... Por favor. Está tudo bem, certo?"

"Poxa, Mestre da Guilda, estou magoado que pense que eu faria uma coisa dessas." — Ryo tomara as palavras de Hugh como uma piada e o dispensara de acordo, mas a falta de um sorriso no rosto de Hugh dizia que ele não estava brincando nem um pouco. — "Foi apenas uma batalha simulada com espadas cegas, senhor. Não havia chance de algo assim acontecer."

"E-Entendo... Contanto que nada tenha dado errado, então" — respondeu Hugh, parecendo genuinamente aliviado. — "É, vamos deixar por isso mesmo."

Foi quando a carruagem finalmente chegou à guilda.

O Centro de Treinamento Mágico Número 3 estava localizado nos arredores da capital do Império Debuhi. No momento, a divisão mágica do exército imperial conduzia exercícios militares. Cada grupo consistia de vinte indivíduos. Se os magos reais do Reino de Knightley vissem a cena, seus rostos se contorceriam em choque.

Primeiro de tudo, nem um único mago imperial entoava um feitiço em voz alta. Além disso, o poder de suas magias ofensivas estava em uma liga completamente diferente daquelas com as quais os magos do Reino estavam familiarizados. Além desses dois fatores, executavam suas magias em movimento, em vez de permanecerem parados. Enquanto corriam, disparavam bolas de fogo em seus camaradas e anulavam ataques de bolas de fogo com cortes de ar...

Seis pessoas vigiavam as manobras militares:

Fiona Rubine Bornemisza, comandante da Divisão Mágica Imperial.

Oscar Luska, segundo em comando da mesma.

Marie, a ajudante de Fiona.

Jurgen Barthel, o ajudante de Oscar.

E os comandantes das duas companhias lutando atualmente uma contra a outra no exercício militar.

Dos seis, o olhar de Oscar era o mais implacável enquanto observava os procedimentos se desenrolarem.

"Então isso é o máximo de que são capazes agora..." — murmurou ele baixinho para ninguém em particular.

Os dois comandantes de companhia parados atrás dele ouviram de qualquer maneira e suor frio escorreu por suas costas. De repente, pareciam apologéticos também.

"Não acho que haja necessidade de ser tão pessimista, considerando o quão longe chegaram em apenas meio ano." — Embora o tom da Comandante de Divisão Fiona fosse gentil, seus olhos eram tudo menos isso enquanto observava a batalha simulada.

"Você tem um bom ponto, Comandante. Estas duas mais as outras duas companhias perfazem um total de quatro... Estou simplesmente preocupado com quanto tempo levarão para formar uma divisão coesa a este ritmo. De qualquer forma, sugiro encerrarmos o exercício de treinamento de hoje por aqui."

"Sim, concordo."

Com as palavras de Fiona como sinal, Oscar interrompeu o exercício disparando de sua mão um tiro mágico tricolor que parecia um sinalizador. Os membros da companhia no campo de treinamento viraram-se para as arquibancadas ao vê-lo e ficaram em posição de sentido. Exceto por um, que caiu no chão de exaustão.

"Idiota!"

A pessoa que gritou a palavra permaneceu um mistério...

Imediatamente, uma flecha de chama extremamente fina passou raspando pela bochecha direita do mago caído e perfurou o chão.

"Eeek!"

O indivíduo desmaiado soltou o grito involuntário porque o Vice-Comandante Oscar soltara a flecha de chama de sua mão.

"Seu tolo! Não baixe a guarda só porque a batalha chega ao fim. Você precisa focar exatamente quando pensa que acabou ou pagará por seu descuido!"

Cada membro de ambas as companhias respondeu em uníssono:

"Sim, senhor!"

"A comandante de divisão gostaria de uma palavra agora. Ouçam com atenção" — disse Oscar, assentindo levemente para Fiona.

"Muito bem no exercício de treinamento de hoje. Vocês melhoraram desde o último, mas não posso dizer que daria nota de aprovação ainda."

Às palavras dela, as posturas militares dos magos endureceram ainda mais.

"Amanhã, o vice-comandante e eu partiremos para a cidade portuária de Whitnash, no Reino de Knightley, por decreto de Sua Majestade Imperial. Retornaremos em dois meses e conduziremos outro exercício então. Acredito plenamente que vocês nos mostrarão ainda mais progresso naquela ocasião. Dispensados."

Em resposta, todos os presentes pressionaram o punho direito sobre o coração na saudação imperial. Embora houvesse apenas cinquenta deles, o que não era um grande número de forma alguma, era fácil ver por que eram a elite da elite.

Depois que a Comandante de Divisão Fiona e os outros três oficiais de alto escalão se retiraram para o escritório dela, os membros da divisão mágica do exército imperial começaram a limpar o centro de treinamento. Não havia ninguém ali tolo o suficiente para fazer corpo mole. Treinar suavemente todos os dias aumenta sua força, permitindo assim que você sobreviva em um campo de batalha real. Todos ali sabiam disso por experiência real.

E para garantir que seu treinamento prosseguisse sem problemas, sempre precisavam manter a instalação. No entanto, conversar entre si não era necessariamente proibido durante essa tarefa.

"Caramba, quem diabos realmente se senta no segundo em que o treinamento termina?"

"Sério. Pensei que estávamos mortos onde estávamos quando aconteceu."

O tópico de discussão era a flecha de chama branca e super fina de Oscar.

"N-Não é como se eu quisesse sentar, sabe..."

"Sorte sua que o Vice-Comandante estava se sentindo bonzinho hoje. Da última vez que alguém desmaiou assim... acho que foi um cara da terceira companhia e ele teve as duas pernas atravessadas por tiros, certo?"

"É. As flechas de chama perfuraram as coxas dele, queimando as pernas de dentro para fora ou algo assim... Aposto que doeu muito, hein?"

Todos estremeceram ao recordar a cena.

Mas entenderam mal um ponto. Embora fosse verdade que as flechas de chama atravessaram ambas as pernas do membro da companhia, as flechas foram especificamente projetadas para não queimar nada além de seus pontos de contato. Então as pernas dele não queimaram de dentro para fora. Na verdade, ele fora curado imediatamente por curandeiros no local e, mesmo agora, dedicava-se ao seu próprio treinamento sem problemas. Claro, esse tipo de história sempre acabava sendo exagerada.

"De qualquer forma, ficaremos mais fortes contanto que continuemos fazendo o treinamento, e ser mais forte significa sobrevivência. A coisa mais importante é levar nossos trabalhos a sério."

"É, você definitivamente não está errado."

"Embora haja algo que sempre me perguntei... Quão forte você acha que o vice-comandante realmente é? Talvez pudéssemos enfrentá-lo em nossos níveis atuais..."

"Você é realmente tão estúpido assim? Ele poderia muito bem estar em outra dimensão comparado a nós. Mesmo se cada membro da divisão o atacasse em grupo, ele nos eliminaria num instante. O mesmo vale para a comandante, que disse que não é páreo para o vice-comandante. Então... você entendeu a ideia."

"Droga... Acho que o apelido dele 'O Mago do Inferno' não é apenas de enfeite, hein..."

"Honestamente... Por que Whitnash tem que ser tão longe?" — murmurou Fiona enquanto abria um mapa retratando a totalidade das Províncias Centrais em seu escritório.

"Não há como evitar, minha senhora, considerando que a família imperial é sempre convidada a participar do festival de abertura do porto que a cidade realiza a cada cinco anos" — respondeu Marie, ajudante de Fiona, enquanto servia chá para a comandante.

"De fato. Conrad está participando como representante da família imperial, mas... por que Sua Majestade ordenou que eu fosse com ele..."

O Príncipe Conrad era o terceiro filho e irmão mais velho de Fiona. Com uma expressão intrigada, ela quebrou a cabeça sobre o problema por algum tempo antes de se virar para Oscar, que estava sentado em sua cadeira habitual.

"Mestre, o que você acha?"

"Sua Alteza... Quantas vezes eu disse para parar de se dirigir a mim dessa maneira..."

"Somos apenas nós quatro aqui, então não se preocupe."

Os quatro na sala eram a Comandante de Divisão Fiona, o Vice-Comandante Oscar e seus respectivos ajudantes, Marie e Jurgen. Fiona e Oscar confiavam neles mais do que em qualquer um de seus subordinados.

Oscar exalou profundamente.

"Bem, sei menos que nada sobre as complexidades da política. Sou apenas um mago."

Olhando fixamente para ele, Fiona assentiu enfaticamente.

"Senti que algo estava errado no momento em que você começou a falar de maneira tão afetada. A questão, Mestre, é por que você está sendo tão formal."

"Porque... passaremos os próximos dois meses com outros membros da realeza e nobres. Pensei que seria prudente relembrar meus modos enquanto ainda tenho a chance agora... Ao contrário de você, Sua Alteza, não sou tão habilidoso em me adaptar a diferentes situações sociais."

"Ah, entendo... Odeio dizer isso, mas tenho quase certeza de que a família imperial, meu pai incluído, se resignou à sua, digamos, maneira usual de falar" — disse Fiona.

O tom pesaroso dela atordoou Oscar. Ele olhou para ela, depois para Marie e finalmente para Jurgen. Todos usavam expressões semelhantes de simpatia dirigidas a ele.

"Que desperdício do meu tempo e energia..."

"Excelente, você voltou à boa forma, Mestre. Ser fiel a si mesmo combina mais com você. Quando o ouvi falando tão formalmente no centro de treinamento, me senti inquieta por algum motivo."

"Sei que você não vai acreditar em mim, mas eu costumava falar bem direitinho antigamente... Caramba, posso fazer isso agora também sempre que estou no castelo imperial... Acho que devo apenas desistir durante os exercícios, no entanto."

Risos pesarosos escaparam de todos os quatro quando ele admitiu a derrota.

"Voltando à sua pergunta original, então. Não faço a menor ideia do que Sua Majestade Imperial está pensando. Como não há oceano no Império, talvez ele apenas queira que você aprecie a vista... Sei que não tem como isso estar certo, no entanto, então repito: não faço a menor ideia do que se passa na mente dele."

"Hm... Suponho que descobriremos no devido tempo." — Com a cabeça levemente inclinada, Fiona ruminou sobre várias coisas.

Apesar de seu comentário, uma ideia ocorreu a Oscar. Será que Sua Majestade pretende derramar sangue enquanto Sua Alteza não estiver na residência.

O Imperador Rupert VI mimava Fiona, sua filha mais nova. Fiona Rubine Bornemisza. Comandante da divisão mágica do exército imperial e também a décima quarta filha do atual imperador.

Rupert VI tinha três filhos e onze filhas. Todas as onze princesas eram adoráveis, mas a beleza de Fiona se destacava acima das demais. Ela herdara seus marcantes cabelos ruivos e olhos azuis profundos — bem como sua pele pálida e perolada — de sua mãe, a primeira imperatriz que já havia partido para o outro mundo. Apesar de sua estatura relativamente baixa de um metro e sessenta, possuía uma figura madura e sublime que desmentia seus dezoito anos de idade.

Fiona raramente participava de funções sociais como bailes e afins porque preferia se dedicar a aprender as artes da magia e da espada. Raven, uma lâmina preciosa presenteada por seu pai, o imperador, sempre pendia de seu quadril enquanto ela se dedicava ao treinamento mais rigoroso que ela mesma buscava. Desde que fora nomeada comandante da divisão mágica do exército imperial aos dezessete anos, jogara seu coração e alma para reviver a unidade, o que significava que suas aparições já raras em danças e afins tornaram-se ainda mais raras.

Originalmente, a Divisão Mágica Imperial existia como uma unidade cerimonial consistindo de magos que haviam servido no exército ou corte imperial e se aposentado das linhas de frente. Permanecera assim por dois séculos, mas quando Rupert VI nomeou Fiona como comandante da divisão, ele dispensou todos os seus membros na época e ordenou que ela a reorganizasse como uma unidade pronta para batalha.

Seis meses haviam se passado desde então. A divisão ainda contava com menos de cento e vinte membros no total. Pelos padrões do exército imperial, era pouco mais que um batalhão. No entanto, seus membros haviam provado sua força tremenda repetidas vezes sob a liderança de Fiona.

Das onze princesas, ela era a única que manifestara um nível incomum de poder mágico. Além disso, controlava os elementos de fogo e luz — fogo ofensivo e luz curativa, ambos os quais agora podia manipular em alto nível.

Como pai, Rupert VI amava muito sua filha mais nova. Mas como imperador, também a amava como um raro recurso de combate mágico. Era natural que ambas as coisas fossem verdadeiras.

Ao mesmo tempo, porém, Oscar pensava que Sua Majestade não gostava de sujeitá-la a quaisquer visões grotescas justamente porque a amava tanto. Fazia sentido que um pai nunca quisesse expor seus filhos a tais espetáculos terríveis, mas da perspectiva de Oscar, o imperador era ainda mais protetor com Fiona em comparação com as outras princesas. E era por isso que ele se perguntava se algo sangrento aconteceria no Império durante a visita dela ao exterior... Por exemplo, um expurgo de aristocratas que se opunham à família imperial... Tais eram as reflexões de Oscar.

 

 

 

 

 

Traduzido por Moonlight Valley

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