Volume 2
Capítulo 13: O Povo de Olhos Azuis
Tarde, no dia seguinte ao retorno dos residentes do Quarto 10 a Lune da vila de Abali.
O Mestre da Guilda Hugh McGlass estava visitando o lorde da cidade em sua residência. Depois de fazer seu relatório ao marquês, dirigiu-se ao escritório do comandante dos cavaleiros. Como de costume, dois cavaleiros estavam de prontidão em frente a ele.
"Gostaria de me encontrar com Sor Neville. Por acaso ele estaria?"
"Sim, ele está."
Quem falou bateu na porta.
"Senhor, Hugh McGlass, mestre da guilda de aventureiros, chegou para vê-lo."
"Deixe-o entrar."
Uma voz grave e masculina veio de dentro. Hugh entrou no escritório. Era uma sala espaçosa, cerca de vinte tatames de tamanho, ou aproximadamente 31 metros quadrados. O interior era mobiliado de forma simples, com uma mesa bastante grande, conjunto de sofás para receber visitantes e uma variedade de bebidas em um armário.
Neville Black, comandante da ordem de cavaleiros do Marquês Lune, estava sentado lá dentro, sua estrutura grande afundada em sua cadeira. Ele estava no processo de escrever algo.
"Desculpe, mas sente-se ali e espere por mim. Terminarei logo."
Isso foi tudo o que disse antes de focar no papel e começar a rabiscar novamente. Hugh não se ofendeu, já que isso acontecia o tempo todo, então simplesmente sentou e esperou.
Três minutos depois, Neville terminou. Levantou-se da cadeira, pegou uma garrafa de bebida e dois copos do armário e sentou-se em frente a Hugh. Então ambos passaram a discutir vários assuntos enquanto bebericavam suas bebidas.
"Neville, tem certeza de que quer adicionar mais uma daquelas pedras mágicas ao seu pedido?"
Hugh começou com uma questão pendente do seu lado. Era certo que as pedras mágicas a que se referia eram as de wyvern que Ryo e Abel trouxeram para a guilda. O marquês já comprara uma delas e Hugh assumira originalmente que o lorde não iria querer mais...
"Sim, faça isso. Não é como se eu fosse quem vai usá-las de qualquer maneira, né? Quando o pessoal no Ateliê viu a primeira, imploraram para que eu comprasse mais. Chegaram ao ponto de me dizer que eu poderia descontar dos salários deles, o que me mostrou o quão determinados estavam." — Neville riu ironicamente antes de continuar. — "Não conseguirei uma barganha tão boa de novo por um tempo, certo? O tamanho perfeito, profundidade de cor e, o melhor de tudo, atributo vento. Uma pedra mágica que se encaixa em tudo o que estão procurando."
"Isso é sobre" — disse Hugh, baixando a voz —, "um certo navio, não é?"
"Com certeza é. Quando vejo pessoas que trabalharam nisso a vida toda e não apenas por uma geração, mas duas, me dá vontade de comprar para elas, mesmo que isso signifique sair do meu caminho. Sabe o que quero dizer? Claro, Sua Senhoria concordou plenamente, então não é como se eu não tivesse a permissão dele. Então adicione outra para nós, o mais parecida possível com a anterior. Compraremos por seiscentos milhões de florins."
"Pode deixar."
Hugh estava prestes a se levantar, já que tinham acabado de discutir tudo o que precisavam, quando o Comandante dos Cavaleiros Neville de repente mencionou um nome inesperado.
"Hugh, o que você sabe sobre um aventureiro chamado Ryo?"
A menção de Ryo por Neville chocou Hugh principalmente porque ele não achava que Ryo tivesse qualquer conexão com a ordem de cavaleiros.
"Por que você sabe o nome dele?"
"Não responda a uma pergunta com uma pergunta." — Neville riu e continuou. — "Mas para responder à sua, ele tem vindo ao nosso centro de treinamento com frequência ultimamente. Foi assim que aprendi o nome dele."
"Ryo? No centro de treinamento dos cavaleiros? O que diabos aquele garoto está fazendo lá..."
"O que você acha? Se alguém diz centro de treinamento, a primeira coisa que você pensa é em exercícios de treinamento, certo?"
Hugh estremeceu de medo com a resposta de Neville. Ryo era o tipo de homem que invadia sozinho uma missão suicida em uma masmorra e derrotava um príncipe demônio. Então, quais eram as chances de ele destruir equipamentos em exercícios de treinamento...?
Então ele se lembrou de mais uma coisa. Um tempo atrás, Ryo lhe contara algo sobre batalhas simuladas dentro de sua carruagem...
"Não me diga que ele quebrou coisas no centro..."
"Não, nada disso, então não se preocupe. Você sabe que nosso centro de treinamento é protegido por uma barreira mágica que está sempre ativa."
"Então por que..."
"Sim, bem..." — Neville fez uma pausa, um pouco hesitante em dizer o que estava em sua mente, o que era extremamente incomum para ele, já que era do tipo direto e franco. — "A verdade é que ele tem praticado contra a Senhorita Sera."
"Ele o quê?"
Hugh sabia que soava como um idiota, mas não sabia o que mais dizer depois de ter sido pego de surpresa pelo comentário de Neville.
Ryo está praticando com Sera? Quer dizer, suponho que faça sentido já que ambos são aventureiros e tal, mas... esse não é o problema. Como diabos eles se conhecem? Isso é o que eu quero saber. E estão realizando suas batalhas simuladas no centro de treinamento dos cavaleiros em vez dos campos de treinamento da guilda? Talvez por causa da barreira mágica, como Neville disse, já que facilita as coisas para eles...?
Apesar de tudo virar uma confusão em sua cabeça, as palavras que saíram correndo de sua boca não tinham praticamente nada a ver com o tópico em questão.
"Então você dá a Sera um título adequado de 'Senhorita' enquanto Ryo e eu somos deixados de lado, hein?"
"Claro. Porque ela é uma pessoa poderosa na equipe do lorde. Você poderia até dizer que ela é a mais poderosa na propriedade, sem contar Sua Senhoria. Além disso, embora eu possa me safar com Senhorita Sera, o resto dos cavaleiros a chama de Madame Sera." — Neville riu alegremente. — "De qualquer forma, a Senhorita Sera e Ryo são bastante equilibrados quando se enfrentam. Eu mesmo os vi e deixe-me dizer, fiquei impressionado. Entendo completamente por que os cavaleiros não conseguem tirar os olhos deles. São tão rápidos que só consigo acompanhá-los metade do tempo."
Neville sorriu para si mesmo ao pensar na visão das batalhas simuladas deles.
"Você já sabe que ela treina meus cavaleiros, mas ela nunca usou seu Manto de Vento durante suas sessões com eles... Bem, nada a fazer sobre isso, considerando que a diferença entre a esgrima pura dela e a deles é como noite e dia. E tenho que admitir, senti pena dela esse tempo todo, não ter oponentes contra os quais pudesse usar toda a sua força."
"Por que você não se oferece como parceiro de treino dela?"
"Não seja estúpido. Não sou páreo para ela. Mas aqui vai uma ideia para você. E se o grande Campeão McGlass a enfrentasse? Tenho certeza de que você se sairia bem" — provocou Neville.
"Seu idiota. Você sabe muito bem que não estou apto para lutar de qualquer tipo, especialmente depois de ter que me aposentar por conta da lesão no meu braço. Além disso, mesmo no meu auge, duvido que pudesse vencê-la e ao seu Manto de Vento..." — Então Hugh de repente percebeu algo. — "Ouvi dizer que a magia de Sera é incrível, mas... está no nível da de Ryo?"
"Hm. Na verdade, nunca vi a magia dela pessoalmente."
"O quê?"
Eles não estavam na mesma página.
"Espera, você está dizendo que as batalhas simuladas deles não são do tipo mágico?"
"Isso mesmo. Eles lutam usando espadas."
"Hã?" — Hugh soou como um idiota mais uma vez. — "Mas..." — Então ele respirou fundo e espremeu algumas palavras. — "Ryo... é um mago."
"Hã?"
Desta vez, foi a vez de Neville soar estúpido.
O silêncio reinou entre eles por um tempo. Então Neville finalmente o quebrou.
"Bem... acho que tudo o que eu realmente queria dizer é que espero que Ryo continue treinando com a Senhorita Sera, porque as lutas deles com certeza acendem um fogo sob os cavaleiros..."
"Ceeerto... Entendi."
Ambos tacitamente desistiram de pensar em coisas desnecessárias.
Hugh deixou o escritório do comandante dos cavaleiros e encontrou Sera no caminho de volta para sua carruagem. Ela parecia muito feliz.
"'lá, Sera."
"Faz uma eternidade e um dia, Mestre McGlass. Teve uma reunião com Sor Neville?"
"Sim. O que me lembra, ouvi agora há pouco que você está treinando com Ryo?"
"De fato estou" — respondeu ela, inclinando a cabeça curiosamente. — "Não tema, pois tenho a permissão do marquês."
"Não, não estou reclamando. Neville até disse que suas lutas são boas para acender um fogo sob os homens dele."
"Ah, sério?!" — Sera sorriu alegremente. — "Maravilhoso!"
Hugh era um homem também. Como tal, o sorriso de Sera era uma força incrivelmente intensa... Mas então ele se lembrou do neto do marquês, Alfonso Spinazola, que tentara se forçar sobre ela depois de perder para seu desejo carnal e acabara com um ombro estilhaçado por sua estupidez. Hugh desesperadamente arrastou seu olhar para longe do sorriso de Sera.
"Se algum dia sentir necessidade de treinar também, é mais do que bem-vindo para se juntar a nós, Mestre McGlass. Temos excelentes sacerdotes e sacerdotisas à disposição no centro de treinamento que podem curar a maioria dos ferimentos também."
Então ela se afastou.
"Não... Eu definitivamente não quero colocar os pés lá dentro..."
Ninguém ouviu o sussurro de Hugh...
༄
Era tarde no dia seguinte ao retorno dos quatro residentes do Quarto 10 à cidade de Lune de seu trabalho na vila de Abali. Pela primeira vez em algum tempo, Ryo comeu curry com Sera no Estação Abastecer. Quando terminaram, ela voltou para a propriedade do marquês e ele dirigiu-se ao Onda Dourada.
Abel me deve muitos favores. Por exemplo, a semana de jantares que me prometeu na masmorra... Ele ainda não me pagou nem uma vez. E — ah, é! — quando o fiz parecer bem em Whitnash, sem mencionar que fui legal o suficiente para não transformar aquele maldito mago de fogo num bloco de gelo. Sim, sim, o que significa que ele tem que me ajudar com isso, não importa o quê!
Eram duas da tarde. A maioria dos clientes que vieram almoçar no Onda Dourada já havia saído. Entre os poucos retardatários estava um espadachim solitário de rank B lendo um livro enquanto estava sentado em uma cadeira no refeitório.
Ryo planejara pedir à recepcionista para chamá-lo, mas isso era ainda melhor.
"Abel, estou aqui para cobrar as dívidas que me deve."
"O quê? Ah, Ryo, é você. Não me assuste assim, caramba. Espera. 'Cobrar as dívidas que me deve'... Hããã, poderia refrescar minha memória?"
"Tudo bem. Quando estávamos na masmorra, você prometeu me pagar uma semana de jantares."
Abel engasgou. Aparentemente, ele realmente havia esquecido.
"C-C-C-C-C-Claro que não esqueci. Não, de jeito nenhum. Você só parecia super ocupado, Ryo, então eu nunca conseguia encontrar o momento certo para te perguntar. Sério. Estou dizendo a verdade."

"Haaa..." — Ryo suspirou deliberadamente ao ouvir a desculpa de Abel. Então sentou-se em frente a ele. — "Em troca da semana de jantares, gostaria que você me ajudasse com uma coisa."
"Hã...? O-O que é? Sinto que vai ser pior que os jantares..." — perguntou Abel nervosamente.
"Bem, meus colegas de quarto Nils e Eto estão chegando ao limite de trezentos dias para ficar no dormitório da guilda e terão que sair em breve. Então, decidiram comprar uma casa e Amon vai se juntar a eles também, e é por isso que pensei que seria um bom momento para eu também deixar o anexo quando eles o fizerem e morar sozinho..."
"Você não planeja morar com eles, Ryo?"
"Isso mesmo. Quero conduzir todo tipo de experimento mágico e alquímico, então prefiro morar em uma casa com um quintal espaçoso."
"Deixe-me adivinhar. Você recebeu parte da sua parcela da venda daquelas pedras mágicas, não recebeu?" — observou Abel como se tivesse acabado de lembrar o que haviam passado.
"Quando verifiquei minha conta esta manhã, o saldo aumentado sugeriu que duas delas tinham sido vendidas."
"Faz sentido." — Abel assentiu vigorosamente em compreensão. — "Já que o marquês comprou uma, alguém mais deve ter comprado outra, né? Caramba... O Mestre da Guilda com certeza trabalha rápido, não é? Que empreendedor."
"E é por isso que estou aqui hoje, porque quero que você me ajude a procurar uma casa, Abel."
"Entendi. Nesse caso, deixe comigo."
No fim das contas, Abel era uma pessoa influente em Lune. Sua popularidade esmagadora entre os aventureiros não era surpresa e, como um dos poucos aventureiros de rank B aqui, era bem conhecido pelos moradores da cidade também. Levando isso em conta, Ryo percebera que ter o apoio de alguém como Abel reduziria as chances de ser enganado, sem mencionar o fato de que podia confiar em quaisquer corretores imobiliários que Abel lhe apresentasse. Então, fora procurar o espadachim...
"Você sabia que a guilda de aventureiros administra terras e edifícios também?"
Evidentemente, a guilda tinha uma divisão imobiliária...
No final, os dois dirigiram-se para lá.
"Nunca imaginei que estivessem envolvidos nesse negócio também..."
"É, ouvi dizer que existem até algumas propriedades administradas exclusivamente pela guilda. Bem, a realidade é que aventureiros frequentemente compram ou alugam casas vagas e outros lugares. Talvez isso tenha algo a ver com o limite de trezentos dias para ficar no anexo habitacional da guilda."
"Isso é tão sorrateiro! Adultos são tão sorrateiros!" — Ryo balançou a cabeça inúmeras vezes porque Abel provavelmente estava certo em sua dedução. — "Mas também há grupos como o seu, certo, Abel? Aqueles que não compram ou alugam, mas apenas ficam em quartos de estalagem por um tempo."
"Acho que você não está errado, mas quando coloca dessa forma... Pagamos as taxas regulares, no entanto, então não é como se estivéssemos fazendo algo errado. Bem, sei que é meio estranho eu mesmo dizer isso, mas a razão pela qual posso viver assim é por causa de quão bem sou pago como rank B."
Semelhante a como presidentes de empresas e CEOs viviam nas suítes de cobertura de hotéis de luxo na Terra moderna... Ou pelo menos Ryo assumiu sem base. A equipe do alojamento cuidava de toda a limpeza e lavanderia, além de que, se os hóspedes pedissem bebidas e lanches, traziam-nos imediatamente para seus quartos. Tendo tudo isso em mente, então... você definitivamente poderia levar um estilo de vida agradável assim.
Contanto que tivesse dinheiro, é claro!
"Ryo, você pensou em ficar a longo prazo em uma estalagem... Ah, espere, você disse que precisa de uma casa com um quintal enorme para seus experimentos..."
"Correto. Nesse tipo de situação, a convenção dita que, se você gastar uma certa quantia de dinheiro, pode comprar algo como a mansão de um velho nobre ou a propriedade de um aristocrata amaldiçoado por um preço de banana... Acredito que tais desenvolvimentos de história existam."
"Convenção? Desenvolvimentos de história? Do que diabos você está falando, cara..."
Ryo dissera suas expectativas clássicas de progressão de enredo de light novel em voz alta, mas estava claro que Abel não entendia o que ele estava dizendo. Porque é claro que não entenderia.
"Ryo, odeio ser portador de más notícias, mas não acho que isso vá acontecer..."
"Hã?"
"Minhas mais sinceras desculpas, mas apenas aqueles da nobreza podem comprar propriedades pertencentes a nobres. Apesar de Abel indicá-lo para nós, exceções não podem ser feitas."
"Awww..."
"Eu te disse, não disse?"
O chefe do departamento imobiliário da guilda, Riplait, fora gentil o suficiente para atendê-los diretamente. No entanto... a realidade imposta brutalmente a Ryo era trágica demais para ele suportar.
"Então meus sonhos de uma casa com um quintal espaçoso..."
"Cara, relaxa. Nem chegamos tão longe. Riplait, como você acabou de ouvir, Ryo está procurando uma casa com um quintal grande. Aparentemente, ele quer fazer experimentos mágicos e alquímicos ou algo assim. Ele é rico, então seu orçamento é bem grande. Dentro do razoável, é claro."
Ele realmente precisava dizer tudo isso? A guilda não tentaria tirar vantagem dele agora? Esses pensamentos correram pela mente de Ryo.
"Abel, quer parar com isso..."
"Não se preocupe. Riplait é o membro mais trabalhador da equipe da guilda. Então, dizer a ele todas as informações necessárias significa que ele será capaz de encontrar exatamente o que você está procurando."
Deixou Riplait exultante ouvir tais palavras de elogio vindas de alguém tão popular quanto Abel. Ele assentiu alegremente quando falou.
"Entendo, obrigado por fornecer essas informações. Infelizmente, nada entre nossas listagens atuais corresponde às suas condições, Ryo... Você se importaria de me dar mais um dia para realizar algumas pesquisas? Reunirei informações sobre todas as propriedades não sob nossa administração, incluindo quaisquer novas recém-colocadas no mercado e aquelas tratadas por outras agências imobiliárias na cidade. Se puder passar aqui novamente amanhã à tarde, eu realmente agradeceria."
A expressão séria e intratável no rosto de Riplait era a de um homem que tinha muito orgulho de seu trabalho. E simplesmente não havia como Ryo recusar o pedido sincero de tal homem.
"Entendido. Muito obrigado."
༄
"Três horas já... Um pouco cedo demais para você me pagar o jantar, hein, Abel?"
"Então já é certo que eu vou pagar, hein... Mas espere, você não disse que estamos quites se eu te ajudar a procurar uma casa? Tenho quase certeza que disse..."
"Exceto que estou falando sobre como ajudei você a salvar a cara na praia em Whitnash e não matei aquele tal de 'Mago do Inferno'. Então você ainda me deve por isso..."
"Tudo bem, tudo bem, caramba, eu entendi" — respondeu Abel, meio resignado. — "Muito obrigado por salvar minha pele naquela época! Olha, vou te pagar um lanche, então vamos a qualquer loja que te agrade."
"Você diz isso, mas... não é como se eu soubesse quais lojas vendem coisas deliciosas. Você por acaso conheceria alguma, Abel?"
"É. Tem uma bem ali. Eles têm ótimos bolos e café. Que tal?"
"Café!"
Foi a primeira vez que Ryo ouviu a palavra "café" desde que chegou a Phi. Embora, é claro, conhecesse o grupo "Cafeteira"...
"Você sabe o que é café então, Ryo?"
"Preto como o Diabo, quente como o inferno, puro como um anjo, doce como o amor. Essa bebida, sim?"
"Você meio que me perdeu na metade, mas sim, tenho quase certeza de que estamos falando da mesma bebida preta."
Ryo ficou devastado pelo fato de Abel reduzir a famosa ode de Talleyrand ao elixir como "bebida preta". A realidade era verdadeiramente uma amante cruel.
"Uau. Este menu é algo e tanto..."
O nome da loja era "Café de Chocolat, Lune". Apesar da inclusão da palavra "chocolat" em seu nome, na verdade não servia bolo feito com chocolate. Não servia, mas...
"Mont Blanc, bolo de morango, torta de maçã..."
"Acho que vou de bolo de morango. Quanto ao café... Blue Mountain."
"O menu de café é intenso também... Blue Mountain, sério? E Kona? Eles têm Mandelhing também..."
Ryo balançou a cabeça mentalmente, perplexo, enquanto lia o menu.
O que diabos é essa sensação de déjà vu... Isso não pode ter algo a ver com outro reencarnado... Pode?
Uma mulher adorável se aproximou.
"Já decidiram o que gostariam ou precisam de mais tempo?" — perguntou ela.
"Eu gostaria do conjunto de bolo de morango e Blue Mountain."
"E-Eu... vou querer o Mont Blanc e Kona, por favor."
Ela anotou os pedidos, depois se afastou para atendê-los.
"Você conhece bolos também, Ryo? Mesmo que não houvesse nenhum na Floresta de Rondo..."
"S-Sim, tínhamos na minha cidade natal..."
"Hã. Interessante."
O bolo e o café eram ambos deliciosos. Tão perfeitos que se o dono da loja abrisse outro café no Japão moderno, não teria problemas para se manter no negócio. No entanto, o café Kona... não era o mesmo Kona havaiano que ele apreciara na Terra. Assumiu que o nome era apenas um aleatório que o criador inventara. Mas o sabor era...
"Chocantemente delicioso..."
"Né? Este lugar não é ótimo? E fica a um pulo da guilda."
"Aposto um bom dinheiro que Rihya ou Lyn trouxeram você aqui. Estou certo ou estou certo?"
"Geh."
Ryo acertara na mosca com seu palpite.
"Bem, tudo bem porque tudo é delicioso."
"Por que você não usa isso como um local de encontro também, Ryo? Com, digamos, Sera, por exemplo." — As palavras e expressões de Abel transmitiam que ele estava bisbilhotando.
"Para sua informação, Sera e eu não somos assim."
"E, no entanto, você está falando sobre ela tão casualmente, como se fossem super próximos agora..."
"Porque ela quis que eu fosse casual com ela também depois que viu como sou com você... Foi um compromisso inevitável." — Então Ryo balançou a cabeça levemente.
"Bem, lembro de você dizer que ela é sua professora, mas... como diabos vocês se conheceram? Não é como se vocês dois tivessem algo em comum. Ela quase nunca mostra o rosto na guilda, sem mencionar que é a instrutora dos cavaleiros..."
"Digamos apenas que ela me ensinou muito na biblioteca do norte e deixaremos por isso mesmo."
"Ahhh, a biblioteca do norte, hein? Agora faz sentido."
O olhar no rosto de Abel dizia que ele finalmente resolvera um mistério de longa data graças à explicação de Ryo. Não importa que estivesse pensando nisso há apenas uma semana.
"Além disso, ela tem me ajudado a treinar minhas habilidades com a espada. Geralmente antes de ensinar os cavaleiros, meio que um aquecimento para ela, acho."
"Espere. Você está treinando com a Sera...?"
"Sim. Ela é incrivelmente poderosa, sabe. Atualmente estou no meio de uma série de derrotas contra ela" — disse Ryo com um sorriso despreocupado. Era prova de que ainda não chegara perto o suficiente do ponto em que ficaria chateado por perder. Era tamanha a diferença de força entre ele e Sera. — "O Manto de Vento dela é incrível, e sua magia de ar é a própria perfeição, não acha? Aumenta a velocidade de tudo. Adicionar velocidade e peso aos seus ataques através do Manto de Vento torna sua esgrima já extremamente polida assustadoramente perigosa."
"Então Sera usa o Manto de Vento com você?"
"Sim. Eu literalmente acabei de dizer isso. Abel, você tem que ouvir corretamente os outros quando falam, certo? Só reflete mal em você quando não o faz."
Com isso, Ryo terminou o café restante em sua xícara.
Não, não, não, há algo muito errado com o fato de você ser capaz de lutar contra Sera quando ela está usando seu Manto de Vento... Só agora estou quase no nível em que ela e eu estamos equilibrados e isso é sem ela usar o Manto de Vento... Espere, estou mesmo? Na verdade, não estou confiante de que posso sequer lutar com ela... Ryo, você deveria ser um mago, então como diabos suas habilidades com a espada são tão boas...? Quão longe exatamente você planeja ir...? Qual é o seu objetivo final, cara?
Qual era seu objetivo final... O próprio Ryo também não sabia a resposta para essa pergunta...
"Eu não tinha ideia de que uma loja como esta existia tão perto da guilda."
"Deixe-me ver" — disse Abel enquanto repassava o conhecimento em sua mente. — "Se bem me lembro, abriram esta filial em Lune no ano passado. É um café de longa data na capital real. Acho que existem há quarenta anos ou mais..."
De qualquer maneira que eu pense, uma pessoa reencarnada deve ter tido essa ideia de conjunto de bolo e café... E considerando o quão perfeito era o sabor, estiveram envolvidos não apenas na ideia, mas na criação em si também... Então isso significa que chegaram a Phi apenas vinte anos antes de mim? Não, não, impossível. Porque me lembro distintamente do Falso Miguel me dizendo: 'Você é na verdade o primeiro visitante que tenho em um bom tempo.' Foi assim que ele me cumprimentou naquele mundo branco em que estávamos. Uma pessoa parecida com um anjo como ele não pensaria em vinte anos como 'um bom tempo', certo?
Não importava o quanto analisasse a situação, Ryo não conseguia chegar a uma resposta coerente. E então a próxima pergunta de Abel cortou completamente todos os seus pensamentos sobre reencarnados.
"Ryo, podemos falar sobre o que aconteceu em Whitnash...?"
"Claro?"
"Você tentou matar o Mago do Inferno, não foi? Oscar do Império. Se eu não tivesse chegado lá a tempo, tenho quase certeza de que ele estaria morto agora. Quão sério você estava, no entanto?"
"Ahhh, certo, aquilo... Suponho que você poderia chamar de troca de farpas verbal? Palavras de luta? Agora quero saber se, da sua perspectiva, havia realmente uma discrepância tão grande de poder entre aquele cara e eu?" — respondeu Ryo enquanto comia o último pedaço de seu bolo. Para ele, Oscar era aparentemente apenas "aquele cara".
"Sim, definitivamente."
"Terei que discordar. Não acho que a lacuna seja realmente tão grande. Na época, ele estava na ofensiva e eu na defensiva, então pode ter parecido que havia uma lacuna de força quando interceptei tudo. Mas... se nossos papéis tivessem sido invertidos, me pergunto se meus ataques não teriam penetrado a defesa dele facilmente."
Ryo relembrou o incidente ao responder. Magia de água era excelente para defesa. Por exemplo, Parede de Gelo certamente poderia ser considerada a magia defensiva mais forte e resistente. Mesmo que pudesse ser perfurada às vezes, é claro.
"Além disso, nossos respectivos atributos de água e fogo também são fatores relevantes. Água nega fogo, certo? Contanto que você tenha uma tremenda quantidade de água, pode apagar qualquer tipo de fogo. Acho que a compatibilidade está em jogo aqui também."
Ele continuou falando, ainda se lembrando daquela noite.
"Além disso, a velocidade com que a magia que aquele cara gerava, ou melhor, construía magia era... surpreendentemente rápida, hm? E é por isso que acho que há uma chance muito boa de ele poder contra-atacar meus ataques."
"Então por que diabos você o provocou, apesar de saber tudo isso?"
"Eu estava nervoso. E tenho certeza de que a atmosfera do festival me deixou ainda mais excitável do que o normal."
"Ok, então, o que tirei dessa conversa é que você é um homem perigoso, Ryo."
"Mas ainda sou um bebê na floresta comparado a você, Abel..."
"Por quê? Por que sou sempre eu, cara?! O que eu já fiz para você?!"
"Ah, é, Ryo. Acabei de lembrar de uma coisa."
"O que é? Argh! Não me diga... você vai me pedir para pagar nossa comida porque não tem dinheiro com você? Não vou deixar! Está me ouvindo?!"
"Não, seu idiota! Não era isso que eu ia dizer de jeito nenhum!" — Abel suspirou em exasperação. — "Na verdade, se você disser sim, compro outro conjunto de bolo para você."
"Sim! A resposta é sim! Acredito que gostaria de provar o bolo de morango a seguir."
Abel estava quase desistindo dele.
"Não diga apenas sim sem perguntar ao que está dizendo sim, seu imbecil."
"Confio em você, Abel, e é por isso que sei que não virá a mim com um pedido flagrante."
"Mentira. Você só quer comer seu segundo bolo o mais rápido possível."
Ryo não ouviu o sussurro de Abel.
Então cada um pediu outro conjunto de bolo. Um simplesmente não era suficiente para aventureiros viris cujos trabalhos eram tão intensivos em mão de obra... E como essa era uma verdade inegável, Abel também não teve escrúpulos em fazer isso. Embora algo parecesse errado com a ideia de encher o estômago apenas com bolo e café...
"Então, o que você quer que eu faça? Não aceitarei, dependendo do que for."
"Você realmente acha que vou deixar você escapar dessa depois de já ter devorado a segunda fatia de bolo? De qualquer forma, quero que você me acompanhe um pouco depois disso."
"'Depois disso'? Você disse a mesma coisa da última vez, e quando saímos pela cidade, chegamos à dolorosa conclusão de quão impopular você é, Abel. Você se lembra disso? Como seu amigo, eu preferiria não reabrir suas feridas..."
"Espere, você está falando sobre o incidente com os aventureiros da Federação, que, a propósito, não tem nada a ver com minha popularidade? Pensando bem, meu pedido desta vez pode realmente estar um pouquinho relacionado a isso. Aparentemente, pessoas suspeitas estão se reunindo em um prédio e vamos revistá-lo."
"Abel, você não acha melhor deixar a guarnição da cidade lidar com trabalhos assim? Da perspectiva deles, qualquer 'ajuda' nossa provavelmente seria apenas um obstáculo..."
Um tropo comum em histórias de reencarnação isekai girava em torno dos reencarnados metendo o nariz onde não eram chamados, resultando neles se livrando dos vilões de uma vila ou cidade. Ryo balançou a cabeça um pouco ao pensar nisso.
"Naturalmente, não estou fazendo isso sozinho como algum tipo de justiceiro. Conheço um dos oficiais comandantes da guarnição, Nimur, e foi ele quem me pediu ajuda."
"Nimur. Não é aquele que estava posicionado no portão da cidade quando chegamos? Ele ficou muito feliz com o seu retorno, se bem me lembro."
"Boa memória..."
Ele parecera apenas um guarda normal naquela época, mas evidentemente, era um capitão na guarnição da cidade. Um oficial de alto escalão que não se gabava? Soberbamente admirável. A estimativa de Ryo por Nimur subiu um degrau.
"Tudo o que ele me disse foi algo sobre o anoitecer perto do portão oeste, e é por isso que estou indo para a estação da guarnição para esclarecer os fatos."
"Ó, ai de mim, um mago da água usado e abusado..."
"Você tem muita coragem de falar besteira assim enquanto enche a cara de bolo!"
༄
Na estação da guarnição, guardas totalmente armados estavam alinhados.
O Capitão Nimur avistou-os imediatamente quando chegaram lá.
"Ótimo timing, Abel!" — chamou ele. — "Eu estava prestes a ir te buscar no Onda Dourada."
"Nimur, pensei que a busca deveria acontecer à noite?"
"Esse era o plano, mas nossa unidade de reconhecimento fez contato mais cedo e nos disse que todos os suspeitos estão no esconderijo agora. Quero reunir todos eles, então estamos nos movendo antes do previsto."
"Entendi. Funciona a nosso favor, no entanto, hein? Vou dar uma mão. Este cara também. Ele é Ryo, um mago. Ele deve ser um recurso de combate muito poderoso, então você pode contar com ele."
"Ah, legal. Agradeço. Hm? Ryo, você não é aquele que resgatou Abel? Lembro de você agora. Vocês voltaram juntos. Bem, sou grato pela sua ajuda agora também."
"Não foi nada."
Nimur estendeu a mão e Ryo a apertou.
"A propósito, Nimur, tem alguma ideia de quem são essas pessoas suspeitas?"
"Na verdade, temos. Obtivemos provas conclusivas não muito tempo atrás. Espiões da Federação."
"Federação..." — murmurou Abel baixinho. Sua expressão deixou claro para Ryo que algo na situação o incomodava, o que por sua vez preocupou Ryo também.
Os quatro que pegamos da última vez eram da Federação também, mas... não eram aventureiros de verdade. Em vez disso, eram infiltrados... O que diabos está acontecendo?
Incluindo Ryo e Abel, a equipe de ataque consistia de vinte pessoas. Moveram-se rapidamente para cercar o local de uma antiga oficina perto do portão oeste. O lugar era grande, mas velho. Um dos membros da unidade de reconhecimento, que vigiava a área esse tempo todo, foi até o Capitão Nimur e fez seu relatório.
"Todos os dez estão lá dentro."
O Capitão Nimur assentiu em resposta.
"Entramos pela frente. Josh, leve quatro com você e dê a volta pelos fundos. Abel, Ryo, vocês vão com eles e peguem qualquer um que tente escapar por aquele caminho. Não me importo se machucarem eles, mas tentem ao máximo não matá-los. Obrigado desde já."
Evidentemente, uma prisão bruta estava bem... Mas isso não lhes dava licença para fazer coisas ruins.
Abel, Ryo, Josh e seus quatro homens deram a volta para os fundos do local. Trinta segundos depois, ouviram o som de algo quebrando na entrada da frente. Nimur e sua equipe devem ter usado algo para arrombar as portas.
Os gritos de raiva dentro da sala chegaram até o lado de fora. Então aconteceu logo em seguida. Algumas pessoas saíram voando pela entrada traseira. Mas...
"Gaaah!"
...escorregaram e caíram no chão gelado sob eles. Os quatro membros da guarnição amarraram-nos rapidamente com cordas.
Um homem pulou de uma janela do segundo andar acima.
"Lança de Gelo" — disse Ryo, mirando uma lança de gelo na perna dele para desequilibrá-lo. Ele aterrissou na frente de Ryo e desmaiou. Como o suspeito estava bem ali, Ryo, que segurava seu próprio pedaço de corda, amarrou as mãos do homem nas costas. Aprendera observando os outros.
No entanto... Krak. Outra janela a uma curta distância da primeira quebrou quando mais duas pessoas pularam. Então correram por suas vidas em direção ao portão oeste.
"Vou atrás deles!" — gritou Josh antes de correr em perseguição.
"Ei, espere... Maldição, acho que vou também. Ryo, segure as pontas aqui."
Com essas instruções, Abel correu atrás de Josh, que perseguia os dois homens em fuga.
Deixaram Ryo, que continuava amarrando o homem, para trás, ao lado dos quatro subordinados de Josh, que murmuravam desajeitadamente...
"Hã...?"
"Hum..."
Uma visão repentina e chocante irrompeu no campo de visão de Abel quando ele virou uma esquina depois de perseguir os três homens por um tempo: seus corpos, consumidos pelas chamas.
"Um quarto? Coruscare."
Abel ouviu as palavras muito fracamente. Sacou sua espada, que brilhou ao girá-la, cortando o que quer que voasse em sua direção. Era um ataque de magia de fogo, mas a massa de fogo brilhava como nada que ele já vira antes.
"Que diabos foi aquilo..."
Até Abel, que não era bem versado nas complexidades da magia, reconheceu que o ataque era tudo menos normal. Arrependeu-se de não ter trazido Ryo com ele, mas esse sentimento durou apenas um momento. Não havia tempo para mais nada porque, quando Abel se deu conta dele, um homem segurando uma espada já estava na sua frente!
Clang. Clang. Clang.
Abel aparou os três golpes consecutivos do homem. Então, cedendo ao instinto, recuou para criar distância entre eles. Então:
"Lapis."
Quatro lanças de pedra apareceram na frente do homem e correram em direção a Abel. Ele desviou da que mirava sua perna direita, usou o punho de sua espada para derrubar a que mirava seu abdômen, desviou a que se dirigia ao seu peito com a lâmina e inclinou a cabeça para evitar a que corria para lá.
Abel fez tudo isso enquanto avançava, sabendo que a melhor chance de contra-atacar era no momento em que o oponente atacava. Ele investiu e fechou a distância entre eles, então girou sua lâmina para cima em um corte diagonal enquanto se mantinha baixo no chão.
"Tsk."
Abel estalou a língua em aborrecimento sem pensar. Podia dizer pela sensação vinda de sua lâmina que ela atingira apenas a pele do homem. Também parecia ter cortado algum tipo de ferramenta... Seu oponente desviara perfeitamente, considerando que ele pretendia parti-lo ao meio.
No entanto...
"Minha sonda... Seu filho da puta..."
A raiva tomou conta do rosto do homem. O dispositivo em seu bolso estava quebrado, cortado ao meio. Seus olhos azuis, visíveis através do cabelo roxo claro cobrindo-os, encararam Abel.
"Isso acaba agora. Desapareça!" — cuspiu furiosamente. — "Vinea Glacies."
"Parede de Gelo de 10 Camadas."
Inúmeros pingentes de gelo se formaram na frente do homem. Pareciam cobrir toda a área, apenas para serem bloqueados por uma parede de gelo.
"O quê?!"
O homem de cabelos roxos olhou em volta, mas viu apenas os três cadáveres carbonizados e o espadachim diante de seus olhos. Não havia mais ninguém. Até onde podia ver, pelo menos — o que significava...
"Coruscare."
Ele disparou três aglomerados de chamas brilhando vividamente ao redor da esquina.
"Lança de Gelo 6."
Uma voz veio do outro lado da esquina... Uma voz que Abel conhecia... Ele também sabia o quanto Ryo adorava contra-ataques. Sincronizar seus ataques com os do oponente, ou forçar seu oponente a atacar para que pudesse esmagá-lo com o seu próprio... Ele fizera o mesmo contra a rainha harpia nas Montanhas Maléficas e o príncipe demônio na Camada 40 da masmorra...
Exceto que desta vez, ele criou seis lanças de gelo contra três aglomerados de chamas... O que significava que Ryo provavelmente pretendia...
No momento em que o pensamento passou por sua mente, o corpo de Abel se moveu. Clang. O homem de cabelos roxos aparou a lâmina de Abel com a sua.
"Ngh!"
As três lanças de gelo restantes perfuraram suas costas... ou teriam, se não tivessem quebrado no contato. O homem não conseguiu mitigar a força dos projéteis, então seu corpo saiu voando. Ele caiu no chão.
Ryo usou o momento para sair correndo da esquina.
"Abel, você está bem?!"
Ele estivera lutando enquanto usava Sonar Passivo para vasculhar toda a área, então, embora soubesse que Abel ainda estava vivo, era natural que se sentisse inquieto até vê-lo com seus próprios olhos.
"Sim, tudo bem."
Quando desviou das lanças de pedra do homem de cabelos roxos, mal evitara a que mirava sua cabeça, então tinha um corte na bochecha esquerda. Claro, não era um ferimento com risco de vida.
"Que diabos é aquele cara..."
"Pacote de Parede de Gelo de 10 Camadas."
No momento em que Ryo entoou o feitiço e os cercou em uma barreira feita de gelo, uma chuva de fogo desceu.
"Pacote de Parede de Gelo de 10 Camadas."
Era poderosa o suficiente para que ele tivesse que reconstruir a parede de gelo. O dilúvio de fogo continuou por mais de um minuto... Quando parou, o homem de cabelos roxos não estava mais lá...
"Droga, ele escapou..."
"Tenho quase certeza de que a chuva de fogo agora há pouco foi a magia de outra pessoa... Devem tê-lo ajudado a escapar, hm?"
Ryo entendia até certo ponto o que acabara de acontecer. Em vez de usar a visão, usara Sonar Passivo, ou vapor de água no ar, para ter uma noção da situação. Ainda assim, havia algo que não entendia.
"Aquilo" — disse ele —, "não era uma pessoa, era?"
O homem não possuía chifres e cauda como uma akuma, nem era uma criatura grotesca como os demônios e o príncipe demônio. Na superfície, parecia completamente humano. Mas um humano com cabelo roxo. E aqueles olhos...
"Bem, com certeza nunca ouvi falar de uma pessoa com olhos azuis brilhantes."
Ryo assentiu em concordância.
"Suponho que isso signifique que o perigo está à solta na cidade de Lune também, hm..."
"Exceto que normalmente não temos gente como ele aqui..."
༄
No dia seguinte. Depois de fazer algumas pesquisas na biblioteca do norte com Sera pela manhã, ele almoçou no Estação Abastecer e chegou à guilda de aventureiros para seu encontro das 13h com Abel. Ele já estava lá, conversando com uma criança familiar perto do balcão da recepção. A dita criança notou a chegada de Ryo antes de Abel.
A criança era Natalie, a única outra maga da água que ele conhecia além de si mesmo, que por acaso fazia parte do Departamento de Magos Reais. Quando Abel percebeu que Ryo estava ali, disse algumas palavras a Natalie antes de caminhar até ele.
"Olha só para você, Ryo. Bem na hora."
"Pode continuar falando com a Natalie. Não deixe que eu interrompa."
A garota curvou a cabeça educadamente para ambos e saiu da guilda.
"Uma carta para mim chegou da capital real e ela foi gentil o suficiente para trazê-la para mim."
"Do misterioso— Qual era o nome mesmo?" — Ryo tentou lembrar da carta anterior da capital real que Natalie dera a Abel. — "Hilarion?"
"Caramba, sua memória só é boa para as coisas mais aleatórias, hein?" — Abel sorriu ironicamente antes de enfiar a carta, provavelmente de Hilarion novamente, dentro de sua roupa.
"Você ficou bem depois do que aconteceu ontem, Abel?"
"Hm? Ah, você quer dizer aquele cara de cabelo roxo? Sim. Não é como se alguém tivesse me atacado depois."
"Não, não foi isso que eu quis dizer. Quero saber se Rihya ficou brava com você por se machucar."
"Ahhh, ok... É, uh, ela ficou fula, para dizer o mínimo..." — Abel fez uma careta, balançando a cabeça um pouco. Deve ter levado uma bronca daquelas... Mas o ferimento em sua bochecha esquerda desaparecera completamente.
Ryo assentiu mentalmente, nem um pouco surpreso com o poder da magia de cura de Rihya.
Quando Abel e Ryo entraram na divisão imobiliária da guilda, seu chefe, Riplait, levantou-se para cumprimentá-los.
"Abel, Ryo, muito obrigado pela paciência." — Então indicou para que se sentassem no conjunto de sofás na sala.
"Consegui encontrar apenas uma propriedade que atenda às suas condições" — continuou ele, abordando o assunto assim que um de seus subordinados serviu chá aos três. — "No entanto..." — disse ele antes de parar.
"Com base no seu tom, presumo que o lugar não se encaixe perfeitamente nos meus critérios, correto?"
Ryo sabia que em situações como essa, onde a outra parte prevaricava, geralmente era por causa de problemas menores, apesar de a pontuação geral ser aprovada.
"Sim. A localização é a questão."
"A localização?" — Abel e Ryo disseram em uníssono.
"De fato. É fora da cidade."
"!"
Essa notícia surpreendeu os dois.
Ryo estava preparado para ceder em vários termos, como o tamanho do quintal ou as outras casas na vizinhança. No entanto... nunca imaginara que lhe mostrariam uma propriedade fora das muralhas da cidade.
Quando chegou pela primeira vez aos arredores de Lune vindo da Floresta de Rondo, ele e Abel olharam para a vista panorâmica da área do topo de uma pequena colina. A cidade ficava em meio ao mar dourado dos campos de trigo crescendo ao seu redor. Dentro desse mar de ouro, lembrava-se de ter visto algumas casas. Aqueles que ganhavam a vida com a agricultura haviam se mudado do centro da cidade para fora de seus muros. Por causa das constantes idas e vindas dessas pessoas, os portões da cidade nunca fechavam, nem mesmo à noite.
"Esta propriedade, é uma casa de fazenda ou algo parecido?"
"Isso mesmo." — Riplait assentiu firmemente. — "Visitei eu mesmo ontem e, além de sua localização fora da cidade propriamente dita, posso recomendá-la a você com total confiança."
"Então por que não vamos dar uma olhada nela?"
À sugestão de Ryo, tanto Riplait quanto Abel se levantaram.
"Já fiz um pedido para usar uma das carruagens da guilda, então, por favor, esperem na frente."
Com isso, Riplait dirigiu-se aos fundos do prédio principal da guilda, onde ficava o depósito.
"Não sabia que a guilda tinha sua própria frota de carruagens."
"É, três, eu acho. O pessoal as chama apenas de carruagens da guilda, embora o Mestre da Guilda use uma delas quase exclusivamente para suas viagens de ida e volta à propriedade do marquês. A equipe da guilda concederá permissão para usar uma se considerar necessário, como o seu negócio hoje. Não emprestam à toa para aventureiros, só para você saber."
"Que pena."
Abel cortou os pensamentos de Ryo antes mesmo que ele pudesse expressá-los em voz alta.
Depois que os três embarcaram na carruagem da guilda, ela virou na avenida principal e seguiu para o norte. Era a mesma em que Hugh estava quando Ryo o encontrou no caminho de volta da residência do lorde da cidade. Pouco tempo depois, a carruagem chegou ao centro de Lune, ou seja, a praça de paredes duplas na entrada da masmorra. Virou à direita ali e seguiu para o leste pela avenida leste da cidade, em suma, em direção ao portão leste.
Ryo também conhecia essa área muito bem. Por quê? Porque seu local habitual, o Estação Abastecer, ficava por perto.
Para ele, a propriedade estar situada perto do portão leste era um ponto enorme a seu favor, mesmo que ainda fosse fora da cidade propriamente dita. Preferia muito mais do que os portões sul ou oeste.
A inspeção no portão leste foi simples para os passageiros da carruagem. O guarda só precisou verificar a identificação deles; no caso de Abel e Ryo, seus cartões da guilda, e para Riplait e o cocheiro, seus cartões de equipe da guilda. Como levou apenas alguns segundos para verificar o de cada pessoa, o processo foi essencialmente livre de estresse.
Cinco minutos depois de sair pelo portão leste, a carruagem chegou ao seu destino. A primeira coisa que Ryo olhou ao desembarcar na frente da casa foi o grande quintal. Podia ver uma cerca de madeira a uma distância considerável marcando a borda do terreno. Tinha quatrocentos metros de comprimento e quatrocentos metros de largura... grande o suficiente para caber três campos de futebol confortavelmente.
E então ele se virou para olhar a casa parada ali.

Não era... exatamente a casa de fazenda estereotipada que ele imaginara.
"Esse é o tipo de casa que fazendeiros constroem?"
O prédio em si era térreo, mas bastante largo. Portas duplas impressionantes guardavam a entrada no centro. Além dessa entrada principal, ele viu outras duas portas — entradas laterais, presumivelmente. Parecia haver várias janelas, embora as venezianas estivessem fechadas no momento. Elas lembravam Ryo de sua casa na Floresta de Rondo.
"Esta é de fato uma casa de fazenda, mas a família proprietária era evidentemente muito rica. O único filho e herdeiro foi elevado à nobreza depois que suas habilidades de engenharia foram reconhecidas na capital real. Assim que se mudou para lá, convidou os pais para morarem com ele também, e é por isso que tanto a casa quanto a terra foram colocadas à venda."
"Ele foi de engenheiro a nobre? Deve ser incrivelmente talentoso, hein?"
Abel assentiu pensativo em resposta à explicação de Riplait.
"Outros fazendeiros compraram as terras agrícolas espalhadas aqui e ali nestas partes, mas esta propriedade em particular está no mercado há quase um ano sem compradores em potencial."
"Tanto tempo assim?" — Ryo notara o quão bem aparados estavam tanto o gramado da frente quanto a área ao redor do celeiro. — "Mas o gramado parece tão bem cuidado. Nem uma erva daninha à vista."
"Ah, existem comissões postadas na guilda para manutenção em casas vagas que ranks E e F podem aceitar, então provavelmente é por isso" — respondeu Abel.
"Normalmente, sim, mas os donos desta propriedade nunca enviaram nenhum pedido à guilda. Essa também é a razão pela qual a divisão imobiliária da guilda nunca a verificou. Minhas mais sinceras desculpas."
Como chefe do departamento mencionado, Riplait curvou a cabeça em desculpas a Ryo porque essa listagem não estava no registro da guilda quando Abel e Ryo visitaram pela primeira vez. Se os proprietários tivessem enviado um pedido de manutenção, é claro, a guilda teria enviado sua equipe para inspecioná-la.
"Espera, sério?" — perguntou Abel. — "Mas então como... Ahhh, a empresa de limpeza daquele velho?"
"Correto" — disse Riplait. — "Este é um dos lugares sob os cuidados da empresa do Mestre Schmidthausen."
"Essa é a empresa de limpeza administrada por um ex-aventureiro?"
"É, acertou em cheio. Você sabe sobre ela também, Ryo? Ele tem uma cara assustadora, mas é uma boa pessoa. Você pode definitivamente contar com ele se tiver qualquer trabalho de limpeza. Aparentemente, ele dá descontos para aventureiros."
A razão pela qual Ryo sabia sobre ele era porque Nina, a recepcionista, mencionara o homem durante sua primeira visita ao dormitório da guilda. Mais especificamente, a empresa de limpeza de um ex-aventureiro gerenciava a limpeza lá.
Os três caminharam pelo interior da casa, inspecionando-a. O lugar estava tão escrupulosamente limpo que ele poderia se mudar a qualquer momento. Como suspeitava, as portas além das portas duplas da entrada principal eram entradas laterais conectando o interior da casa ao mundo exterior. Talvez tivessem sido construídas para facilitar a entrada e saída de coisas em vez de depender apenas da entrada principal. Como portas de serviço ou dos fundos.
Na mesma linha, havia mais duas dessas portas situadas nos fundos da casa. Novamente, pareciam ter sido instaladas para facilitar o transporte de coisas para dentro e para fora da casa espaçosa.
Havia uma sala de estar, sala de jantar, cozinha, alguns quartos e alguns grandes depósitos também. E, finalmente, uma sala tipo escritório, o que era surpreendente para uma casa de fazenda...
"Então é isso que significa ser um fazendeiro rico, hm?" — murmurou Ryo baixinho para si mesmo.
A característica mais surpreendente do interior da casa era o enorme balcão de cozinha preto. Feito de um material que lembrava granito, era um espaço extremamente útil para um cozinheiro. Era uma mobília que indicava quem realmente detinha o verdadeiro poder nesta casa.
O tour pela casa continuou...
Mas então Ryo notou algo infeliz.
"Não tem banheira..."
Seu rosto poderia ter passado por uma escultura representando a palavra "desespero".
"B-Bem, não, não tem... No entanto, se for absolutamente vital para você, Ryo..."
"É..."
Ao ver a expressão de desespero de Ryo, Riplait também foi preenchido pela mesma emoção diante de seu próprio descuido. Sim, o desespero é contagioso.
Abel foi o único completamente imperturbável.
"Acho que você vai ter que fazer uma você mesmo, hein?"
Sua sugestão, lançada tão casualmente, trouxe Ryo de volta à vida.
"Minha nossa! Você está absolutamente certo! Posso simplesmente fazer eu mesmo! Riplait, preciso de licenças ou algo assim para realizar reformas?"
"Não, de jeito nenhum. Essa é na verdade uma das razões pelas quais recomendo esta propriedade. Se você morasse dentro da cidade propriamente dita, teria que solicitar todo tipo de aprovação das autoridades relevantes... até mesmo para consertar as paredes de sua própria casa, por exemplo. Mas em terras fora das muralhas da cidade, como aqui, você pode fazer o que quiser, contanto que não invada as estradas principais. O que significa que, é claro, você pode instalar sua própria banheira. Caso solicite, também podemos ajudá-lo a contratar um carpinteiro respeitável e outros artesãos" — respondeu Riplait, o desespero que cobria seu rosto um momento antes desaparecendo completamente.
"Maravilhoso. Então, poderíamos discutir o preço...?"
"Certamente. Incluindo a propriedade em si, mais toda a papelada e procedimentos necessários, o total é cinquenta milhões de florins. O que acha? Arredondei o preço para baixo para o número inteiro mais próximo."
"Eu vou comprar."
Ryo decidiu na hora. Para ele, a localização fora da cidade não era problema. Primeiro de tudo, ele não era o tipo de aventureiro exemplar que ia à guilda todos os dias para aceitar trabalho. Em segundo lugar, conhecia muitos restaurantes fantásticos, incluindo o Estação Abastecer, perto do portão leste. Embora a comida nesses estabelecimentos fosse voltada para plebeus, estavam muito acima do padrão com a comida deliciosa que serviam. Um terceiro ponto enorme a favor desta propriedade era o quanto ela ficava mais perto da biblioteca do norte e da residência do marquês, que ficava ainda mais ao norte, do que o dormitório da guilda.
Mas a maior vantagem de todas era o quintal enorme. Era ainda maior do que a área dentro da barreira na Floresta de Rondo. Ele definitivamente não antecipara algo desse tamanho. Embora estivesse desapontado com a falta de uma banheira, ser capaz de fazer a sua própria resolvia o problema.
Então, no que dizia respeito a Ryo, ele não tinha motivos para recusar uma propriedade com condições tão favoráveis.
༄
O ritmo da carruagem sacudia o homem de cabelos roxos e a mulher de cabelos roxos lá dentro.
A mulher exalou silenciosamente.
"Santo Deus... Sua missão era procurar pela anomalia, mas você acabou matando três pessoas e depois engajando mais duas em combate. Diga-me, como isso sequer aconteceu?"
"Não é minha culpa. Eu estava operando a sonda quando de repente três homens vieram correndo na minha direção. Não tive escolha a não ser matá-los, já que me viram" — respondeu o homem com naturalidade, sua postura impassível.
"E a sonda foi destruída no final, não foi? Você terá que voltar para a torre antes de fazer mais movimentos."
"A próxima vez que eu encontrar aquele espadachim e aquele mago... definitivamente vou retribuir o favor." — Pela primeira vez, o homem de cabelos roxos finalmente mostrou alguma emoção em resposta ao comentário de sua companheira.
"Se você consegue, essa é a questão."
"As restrições colocadas em mim tornaram impossível na época eu derrotá-los... Mesmo assim, aqueles dois possuíam uma capacidade de combate chocantemente alta para humanos. Na próxima vez, porém..."
As palavras murmuradas do homem eram tão baixas que até a mulher sentada ao lado dele teve que se esforçar para ouvi-las.
"Se removerem apenas um nível das restrições, posso cuidar dos dois ao mesmo tempo. Facilmente, também."
"Parece-me que você está simplesmente guardando rancor agora... Bem, faça como quiser." — A mulher deu de ombros. — "Mesmo que não tenhamos conseguido identificar a fonte da anomalia, já tive o suficiente desta cidade. Assim que recebermos uma nova sonda, investigaremos um local diferente. Certamente não queremos que o castelo caia, hm?"
༄
Longe ao norte da cidade de Lune.
"General, trago notícias sobre um assunto particular."
"Diga."
"Sim, senhor. O pelotão de Gamingam, que se infiltrou na cidade de Lune do Reino, retirou-se."
O homem tratado como general franziu a testa.
"Elabore."
"Foram capturados pela guarnição da cidade e colocados na cadeia, mas conseguiram escapar e decidiram que seria melhor deixar a cidade inteiramente naquele ponto."
"Capturados, foram? Que fracasso colossal..." — O general pressionou a palma da mão na testa e balançou a cabeça levemente. — "Despache novos agentes. Onde mais temos nosso pessoal disfarçado e em posição?"
"Excluindo o Margraviato de Lune, o Marquesado de Hope, os Ducados de Shrewsbury e Flitwick, e a capital do Reino."
"Então nossa base sul está destruída..."
"Sim, senhor. Marquês Heinlein... Bem, ele..." — A expressão do ajudante tornou-se amarga também, refletindo a do general.
"Deixe pra lá. Esqueça ele. Não há mais nada que possamos fazer lá e prefiro não mexer num vespeiro a esta altura. É exatamente por isso que você precisa fazer algo sobre o Marquês de Lune, já que o domínio dele fica no sul."
"Entendido."
O ajudante fez uma saudação e saiu da sala.
Sozinho agora, o general murmurou para si mesmo.
"Devemos chegar a tempo, não importa o custo..."
Traduzido por Moonlight Valley
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